Os desafios do pai
5 O Barco
Notas iniciais
Steve chegou em casa mais agitado que o normal, Freddie estava brincando na sala junto com a babá, ele havia completado 6 anos no último sábado e ainda estava aproveitando os novos brinquedos. Ele sorriu ao lembrar do filho abrindo os presentes quando todos haviam saído.
Sábado
— Isso é roupa – O menino lançou o embrulho em cima do sofá após senti-lo fofo e pegou outro – Esse é presente – Freddie falou após ver que o embrulho era pesado e firme, então abriu rapidamente, revelando uma arma Nerf
— As pessoas gostam de te dar essas arminhas, hein?
— Eu gosto, elas são legais... É uma pena que os dardos sempre somem
— Claro – Steve disse pegando o embrulho jogado no sofá – Porque você não quer esse?
— É roupa, eu não preciso... Presentes só são brinquedos
— Eu discordo, eu pisco e você cresce, são muito bem vindas – Steve disse abrindo o pacote e realmente vendo que era uma camiseta
Hoje em dia
Steve dispensou a babá, e quando ele iria se sentar ao lado de Freddie, o telefone tocou. Era o governador. O que ele quer? Pensou Steve.
— Bebê, o papai precisa atender e já volta para ficar com você, ok? Não sai daqui – Ele beijou o topo da cabeça do filho e atendeu o telefone, indo em direção a cozinha. Ele conversou com o governador por cerca de quinze minutos, quando finalmente acabou ele foi pra sala
— Freddie? – Steve disse após voltar da cozinha e não encontrar o filho no meio dos brinquedos – Filho, onde você está?
Não houve respostas
— Freddie, amigo, onde você está? – Ele disse olhando ao redor da sala e em seguida conferindo as janelas, que estavam perfeitamente fechadas e o alarme ainda ativado.
Ainda não houve resposta
— O papai não está brincando, amor, onde você está? – Ele disse pegando o celular para discar pro HPD quando ouviu um som facilmente reconhecível na parte de cima da casa, ele então subiu rapidamente e entrou no banheiro
— Papai olha só eu... – Freddie começou a dizer animado quando Steve apareceu na porta, mas foi interrompido
— Meu Deus, filho, não! Isso não é brinquedo, Freddie – Disse levantando o tom de voz mais que o normal e retirando a réplica do barco de dentro da banheira, fechando o registro e se virando para pegar uma toalha no armário para secar o barco – Você não pode pegar as coisas assim, você tem que pedir, você tem que perguntar – Steve disse ainda de costas pro filho – Você não deveria ter vindo aqui e enchido a banheira sem me avisar – Steve falou colocando o barco em cima da pia e se virando para encontrar o filho com lágrimas escorrendo no rosto. Ele suspirou e se aproximou do menino – Ei, ei... Me desculpa, tudo bem, eu não queria falar assim com você – Ele disse retirando o menino de dentro da água e o abraçando – Está tudo bem, amigo, eu sinto muito, não vai acontecer de novo, ok? – Houve silêncio – Vamos lá, bebê, vou te ajudar a se vestir – Steve disse alcançando a toalha do menino e o enrolando nela.
Steve fez um trabalho rápido e Freddie já estava seco e vestido, ele estava sentado na cama quando Steve passou a escova sobre os cabelos castanhos do filho, penteando de lado, mesmo sabendo que isso era inútil, e a franja cairia em breve na testa
— Papai, me desculpa por estragar seu barco – Freddie disse de cabeça baixa
— Já está tudo bem, amigo... Bom, apenas pergunte da próxima vez, ok? – Steve disse após colocar a escova no devido lugar e se abaixar a frente do filho, e em seguida levantar seu rosto, para o observar
— Tudo bem... Eu achei que não se importaria, você tem muitos... Tem na nossa casa e até no seu escritório no Five-0... E eu só queria brincar com um navio, não gosto mais dos patos de borracha
— Ah, claro que você não gosta dos patos de borracha – Steve riu – Mas... Primeiro, amigo, eles são caravelas, ok? Navios são diferentes
— São a mesma coisa, papai – O menino fez uma careta
— Não, Navio tem o casco metálico, esses tem o casco de madeira, são barcos, mais especificamente caravelas
— Todos levam as pessoas e meus soldados, é igual
— Não, não é igual, tem muitas diferenças, filho
— É a mesma coisa, papai, eles vão levar meus soldados, dá no mesmo
— Hoje você está pior que o Danno, hein? – O menino riu – Voltando aqui, essas caravelas eram de meu pai... E eu, eu gosto de guarda-los, sabe? E realmente, eles não são para brincar, são para enfeite
— Oh... Me desculpa... Eu já entendi, papai
— Como já te disse, já está tudo bem – Steve sorriu pro filho – E me desculpa por ter gritado com você, prometo que não vai acontecer de novo... – Freddie ficou quieto – Eu sei que te assustei, e foi errado... Hoje aconteceram algumas coisas sobre o trabalho, e... Me desculpa, eu estava nervoso
— Tá tudo certo, papai – O menino observou Steve – Você está menos nervoso agora?
— Sim, eu estou... – Steve sorriu – Antes do jantar, quer me ajudar fazer uma coisa?
— O que?
