Era de manhã. A luz quente filtrava por entre as cortinas mal fechadas, incomodando um casal que tentava com todas as forças ignorar aquilo. Estavam em um quarto de hotel; as roupas espalhadas e metade das cobertas caidas no chão eram o reflexo do que havia acontecido naquela noite.

- Soul... — a loira sussurrou, limpando um olho — Que horas são?

- Hora de ficar quieta. — respondeu ainda com os orbes fechados, abraçando-a. — Dorme, Maka. Hoje é sábado.

- Mas eu tenho trabalho mais tarde. — ela tentou se soltar, inultimente. Ele era mais pesado que chumbo de manhã — Vamos, Soul, me solta!

- Eu achei que iriamos tomar café da manhã juntos. — o Evans se viu derrotado, tirando o braço de cima da namorada e sentando-se. Ela se levantou, indo vestir as roupas dispersas pelo chão.

- Eu te disse que iria ter que levantar cedo — a Albarn achou seu relógio de pulso e logo depois o colocou — E olha só, são às nove. — prosseguiu, bufando — Tenho que ir comprar um vestido com a Tsubaki-chan pro jantar de amanhã.

- Pra que você se preocupa tanto com roupas? — Soul coçou a cabeça, ainda sonolento — Independente do que você coloca, eu te prefiro nua.

- Essa foi a coisa mais rude que você poderia me dizer. — continuou, colocando a jaqueta — Vou indo. O dever me chama! — sorriu, abrindo a porta.

- Certo. — resmungou, fazendo uma cara de emburrado — Prometa que nos veremos hoje à noite.

- A sessão de fotos é em Kyoto... Mas eu vou dar um jeito de chegar pro jantar. — disse, já saindo — Até!

- Tá. — Soul, ao se ver sozinho, abraçou o travesseiro onde antes sua amada estava deitada. Ainda tinha o cheiro do perfume que ele lhe deu em seu último aniversário. Se sentia um idiota por gostar de alguém por tanto tempo.

Três anos tinham se passado desde a formatura, quatro desde que estavam juntos. Tanto Soul quanto Maka já tinham 20 anos e moravam sozinhos, porém em casas separadas. O pai do rapaz lhe disse que aceitaria aquele namoro somente se ele ajudasse Wes nos assuntos da empresa. Já a Albarn decidiu que iria prosseguir com seu sonho de ser uma arqueóloga assim como sua tão amada mãe que não via desde que era criança. Para conseguir pagar a faculdade aceitou um trabalho como modelo, e naquele exato dia se teria a primeira sessão de fotos com a agência nova. Esta lhe havia proposto um salário bem maior, fora que somente modelos famosos trabalhavam naquele lugar.

O Evans se levantou e acendeu um cigarro. Soprou o fumo depois de um tempo, como se antes o estivesse saboreando. Afastou a cortina, olhando para baixo. Lá estava ela, correndo mais uma vez. Eles se viam cada vez menos entre o trabalho e a faculdade dela e seus empenhos com a compania. Antes da noite anterior mesmo, havia esperado quase duas semanas antes de encontrá-la.

Maka tinha se tornado uma mulher linda naquele arco de tempo. Os seios ainda não eram fartos quanto ele desejava que fossem, porém o resto compensava maravilhosamente. Parou de usar os cabelos presos em maria-chiquinhas, e pelo trabalho os deixou crescer até alcançarem os cutuvelos. Seus olhos eram mais verdes do que nunca, e havia crescido de no minimo 15 centimetros — tanto que agora tinha 1,70m. A pele dela era luminosa e clara como a neve, e olhar suas fotos em revistas era quase como ver uma Deusa grega sendo fotografada.

Soul temia que antes ou depois, por causa da falta de contato entre os dois, ela acabaria ficando com um dos tantos modelos que deveriam dar em cima dela todos os dias. E isso o deixava extremamente nervoso.

Maka chegou ao shopping meio atrasada. Entrou correndo, e viu Tsubaki sentada perto de um chafaris. A Nakatsukasa não tinha mudado muito naqueles anos, a única diferença era o comprimento dos cabelos, que estavam curtos — pouco a cima dos ombros.

