Out Of Order (Em hiatus)

3 Minha nova vida em Miror Town - Parte 1


Notas iniciais
Bem, galera, como prometido, aqui está a primeira parte do capítulo da Crys. Pela divisão, essa parte ficou bem mais curta que a seguinte, mas eu senti que a divisão ficou no ponto ideal para o andamento da estória.
Mais uma vez, eu gostaria de ressaltar que essa é uma estória em Universo Alternativo. Então, não aparecerão Pokémon e eu alterei um pouco a idade dos personagens para que eles ficassem com faixas próximas; também dei uma mexida nos laços familiares (Ex.: A Crystal é irmã de criação do Bill).
Terminando os esclarecimentos, aqui está.

Visão da Crys.

Acordei um pouco tonta, e abri os olhos apenas para me descobrir em um quarto que não era meu. Ou melhor, era sim. A minha ficha caiu completamente quando lembrei dos acontecimentos de ontem.

É, de fato, eu já não estava mais no meu antigo quarto e teria de me acostumar com esse, assim como teria que me acostumar com minha nova vida em Miror Town.

Tomei um banho de cabeça na suíte do meu quarto. (Me pergunto se o Bill teve muitos problemas para conseguir me deixar em um quarto com suíte?) Deixei a água percorrer todo o meu corpo e carregar as minhas preocupações e pensamentos para o ralo. Podia ser que meu primeiro dia na cidade não tivesse sido muito acolhedor, mas eu não podia ser negativa e achar que os próximos não poderiam ser bons. Eu iria começar de novo hoje, e, dessa vez, não deixaria ninguém roubar meu ânimo.

Saí do meu quarto e estranhei não ver ou ouvir nenhum sinal de vida. Talvez os garotos ainda estivessem dormindo? Desci as escadas cautelosamente, tinha ouvido falar que degraus velhos podiam ser traiçoeiros, e eu não queria levar uma queda. Fiz o meu percurso até a sala só para constatar a minha primeira impressão, de que tudo realmente estava quieto demais. Bem, eu não podia fazer nada se eles ainda estavam dormindo... Resolvi, então, comer alguma coisa, eu não comera nada desde que tinha chegado nesta casa.

Caminhei calmamente até a cozinha e me deparei com alguém que não queria ver: o tal do Gold, o garoto que tinha causado um dos maiores constrangimentos da minha vida. Ele estava de costas e não notou quando eu entrei na cozinha. Parecia muito concentrado, escrevendo alguma coisa em cima do balcão. Eu senti uma vontade repentina de evidenciar minha presença, então, caminhei até o armário e bati a porta com força. O garoto deu um salto onde estava e se virou lentamente.

–C-Crystal? – ele tinha um ar sobressaltado — Você já está de pé tão cedo?

–Bom dia para você também, Gold. O normal é desejar que as pessoas tenham um bom dia quando você as encontra, não é? – deixei um pouco do meu ressentimento sair em forma de sarcasmo.

–Ugh! – eu acho que ele captou bem a mensagem. – B-Bom dia! Então, — ele começou a caminhar de lado, escondendo algo atrás de si — eu vou te deixar usar a cozinha... – e ele deixou o local rapidamente.

Encarei a porta por onde ele tinha saído por um tempo, desconfiada. Bem, seja lá o que fosse que ele estivesse fazendo, eu não ia mais baixar minha guarda na presença dele. Já tinha experimentado os estragos que isso podia causar.

Fiz uma refeição com o que achei de útil naquele armário. Havia muitos produtos fora de validade e muita trash food, o que me fez imaginar como esses meninos tinham vivido até agora. Eu não concordo com o fato de Bill alugar quartos, mas se ele está fazendo isso, o mínimo que ele pode fazer é garantir que eles tenham uma alimentação decente; nem vou falar da bagunça, ou da falta de organização de tarefas, mas alimentação é o básico dos básicos. Mais tarde eu precisava ter uma séria conversa com eles.

Quando terminei de lavar a louça que tinha usado, finalmente saí da cozinha e vi um Bill agitado se aproximar.

–Então, vamos dar aquela volta que eu te prometi? – ele parecia um pouco apressado.

