Notas iniciais
Boa noite, meus amores!! Como vocês estão? Espero que bem. Demorei, mas voltei. Estou preparando mais capítulos para vocês e não vejo a hora de poder postar. Bom, o que tenho a dizer sobre esse? Posso adiantar que o clima natalino continua e teremos um pouquinho de ofidioglossia, adianto que usei um dicionário para isso. Espero que gostem...

P.O.V. Cecília Mason

No dia seguinte, quando acordei, a casa voltara a ter apenas quatro pessoas novamente e minha energia se estabilizara. Eu me sentia bem, realmente a comida ajudara, tenho o costume de falar que me aguento com pouca comida, porém ajudou muito comer mais ontem.

O chão gelado enviou uma corrente pelo meu corpo. Não podia negar que gostava dessa sensação. Caminhei até minha varanda, sentindo a temperatura.

—Ceci, vejo que já acordou. — Minha mãe estava na porta. — Ia deixar a porta semi-aberta como fiz ontem, eu sei que você adora acordar com uma brisa.

Balancei a cabeça e abri a porta. Uma rajada de vento e neve adentraram o local. O frio atingiu meu rosto e, inconscientemente, meus olhos se fecharam um pouco.

— Está bem??

— Minha energia ainda está um pouco baixa, mas melhorei.

— Isso é ótimo, você e Dylan comprarão os presentes hoje.

Observei minha mãe por um minuto, sua blusa de gola alta e da cor verde esmeralda parecia realçar algo nela, mesmo sendo tão contraditório, e a calça escura trazia mais força para a cor de sua camiseta. Jade Mason era assim, aparentando, algumas coisas, serem tão casuais, mas com o resultado incrível — e planejado, acredito.

Ela deu um leve sorriso, enquanto fechei a porta da varanda e me dirigi até a cômoda, dentre as várias opções de vestuários ali, escolhi uma camiseta um pouco mais comprida de lã roxa com os ombros a mostra, e uma calça preta skinny um pouco mais quente que o jeans normal; após tal decisão, caminhei para onde deixava meus calçados e peguei uma bota com salto pequeno e grosso, a intenção era mantê-la protegida da neve, conseguiria aguentar o inverno com roupas mais leves, isso era verdade, porém gostaria de descansar do aestus por um momento, afinal, de noite, ele seria bem útil.

—É uma boa escolha, vai ficar bonita. — Minha mãe comentou, no mesmo instante em que uma mecha de seu cabelo caia na frente de seu rosto. Acredito que a minha intenção foi logo captada pela mais velha.

Acenei com a cabeça e me encaminhei para o banheiro, um banho quente me faria muito bem, apesar da roupa ser extremamente grossa para se colocar após. O meu objetivo foi rápido e, quando percebi, já encontrava-me na mesa junto com os demais, a comida do dia era pão doce, manteiga e bolo. Torcia para o sabor fazer jus ao cheiro e, conhecendo a cozinheira, sabia que faria, mesmo sem ter certeza da origem do pão.

—O pão é da sua vó. — A mais velha comentou, era inegável que tal feito combinava com quem havia preparado.

Gianne Mason era uma mulher de presença, assim como todos os Masons, era a típica dona de casa, se alguém queria alguma coisa, ela fazia; possuía cabelos cacheados negros – poderia ser comparado com o típico cabelo dos Masons, porém sem o aparente peso, era um simples cabelo – e olhos escuros; sua estatura era mediana. Mesmo com o fato de ter o mesmo gênio da família de seu marido — duro, “superior”, conservadorista, exigente e até um pouco exibicionista –, ela sempre tentou o seu melhor e meu pai sabe bem. Era ela também que ficava responsável por ensinar as crianças a dançarem e se portarem durante os bailes, quase as famosas aulas de etiqueta das quais os trouxas tanto falavam.

A comida estava gostosa, talvez, esse foi o motivo de termos comido rápido, pois começamos logo. Dylan se levantou, a camiseta cinza dele estava levemente amassada pela posição que ficara nos últimos minutos, a calça preta combinava com a minha e a blusa estilo jaqueta igualmente escura.

—Vejo que já vão sair.

—Quanto antes formos, antes voltaremos, ainda temos o famoso baile dos Masons – Meu irmão comentou.

