Our Fury

16 All is lost again, But I'm not giving in


Notas iniciais
Hey, people! E ai, prontos para ficarem em abstinência de GOT até o próximo ano? Eu não u_u Aqui mais um capitulo prontinho para vocês, cheios de problemas para a Megara. Eu disse que as coisas iam ficar complicadas para ela e para o Oberyn. Desculpem qualquer erro. Enfim, até lá embaixo.

Durante toda a noite, Megara não conseguira dormir em paz. Passara toda a noite, encarando a escuridão e se remoendo por não ter feito nada por Tyrion. Até tentara dormir, mas quando caíra em um leve sono, um pesadelo terrível lhe acometera. De repente, via-se de novo na execução de Ned Stark, gritando e berrando por misericórdia. Só ela gritava. Enquanto todos riam. Joffrey, Cersei, Tywin, Olenna e todos continuavam rindo e quando ela olhava para a cabeça sendo erguida para a multidão, não era Ned Stark e sim Tyrion. Acordara aos prantos, felizmente, sem gritos, pois Tommen ainda dormia quando ela acordou.

Após isso, não conseguiu mais dormir.

No fim do dia, ele pode estar condenado e eu não fiz nada.

Pela manhã, não foi capaz de comer e nem beber nada. Havia algumas pequenas olheiras embaixo de seus olhos e seu rosto tinha um ar terrivelmente cansado. Algumas aias a ajudaram a se vestir, mas logo depois ela pediu para que levassem Tommen para os jardins na esperança que ele ficasse longe do julgamento, avisou que iria com os guardas para a sala do trono.

Quando ouviu a porta ser aberta, achou que fosse Loras ou algum guarda Lannister para escolta-la, por isso não se importou em olhar.

– Eu já estava indo, sor.

– Lady Baratheon.

A voz de Jaime Lannister a fez virar rapidamente para encará-lo na porta. Não era a mesma pessoa. A voz era a mesma, mas o homem era um fantasma do que fora. Jaime não era o mesmo. Os cabelos dourados haviam sido raspados embora já crescessem e estava com barba no rosto, estava mais magro e um tanto acabado. Ela notou com um susto que sua mão de espada havia sido decepada.

– Sor Jaime, é você mesmo? – questionou em choque. – Ou o que restou dele? — acrescentou um ironia.

– Vejo que continua adorável como sempre. – Jaime comentou. – Sentiu minha falta?

Megara o encarou com um sorriso irônico brincando nos lábios.

– Rezei pelo seu regresso, sor.

– Rezou? – ele arqueou uma sobrancelha.

– Sim, rezei pelo regresso da sua cabeça como presente dos Stark aos Lannister.

Jaime Lannister apenas riu enquanto ela soltou um suspiro.

– É bom vê-la também, garota.

– Está feliz em me ver? Isso me surpreende. – Megara caminhou pelo quarto indo pegar o colar de sua casa e prendê-lo no pescoço. – Deve estar muito mais feliz em ver sua amada irmã, não é mesmo? Já matou as saudades dela?

Jaime a encarou seriamente.

– Alguém já devia ter cortado essa sua língua grande, garota.

– Alguém devia ter cortado a sua cabeça ao invés da sua mão, Sor Jaime, mas as coisas não são sempre como queremos. – ela retrucou. – O que quer aqui? Não deve ter sido pelo prazer da minha companhia, não é mesmo?

– Sua companhia nunca é um prazer.

– O sentimento é recíproco.

Jaime respirou fundo e agarrou o braço de Megara que tentou atingi-lo com a mão, mas ele a segurou pelos ombros.

– Preciso que me diga algo. – Ele disse rapidamente. – Tyrion, de todos você é a mais próxima dele, vai saber me responder. Ele matou Joffrey?

– Você não acredita no seu próprio irmão?

– Responda!

– Você não conhece Tyrion? Acha que ele seria tão estúpido assim? Achei que o conhecesse melhor, é claro que não foi ele.

– Então quem mais seria?

– Qualquer um, nosso sobrinho não era exatamente uma pessoa muito amada. – Ela pronunciou as palavras com sarcasmo. – Então, mais alguma dúvida, Jaime?

