Os Vigilantes- Parte Um
1 Eu me lembro quando...
Notas iniciais
—Eu me lembro quando… Eu me lembro, eu me lembro quando eu perdi minha cabeça. Tinha um novo cara, um novo cara rico na cidade, e esse sim era rico, até mais que eu. Então eu me perguntei, por que?
Disse um homem com uma expressão quase sempre sarcástica. Tentando citar uma música no início mas tendo sua tentativa frustrada depois de ter que completar seu raciocínio.
—Mente. A minha mente consegue prever situações e eu me aproveito disso para lucrar.
Disse um homem de ombros largos, jovem, num terno elegante, bem diferente do traje desbotado do outro homem no qual estava respondendo.
—Ora! Temos aqui um visionário! Conta outra vai? O que você trafica? Retrucou o homem sarcástico.
—Está me ofendendo, você é quase tão rico quanto eu e nunca disse que trafica alguma coisa, por mais que eu ache que você trafica. Disse o homem elegante, quase fugindo do tom.
—É… Você é realmente um visionário. Óbvio que estou envolvido com tráfico. É sobre isso que vim discutir. Respondeu o homem sarcástico, ignorando todo moralismo do homem elegante.
—Está louco, veio falar sobre tráfico no Natal?
Disse o homem do terno fino, com uma expressão meio surpresa.
—Não brinca comigo Pete. Você nem comemora o Natal.
Disse o sarcástico, zombando de Peter.
—Peter, por favor, “Pete” é muito pessoal. Respondeu Peter com toda educação
—Ora, tudo bem Senhor Jonhson. Peter. Mas meu deslize não muda o fato que você está sendo hipócrita. Respondeu o homem sarcástico se segurando para não socar Peter.
—Foi bom conversar com você, Lucius. Disse Peter se levantando.
—Não entende, tem algo muito maior aqui, eles deixaram eu tomar conta dessa cidade, ela é minha, pois quando eles dão uma palavra é a palavra deles que valhe. Estou te dando uma chance de ser meu aliado, Peter. É só aceitar, não é só dinheiro, é poder, influência. Não quer ter um legado? Posso arranjar um lugar pra você nos livros de história. E você será lembrado como o mocinho, o herói. Exclamou Lucius.
—Tem razão… Eu vou pensar. Respondeu Peter, sendo bem cínico.
Peter terminou o copo de bebida, entregou na mão de Lucius e saiu.
Lucius deu uma risada exagerada, e depois quebrou o copo com as mãos, xingou alto Peter, que já estava a alguns andares distante.
Marc, seu ajudante, perguntou se eles deviam matar Peter.
—Não, não quero que ninguém morra no Natal, saco. Apesar de tudo quero minha vaga no céu, acho que se eu pedir com jeitinho Deus perdoa não? Respondeu Lucius.
Ele olhou pra sua mão, cortada após quebrar o copo, tirou um pedaço de vidro de dentro de sua pele.
—Ele não vai se juntar comigo. Então eu quero que você desmorone esse cara. Acidentes na empresa, notícias sensacionalistas com declarações machistas dele, sei lá. Quero que foda tanto com a vida desse imbecil a ponto de nem precisamos matá-lo, ele que vai se suicidar.
Completou Lucius.
—Droga. acabei de falar um palavrão, é natal, poxa, eu tenho que rever meus valores mesmo.
Finalizou.
—Eu vou cuidar disso pra você, mas relaxe, só neste mês conseguimos mais dois bairros, tudo ocupado por nós, esse riquinho herdou uma grana dos pais adotivos e agora está pagando de milionário. Respondeu Marc.
—----
“Okay, vamos ver como ficou isso”
Pensou uma garota ruiva, sempre com expressão alegre.
Rebeca, era o nome dela, era seu primeiro natal longe da família, por opção dela mesma. Ela estava feliz, tinha conseguido fazer o símbolo numa camisa preta, um “s” com a parte de baixo um sorriso no lugar, além de ter conseguido o resto do que ela considerava um uniforme.
Sua Ex Namorada tinha levado um tiro faz algum tempo, ela não chegou a morrer, mas aquilo motivou Rebeca a combater o crime, Ela sabia bem como o esquema de Lucius funcionava, pois seu pai foi quem deu grande parte de poder ao tão famoso Lucius Lukin.
Ela então tinha terminado de recortar sua máscara de pano. Colocou suas luvas de motoqueiro, seus cintos com bolsões enormes e lá estava ela.
Ela estava conversando com uma garota pelo Tinder fazia um tempo, também tinha um cara que ela gostava no Twitter e talvez algumas outras paixões no trabalho.
Ela deixou seu notebook em casa e foi para o teto do seu prédio, quando morava com seu pai era uma ginasta, treinou a infância toda, dava alguns pulos pela cidade observando o movimento dos esquemas de Lucius.
Rebeca era sempre otimista demais, ela imaginava entrar numa base de operações e destruir tudo sem nenhum arranhão, mas ela planejava também, já estava um mês pensando em como atacar aquele complexo, cada noite que vestia sua roupa de heroína e ia até lá ver o movimento ela escrevia uma anotação diferente sobre o ataque.
Não havia nada de novo, Rebeca logo voltou, ela tinha um encontro mais tarde, não podia aparecer morta de cansaço.
Ela pulou até chegar no teto de seu prédio, abriu a janela, e viu que o sol já ia nascer.
Ela se jogou na cama. Estava tão cansada que nem viu se tinha chegado alguma notificação, o especial de natal da sua série britânica preferida estava baixando, ela adorava aqueles sotaques acentuados dos atores.
Antes de dormir ela amaciou rapidamente seus cabelos vermelhos alaranjados por debaixo deles tirou sua máscara preta e caiu no sono.