—Verdade. — Levantei-me e segui todos para a sala, um cômodo grande e espaçoso, apesar dos móveis presentes, uma mesa de madeira e vidro no centro; dois sofás escuros grandes à esquerda e à direita (de acordo com quem entrava) dela; um tapete cobria o espaço entre esses dois, ele não era felpudo, mas, mesmo assim, quente; a lareira encontrava-se logo do lado do sofá esquerdo, ela estava na parede de frente para entrada, podia-se duas estantes de livros baixas, porém presentes em toda a parede esquerda e puffs almofadados para se ler, enquanto esquentava-se no fogo; o piso amadeirado e as paredes claras, de qualquer forma, o que tinha destaque eram cinco quadros na parede à direita.

—Bom, vocês têm que buscar o dinheiro no Gringots, podem pegar o tanto que quiserem. O pó de flu está aqui – A matriarca ergueu um saquinho em nossa direção.

—Tomem cuidado. — O sonserino pediu.

—Podem deixar. — O garoto que me acompanharia disse antes de pegar um pouco de pó, jogar na lareira, para, assim, adentrar as chamas gritando o local.

—Tchau. — Essa foi a última coisa que disse antes de seguir o mesmo caminho.

Em um piscar de olhos

—Podem deixar. — O garoto que me acompanharia disse antes de pegar um pouco de pó e entrar na lareira, ele fez todos os passos necessários para se usar o pó entregue.

Fazendo a mesma coisa, comecei a viajar por entre as diversas chaminés presentes no percurso, até parar subitamente, braços envolveram minha cintura, ajudando-me a manter o equilíbrio, não precisava olhar para cima, sabia que quem havia me ajudado era ninguém mais, ninguém menos do que Dylan White Mason.

Limpei a poeira da roupa, encontravamo-nos em “O Caldeirão Furado”, aquele específico bar que permitia acesso ao beco diagonal. Papai e mamãe diziam que era uma das coisas que não mudava com os anos, o bar continuava idêntico ao existente na época em que ela estudava, exceto talvez, a pessoa atrás do bar, nesse momento, o local era ocupado por um homem de meia idade, já calvo pelo passar dos anos, o sotaque arrastado mostrava que não era da Inglaterra, eu imaginava Durmstrang. Cumprimentamos ele e seguimos o caminho até a parede de tijolos há muito conhecida pelas bruxas e bruxos ingleses.

Meu irmão tirou sua varinha do bolso, fez o padrão na parede e voltar a guardá-la. Em poucos instantes, a passagem se abriu, a nossa frente, uma rua movimentada se apresentou, as diversas lojas estavam enfeitadas para o Natal e várias pessoas caminhavam ali, mesmo com toda a neve caindo.

Um passo para a frente foi o bastante para a parede se fechar às nossas costas, o cenário a frente, repetia-se aonde havia a abertura minutos antes.

— Gringots?? — apenas concordei com um aceno.

Caminhávamos o mais rápido que podíamos entre a multidão do local, a compra de presentes seria feita pela própria pessoa a partir do momento que tal tivesse permissão para isso, era nossa tradição e, bom, contando que a chegada de Hogwarts fora há dois dias, não conseguimos escapar muito da correria com o baile. A entrega de fato, ocorreria na véspera, então tínhamos alguns poucos dias para o evento, mas o baile era essa noite e viajaríamos amanhã logo cedo.

Quando percebi, caminhávamos pelo corredor de Gringots em direção a um elfo, um elfo específico de orelhas pontudas, terno acinzentado e olhos verdes, era verdade que os trabalhadores daqui não se vestiam igual aos caseiros.

— Gostaríamos de visitar o cofre 48, por favor. — O moreno pediu.

— Cofre dos Masons, sim? Vejamos Dylan e Cecília Mason. — Ele olhou um papel em sua mesa. — Sigam-me.

Caminhamos com ele até uma pequena entrada, era de nosso conhecimento o passo seguinte, não era segredo o quão rígido nosso sobrenome é e, por isso, os primeiros com ele fizeram um acordo mantido até hoje, o dinheiro ficaria sob os cuidados desse banco, mas deveria-se ter uma proteção diferenciada para o cofre.

