Os pais dos irmãos

1 Os pais dos irmãos


­­­Sábado, alguma hora após o almoço, três jovens se reuniam em sua confraternização semanal para manter a amizade viva mesmo depois do final dos dias da escola. Sentados em cadeiras de madeira de um antigo bar do bairro e bebendo se encontravam em um momento de silencio que não os incomodavam. Até que duas crianças passam por perto, o mais novo de máscara e com camisa de mangas longas mesmo em um dia de verão e seu irmão mais velho de cabelos ruivos, longo e duros. Por causa de um desviar de olhar, o irmão mais velho cumprimenta um dos jovens com um breve acenar de mãos e continua seu caminho.

O Jovem responde com o mesmo gesto e com um riso começa uma conversa com seus amigos:

— Sabe, esses irmãos parecem estranhos, mas nada comparado com seus pais.

— Serio? Bom o garoto ruivo eu conheço, Xenom, um dos filhos do Mitsokay... Mas o outro não, sei que são irmãos e só

— Eu conheço ele, é cliente conhecido onde eu trabalho. Sempre me pareceu meio triste, não pode expor a pele da parte de cima do corpo diretamente ao sol, é fraca... me disse que com o tempo esse problema passa, mas como ficou todos esses anos com a máscara prefere ficar com ela mesmo depois de curado

— Entendi... mas o que você queria dizer com os pais dele? Sei que o Mitsokay participou daquela história e tal...

— Então fiquei sabendo de uma confusão deles, nada a ver com essa história. Minha vó conhecia eles, me contou assim

A mãe, Nina era louca e linda, linda comparada ao passo que era louca, as quintas saia de casa para andar pelo bairro, ia até o parque, desenhava algo e voltava jogando uma pedra para cima que achara no parque. O problema era no resto da semana, que depois do trabalho que ninguém sabia qual era, ela sentava no telhado e sempre fazia algo diferente, chorava baixo, ou cantava músicas lentas, ou fazia gestos com a mão, até o pôr do sol, que era o momento em que parava, estática e atenta. Minha vó comentou que poucos conheciam ela, e tal poucos também não sabiam o que fazia, pois morava sozinha com uma casa luxuosa e roupas caras. Também comentou que todos tinham um certo medo e desprezo por Nina, mas por não causar nenhum problema desde que se mudou, não foram atrás de respostas. Tinha 24 anos.

Não sei se lembram de um viúvo que morava na esquina desta rua, no ano em que ele morreu a casa foi vendida quase que um semestre depois. Foi quando o pai apareceu por aqui, Andro Mitsokay, se mudou meio que fugindo do problema que participou. Diz que ele era conhecido no bairro e por isso se mudou, esperava que os moradores o aceitassem mesmo após o caso. Que aconteceu de fato, estava tranquilo. Por alguma razão demorou para descobrir seu Zeprium, então logo era o mais comum do bairro, saia de manhã para trabalhar, voltava 13 horas depois, passava na padaria e na banca e voltava para casa com uma sacola de pães e presunto, um jornal e uma revista de quadrinhos. Nos finais de semana se encontrava com bons amigos. Tinha 23 anos.

Numa quinta, feriado, minha vó limpava as janelas e pode ver a primeira conversa dos dois, ele sai de casa e ela voltava do parque. Todo tonto e encantado tentou conversar com ela que por alguma razão lhe deu atenção.

— Como assim?

— Pelo que entendi ela evitava conversar, agia tímida e se alguém tentasse puxar conversa nessas horas ela entrava correndo.

— Okay, mas até aqui parece uma história de amor, o que tem de estranho?

— Então vou pular uma parte, eles conversaram, depois tiveram alguns encontros e até que um dia que ela o puxou para dentro de casa.

— E sua vó viu tudo isso?

