Notas iniciais
Aqui está o primeiro capítulo para a história ^-^ Era suposto ser um prólogo meio curto, mas acho que me entusiasmei demais e acabou por ficar um capítulo longo, mas o Happy não se pareceu importar então assim ficou~ Queria só dizer que as primeiras partes são mais de introdução aos personagens, mas há personagens que decidi não introduzir ou, pelo menos, descrever porque já ficava demasiado longo -dash

A rapariga desceu as escadas do seu prédio apressadamente. Teddy provavelmente já estava à sua espera.

No entanto, alguma coisa a estava a deixar inquieta. O céu encontrava-se extremamente escuro e, mesmo com o dia solarengo que houvera ontem, as nuvens pareciam prestes a libertar uma carga de água.

Também havia um estranho silêncio na rua inteira. Normalmente os seus vizinhos já teriam começado a ouvir música ou a ir trabalhar, mas também não havia sinais de quaisquer carros em andamento nas ruas.

Silver decidiu ignorar tudo isto e continuou a descer a rua. Virou à esquerda e fez um rápido aceno com dois dedos ao rapaz que já se encontrava à sua espera.

Ele estava a usar um tank top branco com um casaco azul escuro por cima. Calçava all-stars da mesma cor que o seu casaco e calças de ganga claras.

– Bom dia — ele acenou de volta com a mão e pôs-se a seu lado. Ambos começaram a caminhar rua acima, a caminho da escola.

Houve silêncio por uns segundos, até que ambos abriram a boca ao mesmo tempo:

– Uh, fala primeiro — a rapariga disse-lhe.

– Não, podes falar tu primeiro – Teddy insistiu.

Ela ajeitou os óculos rapidamente e olhou o rapaz com uma expressão um tanto séria:

– Tu não achas que… o dia está estranho?

O rapaz assentiu com a cabeça e olhou em frente:

– Eu ia dizer a mesma coisa. Há menos gente a caminho da escola, e eu quase não vi carros à vinda para cá. A estas horas há sempre trânsito – ele pausou. – Mas se calhar isto é só da nossa imaginação.

– É, tens razão – ela concordou e ambos os adolescentes riram nervosamente, retomando o seu silêncio.

Ao chegarem aos portões da escola pintada de cor-de-rosa, a campainha soou. Ambos fizeram o seu caminho para a sala de aula nas calmas, sabendo que a professora de Inglês se atrasava sempre um pouco.

Porém, naquele dia, quando os dois chegaram à porta, já toda a gente tinha entrado.

Silver aproximou-se da sua mesa e deixou a sua mochila cair no tampo, suspirando. Ter aulas era sempre cansativo, mas ao menos era com uma das suas professoras preferidas.

Dois braços apertaram-na com força e ela foi puxada contra algo mole e-

– AMBER — a rapariga tentou gritar-lhe mas a sua voz estava abafada pelos melões que a sua amiga tinha no peito. – N-NÃO CONSIGO… R-RESPIRAR….

– Ah, desculpa! – Amber exclamou, sorrindo e finalmente parando de a abraçar. – Bom dia!

– É, bom dia – a outra respondeu secamente, afundando na cadeira quando se sentou. Ela olhou para o lado e observou a rapariga que quase a sufocara outra vez.

Amber era uma rapariga extrovertida e com uma tendência a obcecar por rapazes britânicos. Ela tinha cabelos castanhos e lisos, com californianas nas pontas. Os olhos dela eram amendoados, pequenos — quando tirava os óculos — e castanhos escuros como o cabelo. Ah sim, e ela conseguia ser extremamente pervertida.

– Ohayou – Silver disse, tocando no ombro da rapariga que se sentava na mesa da frente, ao lado de Teddy, e que se virou e a cumprimentou de volta com a mesma palavra japonesa.

O nome dela era Samantha. Ela é alta e magricelas, mas era capaz de comer um camião – se eles fossem comestíveis, é claro. Ela tem cabelo encaracolado e preto, com uma franja que quase lhe tapa o olho esquerdo. Tem uma pele morena e olhos também castanhos. É verdade, Sam também é uma perversa.

– Já acabaste de ver Mirai Nikki? – perguntou, referindo-se ao anime que Silver começara a ver há algum tempo.

