Overdose
4 Capítulo 4
Notas iniciais
As ruas e pessoas do lado de fora das janelas no Táxi pareciam as mesmas, passando como imagens meramente borradas, sem nenhuma importância, naquele dia nublado. John e Sherlock olhavam pelas respectivas janelas, ambos perdidos em seus próprios pensamentos. As vezes o moreno olhava com o canto do olho para o outro, apenas para se certificar que ele estava bem. ‘Bem’ não era uma palavra que realmente poderia ser usada, o loiro fora para Baker Street com Sherlock depois de encontra-lo no Hospital, John não dormira, nem comera nada, no máximo tomara alguns copos de água nas ultimas 24 horas. Aliás mal falara, só o fizera para avisar alguns amigos do enterro da mulher e filha.
O Holmes então sentiu seu celular vibrar.
Sherlock, John está com você? — MH
Então a notícia havia chegado a Mycroft?
Sim, oquê você quer ? — SH
A resposta veio 3 minutos depois.
Sherlock, é importante que fique do lado de John nesse momento — MH
Como se fosse algo que Sherlock não soubesse.
Eu sei — SH
Bom. John deve estar terrivelmente abalado, transmita a eles meus pêsames- MH
Sherlock não o respondera, e logo após John, descera do carro em rumo ao cemitério.
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A cerimônia de velório foi simples e todas pessoas que realmente importavam estavam lá, até mesmo Harriet, a irmã de John, que parecia não ter dormido na última noite, pois provavelmente viajara até Londres durante a madrugada. Logo ela e John se dirigiram apra um canto e começaram a conversar, John parecia abatido. Mrs.Hudson tinha chegado logo após ele e Sherlock, e tentava fazer o seu melhor. Logo chegara Molly e Stamford, abraçando o víuvo e lhe dizendo algumas palavras, e quando Greg aparecera foi direto a Sherlock, balançando a cabeça indicando o lado de fora da Capela para este, que o seguiu.
– Como ele está ? — O Inspetor disse olhando para John.
– Exausto, aconteceu muito rápido — Sherlock disse olhando para a fusão de verde e cinza a sua frente no cemitério.
–Deus, eu imagino...pobre coitado — Greg apoiava uma das mãos na cintura — A voz dele estava horrível no telefone... estava em Baker Street, com você?
– Sim.
– Isso é bom, mantenha um olho sobre ele, não vai ser fácil, John é um homem forte, mas perder pessoas próximas, assim, de novo, deve acabar com os nervos dele....
–De novo? — Sherlock se virara para encarar o outro. Então se deu conta do que o ‘de novo’ significava, quando Sherlock havia ‘morrido’. Então sua feição se suavizou e voltou os olhos para dentro da capela onde John conversava com um homem nos seus 20, provalmente algum parente que Sherlock não conhecia.
–Olhe Sherlock, ele vai precisar de assitência, talvez ele queira conversar, e quando o fizer, preste atenção nele, fique ao seu lado.
– Eu vou. — Sherlock meneou a cabeça para o homem a sua frente.
– Eu sei que você não é de mostrar afeto, mas talvez ele precise disso, abraços, esse tipo de coisa.Vai faze-lo sentir-se melhor, saber que há alguém ali para ele.
–John com certeza sabe que eu estou aqui, ele não é cego.
– O que eu quero dizer Sherlock, é que quando se perde alguém, você se sente devastado, como se um caminhão tivesse passado por cima de você, você não sabe mais oque fazer, o cara pode parecer para você meio perdido, Deus sabe como o coitado se sentiu quando você ‘morreu’.- Vendo que conseguira a atenção do Holmes, Lestrade continou a falar.- Em seu enterro John não chorou de imediato, ele apenas ficou ali, parecendo não acreditar em nada que seus olhos viam. E todos que tentavam falar com ele apenas recebiam meias palavras, ele estava terrível, você nem imagina. Mas quando começaram a jogar os primeiros palmos de terra sobre seu caixão, ele chorou, e todos nós fingimos não perceber, ele ficou um tempo ali parado ao lado da sua cova com a mão cobrindo o rosto. Ele veio pra minha casa depois, e após 40 minutos de silêncio e meio copo de whisky, ele começou a falar, e não conseguia prender o choro. Ele se sentia tão culpado, e eu fiquei ali tentando reconfortar o John, ele nem conseguiu voltar ao apartamento naquele dia, e quando ele voltou eu acompanhei ele...ele realmente precisa de você Sherlock.
O detetive ficou chocado ao ouvir o relato, ele não tinha conversado sobre isso com John, de como ele passara no enterro deste, e porque deveria? Ele tentou manter todas essas emoções embaralhadas atrás de sua usual fachada consistente, olhando através de Greg.
– Vou leva-lo para Baker Street comigo. — Sherlock disse quando esteve seguro de sua voz.
– Melhor, eu não acho que ele vai voltar tão cedo para o antigo apartamento que dividia com Mary ...só penso sobre todas as coisas do bêbê que devem estar lá.
Sherlock apertou os olhos e ambos logo se colocaram dentro da capela de novo.
A caminhada até a cova fora silenciosa, a não ser pelos passos das pessoas. Quando elas já estavam dando os últimos abraços em John e indo embora, a irmã do Watson viera falar ao Holmes.
