Notas iniciais
Não sei se ficou bom esse capítulo mas tentei trabalhar nele durante uns três dias. Feels.

Haviam se passado duas semanas desde o enterro da mulher e da filha de John, e os eventos ainda voltavam a mente de Sherlock, que se dirigia para Baker Street em um táxi. Lembrava que enquanto John usava o banheiro no Hospital, começou a fazer ligações para organizar o enterro, e o rosto do loiro calmo enquanto dormia no sofá depois do dia desgastante. Notava que os sentimentos que havia deixado de lado, esquecidos como uma foto antiga, começavam a ponderar sobre seu coração e mente de novo. Olhou para a rua e o mundo lhe parecia tão entediante que o deixava irritado. Suspirou.
Ele havia percebido oque sentia pelo amigo, tarde demais. Não fazia a miníma ideia que podia sentir aquilo, sempre achou que estava salvo, ele não precisava das pessoas, e estava ótimo. Até claro resolver achar um colega para dividir um apartamento. Se lembrava como seu coração pulava só de ver o sorriso de John. Mas aquilo eram águas passadas, pareciam décadas desde então, mas na verdade faziam apenas dois anos, tanta coisa acontecera, o sentimento permaneceu dentro dele como algo que ele conservava mas não dava muita atenção, algo que ele deixara acomodado em um canto no seu palávio mental,que agora recebia luz e começava a crescer.
Sherlock percebera apenas algumas semanas antes de ter que enfrentar Moriarty no terraço de Barts. O carro virava a esquina para o destino final. O Holmes tinha coisa melhor para se concentrar com certeza, aquilo era perca de tempo, ele sabia que não ganharia nada com aquilo e ter esperanças era ridículo . Esperava que houvesse algo, pois estava apenas voltando de uma cena de crime, John havia ficado no apartamento para receber a visita da irmã que partiria no mesmo dia.
Pagou a corrida e puxou o casado mais perto de si. John ainda estar ali era algo que o deixava mais confortável que deveria. Se o Watson fosse se mudar, oque poderia ser bem provável, era melhor que o fizesse logo.

Começou a subir as escadas, até ouvir a conversa,e parou por um momento.


–...me escute, eu lembro de você falando dele- A irmã de John arrumava seus cabelos loiros e encaracolados atrás das orelhas- Você parecia tão-
– Eu sei — O loiro disse cortando a irmã — Mas você me imaginava mesmo entrando nessa? Quero dizer, eu achava que tinha algum tempo, pelo amor de Deus, eu nunca imaginei...
– Ninguém imagina, John. — Um meio sorriso apareceu no rosto da mulher.
– De qualquer forma, é algo do passado, quando ele sumiu eu apenas...tentei seguir em frente, achar uma mulher, e tentar me concentrar nisso. E eu finalmente achei essa mulher, e eu iria ter uma filha.... — Ele olhou para o chão e então seu olhar percorreu o comodo até a janela.
– Está tudo bem em se sentir frustrado, John...
– É claro que está, eu podia ter me casado com qualquer outra maldita pessoa, mas eu tinha que me casar com uma assasina sociopata... — o médico disse enquanto ria sem graça ou força — que diabos é isso, o meu 'tipo’?
– John...
– Eu...quando eu estava casado com Mary, as vezes, eu tinha pesadelos, que voltaram depois de Sherlock pular de cima daquele hospital, e neles eu via ele, pulando, e eu não podia fazer nada...Jesus,eu...as vezes eu acho que se eu tivesse contado a ele que — ele fez uma pausa pressionando seus lábios uns contra os outros- mesmo que nada tivesse mudado, pelo menos, ele saberia. Não que ele ligue pra esse tipo de coisa, ele não é assim claro mas, você sabe.
–’Se’...John isso já está no passado, pensar e repensar sobre isso não vai mudar nada. — .Ela franziu a testa olhando para o irmão.
–É ,eu sei, de qualquer maneira..é algo morto no passado. — Ele limpou sua garganta.
–Tem certeza?- Seus olhos se encontraram, e ela lhe deu um sorriso amarelo, finalmente se levantando do sofá onde estava — Se cuide, John. Me ligue qualquer hora que precisar, por favor.- Então John se levantou também e eles se abraçaram, logo então pegando as malas de Harry e se colocando em caminho para a porta do apartamento e então as escadas.

Quando estavam ao passo do primeiro degrau, onde estavam tendo uma conversa fiada sobre Harry tendo problemas de infiltração em seu apartamento, um detetivo um tanto pálido e de olhos azuis os surpreendera na porta.
–Oh !Sherlock — Ela lhe deu um sorriso.
Sherlock lhe meneou a cabeça — Relacionamentos baseados em passados similares criam laços fortes, boa sorte com ela .- E seguiu para seu assento no centro da sala.
–Ela? — John juntou as sombrancelhas.
–Ah sim, desculpe — Seus lábios se puxaram para um canto — Jennhy , garota legal, conheci em uma cafeteria, tomando café pra substituir o alcool.
– Porquê não me disse nada ? — John disse levando uma das malas a frente de seu corpo.
– Eu vim pra te ouvir não pra te falar sobre uma garota com quem eu transei semanas atrás e que é bonitinha.
Então finalmente desceram escadas a baixo. E Sherlock esticou as pernas, com as mãos abaixo do queixo, pensando, e pensando.

