Notas iniciais
Eu queria dedicar este capítulo a meus amigos Eduardo e Carol, que acharam que eu não tinha escrito este capítulo. Então, espero que gostem!

Shan

Depois de Kyle ter me derrubado, o que eu achei impressionante, já que ele nunca mostrou ser mais forte ou rápido do que eu. Ele olhou para mim com ar acusatório. Ele devia estar pensando que agora teríamos a conversa que eu disse que faríamos se ele me pegasse, e achando que eu cumpriria.

– Agora temos que ter uma conversa! – ele falou e eu assenti. Então ele saiu de cima de mim e me deu a mão para que eu levantasse. Segurei-a e me levantei. Quase na mesma hora eu tentei dar um soco em seu rosto. Se ele ficasse apagado, ele não conseguiria saber para onde eu fui e não poderia me seguir, e estaria a salvo. Não me agradava fazer isso com meu melhor amigo, mas eu precisava. Então meu plano deu totalmente errado. Ele desviou facilmente de meu soco. Dei mais outros dois socos e uma rasteira. Ele desviou de tudo. Decidi engana-lo então. Fingi que ia dar um soco de direita e de última hora eu dei um de esquerda com toda minha força mirando em seu rosto. Mas ele o segurou como se meu soco fosse leve como uma pena.

– Acho que é minha vez agora! – Kyle disse e puxou minha mão com uma força que eu nunca tinha visto. Enquanto eu era puxado para frente ele me deu um chute no traseiro e eu cai de cara no chão. Eu me virei e vi que ele já estava em pé na minha frente. Só me lembro de ver sua mão grande e pesada vinda em direção ao meu rosto e eu apaguei.

˚ ˚ ˚

Quando acordei, eu estava no banco do passageiro de um carro. Kyle estava dirigindo ao meu lado e... ELE ESTAVA SEM SUAS CALÇAS! Eu gritei, mas não porque Kyle estava sem calças, mas porque em vez de pernas normais, ele tinha pernas de um bode! Eu estava paralisado. Não era fácil receber a notícia de que sua família inteira está morta e seu amigo é metade humano metade bode.

– Ah, você acordou! – ele disse como se fosse não ligasse que eu visse suas pernas de bode – Você não deve estar entendendo nada sobre minhas pernas de bode né? — ele falou e eu pensei “Ah, de onde você tirou esta brilhante conclusão? Talvez porque eu estivesse boquiaberto apontando para suas pernas e sem conseguir falar nada.”, mas não falei nada porque não conseguia no momento.

– Ok! Vamos começar devagar: Eu sou um sátiro, metade homem metade bode. Meu nome não é Kyle, é Etnos, só que quando estou com mortais eu uso meu nome falso para não chamar atenção. Você deve querer saber por que eu usei a palavra mortais, não? Bem, como eu explico isso de uma maneira simples que ainda não seja muito confusa. Os deuses gregos existem e tem filhos com mortais. Ou melhor, os deuses gregos existiam e tinham filhos com mortais. Também existem criaturas mitológicas que nem sátiros, ninfas e muitos monstros. Monstros são atraídos por semideuses ou por gente como você. Pessoas como você não são filhos de deuses, mas foram escolhidos por eles para poderem salvá-los. Compreendeu tudo?

Ele falou tão rápido que eu não consegui entender nada, mas se eu falasse que não, ele iria tentar explicar tudo de novo e minha cabeça iria explodir. Então disse somente – Entendi.

– Estamos quase chegando – Kyle, quer dizer, Etnos, disse.

– Aonde? – perguntei, decidindo arriscar mais uma explicação confusa, longa e chata.

– Ao Acampamento Meio-Sangue – ele disse – Lá era onde os semideuses ficavam a salvo dos monstros. Nenhum mortal ou monstro pode entrar lá.

– Você não disse que eu sou um mortal? – eu perguntei, lembrando-me de uma das coisas que ele tinha me dito – Então como eu poderei entrar?

– Pensei que não estivesse prestando atenção – ele disse – Um deus escolheu você e lhe deu parte de seus poderes. Então você é humano, mas tem parte de um deus.

– E que deus é esse? – eu perguntei curioso.