A sala era tão pequena quanto aparentava, ali não tinha um espaço maior do que para uma mesa de 4 lugares e um espaço o suficiente para uma segunda mesa — idêntica à primeira -, porém sem sobras para caminhar.

Encontramos 4 elfos já no local, dois – o primeiro de olhos castanhos, com terno acinzentado e um rosto bem sério; o segundo de olhos azuis e terno da mesma cor; ambos possuíam orelhas pontudas – pegaram um punhal cada um e aproximaram-se.

— Mãos — O que nos guiou mandou e, no mesmo instante, estendemos nossas mãos direitas.

Senti quando a lâmina passou pela palma, senti quando a poção da faca adentrou o corte, senti quando o sangue escorreu, senti quando eles coletaram um pouco dele já afetado pelo líquido intruso e dirigiram-se para a mesa. Foi aí também que vi os outros dois — um de olhos azuis, um pouco mais alto que os demais, tinha, aproximadamente 1 metro, sua expressão também era a mais amigável de todas; o último possuía olhos castanhos e uma feição de raiva em um ser de 0,5 metro – com posturas de qual fazia mágica, tinha uma ideia qual era e percebi que o garoto ao meu lado compartilhava da mesma opinião, Revelabit Genus.

Os dois da mesa voltaram com pergaminhos em mãos, posicionando à nossa frente, pressionamos a palma ferida sobre ele, depois de alguns minutos, o sangue foi absorvido e apareceu um "compatível" no lugar. E, por último, os elfos da magia trouxeram dois pequenos vidros com uma poção transparente, imaginava qual era, Veritasserum, e nos entregaram, o líquido desceu por nossas gargantas.

Esse foi o tempo necessário para todos se reunirem.

— Os testes sanguíneos deram positivos, eles são quem são mesmo. — Os elfos que captaram nosso sangue confirmaram.

— Bom.

— A árvore genealógica confirmou também. — Os outros dois elfos disseram.

— Sendo assim, só falta uma coisa, mocinho, quem é você??

— Meu nome é Dylan White Mason, sou filho de Jade e Érick, criado extremamente próximo dos Masons, mas com parentesco com os Whites.

— E você, mocinha??

— Sou Cecília White Mason, irmã de Dylan White Mason, diga-se de passagem, o garoto ao meu lado, o resto das informações são iguais as que ele falou, sei que é a função de vocês, então vou poupar tempo.

— Ok. É ela. Sigam-me. — O primeiro elfo saiu da salinha e seguimos, a verdade é que eu já tinha uma relação bem próxima com a sinceridade, mesmo, algumas vezes, o impulso sendo mais forte que as aulas de etiqueta, mas a poção podia complicar um pouquinho certas coisas. Eu nunca tive que me preocupar com o que falava nem para quem falasse, desde que mantivesse a educação de modo a não afetar as relações entre os Masons e as demais famílias.

Passamos por vários caminhos até os cofres mais protegidos. Diversos cofres haviam passado, estávamos perto de uma parte mais aberta, um círculo com pilastras acinzentadas bem em nossa frente. O pequeno parou e seguimos seus passos.

— Vocês têm mais um desafio. Aproveitem. — Ele ficou parado, enquanto Dylan e eu atravessamos uma das várias aberturas ali, percebemos que eram protegidas por magia.

O local era bem parecido com o esperado, o centro tinha um desenho e os cofres ficavam do lado oposto, sem mais tempo para analisar, ouvi um sibilar à minha direita e virei-me rapidamente, ser Mason não significava ser ofidioglota, mas todos sabiam o básico que era...

— Aaahhaahasseysssssssssehhh. Haahassaayhaasssseythassseyaasssssssssehhh-sssseuthassss. Aaahayaeehssssseythassssseythaesseythaayaeeh ayaeeh ssssseythahaaseyythaaehhhesseythassss ssssehhhhaaaayaasssseytha aaahesseythahasseyayaeeh. (Parem. Afastem-se. Possuo o sangue mais puro) — Nossas vozes se juntaram em coro. Estávamos cara a cara com três cobras enormes, não gigantes, apenas enormes; apesar disso, eram cobras normais e não basiliscos.