– Nah – respondeu a outra rapariga com um pequeno sorriso. – Estive a ver Fairy Tail.

Sam acenou com a cabeça e virou-se para a frente quando ouviu alguém chamá-la. Silver também ouviu e virou-se para a pessoa que falara.

Com cerca de um metro e meio, Taylor saltitava no seu lugar enquanto falava animadamente para a mesa do lado, onde Samantha e Teddy estavam sentados. Ela era uma rapariga tímida ao início, mas tornava-se bastante engraçada e social quando a conhecíamos. Também era uma pervertida.

A conversa deles foi interrompida por um certo loiro irritante. O nome dele é Sven e conseguia ser a pessoa mais chata às vezes. Meteu o nariz na conversa deles, e Taylor rolou os olhos, suspirando e voltando-se para a mesa.

Quando Silver se concentrou em passar o sumário que estava a ser projectado na tela branca, reparou que a pessoa sentada ao seu lado estava a rir para si.

– Amber? Que foi? – inquiriu, e logo reparou que ela estava a escrevinhar algo num pedaço de papel. Virou a cabeça para o lado e reparou que Doug estava a olhar para a sua mesa.

Ela revirou os olhos e abanou a cabeça. Amber não era das alunas mais atentas na sala de aula, mas a presença do seu “namorado” não contribuía para nada.

Ele era novo na turma. Era um rapaz atlético, mas bastante convencido. Ele era um mulherengo – e Silver achava que essa era a razão pela qual nunca chegara a estar num relacionamento sério com Amber mesmo depois de passarem o ano inteiro constantemente a curtir um como outro.

Voltou a olhar para o quadro, escreveu o sumário de Inglês, e ia dizer algo quando bateram à porta.

– Professora Elsa? Poderia vir aqui fora? – uma auxiliar de altura baixa perguntou, agarrando-se ao xaile roxo escuro que estava sobre os seus ombros.

– Sim, claro – a professora olhou para os seus alunos através da lente oval dos seus óculos. – I don’t want any noise, okay?

Saiu da sala e encostou a porta no momento em que alguém tocou nas costas de Silver.

Esta virou-se para trás, para a mesa de Patricia e Crystal.

Patricia, a rapariga timída e adorável de cabelos longos e castanhos, estava mais entretida com algo no seu caderno, por isso era óbvio que Crystal é que a tinha chamado.

– Sim?

– Mais alguma participação? – perguntou a rapariga de cabelos pretos e curtos.

– Não acho que seja isso – Silver opinou. – Mas podemos perguntar à stora quando ela voltar a entrar.

Crystal sorriu e voltou a virar-se para o caderno, desenhando alguma coisa.

Sem nada para fazer, a outra rapariga continuou a sua observação de todos os seus colegas e amigos.

Reclinado contra a parede do lado da porta estava Kevin. Ele é simpático com as pessoas e divertido. Tem cabelos castanhos e olhos da mesma cor, com óculos pretos. É um rapaz maturo, mas não costuma ser muito optimista.

Ele falava animadamente com os colegas de trás, Markus e Matthew.

O primeiro era um rapaz de cabelo castanho escuro, que Silver ainda não tivera oportunidade de conhecer bem. Ele havia-se transferido para a escola deles para puder passar mais tempo com Samantha, de quem obviamente gostava.

O segundo tinha cabelos negros, olhos castanhos e uma pele pálida. Era um rapaz engraçado, mas não se dava com a maioria das pessoas. Teddy achava-o assustador desde que haviam falado pela primeira vez, mas Silver não percebia o porquê.

A professora voltou a entrar na sala momentos depois, um olhar de confusão na sua cara branca e oval.

Ela olhou para cima nervosamente, gaguejando um pouco ao falar:

– O-Okay, alunos… N-Nós vamos precisar de… trancar a porta e fechar as janelas.

– Porquê? – alguém questionou.

– Está tudo bem? – outra voz diferente falou.

– Sim, é claro – a professora garantiu, prendendo uma mecha do seu cabelo preto atrás da orelha e forçando-se a sorrir para os alunos. – Mas façam o que vos peço, okay?

Pessoas assentiram e enquanto a mulher adulta remexia na secretária à procura das chaves da sala, uns quantos alunos levantaram-se para baixar os estores e fechar as janelas.