– Ele já fez muito por você, garota, saiba que por Cersei ela teria dado um fim em você quando você ainda era menor, mas ele sempre fez o que pode por você. – Jaime acusou. – Por que não fez nada por ele?

– Eu faria, se tivesse como, sua irmã também desconfia de mim e um passo em falso, eu também estaria sendo apontada como assassina. – ela retrucou. – Como eu poderia ajuda-lo sendo acusada também? Ninguém aqui esta a favor dele além de mim.

– Agora tem nós dois.

Ela o olhou sobressaltada.

– Faria isso?

– Ele é meu irmão, por que não?

– Achei que Cersei fosse sua família favorita. – Megara o encarou desafiadora.

Jaime respirou fundo.

– Escute aqui, sua criatura insuportável. – Ele a encarou seriamente. – Eu nunca gostei de você e nem você de mim, isso é fato, mas Tyrion sempre foi a única coisa que nos ligou. Ele só tem a nós. Por isso, temos que nos unir se quisermos ajuda-los.

– Nos unir? – repetiu.

O que tenho a perder? Um aliado é melhor que nenhum.

– Por Tyrion? – Ele questionou lhe estendendo uma mão.

– Por Tyrion.

Ela aceitou.

– X –

Estou quase desistindo.

Megara lhe dera a missão de encontrar Sansa Stark, mas ela não conseguira nada, até aquele momento. Havia apurado seus ouvidos para ouvir as conversa das cozinheiras, mas de nada adiantava. Até mesmo fora ao porto, mas não havia nenhuma informação útil. Até que havia se lembrado de uma última pessoa que poderia ser útil. Shae. Se algo aconteceu, certamente a aia saberia.

Esperou o momento certo para falar com ela. Estava sempre com gente por perto, estranhou que até mesmo quando uma aia da rainha viera falar com ela. Demorou, mas finalmente a encontrou sozinha em uma escadaria da torre, descendo distraída.

– Shae.

A garota pareceu surpresa em vê-la.

– Lysena.

Moira sorriu para ela.

– Parece que todos me chamam assim por aqui seria até estranho que alguém me chamasse pelo meu nome.

– Não sei seu nome.

– Moira. – respondeu. – Está servindo a rainha agora?

– Com o sumiço de Lady Sansa, estou como criada da Mão.

– Que lamentável isso com a garota Stark. – comentou Moira. – Acredito que como aia você deve ter escutado alguma coisa não é?

– Eu não ouvi nada.

– Nós sempre ouvimos alguma coisa, Shae, a menos que seja surda. – Moira parou em um degrau acima de Shae. – Façamos um acordo, não tente mentir para mim e eu não mentirei para você. Diga o que sabe Sansa.

– Do que está falando?

– Se havia alguém perto dela nos últimos tempos, alguém se aproximando discretamente, se você ouviu algo, esse tipo de coisa. Eu acho melhor que me conte, Shae, então nossa conversa será no cordialidade ou...

Shae sacou uma pequena faca de dentro das roupas e apontou para ela.

– Ou o quê?

Moira arregalou os olhos olhando para a faca e notou que a mão da garota tremia. Em um momento de distração da morena, ela acertou uma bofetada no rosto da criada e apanhou a faca da mão dela, jogando-a contra a parede

– Ou eu terei que usar os meus métodos mais difíceis, mas que eu costume usar bem. – Moira pressionou a faca na pele do pescoço dela. – Então, querida, algo a me dizer? Se lembra das perguntas ou quer que eu repeti? Vou logo avisando que cada pergunta que eu repetir, será um corte nesse lindo pescoço, afinal, eu não gosto muito de repetir o que eu digo.

Shae olhou assustada para a lysena sentindo a lâmina pressionada em seu pescoço.

– Um homem falava com ela as vezes, acho que ele era um Lorde, um homem do conselho, estava sempre na sala do trono. Ele vinha falar com ela, mas depois sumiu. Uma garota que vinha com ele me pediu para cuidar dela enquanto ele estivesse por perto.

– Quero nome dele.

– Eu não sei, ele era dono de um bordel se não me engano, a garota era uma puta, é só isso que eu sei.

