Os seis assassinatos
1 o massacre da família Walker
Arrastara seus cabelos jovens para trás, chegando perto da velha foto de família, lembrava-se daquele breve momento em que ele se encontrava feliz em meio a vários outros rostos sorridentes. Bem, mais ou menos, aquele registro iconográfico da história da família, estava repleto de sorrisos forçados.
Aquela clássica foto de uma família feliz, próxima a uma arvore de natal, interditada de presentes, sinal de que são Nicolau chegara, e entre seus dedos gorduchos, carregava um roliço saco de presentes, um saco repleto de sonhos desperdiçados, de mentiras mal contadas de que o bom velhinho realmente existia, de que produzia aqueles produtos em sua mágica fabrica de brinquedos, cujos trabalhadores explorados, eram homenzinhos verdes e baixinhos conhecidos como elfos, de que entregava bilhões de brinquedos em apenas uma noite. Junto com o mesmo, vinha Krampus, um demônio natalino que levava as crianças mal comportadas para o inferno.
Mas agora sabia que tudo era mito, na verdade, desconfiara disso desde pequeno, sabia que milagres não ocorriam, sabia que aquele homem não era nada mais do que um sujeito velho e gordo que vivera muitos anos atrás, e que doava presentes a crianças necessitadas. E acima de tudo, sabia que por trás daqueles sorrisos falsos, havia um relevo, um relevo irregular cuidadosamente elaborado para que só coubesse naquele buraco, a chave daquele pequeno cofre que se encaixava perfeitamente dentro da gaveta do banheiro, o local perfeito, para que ninguém pudesse suspeitar, que por trás daquela rústica peça de madeira, situavam-se as mais preciosas jóias da cidade, quem diria que a matriarca e antepenúltima componente da família Walker, esconderia seus bens em uma velha gaveta de banheiro?
mas agora não importava mais, já estavam todos mortos, tudo por sua causa, porem ninguém suspeitava, ninguém suspeitava que a grande chacina que detonou a família mais rica da cidade, fora causada por um garoto de dez anos.
agora, vivia com o pai. O menos insuportável da família. A única pessoa a quem ele não faria mal algum, pois se algo o acontecesse, o pobre menino, seria levado para um orfanato. Onde passaria o resto da vida, lamentando-se pelo que fizera
um enorme brilho, percorrera seus olhos, o membro menos insuportável da família Walker voltara de mais um dia de trabalho.
seus passos pesados, percorreram o corredor, finalmente revelando sua imagem alta, já faziam dois meses que os dois quase não se falavam, a chacina da família, fora um evento um tanto estressante para o homem.
fechara a porta com um som surdo e logo fitara o filho, que rapidamente abrira o pequeno cofre com a chave que há dias era procurada pelos dois a fim de abrirem-no.
—onde achou a chave? — Perguntou melancolicamente
—Naquele porta retrato — os dois fitaram o utensílio por poucos segundos.
—Filho, tenho que falar com você — disse sentando-se em um pequeno banco puxado pelo mesmo.
—o que? — perguntou o jovem sentando-se no sofá logo á sua frente.
—bom, eu andei percebendo, que você não pareceu se importar muito com o... "incidente"
—Eu realmente não liguei muito
—Olha, sua família foi... Morta, sei que você deve estar impressionado agora, e tem razão para estar mesmo, só não quero que esconda seus sentimentos.
—Mas, pai, eu não to impressionado, todos temos que morrer um dia certo?
—Certo — disse o pai, mas...
—Eu acho que o momento deles foi agora. — disse friamente
—Olha, eu tô tentando ter uma conversa de pai para filho...
—Mas talvez eu não queira ter uma conversa de pai para filho, talvez isso me deixe mais aberto, e eu não quero ficar mais aberto, para não contar... Sabe? O que não devia, o que eu não quero que você saiba. — após essas palavras, rapidamente, subiu as escadas para seu quarto
—Jonathan, volte aqui, o que você não quer que eu saiba?...
mesmo ouvindo a pergunta do pai, o menino continuara subindo as escadas com desdem, sem saber que suas simples palavras, gerariam ao pai uma elaborada pesquisa para descobrir o responsável pelo assassinato da família.
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