— Eu tenho algo que você pode gostar – Steve disse se levantando – Vamos lá
— Aonde? – O menino pulou da cama e seguiu Steve
— No nosso porão – Steve disse descendo as escadas com Freddie vindo atrás
— Hum... Tem certeza? Lá está escuro – O garoto parou na porta que ficava embaixo da escada após Steve abri-la
— Está tudo bem, vamos lá – Steve disse alcançando o interruptor, que clareou todo o cômodo – Amigo, não precisa ter medo, eu estou aqui com você
— Eu prefiro ficar aqui – O menino recuou
— Ok, eu já volto então, certo? Coisa rápida – Steve sorriu e Freddie o viu descer as escadas e sumir dentro do cômodo, pouco menos de 5 minutos depois, Steve apareceu com uma caixa na mão
— O que é isso, papai? – Perguntou quando Steve atingiu o topo da escada
— Bom, quando eu fiquei sabendo que você chegaria – Steve disse apagando a luz e fechando a porta – Eu comecei a ajeitar seu quarto, aquele era meu quarto de quando eu era criança – Ele colocou a caixa na mesa de centro e pegou o canivete em um dos milhares bolsos da calça e cortou a fita – Eu guardei minhas coisas antigas em caixas, essa é a dos brinquedos – Freddie então se aproximou e espiou dentro da caixa
— Quantos brinquedos – Freddie disse pegando um estilingue e o esticando
— Esse, por enquanto não, amigo – Steve disse estendendo a mão e Freddie o entregou
— E esses carrinhos? Eu posso pegar? – Ele apontou para uma maleta com algumas miniaturas dentro da caixa
— Claro, vá em frente – O garoto pegou e se sentou no chão, ele abriu a maleta e espalhou todos os carrinhos no chão
— São muitos carros, hum, qual é esse? – Freddie disse pegando um deles na mão
— Esse é um Ford Mustang Mach 1 1971
— Deve ser muito velho, não tem um Camaro igual o do Danno não? – Disse olhando para os outros
— O carro do Danno é modelo novo, eu não tenho aí... Eu gostava de carros quando era criança, bom, até hoje eu gosto, mas quando eu era criança fazia de tudo para comprá-los, só que hoje em dia, mal tenho tempo para acompanhar os lançamentos e essas miniaturas
— E esse? Como é o nome?
— Chevelle SS Wagon 1970
— Eu gostei dele – Freddie disse colocando o carrinho separado – E esse também é legal – O menino mostrou a Steve – Qual o nome dele?
— Esse é um Ford Maverick GT 1974
— Você só tem carros velhos
— Bom, surpresa amigão, o papai é velho – Steve sorriu – Mas não é necessariamente sobre carros que eu estava dizendo quando eu peguei essa caixa, bom, eu – Steve mexeu dentro da caixa por alguns segundos e tirou um barco colorido de dentro da caixa – Vem aqui, vou te mostrar como funciona – Steve se levantou e Freddie levantou em seguida
— Onde vamos?
— Banheiro – Steve disse dando passagem para o filho subir as escadas primeiro e ele foi logo em seguida. Quando chegaram lá, Steve se aproximou da banheira e se ajoelhou ali perto – Quando eu era garoto, juntei minha mesada por três meses para comprar esse barco. Eu havia o visto na televisão, o Natal estava muito longe e meu aniversário e o dia das crianças já tinham passado, eu não queria esperar, então eu juntei a mesada e lavava o carro do meu pai, ele sempre me dava um dólar ou outro... Então eu finalmente comprei...
— Esse barco é legal assim?
— Se é legal? Vou te contar, ele tem espaço para quatro soldadinhos – Steve mostrou as garras onde se encaixava os soldadinhos verde – E quando você roda aqui – Steve apontou pra circunferência e girou – E põe na água, olha só – Steve colocou e o barco começou a rodar na banheira, dando a Freddie gritos animados – E tem mais, se você puxar aqui – Steve tirou o barco da água e puxou uma tampa, que fechou a parte de cima do barco, o deixando oval, a parte de baixo acabou ficando com alguns furinhos – Agora você espera ele encher um pouco, e...
— Ele vira um submarino! – Freddie completou contente ao ver o, agora submarino, ficar submerso – Ele também vai sozinho como um submarino?
— Claro que sim, é só rodar a mesma coisa – Steve disse pegando o submarino de debaixo da água para que o filho não tentasse e se molhasse, Freddie já havia tomado banho e não havia necessidade de outro
— Papai, esse é o melhor brinquedo de todos
— Você gostou?
— Sim!! Ele faz muitas coisas! Eu posso tomar banho de novo? Pra eu brincar com ele?
— Não, hoje não amigão... Bom, agora ele é seu, você vai poder brincar todo dia
— Você está me dando seu brinquedo?
— Bom, eu estou... Não que eu vá brincar, né?
— Hum, obrigado papai
— Por nada, amigão – Steve sorriu
— Mas... por favor, deixa eu tomar outro banho – Freddie fez a carinha de cachorrinho
— Não faz isso, ok? Não vai adiantar, eu já estou totalmente vacinado a essa sua carinha – Steve disse secando a mão na calça e em seguida passando ela nos cabelos de Freddie para tirá-lo do olho – E amanhã definitivamente nós vamos cortar esse cabelo
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