Littlefinger. Moira concluiu rapidamente.

– Que péssima aia que você é, deve ser uma puta muito melhor caso contrário Tyrion não a manteria tanto tempo. – Moira sorriu. – Imagino que ele vai gostar de saber que você agora serve o pai dele.

– Eu...

– Que subida grandiosa você deu, de aia da filha de um traidor para criada da Mão do Rei, impressionante. – comentou. – Qual teria sido o preço? Melhor dizendo, o seu preço. Tyrion gostará de saber disso.

– Ele está preso e pelo que sei será condenado a morte.

– Quer um conselho? Vou te dar dois. – questionou. – Nunca duvide do anão e pense bem antes de traí-lo, porque se o fizer, não haverá uma segunda vez.

Ela largou Shae que a olhou assustada.

– Conte algo aos seus superiores e eu contarei a Tyrion sobre você, se for esperta, seguirá meu conselho e aceitará o nosso segredinho, certo?

– Não vou contar a ninguém.

Moira sorriu e guardou a faca dentro de seu próprio vestido.

– Obrigado pela faca.

– X –

Uma pausa fora dada no julgamento.

Assim que Lorde Tywin se afastou, Jaime fez um sinal para que ela o acompanhasse. O silêncio reinou entre os dois enquanto caminhavam até onde a Mão se encontrava. Não eram amigos e não seria agora que se tornariam. A única coisa que os unia era Tyrion. Os guardas os deixaram passar, mas quando entraram na sala, Lorde Tywin os encarou com uma leve surpresa.

– Uma visita inesperada.

Megara permaneceu impassível ao lado de Jaime, mesmo que quisesse gritar meia dúzia de verdades para o velho leão, mas deixo que Jaime falasse primeiro.

– Você condenaria o próprio filho a morte?

Tywin não se importou com aquilo.

– Não condenei ninguém. – respondeu calmamente, enquanto comia. – O Julgamento ainda não acabou.

– Isso é uma farsa. – Megara acusou. – Cersei manipulou a todos e o senhor sabe bem.

Os olhos do velho leão a encararam por alguns instantes.

– Eu não sei de nada, Lady Baratheon.

Megara o encarou com desprezo.

– Sempre odiou Tyrion.

– Ele matou o rei.

Jaime interveio entre os dois.

– Assim como eu.

Respirou fundo e deu as costas aos velho, tentando se controlar com a frieza de Tywin, mas tudo que queria era berrar em plenos pulmões o quanto o desprezava.

– Sabe qual foi a última ordem do Rei Louco? – Jaime questionou. – Levar sua cabeça a ele. Salvei sua vida para que assassinasse meu irmão?

– Será justiça.

– Justiça? – ela repetiu, indignada. – Está se livrando dele, admita Lorde Tywin, está grato por se livrar do filho que sempre odiou? Não pode provar que ele não era seu, mas como ele morto deve se sentir feliz.

A Mão do Rei pareceu prestes a silencia-la.

Jaime a encarou de soslaio com advertência.

– Estou cumprindo meu dever como Mão do Rei. – Tywin respondeu. – Se Tyrion for considerado culpado, será punido.

– Será executado. – corrigiu Jaime.

– Será punido.

– Uma vez disse que a família é tudo que sobrevive. – começou Jaime. – Contou sobre uma dinastia que duraria mil anos. O que acontece com sua dinastia se Tyrion morrer? – questionou. – Sou da Guarda Real. Proibido por juramento em continuar a linhagem.

– Conheço seu juramento.

– O que acontece com seu nome? Quem carregará o estandarte do leão em batalhas futuras? Seus sobrinhos?

– O que acontece com sua dinastia se eu poupar a vida do assassino do meu neto?

Megara olhou com o canto dos olhos para Jaime.

– Sobrevive através de mim.

Agora Tywin Lannister parecia ouvir o que ele dizia.

– Deixarei a guarda real. – Jaime confirmou. – Assumirei meu lugar como seu filho e herdeiro, se deixar Tyrion viver.

– Feito.

Os dois encaram o velho leão com surpresa.

