Os portais do oculto
1 Capítulo 1 - Turbulência
Tudo era sombrio e silencioso, até que o estralo da lâmpada queimando pôs um fim à paz que ali reinava. Carl sente alguém chacoalhar seu corpo aos brados — Hey, acorda, acorda! Vamos, levante daí logo! — As mãos que o chacoalhavam tinha a mesma origem da doce voz que ouvia. Era Ana, uma moça de cabelos e olhos negros como a noite e a pele branca, tal como algodão. — Finalmente você despertou. Levanta logo, não temos muito tempo! — Exclamou ela, puxando-o para levantar-se da cama do hospital. — Hospital!? — indagou Carl; estava confuso, não sabia o que diabos fazia ali. Independente disso, levantou-se, observou com maestria todo o recinto. Um quarto simples, branco, com um vaso grande no canto esquerdo. Mas de súbito, Ana puxou sua mão, abriu a porta e saiu correndo da sala as pressas, arrastando-o junto. No corredor, alarmes em vermelho tocavam como se um um prisioneiro tivesse acabado de fugir de uma penitenciária. Então uma voz ecoou do fim do corredor — Hey vocês aí, parem! — gritou um guarda que chegou exasperado no lugar onde estavam. — Não se mexam. E você, largue o paciente aí, agora! — gritou, mirando uma arma para Ana. Carl Não sabia o que estava acontecendo, mas ao ver a arma apontada para ambos, o desespero de morrer sem saber o por que daquilo tudo tomou conta de sua mente e então, pegou o extintor de incêndio que estava próximo e atirou contra o guarda, tomou a mão da jovem senhorita e correu dali o mais breve possível. Corredores, salas, alas, tudo isso se passava quanto mais corriam dentro daquele labirinto em forma de hospital, ao som das sirenes berrando acima de suas cabeças. Então, chegaram em fim, frente a uma escada de ferro que descia por uma abertura circular, rumo a algo que parecia ser os esgotos. — Venha, vamos dar o fora daqui. — falou Ana, puxando Carl para descer o mais depressa possível. De fundo, ele ouvia o som de mais guardas marchando pelos corredores, e pelo temor de algo inexplicável naquela confusão, desceu, desceu até o escuro encobrir quase tudo, até sentir e ouvir o barulho das águas sobre os seus pés. Olhou para cima, em direção a pouca luz que ficara no topo da escada, tentando entender tudo que estava acontecendo, mas nada lhe vinha a mente. Ana pôs fim ao silêncio que reinava — Carl, não tenho tempo de explicar nada agora, terá de confiar em mim até sairmos daqui. Então venha logo — E com isso, puxou suas mãos para seguir adiante aquele caminho. O cheiro desagradável do lugar preenchiam-lhes os pulmões, roedores e insetos corriam para todos os lados quanto mais caminhavam pelo lugar. As águas mornas aos seus pés eram algo nojento e inimaginável para ambos, afinal, ninguém se imaginaria numa situação como aquela. Então, um barulho que fazia os água mexerem e ecoava pelos corredores chegou até os ouvidos de Carl e o assustou. — Ana, espere! Escute isso.. — disse, chamando a atenção da amiga para o barulho que vinha. Ana ficou pasma ao notar o som que vinha em sua direção e só teve tempo de gritar algo para Carl — CORRE, AGORA! — tornou a puxar a mão do rapaz, e sair correndo desesperadamente, enquanto este olhava para trás e se dava conta da torrente de água que vinha de encontro aos dois. Se esforçaram muito correndo, mas no fim, a água os pegou e arrastou... até desembocarem em um reluzente e misterioso portal branco, que ofuscou seus olhos e os mandou para um outro lugar.
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