Os queridinhos da América
2 Sob o pôr-do-sol de Santa Mônica
— O que foi aquele Elephant Love Medley?
— Sophia você estava no estúdio? Você viu? Eu fiz direito,eu tava com cara de besta?
— Você tem cara de besta mas sim,foi perfeito. O que vi o Dex viu e o Ted viu e o produtor da Disney viu e o da MGM viu. Aquele irmão gatéeerimo dele viu...
— Irmão?
— O cara do piano.
— Nossa... eu nem percebi,ele tá bem diferente,sem barba,o Ketan.
— É,se não conseguiu olhar o irmão mais gato que o Avan,então a coisa tá feia. E que delícia ele tocando piano, Lizzy do céu...
Sophia era uma canadense que veio pra L. A. ser atriz,cantou na noite,tinha uma voz bonita,namorou alguns atores sem fama,tentou no teatro mas acabou ali nos estúdios da MGM fazendo um estágio indeterminado na sala de maquiagem e figurino. Era loira,tinha um cabelo lindo chanel que era mais bonito que o da Marilyn Monroe,aliás,as duas era muito parecidas. Tinha olhos negros e cílios penteados desde o nascimento. Era linda e muito minha amiga,nos demos bem desde o momento em que pisei naquela cidade. Eu acredito que a oportunidade dela chegaria e não ia demorar.
Sophia me ajudou a trocar o vestido e a retocar a make,em meia hora,sai ventando pelo portal com letras douradas onde se lia Metro-Goldwyn-Mayer Inc e encostado em um carro,o rapaz de cabelos presos num coque.
— Você está linda!
Eu havia trocado o vestido amarelo por um vermelho pois logo estava escurecendo e Avan estava bem vestido.
— Obrigada! E onde iremos?
— As estrelas talvez. – Ele sorria enquanto abria a porta do carro para eu entrar.
Descemos para a praia de Santa Monica e ele quis parar perto de um mirante.
— Vem,o sol se pôr daqui é lindo.
Mas não tinha mesa no restaurante que ele pretendia então eu disse que a lanchonete retro da Ocean Ave era perfeita.
— Vamos comer hamburguers e batatas fritas e tomar um milk shake?
— O bom é que se alguém nos vir,vão achar que fazemos parte da decoração.
Nos divertimos enquanto realmente tomávamos um milk shake e víamos o sol dourar a areia.
— Então,o seu inglês tem sotaque pois você não é daqui.
—Não,não sou. Mas você também não é. E eu adorei saber que você tem sangue Hindu. É uma das minhas culturas favoritas.
— Sério? Isso é um diferencial,eu gosto dessa parte hindu,do meu pai,mas eu realmente amo a Inglaterra. E o Brasil,é bonito lá?
— Sim,o país é lindo!
— A gente só conhece o...
— Carnaval,mulher e futebol.
— É,é o que aparece aqui. E dizem que a política é péssima.
— É,é péssima,mas o que eu tenho do Brasil em mim foge bem dessa cultura indígena de gente pelada caçando peixe,ou os meninos das favelas jogando bola.
— E o que você tem do Brasil?
— Eu nasci num estado chamado Minas Gerais,lá temos uma cultura muito rica,feita por italianos,muitos imigrantes vieram trabalhar nas fazendas de café depois que a escravidão terminou. Aliás o pais todo é rico de culturas que vieram erguer o pais depois da escravidão. No estado do Rio Grande do Sul,eles são tão desenvolvidos e ricos que vivem querendo ser independentes,São Paulo é a maior cidade da América latina.
— Uau,a gente pensa que o pais nem é tão grande.
— Mas é,grande,rico,bonito.
— Quero conhecer um dia,você me guia?
— Sim,por que não? E Vancouver? É bonita?
— Sim,eu amo a minha cidade,o Canadá é lindo.
— O que você mais gostava de fazer lá?
— De ir a praia... e ver o pôr do sol. Olha como é bonito.
Nos perdemos em meio a conversa e a noite então caiu. De onde nos sentamos,na varanda do segundo andar da lanchonete,onde era um pouco mais calmo,vimos as luzes se acendendo enquanto o dourado do sol se apagava. Nos olhamos intensamente,ou pelo menos ele me olhava. Ellie Goulding cantava no radio e instintivamente ele segurou a minha mão.
“What are you waiting for? “
O que você está esperando Avan?
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