Ostium: Diamond
22 Capítulo 15: continuação
Capítulo 15.1
Hibrido
A oito anos eu não tinha quase nenhuma parte da identidade a qual possuo agora, contudo, um fragmento que se manteve do meu nascimento e até agora, nunca me deixou. Foi a ideia da justiça, tudo para mim girava em torno disso.
Não possuía duvidas também, havia más pessoas e boas pessoas, era fácil diferenciar, quando olhava uma pessoa por um instante decidia se ela era boa, merecendo um tratamento justo e respeito, ou se não, ela então era um problema, não que fizesse nada sobre isso, claro, porém nem pensava em chegar perto de alguém que julguei como mau.
Já tinha minhas duas presas nesse tempo, não nasci com elas, foram alguns anos até que crescessem da forma que estão, entretanto, esses dentes nunca caíram, pelo pouco que entendo então... eles são dentes de leite ainda?
De qualquer forma, isso é bom lembrar, até eu esqueço as vezes como essas presas não são de nenhum vampirismo, é só uma coincidência.
Isso é uma reconstrução do que imagino ter acontecido, junto do que Franziska me contou.
Dia 1 de novembro.
Foi logo depois do dia das bruxas, tinha me divertido com uma fantasia de vampiro, tinha assustado outro aluno a ponto de ele ter desmaiado, meu pai brigou por isso, claro, eu devia ter tido cuidado, nem todos os garotos eram igualmente corajosos.
Esse aluno, era Ambrose Vite, Ritte, meu melhor amigo e irmão da Franziska.
Apenas uma coincidência não teria mérito para ser chamada atenção assim, por isso ela passava bastante de coincidência.
Durante o intervalo, ou após o fim das aulas, este é um dos vários pontos onde nossas memorias se conflitam.
Então, do meu ponto de vista, vi Ambrose Vite, o Ritte ao redor de algumas pessoas, umas que tinha antes decidido serem más... não lembro quem seriam para apontar se estava certo, não que isso me interesse mais.
Apesar disso, queria falar com ele para perguntar sobre o dia anterior, tentei ignorar os outros alunos, quando notei...
Como havia julgado, eles não pareciam estar fazendo nada bom, estavam em maioria e contra um garoto que não era especialmente forte, isso não estava equilibrado, nem era justo.
A Queen também, não tinha certeza do que aconteceu, ela já estava lá.
Nesse ponto, eu devia já ter feito perguntas e conversado com aqueles delinquentes. E já havia decidido como agiria, seja lá como fosse...
Para mim, nesse ponto é difícil de lembrar o que aconteceu.
Quando notei, os outros delinquentes estavam fugindo, apenas um deles, que parecia com algum líder ainda estava em minha frente, o braço dele sangrando horrendamente, enquanto havia ainda mais sangue escorrendo da minha boca.
O que se tornou a verdade, a que aceitei foi tudo ter acontecido porque eu tinha feito isso, não seria bem impossível, minhas presas são realmente um pouco fortes, além do normal, assim como aquele líder não parecia muito durão.
Independente da verdade, foi isso que me levou para o outro lado do corredor, acho que teria sido pior se meu pai não fosse uma figura importante da cidade a tanto tempo, me dando um certo... “beneficio” acho que era a palavra.
Entretanto, talvez a história não seja apenas isso, não segundo a Franziska.
O que ela diz foi não tão diferente do que ocorre normalmente agora, ela não ouviu a conversa, quando percebeu todos os delinquentes estavam me batendo, contudo...
Uma outra coi1sa que sempre foi como é, minha constituição.
Apesar de ter tomado socos e chutes, continuei brigando até ter acertado um golpe forte suficiente para fazer os outros correrem, o líder deles, como ela se refere, quem restou, estava manchado do meu sangue.
E depois de tantos golpes, não era uma surpresa ter sangue saindo até da minha boca, é apenas natural.
Acho que é assim como a história ocorreu, o mais próximo da verdade que posso chegar...
Capítulo 15.2
Duas Metades Não Fazem um Inteiro
—Queen... foi por causa disso que eu não segui um caminho de verdadeira... justiça...
—E também por isso que você se irrita quando te chamam de vampiro? Ou quando falam das suas presas?
