Os descendentes - entre lutas e fugas
4 Uma reunião familiar
Notas iniciais
P.O.V. Cecília Mason
Como assim meus pais vão ficar em Hogwarts e não comentaram nada? Eu sei que a despedida foi mais curta esse ano, mas não imaginaria ser essa a razão. Dylan estava tão surpreso quanto eu. Jade e Érick, uma ex-corvina e um ex-sonserino, ambos filhos dos fundadores dessa escola estavam parados ali, no meio do Salão Principal, observando a professora e dizendo que era bom estar de volta. Era isso que vinham planejando?
Com um sinal, minha mãe pediu para que nos juntássemos a eles. Então, ainda sem entender muito, tanto eu quanto Dylan nos levantamos e caminhamos até o meio do salão onde eles estavam, pude perceber pelo canto do olho que a diretora tinha um leve sorriso no rosto.
—Diretora, pode incluir Dylan e Cecília na ajuda, sei que são estudantes, mas eles nos ajudarão também. — O ar orgulhoso no rosto de minha mãe foi bom de se ver.
A diretora concordou e os convidou para comer na mesa dos professores. Acenando para nós, eles foram calmamente para o destino, enquanto Dylan e eu voltávamos para a mesa da Grifinória. Isso tinha sido muito estranho, mas uma coisa é certa: ter meus pais em Hogwarts vai ser interessante.
Foi o meu último pensamento antes de comer e o primeiro depois que acordei. Ao abrir os olhos, vi o Sol nascendo na janela, então suspirei, de volta para Hogwarts, de volta para a rotina diferente. Tomei um banho rápido, vestindo o uniforme em seguida, só para descer até a Sala Comunal com o material já sobre meus ombros, guardados na mochila. Já parado ali, encontrei Dylan me esperando.
Não foi preciso dizer uma palavra sequer para entendermos o que se passava em nossa cabeça: encontrar nossos pais. Então, juntos percorremos o caminho até o Salão Principal. E eles estavam lá, observando algo na mesa dos professores. Nós nos aproximamos em silêncio por um momento, mas optamos por anunciar nossa presença a levar algum feitiço.
—Ceci. Dylan. — A voz de Érick Mason soou no local vazio, mamãe estava concentrada em algo ainda na mesa e, só depois de me posicionar ao lado de Jade, eu pude ver um mapa aberto com alguns lugares marcados. — Ela está tentando descobrir alguma coisa útil.
Mas a verdade é que, até o salão começar a encher, nada fora descoberto. Deixando minha mãe bem frustrada, assim como todos nós. Os Potters e Weasley já estavam comendo, quando eu peguei uma torrada e saí já com meu horário em mãos.
Minha primeira aula seria Aritmância, se for considerar que é uma Quarta. Então eu caminhei pelos corredores até a sala. A professora não estava lá ainda, quando eu cheguei, então só joguei a mochila no chão e me sentei na cadeira, começando a ler o material.
Não demorou muito para que todos começassem a chegar. Tão logo se acomodaram a professora chegou, eu sabia que esse ano seria mais complicado por ser o do NOMs, mas eu não estava com medo dessa prova, também sabia que prestaria para 10 matérias, um número razoavelmente grande. Ainda esse ano, era a minha vez de ter reuniões sobre minha futura profissão, como se eu realmente estivesse preocupada com isso.
Tudo isso me parecia incrivelmente irônico. Pensar em profissão, enquanto uma guerra já dá seus sinais de aproximação. A aula de aritmância terminou rapidamente e, então segui para a próxima que era Runas Antigas, sim, duas opcionais seguidas. Se seguisse o mesmo sistema da anterior, seria uma introdução aos NOMs, foco desse ano e uma aula introdutória.
