Os descendentes - entre lutas e fugas
6 Treinos e uma nova pegadinha
Notas iniciais
P.O.V. Cecília Mason
Antes que pudesse ver quem era eu acordei, meu coração estava acelerado, eu senti a adrenalina percorrendo o meu corpo, aquelas cenas permaneciam na minha cabeça. Dei um suspiro forte, o dia não havia amanhecido, então o quarto estava escuro e todas permaneciam dormindo, ainda mais por ser Sábado.
Eu tinha combinado com os meus pais uma reunião perto do nascer do dia, Dylan também participaria, e, por isso, não demoraria muito para a hora de levantar. Balancei a cabeça, decidindo ignorar o que acontecera e me preparar para o que vinha pela frente.
Em pouco tempo, eu descia as escadas do dormitório, não demorou muito para meu irmão chegar e para sairmos rumo à Sala Precisa. O caminho estava vazio devido ao horário de Sábado. Agradeci por isso, realmente não queria ter que ver ninguém olhando curioso.
A Sala Precisa já estava arrumada como sempre, alvos espalhados pelo local, seria um misto de treino e estudo. Dylan e eu nos preparamos, o início foi precisão, algo bem rápido, pois já sabíamos há tempo; depois, era a parte de lutarmos.
Eu observei, Dylan trajava uma camiseta escura lisa e uma calça da mesma cor, percebia pela sua expressão, que ele estava concentrado, observando meus movimentos, não podia negar que eu também fazia isso, afinal, observando, sabíamos o que esperar.
Eu estava vestida de um jeito que me permitia lutar tranquilamente e era bem semelhante ao de Dylan, uma camiseta lilás de manga curta e uma calça preta, esse estilo de roupa nos livrava de preocupações durante a luta.
—Podem começar. — Assim que minha mãe terminou de falar, Dylan lançou um feitiço que desviei rapidamente para lançar outro em sua direção, em pouco tempo, a batalha já estava agitada, o Sol devia ter acabado de nascer.
Ele lançava feitiço após feitiço, mas conseguia evitar a maioria, devolvendo outros em sua direção, o tempo parecia não passar, a magia ia expandindo, meus pais davam dicas; não tínhamos tempo de parar, as decisões eram rápidas, desde quando desviar e quando atacar até os feitiços utilizados.
Lancei bombarda, ele desviou, mas foi o bastante para me aproximar, obviamente, eu não conseguiria atacar rapidamente, antes dele se recompor. Dylan lançou um feitiço que consegui desviar, lançando um outro que o jogou longe, seguido por um estupore.
Meus pais interromperam a luta, quando Dylan desmaiou, significando que eu havia vencido. De qualquer forma, não acho que fora uma luta muito justa, meu irmão havia treinado na noite anterior, por mais que não afetasse muito, sabia que eu estava mais descansada.
Assim que tudo tinha sido resolvido, meu pai colocou diversos livros na mesa que, agora, já ocupava o centro daquela sala, diversas prateleiras rodeavam o espaço. Elas preenchiam do chão ao teto e uma escada também se fazia presente para permitir com que os títulos fossem lidos antes da escolha.
A mesa era grande para caber os quatro e mais o tanto de livros que usaríamos. A manhã ia ser longa, mas eu sentia falta disso, então vamos lá. Cada um pegava um livro das imensas pilhas e lia, fazendo anotações sobre os dados importantes.
O ritmo era bom, minha mãe focava na criação de feitiços; Dylan em aliados, tentando descobrir algo útil sobre aqueles possíveis de lutar ao nosso lado e ao lado inimigo ou modificações de alianças; meu pai seguia por algumas estratégias e eu por descobrir novas magias, poções e feitiços raros para tentar aprender. Tudo caminhava bem, eu estava completamente entretida nas palavras em latim, quando um movimento a minha esquerda me fez me desligar das folhas, minha mãe tinha acabado de levantar.
—Já volto. — Ela comentou em tom baixo para não assustar os demais, meu pai concordou.
Assim que ela se afastou um pouco, eu voltei minha completa atenção para o livro que lia. Até o momento, não achei nenhuma novidade, mas quem sabe não pudesse ter uma ideia interessante de uma nova poção.
Eu tinha terminado o livro, quando minha mãe voltou, trazendo comida para todos do local. Já devia ser hora do café da manhã, mas ninguém ali se importava se tivesse que passar o dia sem comer.
