Notas iniciais
Boa tarde, pessoal. Espero que todos estejam bem. Estou de volta com mais um capítulo para vocês, espero conseguir animar. Antes de começar, queria dizer que ele está maior e dividido em duas partes. Espero que gostem.

P.O.V. Cecília Mason

Abri meus olhos e pude ver a cortina e o edredom, ambos brancos. Suspirei, devia ser bem cedo ainda, provavelmente, 6 da manhã. Levantei-me e fui para o banheiro, dessa vez, eu não tomaria banho, então joguei uma água no rosto, penteei o cabelo e escovei os dentes.

Para ser ágil, coloquei a mesma calça e o mesmo par de botas do dia anterior, peguei uma camiseta azul e um agasalho da mesma cor não muito grosso.

Hoje, viajaríamos logo cedo, o nosso destino era a casa de campo dos Masons. Minha família tinha um total de 3 casas em campo, mas uma delas ninguém sabia a localização, apenas da existência, alguns chegavam até a cogitar que era uma lenda.

Peguei o malão com o feitiço já feito e, assim, ele coube no bolso do agasalho. Arrumei minha cama com magia, conferi se minha varanda estava fechada e peguei a mochila no lado da porta.

Fora do quarto, era um misto de correria com cansaço, Dylan estava falando com a minha mãe no andar debaixo, podia ouvir barulho de talheres e passos apressados, meu pai saiu do quarto coçando o olho, ele devia estar bem cansado.

— Cecília, bom dia.

— Bom dia, pai. — O mais velho acompanhou-me até a cozinha.

Uma torta incrivelmente cheirosa estava posta a mesa. Assim como alguns cookies.

— Podem comer o que quiserem, mas sejam rápidos, temos que estar em 30 minutos na praça. — A voz levemente autoritária da minha mãe foi o bastante para acordar todo mundo.

Enquanto Dylan voou para a mesa, meu pai pegou um corpo de água gelada e bebeu, isso fez boa parte do sono em seu rosto desaparecer, minha mãe observou todo mundo por um tempo até que eu estivesse cortando uma pequena fatia da torta.

Sabíamos que, por mais ágil que fôssemos, 30 minutos para comer, fechar a casa e chegar na praça seria um pouco complicado, então, relembrando os velhos tempos, sentamo-nos, pegamos uma quantidade de comida relativamente pequena e comemos o mais rápido possível que a mastigação permitisse. Eu não tomei suco nem nada, apenas consumi um pedaço bem fino de torta e separei um cookie para a viagem. Logo, acabamos, embrulhamos o que sobrou para poder guardar na mochila azul da minha mãe.

Enquanto, os mais velhos ajeitavam os detalhes restantes, meu irmão e eu fomos para fora da casa esperar por eles. Com o cookie em mãos, dei uma mordida e ofereci ao meu irmão que aceitou.

— Vamos. — Meu pai puxou a gola do longo casaco preto, e o qual dava mais intensidade aos seus olhos, de forma a proteger um pouco o rosto.

Minha mãe apareceu sobre o ombro dele, fechando a porta, todos nós nos afastamos até o limite de início do terreno, onde os mais velhos reforçaram os feitiços de segurança.

Quando nos viramos para caminhar até a praça, vimos algo bem semelhante ao fim do mundo por apocalipse zumbi, mesmo com toda a postura e ar Mason, era possível ver traços do quão pouco cada um dormiu essa noite pelos passos levemente desastrados de Jennyfer, Nathan coçando os olhos, minha tia com uma roupa qualquer, minha avó usando tênis, a corrente com o brasão dos Masons estar escondida pela blusa que meu avô usava ou até mesmo pela olheira — cada vez mais perceptível conforme nos aproximávamos — exibida no rosto de meu tio. Talvez não fossem sinais tão óbvios para todos, mas, para quem conhecia cada membro daquela família do modo mais superficial possível, era extremamente claro cada detalhe.

Acelerando o passo, ficamos no centro do local de encontro, minha avó tinha em mãos uma pulseira velha, uma chave de portal. Ela estendeu o braço, sua mão firme em um ponto, nós seguramos em parte diferentes e, em poucos minutos, nossos pés saíram do chão, tudo girava até eu sentir meu rosto contra algo branco e gelado, neve. Antes de poder pensar em levantar, algo muito pesado caiu nas minhas costas, empurrando-me mais contra a precipitação gelada presa ao chão.

— Ai. — A pessoa falou, Nathan. Ele se debateu um pouco e rolou para longe de mim, colocando-se de pé. — Obrigado pela almofada, Ceci.

Mal ele terminou de falar e Jennyfer caiu em cima dele, pelo visto eu tinha sido uma das primeiras pessoas a chegar. Desgrudando-me do branco, vi uma mão ser posta a minha frente, aceitei e Dylan puxou-me.

— Vamos entrar, Ceci. A neve está bem complicada. — Tinha pequenos flocos nos cílios dele.

A casa de campo era imensa, muito maior do que as presentes em Salazar's Town, sua cor era preta e as colunas eram prata, a casa tinha pelo menos 5 andares visíveis e um porão escondido, sendo no último o local do livro oficial com registro de todos os bruxos e o sangue de cada, era um cômodo redondo com os livros mais raros que a família encontrara durante toda a existência do sobrenome.

A mansão continha centenas de quartos, desde os com nomes dos proprietários, mesmo que eles não estivessem mais vivos, até aqueles que possuíam uma decoração base e sem nome, pois seus habitantes ainda não haviam nascido; cada um com um banheiro próprio. Tudo ali era de um tamanho grande desde a cozinha até a cachoeira e lago, esse era mais comprido do que largo, mas dava tranquilamente para nadarmos, nunca congelados e que se encontravam, nesse momento, a nossa esquerda.

Sua frente possuía um quintal muito bem cuidado, grama aparada e árvores enfeitando. Era possível perceber o brasão dos Masons nos detalhes, campainha — não que ela fosse usada -, maçanetas, travas de janelas, nos encontros das colunas com telhado e logo acima da entrada.

No fundo da casa, local em que estávamos agora, possuía uma sacada preenchendo toda parte traseira com uma escada protegida por um telhado; mais afastada, estava uma estufa, eu não sabia ao certo como todas as plantas mágicas continuavam vivas, mas que havia magia no local, isso era certeza.

E, para finalizar, logo após a estufa e o campo de Quadribol, tinha uma floresta imensa cortada pelo comprido lago, nunca conseguira descobrir o fim dela.

O que podia dizer? Aquela casa era típica dos Masons, fazia jus à família a qual pertencia.

Deixei que Dylan me empurrasse para dentro, passamos por um corredor até sala, a grande lareira enfeitada por cobras estava acesa, esquentando todo o ambiente de forma que retirei a mochila, meu baú do bolso do agasalho antes de retirar o mesmo.

— Vou guardar o malão no meu quarto — Subi as escadas correndo, a mochila de volta para o local inicial e com os outros dois objetos em mãos, passei por quartos de vários Masons antigo, o primeiro possuía uma plaquinha prata escrito em verde "Jenna & Atticus". Caminhei até o segundo andar, era ali que estavam o quarto do meu avô, seus irmãos, filhos, sobrinhos e, claro netos. O meu ficava naquele corredor, era uma porta como qualquer outra dali, o único detalhe que mostrava o quarto como meu era a plaquinha escrito Cecília White Mason, ao menos, no momento, estava assim.