– Por quanto tempo vamos ficar aqui? – Amber interrogou, quase que indignada por ter de estar trancada numa sala de aula.

Elsa olhou para a porta:

– Não sei…

– O que é suposto fazer-mos agora? – um rapaz ao fundo da sala perguntou. Era Tyler, um moreno de olhos azuis que não falava muito nas aulas.

– Esperamos – a professora respondeu, sentando-se na secretária. – Podem distrair-se com o que quiserem, mas não façam muito barulho, por favor.

A maioria começou a mover cadeiras para se sentarem ao lado de quem quisessem. Silver trocou de lugar com Amber para não ter de estar entre ela e Doug e colocou fones nos ouvidos, ponderando sobre o que poderia estar a acontecer.

Silver tinha assumido que a turma inteira fizesse alarido e entrassem em pânico, mas ninguém parecia querer saber disto.

Algures na sala, ela conseguia ouvir o riso estridente de Tori por cima da música, então aumentou o volume.

Passaram-se alguns minutos até que lhe tocaram no braço e ela viu que era Teddy. O rapaz parecia assustado, e ela reparou que ele lhe estava a dizer algo.

– Sim? – retirou um fone.

– O que é que achas que está a acontecer? – ele inquiriu, virando-se para trás.

– Não sei, meu – ela disse honestamente. – Mas devíamos manter a calma e fazer o que a stora disse. Talvez não seja nada de especial.

Samantha acenou a cabeça em concordância.

– Meninas, e se houver um terrorista ou assim na escola? – Amber perguntou.

A rapariga de cabelo apanhado num rabo-de-cavalo suspirou exageradamente, olhando seriamente nos olhos castanhos de Amber:

– Tu achas mesmo que um terrorista ia, do nada, aparecer na escola? Para quê?

– Sei lá! – ela exclamou. – Ao menos eu estou a tentar perceber o que é que está a acontecer em vez de ouvir música, não é Silver?

Suspirou de novo:

– Estás à espera que eu faça o quê? Eu não vou simplesmente entrar em pânico quando eu nem sei em que situação nos encontramos. Se o objectivo é ficar distraído, então, por agora, eu vou ouvir música. Isso não quer dizer que eu não esteja preocupada com isto tudo.

Amber calou-se por um momento e depois murmurou uma espécie de desculpa, antes de se concentrar de novo no loiro a seu lado.

Durante o resto do tempo de aula, a turma manteve-se ocupada.

Na hora de intervalo, voltaram a bater à porta e a pedir pela professora Elsa, que saiu para falar de novo com uma auxiliar e voltou avisando:

– Lamento muito alunos, mas parece que ainda não podemos sair. Podem contactar os vossos pais se quiserem, mas por agora temos de permanecer na sala.

– Já são seis e meia! – John protestou, empurrando os óculos para cima com os seus dedos grossos. – Está a anoitecer e eu tenho de apanhar um comboio para casa!

– John, I’m sorry, mas eu não posso fazer nada – a professora explicou. – Vamos ter de ficar aqui por algum tempo.

– Eu tenho fome – Samantha gemeu, abraçando a mochila.

Elsa parecia ter ouvido, porque ela acrescentou:

– A auxiliar deverá vir trazer-nos comida dentro de uma hora ou assim. Por favor sejam pacientes.

– Querem jogar a algo? – Silver sugeriu, quase a ponto de rebolar no chão por não ter nada que fazer.

– Stop! – Crystal exclamou excitadamente. – Vamos jogar ao Stop.

– Por mim tudo bem – assentiu, e virou-se para Teddy e Samantha, que também concordaram.

– Vou perguntar aos rapazes se querem jogar connosco – Teddy avisou, levantando-se da mesa.

– A Taylor também deve querer jogar, mas provavelmente não vamos caber todos numa mesa – Sam interveio.

– E se fossemos jogar no chão? – Crystal falou, apontando para o fundo da sala. Sim, era capaz de resultar, então acabaram por concordar.

Demorou um pouco mais que uma hora, mas depois de muita batotice e de copiar uns pelos outros para ter pontos, a comida acabou por chegar e pararam de jogar.

– Frango. Assado – Sam quase se babou. – Comida!

Silver riu da reacção da rapariga de cabelos escuros quando ela ficou a sorrir para o prato que lhe deram.