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John entrou e parou logo atrás de uma poltrona vermelha em frente a onde o detetive estava, apoiando ambos os braços esticados na cabeceria deste, sustentando o corpo.
–Sherlock...
–Hm? — Sherlock olhou para John, cujo estava olhando para o assento da própria poltrona até olhar para o amigo.
–Eu acho que você não vai mais precisar tirar essa poltrona daqui, eu pretendo me mudar para cá de novo.
Eles se entreolharam por três segundos, antes do loiro complementar rapidamente. — Claro, se estiver tudo bem para você.
– Tudo bem- Na verdade ele estava feliz em saber que John pretendia ficar, mas ao mesmo momento um pouco ansioso, pelo que tinha ouvi-.
– Eu vou tomar um banho... vou passar no meu apartamento antigo, preciso pegar algumas coisas lá. -Era a primeira vez em dias em que John falava em sair, específicamente, sobre seu apartamento.As roupas em que ficara todos esses dias eram trocas que Mrs.Hudson havia oferecido pegar na antiga casa dos Watsons. De outra forma, ele não havia saído com Sherlock em nenhum caso, eles não falavam sobre isso, o máximo era Sherlock falando sozinho em alto e bom som sobre como entediantes eram alguns, era um acordo silencioso, mas parecia finalmente que o sol começava a sair de trás das nuvens densas na vida de John.
–Hm — Sherlock voltou seu olhar para um ponto qualquer e reposicionou as mãos. John tamborilou os dedos no encosto do móvel em que estava apoiado e se dirigiu para o quarto, mas voltou, quando o moreno disse.
– Eu vou te acompanhar.
– Está tudo bem, você não precisa. -Em sua voz podia-se notar um pouco de dúvida, em relação a oferta do amigo, e talvez a si mesmo.
– Tem certeza ?
– Sim, Sherlock.
Depois de ambos fazerem algum contado visual, John se retirou e foi para o banheiro.

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John não chorara quando adentrara a porta da frente da sua antiga casa. Mas se sentiu terrivelmente abatido e sem forças ao olhar o quarto do bêbe, que estava totalmente intacto como o deixara, as cores rosa e branco giraram em sua vista turva, até ele decidir que não tinha ponto em ficar ali mais. Foi ao seu quarto, seus passos enchendo a casa vazia e se sentou na antiga cama que dividia com Mary. Pensou sobre tudo e nada. Até que enfim, abrira o guarda-roupa e pegara tudo seu que estava ali, e também algumas toalhas, ao entrar no táxi com a mala agora cheia e pesada que havia levado, percebeu que aquele podia ser um novo começo.
Ou talvez devesse deixar aquilo para amanhã, ao pisar na sala do apartamento de volta a 221B se sentia tão cansado que talvez fosse arrumar suas coisas só no dia seguinte, olhou no relógio e havia passado mais tempo lá que o previsto, os ponteiros já batiam meia- noite. E Sherlock não havia mudado sua posição nem por centímetros.

– Como foi ? — Sherlock disse não fazendo contato visual. Parecia que o frio detetive de sempre estava de volta, John era grato por isso, se não começaria a se perguntar oque haviam feito com o verdadeiro Sherlock.
– Bom...bem, tudo certo, eu vou dormir, eu estou terrivelmente cansado.
– Hm, boa noite.
–Noite... -John disse não tirando os olhos do moreno. — Caso novo?
– Pff — Sherlock bufou — quem dera, se Lestrade não aparecer com algo novo pra mim em menos de um dia, a parede vai pagar de novo.
– Não se eu estiver olhando — John lhe deu um sorriso meio triste, mas tão sincero que Sherlock não pode fazer nada contra lhe retribuir.
E eles ficaram sorrindo um para o outro, em uma espécie de hipnotismo, e nenhum fazendo qualquer esforço para quebrar aquilo. Então, John piscou algumas vezes e desviou o olhar “Já estava ficando estranho...” ele pensa, enquanto subia os lances de escada para seu quarto.

