Notas iniciais
Olá! Espero que gostem de Lucy e companhia...

–Ei, tia, o que comeremos hoje?

Palavras ameaçaram sair da boca de Lucy, mas desapareceram assim que ela percebeu a gravidade do problema. Não queria assustar a pobre criança, mas também não queria mentir. A comida naquele mês estava mais escassa do que nunca, pois o número de integrantes novos crescia de uma maneira desproporcional aos alimentos conquistados.

–Você pode esperar só mais um pouquinho? A tia já vai buscar a comida pra vocês – Respondeu Lucy, tentando fazer um sorriso da forma mais verdadeira possível – Vá lá brincar com as outras crianças, vá!

Após olhar seu estoque de comida, percebeu que precisava reabastece-lo. Uma tarefa cada vês mais difícil, já que a caça e a colheita estavam sempre sendo vigiadas por guardas do Centro. E se isso já não bastasse, naquele mês havia reforços. E não qualquer reforço. Eles eram da Elite. Lucy abaixou sua cabeça de modo a tentar tirar todo peso do mundo de suas costas, e este peso transformou-se em lágrimas quentes, que escorriam pelo seu belo rosto.

–Tia, está tudo bem com você? Por que você está chorando? – A criança havia voltado.

–Não é nada não, só um cisco que entrou dentro do meu olho, não se preocupe, tá? Volte a brincar.

Lucy saiu da casa abandonada (que já não estava mais abandonada), e se dirigiu à floresta em busca de alimentos (Na verdade, o esconderijo ficava na entrada da floresta, então não teve de andar muito). Ela já havia planejado tudo, detalhe por detalhe, com o objetivo de conseguir levar algo de comer para aquelas crianças inocentes. Sua mente já fervia e seu corpo se estremecia, quando avistou os guardas trocarem de turno. Neste momento, aproveitou a distração de ambos e se infiltrou na floresta.

Ao longe, avistou um alce. –Essa é minha chance – Pensou. Retirou uma flecha de sua aljava e armou-a em seu arco. Pacientemente, apontou a flecha para o alce, calculando a distância para um tiro perfeito. Fechou o olho direito para aumentar ainda mais a precisão, e então disparou.

A flecha percorreu a floresta numa velocidade estrondosa, e se dirigia exatamente para a cabeça do alce. Mas inesperadamente, um corpo entra na frente do alce e o sangue jorra do braço do mesmo.

–Ai meu Deus – Dizia Lucy à si mesma – Ai meu Deus, eu machuquei uma pessoa!

Lucy correu para ajudar o ferido. Quando chegou perto, ouviu o menino gritar:

–Eu estou bem, pegue o alce e me dê metade que estaremos quites!

Sem pensar duas vezes, ela preparou seu arco e, com uma assustadora precisão, acertou o animal que já correra cem metros. O alce desabou na neve.

–Estamos quites? – Perguntou Lucy

–É, digamos que sim. Aonde você aprendeu a atirar essa coisa tão bem?

–Com as estrelas, elas me guiaram.

–Pede para as estrelas me ensinarem também.

–Para aprender, não é necessária nenhuma permissão. Basta treinar ao brilho das estrelas, na escuridão da noite, que qualquer feixe de luz se movimentando aqui na Terra guiará sua mente ao que deseja. A escuridão é o melhor caminho para se chegar ao amanhecer perfeito!

–Muito trabalhoso para mim. Além disso, já me dou bem com minha espada e meu escudo, não preciso disso. Aliás, você não me disse o seu nome. É o mínimo que pode fazer depois de quase me matar.

–Desculpe, meu nome é Lucy. E o teu?

–Nathan.

–Metade deste animal não vai servir para muita coisa, então vou ter que continuar caçando.

–Você precisa alimentar tantas pessoas assim é? – Disse Nathan, em tom de deboche

–Claro que não, quero apenas estocar o alimento para mim. –Mentiu Lucy, com o objetivo de proteger as pobres crianças, onde tamanha inocência era motivo o bastante para cegar os olhos de tal seres, e essa ausência de visão deste tenebroso mundo fazia com que as imaginações delas se soltassem, o que deixava Lucy muito feliz, já que naquela época as crianças não tinham liberdade alguma. (Aliás, ninguém tinha)

Já com ambos de pé, repartido a carne e preparados para partirem cada um para seu rumo, aparece do horizonte uma garota muito bela, cuja voz suave estava sendo emitida em um tom elevado.

–Nathan, Nathan! Os guardas estão voltando, e têm muitos da Elite, temos de correr!

Tanto Nathan quanto Lucy se assustaram, já que ainda não havia caído a ficha de tamanho perigo.