– Quando acabar e o veredito de culpa for dado, Tyrion terá a chance de falar e pedirá por misericórdia. Deixarei ele se juntar a Patrulha da Noite. Em três dias ele partirá para o Castelo Negro e viverá na Muralha.

Jaime quase não acreditava no que estava ouvindo, Megara também não.

– Você removerá seu manto branco imediatamente, vai deixar Porto Real e assumirá seu lugar no Rochedo Casterly. Casará com uma mulher apropriada que por um acaso esta bem ao seu lado. – Os olhos dele pousaram em Megara. – E será pai de crianças Lannister e nunca mais trairá sua família de novo.

Os dois estavam assustados com o que ouviram.

Megara sentia seu coração bater aceleradamente. Céus, o que eu faço agora? Jaime a olhou esperando alguma objeção, algum protesto. Que escolha eu tenho? Ela respirou com frieza e assentiu para Jaime.

– Você tem minha palavra.

– E a minha. – ela completou.

Jaime a olhou surpreso.

– Assim como vocês tem a minha. – Lorde Tywin aceitou.

O cavaleiro lhe estendeu a mão a levou para fora da sala, sentindo-a rígida ao lado dele. Sentia sua garganta ter um nó e algumas lágrimas teimosas se acumularem debaixo de seus olhos. Passar o resto de seus dias ao lado de Jaime lhe fazia se sentir vazia e a certeza de um futuro obscuro.

Ao voltar a sala do trono, a primeira pessoa que avistou de longe foi Oberyn e então um peso lhe acertou o peito como um golpe. Eu o amo tanto. Parecia cruel que as coisas tomassem esse rumo.

– Não era bem o que nós planejávamos, mas eu não voltarei atrás. – Megara disse com a voz fina, quase um sussurro. – Se isso salvá-lo.

Os dois olharam para Tyrion e Jaime fez menção de ir até ele.

– Deixa que eu falo com ele. – pediu.

Ela aproximou-se de Tyrion calmamente, apoiando os braços na estrutura de madeira onde ele estava diante do trono.

– As coisas estão difíceis, não é?

Tyrion a encarou indiferente.

– Nada boas.

– Não vai demorar muito para ser considerado culpado, então será morto o mais rápido possível.

– Obrigado, Megara, mas eu já sei disso.

– A menos que me escute. – Ela aproximou-se dele para falar baixo para que apenas ele a ouvisse. – Quando acontecer, você pedirá misericórdia e ser enviado a muralha. Seu pai já concordou.

– Prometeram o mesmo a Ned Stark, acho que você estava aqui quando aconteceu, eu achei que gostasse mais de mim.

– Eu sei, eu sei. – Megara concordou exasperada. – É o seu pai, não Joffrey. Tem que confiar em mim.

– É fácil confiar em você, não em meu pai.

Os dois observaram enquanto as pessoas voltavam aos seus lugares.

– Confie em mim. – Ela tocou a mão dele sobre a madeira. – E em Jamie. Fique calado, é difícil para você, mas fique e nada de explosões. Vai acabar em breve. – Inclinou-se sobre ele e depositou um beijo sobre a bochecha do anão, sem repudio. – Confie em mim. – repetiu.

– Megara.

Ela afastou-se antes que ele pudesse continuar.

Quando todos se sentaram, o julgamento reiniciou.

– A coroa pode chamara próxima e última testemunha.

Logo os passos foram ouvidos, tanto Megara como Tyrion se surpreenderam quando Shae surgiu na sala caminhando até a frente dos juízes. Toda a indiferença sumiu do rosto de Tyrion ao vê-la, dando lugar a surpresa, uma respiração pesada. Ele a amava. Megara sempre soube quem ela era, uma prostituta que ele conhecera em um acampamento, como ele lhe dissera, mas ele a amava. Ela notava isso toda vez que ele falava o nome dela. Agora, ele parecia perdido em vê-la ali. Quase amedrontado se ela não o conhecesse bem.

– Diga seu nome.

– Shae.

– Jura pelos deuses que seu testemunho será verdadeiro e honesto?

– Juro.

– Conhece esse homem?

Os dois se olharam, Tyrion com ansiedade e ela com certa indiferença ou medo.