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O único detetive consultor do mundo estava esparramado em sua poltrona, com as mãos juntas e os olhos perdidos na cozinha, tentando repensar e repensar oque havia ouvido ali mesmo aos pés da porta da conversa entre John e a irmã, oque deduzira fora óbvio. Mas não o deixava feliz, mas sim muito confuso, e um tanto, culpado, irritado. Bem, talvez sim feliz por saber que um dia John tivera olhos para ele. Ele que era tão indigno de tão maravilhoso ser humano quanto John, aos seus próprios olhos Sherlock era o pior, e que John que estava rodeado de mulheres merecedoras dele, foram ignoradas em algum tempo do passado, e substituídas por ele, ele que era casado com seu trabalho e não havia sentido nada por outro ser humano verdadeiramente até conhecer John. E o moreno que fora estúpido o bastante pra perceber oque sentia tarde demais, em algum momento eles poderiam ter tido algo.
Mas a medida que pensava seu olhar se abaixava até encontrar os pés, e lembrar das próprias palavras do médico “ Está morto no passado.”
Então Sherlock ouviu um grito abafado vir do andar de cima. “JOHN!”.
Em um movimento rápido levantou e correu escada a cima até chegar a porta entre aberta do amigo. John se revirava na cama, seu rosto se contorcendo em uma expressão dolorosa, e falando abafadamente coisas que Sherlock não conseguia entender. O moreno ficara parado na porta por uns momentos até decidir se aproximar da cama do loiro.
Devagar Sherlock colocou uma de suas mãos no ombro de médico.
– John.. — o chamou mais algumas vezes sussurrando, tentando acorda-lo , mas não o sacudindo, acordar uma pessoa que está tendo um pesadelo assustada não é a melhor opção.
Então John abriu os olhos, e em um movimentos rápido pegou a mão de Sherlock em seu ombro e a torceu. — John!John! Calma sou eu, sou eu, John, está tudo bem, você está em Baker Street...- O loiro foi soltando aos poucos a mão do amigo, a qual o pulso havia se tornado branco. O rosto de John empalideceu-se e ele respirou forte pelo nariz e logo depois soltando pela boca. — Calma, John.
Sherlock nunca havia presenciado um episódio de pesadelo do amigo, claro que o médico havia falado deles para ele, mas enquanto vivera em Baker Street, John nunca tivera eles, ou pelo menos, se aconteceu, nunca os citara.
John procurou pelos olhos do amigo até os acha-lo .
–Me desculpe...- Ele disse passando a mão pelo rosto.
– Tudo bem, você estava tendo um pesadelo, gritando, devo ter te assustado colocando a mão no seu ombro assim.
–Não você não me assustou. — John respirou mais uma vez.
Sherlock agora estava sentado na cama, de frente para John, observando como seu corpo passara de tenso para um estágio menor. Vendo que o amigo estava mais calmo, começou a se levantar.
– Vou deixar você dor-
–Não .- John o interrompeu, para a surpresa de ambos — Fique aqui.
Depois de horas, na verdade apenas segundos, de hesitação em parte de Sherlock, que tentava organizar tudo oque estava sentindo e a situação de John, cedeu. Se deitou ao lado de John, por cima do edredom que agora só cobria até o quadril do loiro.
Pelo canto do olho, percebeu a imediata perda de tensão no corpo do Watson. Ambos estavam olhando para o teto do quarto, tentando entender aquela estranha situação, mas confortadora.
As mãos de ambos estavam pousadas na superfície da cama próximas uma a outra, John percebeu e devagar começou a aproximar sua mão ao do amigo. Ele precisava de uma prova que não estava sonhando aquilo, que alguém estava ali com ele. Acabara de sonhar com seu tempo no Afeganistão novamente, onde via seus amigos serem mortos, onde estava no chão estirado sem nenhum movimento no corpo.
Primeiro os mindinhos, e logo que Sherlock percebeu sentiu suas bochechas corando, deu graças a escuridão do quarto pois assim John não poderia ver. O moreno sentiu o médico entrelaçar seus dedos, e os apertou carinhosamente.
“ ...pesadelos que voltaram depois que Sherlock pulara daquele Hospital...”. “ Cuide dele”. “ Mantenha um olho nele, Sherlock” . Tudo passou por sua mente, e pensar que aquilo fora culpa dele o deixava frustrado. Então machucar a pessoa que ele amava era oque ele estava fazendo?.
John logo se virou para encarar Sherlock que ainda estava olhando para o teto.
–Obrigado — O loiro firmava seus dedos ao redor dos do moreno, já com os olhos fechados.
Sherlock virou o rosto e percebeu como o amigo parecia calmo, e sua voz tão sonolenta. Era oque John precisava, mesmo que Sherlock fosse acabar machucado, era sua vez de retribuir o amigo, e homem que amava, por todas as vezes que lhe salvara sua vida, de uma forma que não fosse John que acabasse prejudicado.
Sherlock virou seu corpo completamente, e começou a passar os longos dedos pelos cabelos areia de John gentilmente. Se lembrou do dia em que estivera no Hospital e John fizera a mesma coisa com seus cachos. Ficou algum tempo fazendo aquilo até perceber que John estava dormindo profundamente, e sem querer, Sherlock dormira também, com um sorriso no rosto.

Notas finais
Me desculpem qualquer erro ortográfico, pois não tenho Beta. Oque acharam ? A partir daqui é uma nova vida para os dois