No final das contas, Soul não lhe dera nem mesmo o tempo de dizer uma única palavra a seu favor.

Quando viu, já estava dentro de sua lamborghini amarela e preta. Foi jogada lá dentro como um ser inanimado, assim como fora carregada nas costas de seu namorado por todo o aeroporto, chamando a atenção e criando comentários maldosos.

Maka escorreu os olhos para o lado enquanto colocava seu cinto de segurança — o Evans tinha acabado de entrar no automóvel. O olhar dele permanecia firme na imagem à sua frente, por mais que não a visse realmente. As mãos que nervosamente deslizavam sobre o volante em pele denunciavam o estado de ânimo alterado.

Era a primeira vez em que o via tão zangado.

- Sou-... — ela tentou dizer algo, mas foi interrompida pela voz do homem que era demasiadamente mais imponente que a sua.

- Eu exijo uma explicação plausível pra isso! — mantinha os dedos sobre a direção do carro ainda desligado, assim como os orbes não ousavam largar a vista do estacionamento à sua frente — E agora.

- Era isso o que eu queria falar, mas alguém não deixou. — tentou parecer convincente, pensando em algo que pudesse persuadir o teimoso Soul Eater — Foi um fã.

- Um fã? — ele soltou uma gargalhada cínica — Acha que eu sou o que? Um idiota?

- Me atacou durante o sono. — a mentira lhe saía maquinalmente dos lábios, numa tentativa desesperada de salvar sua pele.

Soul não teria piedade dela ou de quem quer que fosse o suposto amante.

- Uhum, continua. — um tom de curiosidade misturado à sarcasmo dominava a voz meio rouca, enquanto ele finalmente se decidira olhar a loira, claramente mais calmo — Quero ver até aonde vai chegar.

- Não quer acreditar, hã? — continuou com a entoação constante, cruzando os braços — Eu estava dormindo quando senti alguém morder meu pescoço. Acordei assustada e bati nele, depois sai correndo. Quando eu voltei com os guardas do hotel não tinha mais ninguém, então eu pedi pra trocar de quarto.

- Maka... — suspirou, sentindo-se totalmente vencido. Não levaria a nada continuar naquela conversa. Fitou os orbes apavorados da namorada, já em culpa. Ele deveria ter sido mais delicado. Levantou uma mão na tentativa de alcançar a face dela, e a Albarn se reprimiu, prensando as pálpebras.

- Eu sinto ciúmes de cada pequena coisa que chega perto de você. — Soul acariciou lentamente seu rosto, quase esquecendo da ira que ainda o consumia por dentro — Eu vou tentar acreditar que essa é a verdade. — Ela abriu os olhos lentamente, encontrando um leve sorriso no rosto dele — Mas, por favor, Maka. Nunca me engane. — concluiu, selando-lhe os lábios por poucos segundos, logo ligando o carro.

Arrependimento.

Esse foi o único sentimento que conseguiu reconhecer dentro de si mesma. Sentiu que deveria dizer a verdade, mas temia que Soul não fosse perdoar sua mentira.

A deixou em seu apartamento, dizendo que voltaria para buscá-la às 8 da noite. Maka achou estranho que ele não tivesse pedido para subir. Mas não era de se admirar, afinal. Ele não tinha engolido a desculpa do fã, também por que ela nem era tão famosa assim pra ter pessoas pulando dentro de seu quarto à noite.

Já eram quatro da tarde quando acabou de tomar banho e colocar uma roupa qualquer pra ficar dentro de casa. Ela tinha tempo de sobra, portanto decidiu que iria fazer alguma máscara de beleza pro rosto meio cansado.

Meia-hora depois, enquanto assistia a um programa qualquer na TV, alguém tocou sua companhia. Ela bufou na primeira vez, tentando ignorar. No entanto tal pessoa parecia persistente, continuando a apertar o botão com intervalos de tempo precisos.