—Também foi quando nos conhecemos... curioso, não...?
Os dois eventos estavam necessariamente ligados? E se nada daquilo tivesse ocorrido, naquele dia ainda, ainda estaria onde estou? Ou...
“Servo, teu passado é apenas isso, não há valor de lembra-lo, as lições que aprendeste foram recebidas, não podes vencer do que já ocorreu, ou o derrotar. É está uma lição que aprendi pelos séculos, uma a qual todos os humanos deveriam lembrar”
—Hum, nunca pensei que tinha conhecido vocês tão antes da banda, você sabia?...
—Pas du tout. Eu não fazia ideia, o Brose lembrava, no entanto...
—Ele lembrava é...?
A Franziska desviou o olhar e encarou o prato intensamente... eu acho que é bem esse tipo de coisa que eu devia esperar dela, ela não podia mentir, mas entregar o irmão assim podia incomodar qualquer pessoa, eu imagino.
—Ben... euh... digo, não que eu tenha esquecido, non, non! Digo, en fait...
“O coração dela disparou um pouco, servo, o que pensas?”
Eu não podia responder a vampira agora, de jeito nenhum, seja lá o que eu ouvisse em seguida da Franziska, eu sentia... ia ser muito, muito importante:
—Ack, digo, Jack!... Você sabe como eu... estou... ajudando na enfermaria?
—Claro, eu não lembro de um dia em que não era você fazendo isso.
—Porque antes... C'est-à-dire... nem sempre foi assim...
Novamente, ela torceu o rosto e agora parecia estar olhando para a mesa vazia ao nosso lado, ainda assim eu não havia chegado ao ponto.
—O que? Como assim?
—Pergunta para o Brose... não queria falar disso...
Ela torceu o rosto de volta para a mesa, lentamente.
“A moça está travada como um maquinário sem óleo, está segurando o copo tão intensamente que estou surpresa de não haver um pingo na mesa ainda”
Como ela falou, a mão dela estava tremendo também e o suco parecia não querer respingar, ele não cair parecia não-natural.
E apesar disso... dessa vez, eu iria continuar, mas com um pouco mais de cuidado pelo menos, era só não perguntar as coisas erradas, eu pensei:
—Err... então, por que você foi trabalhar na enfermaria então? Eu nunca havia parado para pensar, sendo sincero, mas agora eu realmente queria saber.
—Inspirant, éclatant... foi muito belo, apesar de não achar que é bom você brigar com os outros por causa de desentendimentos...
Ela tomou um gole do suco, imediatamente voltando ao normal então:
—Às vezes, não importa o quanto tentamos evitar, é de certa forma, nature humaine, não é? Nos machucar é... natural. Tomar riscos é tão natural dos humanos e... quando acontecer, não queria ver alguém se arrepender de seguir a própria natureza. Injuste. Você naquele dia pode não ter feito a melhor escolha, mas fez o que achou estar correto.
“Como ela disse... natureza humana”
—Não lembro muito bem no que estava pensando, era só como aquele grupo já tinha entrado para mim como “maus” e qualquer coisa que eles falassem seria errado, ainda, contra alguém bom como o Ritte, era imperdoável o importunar... isso não soa correto mais, ninguém pode ser apenas um herói ou um vilão desde o nascimento...
—Há certamente têindessas* na verdade, “tendências” criadas por genética, mas isso não deve ser o que você diz, sim?
—Quase, mesmo que haja, não consigo imaginar que seja o suficiente para o pôr em um extremo, nem onde tudo que você fizer será sempre correto, ou sempre errado. Talvez sequer haja nada como isso.
—Jack... parece ter pensado bastante sobre isso... agora notei o quanto está articulado... imposant.
Quando ela notou, eu também percebi, quase derrubei o garfo que estava segurando desde o inicio daquela conversa, enquanto a Franziska havia posto uma mão no ombro e tinha olhos bem abertos... eu havia conversado de um jeito bem... diferente com ela.
—Oh, parece que isso tem acontecido ultimamente, há tantas coisas acontecendo, acabei aprendendo com você e com os outros a pensar demais. Devia parar, está me incomodando.
—Realmente não faz tanto o seu... estilo?
