Our Forbidden Love

15 Capítulo 15


Notas iniciais
baaah, esse capítulo tem quase cinco mil palavras, então se quiserem que eu divida, me avisem
tem gente que gosta de caps grandes e outros que odeiam, então me digam e eu vou fazer o que a maioria preferir :)
espero que curtam e não me batam!
bjs :*

Mal tive tempo de pensar, pois logo uma menina novinha entrou no quarto.

- Senhor Jane. — Ela murmurou e eu olhei-a novamente. Devia ter uns quatro anos a mais do que eu apenas e era bastante envergonhada, pelo visto. — Me mandaram aqui para lhe ajudar. — E, dito isso, tirou suas mãos das costas, mostrando um pequeno estojo de maquiagem.

- Me chame de Harold. — Falei tentando ser simpático. A pobre garota não merecia ser tratada mal, mesmo tendo em vista que agora eu iria estragar minha vida.

Assim que brigasse com o Leonard, ele iria ficar mal e contaria aos nossos amigos, fazendo com que os mesmos fiquem irritados comigo por tê-lo magoado, ou seja, eu ficaria sozinho novamente. Depois de finalmente encontrar pessoas que me queriam bem e me amavam voltaria para a tristeza que a solidão é.

- Ok, Harold, vamos dar um jeito no seu rosto. Minha irmã está chegando e vai te ajudar com os ferimentos. E abriu o tal estojinho, tirando alguns... não sei... negocinhos de maquiagem. Posso ser gay, mas não preciso saber sobre isso.

- Ah, tudo bem, obrigada. Qual seu nome? — Perguntei, enquanto ela pegou um pincel e tocou-o levemente naquele potinho.

- Jamie. — Respondeu, erguendo aquele utensílio e aplicando no meu rosto.

- Ai. — Murmurei baixinho.

- O que houve aqui? Se é que posso perguntar. — Antes mesmo de eu pensar em alguma resposta a porta se abre e de lá entra uma garota extremamente parecida com Jamie.

- Espera... Vocês são gêmeas?

- Sim. — A outra diz sorrindo. Ela tinha cabelos loiros até a cintura, ao contrário da irmã que preferia mantê-los presos em um coque. As duas eram lindas, mas nada muito extravagante. — Prazer, Harry, sou Sophie. — E me estendeu a mão rapidamente. Suas personalidades eram bem diferentes, uma era alegre e despojada enquanto a outra gostava de ficar quieta no seu canto.

- Desculpe pelos modos da minha irmã. — A outra corou.

- Sem problemas. Prazer, Sophie. O que meninas da idade de vocês estão fazendo aqui?

- Precisamos do dinheiro.

- Eu quero cursar enfermagem e Jamie medicina veterinária, porém nossa faculdade é extremamente cara e nessa casa nos pagam muito bem, além do que é divertido. — Sorriu.

- Ela só diz isso por que no trabalho não tem que estudar. — Revirou os olhos. Eu dei um leve sorriso ao vê-las. Quem sabe eu poderia ter novas amigas agora.

- Ok, vou te ajudar. — Disse. — Espera, vou tirar sua camiseta, não se mova ou pode doer. — E, com o maior cuidado (e alguns gemidos dolorosos), conseguiu. — Meu Deus, você foi mais do que espancado! — Ela disse surpresa. — Quer nos contar o que houve? — Perguntou enquanto mexia em uma caixinha branca que estava ao meu lado.

- Digamos que eu fiz coisas na hora errada e pessoas que não deviam ter visto, olharam tudo e agora eu estou aqui, sangrando e dolorido, esperando para estragar mais um pouco a minha vida.

- Ah, tudo bem então. — Sophie disse meio assustada com o desabafo repentino.

- Esqueça. — Dei ombros, mas logo me arrependi, pois senti uma enorme pontada no estômago.

- Vou passar um remédio para cicatrizar mais rápido e limpar as bactérias. — E, dito isso, ela fez uma careta de dor, como se soubesse que iria arder.

Elas iam narrando tudo que faziam, tanto na maquiagem quanto nos curativos, assim iam me distraindo naquele processo angustiante.

