Os Vigilantes- Parte Um
9 Único conselho
O dia amanheceu e o corpo do jovem empresário Peter Johnson continuava jogado nas ruas da cidade que ele tanto amava. O sangue escorria pela calçada e os pedaços de vidro perto deles continuavam lá.
Claro que uma hora alguém percebeu. Era um choque, com certeza. Peter era o queridinho da cidade. Um ídolo, um ícone, o homem que todos os jovens queriam ser e agora ele estava morto, afogado em seu próprio sangue.
Uma multidão havia feito uma roda entre o corpo. A polícia tinha chegado e cercado a área.
—Eu quero que você ferre com um dos babacas assaltantes do complexo. Diz que eles assaltaram aqui enquanto eu estava em uma reunião com o Peter. Aí um deles apontou uma arma pra mim Peter correu para empurrar ele, mas o assaltante conseguiu restaurar o equilíbrio e empurrou ele até a janela. Sugeriu Lucius ao chefe de polícia, no qual era corrupto e tinha uma aliança com Lukin.
—Assim, ele vai virar um mártir e eu vou ter a confiança do povo a ponto de Peter Johnson ter sacrificado sua vida por mim. Completou Lucius Lukin, o verdadeiro assassino que tinha jogado Peter da janela do prédio.
—Lucius, só tem uma coisa que você fez que fode completamente com toda a cena de crime que criamos: As testemunhas. Os quatro que observaram tudo. Respondeu o chefe.
—Não se preocupe com eles. Eu coloquei certa quantidade de drogas na casa de todos eles. E estou os vigiando. Assim, caso um deles sair da linha, vocês podem vir com um mandado de busca e apreensão. Mas reconheço meu erro. Confessou Lucius.
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Magnum não conseguia tirar aquelas cenas de sua cabeça. Ver seu melhor amigo de infância morrer, jovem, daquele jeito e pior ainda: Não poder fazer nada era, era horrível. Ele não parava de lembrar das frases de Lucius, no qual ele estava odiando sem nenhum limite no momento:
—Diário de Lukin: “Por que se importar com uma morte? Porque existe o bem e o mal, e o mal tem de ser punido. Mesmo à beira do fim, isso não vai mudar. Mas muitos merecem punição... e há tão pouco tempo..” Hahaha. Isso me lembrou o que acabei de citar agora, desculpa. Zombou Lucius.
—Isso é um teste, uma brincadeira. Você quer brincar com a gente. Você não matou ele. Soluçava Magnum, segurando seu choro.
—Em uma coisa está certo garoto: Eu não o matei. Foi a cidade, essa maldita cidade. Que literalmente o esmagou, enquanto ele dava seu voo mais triunfante ao céu, essa cidade que ele tanto acreditava ser boa, que ele tanto achava ser positiva, simplesmente parou seu pulo até o voo. O esmagou, a cidade engoliu o Johnson. Soltou Lucius.
—Você acha que isso vai ficar assim? Você acha que vai se dar bem? No final tudo vai desabar para você. Respondeu Magnum começando a chorar.
—Não, garoto. Eu tenho o apoio da polícia e de toda cidade. Deixa eu te falar a realidade: Quem vai acabar se dando mal é você. Você é só um garoto sem dinheiro que queria sair da sua rotina patética, vestiu uma roupa ridícula que não é bonita e muito menos te protege de algo, pegou uma frase bonita para falar que é sua motivação e saiu pelas ruas. Revelou Lukin.
—Eu podia te matar aqui e agora, como fiz com seu amigo. Mas você é um louco, insano mentalmente, eu não preciso te matar porque alguém vai fazer isso por mim se continuar nessa vida de louco. E eu conheço muito bem a loucura. Quando você a agarra uma vez, nunca mais quer largar. Completou Lucius.
—Acredita no catolicismo, não é? Questionou Magnum ainda abalado observando o crucifixo na parede de Lucius.
—Acha que o que está fazendo te garante um lugar no paraíso? Perguntou Magnum, tentando retomar o controle.
—Não. Eu não vou pro céu e quer saber? Tudo bem. Prefiro viver nesse mundo errado e injusto, morrer e nunca mais acordar do que viver para sempre num mundo perfeito, sem ter nada pelo que lutar. Respondeu Lucius.
—Por que fez isso, você não sabe o que são sentimentos? Sabe como estamos nos sentindo? Questionou Rebeca, claramente furiosa.
