Os Vigilantes- Parte Um
8 Pense duas vezes
Notas iniciais
—Vamos aos fatos. Cansei de suas enrolações. Você me diz, é o meu aliado ou não? Perguntou Lucius.
Peter estava muito machucado, ele então percebeu o som que estava tocando um pouco baixo no toca-discos de Lucius.
—Essa música. “Crazy”, não é? É a versão do estúdio. Nossa você tem isso em vinil?
—Não me respondeu. Disse Lucius, já chateado.
—Não. Soltou Peter, cantarolando a música.
—”Think Twice, is my only advice” ou “Pense duas vezes, é meu único conselho. É o que diz a música. Disse Lucius, paciente.
—Pensar duas vezes? Eu já pensei mais de duas vezes. E a resposta sempre será não. Disse Peter, com um pouco de orgulhos em suas palavras.
—Eu vou te dar um tempo para pensar. Por enquanto, vamos falar sobre isso. Disse Lucius, espalhando fotos na mesa perto da cadeira onde Peter estava amarrado.
As fotos eram do hospital, com ele e Thomas além dos outros conversando. Então Lucius começou a apontar cada um da foto.
—Você, seu amigo, sua namorada, Thomas Lautier e a filha do Knight. Disse ele.
—A pergunta é: O que caralhos você estava fazendo com um dos meus inimigos? Fale-me a verdade e serei piedoso. Disse Lucius.
—Thomas sugeriu uma aliança, em troca da cura para o braço de Iris, ela estava com risco de perder o braço. Confessou Peter.
—Owm, Pete. Que fofo. O que você não faz por um amor não é? Devia ter percebido isso, mas tudo pode ser corrigido não é mesmo? Indagou Lucius, soltando uma risada abafada depois.
—Não, não, não… Sussurrava Peter, começando a suar, após perceber o que Lucius queria dizer.
—Vamos ver se com o seus amores aqui, conseguimos fazer um acordo. Disse Lucius, gritando para trazerem os “Amores” de Peter Johnson.
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—Chegamos. Disse Magnum.
—Essa é a mansão de Peter Johnson? Eu adoro esse cara. Ele sempre usa os seus bens para instituições de caridade e… Para usuários de drogas também. Fora que ele tirou o posto de Lucius Lukin de homem mais rico da cidade. Disse Carol, admirando a bela mansão.
—Eu também adoro ele. Ele é meu amigo. Respondeu Magnum.
—E ele é amigo do Magnum, que é meu amigo. Disse Rebeca.
Magnum deu uma leve risada e continuou:
—Ele é meu amigo desde infância. A gente se ajudou muito com a morte dos pais deles e da minha mãe. Completou ele.
—Eu sinto muito, entendo muito bem como é. Respondeu Carol, abaixando a cabeça.
—Tudo bem, tinha que acontecer, aconteceu. Claro que eu preferia que fosse diferente, mas quer saber? Eu sempre tive que encarar o mundo como ele é e não como eu queria que ele fosse. Meu pai me deu todo o amor do mundo apesar de sempre estar no trabalho, como ele está agora. Respondeu Magnum.
Os dois pararam, Rebeca foi atrás de Iris e Peter, para contar o que tinha acontecido.
—Eu só queria saber o que aconteceu de fato com ela, se ela morreu, se ela ficou em algum lugar em um tempo e depois se foi. Mas eu não sei de nada disso. Ela simplesmente sumiu. Talvez ainda esteja viva. Desabafou Carol.
—Bem, talvez ela esteja onde você menos imagina, talvez esteja na sua cara esse tempo todo e talvez você só descubra quem é depois de descobrir isso. Respondeu Magnum, bem perto de Carol.
—E você, já descobriu quem é? Perguntou Carol, olhando fundo nos olhos do garoto.
—Ser o Magnum faz parte disso. Eu não quero que Magnum esteja sempre preso a mim. Magnum é um manto, uma ideia, não só uma pessoa. Gosto de passar a ideia de que qualquer um pode ser o Magnum. Qualquer um pode fazer a diferença. Só não se acomodar com tudo e lutar pras coisas mudarem. Respondeu Magnum, olhando diretamente para Carol.
Carol pegou no ombro de Magnum e agradeceu. Dizendo que continuaria sendo forte. Eles subiram atrás de Rebeca e Iris, que demoravam pra descer.
Subindo lá uma surpresa: Rebeca caída imóvel no chão. Carol rapidamente avaliou os cenários: Nem Peter ou Iris estavam ali, Rebeca estava caída, em seu braço havia uma marca, pela palidez da garota, a marca e tudo, Rebeca havia sido atingida por tranquilizantes.