- Pronto, agora só falta o casaco. — Jamie disse me ajudando a colocar. Meus braços, minhas pernas, minhas costas, minha barriga, argh, tudo doía. — Mas não se esqueça, ele pode notar se ficar muito perto de você, todo esse corretivo (e o resto) apenas disfarçou, porém ainda dá para ver.

- Boa sorte e diga ao seu gato que eu mandei um 'oi'. — Sophie falou sorrindo e as duas saíram. Sim, eu havia contado. Aliás, em partes. Apenas disse que eu o beijei e a Elizabeth ficou sabendo, então aconteceu tudo isso. Até porque, sei que elas acabariam sendo subornadas por Charlie, para que não contassem a ninguém e eu não iria culpar elas de jeito algum, só estavam se preocupando com o seu futuro, além disso, elas me ajudaram bastante e eu sei que, se saísse dessa briga sozinho, teria elas, de vez em quando, para gastar meu tempo.

Novamente eu estava sozinho no quarto, porém agora sentado em cima da cama, tentando não me mover muito para não sentir dor. Fitei o chão por longos minutos, até ouvir uma batida na porta. "Entre" eu murmurei e logo ela se abriu, revelando o meu lindo Leonard.

- Ah, me desculpe a demora, sabe como as meninas s... — Me levantei rapidamente e fui até ele, ignorando o tormento que era caminhar naquelas condições.

- Eu... Nós... Precisamos terminar. — Falei olhando para o chão. "Não olhe-o diretamente nos olhos, além de poder entregar seus machucados, será mais difícil de 'brigar'" lembrei do conselho.

- Terminar? Harold, nem namorando nós estávamos... Digo... Não estou te entendendo.

- Não quero ficar ao seu lado mais. — Disse. Minhas lágrimas ameaçavam cair, porém estava tentando ser forte.

- C-Como assim? Porque?

- Olha só, eu passei um ano inteiro ao seu lado, praticamente, implorando pelo seu amor e agora resolveu me dar 'moral'? Leonard, eu não quero um amor, quero sexo, quero prazer, quero algo que não pode me dar. — Ele se sentia mal por dizer essas coisas, mas não tinha jeito mais fácil.

- Harold, por favor, não me abandone, eu te amo! Eu posso te dar isso se é o que quer. Apenas fique comigo. Posso não ser o menino mais bonito ou sarado, porém eu vou fazer de tudo para te conquistar e te deixar feliz. Por favor. — Ele dizia desesperado. Eu sabia que estava chorando e não estava mais aguentando.

- Você é fraco! — Gritei. — Pare de implorar! Parece uma mulherzinha idiota! Aja como homem e aceite que eu não te quero mais!

- Harry... Fique calmo, eu vou esperar você se acalmar e depois a gente pode esquecer tudo que aconteceu agora, voltaremos a ser como antes. — Pediu entre lágrimas.

- Não, me esqueça! — Gritei novamente. Eu sabia que isso só doeria mais nele.

- Eu posso ser seu amigo apenas? Por favor, não me abandone. — Seu choro me machucava mais do que aqueles dois idiotas de hoje. E o pior era saber que a culpa daquela aflição era totalmente minha.

- Pare de se humilhar e saia daqui!

- Olhe nos meus olhos e diga que não me quer mais na sua vida. — Ele falou firme e me encarando. Mordi meu lábio com tanta força que tinha medo de estar sangrando. Aquela deve ter sido a vista mais triste que eu já havia visto. Minha cabeça foi levantando vagarosamente, até encontrar aquele azul que eu tanto amei. Seus olhos estavam vermelhos e cada vez mais 'brotavam' lágrimas e lágrimas.

- Não te quero mais na minha vida. — Aquelas palavras horríveis e dolorosas saíram da minha boca. Parecia que tudo estava em câmera lenta. Ele me fitando e logo depois virando para sair do quarto. Leonard estava indo embora e não iria mais voltar. Eu havia magoado ele e agora estava sofrendo. Ok, aquela era a pior vista de todas, eu tinha me enganado. Ele simplesmente dando as costas e saindo. A pessoa que eu mais amo me deixando sozinho — Por favor, não me odeie. — Falei baixinho e ele provavelmente ouviu, porque assim que minhas lágrimas começaram a cair, se virou rapidamente, porém ainda segurando a maçaneta. — Eu te amo. — Sussurrei, crente de que ele não iria me ouvir.

