Ostium: Diamond
11 Capítulo 8
Capítulo 8
Data Especial
Dia 18 de maio.
Como se tudo que tivesse ocorrido nas ultimas páginas tivesse sido um sonho, acordei na manhã.
Repeti o processo que o fiz desde que voltei para casa.
Levantei da cama... encarei o espelho... vi meu reflexo de sempre, o reflexo que nunca mudou.
Por achar tudo muito estranho, liguei para o Ritte assim que sai de casa e lhe perguntei.
—Você teve um sonho estranho também? Um com o instituto e… um navio?
—Aquilo não foi um sonho. Quantas vezes preciso repetir...?
E desliguei o telefone ao ter minhas suspeitas confirmadas.
Desde então, cada dia tem sido cheio de ansiedade, isso não combina comigo, porém a cada momento temia que um deles pudesse aparecer de novo, ou pior ainda, que os corsários viessem.
“Acabei dando um golpe bem forte em um deles, mas… sim, tem algo que deveria fazer”
Estranhamente, aqueles acontecimentos tinham nos feito voltar para casa mais cedo do que o esperado, mas isso só significava mais tempo onde não estava fazendo nada em especial, para mim, ao menos.
Até o domingo chegar e notar algo guardado ao lado da minha cama.
A embalagem de pílulas que a doutora me deu, que também gastei num período curtíssimo de tempo.
“Não usei nenhuma delas desde que voltei, ficar só com uma me deixaria muito apreensivo”
O que me fez pôr aquilo no meu bolso e pedalar até a clínica suspeita dela foi claro, o efeito colateral do remédio. Uma sensação de força que nunca tinha sentido antes, imaginei que tipo de coisa poderia fazer com algo assim.
As portas da clínica se abriram sozinhas em minha frente, o ar frio de sempre se colou na minha pele e não me deixou respirar bem, continuei em frente.
—Doutora…
Falei, esperando ouvir uma resposta imediatamente.
—O que foi, Jack? Precisa de algo?
—Disse que devia vir aqui depois de ter testado uma dessas pílulas, não foi? Eu as usei e… você devia saber o que houve.
—Entre, entre, por favor.
Como da última vez, ela me disse para sentar e eu o fiz, em seguida a doutora pegou uma planilha e caneta, pediu para que relatasse tudo o que tinha acontecido.
Depois de pensar um segundo, a contei em detalhes todos os efeitos daquele remédio, me estendendo se necessário, contudo, acabei omitindo os detalhes de corsários e o instituto, por mais que quisesse, alucinações não eram um efeito colateral.
—Isso tudo é… inesperado, porém muito bem aceito.
Foi o que ela disse depois de o que contei.
—Aceito… então foi bom?
—Não, não, não. Aceito, nada de bom. Todos os efeitos de capacidade física melhorada surgiram de um efeito colateral, definitivamente não foi a intenção, portanto… talvez já seja tarde, porém se importa de me dar um pouco do seu sangue?
—Pode ir.
Arregacei uma das mangas e esperei que ela fizesse a extração da forma mais apavorante possível.
E de fato, a doutora num movimento só enfiou a agulha no meu braço e no seguinte o retirou.
—AI!
—Sua resiliência é muito agradável, tenho que lidar com espécimes muito frageis normalmente, humanos são geralmente bem fracos, sabe?
—Er… são?
—Sim…
Ela dizia enquanto colocava o meu sangue dentro de uma máquina e apertava botões em um teclado.
—Contudo, você é definitivamente uma exceção, um humano fantástico, quase mais que um humano, na verdade… e esse sangue ainda tem resíduos do químico! Sim…
—O que conseguiu?
—Assim que… levando isso em conta…
Esperando resultados, eu ajeitei minha manga novamente.
A doutora se virou novamente para mim, mas com um olhar cabisbaixo, para o chão.
—O que você viu?
—Você tomou essas pílulas com ou sem água?
—Err… eu tomei sem água.
—Hum, não deve ter sido bem por causa disso, mas evite de o fazer na próxima vez. Poderia ter acontecido de os efeitos durarem mais que o previsto. E sim… o que houve foi uma reação única dos químicos com algo do seu corpo, em alguma parte do processo digestivo que não posso determinar no momento, tudo que não tenha sido um senso de equilíbrio otimizado não foi minha intenção.
—Não teve mais nada, doutora?
