Eu tinha apenas trinta minutos para limpar aqueles chinelos, antes brancos, agora imundos com poeira da casa. Eles estavam até que perto de mim, diante do tapete colado à porta da cozinha, e eu jazia nu debaixo da mesa pesada de madeira maciça, encoleirado com a correia presa a uma das pernas, não sei por quanto tempo, antes de receber a ordem de Paula com o seguinte detalhamento:

— escravo, use a língua para limpar meus chinelos. Quero-os brancos como no dia em que comprei. Vou sair para almoçar com minhas amigas e ficar ausente por trinta minutos, esse é o seu tempo. Caso eu retorne e você tenha falhado nessa única e simples incumbência, considere-se encarcerado por mais uma semana.

"Encarcerado" significa que eu continuaria com meu pênis engaiolado em um dispositivo metálico do tamanho de uma noz. Eu já estava naquela situação desde que ela havia me capturado, há duas semanas. Só ela tinha a chave do dispositivo e retirava-o para minha higienização. É verdade, eu já havia me acostumado com a dor da pressão do metal contra a pulsão sexual que vazia os vasos sanguíneos do meu pênis se encherem e sufocar dentro da gaiolinha, mas falhar para Paula era ser punido com algo mais. Não à toa, eu estava casto há duas semanas e com vergões nas coxas e nas costas.

Paula fazia isso de propósito, no último dia de encarceramento, meu ordenava algo que não seria possível, ou muito difícil de concretizar como ela queria, só para prolongar meu sofrimento. Foi assim na primeira semana, quando me despiu e me engaiolou pela primeira vez. Ordenou que eu fizesse trinta flexões enquanto ela ficava sentada em minhas costas de pernas cruzadas. Forçou o peso de propósito. Eu quase consegui, mas chegando na flexão número 25, ela tirou os pés do chão e os usou para pressionar minha cabeça de tal maneira que desfaleci suado e ofegante. Foram dez chibatadas com uma vareta de plástico em cada virilha.

— Obrigado, madame Paula — eu dizia a cada chibatada. Precisava dizer, caso contrário, teriam sido mais vinte.

Na segunda semana, a ordem para minha emancipação foi sair do apartamento para comprar o café da manhã na padaria com uma calcinha discretamente alocada dentro da minha boca. Nesse trajeto de ida e volta, a calcinha precisava estar o mais seca possível e não encharcada. De alguma maneira, eu precisava controlar minha saliva, mas, logicamente, quando ela enfiou os dedos na minha boca e retirou a calcinha molhada, dez chibatadas com cinto de couro nas costas.

— Obrigado, madame Paula — eu dizia a cada chibatada. Precisava dizer, caso contrário, teriam sido mais vinte.

Dessa vez, ela queria que eu usasse saliva, afinal, limpar chinelos com a língua exigiria isso. Ela já estava fora de casa. Fui me esgueirando para fora da mesa de quatro em direção aos chinelos quando... não consegui alcançá-los. A correia que me mantinha preso à pesada mesa de mogno era curta demais para eu cobrir a distância até minha missão. Era uma distância ínfima de uma mão, mas mesmo assim, eu precisava dar um jeito.

Forçar demais iria quebrar meu pescoço. Do jeito que dava, me estiquei, quase me enforcando e apoiei a cabeça no chão, sobrando apenas alguns milímetros para chegar nos chinelos. Tentei pegar os chinelos com os dentes e trazê-los pra mim, impossível. Estiquei a língua e, então, senti a consistência da lateral de um dos chinelos.

Bingo! Comecei a deslocar a língua pelas laterais, recuando e estendendo-a como se fosse um sapo, tentando tirar as manchas pretas da poeira acumulada. Durante todo o tempo, consegui apenas trabalhar nas laterais e em um terço da parte do calcanhar. Os chinelos estavam úmidos ali e melhor apresentáveis do que as demais regiões sujas. Eu consegui fazer um bom trabalho, mas estava longe de ser o início.

De repente, ouço o girar das chaves na fechadura. Paula abre a porta e adentra, olha para baixo e se depara com minha situação ridícula, quase enforcado, língua estendida lambendo as pontinhas dos chinelos. Ela sorri satisfeita.

Paula é uma mulher branca, alta, com cabelos pintados de violeta e olhos castanho-claros e piercing no nariz. muito bem sucedida numa repartição pública. Me escravizou por um ano como condição para me dar algumas aulas com o intuito de passar na prova de concurso público. Não me arrependo do acordo, foi assinado e tudo.

Naquele momento, Paula estava vestindo uma camisa listrada, branco-e-preto, calça jeans e botas com cadarços. No meu campo de visão, as botas eram superiores a mim. Vi quando ela empurrou os chinelos com as botas para bem mais perto de mim. Se estivessem dessa forma desde o início, eu teria concluído a tarefa a tempo. Ela sabia disso. Aproximou uma das botas do meu rosto e ergueu meu queixo com a ponta dela.

— Já sabe, mais uma semana casto — disse ela, desinteressada, como uma juíza cheia de vereditos para dar numa única manhã — Vou escovar os dentes e já volto para a punição de hoje. Serão dez minutos com a tarja de choque nas suas bolas. Mas antes, pode continuar a limpar os chinelos. Vamos começar quando você terminar a tarefa, entendido?

— Sim, madame Paula — respondi, sofrendo com antecedência.

— Beije — ordenou.

Beijei apaixonadamente a ponta de sua bota. Ela me deu um leve chute com a sola no nariz.

— Aí não, você não está tão alto assim na hierarquia, seu lugar é mais embaixo — e apontou para a própria sola da bota, que havia usado para andar na rua.

— Perdão, madame Paula — e beijei apaixonadamente a superfície úmida do calçado.

Satisfeita, ela pressionou minha nuca e meu rosto foi direto para a sola de um dos chinelos. Seguiu em direção ao banheiro. Excitado, me coloquei imediatamente ao trabalho, lambendo os chinelos como um cachorro.

Notas finais
Contém podolatria, dominação feminina e fetichismo.
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.