Logo ela concluiu que Peter e Iris também haviam sido atacados e obviamente, que eles seriam os próximos.
—Magnum, cuidado! Gritou Carol agarrando Magnum e tentando empurra-lo dos tranquilizantes que o atirador tinha acabado de lançar.
Ela foi atingida e caiu em cima de Magnum, que tentou correr dali, mas até tirar Carol de cima dele foi o tempo suficiente para ser atingido também.
Estava tudo ficando borrado e escuro, tudo começava a girar e os barulhos eram como um eco.
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Thomas havia vestido um terno elegante, ele iria para uma festa hoje. Apesar de Thomas querer um pouco de diversão naquela noite, o objetivo era outro: Informações.
Ele sabia que Lucius não estava sozinho, Knight tinha o ajudado a subir como o chefe do tráfico. Só que ele sabia que Knight trabalhava para alguém, para uma organização. Ele queria saber mais sobre essa organização.
Ele então entrou no seu carro antigo, era uma das últimas coisas que o restou. Sempre que faltava dinheiro, Thomas recorria até alguns devedores da família Lautier.
Ele então andava pela cidade, que cada vez mais parecia pior. Não que ele ligasse para isso, ele só se incomodava por não ser ele quem mandava ali.
Ele então desceu do carro, fechou a porta, mostrou seu convite e entrou. Típica festa de burgueses que Thomas tanto gostava.
—Tom! Achei que não viria, esteve tão afastado ultimamente. Disse uma voz feminina.
—Valeria. Como vai? Está linda, como de costume. Respondeu Thomas. Dando um leve beijo na bochecha de Valeria.
—Surpreso que ainda não tenha pegado nenhuma garota para dançar. Comentou a dama.
—Não estou aqui para isso. Disse ele.
—Então quer alguma coisa. O que você quer? Perguntou ela.
Os dois subiram, Valeria trancou a porta e beijou Thomas. Ele então virou-se rapidamente e colocou uma faca perto do pescoço da moça.
—Desculpa ser desse jeito. Mas sei que faz parte da organização que colocou Lukin no topo. Meses de investigação me levaram até você. Então me diga, quem está no comando? Questionou Thomas.
—Acha que eu sei? A identidade da entidade suprema nunca foi revelada para mim e creio que poucos sabem. Pode me matar agora, eu não vou revelar nada. Mas sabe que agora mesmo está na nossa mira, e não se esqueça. “O olho” vê tudo. Soltou ela.
—Então eu tenho um nome. Se eu não te matar agora, o que vai fazer? Você vai me matar depois? Ir atrás de mim? Indagou Thomas.
—Eu não vou precisar fazer isso. Você mesmo está se matando lutando contra Lucius. Se tem uma coisa que tenho certeza, é que não vai sair dessa vivo dessa. Agora, se retire da minha festa. Respondeu Valeria.
Chegando em casa, Thomas estava frustrado. Ele sabia agora alguns nomes, como “entidade suprema” e “O Olho”. Mas ainda era muito pouco. O que mais lhe intrigava era a frase de Valeria:
“Eu não vou precisar fazer isso. Você está se matando”.
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Rebeca acordou amarrada, caída no chão, junto com Carol, Iris e Magnum. Eles viram Peter sentado numa cadeira na frente deles, também amarrado.
—Então é isso? Se eu não fizer um acordo contigo, você mata eles todos? Perguntou Peter, nervoso e abalado.
—Não. Não seria nada justo. Os seus “amores” estão aqui para um propósito: Tentar te convencer a fazer o acordo. Isso afeta você. Não tenho nada contra eles. Respondeu Lukin. Ele então desamarrou Peter e aguardou sua resposta.
—Se não tem coragem para os matar, então… Não. Eu continuo com a minha escolha. Jamais vou fazer parte de um sistema que destrói a vida de indivíduos e de seus familiares. Que destrói e afeta toda a sociedade. Eu amo essa cidade, eu amo Iris. E fazer isso seria trair e destruir tudo pelo que sempre lutei. Respondeu Peter
—Certo. Então veja a sua cidade. Descubra de verdade o que ela é. E o que ela faz com você. Após isso Lucius pegou Peter e o jogou em direção a uma das enormes janelas de vidro que ocupava todas as paredes da sua sala.
Peter caiu em queda livre. Ele sentia como se tivesse voando. Ele sentiu toda a cidade caindo daquela altura. Toda a energia, as luzes a noite. Tudo. O vento batia e Peter não fechava seus olhos. Os pedaços quebrados de vidro iam junto com ele.
Peter caiu. Seu corpo, esmagado pelas ruas da cidade. Ele estava morto. E seus amigos, Os Vigilantes sempre irão se lembrar.
FIM DO CAPÍTULO 8
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