- Como assim você me ama? — Perguntou irritado. — Isso tudo aqui foi o que então?! Pare de tentar me manipular, eu não vou ficar com pena de vo... Harold... O que houve no seu rosto? — E se aproximou, mudando totalmente de expressão.

- Eu... caí. — Disse limpando rapidamente as lágrimas que caíram.

- Ah, você caiu, machucou o rosto e colocou... — Tocou pouco abaixo da minha sobrancelha e franziu as suas. — Maquiagem? — Ele me olhava sarcasticamente.

- Algum problema?

- Sim. Você está mentindo para mim!

- Leonard, eu não te a... — Fui interrompido.

- Harry... Pare! Só me diga o que está havendo. — Eu queria contar tudo e receber um enorme abraço dele que concertaria tudo, porém não podia fazer isso. Colocou a mão na minha cintura e eu gemi de dor. — O que ho... — E foi levantando a camiseta. Seu rosto ficou perplexo. — O QUE É ISSO? — Gritou. — QUEM FEZ ISSO EM VOCÊ? HAROLD, ME DIGA! — Pronto, estava fora do controle. Em um segundo o menino estava chorando e no outro rasgando minha camiseta, literalmente. — O QUE SÃO ESSES CURATIVOS? HARRY, ME FALE! — Andava de um lado para o outro, com a mão na cabeça, nervoso.

- Eu briguei.

- VOCÊ BRIGOU? É ISSO QUE TEM A ME DIZER? IMAGINA SE EU APARECESSE COM INÚMEROS MACHUCADOS E DISSESSE "ai, harry, eu briguei" COMO SE NÃO FOSSE NADA, PORRA! — Não aguentava mais vê-lo assim, então fui até ele e o abracei com força. Foda-se se doía, só queria senti-lo nos meu braços novamente. No momento que ele me sentiu ao seu redor, ficou mais calmo. Devemos ter ficado naquela posição por uns cinco minutos. Eu, pensando que ele estaria melhor, larguei-o. — Pronto para me contar?

Suspirei fundo. Leonard era teimoso, disso eu sabia bem. Puxei-o pela mão até a cama e o fiz se sentar ao meu lado. Ele não fez questão de me soltar então eu entrelacei os nossos dedos.

- Elizabeth... Ela descobriu sobre nós dois... — Ele me olhava interrogativamente. — Nos viu no hospital e contou ao Charlie. Hoje ele veio no meu quarto dando um discurso sobre família e tudo mais. Disse que se eu me afastasse de você não faria nada, porém eu sou muito orgulhoso e disse que nunca te deixaria, então chamou seus "comparsas" e os dois me deram uma bela surra. — Ri amargo.

- Harold... — Murmurou, fazendo carinho na minha mão com seus dedos.

- Espera, tem mais. Falou que se eu não desaparecesse da sua vida, iria contar ao seu pai e ele... bem, você sabe... iria...

- Me espancar, ou pior. — Completou.

- Sim.

- Então é por isso que você falou todas aquelas besteiras. — Não respondi, então ele me olhou novamente. — Você me ama?

- Muito. — Admiti.

- Me prometa que não vai me abandonar. — Mordi meus lábios, indeciso.

- Prometo. — Sorriu.

- E agora deixa que eu cuido do resto. — Me deu um selinho. — Eu te amo tanto, Harold. Não vou deixar mais ninguém encostar um dedo em você. Vou te proteger, juro que vou. Ficaremos juntos de agora em diante.

- Isso vai dar certo?

- Eu já fiz algo errado?

- Bem... Teve a vez que deu comida demais ao peixe do Zack e o matou e tamb...

- Harold, quieto. — Riu. Ah, como era bom ver aquela risada ao invés das lágrimas idiotas. — Faça as malas, pegue poucas coisas e vá para baixo o mais rápido que der. — Falou e iria sair, mas parou. — Não esqueça de trocar de camiseta. — Gargalhou, olhando o estrago que tinha feito com a minha. Imaginei como Leonard devia ser selvagem no sexo.

Deixei para pensar nisso depois e ir arrumar minha mochila. Algo me dizia que ele iria exagerar, então eu tinha que descer rápido. Sabe como é aquele menino arrumando barraco, né.