O quarto tinha uma sacada à esquerda assim como o de Salazar's Town e muitos dessa casa, a vista dava direto para a floresta e a mobília consistia em uma mesa pequena e duas cadeiras. A cama posta de frente para a porta era de casal, tinha um cobertor amarelo-queimado esticado aos pés de quem deita, a mesma cor estava presente nos travesseiros. As mesinhas de cabeceira encontravam-se uma de cada lado com um abajur em cada. Logo a cima, tinha um espelho comprido ocupando toda a extensão da parede cinza, mas não muito alto, uma vez que tinha alguns armários em cima. Aos pés da cama, tinha um banquinho claro para poder sentar.

Na parede da porta — a oposta da da cama — tinha um armário, cuja metade é com duas prateleiras e a outra metade possui 4 gavetas. Sobre ele, estavam uma planta e um relógio.

No canto do quarto entre esse armário e a porta de correr da varanda, tinha uma cadeira de rodinhas e um lugar para colocar o pé.

A porta do banheiro e alguns quadros enfeitando estavam na parede à direita, a mais livre de todas.

Para finalizar, embaixo da cama, estava um tapete cinza claro — assim como o teto e três paredes daquele cômodo — que contrastava com o piso de madeira e, na parede com a porta para a varanda — a única mais escura, mesmo ainda respeitando a escala de cinza dali -, uma cortina transparente enfeitava a parede.

Sentei-me na cama, colocando o que carregava em cima dela. Algo bateu na porta da varanda, isso me fez levantar e caminhar lentamente até o local, usando "Alohomora" para desbloquear o caminho. Uma coruja das neves de olhos azuis voava, ela trazia consigo um grande pacote cinza, pegando–o, permiti que a coruja entrasse e a alimentei um pouco.

O pacote era pesado, mas imaginava seu conteúdo, uma encomenda, os últimos dois presentes que faltavam. Abri o pacote e, como esperado, ele protegia uma carta, um outro pacote azul e um último vermelho.

"Querida Cecília,

Fiquei muito feliz com o seu pedido, não foi muito fácil encontrar, ainda mais pelo conhecimento que as pessoas têm, mas dei o meu melhor.

No pacote azul, está o livro de técnicas avançadas em combate e no preparo de poções.

Já no pacote vermelho, é o de conhecimento avançado em magia branca.

Não se preocupe, tudo está ajeitado para a hora da entrega.

Espero que você esteja bem, cuide-se,

???"

A carta era bem do estilo de quem enviara, preocupada, interessada, explicativa, mas sem muita enrolação.

Peguei um pedaço de pergaminho e escrevi um breve agradecimento em resposta. A coruja pousou em meu ombro e olhando para minha varanda deu um piado, estava pronta para a viagem de volta, sendo assim prendi a carta e levei o animal pela porta da sacada.

Observei ela abrir as asas, antes de cortar o vento e a neve que caía, era lindo de se ver a ave cortando a paisagem até desaparecer.

Senti o vento frio tremendo um pouco, eu devia me identificar com a neve como muitos diziam, uma vez que, mesmo sem agasalho, o ar gélido me dava alguma paz.

Suspirei e voltei para o quarto, subi na cama e abri um dos armários sobre ela a fim de manter os presentes fora de vista, comecei pelos dois livros embrulhados sobre a minha cama e segui pelos que havia comprado no dia anterior.

Uma batida soou na porta, assim que coloquei o último presente, fechei rapidamente o armário, deixando-me cair sobre a cama antes de permitir a entrada da pessoa.

Meu tio abriu a porta, encostando-se no batente.

— Cecília, estamos pensando em jogar Quadribol, quer vir?

— Quadribol? Tio, tem certeza que isso vai funcionar? A maior parte da família está morrendo de cansaço.

— Hoje, a partida vai ser rápida. Temos mais dias para treinar com Nathan.

Era óbvio o motivo de tanta pressa para jogar o esporte, fazer com que meu primo vença o último jogo.

Lembro-me que, durante o período que estudava, ouvi sobre os jogos, mas nunca participei nem como torcedora, tinha coisas mais úteis para fazer.

Não podia dizer que era a maior fã do esporte, nem que gostava de jogar, mas minhas habilidades na vassoura acabavam sendo de grande valia.

— Ok. Dê-me um minuto. — Peguei uma camiseta vinho no meio do caminho, ela era um pouco mais quente do que a vestida no momento.

Após a troca, disparei escada abaixo até o quintal e o campo ali presente. A neve ainda caia, isso era algo um pouco complicado, pois podia atrapalhar a visibilidade.

— Bom, estamos em 8 pessoas, serão 4 para cada time divididos do seguinte modo: um batedor, um apanhador e dois artilheiros. — Meu tio iniciou a fala.

— Eu e Cecília seremos os apanhadores. — Nathan impôs. Ótimo, isso não era novidade e eu sei o porquê da escolha, mas, hoje, preferia ser artilheira, talvez, era mais rápido.

— Bom, os mais ágeis serão os artilheiros, portanto, Jennyfer, Dylan, Jade e eu. — Minha tia falou.

— Na verdade, você e o Érick têm uma agilidade muito parecida, Em. — O marido dela falou.

— Isso é.

— Quer tentar algo diferente? — Um sorriso de canto surgiu na boca do homem.

— Eu topo.

— Érick, você será artilheiro. — Ela se virou indo para a direção de vassoura, quando meu pai a segurou.

—Emmanuelly, deixa eu ser batedor hoje, todo mundo está cansado, isso é verdade, mas você sabe que temos um pouco mais de resistência. Amanhã, você será, porém...

— Érick, eu nunca fui batedora, posso não me adaptar bem e será uma partida curta hoje.

— Por isso mesmo, exige força e muito equilíbrio, o sono atrapalha isso, principalmente, se for a primeira vez. Quanto amanhã, se você não conseguir, eu fico no seu lugar, mesmo que no meio da partida. — Ela parou para pensar.

— Acho que você tem um ponto, tudo bem. De qualquer forma, eu estou exausta mesmo. Rich, eu te derrubo amanhã. — Ela continuou o caminho para as vassouras.

— Vamos para os times?

— Eu tenho uma ideia, Richard. — Minha mãe tomou a frente.

— Qual?

— Como Érick disse, estamos mais acostumados a voar com sono, então sugiro que misturemos os times. Um deles será: Cecília, Dylan, Jennyfer e você. O outro terá: Emmanuelly, Nathan, Érick e eu.

— Tudo bem.

Meu vô aproximou-se, ele seria o juiz, mas subiria em uma vassoura hoje, de qualquer forma, ele se colocou diante de todos.

— Tomem as posições, o jogo já vai começar.

Subimos nas vassouras e disparamos para o alto, mesmo quando o restante havia parado, Nathan e eu continuamos nossa subida. Encontrar uma bolinha dourada no meio da neve era uma tarefa bem difícil.

O jogo começou bem equilibrado, um time marcava um ponto e o outro fazia o mesmo em seguida. O que definiria o placar seria o pomo.

Discretamente, vi um brilho a nordeste de onde estava, Nathan não parecia ter visto, então disparei em linha reta na lateral do local, ele veio atrás, quando estávamos na mesma linha do pomo dançante, fiz uma curva fechada para a direita e a bolinha dourada se movimentou, a perseguição começou, a neve voando no rosto dificultava se localizar, o pomo subiu uns bons metros até estarmos mais altos que as árvores.