—Ah… isso… não, provavelmente nada. Consegui achar vários químicos novos formados de uma maneira indeterminada, a fusão dos comprimidos com algo do seu corpo, poderia identificar cada químico e o correlacionar com um sintoma que lhe assolou, nada parece ser um empecilho.
—Err… pode falar de formas mais simples?
—... ah... por que ainda tento...?
—Doutora?
—Nada! Nada, provavelmente, provavelmente... para ter certeza teria que fazer algo bem extremo, como abrir seu corpo para ver o que tem de estranho nele, mas você não sentiu nada, não é? Então não precisa se preocupar.
Ela sorriu enquanto dizia isso, como se estivesse falando algo universalmente aceito como a verdade. E ainda como se fossem boas notícias.
—Se você diz…
Não muito depois, eu sai de lá em passos corridos, pela porta da frente.
Ela se abriu novamente, porém com um atraso, por um segundo pensei que ficaria preso ali, não foi o caso, mas passou perto.
Olhando para o céu azul, levantei a bicicleta e pedalei em alta velocidade sem saber o meu caminho.
A doutora não me deu outras pílulas, disse que para produzir mais precisaria de um bom tempo, sendo elas algo patenteado e feito exclusivamente naquela clínica, compreendi o motivo e resolvi dar esse tempo.
“Droga… não sei o que estava pensando, é melhor evitar a doutora até que ela mesma me chame para lá, aquele efeito colateral pode ser bom, mas e se tiver me matando lentamente? E se minha expectativa de vida já está se perdendo? Não quero pensar nisso, mas… arg… será que eu sou tão azarado assim?”
Acabei dando várias e várias voltas pela cidade, até enfim chegar na minha própria casa, resolvi deixar a bicicleta lá e descer.
Não havia passado do meio-dia, era domingo, olhei ao redor… pensei um pouco…
“Poderia comer fora hoje. Não é como se não tivesse dinheiro para isso”
—Espera… já sei!
Uma lâmpada surgiu por cima da minha cabeça e uma ideia brilhante me alcançou.
Dessa vez corri, mas era o contrário absoluto da última vez, tinha um objetivo claro, e estava de pés.
Quando virei a esquina e ia chegar no meu objetivo, o sol foi mais forte e tive uma crise naquela hora crucial, girei no ar depois dos meus pés perderem o chão, então cai de ombro primeiro, então o resto do corpo.
Por alguns segundos, enquanto esperava a crise passar, deixei meu corpo estatelado de cara ao chão.
“Aí, será que não tem nenhuma cura permanente para isso? Acho que seria até melhor do que aquelas pílulas milagrosas que a doutora fez”
—Você está vivo?
—Algo parecido não aconteceu a pouco tempo atrás?
Me levantei, já sabendo quem era a única pessoa que poderia ter feito essa pergunta ridícula.
—Queen, você está saindo? Eu vim correndo para que pudesse bater na sua porta e tudo, isso é uma parte importante.
—Veio? O que você veio fazer?
—Ah… queria enrolar um pouco, mas é melhor ser direto…
Fechei os olhos. Respirei fundo e mordi meu lábio até ele sangrar.
Estendi a minha mão, na esperança que ela aceitasse a segurar.
—Franziska, você aceita ir a um encontro comigo?
—Oh…
—…
Não tinha mais o que falar, fiz exatamente o que imaginei, só estava esperando uma resposta.
—Está bem.
Sequer notei o movimento, quando vi, Franziska segurou na minha mão por um instante, não bem como imaginava, porém confirmando que tinha sido aceito, ao menos à isso.
—E onde?
Essa foi uma pergunta que já tinha preparado uma resposta.
Pensei que seria necessário sair da cidade para isso, porém vi no caminho uma construção branca e muito chamativa, um restaurante de 5 estrelas na nossa cidade.
“Como nunca notei algo tão extravagante?”
Entrei lá e disse que precisava de uma reserva para o outro dia, estava animado demais para perguntar como aquilo realmente funcionava, por isso só botei todo o dinheiro da minha carteira na mesa, de certa forma, um grande desperdício, porém não consegui considerar isso na hora.
Com aquilo, consegui uma reserva facilmente, então… era só esperar.
Mais tarde, no esconderijo:
—Você realmente feiss* isso?