—Trouxe comida. — Meu irmão ergueu os olhos e meu pai concordou com a cabeça sem tirar os olhos do grosso objeto a sua frente.
Como eu era a única livre e tinha lutado, decidi pegar uma única torrada da pilha a qual comi ao mesmo tempo que lia o novo livro já a minha frente. Meus olhos vagavam pelas linhas, eu tentava absorver ao máximo todo conteúdo, fazia anotações sobre ideias de possíveis criações.
Seguimos esse ritmo por um bom tempo, que deu lugar para discussões sobre o que cada um achou, começávamos a unir as descobertas e anotações com estratégias desenvolvidas pelo meu pai e para serem aprimoradas, especialmente, pela minha mãe.
Todos levantávamos alguns pontos que seriam bem importantes, Dylan não ficou só fixo em livros, apesar de usar, ele pegou o que eu e minha mãe já tínhamos encontrado e mais algumas notícias, ele fez a parte de rastreamento dos aliados, segundo dados obtidos. A informação não era a mais atualizada, como o feitiço de nossa mãe, mas servia para ter uma ideia da tendência de locomoção e para restringir as possíveis áreas de destino com objetivo de descobrir o que poderia ser de interesse para eles.
De qualquer forma, não podíamos descuidar, pois além da possibilidade de defasagem do resultado final, Dylan analisou os aliados deles e não os comensais.
Bom, as anotações que fiz dariam ideias de forma para nos protegermos e para atacarmos, meus estudos não se limitaram apenas a feitiços, mas a poções também. A verdade é que, apesar de dividirmos, tudo estava interligado, pois tudo faria parte de nossa estratégia; além do mais, minha mãe descobrindo como tornar o feitiço eficiente, podíamos criar uma quantidade muito maior de magias.
O processo era mais complicado, afinal, minha mãe já criara MAGIS, a poção de essência da magia, ela era proibida de ser usada em trouxas, pois podia ocasionar morte — devido a sensibilidade deles para tal poder -, mas, em bruxos, o efeito era aumentar o seu nível de magia, era essa característica que permitia provocar explosões.
—Muito bem, as informações foram muito úteis, com essa atualização, vamos ter estratégias melhores definidas. — Minha mãe elogiou nosso trabalho e podia perceber que ela estava orgulhosa.
—Isso é verdade e, sinceramente, por mais que eu não goste de admitir, você é muito melhor estrategista do que eu, Jade. Atribuo isso ao fato de você ser filha de Rowena. — Meu pai, como um bom Slytherin, quer ser melhor em tudo e não gosta de ser superado, menos ainda de admitir não estar em primeiro lugar, o orgulho era tão forte quanto a vontade de se provar. Ele ainda suportava um pouco tal ressentimento se o orgulho por ser ligado a pessoa fosse o suficiente para controlar a vontade extravagante de ser reconhecido; resumindo, ele só suportava se fosse para elogiar minha mãe, Dylan e eu, ainda mais por ele ter a desculpa de sermos descendentes de Rowena Ravenclaw.
—Você é bom estrategista, só não tão lógico, mas seus planos são bons. — Minha mãe comentou antes de se virar para mim e Dylan. — Acho que consigo criar o feitiço agora, mas o tempo é curto e ainda tem algumas coisas que quero falar com vocês.
—Estamos com saudade de sermos seus professores. — O mais velho comentou se referindo a ele e à esposa. Isso me animou, eu gostava de estudar com eles, diferentemente daqui, com eles, eu sentia como se aprendesse mais a cada aula, mesmo se fosse revisão, talvez, pelo fato de que eles exigiam além do nosso limite. Eu olhei para meu irmão e pude ver sua expressão animada.
—Então, vamos revisar. — Minha mãe movimentou suas mãos, fazendo os livros voltarem às estantes e a grande mesa foi substituída por duas menores em L, uma para mim e outra para Dylan.
A cada minuto, seus movimentos traziam mais novidades a sala, ainda mais se somado ao fato de estar na Sala Precisa, tudo mudava muito rapidamente. Na verdade, ela usou o poder do local para fazer a base e sua magia completava o resto e organizava tudo.
