Outro Mundo
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Notas iniciais
Primeiro Cap.
Os raios fortes do sol me cegavam. Eu dormi durante quanto tempo? a última coisa que me lembro era de estar mexendo no computador, ia começar a jogar. Ia. O sono foi mais forte que a minha força de vontade e acabei cedendo a ele. Mas a questão era, por quanto tempo eu havia dormido? o sol dizia que devia ser por volta das dez da manhã, caso contrário ele não estaria tão forte. Espera, ele não deveria estar tão forte, e meu quarto não era tão úmido desse jeito.
Abri os olhos, meio atordoado. A luz do sol invadia aquele local, só bastava saber onde estava. Olhei ao redor, e só via verde, verde, verde e verde! aquilo era uma floresta ou era impressão minha?
Esfreguei com força meus olhos. Não era um sonho, eu estava em uma floresta. O cheiro fresco e úmido do orvalho era estranho para mim, fazia tempo que eu não sentia tal odor. Era refrescante, mas mesmo assim irritante. Tinha que sair dali. Agora!
Depois de vários minutos, ou foram horas? não sei, mas eu me deparei com uma campina. Era bem melhor do que me sentir preso entre aquelas árvores. Uma brisa fresca e suave acariciava meu rosto, aquilo me deixava mais confortável.
Algumas folhas voavam, dançando junto com os movimentos daquela brisa, agora rápida. Segui com o olhar as folhas. Uma escadaria, vários degraus, um templo?
Só agora eu notava a fome que sentia, e sentia muita fome. Segui até a escadaria e comecei o que seria um grande exercício.
No últimos degraus, conseguia ver uma garota. Cabelo castanho claro, olhos castanhos também, não podia negar que eram bonitos, pelo menos de longe. Usava uma roupa branca e vermelha, com um laço amarelo. Parecia distraída, olhava para o nada. Por um momento, achei que poderia ficar ali para sempre, mas meu estômago não concordou comigo.
O ronco do meu estômago chamou a atenção da garota, que virou-se bruscamente para me olhar. Dois olhos desconfiados me encaravam.
- Er...oi...ahn... – Não conseguia falar direito, não com ela me encarando daquele jeito! – Você saberia me dizer onde estou?
- Não sabe onde está? – Ela dava um longo suspiro decepcionado. – aqui é o santuário Hakurei... – Ela desviava o olhar. – uma pena você não saber.
Então era um templo. Terminei de subir, era um templo belo até, meio antigo, mas belo. A garota também se levantou rumava em direção do templo. Ela parou por um momento, virou-se para mim, os olhos pareciam mais calmos agora, menos alertas. Ela deu um sorriso forçado, tentando ser simpática.
- Quer entrar? – Ela desviou um pouco seus olhos dos meus. Depois começou a falar novamente. – Está com fome não? talvez eu tenha algo para você aqui.
- Ahn... – Disse sem jeito. – Se não for incomoda-la.
Ela andava em direção do templo. Era uma tarde quente, mas não sufocante. A segui e não demorou muito para estarmos dentro do templo. O silêncio era desconfortante, s[o dava para ouvir o som dos sinos. A garota voltou, carregava uma bandeja com um prato cheio de dangos e dois copos com chá verde.
- Sente-se, deve estar cansado. – Dizia enquanto sentava-se. Não demorou para eu fazer o mesmo. – Você sabe quem te trouxe aqui?
- Ah... – Agora me lembrei que eu não havia pensado nisso. – É mesmo. Você sabe em que direção fica a cidade?
- Cidade? – Ela olhava para mim.
- Sim, sabe, com aqueles prédios imensos, com vários carros passando, várias pessoas também.
- Ah...não acredito nisso! – Ela colocava a mão no rosto. Olhava para mim, parecia furiosa.
- Ahn... – Eu disse meio confuso com a reação dela. – Eu fiz algo?
- Não... você não fez nada... – Ela suspirava. Parecia ter se acalmado, pelo menos parecia. – Foi outra pessoa que fez algo...
Achei melhor não perguntar nada. Olhava para o céu, que parecia estar mais azul hoje. Não sei se estava delirando ou não, mas conseguia enxergar algo vindo na direção do templo. Não demorou muito para uma vassoura (sim, uma vassoura!!!) aterrissar perto do templo. Uma garota com roupa de bruxa carregando a tal vassoura voadora se aproximava e logo sentava na entrada do templo.
