Over the Gravity Falls

1 E então, eu fui solicitado


Notas iniciais
Espero que gostem.

Com os olhos semicerrados, Dipper prende a visão no objeto pontiagudo, “sem movimentos bruscos”, ele pensa, “concentre-se”. Os olhos de sua irmã estão direcionados à mesma coisa: os dois encaram a chave do carro como dois carnívoros famintos que acabaram de encontrar um veado distraído. Todo o momento de suspense se encerra quando os gêmeos praticamente pulam na mesinha para pegar a chave e os dois se matam em cotoveladas. O vencedor agora se encontra ofegante, com um sorriso confiante na boca, colocando o objeto no alto da cabeça para que a mais baixa não o alcance. Mabel desiste de lutar e cruza os braços, bufando, parece que Dip vencera desta vez, ao contrário do que vem acontecendo nestes últimos cinco dias. Isto é o que acontece quando duas pessoas dividindo um apartamento minúsculo e a próprias vidas começam a dividir um carro: há um mês, os gêmeos passaram a morar sozinhos em Ohio, nos Estados Unidos, ainda na caça de arranjar um emprego para pagar o aluguel, comer e fazer os trabalhos na escola na qual são bolsistas. É muita responsabilidade para dois loucos de dezessete anos.

—Mabel, me desculpe, mas hoje eu quero dirigir. —ele puxa as mangas da camisa xadrez. —Você no transito é como um supersticioso atrasado para a contagem de fim de ano.

Ela riu da comparação, ajeitando a gola do suéter verde água. Se seus pais não tivessem os colocado para fora de casa, nenhum dos dois teria o carro. A culpa foi daquela festa gigantesca que os dois fizeram, na qual foram pegos e receberam tal castigo. O casal Pines retornou antes do previsto e acabou vendo o que não deveria ter visto: musica alta, bebidas e o filho fazendo respiração boca a boca num cara na piscina.

—Tudo bem, tudo bem. —ela respondeu. —Só me empreste o carro mais tarde. Vou ver se chamo alguém para sair.

Dipper gargalha, apagando as luzes e pegando uma mochilinha de pano preta. Parece que a gêmea nunca vai se cansar de perseguir um romance perfeito. Os dois descem as escadas do prédio, entrando no carro e logo dando partida. O garoto dirige lentamente, apenas por medo de bater, e isso o faz olhar o relógio de pulso a cada dez segundos. Não se atrasam como o mais novo temia, bem pelo contrário, por mais incrível que pareça, chegam adiantados. O gêmeo estaciona o carro. Os dois saem e começam a andar pelo estacionamento, até um moreno de cabelos curtos aparecer, pegar a garota pela cintura e beijá-la, Jay, uma das paixonites de sua irmã. O beijo está demorando demais e como um cidadão consciente, resolve deixar a menina a sós. Ele cora ao imaginar a cena se repetindo entre ele e Wendy, seu amor ruivo recém chegado que também estuda na TecArt, a escola de artes mais famosa de Ohio, no último ano.

—Dipper? —ele estala os dedos na frente do amigo. —Acorda.

Este é Wirt, seu melhor amigo. Os dois saem andando juntos, com o de cabelo castanho claro ainda pensativo. Ele quer esquecer tal paixonite e ficar com outras garotas, no entanto, sempre que chega perto de alguém do sexo oposto, fica constrangido o suficiente a ponto de errar seu nome. O de cabelo mais escuro revira os olhos e isso faz o outro se irritar.

—E você, Wirt? —ele retruca o gesto. —Vai ficar sozinho na vida?

Ele responde com um olhar superior, empinando o nariz.

—Eu mantenho o foco nos estudos Dipper, e você sabe disso. —responde ele. —E além disso, eu ainda tenho o chato do Greg para cuidar.