E assim aconteceu, sem nada surpreendente. Teríamos algumas runas mais avançadas esse ano e isso despertava a minha curiosidade. Com um suspiro, eu peguei minha mochila, levantando-me da cadeira e seguindo para a porta. Eu me lembrava do cronograma de aulas e todas as minhas próximas seriam com a sonserina. Eu gostava, sentia-me confortável, mas muitos apenas se irritavam com tal situação. A verdade é que aulas como as minhas duas primeiras, consideradas opcionais, juntavam dos estudantes que a fazem daquele ano, portanto, as quatro casas ficavam reunidas.
—Ceci. — Uma voz surgiu do meu lado direito e pude ver minha prima com a mochila jogada sobre o ombro direito, enquanto os cabelos caíam como cascata sobre o esquerdo. Como se esperasse unicamente ser vista, Jenny percorreu o resto do caminho para transfiguração ao meu lado.
As primeiras aulas podiam, de fato, estar sendo mais lentas, com explicação sobre o famoso ano dos NOMs e a introdução, temos bastante dever já, geralmente, de revisão dos quatro anos anteriores, pelo que entendi, as duas primeiras aulas serão de revisão geral dos conteúdos já vistos para, depois, entrarmos no conteúdo do quinto ano, aprofundando alguns tópicos e aprendendo muitos outros.
Com transfiguração, não foi diferente. Após a explicação sobre como o quinto ano seria nessa matéria, tivemos que treinar o que tínhamos aprendido. Depois a professora começou a listar o conteúdo anual e iniciar a revisão teórica. Jennyfer mantia sua pose Mason, mas sabia que ela sentia a pressão da prova, ela não tinha o mesmo jeito 100% confiante do irmão.
—E assim terminamos a aula de hoje. Não se esqueçam de trazer a atividade feita para nossa próxima aula.
—Lições no primeiro dia. É.. O ano começou. — Minha prima comentou ao meu lado.
—Ano de NOMs, o que esperava?
—Nathan disse que era puxado. Próxima aula?
—DCAT. — Jenny abriu um leve sorriso irônico, digamos que “contra artes das trevas” não era exatamente o que os Masons faziam, apesar de serem bons nisso.
DCAT, aparentemente, era a matéria favorita de muitos, pois o ritmo encontrava-se levemente mais rápido em direção à sala.
—Não sabia que a tia e o tio viriam. — Minha prima comentou.
—Nem eu. — Então em me lembrei de uma coisa, enquanto me despedia deles na plataforma 9 ¾, mamãe falou que tinha um plano. Será que esse era o plano? Vir para Hogwarts?
Teria uma conversa com meus pais após a aula, disso eu tinha certeza e apostaria que Dylan também ia querer, afinal, muita coisa aconteceu sem a gente. Já estava na hora de voltarmos para o começo de tudo, antes de Hogwarts, antes de revelar o segredo, antes do ano passado; esperava que meus pais pensassem assim também.
A nossa aula passou bem rápido, essas primeiras aulas estavam bem sem surpresa, simplesmente revisão, mas, nessa, teve prática; diferenciando-se das demais. E mais lição. Jennyfer parecia levemente assustada com a quantidade de deveres até o momento, ainda mais se considerasse que tínhamos mais duas aulas pela frente.
—Sério que todos vão passar essa quantidade de lição? — Ouvimos uma voz passando ao nosso lado e questionando.
Uma risada próxima nos chamou atenção, era Nathan acompanhado de Dylan, o primeiro tinha uma expressão divertida no rosto.
—Isso é só o começo, estão preparadas para o resto do ano? — Eu sabia que trazia um olhar desafiador em meu rosto.
—Sempre, Mason. — Meu primo arqueou a sobrancelha, era a primeira vez que eu lhe chamava pelo sobrenome, ao menos, a primeira em muito tempo.
Dylan desacelerou e entendi a mensagem, permitindo que os irmãos fossem à frente, fiquei um pouco para trás, de modo que pudéssemos conversar tranquilamente.
—Reunião hoje depois das aulas? — Meu irmão foi direto ao assunto.