Não sei quanto tempo ainda tínhamos de jogo, mas, quando ele resolveu descer, Nathan me ultrapassou, voltamos para a altura inicial, não conseguiria vencer na vassoura. Percebi Dylan olhar para cima, parecendo me ver mesmo através do branco caindo e fiz um sinal, equilibrando-me, fiquei de pé no pedaço de madeira e me lancei em queda livre, meus dedos se fecharam em volta da bolinha segundos antes do meu primo chegar no local e apenas segundos depois, já estava em uma vassoura novamente, mas essa era a Dylan.

O apito soou no momento em que coloquei meus pés no chão. Não tenho medo de altura, eu nunca tive, talvez, esse seja o motivo de Nathan ter me escolhido como sua adversária direta. Talvez, esse seja um dos motivos pelo qual estou na Grifinória.

Não sabia o placar até o momento, a pontuação estava empatada no momento de captura do pomo. O que fez com que meu time saísse vencedor.

— Você me venceu por causa do sono, Cecília. — Foi a primeira fala de um Nathan em terra firme.

— Boa sorte amanhã.

Peguei a vassoura, guardando-a no local correto antes de voltar para a casa.

Minha avó não participou do jogo e ficou bem claro o motivo pelo cheiro de comida ao entrarmos.

— Estou esquentando a comida, acho que todos estão com mais sono do que fome, portanto, comam algo e vão dormir, mais tarde nos alimentaremos de forma adequada. Jade preparou uma torta salgada e fiz uma outra doce, aproveitem, será o único alimento fresco.

Sentando à mesa, começamos a comer, peguei um pedaço da torta que depois descobri ser de frango. O silêncio reinou de forma quase absoluta. Os Masons não eram muito de carinho, beijos e abraços, mesmo entre casais, o que mais acontecia em público era mais brincadeira e provocação do que beijos intensos.

Não havia passado muito tempo após o almoço, quando a família se dispersou, provavelmente, alguns foram descansar. Os adultos subiram, poderiam, de fato, terem ido dormir ou apenas dar uma passada na biblioteca, independente do que foram fazer, eles sumiram. Já os adolescentes se juntaram na ampla sala daquela casa, Jennyfer apoiou-se no irmão, estava sonolenta e isso estava mais do que claro, a adrenalina, quando abaixava, já dava grande cansaço, tal fato somado com as poucas horas de sono e a moleza pós-almoço era quase impossível manter os olhos abertos para quem estava acostumado com uma quantidade maior de horas dormindo.

Sentei-me sobre o tapete felpudo com as costas apoiadas contra as pernas de Dylan o qual estava sentado na poltrona a direita da lareira. E, por último, tínhamos Nathan, ele e sua irmã estavam em um sofá logo à frente do fogo. Por um tempo, encarei o fogo, mesmo ouvindo vozes de fundo, encontrava-me com os olhos fixos nas chamas que aumentavam e diminuíam, crepitando entre a madeira, vermelho, laranja e amarelo se misturavam.

—Concorda, Cecília? — A menção ao meu nome bastou para meus olhos encontrarem um novo alvo.

—Oi? — Jennyfer riu.

—Estava falando que o Nathan tem que tomar cuidado, se ele não prestar a devida atenção, ele pode perder no jogo para o amado grifinório dele. — Observando o rosto irritado do sonserino, Jenny começou a gargalhar. -Cuidado, Nathan, você pode perder de forma vergonhosa, pior do que contra a Ceci.

—Fica quieta, Jennyfer.

Ela se levantou.

—Acho que não, só fica atento para não ser colorido de vermelho e dourado novamente, vai combinar dessa vez. Imagina, talvez, a casa dos nossos primos lhe caia bem afinal.

Nathan levantou-se, mas a distância já era grande, conforme falava, a sonserina se afastava. Tudo aconteceu rápido, ela virou-se de costas e ele disparou atrás dela, a porta bateu com força ao ser aberta na corrida e o ar gélido entrou.

—Acha que alguém vai morrer? — O único integrante daquela sala questionou-me.

—Não, Nathan não faria mal a ela.

—Certeza?

—60%.

—Cecília.

—Ok. Tenho.

—Acho que vou garantir.

—Tudo bem. Vou estudar.

Foi assim que a paz da sala acabou e a paz do segundo andar teve início. Percorri o caminho até o meu quarto da maneira mais rápida possível, provavelmente, minha mãe ouviu a porta fechando, pois, minutos depois, ela bateu.

—Ceci, pode me ajudar com o estudo que estávamos fazendo? — A mais velha pediu, assim que permiti sua entrada.

—Claro.

Desse jeito, o dia passou rapidamente, mais cedo do que de costume, jantamos e tão logo o momento acabou, todos se dirigiram para os respectivos quartos. Sabia que muitos dormiram assim que encostaram na cama, isso se já não haviam cochilado durante o dia. Aproveitando o momento de paz, peguei um livro na minha mochila, o que acabou sendo o livro o qual Rose Weasley usou para descobrir sobre nós, uma leitura leve antes de dormir.

Os poucos dias que nos separavam da véspera de Natal passaram rápido, todos os dias com jogos de Quadribol, conversas e comidas. Treinamos em alguns dias e, em um, que o Sol apareceu o suficiente para derreter uma parte da neve, acabamos entrando na cachoeira. Eu adorava ficar em um recuo – pequeno demais para ser para ser uma caverna, mas grande o bastante para duas pessoas ficarem confortáveis — atrás da água em queda livre e levemente mais alto do nível que nadamos, apenas observando o líquido azulado caindo, o reflexo das coisas e sentindo respingos na minha pele. Achei o local ao me esconder de Nathan, ainda era pequena naquela época, fiquei por muito tempo aproveitando a sensação, era meu pequeno lugar de paz em todo terreno e o único que sabia da localização era o próprio procurador.

Durante aquele dia, nada mudou, a sensação de paz por estar afastada de todo peso do mundo afora se fora e os reflexo eram bonitos como sempre, o Sol, mesmo sem tanta força, tinha se brilho leve e seus raios refletidos, o próprio céu era perceptível. Uma vez, meu primo falara que a quantidade de água era parecida comigo, podia ser mais espessa devido ao seu tamanho e traria mais segredo ao local – assim como eu já fui mais fria – ou podia ser mais fina e aparecer ainda mais os reflexos – e eu poderia ser mais livre, como também já fora –, mas era da espessura ideal, o equilíbrio entre esconder o recuo e permitir acesso aos reflexos; eu não tinha tanto equilíbrio. O clima, mesmo com Sol, estava bem gelado e meus primos só haviam entrado pela saudade – e pelo fato da água ser enfeitiçada a ponto de onde eles se encontravam estar agradável

Ao longe, os passarinhos cantavam, o dia já tinha amanhecido, era incrível como o clima passou para neve, Sol leve e neve novamente. Hoje, era véspera de Natal e a neve devia afundar até metade da minha canela, considerando a neve contínua durante os dias após o Sol.

De alguma forma, a cena parecia muito com a dos filmes natalinos dos trouxas. Neve caindo, pessoas com roupas de frio, um clima mais animado, todas as características que fazem com que a maior parte das pessoas sejam completamente apaixonadas por essa data.

Pela sacada, conseguia observar meu irmão treinando com meu pai, enquanto minha mãe estava sentada na parte em que a neve acumulada era mais baixa, ela abraçava suas pernas contra o peito, os olhos, aparentemente, fixos na cena a frente. Eu ainda assistia a cena, quando minha tia decidiu se aproximar de minha mãe e ficar conversando com a cunhada.