—Prontinho. Vamos começar? Vocês iniciarão pela bancada de poções, deverão preparar Felix Felicius, Amortentia e Poção do morto-vivo em ordem, com o tempo mínimo e sem os passos escritos, usarão apenas a memória; depois de terminado isso, vocês responderão 25 questões de poções, 50 de história da magia e 120 de duelos e suas técnicas, englobando feitiços e DCAT em essência, além das próprias técnicas de duelos; o terceiro passo será realizar o feitiço do patrono, fogo maldito, oclumência e legimiliens, feitiços de controle mental, dessa vez, não terá aparatação, pois não terão destino viável dentro dos terrenos do castelo, ele será usado em um próximo teste; por fim, terão a transfiguração em sua forma animaga. Essa será a revisão de hoje.
—O tempo será contado apenas na parte prática hoje, então não tenham pressa nas questões.
—Podem começar — Assim que a voz da minha mãe soou, eu comecei a desenvolver a primeira poção solicitada, eu repassava lentamente os passos para realização, seguia cada detalhe que eu recordava. A próxima poção que iniciei foi a amortentia, já podia sentir o cheiro de campo e livros, misturado com o odor amadeirado já conhecido. Eu usava exatamente o tempo necessário para cada fase, nada a mais.
Eu tinha foco total nos ingredientes a minha frente, ignorava meu irmão ao meu lado, em sua própria bancada, evitava me lembrar dos meus pais a poucos metros à frente, analisando os movimentos e o tempo gasto por cada.
Eu seguia com todas as poções, respeitando o que nos foi imposto. Assim que terminei o que era possível, meus pais finalizaram a fase, pelo que ouvi Dylan comentando, ele acabou com o tempo ainda mais justo.
—Muito bem, sigam para a próxima, o tempo mínimo terminou.
Deixei a mesa e caminhei para onde estavam a próxima, aquela com as provas, mal sentei na cadeira, iniciei as questões, a primeira tinha mais de 30 centímetros de resposta, o tempo passaria rápido, então, mais uma vez, foquei totalmente no pergaminho e nas palavras marcadas pela tinta na pena. Os temas variavam de nível, mas eu conhecia Jade e por isso sabia que, se ela cobrava detalhes em questões difíceis, as fáceis tinham que ser ainda mais específicas e sem erro algum. Com o tempo passando, as linhas antes vazias eram preenchidas com característica, classificação, modo de preparo – com os passos ordenados e descritos corretamente –, o que analisar para identificar rapidamente, função detalhada, dentre demais aspectos.
Magis. Poções Summa. Processo de criação. Essas eram algumas das questões da categoria poções. Nada além do esperado, considerando que foram formuladas por Jade e Érick, eles escolheriam temas de fora da sala de aula, pois esses já tínhamos diariamente. Nas de História da Magia, as questões abordavam além das famosas guerras, tinham as estratégias abordadas, erros cometidos e o que poderia ser aprimorado, isso somado às espécies existentes – e que podem ser aliados –, suas origens e histórias.
Por sua vez, as 120 questões de duelos e suas técnicas traziam maior variação, tendo desde fichas técnicas de cada feitiço e transfiguração, incluindo suas curas, ou seja, o que resolveria se tal magia fosse utilizada. “Quais estratégias poderiam ser usadas para as determinadas situações:”, a seguir, existia uma lista cujos itens traziam diferentes estratégias utilizadas pelos inimigos até variação na quantidade deles.
Eu levei um tempo considerável, devido ao tamanho das provas e questões, sorri internamente, não poderia ser diferente e essas atividades sempre exigiam além do nosso nível, um aperfeiçoamento constante na arte da guerra bruxa.
Assim que acabei, levantei-me e segui para o próximo passo, o ponto dos feitiços indicava aonde mirar em cada um. Pelo canto de olho, percebi que Dylan e eu estávamos empatados na velocidade. Balancei a cabeça voltando meu foco para as indicações.
—Expectro patrono. — Assim que pronunciei, um a um os já conhecidos animais saiam da ponta da varinha, ganhando corpo, forma e movimentos, cada um levando uma mensagem diferente para seu destino.
—Fogo Maldito – Sussurrei. As chamas ardentes circularam o local sinalizado, que aumentou a altura das chamas, fazendo um muro; por fim, as chamas abaixaram, juntando-se rapidamente no centro, em uma explosão e desapareceram em seguida.
