Oscar Zulu - a Sad History

1 Capítulo Único - Oscar Zulu


Notas iniciais
Eu nunca joguei Fallout 3 na minha vida, mas esses dias me deparei com uma coisa que me deixou triste no jogo, sei que é um jogo, mas... É uma coisa muito triste, neste jogo há várias estações de rádio, mas esta é uma das únicas que transmitem vozes humanas, no caso, a mensagem que está descrita no texto. Pesquisei e decidi criar uma história, uma teoria que imaginei, mesmo quem não joga Fallout 3 vai entender a fic, então, espero que goste. Transmissão no Radio: http://youtu.be/ksljCGa_V0A Historia do jogo: http://pt.wikipedia.org/wiki/Fallout_3#Hist.C3.B3ria

Robert caminhava pelas pedras da superfície rochosa daquelas montanhas, não havia vegetação e nem luz solar, as nuvens escuras predominavam o céu, o vento frio soprava e não havia som algum além de seus passos e do próprio vento. Tudo o que o mantinha vivo era sua mulher e seu filho, mas Robert sabia que logo, os três não agüentariam mais viver naquele mundo morto. Fazia mais de uma semana desde que vira as explosões nucleares, a guerra entre China e Estados Unidos não podia acabar de outra forma, sua família não conseguira entrar nas Valts, os túneis construídos para abrigar famílias caso houvesse um ataque nuclear, de alguma forma, seu filho contraiu a radiação de forma rápida.

Ele chegou até um tubo do que parecia ser de ventilação em meio as pedras, abriu a tampa e desceu as escadas, caminhou pelo túnel vazio até sua esposa aparecer com uma faca nas mãos.

— Robert! — Disse ela, se sentindo aliviada, mas ao mesmo tempo desesperada, correndo para abraçar seu marido.

— Sou eu... Como ele está?

— Ah, Robert... Ele está muito doente... Eu não quero perdê-lo... — Respondeu ela, já chorando.

Robert caminhou até o outro cômodo de metal, a criança, um menino de aproximadamente quatro anos, cheio de lesões pelo corpo, causados pela radiação, olhou para o pai e apenas conseguiu sorrir.

— Bob, a comida e a água estão acabando... — Disse a mulher, ainda soluçando.

Robert abraçou sua mulher e a beijou, o fez de tal forma que ela conseguisse enxugar as poucas lágrimas que conseguia chorar em seu peito, Robert sabia que não haveria outra saída, eles iriam morrer, já tentara resolver o que estava acontecendo, tinha dois livros que não tinham sido destruídos pelas explosões, sendo que uma delas era sobre medicina, mas não havia nada a fazer. Porem, Robert teve uma idéia arriscada, mas era a única coisa que restava a fazer. Ou pelo menos tentar.

Caminhou até o outro cômodo, logo de frente para o "quarto" do garoto, lá havia uma mesa e um aparelho de rádio, sentou-se na cadeira e gravou uma mensagem no microfone.

"Se alguém puder ouvir isto, aqui é Bob Anderstein. Eu e minha família nos refugiamos em uma câmara de drenagem não muito longe de uma torre de rádio fora de D.C. Meu filho está muito doente, precisa de assistência médica. Por favor me ajude se puder. Estamos ouvindo a sua resposta. 3950 kilohertz"

Robert abaixou sua cabeça e colocou a gravação como transmissão ao vivo. Se levantou irritado, deu um soco em um monitor na mesa, queimando-o. Chutou a cadeira e saiu da sala fechando a porta de metal.

Sua esposa o abraçou, enquanto ele caía de joelhos no chão, tentando chorar, mas nenhuma gota de água saía de seus olhos.

Esperaram por dois dias, o máximo que conseguiram agüentar sem comida ou água, os dois apenas alimentavam seu filho doente com o resto que havia.

A mulher deu um beijo na testa de seu filho e deitou-se no chão frio de metal para tentar dormir, Bob fez o mesmo, deitando-se a sua direita, olhou para a sua esposa e disse:

— Eu te amo.

— Também te amo. — Respondeu ela, com voz rouca.

Ali adormeceram, desta vez para sempre. Seus corações pararam de bater e a difícil respiração cessou. Depois de duas horas, um homem aparentando ter quarenta anos, outro de vinte e uma mulher de aproximadamente trinta anos, desceram as escadas e vasculharam o lugar, atraídos pela mensagem no rádio.

Encontraram o casal no chão e a criança na cama, o garoto de vinte anos checou os pulsos dos dois adultos e confirmou que estavam mortos, o homem mais velho suspirou, entristecido.

— John... Precisamos levá-lo conosco. — Disse a mulher, sentada ao lado da cama onde a criança estava.

— Eles morreram faz pouco tempo, pai. — Disse o mais novo.

— Tudo bem... Vamos sair logo daqui. — Concordou o homem.

Os três subiram as escadas novamente, a mulher carregava o garoto no colo enquanto os outros dois carregavam armas, desceram a rochosa colina, em direção a seu esconderijo, desaparecendo em meio à neblina de poeira que se formava sobre a superfície arrasada de um planeta destruído.

Por mais de cem anos a triste mensagem continuou sendo transmitida em looping até parar. Em 2277, a mesma mensagem voltou a tocar por alguns minutos, logo cessando novamente, desta vez para sempre. Especula-se que alguém foi ate lá e a desligou, o que se sabe é que isso foi apenas um homem e uma mulher que se amavam, vítimas da guerra nuclear de 2077, tentando salvar o que restou de suas vidas... O mais próximo de uma família que tinham... O que restou do amor entre os dois.

Notas finais
Para os fãs do jogo, se houver algum erro ou algo do tipo, me perdoem, como eu disse, nunca joguei Fallout 3 antes.
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!