Ela era mais baixa que o ele, mas mais alta que o irmão e lhe dera um olhar de cima a baixo de falar. — John me falava muito de você, ainda fala...Eu vou ficar na cidade, qualquer coisa.- Ela fez uma pausa — Por favor, cuide dele. — Seus olhos azuis escuros, tão parecidos com o do irmão, se curvaram com um sorriso amarelo pousando sua mãos delicadas nos braços de Sherlock.
– Eu vou — Sherlock tentou sorrir, mas foi uma tentativa falha, que acabou em seus finos lábios apenas comprimidos um contra o outro.
Logo todos foram embora e Sherlock dirigiu a palavra a John pela primeira vez em algumas horas .- Como se sente?
–Cansado... — As bolsas escuras sob os olhos do médico evidenciavam isso. Enquanto John olhava ainda para o tumulo da esposa e da filha.
–Você precisa de um tempo sozinho, querido ? — A Sra.Hudson, que estava ali ao lado deles a algum tempo, disse olhando para John ao lado do Holmes.
– Sim, por favor. — Ele respondeu finalmente.
Mrs. Hudson e Sherlock deram alguns passos adiante no cemitério, deixando John para trás.
–Eu vou na frente, vejo vocês no apartamento ,sim? — Ela disse seguindo o olhar de Sherlock que encarava as costas de John ao longe — Pobre John, Mary era uma mulher linda, e tão simpática,é ralmente uma tragédia, e logo se foi a bebê junto....John me disse que foi, hm, algo como Síndrome de Hellp que a afetou no parto ?
–Ah, sim, o intestino se incha e provoca hemorragia interna, o sistema do bebê acabou sendo prejudicado. John percebeu no meio da noite enquanto dormiam que o nariz da Mary começou a sangrar, e se dirigiram pro Hospital mas...era tarde. — E Sherlock não desviara sua atenção nenhum segundo.
–Oh Deus...- A mulher lhe deu um último abraço se despedindo e se pós dentro de um táxi. Segundos depois John caminhava de encontro a ele. Não havia nenhum sinal que John chorara novamente.
– John...eu acho melhor você ficar em Baker Street por enquanto.
– É... Deus eu não aguento mais ficar aqui. — John disse olhando em volta.
– Está tudo bem, o nosso táxi está esperando. — Sherlock disse olhando afetadamente para o amigo.
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E no caminho para 221B, de certa forma, John parecia mais aliviado. Finalmente quando pisaram no apartamento, John deixou sentar-se no sofá, exausto, olhando para as próprias mãos. Sherlock se sentia impotente diante do loiro, e decidiu se dirigir para a cozinha, onde fez chá para ambos. Era difícil ver Sherlock fazer chá quando os dois moravam juntos, geralmente quem o fazia era o médico, mas foi a primeira coisa a passar na mente do moreno no momento, que ele podia fazer pelo amigo.
John olhou para cima ao ver uma mão pálida segurar uma caneca com chá a sua frente.
–Obrigado.- Ele a pegou da mão do detetive, e por um momento suas mãos se roçaram. O Holmes bebericou seu chá e o pousou na mesa de centro, silenciosamente sentou-se em sua poltrona. “Talvez John precise de silêncio”, Sherlock pensou, mas ele também deveria monstrar a John que ele poderia falar com ele, só não sabia como transmitir a mensagem, se sentia um pouco inseguro, e odiava aquele sentimento, ele queria fazer algo, porquê por mais que não gostasse de admitir, ele não era uma máquina, era um ser humano, e ver John ali daquele jeito, o machucava, o deixava triste, e sem perceber seus olhos se encontraram com o chão. Então os levantou e respirou antes de falar.
– John,você sabe que...você pode falar comigo, certo?
John olhou para Sherlock com as sombrancelhas arqueadas, talvez surpreso pelo tom que Sherlock estava usando, tão suave — Sim, eu sei.
– Se você...precisar. Se eu puder fazer algo...fale. — Sherlock fez contato visual com o mais velho, ele se sentia um pouco embaraçado, mas deveria deixar John saber.
–Sim, obrigado — Ele tentou sorrir oque acabou não se concretizando, e o silêncio tomou conta deles. Então ele falou de novo. — Você poderia tocar o violino ? Está tudo tão queto...- John disse segurando seu chá.
Sherlock pareceu um pouco surpreendido — Claro ...- E ao se levantar pegou o instrumento.Pelo jeito que John estava sentado, Sherlock pode ver que conversar não era uma opção agora, não iria se abrir, sua mão livre estava fechada em punho demonstrando ansiosidade. Uma música suave começou a ser tocada, e quando Sherlock olhou de novo as mãos de John estavam relaxadas, mas este ainda estava perdido em pensamentos. O moreno se virou para janela e continuou a dançar sua mão pelo violino, e quando procurou John novamente, viu que o amigo havia adormecido, de um jeito que parecia totalmente desconfortável sentado ali no sofá. Sherlock abandonou o violino e buscou por um cobertor, e logo que o fez,o pousou sobre os ombros de John, ajeitando-o sutilmente . Finalmente, Sherlock se dirigiu ao seu microscópio e a algumas placas de teflon, deveria continuar seus experimentos, de alguma forma, a vida continuava em frente.
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