Meus pais foram espertos ao escolher a ordem. Fogo Maldito é controlado mentalmente e que exigia extremo esforço, depois, viria oclumência, impedindo que demais pessoas entrassem em sua mente; quanto mais cansado estiver, pior é para proteger seus pensamentos e memórias, por fim, legimiliens que exigia concentração mental e seria bem difícil, ainda mais se fosse neles; apesar de que a ordem inversa também seria complicado.
—Legimiliens. — Assim que as chamas desapareceram, ouvi uma voz.
Foquei na figura da minha mãe, enquanto ela forçava minha mente para entrar e eu permanecia protegida. Percebi que ela aumentava a potência de seu feitiço e, consequentemente, eu repetia o feito. Ficamos por um bom tempo, era cansativo, ainda mais somado com todo o esforço já realizado. Então ela parou.
Sem dar tempo dela pensar, eu lancei o legimiliens em sua direção, podia perceber sua mente totalmente fechada, a cada minuto, a parede parecia mais sólida, sem brechas e sem um fim. Eu me esforçava para entrar e ela permanecia me expulsando, o jogo tinha se invertido totalmente.
Percebi um olhar de orgulho cruzar o seu rosto, então as barreiras caíram.
“Podia ver uma menininha correndo, os cabelos negros voavam atrás de si, o vestido azul claro contrastava com as árvores ao redor, a magia era forte, mesmo em uma pessoa tão pequena. A menina desacelerou um pouco e olhou para a natureza que a circulava, então se virou na minha direção, os olhos azuis escuros brilhavam e, devido a luz no local, apenas uma parte parecia azul. Tão rápido quanto a troca de olhares ocorreu, ela se virou de costas e voltou a correr, mas um pequeno tronco enroscou no seu sapato branco a lançando para a frente, assim que registrei o fato, tentei alcançá-la, mas ela não atingiu o chão, eu a vi flutuar, virando de costas por um momento, pousando no chão de frente para mim antes de seus pés deixarem o chão novamente.
Por mais poderosa que fosse, a garota não devia ter magia o bastante para voar sem vassoura. Como se lesse meus pensamentos, uma figura saiu detrás da árvore a direita do local onde a menina flutuava, eu podia ver um homem muito bonito, os olhos verdes refletiam a felicidade que ele sentia no momento, os cabelos negros caiam em seus olhos, algo não muito comum para a pessoa que era, uma força e magnetismo emanavam. Tinha consciência do coração disparando, o movimento de seus dedos indicava que ele era responsável pela mais jovem estar voando.
Uma sombra menor saiu detrás do homem, os cabelos castanhos lisos voaram levemente com a brisa que atingiu o local, os olhos castanhos observavam a mais jovem. O menino se aproximou e sorriu levemente.”
Eu saí da mente de minha mãe com um sentimento levemente confuso, mas era interessante ver minha infância sob outra perspectiva. Percebi que a mulher se afastou e eu entendi, disparei para o local em que ela estava, me focando para a transformação.
—Parem. — A voz de meu pai me atingiu e me virei na direção deles, uma carta se encontrava aberta na mão da mais velha em questão de segundos.
—Temos uma reunião surpresa agora, sinto muito, mas precisamos ir. — Ela estalou os dedos e as provas pousaram em seus braços. — Guardem as poções, nos entreguem um frasco de cada com o nome de vocês para analisarmos. — Foi a última coisa que foi falado antes deles se virarem e saírem.
Eu me virei para Dylan, ele já estava me olhando, mas deu de ombros antes de seguir na direção de sua bancada de poções, os frascos para guardar já se encontravam em sua mesa. Eu observei a minha e vi os mesmos recipientes, Dylan já tinha adiantado tudo.
P.O.V. James Sirius Potter
Eu suspirei jogado na cama, em pleno Sábado, estava preso no quarto. Muitas coisas mudaram desde as revelações. Todo mundo ainda brigava comigo por não confiar nas Masons ou Slytherins, já nem sabia ao certo como chamá-los, mas eles nos traíram, simples assim, eles nos traíram ao não revelar quem eram, ao não assumir as responsabilidades pelas invasões.