—Sim.
—Você queria, né? — Ele perguntou quase sem tom questionador. Eu o olhei e ele entendeu. — Eles vão aceitar, mamãe deve estar querendo conversar também. — Dylan colocou sua mão no meu ombro esquerdo, parando-me e me virando de forma que ficasse exatamente à sua frente e que lhe permitisse colocar as mãos nos meus ombros. — Não vamos ficar longe da ação esse ano.
—Você tem razão, eles querem a gente e os quatro estão aqui. — “Deixe que eles venham, estaremos preparados”, completei mentalmente.
No Salão Principal, pude ver meus pais conversando com a diretora, parecia quase uma reunião ali, mas, assim que entramos pela porta, eles acenaram, cumprimentando-nos.
—Só eu que tenho a sensação de que esse ano será mais agitado que ano passado? – Meu irmão sussurrou, mas eu nem precisava responder para ele saber que eu concordava, afinal, nada de surpreendente para um ano com a família reunida e um ex-segredo revelado.
Meu olhar recaiu sobre um grupo que eu não via há um tempo considerável, Weasleys e Potters ocupavam uma boa parte da mesa vermelha e amarela, algumas poucas pessoas olharam em nossa direção, ignorando a todos, nos sentamos para comer. O almoço passou de forma rápida e, tão logo começou, ele acabou.
Assim que tomei o último gole do suco, levantei-me e iniciei o meu caminho para as próximas duas aulas, ambas de poções. Jenny se juntou a mim no meio do percurso; mais uma aula com as turmas da Sonserina e Grifinória. Apesar do leve susto com a quantidade de deveres, a sonserina parecia feliz por voltar.
—Senhorita Mason. É bom vê-la. — O professor me cumprimentou. Acenei para cumprimentá-lo, enquanto Jennyfer tirava os materiais de sua mochila, arrumando tudo de forma a deixar um espaço para que eu pudesse a acompanhar.
Antes dos demais estudantes chegarem, o professor começou a conversar conosco, uma coisa que o professor sempre demonstrou interesse foi a suposta poção desconhecida que tive de adivinhar quando cheguei em Hogwarts, a poção deixada por meu pai. Fico imaginando qual seria a reação do professor ao descobrir que o misterioso aluno estava na escola e bem mais perto.
—Com licença, professor. A diretora pediu para que lhe entregasse isso. — Eu conhecia bem a voz e nem precisei me virar para descobrir quem era.
—Ah, obrigado, senhor Mason. Estava conversando com sua filha. – Eu me virei para poder ver meu pai. — Não sei se ela te contou, mas é uma aluna excepcional em poções, ano passado mesmo, ela descobriu uma poção super rara que um ex-aluno deixou antes de se formar. — Vi um sorriso de canto no rosto do meu pai, era para ser um segredo quem a deixara, então não me surpreendi pelo silêncio.
—Ceci é boa com isso. Sobre o que trouxe, a pro... diretora disse que era algo relacionado a plano de aula ou algo assim.
—Plano de aula? — O professor pareceu meio perdido, mas não discordou, provavelmente, por causa de nós.
—Sim. — Rapidamente, meu pai se despediu de todos, enquanto os outros alunos chegavam na sala.
Mais uma aula de revisão, teórica e prática, assim como DCAT, algo mais do que esperado para uma matéria como a de poções. No fim, tivemos que entregar um trabalhinho, no qual nos era passado os ingredientes de cada parte e tínhamos que colocar a qual poção correspondia; em seguida, fizemos uma poção fora das já listadas e colocamos todas as informações importantes dela em um pergaminho para entregar, então o nome dela – como é popularmente conhecida, se tiver –, a utilidade, ingredientes, como fazer, característica marcante...
—São em momentos como esse em que agradeço por você ser minha dupla, Ceci. Você e Dylan sabem muita coisa de cor, é muito útil para agilizar. — Ignorando o comentário de Jenny, continuei escrevendo, enquanto ela cuidava da preparação. De qualquer forma, eu preferia fazer ambos.