– Conheço. É Tyrion Lannister.

– E como o conhece?

– Fui criada da esposa dele, Sansa Stark.

– Esse homem é acusado de matar o rei Joffrey. – questionou Lorde Tywin. – O que sabe sobre isso?

– Sei que ele é culpado. Ele e Sansa planejaram juntos.

As palavras de Shae atingiram a todos com surpresa, mas não mais do que a Tyrion. Megara enxergou nele algo que não via muitas vezes. Dor. Aquilo refletiu nela, como se a ferissem também. Ele sentou-se com um baque enquanto a fitava, sem ser olhado de volta.

– Ela queria vingança pelo pai, pela mãe e pelo irmão. Ele culpou o rei pela morte deles. Tyrion ficou feliz em ajudar. Ele odiava Joffrey. Odiava a rainha, odiava você, meu senhor. Roubou veneno dos aposentos do Grande Meistre Pycelle para colocar no vinho de Joffrey.

Mais uma maldita mentirosa. Megara pensou enquanto a encarava.

– Como pode saber disso tudo? — perguntou Oberyn. – Por que ele revelaria isso a criada da esposa?

Shae pareceu ficar incomodada com a pergunta.

– Eu não era só a criada da esposa dele.

Oberyn a encarou com um arquear de sobrancelhas.

– Eu era a puta dele.

O burburinho se espalhou por todo o salão. Tyrion estava em silêncio em seu lugar, levemente perturbado encarando a garota. Megara fechou os olhos para não vê-lo, sentindo-se agoniada, tão inútil. Se ele me deixasse depor por ele, eu poderia evitar isso, poderia ajuda-lo. Amaldiçoou o anão por ser tão teimoso. Maldita puta mentirosa. Ele havia tentando tanto protege-la para que no fim chegassem a isso.

– A puta dele. – ela repetiu.

– E como passou a prestar-lhe esses serviços?

– Ele me roubou. Eu estava com um cavaleiro de seu exército, mas quando Tyrion chegou a seu acampamento, ele mandou um de seus assassinos a nossa tenda. Ele quebrou o braço do cavaleiro e levou-me para Lorde Tyrion. – Ela falava como se tentasse fazer com que todos se apiedassem dela. – Você pertence a mim agora, ele disse. Quero que foda comigo como se fosse minha última noite no mundo.

O salão explodiu em risadas olhando para ele. Menos Tyrion, Lorde Tywin, Megara e Jaime ficaram em silêncio. Abaixou sua cabeça, sentindo uma raiva imensa dela. Apertou os próprios pulsos, havia dito a ele para se conter e ela mesma mal conseguia se controlar.

– E você o fez? – perguntou Oberyn, parecendo divertido.

– Fiz o quê?

– Fodeu com ele como se fosse a última noite no mundo?

Mais risadas saíram com o comentário do príncipe.

Tyrion virou o rosto para não encará-la. Está sendo traído por todos os lados, Tyrion. Megara pensou com tristeza. Abriu a boca para tentar sussurrar algo a ele, mas nada saiu. Você salvou essa cidade e ninguém vê isso.

– Fiz tudo que ele desejava. – ela confirmou. – Tudo que ele me mandou fazer nele. O que ele queria fazer comigo. Eu o beijei onde ele quis. Eu o lambi onde ele quis. Eu deixei que ele metesse onde quisesse. Eu era propriedade dele.

Cada palavra dela era uma vergonha para ele, era risos para os outros. Megara sentia-se impotente, mais do que antes. Queria poder fazer algo, mas o máximo que pode, já havia feito, só tinha que assistir enquanto aquele que lhe defendera tanto era humilhado na frente de todos.

– Shae. – ele chamou. – Por favor, não. – Tyrion pediu em um tom quase de súplica.

Ela nunca vira Tyrion suplicar por nada.

Ela o olhou com frieza.

– Sou uma puta, se lembra?

No fim, Megara não conseguia mais ouvir o que ela dizia. Prendeu-se dentro de si. Passara os dias de julgamento ouvindo as mais absurdas mentiras sobre ele, no fim, já não suportava mais.

– Então ele prometeu matar o Rei Joffrey para ela.