O que piorava eram os sonhos mais recentes que vinha tendo, a garota aparecia em alguns, mesmo por menor que o tempo fosse. Eu simplesmente não entendia o porquê disso. Acho que devia ser pela irritação, afinal, como disse, minha família dizia já estar cansada de eu sempre falar a mesma coisa. Até mesmo Domi já participou das críticas.
Fechei os olhos e me lembrei da reunião que teve, Cecília Mason se achava demais e, agora, eu entendia ainda mais claramente, nenhum dos pais dela gostou de mim, eu não queria a inimizade deles, afinal éramos aliados. Esse pensamento me deixou estranho, ainda mais por não querer muita proximidade com eles.
Alguém pulou na minha cama rindo. Eu abri os olhos lentamente e vi os cabelos ruivos e olhos claros da minha prima.
—Domi. — Uma nova voz surgiu e a pessoa a tirou da cama, fazendo a garota rir.
—Que foi, Fred? — A voz ainda era risonha quando perguntou.
—Vamos seguir com o plano? — Essa foi a minha vez de sorrir.
Ao levantar da cama, um barulho indicou que eu tinha derrubado algo. O livro que Rose me pediu para ler estava no chão, eu peguei e ele abriu em uma página ao ser colocado de volta sobre o colchão, a imagem era realmente bonita, quatro pessoas, duas mulheres e dois homens, eu estava completamente paralisado, observando os olhos incomuns de uma das mulheres, azuis escuros. Nesse momento, o pensamento de que fazia muito tempo que eu não ficava com alguém passou pela minha cabeça; a verdade que eu não sentia falta, eu tive tanta coisa para focar que não me preocupei com isso e posso dizer que uma parte de mim ficou realmente feliz.
—James. — Meu primo me tirou dali e eu fechei o livro irritado.
Virei-me para meus dois primos ali, era uma das poucas vezes que minha irritação diminuiu. Domi olhou para mim e se aproximou acompanhada de Fred.
—James, você está bem? — Eu apenas sorri.
—Achei que íamos seguir o plano. — Os dois me acompanharam no sorriso maroto.
Foi dessa forma que saímos do quarto e caminhamos rumo ao jardim, aonde tinha a maior parte dos alunos. Nós não tínhamos conseguido juntar pântano portátil com fogos instantâneos ainda, mas trouxemos as tintas com os fogos, seria apenas um aquecimento até o término da solução dos problemas técnicos. Procuramos um lugar escondido e armamos tudo, seria algo em larga escala hoje.
—Tudo pronto aqui – Meu primo comentou.
—Aqui também. — Foi a vez da garota confirmar.
—Então estamos todos prontos. Preparados? — Perguntei já muito animado.
—Sim – Eles responderam em uníssono.
Nós acendemos a combinação, o barulho característico encheu o ambiente, as pessoas começaram a procurar o que estava acontecendo até que fogos coloridos tomaram conta do céu, trazendo as cores deles e das tintas brilhantes que caíram na cabeça de todos ali; aos poucos o verde das plantas assumiam tons diferentes.
Dominique começou a gargalhar, Fred, a comemorar e eu fazia os dois, era muito bom estar de volta; por um momento, eu me esqueci de todos os problemas, dos meus primos brigando comigo, das matérias, da guerra, dos Masons.
—Devia imaginar que esses imbecis estavam envolvidos. — Uma voz nas nossas costas fez minha felicidade sumir. Eu ergui o olhar e encontrei o pior da família a minha frente.
—Nathan Mason. — Não seria possível que até nisso ele ia atrapalhar. O sonserino se defendeu de algum feitiço, eu procurei quem havia sido o responsável e me encontrei segurando a minha varinha. Os traços do meu adversário se tornaram mais pesados, podia perceber que uma luta tinha se iniciado.
Tão logo percebi isso, eu fui atacado, em pleno jardim colorido, Mason atacava eu, Domi e Fred. Tínhamos uma certa vantagem que não existia com a prima dele, mas não me deixou mais tranquilo, tudo parecia ter sumido ao meu redor, o único foco era essa luta.
Ouvi um leve barulho ao meu lado esquerdo, esse som aumentou um pouco, porém eu não conseguia entender. Quando lancei meu próximo feitiço, vi Dylan Mason atrás do primo, mas, antes de tomar qualquer decisão, escutei um som e algo caiu sobre mim, fazendo-me fechar os olhos por um impulso.