Minha avó preparava cookies no forno, como sempre fazia, ela dizia ser um teste para os preparados no próprio dia de Natal e, por isso, chamava as crianças para experimentar, até onde eu sei nenhuma criança reclamou.

—Vovó, já estão prontos? — A voz de Jennyfer soou na cozinha.

—Tenha calma, faltam 10 minutos ainda. — Na entrada, eu pude ver minha prima com uma expressão extremamente impaciente, enquanto seu irmão a olhava com um sorriso bem leve no rosto, quase imperceptível.

Para a sonserina mais nova, aqueles foram os 10 minutos mais longos de toda sua vida e, assim que a avó tirou a forma com os cookies do forno, ela voou para cima e quase queimou a mão.

—Jennyfer, não. — A mais velha soou ríspida, mas deu um jeito de tirar todos rapidamente, colocando a maior parte do conteúdo em quatro pratos. Assim que o primeiro deles tocou a mesa, a minha prima pegou o primeiro cookie dele.

—Cecília, querida, chame seu irmão para comer. — Peguei um cookie de cada um dos pratos restantes e mordi um durante o caminho até o lado de fora da casa, local onde a maior parte dos Masons se encontravam; o gosto da massa crocante, mas macia, juntamente com o sabor das gotas de chocolate ainda derretidas preencheram minha boca. Jennyfer tinha razão, o cookie era uma delícia.

Atravessar a neve foi a parte mais difícil, ela realmente estava bem próxima da quantidade que imaginava. Conforme eu me ia chegando perto, meu pai diminuiu os golpes até parar com todos, foi nesse momento que o Dylan se virou e me viu.

—Ceci? — Percebi sua fala, mesmo de longe.

Caminhei mais um pouco, dando mais uma mordida no meu cookie. Quando já estava bem perto, entreguei o cookie intacto a ele.

—A vó fez, vem. — Chamei ele para dentro, percebi que ele partiu a comida em algumas partes e jogou um pedaço para cada integrante que não comia naquele lugar, mastigando o último.

O clima mudava muito entre fora e dentro daquela enorme construção, caminhamos em silêncio até chegar no destino final. Ele se sentou, permitindo que eu me colocasse a seu lado e percebi que minha prima já tinha acabado com a parte dela e roubou uma metade do irmão, a qual ele tinha entregue.

A comemoração dessa data sempre ocorria no período noturno ou, no mais cedo, ao fim da tarde, diferentemente das demais famílias do país; ela sempre contava com várias comidas, roupas bonitas e troca de presentes. A verdade é que mesmo sendo de uma família cheia de tradições, a entrega dos presentes rompia os padrões ingleses ao ser feita na madrugada do dia 25 ou ao fim da tarde dessa mesma data, tudo dependia da decisão de meu avô.

—Aonde está meu pai e o vô? — Nathan se dirigiu para a mais velha.

—Estão estudando no porão.

—Estávamos. Nathan, quer treinar? — O rosto de meu primo se iluminou.

—Adoraria.

—Mas está nevando.

—Melhor ainda, Jenny. Aquele mesticinho não terá a mínima chance.

Essa foi a fala decisiva, a fala responsável por levar todos os Masons, incluindo minha avó e seu marido para o campo coberto de neve. Ao passarmos perto de onde o restante dos adultos estavam, eles se juntaram na caminhada. Os times seriam formados por 5 membros cada um; de um lado estariam Nathan, vô, tio Richard, minha mãe e Jennyfer; já o segundo time seria Dylan, meu pai, vovó, tia Emmanuelly e eu.

—Muito bem, em posições. — A voz do mais antigo Mason soou no campo inteiro.

Após o sinal, Dylan disparou para o gol, no mesmo instante em que nosso vô fazia o mesmo; minha tia e meu tio, já armados, ficaram nas laterais; Nathan e eu subimos além dos jogadores; e o restante que se posicionaram no meio do campo, seriam os artilheiros. Feitiços foram lançados, fazendo com que as bolas voassem.

A partida tive início e minha mãe alcançou a goles primeiro que todo mundo, disparando na direção do filho, ela foi interceptada pelo marido no meio do caminhando. Um brilho dourado contra a neve branca que caía, chamou-me atenção, impulsionei a vassoura até o local.

Nos dias que se passaram, os jogos tiveram diferentes resultados, Nathan havia me vencido, foram poucas as vezes, mas ele pode comemorar a vitória em algum momento. Ele saíra arranhado em um deles e pendurado em uma árvore na outra devido ao desespero de chegar no pomo de ouro antes. Em uma das partidas, lembro-me de ter me pendurado na vassoura, soltando meu corpo e prendendo-me com as pernas para não cair; em outra, apenas consegui driblar meu primo e chegar primeiro. O problema de Nathan era a covardia, o medo de se machucar ou morrer o impedia de tomar atitudes vitoriosas. Outra alteração constante, foi a alternância entre minha tia e meu pai como batedores e artilheiros. Nos dias em que todos daquela casa jogaram, meu irmão pôde assumir o gol, posição preferida dele, uma vez que, nas demais partidas, essa era a posição descartada.

O clima também teve muitas mudanças, Sol fraco, neve leve caindo, neve nos lugares, mas sem cair. Tudo servia como treinamento para o único jogador de Hogwarts do local. E, dentre todos eles, o de hoje ajudará muito, pois o tempo está o mais complicado possível, a neve estava constante, ela caía em quantidade suficiente para atrapalhar a visão distante de nós, mas nada impossível nesse momento. E se ele achava ruim? Eu não me importava, ele queria treinamento, tudo ajudava e eu não facilitaria. Ele quer ganhar do Potter? Então ele que me vença.

Enquanto seguíamos a pequena bolinha, ela fez uma curva e sumiu de vista. Olhei ao redor, mas sem sinal, a única visão foi minha vó acertando a goles entre os braços de meu avô; ele devolveu para o centro do campo, perto de algo... o pomo. A rapidez foi minha melhor aliada, entrar no campo durante o jogo era perigoso, mas nada me impediria de vencer novamente ou, pelo menos, dificultar para ele. Um balaço veio em minha direção e eu abaixei na vassoura para desviar, porém minha tia se colocou no pouco espaço dali, acertando a bola de modo a ir para o estômago do marido, empurrando-o para longe.

—Richard. — Seu tom saiu preocupado. — Eu disse que ia te derrubar. — A animação surgiu logo depois, talvez, motivada pelo fato dele ter se segurado na vassoura.

Nathan havia me ultrapassado na perseguição, observando a cena, percebi, quando o pomo começou a subir no céu, inclinei a vassoura de modo a interceptar os dois. A cada minuto, a bolinha aumentava a distância do chão até parar a uns bons metros, a neve obstruía a nossa visão do jogo, sem pista nenhuma, apenas uma coisa era certa: uma queda podia ser fatal. O sonserino e eu estávamos empatados, percorríamos o céu com a mesma distância do objetivo, o qual resolveu descer bruscamente, virando para o lado meu adversário. Guiei a vassoura, mas ele venceria em pouco tempo, havia apenas uma maneira de sair bem dali, se eu não tivesse muita resistência contra o ar, teria que diminuir o tamanho, por isso, impulsionei meu corpo, saindo do transporte voador, o vento frio contra meu rosto, enquanto eu caia em queda livre, meu primo esticava o braço, quando eu bati nele e capturei a vitória entre meus dedos.