—Deixe os detalhes a lado. Não tem mais o que falar sobre aquele dia, então, o que aconteceu exatamente naquele dia? Sequer podemos ter certeza?
A Franziska pôs o copo na mesa e olhou para o alto, pensativa um minuto, então concluiu:
—Para mim, Jack, o que houve foi o dia onde todo o meu presente foi definido... foi o que aconteceu. A banda, vocês e o meu futuro... notre futur.
Daquela forma, parecia que não tinha escolha senão falar algo também...
—Sim. Para mim também, mesmo se algumas coisas não saíram exatamente como queria, agora eu posso ir para encontros com você desse jeito e... a banda, não tenho como reclamar do meu presente, portanto, não há nada errado em meu passado, algo assim...
“Foi como disse, espero muito de você, servo”
E depois de comer em silêncio, em uma paz que não tínhamos a semanas, talvez uma não alcançada a anos... ela perguntou.
—Jack, o que isso tutinha* digo, como aquilo se liga com você não querer entrar naquela casa mais cedo?
—...!
Afinal, só tínhamos falado tudo aquilo por causa de um acidente, havia esquecido disso.
—Isso, vou ser direto. Pode parecer bem estranho, mas é a verdade, na verdade... é melhor mostrar do que contar, vamos para algum canto escuro. Ninguém mais pode ver isso.
—...?
Apesar de ter um rosto confuso, ela mesma apontou para onde devíamos ir, saímos por uma porta dos fundos, onde só era um terreno com um jardim, digo, talvez uma plantação descreva melhor...? Havia batatas e tomates.
—Será que eles tiram os ingredientes daqui...?
Felizmente não tinha câmeras por lá, foi bem fácil de chegar também, quando fechamos a porta... podia sentir que ninguém estava nos observando mais.
“Servo... você não está pensando em...”
—Pronto, está na hora... Alice, sim. Eu estou pedindo para você...
“Cuidado!”
Quando ela gritou isso em minha mente, percebi o acelerar de cada coração ao redor, um sinal claro de que algo ocorria dentro do restaurante enquanto estava falando com a Franziska.
Então, o som de disparos veio, ainda do restaurante.
—Queen! Cuidado!
A joguei para longe da porta, pensando que alguém poderia vir, porém... esse não era o caso.
“Olhe além da porta...”
Ela falou, quando notei uma brecha entre o metal e o portal, mais que suficiente para observar o lado de dentro.
—Instituto! Apareçam onde quer que estejam!
Quem falou isso era um corsário, ele tinha um fuzil enorme, do tamanho de uma metralhadora até, nas mãos, uma arma de guerra e como sempre, na cintura, uma espada velha, porém cuidada para ainda ser capaz de cortar por carne.
—Ou...
Falava outro corsário, com sua espada encostada no pescoço de um homem de terno e óculos.
Olhei para cima.
Estava bem longe da noite ainda, devia ser algumas horas após o meio-dia apenas. Mas eu não tinha como esperar mais.
—Franziska, são só dois deles, estão chamando pelo instituto...
—Nous... somos nós... do ponto de vista dos corsários, não há diferença entre nossa banda e aqueles cinco, os que derrotaram Ben Verrat.
—É... você tem que se esconder, eu vou conseguir lidar com os dois. Ao menos distrai-los por um tempo.
A deixei ali, escondida atrás daquelas paredes e estava prestes a partir por aquela porta...
—Mas estão armados...!
Contudo... eu, naquele instante lembrei, eu havia aprendido uma lição antes, não podia sair daquele jeito, havia uma coisa ainda para dizer:
—Confie em mim, eles não parecem nem de longe bons como a capitã, serem dois ainda é um problema, porém sem riscos... você entendeu.
—...
—Então?
—Ok! Allons-y!
Chutei a porta, os dois imediatamente perderam a atenção no resto do local, no outro instante entenderam o que havia ocorrido.
—Achamos!
Sorri, ao ver quem estava atrás deles.
—Vamos! Roi!
Eu gritei e corri com tudo o que tinha contra os dois corsários, não era tanto espaço, porém era suficiente para um deles atirar bastante em minha direção.
“Se prepare! Servo!”
Mesmo com aquilo, não podia imaginar para o que ia ter de me preparar.
