Our History

2 Seu beijo tem gosto de Halls


Notas iniciais
Esse capitulo fala sobre o primeiro encontro depois de 1 ano de relacionamento a distancia. A historia vai ser escrita como se o Eric estivesse contando isso ao Lucas e talvez em alguns capítulos e Lucas também tenha algo a narrar. O nome do capitulo é o que mais marcou ele naquele momento. Sim, o Eric é um garoto estranho que se apega a detalhes como esse.

Querido Lucas

Você se lembra da primeira vez que nos vimos? Aposto que sim, foi inesquecível.

Sabe, esse é um dos momentos mais importantes da minha vida então é o primeiro que eu quero te contar.

Aquele dia foi sem duvidas o dia em que eu fiquei mais nervoso em toda minha vida.

Minhas mãos suavam e meus pés mais ainda, minha garganta estava seca, mesmo eu já tendo bebido água varias vezes, meu estomago doía, minha perna teimava em balançar freneticamente e minhas unhas… Digamos que eu quase não as tinha mais.

“Eu já volto” Disse a minha vó e desci as escadas em direção ao banheiro. Aquela já era bem a quinta vez que eu ia ao banheiro, não que eu tivesse vontade de fazer algo, tudo o que eu fazia era molhar o rosto e arrumar meu cabelo, tentando ficar o mais apresentável possível.

Maldito cabelo, por que nunca fica como eu quero?

Eu encarei meu reflexo no espelho, como sempre odiando tudo o que via. Meus cabelos meio ruivos bagunçados, o rosto magro, os lábios finos demais, as sardas que cobriam boa parte do meu rosto e o maldito óculos de grau. Eu não era o que eu poderia chamar de cara bonito, mas talvez isso fosse devido ao meu maldito complexo de inferioridade.

Sei que você me acha lindo, mas eu não consigo concordar com você até hoje e naquele momento eu não fazia ideia do que você acharia de mim.

E se você não gostasse dessa aparência que eu via no espelho? E se você me achasse magro demais? E quanto a minha personalidade? E se você me achasse muito tímido, muito chato, muito quieto?

Deus, eu só peço para que quando você estiver aqui eu não trave de vergonha.

Esse é um dos meus maiores problemas, eu sou simplesmente tímido demais. Eu não sabia como reagir ao ter você finalmente na minha frente. Nos já nos vimos pela webcam e já falamos por telefone, mas isso é diferente, você estaria ali em carne e osso. Eu finalmente poderia te abraçar, te beijar, sentir seu cheiro, sentir seu toque… Aquilo era demais para mim.

“Vamos lá, Eric. Você tem que manter a calma” disse para a imagem no espelho. Tentei respirar fundo, mas minhas mãos continuavam a tremer. Maldita crise de ansiedade.

Sai do banheiro e caminhei um pouco pelo aeroporto, tentando me acalmar. Não que tivesse muito para onde andar, o aeroporto da minha pequena cidade era minusculo.

(Não ria quando ler isso seu idiota da cidade grande)

Havia varias pessoas ali, algumas com malas, outras tão ansiosas quanto eu. Só tinha espaço para a aterrissagem de um avião na pista de pouso, então eu sabia que aquelas pessoas esperavam pelo mesmo avião que eu.

O avião que traria você.

Caminhei durante um bom tempo, imaginando varias situação e criando diálogos na minha cabeça, mas mesmo depois de tanto simulação eu ainda me sentia inseguro. Eu me perguntava se você também estaria assim, se também estava criando diálogos, simulando nosso encontro para que tudo ocorresse perfeitamente e se estaria tão inseguro quanto eu.

Fui tirado dos meus pensamentos ao notar algumas pessoas caminhando apressadamente até a escada. Não intendi muito bem o motivo até ouvir alguém dizer “O avião chegou”.

Meu coração deu um salto, um frio subiu pela minha espinha e meu estomago embrulhou. Eu sai correndo em direção as escadas, meu coração estava tão acelerado que eu podia ouvir nitidamente ele pulsar, e o sangue fluir mais rápido para as minhas veias.

Quando cheguei a parte de cima, onde era possível ver a pista de pouso, uma multidão já tinha se formado em frente a parede de vidro. Agora era praticamente impossível ver o desembarque dos passageiros. Droga! Eu queria te ver de longe, antes de você pudesse me ver.

“Onde você estava seu idiota? Perdeu a chegada do avião” minha vó falou com a mesma cara rabugenta que ela sempre fazia. Por que eu tive que trazer ela mesmo? Ah é, meus pais achavam que você era um maniaco que ai me estuprar, me esquartejar e me por em uma mala.

“Eu fui ao banheiro, vó” eu disse a ela, ficando na ponta dos pés e tentado ver o máximo que podia do que estava acontecendo lá em baixo. Para minha sorte, eu era bastante alto, mas isso não foi o suficiente.

