Our Endless Curse
3 Born to Die
Notas iniciais

Nova York, Estados Unidos.
21 de fevereiro de 2017.
O prédio estava bem movimentado naquela noite. O motivo era a exposição de antigos artefatos e pergaminhos encontrados em uma escavação arqueológica. Pergaminhos que datavam de ciclos antes do início conhecido da civilização e um artefato misterioso. A exposição havia sido o assunto dos últimos dias em diversos lugares pelo globo. Pessoas das mais altas classes sociais se reuniriam no Empire State ao cair da noite, que já se mostrava mais próximo do que o esperado.
A mulher de cabelos castanhos e vestido preto andava a passos um pouco apressados até a sala aonde fora designada. Deu duas batidas na porta e ouviu a ordem de seu Mestre para que entrasse. Parou em frente à mesa e abaixou a cabeça, em forma de respeito.
— Como estão os preparativos para nossa modesta festa? – o homem de cabelos grisalhos perguntou, ajeitando os óculos em seu rosto antes de erguer o olhar para a mulher.
— Está tudo pronto, senhor. Dobramos a segurança no andar da peça, como ordenou – respondeu.
— Ótimo, eles não vão passar por nossas forças. Após o fiasco com a Maçã do Éden em Londres, todo cuidado será pouco. – Levantou de sua cadeira e seu assistente abriu o paletó de seu terno para ajudá-lo a se vestir. – Como estou? – questionou ao ajeitá-lo ao corpo.
— Muito elegante, senhor. – Ela sorriu.
— Por favor, venha comigo – pediu e deixou a sala, estendendo o braço para a mulher quando o alcançou. Ela aceitou o gesto e caminhou ao lado do homem. – E quanto ao nosso convidado inesperado?
— Ele não será problema, eu mesma cuidarei dele – garantiu, não deixando de notar o sorriso satisfeito do homem. – Ele já deve estar chegando.
— Vá até a recepção para recebê-lo, aguardo vocês no andar da exposição – mandou e se soltou da mulher, que logo seguiu para o elevador. Quando alcançou o hall de entrada do prédio, não tardou a avistar o homem. Thomas, seu noivo. Abriu um largo sorriso e se aproximou. Ele selou seus lábios e admirou a mulher à sua frente.
— Você está linda – elogiou. Estendeu seu braço para a mulher e seguiu com ela até o elevador. Não trocaram muitas palavras, apenas carinhos. Quando as portas se abriram no andar desejado, saíram e caminharam até o homem de cabelos grisalhos e terno cinza no centro do salão. Conversava animadamente com alguns amigos, mas não escondeu sua alegria ao ver o casal.
— Senhor Galahad, é um prazer finalmente conhecê-lo. – Cumprimentou o rapaz e lhe estendeu a mão.
— O prazer é todo meu, senhor Hansen. Margot me falou muito sobre o senhor – comentou, apertando a mão daquele que logo se tornaria seu sogro. – Mas só as coisas boas – garantiu.
— Não há nada de ruim a ser dito – a mulher se pronunciou, sorrindo.
— Querida, por que não o leva para dar uma olhada exclusiva em nossa peça?
— Claro – concordou e olhou para o rapaz. – Você vai adorar. Nos vemos depois – se despediu do pai e arrastou o noivo pela mão até o corredor.
— Não vai mesmo me dizer o que irão expor? – questionou, soltando um riso baixo. Ela negou com a cabeça, mantendo um sorriso sapeca no rosto. Durante o caminho, o rapaz notou o olhar torto dos seguranças em sua direção, não deixando de ficar desconfortável.
— Não ligue para eles – ela pediu, atraindo o olhar do rapaz para si. Digitou sua senha na porta eletrônica e ambos entraram. Um pequeno corredor os separava da cabine com o Fragmento. – Levou centenas, talvez milhares de anos, mas, finalmente, o encontramos. O Cajado. Seus amigos já têm a maçã. Este é o segundo Fragmento do qual temos conhecimento. Precisa fazer isso rápido, se eu não sair em cinco minutos, os seguranças vão entrar e não sei o que farão. Só há uma saída – explicou e olhou para cima. A sala ficava no centro do prédio e o topo estava bem acima da cabine. – Depois que eu destravar, você vai ter um minuto para sair daqui.
— Venha comigo – pediu, olhando em seus olhos.
Era possível ver a dor que sentia por deixá-la para trás. Descobririam que ela o ajudou e não seriam gentis com a mulher. O que começou como apenas uma missão para ele, se tornara uma completa bagunça quando ela descobriu o que ele era. Porém, ao invés de o expor, ela decidiu que o ajudaria, afinal, não concordava com os ideais da organização da qual seu pai fazia parte.
— E simplesmente desapareceríamos? – ela murmurou de forma triste, não tinha esperanças de que conseguissem. Suspirou e destravou o sistema. – É melhor você ir.
— Eu vou voltar – garantiu e selou seus lábios, rápida e dolorosamente. Pegou a peça e apontou seu punho direito para cima, acionando o gancho.
Margot abraçou o próprio torso e olhou para cima, vendo seu amado sair por uma das janelas de vidro próximo ao topo. Assim que a claridade do exterior se apagou, a porta foi aberta e os seguranças se aproximaram apontando suas armas para a mulher. Seu olhar estava fixo no chão, mais precisamente nas lágrimas que caíam à sua frente. Queria poder ir com ele ou fazer algo para fugir, mas não poderia. Como havia dito ao pai instantes antes. Haviam dobrado a segurança. Não havia escapatória.
Sentiu uma alfinetada em seu pescoço e dois braços a segurarem. Sua visão começou a ficar turva, não tinha mais o controle de seu corpo e, logo, nem de sua mente. A última coisa que ouviu foi a voz de seu pai mandando que a levassem.
Acordou algum tempo depois com uma venda nos olhos e as mãos atadas, deitada sobre o tapete inteiriço da traseira de uma van. Sentiu o veículo parar, mas não se moveu, sua cabeça doía demais para isso. Ouviu as portas se abrirem e sentiu o peso de alguém a mais na traseira. A pessoa ergueu sua cabeça devagar, a ajudando a se sentar, e, em seguida, tirou a venda. Seu coração palpitou nervosamente ao reconhecer o homem que sorria para ela.
— Eu disse que voltaria. – Thomas segurou o rosto da mulher entre suas mãos e a beijou. Haviam deixado de ser uma tarefa um para o outro há muito tempo.
— Precisamos ir – uma voz avisou do lado de fora da van. Thomas soltou as mãos da mulher e a ajudou a sair do veículo. – E agora? – perguntou ao se aproximar do casal.
Tom olhou para Margot e abriu um sorriso que a deu todas as esperanças de que precisava.
— Desaparecemos.
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