Os Vigilantes- Parte Um
13 Eu posso morrer quando eu estiver pronto
Notas iniciais
A última luta. O ponto final da história onde Os Vigilantes batalham contra Lucius até a vitória. Descrever como foi essa luta é quase desnecessário pelo simples fato de que está óbvio: Os Vigilantes não ganharam.
Sim, é meio desanimador, mas é lógico, um exército do tráfico contra cinco jovens com algumas habilidades? Não tinha como eles ganharem. Isso é puramente lógico e faz muito sentido.
Entretanto, o que mais é interessante numa história não é como ela termina, afinal, em ficções raramente o final é tão variável a ponto de não ter existido antes. Mas sim, como ela chega até ali. Então eu dou esse último aviso: Se você acha que todos vão prender Lucius facilmente, transformar a cidade num lugar perfeito, depois virarem super amigos e morar na mesma casa…
Eu sinto muito.
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Lucius colocava mais uma vez “Crazy” para tocar em seu toca-discos. Ele não gostava daquela versão da música, achava muito parada, mas ele não podia se esquecer de quem havia dado aquilo para ele.
Seu filho, ele se lembra até hoje, o filho economizou todo o dinheiro do lanche de dois meses para comprar o vinil para ele. Ele naquela época adorava aquela música, ele nunca se esqueceu daquilo.
Hoje, o disco é a coisa mais importante para ele. Pois lembra o que ele já foi, que ele já foi amado. Não o homem que Lucius Lukin se tornou hoje. Lukin ouvia a música concentrado, fechou os olhos e disse
“Eu posso morrer, quando estiver pronto".
O dia estava para começar, um dia nublado e frio, mas dava para ver o sol nascendo através de sua janela. Ainda sim estava escuro ali, era só uma pequena parte do sol.
6h 15min
Lucius já não sentia a paz que tinha antes, duas ocorrências de ataque aos dois complexos e o pior, ao mesmo tempo, ele estava pirando sem saber o que fazer, sem saber para quem mandar reforços.
Lucius gritava ao telefone com várias pessoas que o ligavam sem parar, daí ele jogou o telefone no chão, com muita raiva. Ouviu o barulho de uma hélice, logo o pessoal do prédio subiu ao andar de Lucius.
Dois jovens saltaram do helicóptero para o andar de Lucius, eles se levantaram rápido e saíram correndo, em uma velocidade alta demais para qualquer um os acertar com uma arma.
Um era “O garoto de lorde do século XVIII” e outra era uma garota com um casaco roxo. Lucius estava enfrentando Thomas Lautier diretamente, depois de tantos anos.
Lucius percebeu o que estava acontecendo e correu para direção dos garotos, tudo isso em fração de segundos, mas os “funcionários” de Lucius não conseguiram perceber isso e acabaram morrendo quando o helicóptero veio e derrubou boa parte da estrutura do andar de Lucius.
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Magnum e Smile pularam em direção ao complexo, ambos com mochilas e explosivos nela. Era muito complicado andar sem chamar atenção dos funcionários dos complexos e das câmeras, claro que alguém percebeu, mas demorou mais que o esperado.
Eles chegaram escondidos, sem ninguém perceber no ponto onde Smile tinha planejado ser o lugar onde deviam ser colocadas as bombas. Eles ativaram para 3min, não ia demorar muito até que eles saíssem.
A não ser que alguém os visse. E viu. A bomba estava armada, eles tinham 3min para sair daquele prédio antes que eles explodissem com ele e todos que estavam dentro. Tudo ia ruir e agora dezenas de guardas estavam atrás deles.
Magnum deu um soco no ombro de um, que se levantou, então Smile bateu seu bastão e para finalizar, Magnum o nocauteou com a tonfa.
Os dois foram agindo juntos, bem rapidamente e tentando cada vez mais, correr do que lutar. Eles conseguiram sair a tempo, apesar de ficarem meio machucados por estarem bem perto da explosão.
O fator surpresa foi o que salvou eles, não ter chamado muita atenção, a bomba também ajudou muito, se não eles não conseguiriam vencer essa.
—Sua capa! Gritou Rebeca, apontando para capa em chamas de Magnum.
—Droga, olha isso, minha capa já nunca foi tão legal, agora com boa parte queimada então… Comentou Magnum, apagando o fogo da capa.
—Edna Mode sempre está certa. Afirmou Rebeca correndo, fazendo com que Magnum fosse atrás no mesmo ritmo.