—Será que, agora, vocês conseguem agir como pessoas racionais e não como animais com raiva? — A voz cortante atingiu meus ouvidos, no momento em que limpava o que caíra dos meus olhos e vi um ambiente todo verde, levemente brilhante, começando pelo sonserino, isso me fez rir até eu perceber que também me encontrava verde com um leve brilho prateado.
Virei-me para a voz, Cecília Mason nos encarava irritada, sua varinha em mãos, atrás de si, estavam seus pais e a diretora. O irmão permanecia próximo ao primo, limpo. Levei um tempo para entender o que acontecera.
—Você. Você usou a combinação.
—Parabéns, Potter. Eu te daria 5 pontos pela sua perspicácia. — Seu tom foi irônico. — Não que isso resolvesse. Ah, antes que me esqueça. — A garota movimentou a varinha e retirou a tinta verde do jardim. — Prontinho, diretora, o que sujei, eu limpei. — Eu fiquei em choque com o quão fácil ela fez isso que mal registrei que a grifinória se virou para o primo, se aproximando e diminuindo o tom para as demais pessoas do jardim não poderem ouvir, apenas o grupo dali. — E, Nathan, chega. Cansei de arrumar suas bagunças, desde que vim para cá, eu te ajudo com as brigas e Dylan também, mas acabou. Você quer brigar? Brigue, porém, resolva também. Não vou te abandonar em lutas maiores que envolvam a guerra, mas, aqui, já deu. Para com essas brigas infantis, você tem coisas mais importantes para se preocupar do que um local sujo. — Dito isso, ela virou as costas, deixando o local, depois da diretora ter tirado 10 pontos por ela intervir com a própria pegadinha.
Eu ainda estava intrigado com a facilidade com que a grifinória resolveu a limpeza, afinal essa tinta não era fácil de tirar; mesmo assim, pareceu tão fácil achar engraçado a fala dela para o primo, talvez, por eu não ter que me preocupar mais em me defender de Cecília Mason ao enfrentar o sonserino.
Admito que não esperava o fato dela o abandonar, mas pude perceber que o “você tem coisas mais importantes para se preocupar” queria dizer muito mais do que ela deixou transparecer. Cecília Mason ainda me parecia um enigma ainda. Balancei a cabeça assim que tal pensamento passou pela minha cabeça, a garota não era um enigma, ela era...
—Senhores, me acompanhem. — A voz da diretora McGonagall interrompeu a frase.
Sem poder comentar nada, nós seguimos a diretora até a sala dela, total silêncio era feito, isso me surpreendia, ao invés do Mason ficar irritado pela situação, e admito que eu adoraria isso, ele se manteve calado e afastado dos demais. Domi estava lado a lado de Fred, enquanto eu seguia levemente a frente deles. Essa estrutura permaneceu até chegarmos ao destino e a mais velha pedir para nos sentarmos.
—Mais uma vez, os quatro nessa sala. — Ela suspirou. — A minha surpresa é a senhorita. Os demais, senhor Weasley, senhor Potter e senhor Mason, vocês são mais parecidos com os pais do que imaginam. — Foi impressão minha ou ela disse com um tom mais leve? Além de que percebi uma alteração no tom ao falar sobre o único sonserino dali, acho que a diretora não gostava muito do pai dele, ao menos, não tanto quanto os outros.
—Obrigado, diretora. — Fred trazia um sorriso ao agradecer, recebendo um olhar severo como resposta.
—De qualquer forma, senhor Mason, diferente de Cecília Mason que perdeu 10 pontos, o senhor perderá 50 pontos por brigar. Já os senhores, — ela se virou para nós — perderão 50 pontos cada um, além de limpar o jardim sob supervisão de Jade Mason. — A irritação começou a subir, lógico que seriam um dos pais, eles, provavelmente, queriam o local mais intacto do que qualquer outra pessoa.
—Devia ser com meu tio. — Ouvi um sussurro que decidi ignorar.
—Além de detenção durante uma semana pela briga e mais uma semana pela pegadinha. É isso.
Assim que saímos rumo ao jardim, começamos a conversar. Obviamente, o sonserino seguiu caminho diferente.
—Agora, o Mason está sozinho agora... — A garota começou.
—E vamos usar isso ao nosso favor. — O outro ruivo terminou, mas algo no plano me incomodava.
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