“Accio vassoura”.

O chão se aproximava rapidamente, entretanto, há poucos metros, o objeto apareceu e, fechando meus dedos ao redor do cabo de madeira, jogando meu corpo por cima dele, evitei minha centésima provável morte.

Um barulho soou, era o aviso de fim de jogo. Todos desceram, Nathan, por me seguir, foi o primeiro. Ele me abraçou ao me alcançar, isso chegou mais perto de me assustar do que a queda enfrentada.

—Eu achei que você fosse morrer. — Ele disse.

—Não sou você. Já cheguei mais perto, você sabe. — Afastei-me.

Dylan possuía um ar divertido.

—Você se jogou da vassoura?

—A reação dele estraga meu mistério. — Falei séria, apontando para meu primo.

—Não pegue tão pesado com ele, eu quase morri da primeira vez.

—Eu era criança.

—Mesmo assim.

—Eu estou viva, comemorem ou chorem. — Virei-me para o meu adversário — E sem sono. — Fui na direção da casa com um destino: o meu quarto.

Na noite anterior, eu passei a noite conversando com Dylan, ele me incentivou a enviar o presente da Potter logo pela manhã, junto com alguma carta sobre ela ter saído da enfermaria alguns meses atrás. Não podia negar que a ideia era interessante para ganhar confiança, porém deixava-me desconfortável. Trouxera pergaminho e pena para essa casa a fim de estudar e eles seriam úteis agora.

“Lily Potter,

Não tive a oportunidade de lhe dizer pessoalmente o quão feliz”

Não, feliz, não, pelo menos, nesse nível.

“Lily Potter,

Não tive a oportunidade de lhe dizer pessoalmente que a notícia de sua saída da enfermaria, deixou-me feliz e grata – afinal, não te matei como seu irmão, tio e Lupin imaginaram —”

Não, não vou colocar a família inteira dela na carta.

Não conseguia escrever uma simples carta. Eu tinha o costume de fazer o necessário para conseguir aliados, é verdade; mas, sinceramente, uma carta era sentimentalismo demais. Quem diria que eu aceitaria isso a pedido de meu irmão, fala sério.

Uma batida desviou meus pensamentos, Dylan chamou-me para conversar, ele queria saber se eu estava bem, eu sei que ele se preocupa quando eu tomo essa atitude, acontece desde sempre; queria falar também que Nathan havia de fato se preocupado. Durante a conversa, o grifinório guiou-me até a sala no térreo, sentando-se de frente para a lareira e me indicando o lugar logo ao seu lado. Ficamos um tempo conversando, observando o fogo e aproveitando o momento de calmaria na casa inteira, o pessoal tinha o dom de sumir.

Quando o movimento se tornou mais intenso devido à movimentação para arrumar os itens para a comemoração a qual seria hoje mesmo – meu avô foi o primeiro a descer e nos avisou – sendo assim, meu companheiro chamou-me para ir com ele na biblioteca, a fim de ajudá-lo com um estudo sobre as escolas bruxas, assim, podíamos nos preparar melhor para o que viria.

O começo da noite passou rapidamente, enquanto pesquisávamos informações úteis nos livros sobre escolas e história da magia daquela biblioteca, mesmo com a quantidade de trabalho, não vimos o tempo passar, apenas quando a nossa mãe interrompeu os estudos falando a hora, guardamos os materiais e voltamos para os quartos, ainda tínhamos tempo, mas melhor não correr risco de atrasar.

Separei uma roupa de frio ao entrar no banheiro, era bonita, porém não tão chique quanto a do baile. A água quente sempre me acalmava e, por isso, podia ter ficado naquela banheira por mais tempo, caso um barulho não tivesse atraído minha atenção. Silenciosamente, sai da água, me sequei e vesti a roupa preparada sobre a bancada do local, a passos inaudíveis, percorri o caminho até a porta que separava o cômodo do meu quarto. A cena me fez parar, Nathan estava sentado na minha cama, em suas mãos, o rascunho da carta que fizera mais cedo. Percebi meu rosto endurecendo, a carta estava guardada em uma das gavetas da mesinha ao lado. Ele ergueu o olhar.

— Cecília, o que é isso? – Ele ergueu o objeto em suas mãos, seu olhar era mortal, enquanto se levantava.

—Pergaminho. – Respondi cruzando os braços, minhas mãos estavam fechadas.

— Estou falando sério. – Ele se aproximou perigosamente.

— Eu também. – Minha voz saiu irritada. – Você está com um pergaminho na mão e me pergunta o que é.

Ele balançou o rascunho na minha frente.

— Uma carta para aquela imunda? Você perdeu a noção? – Ele amassou – Isso é lixo.

— Uma carta que estava guardada na minha gaveta...

— Cala a boca, Cecilia.

— Cala a boca você, Nathan. Você invade meu quarto, mexe nas minhas coisas e ainda quer achar ruim. – Sentia minha magia se expandindo.

— Eu estou com nojo de você, Cecília! Você é uma traidora. Traiu seu sangue, sua família, seus ideais. Você é uma vergonha. Como isso passou pela sua mente? Esqueceu-se do que é ser Mason? Ser Mason é nunca trair os ideais de Salazar Slytherin. Você sabe quem foi ele?

— Você é imbecil, Nathan? Lógico que eu sei. – Sentia a magia na ponta dos meus dedos, controlava-me ao máximo para não atacá-lo.

— É nunca andar com quem não é digno, mestiço, sangue-ruins, vergonhas para as famílias, manchas para o mundo bruxo, entendeu? É nunca falar com eles. – Ele gritava.

— Chega. – Assim que a minha voz soou, a magia oscilou e o lançou longe, mas ele logo levantou.

— Ser Mason é valorizar o sangue que possui, mas o que entende sobre isso? O seu sangue não tem valor, não é? Você me traiu. Sabe do meu ódio pelo babaca metido do Potter e escreveu esse lixo para a desperdício de oxigênio? Ficou encantada com o Potter? Achei que fosse mais esperta que isso. Traiu suas memórias e ideias, Cecília White Mason. Para quem queria distância de quem não é da família, após Little...

— Silêncio! — Ao pronunciar o feitiço, ele perdeu a voz. – Cala a sua boca. – Nathan voou do teto para o chão. – Quem está envergonhando alguém é você! Você que mexeu aonde não era chamado, eu não vou explicar nada. – Um simples movimento de mão e ele ficou amarrado contra a parede pelas mesmas cordas de Hogwarts. — Nunca mais fale comigo desse jeito. Nunca mais aja desse jeito. – Meu tom era cortante. – Você não sabe nada sobre a importância do sangue, pelo visto. Preciso te explicar, “priminho"? Da próxima vez que você pensar em abrir a boca a fim de derramar toda essa poluição, não vou ter tanto controle, entendeu? Agora, sai do meu quarto. – Apenas movimentando a mão a porta do cômodo abriu com tudo e o sonserino voou para o corredor.

A raiva me dominava, minha magia ainda estava expandida. Após tirar o calçado, subi na cama, abri o armário ao lado daquele que, antes, estava com presentes. Guardada ali, dentre vários itens, tinha uma poção, bebi e senti-me relaxando um pouco.

Os presentes foram levados para a sala no dia anterior; uma árvore fora montada em algum dia que não me lembro exatamente quando, ela não era enorme ou super brilhante, nem trazia os presentes abaixo de si, era mais um enfeite do que um símbolo.