Quando por fim ela terminou, o salão inteiro falava, mas após algum tempo, a voz de Tyrion foi novamente ouvida.

– Pai... Eu desejo confessar. Eu desejo... Confessar.

Megara olhou surpresa para ele.

– Você deseja confessar?

Ele voltou-se para as pessoas que o assistiam.

– Eu salvei vocês. Eu salvei essa cidade e todas as suas vidas inúteis. – Tyrion disse com sua voz repleta de ódio enquanto encarava a todos. – Devia ter deixado Stannis matar todos vocês. – Ele ergueu-se com fúria nos olhos.

Todos começaram a falar ao mesmo tempo.

– Tyrion. – chamou Lorde Tywin. – Você deseja confessar?

– Sim, pai. – ele respondeu. – Sou culpado. Culpado. É isso que quer ouvir?

– Admite ter envenenado o rei?

– Não, disso sou inocente. Sou culpado por um crime mais monstruoso. Sou culpado de ser um anão.

– Você não esta sendo julgado por ser um anão.

– Sim, estou. – insistiu Tyrion. – Estive sendo julgado por isso durante toda a minha vida.

– Não tem nada a dizer em sua defesa?

– Nada além disso: Eu não matei. – respondeu finalizando com um sorriso sem humor. – Eu não matei Joffrey, mas gostaria de ter matado. Ver o seu bastardo perverso morrer deu-me mais alivio que mil putas mentirosas. – Ele vociferou olhando na direção de Cersei com ódio e virando-se para a multidão. – Eu gostaria de ser monstro que pensam que eu sou. Gostaria de ter veneno suficiente para todos vocês. Com muito prazer eu daria minha vida para ver todos vocês engolindo. – Ele não olhou em nenhum momento na direção dela.

– Sor Meryn! Sor Meryn! Escolte o prisioneiro de volta a sua cela.

– Não darei minha vida pelo assassinato de Joffrey e sei que não receberei nenhuma justiça aqui. Então deixarei que os deuses decidam meu destino. – Ele disse ao pai que o encarava firmemente.

– Eu exijo um julgamento por combate.

Cersei parecia satisfeita.

Não, Tyrion, não seja tolo. Ela pediu dentro de sua mente, vendo todo seu esforço com Lorde Tywin se tornar em vão.

– Ele tem esse direito, senhores. – lembrou Cersei. – Sor Gregor Clegane lutará por Joffrey, ele chega a cidade em dois dias.

Lorde Tywin tinha um rosto sombrio ao encarar o filho mais novo.

– Você tem um campeão para defender sua inocência?

– Tem, senhor. – Oberyn ergueu-se de onde estava. – O anão conseguiu me convencer.

Megara sentiu lágrimas descerem por seu rosto e o ódio lhe tornar o peito pesado como se uma pedra caísse sobre seu coração. Sentia-se traída, Tyrion devia ter lhe contado. Não posso perdê-lo, não posso perdê-lo, Oberyn. Queria gritar, esbofeteá-lo, dizer que não, mas a voz e ação haviam a abandonado. Estive perto de salvar Tyrion, sem saber que livraria Oberyn a morte também. Agora posso perder os dois. Aquilo parecia já planejado. Estou destinada a perder tudo mesmo.

Quando Oberyn olhou de relance para ela com um sorriso de víbora, esperando talvez agradecimento ou um sorriso, não encontrou nada além de raiva e lágrimas.

Notas finais
Eita, que agora lascou -q HAHAHA A primeira parte do julgamento foi pulada porque não tinha grande importância, só essa última que teria. Afinal, todo mundo sabe como foi o julgamento e eu tinha outras partes importantes para mostrar. Tudo terá importância, não se preocupem. Essa é cena dos julgamentos é uma das minhas cenas favoritas, eu tive que dar uma atrasada em alguns eventos, no julgamento e na luta também porque tem coisas para ocorrerem antes disso :) Acharam que eu tiraria a luta? Claro que não u_u Mas calma, calma, sem pânico. Tudo que posso garantir é que tudo será diferente, só posso dizer isso. Não é muita coisa, mas se eu falar muito, estraga. Confiem em mim, ok? Beijos :*