Depois de ligar para ele, o Ritte logo apareceu no esconderijo, lá eu contei sobre meus planos para o dia seguinte, como era esperado de mim, sua reação sobre o final... parecia ruim.
—O que foi Ritte?… Eu devia ter avisado? Pensei que você já tinha me dado sua aprovação.
—Non, non, mas por que você não pediu que eu fizesse a reserva? Quanto dinheiro tinha na sua carteira naquele dia?
Aquele era um jogo dele, eu havia notado já pela sua voz, ele sabia a resposta, mas ainda assim, eu deveria tentar conseguir uma resposta sozinho e...
—Não tenho certeza…
—Eu lembro. Era muito. Ah… agora que você já gastou tudo aquilo em suborno não tem o que fazer… ao menos faça algo bom, isso vai ser igual um encontro de filme, você tem um terno?
—Claro que não, mas devo conseguir um até amanhã, fácil, fácil.
—Bem... tu connais la musique, você faz o que eu absolutamente não posso ajudar, eu faço o resto funcionar, ok?
—Você é realmente bom com essas coisas de “fazer tudo funcionar” não sei de onde esse talento vem.
—Acho que é do meu número, parece que eu realmente sou o 02.
—02 é… o que isso iria significar mesmo?
—Não tenho certeza, mas parece que escapar de problemas é algo que poderia encaixar. Você já entendeu sobre o que o seu número pode fazer?
—Bem... nada, por processo de eliminação eu devia ser o 01 e... o tal estava dormindo o tempo inteiro, eu juro que não vi ele abrir os olhos enquanto viajamos.
—Como todos nós, ele chegou muito perto de bater as botas, apesar que... par contre, vocês terem salvo um membro do instituto é bem maneiro.
Adicionando essa fala com um sorriso sarcástico e um estalo de dedos, ele parecia não ter gostado de como sua frase havia ressoado, enquanto para mim, essas palavras só lembravam daquele ataque...:
—Ele foi atacado por algum tipo de sombra assassina… nem parecia humana, apesar de tudo… ninguém merece morrer de uma forma tão cruel.
—Você não viu quem foi...?
—Estava muito escuro, ela estava no meio das sombras, porém vi que tinha usado uma lâmina, tinha uma destreza excepcional.
Lembrando bem, nem posso dizer que a vi fazer o corte, talvez ela possa materializar um golpe sem se mover? Ou parar o tempo até? Não, isso é impossível…
Quando me mostrei ainda mais confuso, o Ritte fez um rosto frustado, se revirando no sofá um pouco e me encarando estranho.
—Mas nem te machucou direito, em fait, deve ser por isso que eles querem você no instituto, segundo a Une, eles se envolvem com muita coisa perigosa, mas contra você… acho que nada poderia te parar.
—Não fale como se eu fosse imortal, aquele golpe quase me matou de verdade, um segundo daqueles teria sido o meu fim. Além do mais… agora você me fez pensar, não teria sido melhor ela usar uma arma de fogo?
—Talvez para não ter tanto barulho?
—Mas… os corsários atacaram logo após, acho que isso não era um problema… Ritte, pode tentar resolver isso depois? Eu não sou bom em resolver esse tipo de coisa.
—Eu sei.
—O que?
—Você até agora usou a calculadora para resolver todos os problemas dessa tarefa, você realmente esqueceu tudo daquela semana? Mesmo depois de ter passado 5 dias seguidos sem dormir?
Pois enquanto falava com ele, lentamente peguei um dos livros, fazia um dia que tentava resolver as tarefas de matemática e... continuava indo em passos bem lentos...
—Eu já disse! Bati a cabeça muito forte, tudo sumiu!
—Amnesia não funciona assim… que desperdício…
Eu ia resolvendo os enigmas de números e cálculos, enquanto deixei o Ritte para raciocinar sobre a escolha esquisita de armas daquela sombra. Assim, horas e horas se passaram...
Me levantei, no meu relógio havia dado vinte para meia-noite.
—Já vai? Você não disse que gosta de dormir aqui nos domingos?
—É que… sabe como rumores se espalham rápido por aqui. Então, Ritte, eu vou precisar resolver alguns problemas. Devo voltar em uma hora, mais ou menos.
—Posso ir assistir?
—Claro, mas dessa vez eu não garanto que vou vencer…
Havia um compromisso para mim, um que não tinha escolha se não ir...