Estava irritada e isso não ia mudar, mas, pelo menos, tinha controle agora. Caminhei até o banheiro novamente, minha roupa não era das mais chiques, usava uma calça de couro, bota de cano alto e uma camiseta verde de gola alta. Na maquiagem, dediquei-me um pouco mais, uma sombra verde que se transformava em prata conforme aproximava-se da parte interna da pálpebra, lápis, rímel e um batom vermelho para completar. Estava pronta para a comemoração.

Respirando fundo, torcendo para não brigar com Nathan novamente, um pouco de paz seria agradável. Andei pela casa até chegar no cômodo, aparentemente, eu era a única que ainda não estava.

—Ótimo. Podemos comer agora. — Minha avó disse animada.

Antes de qualquer coisa, comeríamos. A troca era sempre após a alimentação. Não tive surpresa alguma ao ver a mesa repleta de comida, provavelmente, sobraria uma boa parte; apesar da minha vó, mãe e tia cozinharem, a maioria fora feita pelos elfos.

Ficamos de pé atrás das cadeiras, na mesa a nossa frente, tínhamos taças com Whiskey de fogo e um prato ao lado de talheres, tudo cuidadosamente posto. Meu avô afastou a cadeira e sentou-se, seguido pela minha avó, os filhos com as esposas e, por último, nós, os netos. A ordem de pegar a comida foi a mesma, cada um pegou um pouco de cada item dali e, na minha vez, mantive o padrão, peru recheado, purê de batata, arroz, panqueca de carne e salada.

A refeição foi silenciosa, tudo passou mais rápido do que o esperado e, quando vi, estávamos sentados sobre o tapete da sala, um ao lado do outro, em um círculo. Nathan me encarava com um olhar raivoso, sabia que muitas pessoas percebiam isso, mas não me importava.

Presentes estavam espalhados pelo chão. O primeiro a presentear foi meu avô, ele pegou um pacote verde e entregou a minha avó, era uma caixa de joias encrustada de pedras verdes.

Assim, se seguiu a ordem, quem recebia, escolhia uma pessoa e entregava o presente. Minha vó deu um kit de magia meu pai, embrulhado em um papel brilhante cinza; na sua vez, ele entregou um pacote acetinado rosa bebê para minha mãe, a qual abriu curiosa, tocando uma caixa aveludada que guardava um conjunto de colar e par de brinco de esmeralda, ficara lindo na mulher e os olhos brilhantes demonstravam o agradecimento; em seguida, ela escolheu meu tio, entregando-lhe um embrulho retangular colorido e perfeitamente envolto em torno do livro de magias; por sua vez, escolheu a esposa, entregando uma caixa com um colar daqueles que abrem, ela parou, fotos de momentos marcantes do casal.

—Richard, isso é lindo. Muito obrigada. — A ex-sonserina deu um beijo suave na bochecha do marido.

Ela sorriu agradecida e segurou um pacote um pouco amassado, entregando-o para a filha, um vestido justo na cintura, ele era florido e leve, mas o fundo era esverdeado. Incrível como minha família amava o verde em tudo, era quase uma fixação.

—Isso é lindo, mãe! — A minha prima levantou-se e colocou um presente nas mãos do irmão, não era uma embalagem muito grande. Ele abriu e, dentro, estava uma caixa com vários frascos contendo uma espécie de pó. — Jogue um pouco em você antes dos jogos e sua vitória será certa. — Jenny explicou.

Nathan jogou um pacote para Dylan, o qual pegou no ar, tinha alguns equipamentos, nada que quebrasse. Por último, meu irmão pegou o único embrulho vermelho do local, estocando-o para mim, guardado, estava um pergaminho dourado.

—O que...? — Ele encostou na minha mão.

—É um pergaminho, Ceci. Um pergaminho de probabilidades. — Ele sorriu. — Coloque o que quer e terá todas as probabilidades. — Dylan aproximou-se até perto do meu ouvido. — Vai ajudar muito.

—Obrigada, Dylan.

Suspirei pegando dois embrulhos, um deles era o vermelho recebido mais cedo e o outro era um papel azul bem clarinho, entreguei ambos a minha mãe. Ela recebeu sorrindo, a blusa vermelha ficava bem contra a pele clara – mesmo verde acabava dando um destaque maior ainda – e ela subiu um pouco, mostrando o cinto e o cós da calça preta. A mais velha pegou os dois e abriu, seus olhos brilharam ao ver.

—Ceci, você um livro sobre conhecimento avançado, obrigada. — Ela agradeceu antes de abrir o embrulho vermelho. — Por Godric, Cecília, você encontrou o livro. — Ela ergueu os olhos. — Eu adoraria lê-lo mais uma vez. Obrigada.

Minha mãe mordeu o lábio levemente e pegou um pacote cinza bem simples.

—Esse é para você, Érick. — Meu pai pegou o presente, tocando as mãos da esposa no caminho. — Eu não sabia exatamente o que comprar, mas acho que tenho chances de acertar. – Ela sorriu de forma gentil, enquanto ele desembrulhava um anel masculino que tinha uma raposa e uma cobra as quais guardavam um espaço. – É para colocar poções, dá para sempre andar com uma.

Assim se seguiu a noite, fomos trocando presentes aos poucos. Logo, só restavam dois presentes para serem entregues; para mim, faltavam apenas os do meu avô e meu tio.

—Ceci, esse é seu. — Jennyfer me entregou um pacote prateado com desenhos brancos.

O papel deslizou pelos meus dedos até o meu colo, procurei abrí-lo com todo cuidado possível. Lá dentro, eu tirei um vestido, ele era azul justo no corpete com detalhes prateados, a alça era de um tamanho bom, não muito fino e nem muito grosso, a saia descia levemente aberta com um tecido próximo do cetim, mantendo a coloração. Ele ficaria lindo.

—Obrigada, Jenny. — Peguei o grande pacote escuro atrás de mim, entregando-o a meu tio.

Ele olhou-me curioso, desembrulhando o kit de preparo de poções negras, seus olhos brilharam, conforme observava cada item daquele presente, parecia completamente encantado.

—Cecília, isso é incrível. Muito obrigado.

Ele entregou o último presente para sua filha, uma varinha única com formato de cobra, o brasão dos Masons estava preso ao fim dela, enquanto uma pedra verde pertencia aos olhos do animal intimidante. Ninguém ali tinha medo de cobra, mas eu não negava, o animal nas mãos da garota era realmente respeitável. Após agradecer, entregou o pacote restante a mãe, era um conjunto de colar, brinco e anel de pedras parecidas com diamantes, era hipnotizante e uma combinação perfeita para o vestido prateado que eu dei.

—Filha, é lindo. Fico feliz por ele. — Os olhos escuros encaravam a sonserina. — O meu próximo é para Érick.

Meu pai agradeceu, pegando o pacote aparentemente bem pesado e desembrulhou um livro incrivelmente grosso. O título era em latim, mas o reflexo da luz na capa, impedia-me de entender o que estava escrito e o nome na lombada era pequeno, devido à distância, para eu entender. Se eu prestei atenção o bastante, o próximo seria para minha vó.

E eu acertei, o pacote não era realmente grande e ele guardava uma pulseira delicada e muito bonita, um único presente, mas muito especial, muito semelhante ao primeiro presente que minha vó ganhou ao fazer parte da família Mason, quase como a confirmação de que foi aceita. Ela perdera após ser guardada, quando meu pai bebê quase a arrebentara.