Em um instante, balas de alguns milímetros, uma centena delas atravessaram meu corpo mais rápido que o som, nada se salvou. Meus ossos quebraram, alguns órgãos foram partidos ao meio e uma poça do meu sangue se formou no chão.
Quando cheguei a ouvi as balas. Eu caí no chão.
—
A única coisa que ainda sentia era meu coração batendo, porém até meu pulmão havia sido perfurado algumas vezes. Quando tentei respirar, o ar entrava, mas passava pelos furos, ainda assim... apesar de todo o dano que sustentei.
Ela ainda me dizia.
“Foi por pouco. Você não vai morrer ainda”
—Menos um! Há! Vamos ficar ricos! Até hoje nunca conseguiram matar um deles!
Enquanto eles comemoravam a minha morte, sentiam um sinal de felicidade por imaginar terem vencido.
—Já passei... por coisas piores!
Apesar de tudo o que já tinha passado, apesar de ver tudo em vermelho com o sangue. Estava me levantando.
Metade do meu corpo primeiro, com os braços, então arrastei meu joelho para levantar o resto. Um pouco mais e já estava quase de pé.
—...! Atire! Volte a atirar!
O corsário espadachim falou, então correu em minha direção, pensando que iria me finalizar assim.
—Vocês acham que só isso era suficiente?! Covardes! Vocês vão queimar!
Quando me pôs de pé novamente. Faltava muito pouco para o espadachim me alcançar. O outro parecia ter deixado a arma cair num susto, sorte minha, acho.
Podia tentar tirar a espada dele, como treinei tanto, mas...
O mundo começou a girar, quase cai novamente, porém meu corpo foi paralisado na posição anterior, como se tivesse virado pedra.
—Alice... você pode lutar com ele por mim? Acho que ocorreu um imprevisto...!
“É impossível! Se defenda!”
Foi quando a luta terminou.
Em vez de ir atrás da arma, uma espécie de instinto veio após conversar com a vampira que fingia ser minha sombra.
Minhas mãos foram em direção a ele, mas não na espada, para o pescoço.
Perdi o equilíbrio, mas preso a ele, minhas mãos na forma de garras o apertando com tudo o que tinha.
—...!
Finquei minhas presas no pescoço dele, isso deixou fácil para a espada fincar no meu peito, ela foi ainda mais fundo, mas... como vi minha mestra fazer várias vezes já...
Enquanto a minha luta terminava...
Roi ainda estava com um rosto indiferente, o mesmo que fazia durante os treinos.
Ela correu até o homem com a arma, pulou meia dúzia de metros e com apenas uma mão se segurou nele. O homem certamente tinha o triplo do peso dela, porém esse era o ponto. Ela não era bruta como eu, seu corpo era leve como uma pluma, portanto ela se movia como uma ave.
Logo, com a outra mão ela puxou um bastão e em outro movimento o fincou no homem.
Ele gritou e se debateu, me lembrando exatamente dos loucos ao serem derrotados pelo choque da Une. E como eles, aquele corsário também caiu.
Enquanto isso, o espadachim em minha frente estava paralisado, talvez como um efeito de ter o sangue tirado tão velozmente, ou apenas por estar chocado.
A Roi correu até ele também, quando a vi perto de mais, tirei minhas presas com um repelão, arrancando a espada do meu peito e jogando o corsário para ela.
Então ele caiu em cima do bastão e também convulsionou até a Roi o retirar.
Também, como o outro, ele caiu no chão.
Menos de dez segundos se passaram, mas a luta tinha sido resolvida.
“Vosmecê é fantástico!... nunca pensei que iria tomar o sangue dele desse jeito...!”
Do chão, na poça do meu próprio sangue, a Roi estava me olhando, ainda sem expressar nada em especial.
—Precisa ir a um hospital. Logo.
—Err... só temos de voltar para casa... não foi tão ruim assim...
Não sentia mais uma ameaça de morrer. Apesar de ter órgãos partidos ao meio, os sentia se conectando novamente, minha respiração tinha voltado a funcionar, estranhamente.
—Ah! Jack!
—Não chegue muito perto... vai sujar a sua roupa...