Resolvi desistir de ficar ali e descer para o portão de desembarque, eu nem sequer esperei minha vó, quando dei por mim já estava lá em baixo.

Eu tremia tanto que os meus dentes não paravam de bater e ainda tinha aquele angustiante frio na barriga.

O mais engraçado de tudo é que eu estava prestes a ter um ataque cardíaco e tudo o que me importava era se meu halito estava bom. Eu iria te beijar em poucos minutos, tinha que estar com um halito bom, e sim faria isso na frente de todos.

Você sempre me disse que seus ex nunca te beijavam ou tocavam em publico, e que você nunca soube o que era namorar de verdade, então eu estava decidido a fazer aquilo por você. Eu enfrentaria tudo, minha vergonha, minha família, a sociedade, o que tivesse que fazer para você ficar feliz. Eu queria te mostrar que eu era diferente dos outros, queria superar seus ex, queria ser único.

Chegando ao portão de desembarque, eu esquadrinhei o local em busca de algo familiar. Sera que você era muito diferente das fotos? E se eu não conseguisse te reconhecer?

Foi quando eu te vi pela primeira vez. Você estava de costas, mas eu tinha certeza que era você, mesmo sem nunca te-lo visto. Os cabelos castanhos curtos arrepiados, a forma como você olhava em volta a procura de alguém. Eu não pude deixar de rir, você era mais baixo do que eu imaginava.

Caminhei até você com o coração quase pulando para fora do peito. Eu toquei seu ombro, minha mão tremia ainda mais. Você se virou e quando me viu deu o sorriso mais lindo que eu já tinha visto na vida. Tive outro mini-ataque cardíaco. Quantas vezes você pretendia fazer meu coração disparar, seu idiota?

Eu sorri de volta e você me abraçou.

Seu corpo era quente.

Você tinha cheiro de avião, misturado com perfume e com outro cheiro que eu não consegui identificar, mas aquele com certeza seria o meu cheiro favorito. Enterrei meu rosto na curva do seu pescoço e te apertei com toda a força que eu tinha. Precisava ter certeza de que aquilo era real e não um dos meus muitos sonhos com esse dia.

Droga! Eu não conseguia parar de tremer.

Eu queria chorar. Sentia uma mistura de sentimentos confusos e a estranha sensação de que aqueles braços eram familiares.

“Finalmente” você disse em meu ouvido. A sua voz era diferente da que eu costumava escutar no telefone, era mais rouca, eu amei.

“Eu te amo” falei com a voz tremula. Eu precisava dizer isso, estava guardando por muito tempo.

“Eu também te amo, meu amor” você disse e eu não pude deixar de sorrir. Era tão bom escutar isso de perto. Quantas vezes eu já não tinha sonhado com isso?

Parei de te abraçar apenas para olhar o seu rosto. Eu precisava vê-lo assim de perto. O encarei querendo gravar cada detalhe daquele rosto que eu amava, a barba mal feita, os olhos castanhos, os lábios mais finos que os meus curvados em um sorriso torto. O sorriso dele era ainda mais lindo pessoalmente, e eu queria saber que gosto os seus lábios tinham.

Então, sem dizer nenhuma palavra apenas colei os meus lábios nos seus. Você abriu a boca imediatamente, tão ansioso quanto eu. Nossas línguas se tocaram pela primeira vez, timidamente conhecendo a boca um do outro e sentindo o gosto único que cada um tinha.

O seu beijo tinha gosto de halls e o meu provavelmente das trocentas pastilhas me menta que engoli aquele dia. Me lembrei das vezes em que ficamos imaginando o gosto do beijo um do outro, e sabia que assim que pudesse você me perguntaria e sabe de uma coisa? Eu nunca vou esquecer aquele gosto de halls.

Eu não tinha muita experiencia com beijos, na verdade só tinha beijado uma pessoas nos meus 16 anos, e estava morrendo de medo você não gostar de me beijar, mas naquele momento isso nem sequer veio a minha cabeça. Eu agia por puro extinto, querendo cada vez mais de você. Nossas bocas se encaixavam tão perfeitamente e seus lábios eram tão familiares para mim, eu nunca intendi o porquê.

Não me dei conta de quanto tempo ficamos ali até ouvir a minha vó do lado falando “Ei vocês dois, já chega, né?”. Nós encerramos o beijo sem desviar os olhos um do outro.

“É melhor irmos” eu disse e você foi cumprimentar a minha vó, que olhava para mim como se não pudesse acreditar que seu netinho ia agarrar um cara em plena luz do dia, mas eu não me importava com aquilo, nada mais importava. Você esta ali ao meu lado, finalmente.

Quando saímos do aeroporto você pegou minha mão e tudo que eu mais queria naquela momento era mandar a minha vó ir cuidar da vida dela e te beijar pelo rosto da tarde, sem me importar com quem estaria olhando.

Com amor, Eric.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.