Our Fury

4 O Veneno da Víbora


Entre a noite de sua conversa com Tyrion e os dias até a manhã da chegada dos dorneses, Megara não foi capaz de dormir uma noite sequer. Suas noites se resumiam em ficar acordada, fitando a escuridão, remoendo sua incapacidade de ser encantadora como a maioria das mulheres deveria ser. É inútil. Ela imaginava com sua cabeça no travesseiro. Ser encantadora nunca foi o meu forte, Renly é que era o irmão encantador, não eu. Lembrava de como era fácil que seu irmão fizesse as pessoas gostarem dele. Ser menos casta? O que ele espera? Que eu me deite na cama de um dornês como uma puta? Que os outros carreguem você e seu plano, Tyrion. Megara sempre o amaldiçoava, mas sabia que o anão estava fazendo seu melhor por ela.

Os reflexos das noites sem dormir estavam estampados em seu rosto sempre que se olhava no espelho. Um ar cansado se espalhara nele e abaixo de seus olhos, havia algum sinal leve de olheiras e como sua pele era clara, era claramente perceptível. Em pouco tempo, Megara estaria se parecendo com uma morta-viva, com olhos fundos e um ar horrível. Seria ainda mais difícil ser encantadora. Ela já não era grande coisa, depois disso, seria ainda pior.

Moira fazia o seu melhor por ela. Algumas vezes, tentava animá-la dizendo que tudo ficaria bem. Durante a noite, quando acordava e encontrava Megara sem conseguir dormir, tentava acalmá-la. Ela tentara lhe dar alguma ideia de como ser agradável. A lysena lhe dizia para sorrir mais, tentar controlar sua língua venenosa e ser menos carrancuda e indiferente com as pessoas.

Na manhã em que a comitiva dos dorneses chegou, não foi permitido para Megara acompanhar Tyrion na recepção. Ela teve que ficar. Aquilo só serviu para aumentar ainda mais a sensação de ansiedade que tinha dentro dela, um nervosismo que só a fazia se sentir mais estúpida. Antes de sair, o anão lhe falara algo sobre um pequeno banquete nos jardins da Fortaleza Vermelha durante a noite para receber o Príncipe de Dorne.

O pátio de treino estava vazio naquela manhã, foi por isso que Megara se sentiu a vontade para treinar o arco e flecha. Lembrou-se dos ensinamentos que recebeu em sua infância, não se lembrava de ninguém lhe dizer como aperfeiçoar, somente de ensinarem para ela como utilizar o arco e flecha. Depois disso, ela treinaria dia e noite, até que sua mira ficasse perfeita, até que Renly parasse de zombar dela ou que Stannis parasse de lhe repreender.

Ela atirava melhor do que qualquer um deles. Sua mira era perfeita, em todo esse tempo ela nunca errara um alvo.

– Renly sempre me disse que a irmã dele era a melhor arqueira dos Sete Reinos. – Elogiou uma voz surgindo ao seu lado. – Eu sempre dizia que só acreditava vendo, bom, agora vejo.

Megara abaixou o arco e encarou Loras Tyrell ao seu lado.

O rapaz era realmente belíssimo como todos diziam. Não que ela não o tivesse visto, o conhecia há um bom tempo, dos torneios e do tempo em que ele fora escudeiro de seu irmão. Loras era encantador com seus lindos cabelos castanhos, seus olhos dourados que embora muito bonitos, tinham um ar triste agora.

Mesmo que fosse um rapaz galante e bonito, ela não conseguia ter muita simpatia pelo Cavaleiro das Flores. Ela sentia que tinha certo ciúme dele. Megara se sentia um tanto trocada por ele. Sempre que estava por perto, Renly parecia até esquecer que ela existia, causando a fúria de Megara.

Ela o culpava por tudo que acontecera.

– Obrigado, sor.

A voz de Megara soara fria, uma cortesia gelada somente para não ser mal educada. Um breve silêncio se instalou entre os dois. Os olhos de Loras ficaram baixos no chão por alguns instantes, mas depois voltaram para ela que voltou a atirar. Os olhos dourados do Tyrell a observaram por vários minutos, como se gravassem cada parte dela na sua memória.

– Por que me odeia tanto, Megara?