Não demorou muito para terminar e auxiliei minha dupla na finalização do preparo, ainda conseguimos concluir tudo antes do restante dos alunos. Então chamamos o professor que conferiu tudo, dispensando-nos em seguida.
O nosso primeiro dia de aula chegou ao fim com vários trabalhos para serem feitos, mas nada disso me assustava. Eu me despedi de Jenny, pois encontraria meus pais e meu irmão após as aulas, então meus pais já deviam estar nos esperando. De certa forma, precisaria da minha mochila na reunião, por isso, não compensaria passar no dormitório.
Com a mochila firme, segui para a Sala Precisa, seria a hora de tudo ser esclarecido e a conversa prometia ser longa, muito longa. Não tenho certeza nem se estaremos livre para o jantar. Ignorando tudo isso, segui para o encontro, por termos saído mais cedo um pouquinho, os corredores estavam livres.
—Cecília. — Uma voz interrompeu minha caminhada, descobri quem era pela voz fantasmagórica.
—Olá. — A conhecida por dama cinzenta estava atrás de mim.
—Está procurando por sua mãe? Ouvi dizer sobre uma reunião familiar.
—As notícias se espalham. — A fantasma deu uma risada antes de se afastar.
Segui o caminho e, rapidamente, eu cheguei no já conhecido corredor. Ia faz a Sala aparecer, quando meu pai abriu uma porta onde antes era parede e chamou-me. Eu passei por ele, agradecendo, enquanto minha mãe aparecia na minha linha de visão, vestindo com uma calça jeans justa e uma camiseta florida de tom mais claro, os pés estavam no meio do tapete felpudo do lugar.
Conforme eu adentrava mais aquele cômodo tão aconchegante, mais a sensação de segurança tomava conta de mim, mas meus instintos me alertavam para um início antecipados das aventuras. Talvez, essa sensação estivesse ligada com o jeito dos meus pais, eles estavam preocupados com algo e nem mesmo a postura aparentemente despreocupada era o bastante para esconder tal detalhe.
—Oi, Ceci. Como foram as aulas? — Minha mãe perguntou, indicando-me o espaço ao seu lado no tapete para eu me sentar ao seu lado, enquanto esperávamos Dylan.
Eu fiz um resumo do meu dia em resposta, nesse momento, meu pai sentou-se no tapete também, apoiado contra a poltrona, ele ficou posicionado de forma perpendicular, podendo olhar para nós. Não passou muito tempo e meu pai se levantou novamente, Dylan apareceu, quando meu pai abriu a porta. Dessa forma, poderíamos começar nossa reunião o quanto antes. Ainda contente com a reunião, meu irmão entrou já jogando a mochila sobre uma mesa que não tinha percebido até agora.
—Não tinha. — Minha mãe comentou como se lesse meus pensamentos. — Vem. — Ela falou, enquanto se levantava.
Sem ser necessário falar, todos se reuniram no recente móvel, mais perto da porta, estava minha mãe, ao seu lado direito, eu; seguida de meu pai e Dylan, esse ao seu lado esquerdo.
—Bom, podemos começar.
—Era isso a reunião com a diretora? Vocês protegerem Hogwarts? — Meu irmão questionou, seu olhar estava intenso.
—Calma, Dylan. Vamos do começo. — Essa foi a primeira frase do meu pai na reunião. Minha mãe concordou.
—Eu não nego que talvez tenha deixado meu lado materno tomar conta ao escrever aquela carta para você, Cecília, no ano passado, mas quando Nathan contou sobre a situação, não pude evitar de querer te proteger. — Já sabia que ‘aquela carta’ era na qual ela pedira para que eu me afastasse das pessoas. — Precisei de muitas reuniões e um tempo para perceber que não precisava daquilo, foi uma decisão errada da minha parte. — Ela continuou depois de um suspiro.