—Eu sei o que é sofrer, sabe, você garoto. Disse Lucius apontando seu dedo para Magnum.
—Você lembra bastante meu filho. Eu comecei isso por causa dele, da minha família, mas o poder me cegou e cheguei ao ponto onde o que importa é só ter mais poder, um filho era um fraqueza iminente, um alvo para meus inimigos, então os expulsei e minha mulher e meu filho ficaram longe de mim. Continuou Lucius.
—Hoje eu sou o homem mais poderoso da cidade e sempre que aparece algo que desafie isso, como Peter Johnson, eu elimino isso. Mas meu filho me odeia. Sabe o quanto eu sofro por meu vício por poder? Por eu ter um filho e ele não conseguir olhar para o meu rosto e dizer “Eu te amo, pai”? Então por favor, não venha falar que sofre como se eu nunca tivesse passado por isso. Desabafou Lucius Lukin.
—É uma história comovente, Senhor Lucius, mas não muda ou justifica o que fez. Sussurrou Carol.
—Vocês duas são muito hipócritas, talvez se fosse o garoto ou a loira falando isso, mas vocês nem o conheciam. Respondeu Lukin, debochando da garota.
Iris olhava sem piscar para a janela de vidro. Suas mão tremiam e seus olhos se mexiam inquietamente. Iris não conseguia processar tudo aquilo, ela fazia grande esforço para acordar do que ela acreditava ser um grande pesadelo.
—Eu devia matar todos vocês, mas eu gostei de você garoto e vocês não representam nenhuma ameaça. A não ser que vocês me denunciem, eu não vou me ferrar mas ia ser bem desagradável. Mas acho que não vão fazer isso, não com meus 500 homens por toda a cidade, não é? Indagou Lucius, com um olhar de quem tinha vencido o jogo.
—Lembrem-se, temos uma arma para cada parente seu, então é melhor não me desafiarem. Foi uma noite incrível meninos. Os companheiros vão deixar vocês em casa! Gritou Lucius, com um sarcasmo maldoso em sua voz.
—Eu ainda vou matar você. Espere e veja. Soltou Magnum.
—Garoto, desista de tentar fazer justiça, o mundo é injusto, seu trabalho sempre vai ser inútil pois ele consiste em você tentando fazer com que não precise trabalhar. Largue isso. É meu único conselho. Indicou Lukin.
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—Devíamos estar com a Iris agora, ela estava tão abalada. Mais do que a gente. Não disse nada desde o que aconteceu. Sugeriu Carol.
—Não. As pessoas nos momentos de dor, tentam sempre nos confortar, nos alegrar, mas às vezes, a dor é para ser sentida. É um momento dela. Temos que deixá-la. Respondeu Rebeca.
—Eu trouxe minha roupa de heroína, vim ver se concorda com minha ideia de jogá-la fora. Não sei você, mas eu não tenho mais ânimo para isso, eu matei um homem ontem e gostei. Eu fui um monstro que sempre escondi mas libertei por causa dessa máscara, e para piorar um homem inocente do qual eu gostava morreu e eu não fiz nada. Desabafou Carol.
—Olha Kay, eu devia mesmo era dizer que você tem que continuar, para dar a volta por cima e ser a heroína da cidade, mas sabe linda…. Eu estaria sendo hipócrita. Eu também não quero mais essa vida pra mim. Respondeu Rebeca.
—Eu sinto muito que tenha que ser assim. O mundo é horrível mesmo, não sei por que jovens como nós achamos que podíamos mudar tudo de uma hora para a outra na base da força. Afirmou Carol.
—Obrigado por estar aqui Carol, você é incrível, espero que possamos ser boas amigas. Agradeceu Rebeca.
—O que é isso? Não tem que me agradecer por nada. Você que é um anjo. Respondeu Carol.
—Não, eu não sou um anjo, vai por mim.... Mas isso você descobre com um tempo, se eu tiver sorte em c… Esquece. Disse Rebeca.
—Sorte em quê? Não está pensando que eu…
Antes que Carol terminasse sua pergunta, uma katana atravessou a porta, seguido de um soco de uma mão metálica que criou um rombo sobre ela, fazendo então com que Iris e Magnum pudessem entrar.
—Eles estão vindo atrás de nós! Eu estraguei tudo e agora somos fugitivos, se não corrermos agora e pedirmos ajuda para o Thomas e o pior, se não derrubarmos o império de Lucius a tempo, nós e todos que amamos vão morrer!
FIM DO CAPÍTULO NOVE.
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