Eu insisti que não seria necessário, mas as duas tiveram de segurar meus braços e eu fui arrastado até um ostium, quando voltamos para casa, logo em seguida, à única pessoa a quem podia confiar de tratar um caso extremo como esses...
—Muito obrigado, doutora Kutt, eu não sei o que faria sem você...
—Nem eu, você é quase, quase a única pessoa que visita essa clínica tanto. Também o único que me vem com... o que houve? Uma briga de gangues?
Ela dizia enquanto escrevia com força em sua prancheta, o barulho da ponta passando pelo papel lembrava o de uma lâmina tentando cortar aço.
—Desculpa doutora... ele insistiu em vir até aqui em vez do hospital local...
—Não fale isso no lugar dele, garotinha, sou eu quem deveria pôr ele no lugar, apesar de que alguma ajuda seria, seria agradável.
—Sim, doutora!
—Com licença agora, vou, vou e vou buscar alguns aparelhos antigos.
Ela se levantou, jogou a prancheta na mesa e foi para uma sala ainda mais para dentro da clínica, uma a qual nunca entrei antes.
Bem oportuno...
—Roi, o que foi aquilo na sua mão? Aquele... bastão.
—Isso?
Ela puxou novamente, ele parecia um pouco diferente, mas não diria como sendo outro bastão, imaginei se ele havia sido danificado.
Acenei para confirmar, quando ela continuou.
—É para me defender. A arma que escolhi.
—Sim, você parecia bem apta usando isso até...
—Não é muito mais pesado que baquetas, mais leve ainda que uma espada.
—...!
—Roy, onde você conseguiu isso? Não deve ser fácil assim...
—É fácil. Ainda mais com o dinheiro que ganhamos. A Une o melhorou, no entanto.
—Sem contar para ninguém ainda. Eu devia fazer algo sobre aquela... gótica arrogante de... grr... ah, não consigo me irritar.
Apesar de eu querer estar sozinho, fora a Roi, ainda havia uma terceira pessoa naquela sala, o rosto dela não me dava nenhuma calma também:
—Jack, afinal, como você sô... sobreviveu aquilo? E o que houve com aquele corsário que tinha uma espada mesmo? E o outro?!
—A doutora ainda está aqui, eu mostro na próxima chance, eu prometo...
“Servo, deixarei claro que sou contra vossa decisão, entretanto, caso vos queira apresentar-te, o faça a todos teus amigos duma vez”
—E o farei a todos os outros também, ao mesmo tempo.
—Ah... oui, sim, nós vamos esperar do lado de fora e ligar para os outros, contar o que aconteceu, isso tudo... tout à coup. Foi bem repentino.
—Por favor...
Roi e Queen saem da cena.
A doutora Kutt volta.
—Você parece saudável, vá para casa.
—...?
—Não achei o que procurava, pode vir outro dia e ver se achei, mas não hoje.
—Doutora!...
—Já disse que está saudável. Sua condição certamente terá uma leve. Leve, mas rápida acentuação. E isso infelizmente não pode ser remediado. Volte quando notar diferenças para exames.
—Ah... certo, já te importunei suficiente para hoje...
Me levantei, porém bem derrotado, quase fui arrastado pela força da Alice para fora da clínica.
“Tens uma condição, servo? Tente não se deixar abalar por ela, tive de exercer controle direto sobre teu corpo naquele momento”
—Falar é fácil...
“Ainda mais enquanto estava concentrada em o manter vivo, achas que um humano viveria com órgãos dilacerados como tu estavas? Foi um desafio”
—Conversamos depois...
Do lado de fora da clínica, as duas confirmaram terem avisado do que houve no restaurante e de termos achado o esconderijo. Logo começaríamos a planejar nossa ação, nosso ataque.
Entender a geografia dos arredores, onde haveria outro ostium, conseguir o possível sobre a arquitetura do esconderijo, então iriamos atacar com tudo.
Além de que... como a Franziska deixou claro:
—Você vai explicar tudo, s'il vous plaît. Isso é... por favor. Quando todos nos reunirmos...
Eu não planejava voltar atrás depois de tudo isso.
“Servo, se vais me revelar, tenho de pedir-lhe uma compensação, sim?”