–Hã? Agora? – ele acenou a cabeça positivamente – Eu nem me arrumei...

–Você não precisa ir muito arrumada, nós só vamos dar uma volta pela cidade, não precisa se preocupar com a sua aparência. Você pode ir assim mesmo como está. – ele parecia estar me apressando para que eu dissesse sim. Ergui uma sobrancelha, desconfiada.

–Mas eu faço questão. Mesmo que seja só uma volta na vizinhança, esse será o meu momento de mudar minha impressão da cidade! Eu não posso ir de qualquer jeito!

–...Acho que não vou conseguir te convencer do contrário.

–Claro que não! – eu estava determinada.

–Então se troque rápido, eu estarei esperando aqui embaixo. – ele se sentou na poltrona.

–Ok! – eu me apressei escada acima. Acho que aquele meu vestido branco seria perfeito para essa ocasião, afinal, eu estava fazendo as pazes com a cidade, não é? Que cor melhor que branco para isso?

Quando terminei de me arrumar, fui ao encontro de Bill. Ele já não estava mais sozinho na sala, Silver conversava com ele. Quando me perceberam entrar na sala, os dois interromperam a conversa e me fitaram admirados.

–Crys, você até mesmo soltou o cabelo! – Bill exclamou surpreso.

–É, eu realmente queria tentar algo diferente. – eu sorri timidamente.

–Você está linda! – ele sorriu para mim – Não está, Silver?

O garoto ao lado dele acenou a cabeça positivamente.

–Você fica muito bem de cabelo solto. – o ruivo completou. Eu senti meu rosto esquentar um pouco com os elogios.

–Obrigada. – sorri em agradecimento.

–Então, vamos? Silver irá conosco também. Para ser sincero, ele está mais por dentro dos lugares que os jovens costumam frequentar do que eu. – ele admitiu envergonhado. – Acho que estou ficando velho...

–Vamos! – respondi, contente com a perspectiva de um dia agradável.

A manhã passou rapidamente enquanto visitávamos parques, livrarias e o Centro de Ciências da cidade, que tinha um planetário no seu interior. Eu fiquei tão excitada ao descobrir esses lugares novos que não pude conter meus sorrisos e exclamações de prazer. Aposto que devia estar parecendo uma criancinha que vê algo que lhe interessa pela primeira vez...

Nós almoçávamos em um restaurante no distrito comercial, quando o Bill recebeu uma ligação, provavelmente da empresa em que trabalhava, pedindo que ele fosse resolver uma emergência.

–Conto com você, Silver! – ele disse ao levantar da mesa – Cuide bem da Crys!

–Eu vou me esforçar. – ele respondeu seriamente e Bill saiu apressado, deixando seu almoço pela metade.

Agora nós dois estávamos sozinhos e eu não sabia exatamente como proceder.

–Err... O dia está realmente bonito, não é? Haha – tentei começar uma conversa, um tanto constrangida. Quem olhasse de fora poderia pensar que estávamos num encontro. — Então, o que nós vamos fazer depois disso?

–...

Ele me olhou atentamente e respondeu:

–Não precisa se forçar a falar, se não quiser. – ele tinha percebido! – Eu pensei em te apresentar um pouco mais do distrito comercial. Você pareceu gostar das livrarias que eu mostrei, então eu acho que vou te apresentar uma que fica aqui perto.

–O-Ok.

Ao sair do restaurante, nós fomos aos lugares que ele conhecia e eu achei tudo bem bacana. O Silver daria um bom guia turístico, ele conhecia muitos lugares e tinha sempre coisas para dizer sobre cada um, como um fato histórico ou uma curiosidade.

De certa forma, eu estava bem mais relaxada do que pensava que iria ficar na presença dele. Perto dele, eu não precisava me forçar a falar quando não sentisse vontade, mas, ao mesmo tempo, sempre surgiam assuntos para conversarmos, como um detalhe na arquitetura de um prédio ou a razão pela qual havia tão poucos filmes interessantes nos cinemas hoje em dia.

Ele era realmente um garoto legal, eu pensei enquanto relaxávamos num banco de parque ao final da tarde.