Na minha frente, Dylan possuía um olhar surpreso, não era algo comum ouvir minha mãe admitir erro de estratégia. Se tinha alguma característica que herdara da mãe era a capacidade de ser uma estrategista nata. Isso fazia muito bem para ela.
—É verdade também que a mãe de vocês foi a mais receosa ao revelar o segredo, eu não gostaria de espalhar para todo mundo que sou filho de Salazar, mas, quando a professora McGonnagall mencionou isso como estratégia e uma outra pessoa se juntou a ela na decisão, percebi que podia ser inútil esconder. Ao menos, por agora. — Meu pai respirou fundo. — Eu e sua mãe sabemos há muito tempo o peso de sermos quem somos, mas é inegável que revelar nossa identidade, mostramos melhor nossa força.
‘Evitamos gastar energia com preocupações banais, como revelar algo diferente do comum para nossa idade, evitar mostrar e treinar nossa capacidade total... Coisas que parecem pequenas, mas que atrapalham muito, especialmente, com a proximidade da guerra.’
—Eu realmente fui mais receosa, vocês sabem que eu vario muito entre razão e coragem, não tenho certeza ainda se foi a melhor decisão, nem se o risco ‘corajoso’ valeu a pena. — Ela suspirou mais uma vez. — Ainda tento analisar, porém não saio do local.
—Foi por isso que você mudou de opinião? — Perguntei um pouco irritada
—Sim, Ceci. Mas se posso te dizer isso, eu fui muito mais contra contar para as crianças do que para os pais. — Eu desviei o olhar. — Ceci, sei que foi pedir muito para vocês, em especial, para você; mas estamos em uma guerra, devemos correr riscos. — Então ela completou em um tom quase inaudível. — Espero que esse não seja em vão.
—E a reunião com a diretora? – O grifinório perguntou.
—Você acertou, Dylan, era para nos pedir para proteger Hogwarts.
—O seu plano? – Questionei.
—Proteger Hogwarts. Estaria por perto novamente, poderia cuidar de vocês e continuar com o necessário para a guerra.
—Qual foi a missão nas férias? – Continuei com as perguntas.
—Nós tínhamos pistas sobre algumas alianças dos comensais, então resolvemos investigar. Infelizmente, não foi tão fácil quanto pensamos e mal conseguimos nos esconder. – Meu pai começou.
— Foi nesse momento em que precisamos pedir ajuda da minha família, Luke e Trice foram realmente ótimos. Conseguimos descobrir. – A voz quase que imperceptivelmente trêmula indicava que podia ser um perigo para Hogwarts.
— Quem era? – Meu irmão ansiava pela resposta tanto quanto eu.
— Não quem, mas o que. – O ex-sonserino tomou a frente. – Dementadores.
Dementadores? Aparentemente, ELE estava seguindo passos anteriores. Mas se essas criaturas vierem para Hogwarts, será extremamente complicado pará-las sem patronos. Isso mudava alguns planos.
— Eu sei. Porém temos um problema, eles chegarão aqui e não acho que demorará muito... quanto mais enfraquecerem a resistência, mais fácil será atingirem o objetivo.
— Por outro lado, fontes seguras dizem que temos alguns do nosso lado também, isso equilibra o jogo, ao menos, uma parte dele.
—Dementadores não podem ser descritos como leais e confiáveis. — O de cabelos castanhos complementou as falas de nossos pais, expressando o pensamento de todos ali.
—Então um de nossos aliados são criaturas que se alimentam de felicidade e cuja única forma de serem vencidos é por um feitiço que não podemos usar, inclusive, alguns dos primos deles são nossos inimigos e podem estar caminhando para cá nesse minuto? – Tentei confirmar tudo.
— Exatamente, Ceci. – Jade respondeu.