~~POV LEONARD~~

Desci as escadas praticamente correndo e bati na porta do escritório dele. A raiva me dominava, cheguei a pensar em espancá-lo, mas isso seria maldade, considerando que eu sou mais novo e posso machucá-lo demais. Logo Charlie abriu e me olhou de cima a baixo.

- Oh, você parece triste, o que houve? — Perguntou com falsa preocupação.

- O que houve? 'Houve que' eu me apaixonei por um menino e, por uma horrível falha do destino, era meu cunhado. Eu tentei negar por vários meses e mantive com a minha namorada, porém não era o suficiente. Não havia como negar que eu o amava. Então tudo parecia estar certo, até você e sua falta de caráter entrarem na história.

- Isso não está certo, você ama Elizabeth!

- SIM! Eu a amo e muito. Passei inúmeras situações ao lado dela e passaria por mais, porém não a amo desse jeito. Ela é como se fosse minha melhor amiga, apenas isso. Não quero viver longe dela, não quero que ela se afaste ao descobrir que sou gay e não quero que tratem o Harold assim!

- Eu irei contar ao s... — Interrompi-o.

- Não se dê ao trabalho, assim que for embora daqui, eu mesmo já iria contar.

- Harry é menor de idade, então, se eu mandá-lo ficar aqui em casa sem te ver nunca mais, eu mando! — Esbravejou.

- Não, você não manda. E sabe porque? Em dois segundos eu posso estar na delegacia, te denunciando por mandar machucarem ele. Tem testemunhas ou acha que, seus empregados, após descobrirem o que fez, não iriam se juntar a nós? — Perguntei cínico. — Sua carreira vai ir por água a baixo e pode muito bem ser preso. A notícia "Charlie Jane, provavelmente um dos maiores empresários de Londres, foi acusado de participação no espancamento de seu filho adotado, que ficou muito ferido, por descobrir que ele era gay" vai estar em todas as revistas, sites e noticiários. Já imaginou Cris descobrindo? Aposta quando que ela não pensaria duas vezes antes de levar Elizabeth embora e tirar todos os bens do seu nome? Você estaria sozinho. Completamente sozinho. Então acho melhor tratá-lo bem de agora em diante. — Me olhava com raiva, mas estava muito hesitante para dizer algo.

- Eu... Não o quero mais aqui. Leve-o! — Ok, isso me surpreendeu e muito. Levar Harold? Ele moraria na minha casa?

- Mas é menor de idade.

- Não importa, vou emancipá-lo, apenas tire-o daqui. — E olhou para o chão. — Elizabeth disse que ou eu tirava-o daqui ou fazia ele aprender uma lição, por isso, por favor, não deixe-o voltar aqui. — Pude ver que chorava. — Não quero machucá-lo mais. Só quero que ele seja feliz. — E se virou, dando a entender que eu tinha de ir embora. — Mas fale com ela e termine, se é o que deseja. — Assenti com a cabeça, por mais que ele não pudesse ver e saí.

Por um lado, eu o entendia, só queria deixar a filha bem. Ver quem amamos chorando é de cortar o coração. Tenho certeza de que, na verdade, não queria ter feito aquilo com Harold, só pensou estar sem saídas. Mas não é por isso que vou perdoá-lo.

Quando eu iria subir as escadas, me deparo com Harry descendo-as.

- Espere ali fora e ligue para a minha mãe, peça para vir nos buscar. — Entreguei meu telefone. — Já volto. — E continuei a subir, sem esperar uma resposta.

Entrei no quarto dela sem fazer qualquer 'cerimônia'.

- Leonard? Você estava aqui? — E se levantou sorrindo, vindo até mim.

- Sim. Elizabeth, me desculpe.

- Por? — Fingiu estar desentendida.

- Você sabe. Harold.

- Olha, eu sei que aquilo foi apenas 'do momento', estou disposta a esquecer.

- Não, não pode ser assim, Eliza. Não tem que ser forte em todos os momentos, eu sei que está triste, sei que te magoei. — Ela mordeu os olhos. Sua expressão era realmente melancólica. — Eu juro por tudo que nunca quis te deixar assim.

- Óbvio que eu fiquei triste e muito, porém eu te amo e quem ama aceita os erros e perdoa.