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Imperius/Thomas e Danger/Carol estavam atrás de um destroço do último andar do grande prédio de Lucius Lukin. O toca discos, no chão ainda arranhava o disco de Gnarls Barkley, agora danificado.
Lucius apontou uma arma para a Thomas porém Carol chegou e colocou a sua arma na cabeça de Lucius, além de uma faca em seu pescoço.
—Vocês sabem por que eu matei Peter? Não foi por dinheiro. Por status, foi pela minha vida. A única coisa que eu realmente tinha era esse disco, até isso tiraram de mim. Eu queria nunca ter virado esse chefe, mas se Peter vivesse, eu ia deixar o cargo de mais rico e eles, aqueles malditos, aquela maldita líder chorona que acha que é a única que não pode viver com seus filhos, “Entidade Suprema” ela se chama? Que seja! Eu cansei disso, sei que está aqui para me matar, Tom, mas, sei que não é só vingança. Dizia Lucius.
—Poder, é isso que quer, me matar e virar o rei da cidade, não é? Vai dividir seu império com esses amiguinhos que trouxe para me derrotar junto com você? Completou Lukin.
—Eu não vou dividir nada com ninguém, eles vieram aqui vingar entes queridos, eu vim aqui não só para isso, mas para honrar meu nome e assumir meu legado. Respondeu Thomas com firmeza.
—Espera…Você está pretendendo virar um novo chefe do crime? Quer se tornar o novo Lucius Lukin? Perguntou Carol, nitidamente nervosa.
—Você vem aqui se vingar do homem que destruiu a vida do seu irmão, eu venho aqui com meus interesses, a gente se une por uma causa comum e pronto, não precisamos de nenhum debate acerca disso. Refutou Thomas.
Carol continuou com a faca no pescoço de Lukin mas apontou a arma para a frente, onde estava Thomas.
—Não foi só Lucius Lukin que matou meu irmão, foi o tráfico, o crime, o monopólio, tudo isso, se eu matá-lo agora e deixar você assumir, eu estaria sendo muito hipócrita. Disse ela.
—Abaixa essa arma, pare com essa loucura, sabe que não pode me vencer. Por favor, Carol. Disse Thomas.
—Desista dessa ideia então, você pode ser mais do que isso, mais do que um simples chefe do crime, você pode mudar essa cidade, há bondade em você eu vi. Implorou Carol.
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Iris estava em uma situação complicada, onde não tinha muito tempo para pensar e era preciso agir rápido. Vários “guardas” do complexo apontando armas para ela, ela levantou suas mãos e deixou seu braço metálico com a mão fechada, carregando toda a sua potência do braço, um barulho estranho, os guardas logo começaram a ouvir.
Ela então descarrega tudo no chão e o lugar estava em ruínas em alguns instantes, alguns inimigos que restaram foram atrás dela, mas ela os derrotou rapidamente.
—Serviço concluído. Ela notificou. Então saiu correndo para o prédio, ela estava sedenta por vingança.
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Smile e Magnum pularam até o prédio ao lado da torre, Iris chegou logo depois.
—Bem, provavelmente essa é a nossa última conversa antes de eu morrer então, o que seu pai falou? Perguntou Magnum.
—Espectral. Ele disse que é só eu dizer “Espectral” e ele vai desistir. Respondeu Rebeca.
—Isso não te lembra algo? Perguntou Magnum.
—Sim, sei o que está querendo dizer. Vamos entrar? Questionou Smile.
—Calma, não sabemos o que está acontecendo, precisamos de uma confirmação de lá dentro. Disse Iris, séria.
Alguns homens de Lucius chegaram e Lucius conseguiu se livrar do domínio de Carol, Thomas tentou acertá-la com sua espada medieval mas ela acertou sua perna com sua faca, a arma que ela segurava tinha caído longe.
Então eles pararam de se atacar quando foram interrompidos pelos homens de Lucius, Thomas chamou os três que estavam do lado de fora.
Havia quinze homens de Lucius restantes, Iris se livrou de quatro de uma vez, Magnum conseguiu derrubar dois com sua tonfa e seus desvios rápidos e ágeis, Smile derrubou três com suas acrobacias e seu bastão.
Carol jogou a faca na mão de um e Iris terminou o serviço esmagando sua cabeça com o braço metálico, Rebeca segurou um com o bastão para que Thomas o finalizasse com sua espada medieval. Magnum desmaiou outro com sua tonfa, sobrando três que Iris finalmente matou jogando sua katana e usando seu braço.