Apesar de algumas semelhanças com Voldemort, não imaginei que eles se aproximaram nesse ponto também, mas faz sentindo buscar apoio em quem lutou ao lado de seu antecessor no quesito ideais. Se fosse assim, teríamos que tomar cuidado com os gigantes, pois se encontraram ao lado de Tom Riddle.
— O que faremos? – Dylan perguntou.
— Estou pensando em estudar os aliados, digo, focar nisso.
— Eu acho uma boa ideia, Ceci. Se me permite, gostaria de trabalhar com você nisso. – A mulher foi firme.
— Claro.
— Sendo assim, eu e Dylan continuaremos com os demais estudos.
— Foquem em algumas estratégias, dada as informações descobertas. – A esposa indicou ao marido a direção, ele concordou.
— Fiquem tranquilos teremos muitas coisas para fazer, Dylan ainda ajudará sua mãe e Ceci me ajudará. Vários tópicos ainda vão precisar ser vistos. Teremos muito trabalho para fazer.
Bom, o que esperar de um ano em que nossa localização está longe de ser sigilosa, nosso segredo foi compartilhado e os quatro com sangue dos fundadores estão juntos.
— Ok.
Após discutirmos mais um pouco, nossos pais foram chamados para uma reunião, dessa forma, tanto Dylan quanto eu optamos por realizar os deveres para o dia seguinte e adiantar o possível para os próximos. Sendo assim, eu comecei com a de aritmância, um dever de, aproximadamente, um metro de pergaminho, no qual tínhamos questões para responder, essas abordavam todos os temas vistos no ano anterior. Enquanto eu via os vários números do dever, Dylan resolvia seu dever de história da magia. Eu podia ver os enormes textos de questões e respostas no pergaminho grande na mesa.
Pelo que meu irmão comentou, ele não tinha nenhuma aula igual entre hoje e amanhã, então ele começou pela aula de Sexta. O tempo se passava, conforme nós nos concentrávamos nos respectivos afazeres, eu ainda tinha o DCAT para fazer, quando Dylan se levantou e fez aparecer uma estante na parede oposta à nossa. Provavelmente, seria para ter uma base melhor.
O próximo pergaminho, o de DCAT, era um pouco maior, ele trazia algumas perguntas objetivas também e questões divididas em práticas e teóricas. Mesmo assim, consegui terminar mais rápido que a anterior.
Ainda levou um tempo até que meus pais voltassem, a essa altura, eu tinha finalizado, além dos dois anteriores, o de runas antigas e me encontrava na metade do dever de poções. De qualquer forma, os não finalizados seriam apenas para semana que vem, então eu pude deixar as lições de Hogwarts para me concentrar nos aliados com a minha mãe.
—Bom, teremos dois começos, listagem e pesquisa. — Eu concordei. — O que acha de ficar com a listagem? Assim te ajuda com História da Magia.
—Tudo bem. — Confirmei, enquanto escrevia “Aliados Segunda Guerra Bruxa” no topo de um pergaminho.
Seria uma tarefa bem rápida, depois, teríamos que revisar para ver se nós não esquecemos de nada para, só depois, localizar onde esses antigos aliados estavam, monitorar eles e tentar trazê-los para o nosso lado. Essa não seria uma etapa curta, na verdade, estavam entre as que durariam até a Guerra. Mas, se você participa de algo não pode reclamar, o melhor é encarar de uma forma estimulante.
Meu pai e Dylan realizaram o estudo deles sentados no tapete, apesar de minha mãe dizer que o melhor seria ambos sentarem em uma mesa, nem que tivessem de convocar outra. Eles tinham muitos pergaminhos espalhados pelo chão e faziam ainda mais anotações. Já era de madrugada, quando resolvemos parar.
O ex-sonserino colocou na mesa um pouco de comida que não sei onde ele arrumou, mas tinha um cheiro incrível. Enquanto eu e meu irmão pegamos alguns dos finos pedaços de frango, colocamos uma mistura que não soube reconhecer muito bem por cima e um pouco de arroz, esse seria nosso jantar, minha mãe convocou as camas e meu pai foi tomar um banho.