— Haha, ela não tinha televisão e ela era louca por romance, o casal era o entretenimento dela. Então

A noite passou e ela saiu, mas ele não. Ela continuou a rotina dela e o cara tinha desaparecido até segunda, que minha vos o lembra de ver ele voltando de tarde fazendo o mesmo que fazia todo dia. Eles não se falavam, passaram alguns dias depois daquilo tudo continuou como antes de se conhecerem.

Até que numa quinta eles se encontraram, e parecia a primeira vez que se viram. A mesma conversa de antes, depois encontros nos mesmos dias que tinham acontecidos, até o dia que ela o puxou para dentro de casa, caiu no mesmo dia, da primeira vez era 21, da segunda era 21 do próximo mês.

O interessante era que minha vó era amiga dos dois, e os dois pediram conselhos para ela, Andro era meio infantil e mal sabia das mulheres, Nina era... louca não sabia conversar com outras pessoas muito mais namorar. Confusa ela tentou perguntar o que tinha acontecido, mas nenhum lembrava, depois de tentar tantas vezes saber o que tinha acontecido, resolveu ajudar. Deu uma caneta cara a Andro, falou que ela iria amar desenhar com algo que tinha dado e a Nina deu um cachecol, falou que ele era tímido e bobo igual ela, precisava falar o que sentia senão ele nunca iria saber, o cachecol iria proteger do frio do inverno e podia servir para esconder o rosto se isso lhe desse coragem de falar que o amava.

— Não vai me dizer que sua vó gostava de mangas, isso parece um mangá shoujo

— Ela não sabia que era japonês na época, para ela era mais um romance que ela comprava na banca e no sebo.

— Então na história já é inverno?

— Mais ou menos, o plano era ela falar com ele em algum dia do inverno.

— Tá, mas até aqui ainda está normal, tirando aqueles dias, nada demais aconteceu

— Isso que foi estranho, a Nina achava que era inverno, mas era outono ainda, daí no outro dia ela voltou falando que ele queria se casar com ela, passou um dia eles pararam de novo de se falar

— De novo?

— Sim, então no inverno ela voltou e falou a mesma coisa no mesmo dia do próximo mês.

— Que bizarro

— Não pode ser coisa da sua vó? Vai ver ela ta brincando com você

— Eu também achei, só que de curioso eu procurei na internet sobre os dois, e atrás das notícias do Andro tinha uma notícia sobre um casamento bizarro. Dizia que no meio do casamento os noivos dormiram em pé, saíram do local e voltaram alguns minutos depois como se nada tivesse acontecido. Minha vó tinha me falado dessa parte também, afinal ela tinha sido convidada.

— Então é verdade... vai ver eles têm algum problema de memória, e foi coincidência eles se conhecerem...?

— Talvez, mas não explica o que aconteceu com eles depois do primeiro filho, ela virou ladra e ele um psicopata

— O que?!

— Vou explicar

Depois do casamento ela engravidou e ela nem parecia mais a mesma mulher que subia no telhado de tarde, e ele continuou o mesmo, só que comprava cada vez mais revistas em quadrinhos e com a invenção da televisão e do MID (DVD), ele comprava vários para assistir com ela, e comentava como queria assistir com a criança.

A criança nasce em outubro, passa um ano e eles perguntam a minha vó se era uma boa hora para mais uma criança. Depois de uns dias ela anuncia mais um filho. Nesta época ela conversava com o bairro inteiro e Andro era cada vez mais escondido. Ela tinha 26 anos e ele tinha 25 anos.

Com quatro meses de gravidez ela foi pega roubando uma loja de televisões de madrugada e de algum modo ele pagou a fiança. Com cinco ela havia roubado um carro, mas mesmo que soubessem que foi ela, foi roubado sem deixar traços, ou seja sem provas.

No mês que o segundo filho iria nascer Andro desapareceu e o ligaram com um psicopata de um caso chamado, Chave dos corações, onde as vítimas morriam sentadas em uma cadeira com punhos e tornozelos cortados, com uma chave dentro do coração.

— Por que ligaram ele com isso?

— Bom, os filhos têm uma tatuagem de fechadura no pulso esquerdo, o casal também tinha.

