Caminhando pela névoa, Rang começou a pensar que não conseguiria achar qualquer estrada por perto, ele pensou em acender uma tocha usando a sua magia de fogo, mas não o fez, do mesmo jeito que o caminho dele poderia ficar mais fácil, mais fácil seria também para qualquer animal selvagem, criatura ou qualquer um encontrá-lo também, ele decidiu confiar apenas nos seus sentidos de audição e olfato, era uma idéia um pouco louca e fracassada, mas era tudo que ele tinha no momento.

Um silêncio perturbador tomava conta da região, não se via uma alma viva naquela névoa infernal, quando Rang dava um passo, ele ficava sempre em alerta a qualquer barulho que não fossem de seus pés ou das vezes que estava engolindo saliva.

Andando devagar, Rang acabou vendo que a sua direita, brilhava uma luz, será que eram inimigos ou aliados, podiam ser Kobolds, eles poderiam ter montado acampamento aqui, já que eles ainda não acabaram com a nossa vila, ou poderia ser alguém que more na floresta, Rang já tinha ouvido boatos de que existia um velho louco que morava sozinho em uma pequena cabana que ele mesmo construiu, longe de tudo e todos, ele era um feiticeiro, talvez ele pudesse ajudar Rang em sua jornada, se ele existisse de verdade, afinal eram apenas boatos.

Rang se aproximou devagar em direção a luz, ele não tinha idéia do que iria encontrar, mas sabia que não havia mais volta, ou ele encarava as coisas de frente, ou ele teria uma morte tão miserável quanto o resto de sua vida.

Assim que chegou perto o suficiente para conseguir clarear ainda mais o seu foco de visão, ele se apoiou na porta, era feita de madeira com pedaços de ferro as prendendo para não se separarem, uma porta comum, mas com certeza melhor que qualquer porta que existia em sua vila, assim que ele pôs as duas mão nela, ele bateu na porta três vezes e depois deu dois passos para trás.

A princípio, ele ficou nervoso, era como se estivesse alertando um possível inimigo que você estava próximo, mas se existia a chance de Rang aprender mais sobre magia, e ficar mais forte e esperto, ele não poderia fugir agora.

Aporta se abriu e dela apareceu exatamente o que Rang esperava? Não.

Era uma criança não muito mais alta que o Rang, mas ele parecia ter pelo menos treze anos, usava um chapéu pontudo roxo e vestia um manto verde escuro, com uma folha branca enorme estampada nela, seus olhos eram castanhos e não apresentavam nenhuma ameaça, mas Rang ainda estava em alerta, esperando ver o que aquele sujeito iria fazer agora.

— Puxa, por Merlim — disse o garoto, levantando as mãos para o céu — finalmente um visitante, não sabe como me alegra ver você aqui, jovem.

Rang a princípio ficou surpreso, afinal aquele sujeito não podia chamá-lo de jovem, considerando que ele era mais jovem do que ele, e mais surpreso ainda por ele querer que alguém o visite sabendo que aqui é equivalente a lugar nenhum.

— Não fique aí parado, entre — disse o garotinho, insistindo para que Rang entrasse.



Dentro da cabana não era tão diferente da qualidade que Rang esperava, lá tinham livros, vários tubos de ensaio com líquidos que Rang não imaginava o que eram, pendurado no canto onde ficavam os casacos do garoto estava uma pequeno guizo, que Rang só sabia o que era porque quando estavam perto da festa de ano novo, antes da névoa chegar, todos os moradores de sua vila colocavam guizos e lamparinas como enfeites para suas casas, Rang nunca se importou em enfeitar o seu cafofo, já que nada poderia fazer aquilo ficar mais bonito, iria continuar feio até que alguém resolvesse destruí-lo.

Em uma das mesas estavam vários rolos de pergaminhos, Rang achou que ele poderia ser sim um mágico, mas não tão forte, assim como ele, ele também estava treinando para aprender a usar magia, mas realmente era muito triste ver outro garoto abandonado e sem ninguém para falar com ele, Rang sentiu que deveria dizer alguma coisa, mas não era como se ele pudesse ajudá-lo de fato.

— Enfim — disse o garoto — sente-se, farei um chá de ervas para mim, quer alguma coisa?

Rang apenas mexeu a cabeça em negatividade, já era incomum que outra pessoa queria que ele entrasse em sua casa, agora ele queria lhe oferecer uma bebida, Rang não conseguiu conter a sua dúvida, e decidiu perguntar quem era ele e como veio parar aqui.

— Há, sim — lamentou o garoto — perdão, esqueci as boas maneiras, estou tão contente em receber um visitante que me empolguei demais, meu nome é Yob, eu sou um feiticeiro, assim como você.

Como assim, ele sabia que Rang era um feiticeiro, Rang não perdeu tempo e ficou em posição de combate, acendendo na sua mão uma pequena tocha para produzir uma bola de fogo.

— Calma, calma — disse Yob levantando as mãos e as movimentando para os lados em pedido de trégua — não quero lutar com você nem nada disso, e acho que você precisa da minha ajuda para melhorar isso.

Ele apontou para a mão de Rang que estava com uma chama que já estava se apagando, como Rang não teve muito auxílio, ele ainda não conseguia ter controle total de sua mana, que é a energia que faz com que o ser possa usar magia.

— Parece que você ainda não sabe como usar a sua mana, eu posso ensiná-lo a fazer isso, afinal, mesmo com essa aparência de uma criança, eu tenho mais de oitenta anos em conhecimento mágico aqui na minha cabeça.

Rang ainda suspeitava de que poderia ser uma armadilha, mas ele tinha razão, ele não sabia controlar muito bem sua mana, se ele demorasse muito para executar uma magia quando estiver lutando contra o general ou qualquer um de seus soldados, ele seria morto em instantes.

Rang aceitou que ele o ensinasse sem hesitar, Yob começou a vasculhar seus pergaminhos e entregou alguns para Rang, que começou a lê-los logo em seguida, mas uma coisa ainda não estava certa, como assim ele tinha oitenta anos de conhecimento mágico?

— Eu não sou jovem de verdade, eu usei uma magia em mim mesmo que fez com que eu ficasse mais jovem, para me esconder do cruel rei Notz.

Rang perguntou o porquê dele querer se esconder dele, já que ele não via como ele poderia ser uma ameaça.

— Eu sou o Feiticeiro conselheiro do Rei, e também, o único que sabe o segredo por trás do reino.