Tão logo a claridade começava a iluminar o quarto, eu acordei. Alguém tinha pedido para a Sala Precisa trazer o dia lá de fora para cá, quase como uma janela. Eu me levantei, sentindo-me despertar aos poucos, ninguém do quarto tinha dormido por muito tempo.
—Bom dia, Ceci. — Meu pai falou sentado na cama. — Vá em frente, você e seu irmão têm preferência. — Ele indicou o que seria a porta do banheiro.
Agradecendo, caminhei para o local, mas, antes, pude ver Dylan coçando os olhos em um sinal claro de que estava acordando, meu pai olhou para o filho por um instante. Deixei o momento família para trás ao fechar a porta do banheiro.
No pequeno local, eu pude ver um uniforme limpo, agradecendo a quem trouxe, tirei a roupa para tomar um banho. A água morna me fez despertar rapidamente, então de forma ágil, eu já estava pronta, com o uniforme vestido e higiene pessoal completa. Então, peguei os materiais que tinha, despedi-me dos meus pais e segui para a Torre da Grifinória para pegar o material do dia.
O dia passou de forma intensa, aulas e mais lições, minha prima começava a se desesperar com a quantidade de matéria e os estudos dos NOMs. Ela tinha ao seu lado a vantagem de estudos antecipados, mas isso não parecia tranquilizá-la. Jenny se encontrou comigo nos corredores do castelo para o jantar, mas se afastou para procurar por Nathan e Dylan a substituiu.
Chegando no Salão Principal, ele já estava bem lotado, sendo assim, procurei um lugar juntamente com meu irmão. Nossos pais nos pediram para que esperássemos o fim do jantar para sairmos, dessa forma, não nos importamos muito com chegar cedo.
A mesa da Grifinória estava bem cheia, achamos um lugar próximo a mesa dos professores, aparentemente, nem fora da sala de aula, os alunos gostam de sentar perto de quem os ensina. Ignorando alguns olhares, sentamos na mesa. Percebia que Dylan se mantia preocupado com a divisão do apoio de dementadores e o fato deles rumarem para cá. Ele estava atento a tudo, até enquanto comia.
Meus pais conversavam com a diretora, provavelmente, sobre isso. A presença deles era um pouco reconfortante, mas não tornava tudo tranquilo. Acompanhei o ritmo de Dylan ao me alimentar, sabia que ele queria participar da reunião e eu não ficaria de fora, ele se acalmava, mas comia rapidamente.
—Vocês acham que isso pode acontecer logo? — A voz baixa e preocupada de McGonagall soou, conforme nos aproximávamos.
—Infelizmente, pelo pouco que vimos, somado com o que encontramos hoje, pode ser mais rápido do que o esperado. — Minha mãe completou.
—Então vocês conseguiram descobrir algo. — A voz de meu irmão atraiu a atenção dos adultos para nós.
—Devia imaginar que iriam participar. – A mulher de cabelos castanhos comentou.
—Sim, descobrimos uma localização muito próxima daqui. – Nosso pai admitiu.
—Tudo bem. Farei o comunicado após o jantar. — A diretora foi firme.
Porém logo que ela falou, senti um frio percorrer minha espinha, a tristeza começava a tomar conta e ouvi um grito. Registrei que todos nós nos viramos a tempo de ver um dementador ali, no Salão Principal, indo em direção a Jannete, que estava caída no corredor.
Sem pensar, corri, pulando-a e concentrando todas minhas forças em uma memória, uma voz se juntou a minha ao pronunciar “Expectro Patronum”, os patronos fizeram uma barreira. Ouvi a voz de Dylan, provavelmente, ajudando Jan. Quem me ajudara fora minha mãe. Ali, na minha frente, estavam duas águias, dois leões, um texugo e uma cobra.
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