Chegou a poucos minutos da meia-noite, a lua estava no topo do céu, banhando a cidade num fraco brilho de branco, apenas um quarto dela era visível naquele dia.
“Isso também não é tão bom…”
Queria testar se realmente ficava mais forte numa lua cheia, parecia ridículo, porém alguns eventos anteriores me fizeram ter dúvidas.
Fomos para uma rua vazia, só havia lojas lá, todas elas já estavam fechadas, Ritte tinha descido ela bastante para assistir sem ser visto.
—Ei, Jack Delsteen! Você vai se arrepender de ir contra todos nós.
—Sem blefes. Só diga que lembra do trato. Vocês foram espertos suficientes para notar que a Franziska está na minha banda. Agora que eu aceitei brigar com todos vocês, não vou ouvir mais disso, certo?
—Claro, por mim eu podia esquecer, não é como se eu ligasse para o que aquela bruxa faz no tempo livre, mas você é um problema.
—Não chame ela assim. Nunca mais.
Acabei mordendo meus lábios de novo, os meus dois caninos ficaram visiveis e um deles perfurou meu lábio outra vez.
—Isso é tudo que precisa para irritar um vampiro?
—Não venham com essa. Vocês vão se arrepender agora…
Silêncio recaiu sobre a rua, pôs os braços na frente do corpo e preparei para tomar vários socos e chutes.
“Contra cinco desses… talvez se alguns deles forem um pouco fracos seja possível, mas pelo o que parece, vou ter que aguentar muito tempo para conseguir cansar todos eles”
Era uma briga sem muito significado, apenas porque eles queriam ter a glória de vencer alguém que nunca caiu.
Cinco, cinco deliquentes, como eu, naquela noite, ou eu derrubaria todos eles, ou eu seria derrotado.
E naquele momento, eu não tinha ideia de qual dos dois ia ser.
O sino bateu, a meia-noite havia chegado e...
Partiram para cima de mim.
Um punho cerrado passou pela minha cabeça, mal me abati e ergui meu próprio braço até conectar com o queixo dele.
Aquele cuspiu sangue e caiu no chão na mesma hora.
“Esse tinha um queixo de vidro”
O segundo na mesma hora, acertou uma cotovelada na minha barriga.
—AH!
Foi exatamente onde tinha aquela ferida, pensei que doeria muito mais, porém percebi.
“Ela já se curou”
Então usei as duas mãos para segurar os ombros daquele cara.
Joguei minha testa contra o nariz dele, o fiz de novo, de novo e de novo até que os outros três apareceram, eles puxaram meus braços e me prenderam.
Aquele cara parecia bem mais forte, estava um pouco tonto, mas ainda conseguia me socar, ignorando três cabeçadas que eu havia dado.
Ele o fez várias vezes, cada vez que chegava perto de me livrar dos outros, ele me dava outro soco e perdia a concentração.
“Nesse ritmo eu vou morrer sem me soltar”
Quando não podia socar, daria meus melhores chutes, quando nem isso, ainda tinha meus ossos e presas. Foi o que segui.
Algum tempo havia se passado, ele devia ter se recuperado, mas em vez disso, seus socos estavam cada vez mais fracos, mesmo que só um pouco mais rápidos.
“Isso não é força! Isso é desespero...! Mesmo preso, eu posso lutar”
Depois de algum tempo, ele parou, já estava tossindo sangue e com a cabeça no chão.
—Está bom?! Ou vai ter mais?!
—Não vou esquecer… o que você disse!
Parece que os dois de trás já tinham se cansado, me soltei bem fácil e corri na direção dele, fingi que ia dar um soco, porém achei mais adequado um chute na perna, em seguida uma joelhada no rosto.
Me virei e tinha três ainda, precisava acabar com eles também.
Já estava ferido, até cansado, mas naquele ambiente, não havia tempo para pensar se você ainda podia continuar, naquela luta, devia-se ir até o fim, pensar demais era uma fraqueza.
Disparei, agarrei o mais fraco deles e o lancei para a calçada.
O outro deixei que me atacasse, quando ele o fez sua defesa abaixou e pude segurar seu pescoço, depois o derrubar com uma joelhada, duas joelhadas e três joelhadas!
Aquele ultimo parecia bem fraco, pensei que só pular e o chutar bastaria.