O amigo solta uma risada como resposta. Ele sabe que o irmão de seu amigo é irritante, principalmente quando começa a cantar, no entanto, ele não deixa de ser um garotinho fofo. Não que isso não aconteça entre ele e sua irmã, às vezes, o próprio gêmeo admite que ela pode chegar a ser tão irritante quanto Greg. Os dois ainda caminham pelo corredor da escola, e Mabel provavelmente está subindo as escadas do estacionamento de mãos dadas com Jay a esta altura. Dipper e Wirt começam a mexer em seus armários, os quais coincidentemente são um do lado do outro. Uma garota de cabelos louros, olhos azuis e roupa chique aparece, a inimiga do de cabelo castanho claro desde a oitava série, Pacífica Northwest, a garota mais linda, rica e popular do ensino médio. Ela usa uma sombra roxa nos olhos, com os cílios alongados, um vestido violeta e botas pretas. Wirt lança um olhar para Dipper, que apenas presta atenção na garota. “Por que ela tinha que ser tão perfeita e tão cretina ao mesmo tempo?”, ele pensa. O olhar da garota não é tão esnobe e isso faz os dois desconfiarem.

—Dipper, —ela diz, envergonhada. —Eu preciso falar com você.

O de cabelos mais escuros dá uma cotovelada no amigo, pega seus livros e vai embora. O mais alto bufa e cruza os braços, encarando a garota e logo colocando as mãos no bolso da camisa xadrez, de modo descompromissado. Os que passam pelo corredor encaram os dois como se fossem a atração principal.

—O que você quer? —ele começa. —Parece ser importante, já que está com uma cara de mosca morta...

Ela arqueia as sobrancelhas, colocando a mão no armário fechado e travando o outro.

—Cala a boca... —ela suspira. —Bem, eu quero dar uma festa de aniversário incrível e não sei direito como. Meus pais não tem noção alguma de como seria um aniversário de verdade e sempre que eu tento explicar eles não entendem.

Ele boceja.

—Você acha que é assim? —ele retruca. —Você humilha a minha irmã desde que você saiu daquela sua cidadezinha estranha e depois me pede ajuda para organizar a sua festinha? É sério isso?

Ela revira os olhos de forma hesitante, pega a bolsa e tira de lá algumas notas, enroladas em um elástico. O de cabelos castanhos gagueja algo indecifrável, arregalando os olhos. Seria possível pagar o aluguel durante dois meses e ainda comprar um número extenso de pacotes de macarrão instantâneo com aquilo. Ele está caindo em tentação.

—Será tudo seu. —ela estende o dinheiro, com a mão na cintura, confiante. —O orçamento da festa é ilimitado e, além disso, você ainda está convidado com direito a acompanhantes também ilimitados. Saiba que você não terá nada disso se não me ajudar.

Ele pega o dinheiro, tira do elástico, conta o valor e guarda no bolso. Dipper tem uma fama de festeiro graças à festa que ele deu no mês passado, o que é ignorante, já que a ideia foi inteiramente de sua irmã. Ele assente com a cabeça, pendurando sua mochila novamente no ombro esquerdo e fechando o armário. Pacífica sorri, orgulhosa por ter alcançado seu objetivo, e depois sai andando, ainda olhando para o garoto e acenando descaradamente. Mabel aparece de mãos dadas com sua paixão, passando direto pelo irmão apenas a prestar atenção nos olhos do namoradinho. “Ela bem que podia se lembrar da minha existência às vezes”, ele pensa. O sinal bate e seu amigo mais baixo de pulôver bege aparece. Os dois saem andando, com todos no corredor esbarrando-se nos mesmos.

—E então... —ele começa. —Ela te chamou para sair ou algo do tipo?

Dipper murmura um xingamento, mostrando o dinheiro para Wirt e fazendo-o ficar espantado.

—Credo! Nada disso! —ele responde. —Só saiba que você vai comigo na festa da Northwest, e pode chamar alguma garota se quiser.

Ele faz a mesma coisa que o amigo ao receber a quantia: conta nota por nota, vê se são falsas, mas ao contrário do outro, é obrigado a devolvê-las.

—Olha... —ele comenta, negando com a cabeça, incrédulo. —Eu nem quero saber o que você fez para conseguir isso.

Os dois adentram a sala, a tediosa aula de matemática estava prestes a começar.

Notas finais
O que acharam? Continuo?
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.