Elas abaixaram as cabeças e recuaram, diziam que o Mason que construira o cofre encontrou elas em um passeio e disse a frase a cima com raiva e autoridade, fazendo as cobras recuarem, claro, juntando-se à ofidioglossia. Falam também que ele as enfeitiçou a fim de torná-las maiores e imortais.

Assim que domadas, nosso guia atravessou a mesma passagem que nós e seguimos para o local dos cofres. Aquele corredor era conhecido como o Corredor de Salazar, pois ali eram os cofres das famílias mais leais aos Masons e seus ensinamentos.

Um cofre chamou a atenção, ele possuía um brilho levemente dourado e logo em cima estava o número 48.

— Sabem o que fazer.

Com as mãos ainda sangrando um pouco, tocamos o cofre com as palmas estendidas, ouvimos um leve "plim" e demos espaço para o elfo autorizado abrir.

Com a mágica feita, tínhamos acesso a todas as riquezas, desde joias até a moeda mais simples, tudo ali brilhava e resplandecia, não me surpreendia o cofre ficar alguns níveis abaixo, ele quase transbordava.

Abaixei, fechando a mão para pegar algumas moedas, repeti o processo umas 2 vezes mais e achei ser o suficiente. O moreno estava parado do lado oposto, observando-me, pelo seu jeito, já havia acabado.

Sem uma palavra sequer mencionada, saímos do cofre, permitindo ao pequeno elfo acesso para fechá-la.

Alguns minutos mais tarde, estávamos de volta ao cenário exterior, o branco teve um quê de chocante ao se ver tanta luz após a escuridão, mas apenas piscamos um pouco e seguimos.

Nossa primeira parada foi na loja de roupas, adentramos e uma bruxa loira de olhos castanhos, aparentemente com uns 25 anos, caminhou em nossa direção.

— Sejam bem-vindos, vieram buscar as encomendas??

— Sim, por favor. — Senti o toque de Dylan em meu pulso, um sinal para deixá-lo assumir a frente.

A moça foi para o fundo da loja e retornou com algumas embalagens, nossas encomendas, as únicas já feitas. Sabia que, em algumas daquelas sacolas, estavam: um vestido prateado e justo, com alças no braço e com uma fenda, um vestido azul claro de babados e uma sandália prata som tiras e de salto em formato de cobra.

— Tudo dá um total de 47 galões e 15 sicles. Eu anotei os preços individuais nesse pergaminho — Ela nos entregou um pedaço de pergaminho com algumas linhas preenchidas por uma letra simples, mas bonita.

— Obrigada. — Peguei metade do pagamento, enquanto o meu companheiro procurou pela outra. Entregamos as moedas e saímos.

—Qual seria o próximo passo? — Dylan perguntou.

— Comprar o resto dos presentes. — Ele me olhou inconformado com minha resposta. — Fui sincera.

— É oficial, odeio Cecília sob efeito de Veritasserum. Nós nos encontramos nesse local em algumas horas.

— 48 horas?

— Oi?

— Fica vago assim.

— Usa o feitiço de localização, maninha, assim que acabar as compras.

Caminhei até a loja de artigos de Quadribol, esperava encontrar algo a altura da pessoa.

— Boa tarde, procura algo? — O atendente chamou-me. Ele era um senhor não muito alto, seu cabelo branco estava cortado curto, sua barriga era marcada pelo agasalho azul e seus olhos castanhos olhavam ansiosos para mim.

— O senhor tem algum livro raro de Quadribol. — Ele pensou por um tempo.

— Senhorita Mason, seria para quem?

— Não vou revelar.

— Tudo bem. Tenho duas novas entregas. Venha comigo.

O senhor me guiou até o fundo da loja, entre diversas caixas e estantes, ele encontrou uma caixa fechada, não com aquelas enormes quantidades de fitas que indicam as inúmeras vezes que foram abertas e fechadas, mas apenas uma, a original.

— Vejamos... — Ele pegou a varinha e a balançou, o que fez a caixa se abrir.

Lá dentro, dois livros grossos de capas um pouco gastas se faziam presentes, o senhor indicou o conteúdo dela, dando sinal para que eu me aproximasse.