- Tsubaki-chan! — a loira chamou por ela, que se levantou ao notar sua presença — Desculpa. Esperou muito? — completou, chegando finalmente até a amiga.

- Não. Cheguei faz uns dez minutos. Eu mesma pensei que quando chegasse estaria me esperando! — sorriu, dizendo uma mentira. Ela era gentil demais para dizer que esteve esperando por mais de uma hora — Vamos, então?

- Sim, vamos. Tudo bem se a gente almoçar aqui no shopping mesmo? Eu tenho que pegar um avião às 13h com a Crona. Outra sessão fotografica, a primeira com minha nova agência. — disse, enquanto começavam a andar.

- Que bom, né Maka-chan. — Tsubaki olhou as vetrines, sem achar nada que lhe agradasse — Soube sobre o Kid? Parece que ele tá indo pelo seu mesmo rumo.

- Como assim? — perguntou, espantada.

- Ele também está virando modelo. Black Star me mostrou uma foto dele em uma resvista estes dias.

- Jamais pensei que ele compraria uma revista de moda.

- Verdade. — Tsubaki imaginou a cena, se segurando para não rir — Se bem que você está ficando famosa, também. A cada quatro pessoas que passam, ao menos duas olham pra ti.

- Que nada. Isso é só pra ganhar dinheiro sem muito esforço. — foi sincera, sem se importar com os comentários das pessoas em volta dela — Quando eu acabar a faculdade daqui há dois anos, vou ser uma arqueóloga como minha mãe, e poderei viajar pelo mundo!

- Soul sabe disso? — a dona das companias Nakatsukasa indagou apreensiva — Sobre a coisa de sair do país.

- Não. — Maka olhou para os próprios pés após um longo suspiro — Eu não sei o que ele vai dizer.

- Maka-chan, melhor dizer logo... Para ele se acostumar com a idéia. — Tsubaki apoiou uma mão sobre o ombro da amiga que agora tinha sua mesma altura, numa tentativa de conforto.

- Eu sei. — murmurou — Mas ele fica tão triste só com uma semana que ficamos separados... E se eu puder vir para cá somente uma vez por ano? Ele nunca vai aceitar. E não sei se consigo desistir dele.

- Pense bem — insistiu — Se você disser quando já for tarde, talvez não tenha volta.

- Sim. Vou ver o que posso fazer. — levantou o rosto, vendo uma loja que chamou sua atenção — Tsubaki-chan! Olha aquele vestido!

As compras prosseguiram sem problemas, e logo se despediram para que Maka pudesse ir até o aeroporto e pegar seu avião. A modelo pegou um táxi e chegou ao menos vinte minutos adiantada.

- Maka! — uma mulher meio desajeitada e alta gritou, levantando um braço — Achei que não viria mais.

- O que é isso, Crona? — sorriu, saindo do carro e colocando um óculos escuro — Trabalho é trabalho. Eu nunca fugiria de algo assim.

- Certo... — Crona era a agente pessoal de Maka, contratada por ela mesma ao ver que os empenhos tinham se tornado tantos ao ponto de não conseguir organizá-los sozinha — Olha, eu já fiz seu check-in — a mulher entregou à loira o passaporte com a passagem ao centro — Vai até o gate 5, e passe pelos controles, depois é só esperar um tempinho. Assim que chegar em Kyoto vai ter a equipe da revista Sho-comi te esperando, então vai ser fácil de se reconhecer.

- A que horas é a volta? — perguntou, olhando os dados da passagem.

- Está prevista para as sete da noite — suspirou — Mas ouvi dizer que o tempo em Kyoto vai piorar mais a tarde, então se estiver chovendo não se arrisque a vir.

- Sei. — olhou pro céu do outro lado da vidraça do aeroporto e viu um azul límpido, não conseguindo acreditar nas palavras de Crona — Estou indo, se não vou me atrasar. Tchau, Crona! — completou, começando a andar.

- Até amanhã Maka! Lembre-se que tem um almoço com o pessoal da nova agência pra falar sobre esse serviço segunda! — exclamou, meio que chamando a atenção das pessoas que por ali também passavam.