— Espera... O que?

— Bom eles fizeram em homenagem a mãe, e o caso foi encerrado já que não ligaram Andro com o caso... ele pediu que escondessem o caso para que não ter problemas na vida dos filhos. Eu também só achei sobre isso porque tenho acesso onde eu trabalho, mas estava bem escondido

— Ok, ok ... espera, você ficou sabendo disso por sua vó, então você foi procurar sobre, e então, onde você achou isso não tem uma resposta do que aconteceu?

— Sim, haha senão não contaria essa história, só que eu vou contar o que aconteceu na semana do nascimento do garoto de máscara.

Ele volta para casa numa viatura da polícia, num sábado. Domingo o casal visita minha vó, conversam um pouco em saem em um jantar. Segunda o casal vai até o parque, ela desenha como fazia, ele testa a câmera nova dele. Terça ele vai trabalhar e volta no mesmo horário, passa na padaria, na banca, e volta com uma sacola de pães, uma garrafa de vinho e uma revista em quadrinhos. Quarta ele a leva ao hospital e de noite minha vó recebe uma ligação dele, falando que ela talvez não sobreviva. Quinta ele volta sozinho para casa, e passa a tarde no telhado com o irmão mais velho e tira uma foto do pôr do sol. Sexta ele não volta para casa, e no sábado ele volta com o recém-nascido irmão mais novo e segurando a mão do irmão mais velho. Então ficou parado na frente do portão que da casa dela, onde tinham se conhecido. Ele ficou por lá algum tempo até que uma viatura da polícia chegou e desceram três policiais. Depois de uma conversa, Andro e os filhos entraram em casa e os policiais, depois de algum tempo foram embora.

— Então ele mora naquela casa ainda... O viúvo... morava do lado desse bar

— Sim, acontece que ele era mesmo o assassino do caso, mas só metade dele. Nina voltava machucada porque as vítimas tentavam reagir, e tinha todo aquele dinheiro pois os alvos eram contratados. Andro depois do caso, trabalhava em um deposito e desenvolveu cleptomania e roubava carrinhos de brinquedo de uma empresa que usava o deposito. Depois da primeira noite juntos, eles “trocaram” doenças. Ele começou a fazer os assassinatos e ela começou a roubar carros... Mas ele fazia do jeito dele, e ela do jeito dela. Depois que a polícia ligou todos os pontos

— Ei! ... Desculpa interromper, poço pegar as garrafas?

— Ah... pode, pode sim

— Sabe, desculpa a falta de educação, mas eu também já ouvi essa história, eu moro aqui então tenho certeza do final. Querem ouvir

O homem puxa as mangas do traje social quase formal, era o dono do bar, os três jovens ficam calados e trêmulos quando vem que o homem tem uma tatuagem de fechadura no pulso. Surge na mente do jovem que contava a história que talvez o irmão mais velho não tinha o cumprimentado, e sim o dono do bar. O homem conta que o casal foi vítima de uma doença mental que só eles podiam ter, uma insanidade que não os representavam, pois apesar de tudo eram felizes e não lembravam do que acontecia. Até hoje Andro é vigiado pela polícia, por isso eles são fregueses frequentes no bar.

Já era noite, os três jovens passaram a tarde conversando, a rua estava vazia. O dono do bar continuou a contar o final da história. Dizendo que depois daquilo houve outra história, três policiais passam pela mesa e vão embora, mas que já era tarde e isso era história de outro dia. O sorriso do dono do bar tranquilizou os três jovens que concordaram e, que depois de ver atrás do balcão um quadro de um pôr do sol, decidiram voltar para casa.

Notas finais
O caso, que é citado no texto é um evento que espalhou os Zepriuns, algo que da poder a mente sobe os elementos e inconscientemente do próprio corpo, o que permite estados mentais mudarem o corpo da pessoa de modo positivo ou negativo.
Infelizmente, só posso falar isso do caso em que Andro estava envolvido.
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!