Overdose
1 Capítulo 1
Notas iniciais
Quando Greg percebeu que haviam passado quinze minutos desde que mandara a mensagem para Sherlock, sabia que havia algo errado. Pegou seu casaco deixado em cima da poltrona na Scotland Yard e correu para 221B Baker Street.
- Sherlock ? — O homem alto de cabelos acinzentados entrou no apartamento, e não recebeu nenhuma resposta. Se dirigiu ao quarto do moreno e o encontrou estirado no chão, lutando por ar. — Sherlock! — Greg imediatamente se ajoelhou ao lado do amigo e tentou acorda-lo, chamando por seu nome mais algumas vezes. Olhou em volta e percebeu algo que não gostaria de te-lo feito. Ao seus pés havia uma seringa e alguns outros apetrechos que provavelmente “ajudaram” o detetive a chegar onde estavam no momento. Sherlock estava tendo uma overdose.
Sherlock começara a se debater, atingindo o outro em cheio nos braços e barriga, mas finalmente abriu os olhos — Calma, Sherlock... — Greg tentou dizer, fazendo com que o outro ficasse parado, então um sorriso débil e fraco tomou conta do rosto do moreno :
-Ah, Greg....bom que você está aqui — E depois começou com os espasmos por ar novamente. Rapidamente o Inspetor ligou para a ambulância e tentou acalma-lo -Calma, calma, vai ficar tudo bem parceiro, okay ? . E a última coisa que o detetive viu foi o policial e dois estranhos de branco.
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Antes de seus olhos se adaptarem as luzes do ambiente, a única coisa que conseguia escutar era um beep monotono. Sherlock então notou que estava em um quarto de Hospital, e pela janela conseguia ver os raios de sol tímidos tentando invadir o local entre as persianas. O barulho da porta sendo aberta por uma enfermeira morena, e um rosto familiar logo atrás desta, se tornaram alvos de sua atenção :
- Olá, Sr...Holmes — Enfermeira disse checando a prancheta médica nas mãos — Como o Sr. está se sentindo ?
Sherlock nada disse tentando se mexer e fazendo uma carranca.
- Ei, Sherlock . Bom te ver acordado, me deu um grande susto ontem a noite. — Lestrade disse ao chegar mais perto da cama do outro.
Oque Greg recebeu foi um revirar de olhos e Sherlock olhando para parede oposta. — Você sabe como isso foi sério ? John vai ficar maluco com você quando souber disso .
- Não conte a John — A voz de Sherlock era seca.
- Sim eu vou contar, sim. — Greg disse determinado — Olha Sherlock isso é muito sério...talvez ele possa ajudá-lo...é pelo seu melhor.
- Me desculpe Sr., você tera que retirar-se, o doutor logo estará aqui para fazer alguns exames com o Sr. Holmes, já que ele acordou — A enfermeira disse já na porta.
- Ok — Greg assentiu com a cabeça para a mulher e começou a caminhar para a porta, não antes de algumas palavras ao amigo. — Se cuide, hm ?
A porta foi fechada, e Sherlock encarou o teto, soltando um suspiro.
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- Oquê? — John estava parado na janela de seu escritório azul e organizado, observando o movimento na rua. — Qual hospital? — Rapidamente ele se virou e pegou sua jaqueta, e começou a escrever um bilhete à secretária, não Mary, que estava com dias contados para o bebê nascer, e logo entrou em um táxi após desligar o celular. Ele sentia como se seu sangue tivesse congelado e tudo ao seu redor continuava a viver, enquanto ele havia parado.
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- O horário de visita vai acabar em meia hora senhor, ainda quer visitá-lo ? — Uma mulher de meia idade ocupada em anotar algo atrás de uma bancada, dizia à John sem fazer contato visual.
-Ah, sim, por favor. — John estava nervoso, porquê ele não podia simplesmente já entrar na droga do quarto ?
- Tudo bem, me siga — Ela finalmente levantou os olhos para ele, e deixou a cadeira em que estava, e John a seguira pelo corredor de paredes brancas . Ele estava quase correndo, mas então se acalmou lembrando que de nada adiantava já que não era ele que sabia qual quarto era. — Aqui.
-Obrigado — John adentrou ao quarto, e ouviu a mulher fechar a porta logo após.
O quarto era silencioso e bem iluminado, o tórax de Sherlock subia e descia calmamente. John ficara parado ao pé da porta mais tempo do que havia pretendido, então logo se dirigiu a cama do Holmes, parando na beirada de seu travesseiro. Olhando para ele mais de perto, John se lembrou dos velhos tempos na Baker Sreet, e sorriu. Quando ouvira que Sherlock estava internado por ter tido uma overdose, ele ficara atordoado, não querendo acreditar no que a voz de Greg dizia pelo celular. Um sentimento de raiva logo foi ocupado pelo de alívio por ver Sherlock vivo, e em paz, a sua frente.
Em um movimento natural e espontâneo ele levou uma de suas mãos aos cachos morenos do detetive e os penteou para trás, suavemente. — Seu idiota...Oque você acha que estava fazendo ? — John balançou sua cabeça negativamente, como se alguém estivesse ali para ve-lo tão incrédulo ao acontecido. Então algo vibrou em seu bolso “Mary...”, era o mais provável. Suspirou e saiu da sala, já com o celular nas mãos.
John não voltou ao quarto de Sherlock naquele dia , e nem no dia seguinte. Sherlock não estava dormindo no momento da visita de John, e tentara não sorrir ao perceber que John ainda não havia notado como Sherlock era bom em pretender estar dormindo, mas logo tentar não sorrir foi fácil pelo fato que talvez John esquecera como Sherlock era bom nisso, devido ao fato de não dividirem mais o mesmo apartamendo. Ao sentir as mãos do amigo em sua testa, uma onda de felicidade percorreu o corpo do moreno. E ao ouvir as palavras do outro, uma onda de culpa. Logo o calor agradavél e o afago nos cabelos não estavam mais ali, e Sherlock fora deixado sozinho mais uma vez. Fazia tempo que não ouvia a voz de John, a quanto tempo não o via? Sua voz indicava que andava preocupado e comendo pouco nos últimos dias, e logo deduziu que provávelmente Mary estava chegando ao final da gestação, e John como futuro pai estava ansioso. O dia seguinte fez com que Sherlock sentisse terrível falta de uma arma e uma parede onde pudesse aliviar o tédio. E a noite seguinte, com que sentisse falta daquela manhã em que John estivera ali, em que pudera ouvir sua voz e senti-lo, e quando eram apenas os dois contra o resto do mundo.
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