Mas ele era veloz, deu um passo para o lado e me chutou enquanto ainda estava no ar.
Cai com as mãos no chão, senti uma espécie de tontura, depois de tanto tempo sem aquilo, sem aquelas crises... havia sido atingido novamente.
Assim que tinha passado, já havia sido arrastado pelos ombros, os dois que sobraram tinham me dado vários socos e chutes sem esperar que levantasse.
“Preciso terminar isso agora”
Segurei a perna de um deles e a puxei com força o joguei contra o outro.
Meu equilíbrio não era bom, por isso com toda a calma, eu pus um pé por vez e tentei me levantar...
Mas os dois também, já tinham corrido em minha direção e deram seus últimos dois socos.
Na minha perna direita, ela ficou paralisada por alguns segundos.
No meu estomago, também não conseguia girar meu próprio corpo.
“Hora de acabar com isso”
Com as duas mãos eu segurei o mais rápido deles, pois já estava cansado, consegui o agarrar pela camisa, isso foi suficiente para o puxar, me aproveitando que ainda estava ajoelhado, o lancei por cima de mim e ele caiu com as costas para o chão.
O segundo usei minha perna esquerda para o pôr de joelhos.
—...!
Aquele movimento havia, claro, me colocado no chão também, ele ainda estava um pouco acima, mas também me aproveitei de um colar que ele usava, o puxei e consegui o fazer cair também.
E só um momento mais cedo, eu levantei, assim que um estava no chão, o outro tinha toda a vantagem do mundo para atacar.
Dei mais alguns socos no peito e no rosto dele, até que parou de se mover.
E assim... eu o deixei por lá, muito cansado, tentei arrastar meu corpo para longe da cena o quanto fosse possível, antes disso, no entanto, eu olhei para trás.
Um deles se levantou, olhou para mim e puxou um colega pelo braço, então o arrastou para longe dali.
Ouvi os passos apressados do Ritte, ele me segurou sob os braços e começou a me puxar para trás.
—Vamos sair daqui, a luta acabou.
—Espero que consiga me arrastar até lá… porque eu não vou conseguir…
Tinha me cansado muito e nem conseguia contar os hematomas acumulados, mas mantive consciência, olhei para o céu o caminho inteiro, vi as estrelas, me lembrei de tantas coisas, quando vi o céu estrelado com a Franziska, meu desejo pouco tempo antes do nosso show.
“Será que foi por causa dele que nós nos demos tão bem? Seria engraçado se fosse”
A lua também, mesmo que só uma parte dela fosse visível. Me deixava feliz.
Diferente daquela briga, por mais que na hora tivesse sentido adrenalina e antes a antecipação, depois não havia nada, apenas estava dando trabalho fazendo o Ritte me arrastar até o esconderijo. Não havia muito orgulho, nada como felicidade.
As estrelas sumiram, tínhamos entrado na floresta.
—Por aqui eu já posso andar… vamos…
Nós caminhamos, não conseguia falar mais, porém Ritte ainda disse algumas coisas, sem esperar uma resposta, apenas porque genuinamente ele esperava que eu precisasse saber daquilo, vagarosamente, lentamente, ele contou:
—Você venceu no fim, mas isso era importante assim…? Eles podem querer ainda mais ir atrás de você por causa disso, mas ao mesmo tempo… não sei se há nada que pudesse ser feito, digo… digo, essas brigas podem não ter motivo, mas é importante ter a determinação de se defender, não é? Nós precisamos de algo assim agora, sinto como se nossa vida fosse ficar um pouco diferente no futuro próximo…
Se discordasse ou não, falar parecia desnecessário.
Assim que cheguei, resolvi olhar por trás de uma cortina que não estava na caverna até pouco tempo atrás.
“Caramba… a Une realmente fez um chuveiro aqui, vou dar um uso para ele”
Não sei de onde a água poderia estar vindo, mas ela me incomodava um pouco, talvez fosse por algo da própria água, certamente, contudo isso soava para mim como tentar culpar outra pessoa pelo meu próprio erro.
Ela obviamente não fez muito para curar os meus ferimentos, com minhas roupas normais todas sujas de sangue, terra e suor, só sobrava meu uniforme para me vestir, pronto para o próximo dia, fisicamente apenas, me deitei no sofá enquanto perdia consciência do mundo ao me redor, lentamente libertando meu espirito.
…
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