O da direita era um livro de capa vermelha bem grosso, o título em sua capa estava um pouco desgastado, mas podia-se perceber que era em latim, algo que, comparando a parte boa com o meu conhecido, significava "As estratégias secretas para vencer".

O segundo livro, o da esquerda, possuía uma capa acinzentada, com letras pretas o título era visível, "Os objetivos e artimanhas de um jogador", era quase tão grosso quanto o outro.

— Eles são bons? — Direcionei-me ao vendedor.

— Estão entre os melhores e mais raros, dizem que quem os possui nunca perde. — Percebendo meu olhar ainda analítico, ele completou — Já te enganei alguma vez?

— Como se não soubesse, sim, duas vezes, quer que eu te lembre? — Provavelmente, meu olhar havia sido frio, pois ele se encolheu.

— Mas eu aprendi. Eu garanto que não terá problemas com esses.

— Fico feliz por saber disso. Quero os dois.

— Sim, senhorita Mason. — Percebi que meu companheiro naquela sala ainda tremia um pouco quando enfeitiçou os livros que pedi, embrulhando cada um. — São 17 galões e 12 nuques. — Ele me entregou os embrulhos após o pagamento.

Saí da loja, o dia começava a esquentar, provavelmente, pelo o horário, ainda assim, foi o bastante apenas para diminuir a quantidade de neve que caía do céu, o toque gelado em meu ombro descoberto, arrepiou minha pele, enviando uma sensação agradável pelo corpo, era um lugar refrescante no meio da pesada roupa que usava. Sabia que a corrente dos Masons reluzia em meu pescoço, um brilho prateado entre as demais cores.

Tinha algumas ideias do que comprar para os demais membros de minha /tão adorada/ família, sabendo disso dirigi-me até uma livraria mais antiga do que a Floreios e Borrões, ela ficava quase escondida, mas era a melhor escolha quanto a livros raros, bom, talvez não a melhor quanto a Quadribol, mas ainda assim, possuía a melhor qualidade em uma diversa imensidão de temas.

A loja, aparentemente pequena, mantia a sensação ao entrar, porém, os pouco clientes que tinham acesso a parte de trás da loja — uma parte separada por uma porta simples de madeira — conhecia a imensidão.

— Cecília Mason. Desculpe-me, senhorita Mason.

A dona da voz era uma mulher já de meia idade, postura esbelta e sempre gentil com todos, mesmo que incluísse trabalho com as mais nobres famílias sonserinas — em minha opinião, um termo tão clichê e exibicionista quanto aqueles que falavam. O que mais chamava a atenção eram seus cabelos prateados como a lua e olhos acinzentados, diziam que a mulher nascera assim. Eleonora Gintsuki era considerada uma bruxa formidável e a loja que comandava passara de geração em geração de sua família, os conteúdos de seus produtos eram tão incríveis que muitos diziam a loja não se localizar na Travessa do Tranco, pois a família tinha muita bondade — ou fraqueza de acordo com muitos integrantes da casa Verde e prata — para isso.

— Senhora Gintsuki, posso dar uma olhada nos seus livros mais recentes? — Ela sorriu, fazendo sinal para que eu fosse na frente.

Dei a volta em seu balcão e atravessei a porta, a sala ali dava muitas da anterior e era formada por prateleiras, mais prateleiras de inúmeros livros.

— A senhorita gostaria de qual tipo de livro?

— Magia avançada.

— Interessante, siga-me. — Ela me guiou por entre os vários caminhos daquele cômodo.

Passamos por uma placa que indicava conter livros extremamente raros, só esperava ser verdade, pois o raro para os outros, dificilmente era o raro para nós.

— Aqui. — A bruxa parou na frente de uma estante, passando seu dedos sobre as várias lombadas dali até uma azul com as letras pretas e puxou. — Esse deve cumprir o que você quer. — Ela me entregou o livro, "Magias, feitiços, poções, uma saga para feiticeiros de alto nível".

Já ouvira falar sobre esse livro, minha mãe conseguira lê-lo apenas uma vez e se orgulhava até hoje das anotações.

— Exemplar único? — Eleonora deu um leve sorriso.

— Livro raro, Mason. — Ela pegou sua varinha e logo estava com 2 exemplares idênticos nas minhas mãos. — Segredinho nosso. Mais algum?