—------
Carol sabia do grande esquema de tráfico da cidade. Ela havia descoberto algumas coisas, seu pai, que trabalhava na Polícia não gostava que ela mexesse naqueles assuntos, mas ela sempre teve um interesse devastador em solucionar mistérios e ir atrás da verdade.
Depois de ter feito toda uma investigação na parede de seu quarto, fazia algum tempo que Carol tinha chegado à conclusão de que Marlon Knight, um empresário famoso era um dos grandes envolvido com o esquema.
Carol limpou seu óculos tirou seus cabelos castanhos e ondulados do rosto, botou sua jaqueta de couro e continuou a investigação, ela não era policial, estava investigando por conta própria, não dava pra ela chegar no prédio gigante do Sr. Knight e fazer perguntas pra ele.
Ela procurava no seu notebook alguém próximo, que soubesse de algo, e que fosse fácil de subornar caso resolvesse contar para alguém sobre sua investigação.
Ela então encontrou sobre a filha de Marlon, no qual eles haviam cortado relações, não se falavam há tempos, ela nem recebe mais dinheiro dele. Ela até mudou de sobrenome.
Ela puxou sua calça jeans pra cima, abriu o zíper de sua jaqueta e foi pras ruas atrás da garota.
—----
Uma garota loira, bem loira mesmo, seus cabelos eram quase brancos de tão claros. Seus olhos puxados eram fixos num tablet.
—Iris! Gritou um rapaz moreno dos ombros largos.
—Oi Pete, precisa gritar? Respondeu Iris, brincando.
—Ele admitiu tudo, o cara é um canalha. Disse Peter.
—Por que demorou tanto? Puxa vida, a gente comeu e você foi pra uma reunião com um gangster? E só voltou agora de tarde? Questionou Iris.
—Eu estava perto do antigo terreno do meu pai, eles viajaram, Desabafou Peter.
—Não acho que deveria voltar lá não faz bem pra você. Disse Iris em um tom de preocupação
—Ah, eu sei sabe mas tem algo tão prazeroso naquele lugar, é como se minhas emoções tivessem em um eco, em um espaço maior. Disse Peter, meio aéreo.
—Eu entendo, você sente algo diferente, o que sente? Perguntou Iris.
—.Eu sinto que quando estou lá, sem me importar com nada, eu fico fora de alcance. Quando não estou não é como seu eu não soubesse o suficiente. É como seu eu soubesse demais. Disse Peter.
—Quer minha teoria? Eu acho que você está louco. Falou Iris.
—Desculpa, eu tava viajando, falando nada com nada, é que isso me deixa meio triste sabe? Peter desabafou.
—Tudo bem, mas levanta o astral, a gente pode arranjar algo pra fazer hoje de tarde e a empresa teve ótimas vendas de natal. Disse Iris.
—Não venha falar de números agora, por favor. Podemos ficar em casa talvez, assistir algum filme, no quarto, ou se quiser podemos ir ao parque. Sugeriu Peter.
—Não se esqueceu do seu vizinho não é? Disse Iris.
—Eu vou deixar o presente dele agora, obrigado por lembrar.
Peter pegou uma de suas motos, fazia tempo que não andava nelas, foi até o bairro onde o garoto que era seu vizinho morava.
Ele desceu da moto, bateu na porta, apesar de estar cedo, quem ele queria que abrisse estava acordado.
—Oi! Peter, a Iris disse que tinha um presente e… Ah, desculpa, feliz natal amigo! Disse um garoto baixinho e de cabelos lisos e de pele um pouco escura.
—Feliz Natal, carinha, você comemora essas coisas não é, bem eu não sou muito bom de presentes, espero que possa aceitar, foi a única coisa que eu pensei, só não vale gastar tudo em gibi tá bom?
Peter disse aquilo com um jeito que só tem com o garoto, ele é um irmão mais novo para Peter. Entregou uma quantia acentuada de dinheiro que fez o garoto saltitar.
—Obrigado obrigado muito obrigado. Falava o garoto sem acreditar.
—Você merece, carinha. Iris mandou abraços para você, ah abraço no seu pai, ele me contou que tem chegado atrasado na escola, seja lá o que faz de noite, tem que acordar cedo, amigão. Disse Peter, montando na moto.
—É um velho mesmo, tá virando um idoso até fala como um, daqui a pouco a Iris te deixa por um cara mais novo. Brincou o garoto.
—Você me paga por isso seu imbecil! Brincou Peter.
O garoto entrou e viu uma menina mais ou menos da idade dele saindo, ele conhecia a garota, era amiga de uma prima dele, ele nunca falou com ela, mas sabia que ela tinha um pai policial.
Carol saiu rapidamente enquanto via um homem de ombros largos passar numa moto cara perto dela, ela pegou sua bicicleta e foi até o outro bairro, quanto mais entrava para aquela parte da cidade menos casa e natureza via, apenas vários prédios com cômodos apertados onde pessoas sem muita esperança na vida moravam.
Carol passou em uma cafeteria perto dali antes de ir atrás do apartamento onde a filha de Marlon morava agora, ela então sentou numa mesa tomou seu café, só assim para se recuperar da noite agitada que teve de investigação depois da festa de natal com seu pai.
Finalmente quem ela procurava havia saído, Carol pagou a cafeteria e foi se aproximando aos poucos daquela garota, quando teve a oportunidade levou aquela moça a um dos inúmeros becos daquele bairro, segurou ela numa parede deixando ela imóvel.
Carol então disse:
—Rebeca. Bem, eu sei quem você é, Rebeca Knight. Vamos conversar um pouco sobre o seu pai.
Fim do primeiro capítulo.
Fale com o autor