—Diga... a culpa é minha de todo jeito. Peça o que quiser.
Essa escolha de palavras...
Mais tarde, cheguei em casa horas após ter contado isso.
—Jack, finalmente...! o que é tudo isso?!
Ele provavelmente se referia as sacolas em minhas mãos.
—A marca... você estava comprando roupas... err, certo...
—Depois eu explico isso.
—Então o faça no máximo em uma semana, ou vou esquecer.
—Claro.
Quando estava subindo as escadas...
“Não senti a menor insinuação de quem estava contando a verdade em tuas palavras”
—Explicar isso para o meu pai já seria... err, melhor não.
Já estava de noite, deixei as cortinas abertas, fechei a porta e Alice não demorou para se mostrar.
—Pronto... trouxe todos os livros e comprei várias roupas para você.
—Vossa performance foi mais do que eficiente. Irei escolher algo mais apresentável para os outros humanos.
—É necessário assim...? Afinal, de onde vem esse seu vestido verde?
Nunca havia pensado muito, mas ela sempre estava com o mesmo vestido desde que a encontrei, ou melhor, quando ela mudou de forma, ele havia mudado, mas fora isso era a mesma coisa.
—Faz parte da minha projeção, não tenho controle algum sobre a minha aparência atual.
—Pensei que sua aparência seria só como você era quando mais nova... alguns séculos atrás.
—Trata-se duma narrativa interessante, entretanto uma a qual não é necessariamente verdadeira. Afinal, perdi a memória de minha vida.
—Sim...
“Ela... não lembra nem como se parecia...?”
—Oh! Lembrei-me, entretanto, duma cousa, o que pensavas ao me apresentar como tua irmã àquela moça? Nem neste mundo nem em qualquer outro isso soaria razoável.
Quando a mulher do caixa perguntou... essa havia sido a mentira que eu inventei.
—Foi ela que sugeriu, era fácil. Podíamos ser irmãos por causa de adoção, sabe? Algo assim.
—Huff!
Ela parecia descontente mesmo enquanto fazia comentários sobre as roupas, mesmo quando dizia ter gostado.
Ainda mais tarde, precisei ficar sentado no chão do banheiro enquanto ela tomava banho, ouvi da Alice em outro dia que tomar banho era desnecessário por causa da natureza vampírica dela, ainda assim, não me sobrava disposição para apontar essa contradição.
—Nisso, Alice...
—Hum? Me chamou?
Mesmo entre o som de água e com o eco causado pelas paredes não tão distantes umas das outras, a voz dela ainda soava clara para mim.
—Isso, o que houve quando eu ataquei aquele corsário? Não pude entender muito bem, foi rápido demais...
—O sangue dele foi usado por mim, imediatamente pude fortalecer tua cura, por isto no fim do dia já estás de ambos pés no chão.
—Sim... foi rápido demais até para mim. Tem mais alguma coisa que não saiba? Pelo o que entendo dos mitos...
—Não senti a vitalidade do homem ser tomada por completo, ele certamente está enfraquecido e não lutara por pelo menos uma lua, contudo certamente estará vivo.
“Puro acaso...” era o que pensava, eu tinha certeza de que ela não mentia, ainda assim... eu não tinha como ignorar o que havia feito.
—Ótimo, ainda bem. Além disso, ainda nesse tópico, como exatamente uma pessoa vira um vampiro? Digo, normalmente...
—...
Não recebi uma resposta.
Por aquela noite, ela não virou a minha sombra outra vez, em vez disso, quando a vi sentada em frente a janela, olhando para a lua, eu me sentei ao lado dela.
Em silêncio, vimos a fonte do nosso poder. Atravessar o céu.
Por aquela noite... olhei para o poder necessário para vencer os corsários, a troca a qual decidi realizar para os vencer.
Neste dia usei os poderes de um vampiro para tomar parte da vida de meu inimigo, eu decidi que ele poderia morrer para que eu vivesse, não havia como voltar atrás no que era.
Um meio-humano, meio-vampiro. Um pseudo-vampiro e um pseudo-humano.
Todo os meus poderes, seja como os de um humano, como os de vampiro, eu iria os usar para vencer, em respeito ao meu adversário. Tudo que for possível.
Fale com o autor