—Eu sei o quanto ela era importante para a senhora e eu achei uma imagem para podê-la reproduzir. — De forma totalmente inesperada, a mais velha se levantou e abraçou o caçula.

—Obrigada, Érick. Muito obrigada, meu pequeno menino.

Com os olhos marejados, separou-se do filho e pegou um pacote vermelho e pequeno, entregando-o para minha mãe, a qual agradeceu antes de desembrulhar delicadamente o que era escondido. Ali, tinha um leão com uma águia sobre suas costas, eu típico enfeite colocado sobre alguma mesa a fim de decorar a casa.

—Essa estátua, Jade, é de proteção. — A ex-sonserina mantia a mão sobre o braço da nora ao falar. — Traz em si uma magia para isso, não vai te proteger em si, mas soltará uma fumaça, cuja cor foi escolhida por mim, se algo ruim for acontecer ou for direcionado a você.

—Gianne, é um presente maravilhoso. — Meu vô fez uma careta pelo tom e atitude usados pela minha mãe, enquanto a esposa sorriu.

A relação sogra/nora era bem melhor do que a sogro/nora, talvez, pelo fato de que minha avó valorizava um pouco mais a felicidade dos filhos do que sangue e casa. Era nas pequenas atitudes que isso tornava-se perceptível, atitudes como a de agora: o sorriso após o agradecimento por um presente quase que perfeito. Muitos dizem que minha mãe é como a águia e o leão, inteligente como a primeira e intimidante como o segundo.

Sendo assim e para tornar a diferença mais visível ainda, o último pacote de Jade Mason era para ninguém mais, ninguém menos do que Peter Mason, seu sogro sonserino. O presente foi algo bem simples, mas aparentemente apreciado.

—Não sabia muito bem o que comprar e então eu me lembrei do que é valorizado, sangue-puro e seguimento de padrões, Sonserina e seu fundador. — Ela esticou o pacote com um anel guardado. — Dá para perceber que a serpente se sobressai, girando para o sentido horário, ela permite uma abertura, a qual, com magia, permite o aparecimento de uma pessoa específica, não em carne e osso, algo mais semelhante para a aparência resultante da pedra da ressurreição e também a comunicação. A pessoa é Salazar Slytherin.

Seguindo todos os passos, os presentes no local, exceto minha mãe, se surpreenderam com a imagem do fundador admirado. Ele possuía as vestes antigas e segurava a varinha em sua mão direita, tão logo quanto apareceu, ele sumiu, antes de poder falar.

—Isso foi legal. — A única frase dita pelo mais velho. — Dylan.

O presente do meu irmão era um livro com uma cobra presente em toda a capa. Ele abriu e apenas a primeira página tinha algo escrito.

“Olá dono,

Sou o livro sanguíneo, coloque uma gota de sangue e te direi o que precisa sobre a pessoa”

—Uau. Isso é interessante. — Percebi discretamente o tom de confusão na voz dele. — Obrigado, vô. Bom, o meu último é para você, Nathan. Espero que goste e faça bom uso.

O pacote negro escondia uma vassoura, na verdade, não era uma vassoura, era a vassoura: Nimbus 2020 extreme, ela misturava a edição limitada de lançamento da Nimbus 2020 com as melhores características possíveis, era quase uma edição de luxo limitada de lançamento. Nathan era a felicidade personificada.

—Muito obrigado, Dylan, quero ver aquele babaca ter alguma chance. — A voz morreu um pouco no fim e entendi o motivo, quando ele pegou o último pacote. — Cecília. — Seu tom foi ríspido e eu o observei.

—Não precisa.

—Cecília. — Minha mãe advertiu.

—O que está acontecendo entre vocês dois? — O mais velho daquela sala perguntou em um tom inquestionável.

—O Nathan te explica. — Toquei no embrulho verde atrás de mim. — Vô, o presente é para o senhor.

—Obrigado, Cecília, mas o que quero é uma explicação.

—Já disse que o Nathan te dá. — Levantei-me, enfeitiçando os meus presentes e virando as costas.

—Cecília. — Dessa vez, foi meu pai que advertiu.

—A culpa foi minha, eu estava conversando com a Ceci sobre o jogo e ela falou para eu me dedicar mais, consertando os erros, mas eu entendi que ela valorizou mais aquele mestiço do que a mim. Ela queria que eu fizesse um jogo perfeito, para não ter erro e eu briguei com ela, fui bem idiota e Cecília ficou com raiva. Foi isso.

—O que tem a dizer sobre isso? — O olhar de meu vô, provavelmente, encarava minhas costas.

—Nathan já disse tudo. Ele foi um babaca que não me deixou explicar direito e se intrometeu onde não devia. Simples.

Meu vô, ainda um pouco desconfiado, resolveu abrir o presente, o embrulho verde foi para o chão e a caixinha aveludada, aberta. O colar com o brasão da sonserina ficou visível.

—Ele tem uma magia protetiva, usando, ele vai te proteger de tudo.

—Obrigado. — Concordei.

—Se vocês não se importarem, vou para o meu quarto.

A noite teve fim rapidamente, mas o bom é que eu acertei em todos os presentes. Meu pai gostou do perfume, ele disse que o cheiro amadeirado era muito bom; minha avó amou o quadro que eu dei, disse ser perfeito para o futuro; Dylan adorou o livro de técnicas avançadas, disse ser “o que precisava para os tempos sombrios anunciados”; por último, a sandália prateada de tiras e salto de cobra combinaria com o vestido que meu irmão comprou – sem saber do meu presente – para Jennyfer; a mesma cor do vestido recebido por sua mãe e, mesmo não demonstrando, pude ver o quão apreciado foi o livro de quadribol por Nathan.

P.O.V. James Sirius Potter

—Jay. Jay. — Alguém pequeno pulava em cima de mim, mas apenas uma pessoa me chamava de Jay.

—Lily, sai. — Pedi ainda sonolento.

—Não, é manhã de Natal.

—James, Fred, vamos, levantem logo. — Sabia que uma ruiva estava de pé com os braços cruzados e completamente impaciente.

—Jay — A minha irmã voltou a pular. Desisti de voltar a dormir, deveria ser bem cedo e a madrugada foi bem produtiva ontem.

O relógio no criado-mudo indicava 8 horas da manhã e, ao mesmo tempo que a frustração por acordar cedo tomava conta de mim, a animação também crescia, afinal era Natal. Com um suspiro, levantei-me rapidamente, pronto para as emoções desse dia.

Lily sentou-se na minha cama, as pernas balançando um pouco distante do chão, enquanto aguardava ansiosamente eu me arrumar. Em poucos minutos, a minha irmã corria pelos corredores da Toca, puxando-me pela mão até a árvore na sala.

Os poucos primos que não estavam ainda ali eram os do meu quarto, ou seja, Fred, Teddy – que resolvera dormir lá hoje –, Alvo e Hugo, talvez, devido ao horário em que pegamos no sono. Pude ver Rose sentada em um canto sorrindo, alguns primos do local zoavam que era pelo presente recebido por Scorpius Malfoy, isso só deixava meu tio muito irritado.

A pequena ruiva correu com seu agasalho amarelo feito pela avó e pegou um pacote vermelho pequeno, dado pelos nossos pais. Mal pude acompanhar a caçula, enquanto o papel era rasgado e ela retirou um colar de lírio muito bonito, era incrivelmente realista.