- Já vou, já vou! — Maka gritou, já meio estressada. Levantou-se. O caminho da sala até a porta era bem curto, também porque o apartamento não era muito grande — possuía somente quatro cômodos contando o banheiro.

Espiou quem fosse pelo olho mágico, sem ver alma viva. Suspirou mais uma vez, pensando que era uma entrega. Abriu a porta, encontrando alguém que conhecia bem. Talvez até demais.

O terno preto, as madeixas da mesma cor apresentando três listras brancas sobre as mesmas. Aqueles olhos amarelos eram inconfundíveis.

- VOC...! — ela mesma não se permitiu sibilar tal palavra completamente, apoiando o corpo contra a porta em uma tentativa desesperada de fechá-la.

Desesperada e inútil — um pé bloqueou aquele movimento, e com um único empurrão da parte do homem a Albarn caiu ao chão, sem poder revidar.

- Kid! — exclamou perplexa — Como você achou minha casa? E porque veio aqui?!

- Maka. Que coisa horrível essa camada azul e gosmenta na sua cara. — ele franziu a testa, demonstrando certo desprezo.

- Vá embora... Agora! — a loira continuou usando um tom alto de voz, agora se levantando. Retirou a máscara com raiva, acabando por deixar alguns resíduos.

- Ei, Maka... O que é essa marca no seu pescoço? — ele se aproximou, esticando uma mão — Você mal chega e o Soul já pula em cima? — concluiu, querendo alcançar seu pescoço com os dedos.

- Quem diabos você acha fez isso, seu imbecil? Você me mordeu tão forte que chegou a rasgar minha pele! — ela bateu em sua mão, ainda mais aborrecida.

Kid fez uma face espantada, como se nem estivesse acreditando naquelas palavras. Então algo realmente tinha acontecido entre os dois na madrugada passada?

- Eu preciso saber de uma coisa. — ele segurou seus ombros, fitando os olhos verdes sobrecarregados de raiva — O que aconteceu ontem à noite?

- Nada, idiota! — Maka se liberou dele, deixando-o de mãos vazias, dando imediatamente alguns passos para trás — Você me mordeu e desmaiou em cima de mim! Eu demorei quase uma hora pra conseguir te jogar pro lado, droga! E não dormi porque fiquei com medo de você acordar no meio da noite e me atacar... Por que merda é que você bebe, se é fraco pra bebida?!

- Ah... — seu rosto pareceu aliviado, e ele escorou um braço na moldura da porta enquanto a outra mão alcançava seu rosto, seguindo uma leve risada — Ainda bem.

- Hã...? — a loira se viu confusa, olhando-o sem entender aquela reação.

- Acontece que... — ele escorreu os dedos pelo meio dos cabelos, agora sendo possível ver os olhos topázio sorrindo junto com a boca fina -... Se eu tivesse passado uma noite contigo, eu com certeza iria querer me lembrar.

Maka corou furiosamente diante daquelas palavras e daquele semblante repleto de satisfação. Tentou dizer algo, mas sentenças que pudessem argumentar aquela frase tão constrangedora não lhe vinham em mente.

- Agora estou indo. — Kid continuava parecendo contente, enquanto se recompunha ajeitando o paletó preto — Nos veremos em breve, Maka. Lembre-se disso. — acenou de leve, logo depois levando as mãos pra dentro dos bolsos da calça enquanto caminhava pelo corredor que ficava pro lado de fora da porta.

Alguns instantes se passaram antes que a Albarn pudesse entender o que tinha acontecido. Correu até a porta, olhando para a direção pela qual ele tinha acabado de ir, sem ver ninguém.

- ...Por que eu tenho a maldita sensação de que ele tem razão? — ela indagou a si mesma, apreensiva.

Mas por ora... Ela tinha um jantar realmente problemático com o qual se preocupar.

Notas finais
Ok, ok... Eu menti dizendo que esse capitulo seria maior e melhor, mas... Não me matem, onegai!
Eu meio que gostei desse, por mais que não aconteça muita coisa. XD
Eae, merece reviews?