A garota era loira, mas não tinha olhos azuis mas castanhos. Uma mecha do cabelo tinha um laço e usava um chapéu de bruxa e um vestido preto e branco, como era de se esperar.
Ela me examinava, olhava para mim atentamente. Acabei corando um pouco, o jeito que ela me olhava era pior que o da sacerdotisa daquele templo. Por fim ela sorrio para mim, o que foi um alivio e começou a conversar com a garota que eu ainda não sei o nome.
- Ei Reimu! – Ela falava mais animadamente que aoutra. – Quem é ele?
- Ele? – Ela apontava para mim. – É apenas mais um idiota que a Yukari jogou aqui... – Ela tomava um gole de chá. – Ou seja, mais problemas.
Finalmente eu descobri o nome dela e ela me chama de idiota, que ótimo jeito de tratar alguém que mal conheceu.
- Ah, entendo. – A loira falava enquanto ria. – Então, qual seria seu nome?
- Ahn? – Eu havia ficado tanto tempo calado que havia esquecido minha presença ali. – Meu nome? Yuuki...
- Prazer em conhece-lo Yuuki! – Ela sorria, ao contrario daquela sacerdotisa idiota ela era radiante. – Meu nome é Marisa, Marisa Kirisame. – Ela apontava para a outra garota. – E essa que te chamou de lixo para baixo é a Reimu Hakurei, a sacerdotisa desse templo.... – Ela se aproximou de mim e murmurava no meu ouvido. – Que vive as moscas, he.
- Eu ouvi isso.
Eu mal havia percebido que já estava tão tarde, o sol já estava se pondo e eu deveria ir logo para casa. Levantei-me e olhei para as duas, logo perguntei.
- Bom, vocês poderiam me dizer em que lado fica a cidade por favor?
- Ah, esqueci de te falar não é mesmo? – Reimu e Marisa olhavam para mim, pareciam esperar alguma coisa. – Você está MUITO longe da sua casa, você esta...dizendo de um jeito fácil em outro mundo.
- Que?
Certo, depois de ver vassouras voadores eu não duvidava de mais nada, mas aquilo havia sido demais para mim! como assim? outro mundo?
Tive de processar todas aquelas informações. Primeiro, eu estava longe de casa, e pelo que eu saiba muito longe. Segundo, eu havia parado em um lugar onde vassoura voavam e finalmente terceiro, eu não tinha nada, apenas as roupas que estava usando.
- E agora o que eu faço!? – Eu falei tão alto que os pássaros que estavam nas árvores acabaram se assustando.
- Calma! – Dizia Marisa rindo. – Amanhã iremos pedir para a Yukari dar um jeito nisso e te mandar de volta para casa, por isso relaxe.
- Isso... – Reimu parecia mais calma que antes. – e por enquanto você pode ficar...
- No templo da Reimu! – Marisa se aproximava de Reimu. – Não é perfeito?
- O QUE!? – Novamente pássaros se assustando.
- Não é perfeito? Suika não vai dormir hoje aqui vai? pelo que eu saiba ela saiu com a Yuugi não?
- Ah...hmm... – Reimu parecia indecisa, fiquei preocupado, afinal se ela não permitisse que eu dormisse ali onde eu iria ficar?
- Ahn... por favor deixe-me dormir aqui... – Hesitei um pouco e logo continuei. – Senhorita...Hakurei...
- SENHORITA HAKUREI!? – Marisa acabou caindo no chão de tanto rir.
- Certo você pode ficar. – Reimu colocava a mão no rosto e suspirava.
- Obrigado...
Ela se levantava e adentrava no templo, eu a seguia. Chegamos em um quarto, ela simplesmente disse “Você vai dormir aqui” e foi embora. Depois disso eu não ouvi mais nenhum som. Conclui que Marisa havia ido embora e que Reimu estava sentada na varanda tomando chá.
E meu palpite estava certo, lá estava ela. As vezes ela podia ser bem agressiva, mas quando estava calma era legal ficar com ela. Acabei desistindo de ir falar com ela, preferi ficar observando ela, como havia feito antes, e também, o que iria falar com ela?
O dia acabava, aquele dia havia sido muito agitado, resolvi ir dormir. Por fim, a ultima coisa que ouvi foi os passos de uma sacerdotisa e “O que mais falta me acontecer?” .
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