– Pensei que nunca ia perguntar – Etnos disse sorrindo – Eu estou tentando descobrir isto desde que eu te encontrei. O seu perfil é de um cara rebelde, corajoso e meio irritado. – ele disse e eu lhe dei um olhar mortífero, mas ele continuou como se não o tivesse percebido – Então eu tenho quase certeza que seu patrono é Ares, o deus da guerra.

Pela segunda vez no dia, eu fiquei boquiaberto. Eu não tinha como acreditar naquilo! O deus da guerra havia me escolhido como o seu herói. Aquilo era como uma honra. Lembrei então de minha mãe e de minha irmã. Minha irmã foi morta de um jeito brutal por causa daquele deus.

Eu nunca quis ser escolhido! Se aquele deus idiota não tivesse me escolhido, minha família ainda estaria viva e eu estaria em casa brincado feliz com minha irmã. Senti uma lágrima escorrendo pelo meu rosto e várias outras vieram depois. Eu estava com raiva dos deuses. Eles arrumam problemas e jogam todos para cima de outras pessoas. Quando eu me metia em algum problema, eu tinha que resolvê-lo sozinho!

– Sei que você deve estar inconformado com isso, mas entenda que os deuses têm seus motivos para escolher um mortal. – Etnos disse – Há coisas que os impedem de lutar certas lutas por si sós. Se eles continuassem tentando lutar sozinhos, o mundo todo deveria já estar morto, inclusive a sua família.

Eu ainda estava com raiva dos deuses, mas eu confiava em Kyle e acreditava que ele estava falando a verdade. Os deuses não mereciam minha raiva. Claro, eles agiram errado ao colocar seus problemas no ombro de mortais e acabar tirando deles tudo o que conhecia. Mas quem merecia minha vingança não eram os deuses. Quem merecia minha verdadeira vingança eram os monstros e o homem que tinha os mandado atacar minha família. Se ele acha que pode matar toda minha família e ainda sair impune, ele está muito enganado.

˚ ˚ ˚

Chegamos ao Acampamento Meio-Sangue e Etnos me apresentou a um cara chamado Jason. Ele falou que ainda havia duas campistas que tinham saído: Julia e Jolie. Etnos disse que tinham que revisar algumas coisas na Casa Grande e, por enquanto, Jason deveria me apresentar o Acampamento.

Primeiro ele me apresentou a arena. Falou que lá deveríamos treinar nossas lutas e que depois veria minha arma. Depois ele me mostrou a floresta e me preveniu a não entrar lá sozinho, se não eu poderia nunca mais voltar. Ele me mostrou a parede de escaladas e disse que escorreria lava enquanto eu subisse. Eu não acreditei e ele me desafiou a subir. Quando desci eu estava, digamos que, frito. Depois fomos aos chalés. Ele disse que o meu era o chalé 5 e que eu deveria tomar um banho porque depois íamos jantar.

Meu chalé era de um vermelho-vivo mal pintado. O seu telhado era coberto por arame farpado e havia uma cabeça de javali pregada em cima da porta central. Dentro do chalé não era muito melhor. As paredes eram de um mármore escuro e os únicos enfeites eram armas entalhadas nelas. No final do corredor havia uma lança. Ela era de um bronze que eu nunca havia visto. Havia um quadro logo embaixo dizendo algo sobre aquilo ser o objeto mais precioso da mais habilidosa filha de Ares que já existiu, Clarisse.

Peguei o quadro na mão e o analisei. Ele não combinava muito com a estrutura grossa do lugar. Ele era delicado e bonito. Girei o quadro em minhas mãos e percebi que havia mais um bilhete atrás do quadro. Suas palavras eram escritas em uma caligrafia grossa e horrível. Eu li:

“Chute a bunda de uns monstros por mim, Ares”.

Era curto e direto. Acho que o deus da guerra não gosta muito de escrever. Então eu tive uma certeza: Aquele bilhete e aquela arma eram para mim.

Notas finais
Gostaram? Mereço algum reviem ou recomendação?
Alias, vocês poderiam mandar o maior medo de seus personagens? Talvez eu use o de alguns.
Obrigado!