- Sim, sim. — a Albarn seguiu as instruções de sua agente com precisão, e logo estava dentro do avião pronta para decolar. Pro lado de fora da pequena abertura que diziam ser uma janela, ela viu Tokio se afastar cada vez mais, até o ponto de não conseguir vê-la por causa das nuvens que haviam ultrapassado. Bufou e se jogou contra a poltrona da primeira classe. Nunca comia muito antes de uma sessão de fotos, então além de ter comido somente uma salada com Tsubaki, acabou recusando tudo o que as aeromoças lhe ofereceram. Fazer aquele trabalho era mais dificil do que parecia.

Chegou ao aeroporto de Kyoto em tempo, e depois de pegar a pequena bolsa que Crona tinha providenciado com algumas suas roupas na ocasião que tivesse que dormir ali, saiu pela porta das chegadas. Logo notou logo uma mulher loira e talvez da mesma altura que ela com uma plaquinha que dizia \"Sho-comi, Maka\".

A Loira se aproximou da outra, estendendo-lhe a mão.

- Sou Maka Albarn, espero de fazer um bom trabalho esta tarde! — sorriu, e a mulher aceitou sua mão.

- Eu sou a responsável por este serviço, chame-me somente de \"Marie\" — aceitou o cumprimento, balançando sua mão por certo tempo e logo soltando-a — Vamos?

- Sim! — exclamou, seguindo sua superior.

Entraram na parte anterior de um carro guiado por um choffer, o que seria bem normal para uma revista famosa como aquela. Maka se olhava em volta, ainda meio timida. Em seus trabalhos precedentes costumavam buscá-la de táxi, e na maioria das vezes tinham sido feitos em estúdios ali em tóquio mesmo.

- Você vai ser a capa da nossa revista no próximo mês, Albarn-chan. — comentou, quebrando o silêncio — Esta sessão vai ser em dupla, temos que divulgar algumas marcas que nos patrocinam. Vai ser bem no centro de Kyoto, já paramos o trânsito e vamos impedir a fãs de adentrar o local, portanto fique tranquila.

- Isso é uma honra, — ela se viu incabulada, sem saber o fazer — mas eu nem sou tão famosa assim! Esse vai ser meu primeiro trabalho importante.

- Sim. Realmente, a proteção não é pra você. — sorriu, e antes que Maka pudesse pedir quem era o outro modelo o automóvel parou, obrigando-as a sair.

Olhou-se em volta: Aquilo era exatamente como Crona disse que seria. Mais de cinco fotografos, pessoas olhando de todas as partes. Aquele era um estúdio de primeira montado bem no meio das ruas da popular Kyoto.

- Maka, — alguém sussurrou perto de seu ouvido, e aquela voz pareceu extremamente familiar pra Albarn — Quanto tempo. Achei que não viria mais.

Ela procurou quem era, encontrando um homem realmente lindo à sua frente. Costas largas, alto, cabelos negros com três listras laterais e olhos de um topázio penetrante. Ele estava vestindo somente uma camisa branca desabotoada e uma calça jeans, o que dava ainda mais ênfase à beleza que já parecia sobrenatural.

- Death-sempai?! — corou, reconhecendo-o — O... Que faz aqui?

- Como assim, o que eu faço aqui? — ele curvou uma sobrancelha, enquanto que a loira ouvia as fãs dele gritarem e chamarem por seu nome de todas as partes — Eu sou o modelo que vai trabalhar contigo, ninguém te disse isso não?

- ...Hã?

Notas finais
Primeiro capitulo postado! XD
Gzuz, só de imaginar o Kid com 21 anos, desse jeito e com a camisa aberta já me vem um sagramento nasal. ;_; *Fã girl*
Deu pra ver que essa fic tem um estilo mais maduro respeito à ANK, mas além do fato que vai ser mais longa, vai ter muita coisa pela frente!
Essa revista, "Sho-comi" realmente existe. Não é uma de moda como eu quis colocar na minha fic, mas é onde uma de minhas mangakas preferidas (Ikeyamada Go) publica seus mangas. Ela é a fonte de minha inspiração, portanto resolvi fazer essa pequena homenagem.
Bem, espero que esteja agradando.
Reviews, certo?
Arigatou!