- Então espero que aceite o meu erro. Eu errei ao amá-lo, não era certo, eu sei. Somos dois meninos, ele é meu cunhado, nada podia dar certo, porém aconteceu. Sinto muito mesmo. — Pude ver inúmeras lágrimas caindo.

- Leonard... Você está terminando comigo?

- Sim, me desculpe, mas sim. — Não aguentei vê-la chorando tanto e a abracei, aliás, tentei, porque foi para trás rapidamente.

- Não me toque! SAIA! Por favor, me deixe sozinha! — Gritava. — VÁ EMBORA!

- Eliza, eu ainda estarei aqui, eu ainda te amo, você ainda pode continuar comigo.

- COMO AMIGA?

- Sim.

- Nunca! Leonard, MAIS DE DOIS ANOS! TUDO ISSO VAI PARA OS ARES POR UM SIMPLES BEIJO?

- Eu... — Me interrompeu.

- Eu te amei, dei tudo de mim por você e para te ver feliz e agora você chega no meu quarto dizendo que ama outra pessoa? É isso?! Como pode ser tão cruel? — E quando me dei por conta, chorava também.

- Me desculpe, nunca quis te magoar, eu juro.

- Mas magoou. — Respirou fundo. — Por favor, eu só quero ficar um tempo sozinha.

- Tudo bem, assim que quiser, me ligue, estou disposto a conversar. — Murmurei e saí.

Fiquei parado por uns tempos, apenas tentando me acalmar. Essa devia ter sido uma das piores coisas que eu já fiz. Realmente sentia muito. Não queria ter feito aquilo com ela. Elizabeth, com todo o tempo que passou comigo, me fez um bem enorme. Ela é divertida e meiga, por mais que os outros não percebam. Havia descoberto que aquela personalidade metida e exibida não passava de uma "capa" que estava acostumada a usar, de tantos amigos interesseiros que teve. Definitivamente, foi a pessoa mais forte que eu conheci. Me matava estar deixando-a tão triste... Harold...

- Meu Deus, Harold! — Eu falei rapidamente e corri até a porta da entrada. Os dois estavam no carro conversando e nem me viram, apenas quando eu sentei no banco de trás junto com ele.

- Foi boa a tarde? — Ela perguntou. Sorri amargo.

- Ótima. — Menti, óbvio. Hoje deve ser o pior dia da minha vida.

- Você parece triste, Boo.

- Não estou, apenas cansado, podemos ir logo para casa, mãe? — Pedi e ela assentiu, começando a dirigir.

- Harry vai dormir lá em casa?

- Sim.

- Vou? — Ele me olhou.

- Vai. — E me aproximei do seu ouvido. — Depois te conto tudo.

Sua mão alcançou a minha. Apertou-a como se dissesse que estava aqui e tudo ficaria bem.

"Corra lá para casa, preciso que cuide das meninas, tenho tantas coisas para te dizer" digitei rapidamente para Hayley.

--

- Hay, não deixe as meninas saírem lá de cima. — Eu pedi.

- Vai ser muita 'barra' né?

- Nem imagina. — Suspirei. — Harry, é melhor subir também, ele pode... machucá-lo.

- Não, você precisa de mim! — E segurou minha mão novamente.

- Meninos, eu amo vocês, boa sorte, estarei aqui para qualquer coisa. — Nos abraçou rapidamente e levou Daisy e Phoebe para cima, dizendo que queria mostrar uma nova brincadeira.

- Mãe! Pai! — Chamei e dado uns três minutos eles vieram, parando na minha frente.

- Rápido, tenho que terminar de assinar uns papéis.

- Eu preciso dizer algo muito importante e espero que me escutem com atenção. — Pedi. Meu corpo inteiro tremia, estava com medo de começar a gaguejar.

- O que é isso, Leonard? — Apontou para as minhas mãos. Notei que meus dedos continuavam entrelaçados com os de Harold.

- É sobre isso mesmo. — Comecei e a sua cara chegava a dar medo. — E-Eu sou g... — E ele me interrompeu.

- Não diga isso! Nem pense nisso!

- Não, pai, eu não vou mais esconder, sou gay! — Minha mãe tapou a boca com as mãos, surpresa, e pude ver algumas lágrimas caindo.

- Repita isso! — Falou agressivamente. CORAGEM, CADÊ VOCÊ?