— Estava pensando, teria alguma enciclopédia?

— Geral ou específica?

— Magia branca.

— Não para nenhum Mason? — Ela me olhou analisando e apenas ergui uma sobrancelha. — Desculpe-me.

Caminhamos por mais alguns corredores, dessa vez, de volta para a entrada até um livro de capa amarelada, cujo título brilhava na cor rosada.

— Enciclopédia mágica. — Li, enquanto observava minha companheira e dona da loja.

— Nem todos os títulos são enfeitados. — Ela deu de ombros.

— Quanto dá?

— 14 galeões. — Peguei o dinheiro e entreguei, após ter as compras em mãos.

Saindo da loja, caminhei para a de materiais escolares — penas e pergaminhos, especialmente — com a intenção de ver algumas penas.

Lá dentro, tinha uma estante com várias penas em exibição, observando a diversidade, decidi comprar uma pena de repetição rápida.

— Boa tarde. — Um rapaz se aproximou, não devia ser muito mais velho do que eu, um sorriso estava estampado em seu rosto, adicionando um brilho aos seus olhos castanhos.

— Gostaria de uma pena de repetição rápida.

— Temos alguns modelos. Sigam-me. Deseja ver nossa versão de luxo?

— Claro. — Conforme caminhávamos para o balcão, vi um pequeno caderno de brochura, quase um diário. — Com licença, aquele caderno... — Antes de conseguir terminar a frase, o atendente respondeu.

— É um diário bem especial. — Ele caminhou até lá, pegando o item em suas mãos. — Ele ajuda em organização, possui una magia que te permite anotar tudo o que precisa e organizar como quiser, sendo automaticamente riscado aquilo que já foi feito.

Era um presente interessante, o diário não tinha muito colorido, era feito de uma única cor e bem discreto, algo que facilitava o uso por homens que não gostassem de ter um diário.

— Vou levar o preto. — O rapaz sorriu e pegou um exemplar fechado. Voltando a caminhar até o destino anterior. — A senhorita ainda gostaria de ver nossas penas?

— Sim.

Deixando a minha já certa compra de lado, o atendente pegou alguns mostruários de veludo, no qual havia diversas penas, devia admitir que algumas eram lindas.

— Pena de repetição rápida, sim? — Ele passou a mão pelo mostruário mais a esquerda e tirou uma pena azulada, era realmente linda, esticou até que eu a tocasse. — Essa é a pena simples de repetição rápida, as diferenças entre as versões, devo dizer, são a beleza externa de cada uma, obviamente, mas também a durabilidade, em especial da tinta, e rapidez tanto de adaptação quanto de escrita. Elas em nada se diferem quanto ao tamanho, flexibilidade ou demais características.

O jovem homem retirou uma pena esverdeada, a coloração realmente chamava a atenção, o verde musgo dava a impressão de ser brilhante, não como se alguém jogasse frasquinhos de glitter por cima, mas era um brilho agradável como de canetas coloridas brilhantes.

— Essa é a nossa versão intermediária. E, por último, — Ele pegou uma pena negra do mostruário mais à direita, ela era escura como a noite, porém com um toque de envernizado, era uma pena extremamente linda. — nossa versão de luxo.

Eu sabia que a pessoa pudesse até gostar mais da cor azul, porém a escura era perfeita e a pessoa concordaria.

— Eu vou levar a versão de luxo.

— Excelente. Os presentes são para a mesma pessoa?

— Não. — O garoto era rápido embrulhando os presentes e, em poucos minutos, voltara a rua para seguir com minha jornada.

E o próximo passo seria uma parte menos movimentada do local, uma parte mais sombria e assustadora para todos que odiassem a fama dos sonserinos — vale comentar que é apenas uma fama como qualquer outra e tão frágil quanto qualquer boato -, a famosa Travessa do Tranco.

Era verdade que muitos sentiam calafrios de pensar em visitar tal local, mas, quando se convive com cobras bem mais venenosas, as menos coloridas se tornam brinquedos para bebês.

Caminhei na direção da Travessa talvez do modo mais Mason possível, coluna ereta, passos firmes, rosto levantado, olhar fixo — e em nada tinha relação com minhas aulas para as festas — e duro, um sorriso malicioso e sarcástico no rosto, era uma postura de respeito nos ensinada desde o nascimento.