Ambas estavam sentadas ao fundo da sala, tendo preferindo ficar a comer ali.

Tyler tinha tomado o lugar de Samantha e sentava-se ao lado de Teddy, com quem falava alegremente enquanto comiam. Amber estava a tentar ser romântica e a dar comida à boca do “namorado”, mas fê-lo engasgar-se.

– Hey, Silver? – Samantha chamou-a a meio da refeição e a rapariga olhou-a por momentos antes de dizer:

– Fala.

– O que é que achas que está a acontecer? – perguntou. – Esta situação… É tudo tão estranho. Porque é que haveríamos de precisar de ficar na escola até tão tarde? O que é que haverá lá fora?

– Tu sabes que eu não te posso, honestamente, responder a isso Sammy – a rapariga deu uma gargalhada seca. – Eu acho que se passa algo de muito errado, mas não te posso dizer o quê, porque também não faço a mínima. Tudo o que podemos fazer por agora é ficar aqui e fazer o que nos é dito.

– É – disse Samantha depois de engolir. – Eu só espero que possamos ir para casa em breve. Já estou farta de estar aqui.

– Hey, ao menos tens-me a mim, huh? – brincou Silver, colocando os óculos mais para cima. Depois, acotovelou-a na brincadeira antes de dizer: – E, é claro, sempre tens o Markus.

– Olha que fala – a outra riu também. – Também está cá o Matthew, não te esqueças.

– Cala a boca, Sammy – riu nervosamente.

– Hai gurls – um certo rapaz de cabelos castanhos apareceu à frente delas e sentou-se. – Já terminaram de comer?

Ambas assentiram com as cabeças e Teddy suspirou:

– Eu estou um bocado farto de estar aqui fechado, e vocês?

– Também – disseram, quase que ao mesmo tempo. Silver continuou: — Pode ser que já não falte muito para podermos sair.

– Ao menos comemos de graça – Samantha riu-se.

Alguém bateu à porta. Normalmente, ouvir-se-ia uma voz a chamar pelo nome da professora, mas desta vez eram apenas pancadas repetidas no objecto de madeira.

Talvez fosse algo urgente?

A adulta apressou-se a caminhar até à porta, abrindo-a.

Uma auxiliar caiu-lhe em cima, rosnando e tentando cravar os seus dentes na carne das pernas de Elsa. Com um berro agonizante, a mulher começou a rastejar para trás, tentando livrar-se do que quer que fosse que estivesse em cima dela. Pontapeou-o na cara, mas não foi suficiente.

Ouviram-se os gritos da maioria das raparigas da turma quando a maioria se colou a um canto.

Silver levantou-se rapidamente e olhou chocada para o corpo que tentava devorar a sua professora.

Porque é que parecia apodrecido? E não tinha um pé…?

Kevin foi o primeiro a reagir, segurando uma cadeira e esmagando-a contra a cabeça do que quer que aquilo fosse.

O corpo parou de se mexer, e a professora depressa colocou distância entre ela e o cadáver.

O rapaz pousou a cadeira e olhou para o corredor, fechando a porta para garantir que mais nenhuma coisa daquelas conseguia entrar.

– O QUE É ISSO?! – Annie gritou do fundo da sala, agarrada a Tori.

– OH MEU DEUS – alguém começou a engasgar-se, para depois se vomitar no chão.

Teddy agarrou-se ao braço de Tyler, apertando fortemente:

– O que é que se passa?!

A rapariga de óculos azuis escuros deu uns passos em frente, ficando ao lado de Kevin e fitou o corpo.

– Isto é uma das auxiliares – Kevin informou, reparando no uniforme. A placa de identificação dizia “Maria”.

– Isto é… isto é um zombie, não é? – as palavras custaram-lhe a sair, mas Silver tentou ficar o mais calma possível. – O corpo está tão podre. E tentou comer um humano. Isto é um zombie…

– Mas como?! – Amber gritou, com lágrimas nos olhos. – C-Como é que eles podem existir?!

– Nós temos de sair daqui – Silver ignorou a pergunta, pois ela também não teria uma resposta para lhe dar. – Nós temos mesmo que sair daqui.

Kevin concordou e ajudou a professora a levantar-se.

– Para onde vamos? – Markus perguntou.

– Q-Qualquer sítio… Qualquer lugar é melhor que este – Taylor falou.