- SOU GAY! — Gritei. Bom, se é pra morrer, pelo menos Hazz está aqui. Foi tão rápido que só notei a dor do tapa no meu rosto quando estava no chão, tocando a minha pele.

- PARE! NÃO MACHUQUE ELE! — Jay gritou e ficou em frente ao meu pai, enquanto Harry se abaixou para ver se está tudo bem.

- SAIA DAQUI OU A PRÓXIMA SERÁ VOCÊ! — Ah, não, ele não disse isso.

- PENSE em tocar na minha mãe que irá se arrepender! — Gritei. Ele, descontrolado como estava, apenas a empurrou. — Pai, esse não é o fim do mundo, eu apenas gosto de homens!

- Leonard, se repetir isso irá levar mais do que um simples tapa. E Elizabeth?

- Eu terminei com ela hoje.

- Seu bastardo, como pôde fazer isso? — E me deu um soco, fazendo com que eu caísse no chão novamente.

O cacheado foi até minha mãe que chorava desesperadamente.

- EU AMO OUTRA PESSOA! — Gritei.

- É ESSE MENINO? — Apontou para o Harry e foi se aproximando dele. Meu corpo inteiro gelou.

- NÃO TOQUE NELE! — Ao ouvir isso, se virou para mim.

- Vou apenas de dizer uma coisa. Eu não tenho nenhum filho gay, então, se quiser continuar com essa besteira, pode se considerar sem pai!

- Pai? Você alguma vez agiu como um? Mas tudo bem, não preciso de ti!

- Vá embora! Nenhuma bixinha irá morar embaixo do meu teto. — Gritou. Por mim, eu sairia na mesma hora, mas tinha Harry, minha mãe e as minhas irmãs. Elas ficariam aqui? E o Harold iria para onde, sendo que também foi expulso de casa? — Não vou sujar minhas mãos com um simples verme, então decida-se rápido!

- Ok, eu vou! — Dito isso, ele saiu andando. — Mãe. — Corri para ela e a ajudei a se levantar. — Eu te amo muito, me desculpe por ser assim.

- Assim como? — Perguntava entre lágrimas. — Você é perfeito do jeito que é. Por favor, não vá.

- Mãe... Eu não posso mais ficar aqui. — E me virei rapidamente. — Harry, avise a Hayley para descer agora.

- E vai ir para onde?

- Não sei, vou me virar. Sempre fiz isso.

- Verdade, você sempre cuidou de si próprio. — Sorriu triste. — Saiba que estarei aqui para o que você precisar e assim que quiser, pode voltar.

- Obrigada.

- Eu te amo tanto, mas tanto, meu querido. — E beijou minha testa. — Me desculpe tudo chegar a esse ponto.

- Fique tranquila. Apenas seja feliz, é só o que eu quero.

Em dois segundos as crianças correram até nós, com seus olhos cheios de lágrimas.

- Boo? O que está havendo? Que gritos eram aqueles? Quem vai embora? — Daisy perguntou, confusa.

- Eu que vou ir, apenas por uns tempos.

- Vai nos abandonar? — E mais lágrimas caíam.

- Por favor, minha pequena, não chore, eu te amo muito e nunca vou abandonar vocês, só é... necessário por um tempo.

- Me leve! — Pediu rapidamente.

- Não posso, nem sei para onde vou.

- É para a bruxa?

- Não, fomos expulsos de lá também. — Todos me encararam surpresos. — Sim, Harold vai ser emancipado e agora irá morar comigo, onde quer que seja.

- Na minha casa. — Hay falou sem hesitar. — Tem quartos sobrando lá e minha mãe ama vocês!

- Não podemos pedir is...

- Nem precisam, eu estou oferecendo. Quantas vezes eu corri para a sua casa jurando que iria morar lá quando meu irmão me incomodava? — Ela perguntou, nos fazendo rir.

- Então está tudo certo. — Sorri de canto. — Olha, vocês três e a Hayley são as mulheres da minha vida e isso será para sempre, ouviram?

- Posso perguntar uma coisa antes de ir embora? — Phoebe disse algo pela primeira vez.

- Claro.

- O que é ser gay? — Olhei para a minha mãe em busca de ajuda e ela apenas riu.

- É quando você gosta de uma pessoa do mesmo sexo que você.