– Desde quando percebeu isso?

– Desde sempre. – ele respondeu. – Sempre me tratou com frieza, desde que nos conhecemos, sempre foi indiferente comigo e as vezes, até grosseira. – A voz de Loras se tornava mais forte conforme ele falava.

– Me diga, Sor Loras, você ama muito sua irmã não ama?

– Amo a todos os meus irmãos.

– Eu falo de Margeary, é a mais próxima de você.

– Eu sou devotado a minha irmã, Margeary.

– Eu também era muito devotada ao meu irmão. – Megara soltou o arco por alguns minutos e se virou para Loras. – E você o matou, sor.

Loras pareceu confuso.

– Isso é absurdo! – defendeu-se. – Eu nunca mataria Renly.

– Você o matou no momento em que colocou uma coroa na cabeça dele.

Aquilo o silenciou, vendo que não tinha argumentos contra aquilo.

– Renly e eu...

– Eu sei, Loras. – interrompeu-o. – Ele nunca me escondeu isso e eu nunca o recriminei pelo que fazia, não há motivo para tal. – Megara soltou um suspiro. – Eu amava o meu irmão, mas agora ele está morto, não importa quem lhe cravou uma espada, ele morreu no momento em que colocou aquela coroa na cabeça. Assim como Robert, assim como Renly, assim como pode acontecer com Stannis se ele continuar nessa guerra.

Ela abandonou o Tyrell no pátio, o deixando com seus pensamentos sobre o que acabara de ouvir.

Moira a esperava com um ar apreensivo no rosto, como se quisesse lhe falar algo.

– Eles chegaram.

Megara suspirou.

– Então, eu vou mesmo ter que conhecer Doran Martell, o príncipe de Dorne.

– Não, Doran Martell não. – ela corrigiu. – Ele é um homem velho e doente, a viagem seria cansativa para um homem com gota, mas outra pessoa veio no lugar dele.

– Que maravilha.

– Acho melhor aperfeiçoar aquela coisa de ser menos casta. – Moira tomou seu braço e arrastou para dentro da Fortaleza. — Oberyn Martell é um homem diferente, e é com ele que você vai ter que se dar bem.

Oberyn Martell? Megara pensou, sem saber ao certo o que aquilo queria dizer.

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O som da música era alto por toda a fortaleza e o som das vozes também fazia seu coração acelerar. Pessoas demais, música alta e a missão de ser agradável com um príncipe dornês eram as coisas que faziam suas mãos tremerem. O vestido lhe parecia desconfortável, suas pernas pareciam bambas e ela tinha certa vontade de se trancar em seu quarto e não dar as caras por lá, porém isso não seria possível. Moira já lhe arrastava com os braços dados, até o jardim onde o banquete acontecia enquanto tagarelava alguma coisa que ela não dava atenção.

Apesar de já ser noite, os jardins se encontravam iluminados por todas as partes e repleto de senhores e senhoras de alto nascimento. O estrado fora montado e havia muitas pessoas á mesa, mas Megara não foi capaz de reconhecer nenhum Tyrell por ali. Obviamente, eles não estariam sentados a mesa com os dorneses já ambos não tinham nenhuma simpatia um pelo outro.

– Onde está o Tyrion? – sussurrou para a lysena que parecia muito envolvida observando tudo.

– Estou aqui, Maggie. – A voz do anão soou ao lado das duas, assustando Megara. – Você está adorável, Megara, sua beleza vai ofuscar todas as outras mulheres neste lugar.

– Essa é a sua intenção não é?

– Minha intenção não é humilhar as outras senhoras, mas parece que a sua é. – Ele sorriu. – Bom, mas não adianta estar tão linda e não ser agradável não é?

– Claro que não.

– Não haverá homem nesse salão que não queira ser um dornês para ter sua atenção. – Moira provocou com um sorriso.

– Não um dornês qualquer.- disse Tyrion.

Os olhares das duas se voltaram para Tyrion com surpresa.

– Do que está falando?

– Estou falando que não um dornês qualquer. – Os olhos de Tyrion brilharam com sua astúcia. – Afinal, Oberyn Martell nunca se casou e você está solteira, Megara. Não é jovem demais para ele, é bela e com certeza, será muito gentil e nem um pouco acanhada com ele, não é?