– Vocês querem mesmo ir lá para fora? – Tori inquiriu, com uma expressão de ultraje. – Devem haver mais lá fora! Nós devíamos era ficar aqui!

– Pela primeira vez na vida eu acho que concordo com ela – John comentou.

Tori fitou-o com raiva:

– O que é que queres dizer com isso?!

– HEY! – Silver berrou. – Não comecem com discussões suas crianças! Se querem ficar aqui, estejam à vontade. Eu concordo com a Taylor.

A professora Elsa recompôs-se, olhando com preocupação pela sala:

– Nós vamos embora.

Alguém ia contestar a decisão da stora, mas rapidamente se calaram enquanto ela foi falando.

– Pelo que me tem sido dito ao longo do dia… Há dezenas destes zombies à entrada da escola e pelas ruas. Nós vamos ter de fugir por outro sítio.

– O portão das traseiras – Matthew falou.

A professora acenou com a cabeça.

– Muito bem, meninos – ela começou. – Temos de ir.

Abrindo a porta com cautela, a professora segurou-a enquanto a sua turma saía. Era possível escutar os gritos agoniantes de pessoas que muito provavelmente estariam a ser devoradas, mas eles não podiam parar para ajudá-los.

Nem sequer tinham armas.

– Armas – Silver sussurrou, mais para si do que para os outros. Ela fitou os seus amigos do fundo das as escadas. – Nós vamos precisar de armas.

– Devem haver facas na cozinha – Samantha disse, descendo o último degrau e continuando a caminhar.

– Temos de ir para o refeitório! – Amber exclamou, e a professora olhou-a e perguntou-lhe porquê. – Provavelmente haverão armas lá!

Teddy exalou, abanando a cabeça:

– Não grites, Amber. Vais atraí-los.

– Oh, desculpa – a rapariga olhou o chão enquanto corria.

Markus abriu as portas para o refeitório e depois olhou para um certo loiro de muletas que passou por ele:

– Sven! Dá-me uma das tuas muletas.

Mesmo sem saber porquê, Sven obedeceu.

O moreno usou a muleta para bloquear a porta de vidro, afastando-se quando viu zombies do outro lado.

– Eles podem partir estas portas – informou. – Temos de ser rápidos.

Tyler apontou para uma porta dentro da cozinha:

– Podemos sair por ali. O portão das traseiras fica a poucos metros.

– Vejam o que eu encontrei – Matthew falou com um sorriso triunfante, olhando para um faqueiro.

Samantha pegou numa faca de talhante, agarrando o cabo com força.

Entretanto, Matthew ficou com uma longa faca de trinchar, e Kevin pegou em duas, entregando uma a Silver.

– Mais alguém encontrou algo? – a rapariga perguntou.

– Eu! – ouviu-se a voz de Teddy. Ele saiu de um armário com um taco de beisebol nas mãos.

– Eu tenho isto – Tiana informou, segurando o cabo de uma frigideira. John estava a seu lado, com uma vassoura de madeira na mão.

– Uma vassoura? – Tisha, umas das raparigas da sua turma, riu-se – De que é que isso vai adiantar?

– Não sei, mas pode ajudar! – o rapaz exclamou, irritado com a rapariga de pele negra.

Sven poderia usar a sua outra muleta, enquanto um outro rapaz da turma pegou numa tesoura que estava no balcão.

Os olhos castanhos de Silver repararam numa caixa vermelha presa à parede. Havia um extintor lá, e um machado mesmo ao lado.

Sem pensar duas vezes a rapariga partiu o vidro com o cabo da faca e puxou o machado para fora, agarrando no cabo com força.

– Pessoal – Molly chamou, enrolando o cabelo loiro em volta do dedo. – Já podemos ir?

– É – Pamela abanou a cabeça, sorrindo nervosamente com o seu aparelho colorido a destacar-se. – Eu acho que a porta não aguenta muito mais tempo.

A professora olhou para os seus alunos, mordendo o lábio nervosamente. O que é que ela iria fazer? Tinha que os manter a todos vivos, mas como iria ela conseguir?

– Stora – Silver estalou os dedos em frente dos olhos vidrados de Elsa. Esta reparou que já todos haviam saído porta fora, portanto assumiu que estivera em trance por uns bons minutos. – Temos que ir.