- Ah, e quem é o seu gay? — Rimos do jeito que ela falou.

- A pessoa que eu gosto? — Sorri. — O Harry. — Ele olhava-as envergonhado.

- AWN, O CURLY É DA NOSSA FAMÍLIA AGORA! — Daisy falou animada e correu para abraçá-lo, porém era tão baixinha que ficou pouco acima do joelho dele.

- Pelo menos, as pessoas mais importantes para mim, aprovam. — Sorri novamente.

Ouvi a porta do escritório se abrir novamente.

- É melhor eu ir, amanhã peço para algum dos meninos vir buscar as minhas roupas. — Falei. Depois da maior despedida dramática que eu já tinha visto, fomos andando para a casa da Hayles.

- Mããããe! — Ela chamou, assim que entramos. — Tenho dois presentes para você.

- Presentes? — Perguntou, enquanto vinha na nossa direção. — Ah, oi, garotos. — E nos abraçou.

- Sim, eu andei pensando e precisamos de duas empregadas, não acha? Então eu estava andando por aí e achei esses dois seres na rua. Em troca de comida e um lugar para dormir, eles serão meus escravos. — Começamos a rir da cara surpresa de sua mãe.

- Alguém quer me explicar melhor?

- Eles podem passar uns tempos na nossa casa?

- Claro, são quase meus bebês! — Sorriu meiga e nós agradecemos. — Vamos fazer assim: vocês tomam um banho, se trocam e vão lá à cozinha, porque eu estou preparando um bolo. Hayley faz chocolate quente e me contam tudo o que houve.

- Eu também não sei de várias coisinhas. — A ruiva disse.

- Por mim, tudo bem.

- Em banheiros diferentes, ok? — Ela falou rindo e eu corei, já Harry abriu um sorriso malicioso.

--

- Ok, a parte do Harold ele já falou, falta a sua.

- Tudo bem. — Dei outro gole no meu delicioso chocolate quente, enquanto aquele gordo estava devorando seu quarto pedaço de bolo. — Quando saí daqui, parei em casa apenas para brincar com as meninas e logo fui até a casa da Elizabeth. Quando cheguei no quarto dele, como vocês já sabem, esse menino bobo me fez chorar e me magoou, então depois de tudo, iria embora, é claro, porém ouvi ele dizendo "não me odeie, eu te amo" baixinho. Enfim, eu acabei tocando em um dos hematomas dele e tudo mais que Harry já contou. Pedi para fazer suas malas apenas por precaução, mas agora agradeço isso.

- E o que falou para o Charlie?

- Aé, nós discutimos sobre a Eliza, eu até entendi o lado dele, mas isso não justifica.

~~POV GERAL~~

- Nossa, que horror, os dois foram mandados embora.

- Pois é, mãe, lembre-se de como isso é triste e nem pense em fazer isso comigo se eu engravidar do Ed. — Disse aos risos. Leonard deu-lhe um olhar irritado. — Desculpa, gente sem humor.

- Vai ganhar uma 'tunda' se ficar grávida. — Sua mãe disse rindo.

Ficaram conversando por mais alguns minutos quando notaram que o mais velho havia pego no sono, mesmo estando sentado.

- Ele deve estar morto de cansaço, tudo isso foi muito. Não sei se eu aguentaria ouvir tudo aquilo que o Harry falou, depois terminar com a Elizabeth, brigar com Charlie, enfrentar seu pai, coisa que nunca tinha feito antes, ser expulso de casa e ainda deixar sua mãe e irmãs para trás. — Hay murmurou.

- Ele é muito forte. — Paige disse. — Vocês deviam se sentir honrados de ter encontrado um menino tão bom.

- Demos muita sorte. — Harold falou olhando a amiga.

- Harry, você também deve estar morto, é melhor irem dormir, vou mostrar o quarto. Tem problema se dormirem juntos?

- Claro que não. — E pegou Leonard no colo sem o menor esforço, seguindo-a. Colocou-o na cama com cuidado e desejou uma boa noite para Hayley. Pulou ao lado dele e puxou-o para perto. Dormiu com as mãos na sua cintura e os pés entrelaçados.

Notas finais
curtiram?
me respondam: preferem capítulos grandes ou pequenos?
reviews?
bjbj :*
p.s. sabem o que é emancipar?