– Espera que eu me jogue em cima do príncipe de Dorne?

– Espero que você o encante, caso contrário, terminará os seus dias nas mãos de um homem de ferro, garanto que seus dias não serão muitos.

Sansa aproximou-se dos três com um ar tristonho que sempre tinha, mas deu um sorriso gentil ao ver Megara.

– Está tão linda, senhora.

– Você também está adorável, Sansa. – respondeu, cordialmente.

Tyrion guiou as duas para um lugar junto ao estrado, mas Megara deixou que ele se sentasse ao lado do dornês e Sansa logo ao lado do marido, então se sentou ao lado da Stark. Ela não se atreveu a olhar para ele, nem para a mulher que tinha ao seu lado – mesmo que Tyrion tivesse dito que ele era solteiro.

– Você parece agitada, senhora. – sussurrou Sansa, cautelosa. – Aconteceu alguma coisa?

– Não é nada, Sansa.

Tomou a taça de vinho em mãos e bebeu um gole delicado, com medo de se embebedar. Seu estômago não encontrava espaço para a comida, então não sentiu vontade provar nenhum dos pratos servidos. Distraiu-se observando as pessoas conversarem e beberem, todos pareciam se encaixar, menos ela. Reclusa e silenciosa, Megara se isolou em seu lugar ao lado de Sansa, observando todos com os olhos vazios.

É melhor eu começar a me acostumar com Pyke. Ela pensou com tristeza. Eu nunca vou conseguir atrair olhares quando passar, nem seduzir um homem e tão pouco ser encantadora.

– O senhor de Lannister tem uma bela mulher ao seu lado. – A voz do homem ao lado Tyrion soou alta.

– Obrigado, senhor príncipe. – respondeu Sansa, timidamente.

– Os deuses foram bons comigo. — Tyrion disse, mas os olhos dele passaram de Sansa para Megara, tentando alertá-la

– Mas e quanto a donzela silenciosa ao seu lado? – perguntou o príncipe Oberyn. – Teria nome?

Ela finalmente olhou para ele, sustentando o ar mais brando que pode.

– Megara Baratheon, senhor príncipe. – disse-lhe, polidamente. – É uma honra conhecê-la.

– Não parece, está a tanto tempo calada.

– É de minha natureza, senhor.

Oberyn segurou o olhar sobre ela como se a saboreasse com os olhos. Ele fitou os cabelos escuros e cacheados, os olhos gentis e fortes ao mesmo tempo, as maçãs do rosto coradas e proeminentes. Por fim, ele sorriu como se gostasse do que viu.

– Megara, troque de lugar comigo. – pediu Tyrion, urgente.

– Mas...

– O príncipe está curioso para conhecer a irmã mais jovem do falecido rei. – Ele disse, olhou para o dornês que assentiu. – Venha.

Megara se levantou rigidamente da cadeira e trocou seu lugar com o anão, então se sentou ao lado do príncipe.

– Seu marido não vai ficar com ciúmes?

– Eu não sou casada, senhor. – respondeu-lhe, sentada ao seu lado. – Embora já tenha pessoas incomodadas com isso.

– Há sempre pessoas querendo casar os outros. – Ele sorriu. – Ninguém deveria ser obrigado a se casar.

Ah, claro. Respondeu mentalmente. Concordo com você, diga a isso a Tyrion e Sansa, eles também irão concordar.

– Que falta de educação a minha. – Ele disse. – Quero apresentá-la a Ellaria Sand, minha amante. – ele falou calmamente, indicando a mulher a sua frente.

Amante e bastarda. Pensou ao encarar a mulher que sorriu para ela e lhe estendeu a mão. Qualquer mulher de alto nascimento se sentiria ofendida com aquilo e provavelmente olharia para Ellaria com desprezo, mas ela não. Apertou a mão da atraente dornesa de cabelos negros com cordialidade e lhe sorriu. Logo, Ellaria voltou a conversar com a mulher ao seu lado e Oberyn voltou seus olhos para Megara.

– Você me parece nervosa.

– E por que eu estaria nervosa, príncipe?

– Talvez por estar intimidada. – ele sussurrou se aproximando dela, como se lhe segredasse algo. – Eu estou a assustando, senhora?