–-Então vamos voltar para o nosso lar, rápido! — Disse Nathan, apavorado.

–Não dá mais tempo, eles já estão muito perto! Teremos que ir para o outro lado da cidade.

Lucy observava a cena sem entender muita coisa. Já ouvira falar dos soldados de Elite, e até mesmo já vira alguns, mas nunca em ação. Mas uma coisa era certa: Se havia tanto medo, é porque as habilidades deles não eram tão comuns.

–Do outro lado, a segurança é sempre mais reforçada. Há guardas por todos os lugares, já que é a parte mais rica da cidade. É bem provável que o Centro tenha descoberto o esconderijo de vocês, e não descansarão até conseguir acabar com aqueles que não seguem sua filosofia. Respondeu Lucy, de uma certa forma, se intrometendo na discussão daqueles dois estranhos.

–Então o que faremos? – Perguntou a garota que chegara há instantes. – Não podemos voltar para lá, e não podemos ir para o outro lado. Se ficarmos aqui, também seremos mortos. E agora, Nathan?

–Eu conheço um lugar que eles nunca imaginarão que exista. Mas vocês terão de seguir as regras, e cooperar com as pessoas daquele lugar. – Dizia Lucy, pensando se estava fazendo a coisa certa em por aqueles estranhos dentro de seu precioso local, onde as crianças se divertiam em suas brincadeiras.

–Nós faremos tudo o que você mandar, prometemos – Disse a garota, cutucando o braço de Nathan, que parecia deixar o orgulho vencer o perigo que corria.

–É, faremos tudo.

Os três pegaram seus pertences e começaram a correr desesperadamente, com Lucy guiando o caminho.

–A propósito, qual o seu nome? – Perguntou a nova líder do pequeno grupo

–Ah, desculpe não ter falado antes. Meu nome é Ellie.

–Muito prazer, sou Lucy.

Quando saíram da floresta, se depararam com imensas tropas de soldados cercando as ruas. Todos ficaram assustados, mas Lucy logo disse:

–Calma pessoal, nós não iremos por ali.

Terminando a fala, a líder caminhou alguns metros floresta a dentro e agachou atrás de uma arvore, olhando para ver se não havia outras pessoas observando-os. Pegou uma corda e, puxando-a, fez com que fosse aberto um buraco no chão com uma escada iluminada, que levava para o subterrâneo.

–Vamos, andem rápido por favor. – Dizia Lucy apressada

Os dois novos inquilinos começaram a descer a escada, e logo após Lucy desceu também, fechando a entrada para prevenir situações indesejadas. Quando estavam descendo, observavam e dissolviam o que acabara de acontecer. Chegaram em um plano horizontal, e a única coisa que viram foram um bando de crianças correndo de um lado para o outro.

–Mas o que é isso? – Perguntou Nathan, com uma certa cara de nojo.

–São seus novos irmãos e irmãs – Respondeu Lucy, de uma forma debochada também- Espero que não se importe.

A líder do grupo reuniu todos na sala, e apresentou-lhes os novos inquilinos:

–Pessoal, estes são Nathan e Ellie, e eles vão ficar um tempo com a gente. Sejam bondosos com eles, crianças!

–Oi tia Ellie, você é muito bonita sabia? — Dizia um garoto com não mais de oito anos.

–Muito obrigada, você também é lindo

Após as apresentações, Lucy foi a cozinha preparar algo para comerem. Ellie a seguiu, e entrou perguntando:

–Você acolhe estas crianças da rua para não serem pegos pela Central?

–Sim

–E mesmo sem mal poder alimentá-los, continua dando amor e carinho. Você é uma pessoa muito especial, sabia? O mundo precisa de mais gente como você. Eu e meu irmão iremos ficar aqui para ajudar você o tempo que for necessário, pois assim como nós, outros devem ter alguma esperança de que um dia as coisas mudarão. – E terminando o discurso, Ellie deu um abraço confortante em Lucy.

–Muito Obrigada. – Dizia a Líder, já em prantos – Eu tento dar o melhor de mim para que estas crianças não sofram com a perda de seus pais, mas está cada vez mais difícil alimentá-los, e toda essa responsabilidade faz com que o peso do mundo inteiro esteja em minhas costas. Eles dependem de mim, e eu não posso falhar. Esse é o pensamento que eu tenho desde o dia em que decidir ser assim.

E as duas ficaram ali, abraçadas, por um bom tempo. Lucy conseguira algo que não tinha havia muito tempo – Talvez o mesmo tempo de sua idade – Uma Amiga.

Notas finais
Obrigado por ler !!!
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.