A primeira loja visitada do local foi uma bem no comecinho, conhecida por, assim como o local em que se encontrava, possuía uma mistura incrível dos dois mundos, o próprio ar da loja era pesado e leve. Confuso? Talvez. Paradoxal? Com certeza.

Um bruxo arcado, mais velho que os anteriores e de roupa totalmente negra caminhou em minha direção, após minha entrada. Julgando pelo olhar duro e rosto não tão amigável, podia dizer que facilmente seria amigo do meu amado avô, isso se o senhor não fosse uma versão mais amável do mesmo. Não que o meu avô fosse mais velho, ele fazia bem o estilo de 'as aparências enganam', tão atrativo e bonito como um mar cristalino no mais quente verão, porém tão frio quando a mais resistente pedra do mundo.

Olhando ao redor, vi que outros atendentes estavam ali e, até nisso a loja pareceria pertencer aos dois lados de sua localidade, metade deles eram tão alegres e conquistadores quanto ao senhor agora na minha frente e a outra metade, bem, poderiam fazer o papel da mais pura criança.

— Qual? — A voz impaciente do senhor soou.

— Proteção. — Dando um breve suspiro de impaciência, me guiou para o local.

Mais nenhuma palavra foi dita, enquanto eu olhava os produtos etiquetados de forma tão precisa que só podiam ter sido feitos pelas almas lufanas do local, devia agradecer o lado gentil de quem fizera isso, se, bom, não fosse desperdiçar meu tempo.

Por fim, escolhi um colar com o brasão da sonserina, uma pulseira masculina, uma pulseira feminina, um colar de beija-flor e um perfume amadeirado para proteção também.

O primeiro era extremamente pesado, a corrente parecia conter algum metal puro nela e o brasão não era nada diferente, dentro havia uma poção de proteção cuja função era manter sempre o colar e seu dono seguro de todos os perigos.

O segundo era uma pulseira escura, a descrição dizia sempre guiar quem a possuísse para o caminho menos perigoso.

O terceiro item da lista, mas o primeiro feminino era uma delicada pulseira branca enfeitiçada, caso sua coloração fosse a mais diversificada possível, melhor a pessoa estava e quanto mais escura estivesse, mais alerta sua dona devia ficar seja pelo lugar, pelas pessoas ou pelas situações.

O quarto produto era um simples colar dourado de beija-flor criado para interagir com quem possuísse.

O último era um perfume com embalagem bonita, o vidro era decorado com uma floresta branca.

Com os presentes embalados, me dirigi para mais adentro da Travessa, quando uns garotos, não muito mais velhos que eu aproximaram-se.

— Sabe, Mason, cuidado, você pode assustar os donos da loja e seus produtos. — Uma voz disse próxima.

— É verdade, você é muito mais das trevas do que eles. — Um segundo rapaz concordou.

— Mesmo sendo bem bonita. — Mas o último mudou completamente o rumo dos comentários. Fiz um jeito com as mãos e eles ficaram mudos, voaram para longe e encontravam-se amarrados por cordas, estava sem paciência; por esse motivo, quando alguém me puxou para um beco, eu lancei uma magia que não atingiu meu alvo.

— Se você quer me matar, por qual razão não o fez ontem? — A voz de Dylan sussurrou levemente divertida.

— O que faz aqui?

— Tive uma ideia.

— Parabéns, querido irmão, posso continuar minhas compras?

— Ceci. — Seu tom foi de repreensão. — Eu tive uma ideia quanto a carta de mamãe, aquela que fala sobre a confiança. — Ele sussurrou quase no meu ouvido, a Travessa do Tranco não estava na lista de lugares mais seguros para essa conversa. — Por que você não compra alguma coisa para a Potter e aqueles gêmeos?

— Ficou louco?! — Minha voz saiu mais alta do que o esperado.

— Pensa, você não se aproxima tanto, mas não deixa de fazer um jeito legal para ganhar a confiança.

— Não, obrigada. — Virei-me para sair, mas sua mão agarrou meu pulso.

— Confia em mim, vai dar certo. — Meu irmão começou a listar várias vantagens em minha mente.