–Crys... – ouvi sua voz me chamar – Eu não sei se eu deveria estar te dizendo isso, mas eu senti que deveria, então...

–Huh? – ele estava hesitando em dizer aquilo, será que ele-

–O que eu quero dizer é que, – ele suspirou – sobre o Gold, ele pode agir como um completo idiota em 99% do tempo e te tirar realmente do sério às vezes, além de ser realmente bem azarado... Mas, ele tem um bom coração.

Ah, era sobre o Gold... Senti uma ponta de decepção.

–...Entendo. Mas, por que você tá me dizendo isso?

–...- ele olhou para o horizonte – Apenas mantenha isso em mente. – ele disse, finalmente.

Aquela atitude dele me pareceu muito misteriosa, mas eu tentaria fazer como ele disse.

–Certo, eu vou tentar! – concordei.

Ele olhou para mim e, por um momento, eu pude notar um leve sorriso figurar no seu rosto.

–Bem, eu acho que já é uma boa hora para voltarmos. – ele se levantou. – Vamos?

Eu me levantei de um pulo, revigorada.

–Vamos!

E assim, nós fizemos nosso percurso de volta para casa. Quando nos aproximamos da entrada, Silver tomou a dianteira e me guiou até a frente da porta. Ele se posicionou ao meu lado e a abriu.

–SEJA BEM-VINDA, CRYS! – um coro masculino entoou assim que eu entrei na sala, e serpentinas voaram pelo ar.

Meus olhos percorreram a sala de extremidade a extremidade, balões de festa tinham sido pendurados e um enorme cartaz de boas vindas feito à mão figurava na parede, também havia um bolo na mesinha de centro.

Eu observei os rostos dos autores daquele feito, e eles variavam desde um sorriso de orelha a orelha da parte do Dia, até uma tentativa de sorriso feita com esforço por parte do Green, que estava ali mesmo não sendo muito fã de festas.

–V-Vocês...! – eu fiquei sem palavras e olhei para o Silver que ainda estava do meu lado.

–Isso tudo é para você, Crys. O passeio de hoje foi só um pretexto para te tirar de casa e preparar tudo. A propósito, foi tudo ideia do Gold. – ele sorriu.

–Nós esperamos que você se sinta acolhida nessa cidade, Crys. – Bill disse, sorrindo.

–E esperamos que possamos todos nos tornar pessoas com quem você pode contar! – o Red acrescentou e os outros concordaram com a cabeça.

–Então, hm... – Gold se aproximou cauteloso – se você pudesse nos dar uma segunda chance... Seria ótimo. – ele falou simplesmente.

–Pff! — Não pude conter um ataque de risos. Tudo aquilo tinha sido para pedir desculpas?

Agora eu entendi o que o Silver quis dizer no parque sobre o Gold fazer muitas burradas mas não ser uma pessoa ruim. Realmente, ele e todos os outros tinham sido inacreditáveis em fazer uma surpresa dessas para mim.

–Obrigada, pessoal. – senti uma lágrima brincar nos meus olhos – Eu estou muito contente.

Era a segunda vez que eu chorava em menos de dois dias que tinha passado ali. Mas, diferente da primeira vez, dessa eu chorava de alegria.

De alguma forma, eu senti que os próximos anos que passaria em Miror Town seriam cheios de emoção.

–A propósito, você fica realmente bem de cabelo solto e vestido, Crys. – Gold fez um sinal de positivo para mim.

Ok, eu vou tentar conviver com isso.

Parte 1 — Fim


Notas finais
Eu fiquei bem contente enquanto escrevia esse capítulo com o desenvolvimento da relação dela com os meninos, ou pelo menos com a "promessa" disso. Hehe Eles podem ser uns tremendos bagunceiros, mas sabem como alegrar uma pessoa.
Ainda não fiz o fanart desse capítulo. E, para ser sincera, fiquei um pouco triste em receber tão poucos comentários no último capítulo, me fez pensar que não tem tanta gente curtindo o que tá lendo. :/ Eu fiquei meio desestimulada com isso.
Então, encarecidamente, eu peço que, quem gostar ou mesmo quem não gostar, comente o que achou para eu saber onde estou errando/acertando.