Megara se afastou um pouco e sustentou um olhar duro ao fitar o dornês.

– Você não me assustaria nem se quisesse.

O príncipe Oberyn soltou um riso e bebeu o seu vinho.

– Você é uma boa mentirosa.

– Talvez porque eu não esteja mentindo. – Megara retorquiu. – Diga-me, príncipe, por que não se casou?

– Não preciso, não quis. – Ele encolheu os ombros. – Eu já estudei na Cidadela, cheguei a forjar seis elos da corrente de meistre, mas logo me aborreci. Também estive nas Cidades Livres, se estivesse casado nunca poderia ter sido tão livre. – Oberyn olhou-a interessado. – Vi coisas fantásticas, senhora, mas talvez nada igual ao que posso ver agora. – Os olhos dele pararam sobre ela.

Ela ignorou o galanteio e fingiu interesse nas pessoas novamente.

– A Cidadela não é para mim, mas confesso que sou um pouco curiosa pelas Cidades Livres. – Ela retirou as mãos de cima da mesa e pôs, sobre as saias. – Acho que não terei tanta sorte quanto você.

Ela sentiu uma mão sobre a sua, apertando-a com certa delicadeza.

– Nós fazemos nossa própria sorte, Megara. – ele sussurrou, apertando a mão dela.

A mão dele continuou sobre a dela por um bom tempo. Sentia o coração bater tão rápido e forte que temeu que ele pudesse ouvi-la. O toque dele era quente como o sol. Ela pensou que seria melhor tirar a mão da dele, para que ele não a tocasse mais, mas não conseguiu fazer isso.

– Pensei que eu não a assustasse. – Ele tinha um sorriso provocador em seu rosto. – Diga-me, senhora Megara, sempre dorme sozinha?

– Sim. – respondeu, secamente. – Mas as minhas portas estão sempre trancadas, seja para quem for.

Ela puxou sua mão com violência da dele, mas ao invés de irritá-lo, aquilo fez com que ele sorrisse.

– A raiva lhe deixa ainda mais bela, senhora.

– Acredite, senhor príncipe, se me visse com raiva de verdade não acharia isso. – A voz saíra dura e forte.

Ellaria Sand olhou para os dois subitamente, talvez não soubesse o rumo da conversa.

– Qualquer coisa que a aborrecer, releve, senhora. – Ela disse. – Meu príncipe deve estar brincando, é sempre assim.

– Claro.

Ela tomou a taça em mãos e bebeu em um só gole

– Queiram me desculpar, senhores. – Ela se ergueu do estrado. – Acho que está na hora de me retirar. – levantou-se. – Foi um prazer conhecê-la, Ellaria. – Então se forçou a fazer uma reverência a Oberyn. – Senhor Príncipe.

Afastou-se do dornês, de Tyrion e de todos. Queria ir para seu quarto e se esconder daquele maldito príncipe provocador e de seu ar ousado. Ele mexia com ela mais do que deveria. O toque dele a deixara sem reação, embora ela quisesse afastá-lo, se amaldiçoou por achar tão boa a sensação que ele trazia só por ter tocado sua mão. Moira alcançou nos corredores.

Ela a arrastou para algumas escadas e as duas se sentaram nelas.

– Então, o que achou do príncipe?

– É um atrevido. – disse, não contendo a raiva na voz. – É um atrevido e pretensioso.

– O que ele fez?

– Ele me perguntou se eu dormia sozinha! – ela respondeu. – Sabe bem o que ele quis dizer com isso?

– Claro, quis dizer que quer lhe fazer uma visita.

Megara olhou a lysena com um ar horrorizado.

– Acha isso certo?

– Eu não disse que achava, só falei a verdade. – Moira segurou a mão dela. – Ele é a Víbora Vermelha, não é conhecido por ser um homem casto e honrado como os senhores daqui, pelo contrário... Oberyn Martell é um homem conhecido por sua luxuria e pelos bastardos que tem.

– Bastardos?

Megara se lembrou de Robert, se lembrando que o irmão também tinha vários bastardos.

– É com um homem assim que Tyrion pretende me casar?

– Não me parece tão mal. – A loira encolheu os ombros. – Ele é bonito, apesar da idade, e parece ser experiente.

