Other World

1 Buscando um Recomeço


Bom, eu sou Yuki Taylor, um estudante mestiço de quinze anos, meu pai era europeu, já a minha mãe era de origem japonesa , eu vivia junto da família e era um garoto normal e feliz, porém, em um certo dia, a minha vida mudou, quando já tinha atingido sete anos aconteceu uma tragédia, um acidente de carro, o qual levou a minha amada mãe à morte, já o meu pai foi levado em coma ao hospital em casos de vida e morte e eu só não fui morto por causa de minha mãe em que no meio do acidente se jogou em cima de mim e me protegeu com todas as suas forças, fazendo assim que o meu único ferimento e prova do amor de minha mãe por mim foi uma cicatriz ao meu olho direito, desde o ocorrido aquele maldito sentimento de culpa me corrói, tenho ódio de mim mesmo e da vida em que todos momentos que passam tenho certos pensamentos em minha mente . "Se eu não estivesse lá...", "Se eu não existisse ...", "Eu matei a minha mãe...".Nesses momentos eu só desejava a própria morte, estava completamente perdido, sem rumo algum e sozinho. Sendo assim quis ir a Tóquio a cidade natal de minha mãe, querendo recomeçar uma nova vida ao longe do país e cidade em que aconteceu aquele acidente, a minha desgraça, o meu pecado e culpa em que habitava em minha alma, fui visitar o meu pai, mas nada mudava pois já fazia oito anos e meu pai ainda continuava inconsciente sobrevivendo em aparelhos e por fios, aquela imagem de meu amado pai atingia aos meus olhos e as lágrimas quentes escorriam em minha face, fui ao lado de sua cama,me ajoelhei e mal conseguia dizer mas em meio em minhas lágrimas consegui forças pra falar, mesmo gaguejando.

— Q-Querido pai, eu não sei se você consegue me ouvir, me entender, mas eu não aguento mais pai, o s-senhor, nessas condições, a minha vida nessas situações... e eu não aguento mais essa dor e sofrimento que consume todo o meu corpo, e-essas malditas lembranças e desgraças que aconteceram, eu já me decidi, vou sair deste país e cidade que tenho tanto rancor... Peço desculpas por tudo que lhe fiz, e toda dor que causei. M-mas pai, me mande um sinal, oque tenho que fazer, como eu posso ser livre?... É certo eu te deixar aqui e simplesmente fugir igual a um covarde? Eu acho que nunca conseguiria te deixar e obter tal liberdade.— Depois de dizer tais palavras comecei a ir em direção a saída do quarto mas de repente ouço a pior coisa que podia se ouvir no mundo, escutava aquele toque que a máquina de eletrocardiograma faz quando chega a zero batimentos, eu desesperadamente começo a gritar pelo médico e enfermeiras no local enquanto a máquina faz aquele barulho agonizante, os médicos chegam tentam fazer de tudo, mais o meu pai não correspondia, eu estava desesperado para ouvir uma notícia que o meu pai estava bem, mas o meu mundo revirou quando ouvi certas palavras:

— Hora do óbito, 18:33.

Eu me lancei ao chão e me ajoelhava gritando freneticamente, depois de muitas horas deitado no chão e sem reação alguma resolvi ligar para a única pessoa e última em que eu podia chamar de família, eu tinha um tio, ele era um europeu rico, dono de uma fábrica de tecidos para roupas, o meu tio é uma pessoa estranha, porém engraçada, me ajudava financeiramente desde quando o acidente tinha acontecido, todo mês meu tio visitava a minha casa, ele visitava deixando uma certa quantia de dinheiro e também para fazer companhia ao seu sobrinho que era eu sozinho dentro daquela casa, eu liguei para o meu tio, contei sobre tudo o que tinha acontecido, minutos depois encontrei meu tio, a gente se abraçava e enquanto chorávamos eu resolvi dizer a meu tio:

— Tio, vou me mudar para Tóquio.

— Por que? Pergunta o Tio.

— Porque eu não aguento mais ficar nessa maldita cidade , nesse maldito país em que só me ocorreram coisas ruins e lembranças indesejáveis, já não me importo com mais nada, a minha vida não tem mais sentido, perdi a minha mãe e agora perdi o meu pai, vou recomeçar a minha vida no País e cidade natal de minha mãe. — Entendo, eu me sentiria da mesma forma, te apoiarei.— Disse o tio.

Então saímos de lá e fomos até a minha casa , eu arrumei todas as minhas coisas, peguei um depósito que juntava a anos com as mesadas que recebia do meu tio, pedi pro meu tio ajudar com o pouco que restava para comprar meu apartamento em Tóquio, passou uma semana e então eu decidi partir, mas antes de partir para Tóquio, fui com meu tio ao túmulo de meus pais para me despedir, até que de repente do nada veio em minha mente em que quando eu falava as últimas palavras a meu pai, aquelas palavras em que eu pedia por algum sinal e que também dizia que não conseguiria deixar ele e ir embora, foi ali naquele momento que percebi que o meu pai tinha me dado um sinal, ele me deu a própria vida, ele me deu a liberdade para que eu pudesse ir em paz e sem estar preso, para que eu pudesse ir embora sem arrependimento e sem se sentir culpado e conseguir falar para mim mesmo que eu fiquei com ele até seu último momento. Me ajoelhei ao chão e então dizia aliviado e confortado "Obrigado meu pai, obrigado" depois daquela visita aos túmulos de meus pais fomos até o aeroporto, onde chegou a vez de me despedir de meu tio, E então meu tio resolve dizer. — Bom, Taylor eu queria que você soubesse que você tem sido como um filho para mim desde todos aqueles acontecimentos... Eu só queria dizer que eu estou feliz por você e te avisar também que não está sozinho. — Obrigado tio e você tem sido como um pai, obrigado por tudo.

Dou um abraço no meu tio e depois um aperto de mãos, então resolvo entrar naquele avião, e consegui entrar em paz e sorrindo pois eu pude partir tranquilo e ansioso para aquele novo começo que me espera...