Os olhos perdidos da garota da vila Hüdel
1 Capítulo 1
Em uma terra até então esquecida pelo antigo reino da Alemanha Ocidental, vivia Lindell, uma garota como qualquer outra, desnutrida e inocente, como costumavam ser as crianças daquela época, num reino pobre onde um rei megalomaníaco abusava das riquezas de seus súditos e vassalos, mas essa não será uma história sobre este rei, não... Será sobre o que aconteceu em um outono vermelho, mas não pelo crepúsculo, e sim pelo saque que fora acometido por inúmeros mercenários, a mando do próprio rei.
Pobres eram os aldeões, humildes e simples, mal ganhavam para o auto sustento, ainda tinha que viver com a putrefação do poderio doentio do mal reinado. Era de madrugada quando um exército trucidou um pastor de ovelhas, arrastando algazarra e terror para o interior da vila, muitos correram, muitos morreram inclusive as crianças, pobres crianças... Mas uma, sempre há aquela mais esperta, uma criança deu trabalho ... Seu nome era Lindell, mas ela não escapou viva, tivera uma morte lenta ao alvorecer, quando encontraram-na escondida por debaixo dos assoalhos de carvalho embolorado, como bravejou, como relutou, como gritou, se houvessem vilas pelas redondezas escutariam a garota. Fora estuprada, depois decepada membro a membro em meio de gargalhadas e deboches dos assassinos insanos, e por fim, falecera como todo mortal. Uma morte hedionda e cruel, onde o sentimento de rancor e ódio se apossou do coração da criança antes de deixar a vivência terrena. Alguns anos se foram para o abismo do tempo, e o vilarejo tornou-se profano, é claro, se você realmente acredita nisso, alguns dizem que é possível, ouvir lamúrias e choros quem passa por perto, mas pode ser uma ilusão sonora, é claro, é mais fácil supor do que descobrir o que aconteceu, e então a pequena vila ficou solitária, mas não por muito tempo. Era um inverno rigoroso, o reino de Hüdel nunca se abalou tanto quanto agora, rios congelaram arvores e gados morreram, a fome não demorou pra chegar, mas é claro... O castelo permanecia farto, clareado, limpo... Um verdadeiro paraíso! Eis, que na seca friorenta da madrugada, as lamúrias até então "supostos" tornaram-se audíveis na penumbra da vila, eis que alguma coisa estava por lá, e uma pequena silhueta foi vista saindo de um dos escombros. Aos desavisados, era apenas uma criança perdida, bem poderia ser, poderia não ser. O fato era que ninguém se quer teve a coragem de chegar perto para averiguar o medo do desconhecido era cravado na alma dos súditos naquela época. Relatos diziam que aquela silhueta foi se arrastando como um moribundo de lepra, para as proximidades do castelo, chegando próxima à cabana dos guardas reais ou "Wache-tor" como eram chamado os soldados que permaneciam na entrada do castelo. Já não bastasse o frio que os judiavam, eis que toda a tropa equina começaram a relinchar em desespero, "O que diabos está acontecendo", era a frase que passava por todos os Wache-tor que tremendo (de frio e possivelmente medo) foram averiguar as pressas o que acontecia, eis que se assustaram, ao ver que nada tinha estábulo. Literalmente nada, estava vazio, apenas uma grande área de madeira de boa qualidade com um vazio em seu interior, o frio aumentava gradativamente conforme alguns homens entraram curiosos pelo desaparecimento de tudo, alguns ficaram na porta como sentinelas, eis que a porta fecha. Gritos, clemência... e um riso infantil, esse era o coro que jazia âmbito a dentro. Tentaram estupidamente a todo custo abrir as portas para observar o que acontecia dentro do estábulo vazio, não havia mais soldados, não havia mais gritaria. Mas havia algumas madeixas, dentes... E olhos sobre o chão.
Notas finais
Em construção... Eu acho.
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.
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