— Você será o responsável. — Foi tudo o que comentei antes de dar as costas para ele.

— Posso? — Questinou-me novamente do meu lado, indicando o caminho a minha frente, como não argumentei, ele seguiu.

A loja de poções e seus utensílios não ficava muito longe, por isso, pouco depois, estava de volta para o Beco Diagonal sem emoção e com um novo kit super resistente para preparo das poções mais negras nas compras já realizadas. Além de um espelho de inimigos que comprei em uma loja no caminho.

— Alguma ideia? — Meu companheiro perguntou, uma loja de presentes e decorações para casa um pouco mais afastada apareceu ao meu lado e uma coisa atraiu minha atenção.

— Todas. — Disse adentrando o local, era bem animado, decorações natalinas enfeitavam o teto e paredes do estabelecimento. — Com licença, os globos de neve são encomendados ou prontos? — Perguntei para uma atendente do local.

— Temos alguns já prontos, mas, caso queira personalizar, podemos montar.

— Vocês não teriam nenhum com um uma floresta, um cervo, um grande cachorro negro e um lobo?

— Não, mas acho que podemos providenciar em algum tempo. Por que não olha o restante da loja?

— Tudo bem. — Dylan possuía um certo brilho nos olhos e um rosto interessando, apesar da questionadora sobrancelha levantada.

Caminhamos por toda a extensão da loja — algo que levou um bom tempo devido ao tamanho dela — por fim, acabei pegando uma moldura simples, verde pastel e uma pequena poção, a qual permitia, caso mergulhasse uma foto nela, podia-se ver as verdadeiras emoções das pessoas ali presentes; lembrando-me de uma fotografia que tinha em casa, percebi ser um presente perfeito.

Levei para o balcão e a mesma pessoa que nos atendeu, avisou que o globo de neve ainda não estava pronto, então deixei as compras separadas, enquanto ia procurar o último presente restante.

Rapidamente caminhamos até a Floreios e Borrões, a livraria mais conhecida de todo o Beco Diagonal, estava atrás de um livro sobre os animais mágicos, não pretendia comprar algo extremamente comum, mas também não precisava de uma loja de raridades. E foi uma escolha perfeita, afinal, achei facilmente o que procurava, um livro mais ou menos grosso e bem detalhado sobre a zoologia do mundo bruxo, o objeto também trazia em si, comentário de Newt Scamander, só esperava que esse não tivesse guardado uma cópia. Também adquiri um livro grosso de contos infantis para crianças bruxas.

O tempo foi exato para a finalização do globo de neve, paguei tudo e Dylan me acompanhou na última vez que sairíamos para as ruas cobertas de neve do local e, agora mais do nunca, era extremamente agradável sentir os flocos tocando minha pele descoberta do ombro.

— Voltaremos via lareira ou aparatando? — Observando o céu de fim da tarde, tomei uma decisão.

— Aparatar. — Seguimos para uma parte um pouco mais afastada e menos protegida.

Senti Dylan deslizando sua mão na minha e fechei os olhos, focada na praça central de Salazar's Town, uma das vantagens de morar nela é que tínhamos permissão para aparatar e desaparatar, mesmo que nosso destino seja unicamente aquela praça.

Com o chão já sob nossos pés, disparamos em direção à nossa casa, guardei todos os presentes ainda reduzidos na mala já pronta para amanhã e vi um papel sobre minha cama.

"Querida,

Sua roupa e acessórios já estão na casa de seus avós.

Assim que chegarem, venham para cá.

Até mais."

Notas finais
Voltei e vamos para as perguntinhas? Já possuem uma ideia de como Jade Mason é fisicamente? Ansiosos para o famoso baile dos Masons? Quais serão os 5 quadros na sala? Alguma suspeita?? Para onde será que eles irão viajar? Os Masons sempre foram muito desconfiados e isso se refletiu na segurança do cofre. O que acharam?? Qual será o efeito de Revelabit Genus? O que acharam dos Masons sob Veritasserum? Masons usando ofidioglossia? Alguma suspeita de quem seriam os outros cofre? Cecília conhece algumas lojas bem diferentes, hein?? O que acharam da ideia do Dylan sobre os presentes para Lily e os Scamander? Para quem vocês acham que são cada um dos presentes??