—Ele é lindo.

—É mesmo, Lily. — A voz de Teddy me fez virar, ele vestia um agasalho cinza, calça preta; ao seu lado, estava Victorie, com um vestido azul claro de mangas longas e que ia até seu joelho, usava também meias e um sapato de salto baixo preto, o cabelo loiro encontrava-se solto.

Quando menos esperávamos, todos os presentes já tinham sido abertos e uma pilha de papel estava no canto da sala. Alvo já vestira o suéter verde com um A estampado em cinza dado pela nossa vó Molly.

Tudo parecia já ter sido finalizado até uma coruja branca de olhos cinzas apareceu e ficou voando perto da janela, batendo contra o vidro levemente a fim de chamar a atenção das pessoas. Victorie levantou-se, dirigindo-se até o local para permitir a entrada da ave. A coruja abriu suas asas, voando de forma constante e majestosa ao lado de minha irmã.

A ruiva esticou o braço para, assim, alcançar a entrega realizada pelo animal branco. Não sabia o que era, mas um embrulho rosinha realmente bonito e uma carta amarrada junto estavam ali; ambos destinados para a mais nova, mesmo com a distância, podia distinguir as palavras “Para Lily Potter” estampadas no envelope da carta por uma letra bonita.

Minha irmã abriu a carta e deslizou os olhos por ela, parecendo surpresa com algo, na sequência, a menina desamarrou a fita vermelha que segurava o papel rosa e abriu a caixa embrulhada, ali de dentro, ela retirou um globo de neve, era possível identificar um cervo, um cachorro negro bem grande e um lobo, eles saiam de uma floresta totalmente branca.

—É lindo. — Teddy disse.

—É um presente realmente encantador. — A namorada concordou com ele.

—Os marotos. — Ouvi meu pai dizer em um sussurro.

—Mas sem o Pedro. — Tia Hermione completou.

—Quem mandou? — Fred perguntou.

Rose pegou a carta e começou a lê-la em voz alta.

“Lily Potter,

Não tive a oportunidade de lhe dizer pessoalmente que a notícia de sua saída da enfermaria, deixou-me feliz e grata – afinal, não te matei como alguns imaginaram –, mesmo sem intenção de provocar brigas, fico extremamente animada por ter provado meu conhecimento.

De qualquer forma, comprei uma lembrança para você, objetivando uma, talvez, comemoração pela sua inegável força, procurei por algo que tivesse relação com você, mesmo não te conhecendo o bastante.

Espero que goste e não se coloque em perigo novamente.”

—Digamos que a pessoa não disse diretamente quem era.

—Mas sabemos que é a Cecília Mason. — Impressão minha ou Teddy usou um tom levemente mais amigável?

A raiva subiu, é sério que ela estragaria até o Natal da minha família?

—Cuidado para não estar envenenado, Lily. — Tio Rony comentou sabiamente

—Ronald. — A esposa chamou sua atenção. — Pare com esses comentários.

—Mas, Mione, ela é Mason, eles não gostam de pessoas sem sangue puro e é bem exibicionista. -Ele tentou explicar-se.

—Chega, Ronald.

—Ele tem razão, Lily. Se eu fosse você, jogaria fora. — Tentei defender as sábias palavras pronunciadas pelo meu tio.

—James Sirius Potter, você não vai começar. Deixe sua irmã em paz, a Mason já a salvou.

—Conquistou a confiança, isso pode ser plano.

—Ela me salvou também, James. — Vic comentou com um sotaque francês na voz. — Salvou três pessoas aqui: Lily, Teddy e eu.

—Acho que podíamos dar uma pequena chance, pelo sim, pelo não, deixaremos Lily ficar com o presente, afinal esse é objetivo de um presente, né? Podemos ficar de olho? Sim. Mas, James, eles têm razão, ela já nos salvou muito, isso seria o mínimo, não?

—Você também, Teddy?

—James, a Vic comentou que a Mason se certificou que todos estavam bem, quando nos salvou.

—Ela protegeu nossa família em Hogwarts, ela desmaiou, mantendo-nos seguros. — Rose terminou.

—Chega. — Resolvi sair dali de dentro, tomar um ar e esfriar a cabeça.

Como minha família podia ser tão ingênua a ponto de acreditar que um presente deixaria tudo bem? Que era um sinal de bondade e confiança. Cecília Mason não era boa, nenhum Mason era; na verdade, todos eles traziam perigo para pessoas com quem me importava. O rosto de Lily surgiu na minha cabeça, em seguida, o de Alvo, o do meu pai, tia Mione até o Teddy, por não terem o “maldito sangue puro”, os Weasleys eram considerados traidores de sangue por pessoas iguais a eles. Minha vó, minha mãe, meu vô, meus tios, tias, primos e primas... o rosto da Mason surgiu na minha cabeça e eu paralisei.

A raiva me dominava, eu temia pela nossa segurança e ninguém percebia, todos me diziam para parar, para dar uma chance, mas eu não posso, eu sei que não posso. Masons são frios, calculistas, manipuladores, exibicionistas, acham-se melhores que todos e inalcançáveis e Cecília Mason é tudo isso. Sempre foi e sempre será. Alguém como ela é incurável.

“Então qual é a razão dela não ter ido para a Sonserina, se é tão igual assim?”, minha consciência questionou-me. “Ela é corajosa”, não consegui controlar o pensamento. Balancei a cabeça. O chapéu está meio velho, ele deve ter errado. Todas as vezes que ela salvou alguém, lutou protegendo alguém, tudo isso é manipulação para conquistar nossa confiança e então nos torturará, como disse a mim e a Rose. Rose, ela sempre tão inteligente, tão esperta e o orgulho da nossa família. Rose acredita nela, não entendo, pode ser efeito de sua paixão por um também sonserino, Scorpius Malfoy. No auge da frustração e irritação, peguei um pouco de neve e taquei na árvore em uma tentativa de me acalmar.

—James, vem comer.

Notas finais
Vamos para as perguntas. 1. O que acharam dos Masons com sono? 2. E a chegada na casa de campo? 3. O que acharam da casa? Ela é bonita? Tem a cara dos Masons? 4. E a estrutura dos quartos? 5. Alguma teoria sobre quem são Jenna e Atticus? E a antiga família dela? 6. Gostaram do quarto de Cecília? 7. Quem será A? 8. O primeiro jogo dos Masons foi rápido, o que acharam dele? 9. Gostaram do momento adolescentes na sala? 10. O que acharam da cachoeira? 11. Jennyfer ama cookies, hein? 12. Eles treinaram bastante... Gostaram dos jogos? Acham que Nathan vai conseguir vencer? 13. Nathan exagerou ao mexer na gaveta de Cecília, hein? Como será que esses dois vão ficar? 14. Os Masons possuem tradições para tudo... Oque acharam da refeição de Natal? 15. O que acharam dos presentes que Ceci ganhou? 16. Acertaram para quem era os que ela comprou? 17. De todos, qual foi o favorito de vocês? 18. Scorpius para ter acertado o presente para Rose, hein? 19. Gostaram do presente de Ceci para Lily? Acertaram? Ela parece que sim... 20. James parece realmente mal com tudo isso, hein? 21. O que acharam do Natal dos Potters? Bem, foi isso por hoje. Espero que tenham gostado do capítulo grande. Até o próximo...