– Moira! – repreendeu, Megara sentiu seu rosto esquentar ao entender o que ela queria dizer com experiente.

– Ele não vai se casar... Ele tem uma amante.

Moira arqueou uma sobrancelha ao ouvir aquilo.

– Por que você está falando isso com essa voz tão desapontada?

– O quê?

– O jeito que você falou. – Moira sorriu. – Ele tem uma amante. – imitou a voz de Megara com um ar falsamente triste, então compreendeu. – Você gostou dele!

– Não!

– Claro que gostou, só está com medo que ele não tenha gostando de você também.

– Que se foda o dornês!

– Uh! Isso não é linguajar para uma dama. – repreendeu a lysena, falsamente. – Escute. – ela começou. – Você ficou assustada, nunca conheceu um homem como ele, é estranho para você... Esqueça a tal amante, só faça com que ele se encante por você.

– Eu não...

– Não sabe fazer isso, já me falou! Eu te vi conversando com ele, parece que ele ficou intrigado com você, use isso.

– Ele tem uma amante que parece viver com ele há anos! Imagine quantas coisas que ele viveu ao lado dela!

– E imagine quantas coisas você pode viver ao lado dele. – retrucou. – Mas para isso, é bom que se solte, esqueça o que Tyrion falou sobre gentileza, provoque-o! Só siga aquele conselho sobre ser menos casta.

Megara suspirou e assentiu, sabia que no fundo, Moira estava certa mesmo que não admitisse isso.

– Eu vou para o meu quarto.

– Está tudo bem. – ela aceitou. – Cuide-se.

– Você não virá comigo?

– Eu preciso fazer algumas coisas, mas se quiser...

– Não, não precisa. – Megara disse, encolheu os ombros. – Boa noite, Moira.

– Boa noite.

Ela a deixou nas escadas e rumou para seus aposentos. Megara se lembrou de Ellaria e da forma como Oberyn a apresentava as pessoas, quase como uma senhora. A forma como ele falara de casamentos parecia desinteressado. Ela não tinha como fazê-lo mudar de idéia, nem se o encantasse. Ao mesmo tempo, uma parte dela queria mesmo encantar o príncipe dornês. Não apenas pelo interesse em fugir do casamento com o Greyjoy, mas porque queria intrigá-lo tanto quanto ele a intrigava.

– Realmente, as portas de seu quarto estavam fechadas.

Ela saltou ao ouvir a voz dele.

– Sete infernos! – praguejou. — O que você faz aqui?

Oberyn sorriu ao vê-la assustada.

– Vim saber se as portas do seu quarto realmente estavam fechadas.

– Qual seu interesse nelas?

– Muitos interesses, senhora.

Ela lhe lançou um olhar carrancudo.

– Já viu? – Encostou-se a porta e o encarou. – Agora já pode ir embora.

– Que falta de cortesia, senhora. – Ele se fingiu de ofendido. – Está me expulsando?

– Estou!

Aquilo não o fez se irritar.

Oberyn estendeu uma mão e tocou em um dos cachos de Megara, enrolando-o em seu dedo. Ele estava perto. Perto até demais. Ela sentiu um pouco de medo de toda aquela proximidade ou do que ele poderia tentar, mas tentou não transparecer aquilo.

– O que não gosto das mulheres desse lado de Westeros é que são castas demais. – Ele suspirou enquanto brincava com o cacho dos cabelos dela em seu dedo. – Belas, porém frias e então não adianta de nada. – Os olhos negros dele a fitaram intensamente.

Provoque-o! O som da voz de Moira lhe aconselhando voltou a sua mente.

– Talvez não tenha encontrado as mulheres certas. – ela disse inocentemente. – Nem todas as mulheres são tão castas.

– E você é uma delas?

– Eu não sei. – Ela se afastou dele, empurrando com as mãos no tórax dele. – Talvez com o tempo você possa me ajudar a descobrir isso.

Megara entrou em seu quarto, deixando Oberyn Martell nos corredores, com um ar pensativo. Quando entrou no seu quarto, não pode deixar que um pequeno sorriso aparecesse em seu rosto.

– Até que ele não é tão assustador assim.

Notas finais
Reviews, please