Os Vigilantes todos apontaram as armas para Lucius, que surpreendentemente, não parecia nada assustado.
—Vocês não entendem… Hahaha, estou sob proteção do "olho", nada pode me atingir. Dizia ele, eufórico.
—Acho que não mais, sinto muito Lucius, Espectral. Disse Smile.
—Espectral? Por que você disse isso? Não, não, não. Eles estão todos mortos agora não é? Não… Lamentava Lucius caído no chão depois do impacto da notícia.
Iris pegou e o levantou do chão o segurando com seu braço metálico pelo pescoço, ela tirou a katana de sua guarda e furou seu estômago, muito sangue, um rombo enorme na barriga, Lucius estava caído no chão, a beira da morte.
As sirenes da polícia soaram, Thomas chegou perto do ainda vivo Lucius Lukin e disse:
—Eu mando aqui agora, seu maior erro, “Tio Lucius” foi não ter me matado quando eu era uma criança indefesa, por que agora eu sou o rei.
—Desde que eu era uma criança, desde que eu era uma criança isso parecia divertido. E não por coincidência acabou sendo, eu posso morrer, estou pronto. Soltou Lucius, ficando mais morto a cada palavra.
Thomas levantou e disse:
—Os Lautier, mais uma vez comandam essa cidade. Eu mando em tudo agora, obrigado, vocês foram corajosos o suficiente para derrubar Lucius Lukin, devo muito à vocês, como retribuição, ofereço anistia de qualquer abuso que o meu tráfico possa cobrar para vocês e uma quantia em dinheiro. Eu vou ser um bom chefe do crime para vocês. Disse Thomas, em pé olhando para a vidraça daquele cômodo, com um pé sob a ferida de Lucius.
—É a última chance. Eu posso arranjar um bom emprego para você, eu juro, eu faço qualquer coisa, por favor, Tom. Implorou mais uma vez Carol, segurando uma arma na direção de Thomas.
—Carol, eu que posso te salvar de tudo isso. De toda essa vida previsível e monótona. Eu juro, você pode me ajudar a me reerguer, ao meu lado, eu pago uma boa quantia, você é observadora demais, vai saber me dizer qual negócio eu faço. Vamos lá, Carol, estou lhe oferecendo um futuro certo. Sugeriu Thomas, a polícia subindo o edifício, cada vez mais perto.
—Não está me deixando escolha, não ache que eu não atiro em você. Não quero fazer isso, eu estou sofrendo por fazer isso por que criei simpatia por você, mas eu não posso deixar que sente na cadeira de chefe do crime. Respondeu Carol.
—Você não vai não. Você não tem nem coragem de sair da sua vida vazia para comandar a cidade comigo, você é medrosa, acha que o futuro vai lhe reservar algo maior do que estou oferecendo? Não vai. Eu vou matar você agora, não queria fazer isso, mas você também não me deixa escolha. A não ser se aceitar o que estou lhe sugerindo. Thomas disse isso, tirando a espada medieval de sua guarda.
—Deixe de ser estúpida, Carol! Gritou ele, antes que pudesse se mexer, Carol descarregou a munição da arma em seu peito.
Foram aproximadamente sete tiros. Ele caiu no chão, para o lado de trás, bem ao lado de Lucius Lukin, Carol derramou uma lágrima, triste, a polícia chegou com voz de prisão, Rebeca foi algemada, Carol vendo toda a situação não viu outra saída, ela tinha matado alguém, Iris também. Ela ia ser vista como uma criminosa. Carol então correu dos policiais até a vidraça, a grande janela de vidro e pulou contra o horizonte, ela se sentiu como Peter, prestes a alçar seu maior voo.
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Mads, o pai de Magnum abriu a porta de sua casa desesperançoso pelo desaparecimento do filho e cansado pelas várias horas de trabalho. Ele levou um susto quando viu em sua poltrona, seu filho, um garoto machucado e com uma roupa de Vigilante rasgada, muito sangue. Ele estava dormindo em sono profundo, jogado no sofá.
Ele abraçou seu filho, desacordado, como se nunca tivesse o visto, ele chorava com o filho nos braços.
Magnum só queria curtir a vida, sair de sua rotina previsível. Mas junto com Rebeca, começou algo que nenhuma pessoa poderia imaginar.
Esse talvez seja um final trágico, pois não houve vencedores. Mas se Magnum acha que essa foi a pior coisa que já poderia ter enfrentado, ele não faz ideia do que está por vir para ele no futuro, "O Olho" está furioso, e ele não deixa pontas soltas.
FIM.
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