Os Viajantes (HIATUS)
3 O Expresso de Hogwarts
Notas iniciais
Harry não sabia como sua vida tinha mudado então pouco tempo; havia descoberto ser bruxo e que seus pais foram mortos não em um acidente de carro, mas por um bruxo das trevas. Apesar disso estava feliz, tinha um novo amigo: Rony Weasley. Ele só tivera um único amigo antes de Rony; na verdade, uma amiga, Sarah Chisholm.
Harry ficou surpreso quando ela veio conversar com ele. Ninguém conversava, apenas os professores. A turma de Duda adorava fazê-lo de saco de pancada e ninguém gostava de contrariá-los, ela literalmente foi sua primeira amiga em sua curta vida.
Sarah enfrentava Duda para protegê-lo, era retraída não conversava com praticamente ninguém apenas com Potter, graças a ela a escola se tornou suportável. Até suas notas aumentaram, se tornando destaque na sala juntos. Mas quando o final do último ano letivo chegou, Harry não conseguia saber o que sentir, se ficava feliz pelo ano ter acabado ou triste por saber que a amiga ia para uma escola distante, um internato, no norte do país. Talvez nunca se vissem novamente, mas antes de ir embora ela falou: "Quem sabe você não vá pra mesma escola." Antes que Harry pudesse responder, a mãe de Sarah a chamou. "Sempre veja os correios, Harry Potter" ela gritou correndo para o carro da mãe.
Harry agora tinha certeza que tudo ia mudar para melhor, era o que esperava, ele podia ver o menino que tinha perdido o sapo, Neville, passando novamente junto da menina, Hermione, que tinha decorado os livros didáticos.
Os campos que passavam agora pela janela estavam ficando mais silvestres. As plantações tinham desaparecido. Agora havia matas, rios serpenteantes e morros verde-escuros. Rony estava mostrando a Harry como se jogava quadribol quando a porta da cabine se abriu mais uma vez, mas agora não era Neville, nem Hermione Granger.
Tudo estava bem de mais pra ser verdade. Na cabine entraram três garotos, o do meio Harry o reconheceu sendo aquele que conheceu no Beco Diagonal, e tiveram uma pequena discussão até que...
— Meu Merlin, parece que o grande Harry Potter — falou uma voz irônica, atrás de Malfoy — Vai pra Hogwarts.
— Chisholm — disse Draco, virando para porta.
— Malfoy — respondeu a figura com um sorriso no rosto.
Harry não pode conter o pequeno sorriso que formou em seu rosto, Sarah estava ali enfrentando os "valentões" por ele, de novo. Sarah tinha a pele pálida, rosto magro, cabelos negros e estranhos olhos castanhos que beirava ao vermelho.
— Parece que seu nariz está no lugar — desdenhou com um pequeno sorriso de lado e faíscas nos olhos — É uma pena, você fica mais bonito com o nariz torto e com sangue.
Cada passo que Chisholm dava na direção de Malfoy, Crabbe e Goyle ficavam mais tensos, Draco não recuou, Sarah parou a poucos centímetros dele, seus narizes quase se tocando.
— Então vou ter que te dar outro soco — falou a menina — Pra você sair dessa cabine.
Draco olhou para Harry.
— Eu teria mais cuidado se fosse você, Harry — disse lentamente — A não ser que seja mais educado, vai acabar como seus pais. Eles também não tinham juízo. Você se mistura com gentinha como os Weasley, aquele Rúbeo e as Chisholm e vai acabar se contaminando.
Harry e Rony se levantaram, Sarah cerrou os punhos. O rosto de Rony estava vermelho como os cabelos.
— Repete isso.
— Ah, você vai brigar com a gente, vai? — Draco caçoou.
— A não ser que você se retire agora — disse Harry com uma coragem maior do que sentia, porque Crabbe e Goyle eram bem maiores que ele, Rony ou Sarah.
— Mas não estamos com vontade de nos retirar, estamos, garotos? Já comemos toda a comida e parece que vocês ainda têm alguma coisa.
Goyle fez menção de apanhar os sapos de chocolates ao lado de Rony. Rony deu um pulo para a frente, mas antes que encostasse em Goyle, este soltou um berro terrível.
Perebas, o rato, estava pendurado em seu dedo; os dentinhos afiados enterrados na junta de Goyle. Crabbe e Draco recuaram, Sarah chutou Crabbe o fazendo cair de cara no chão. Goyle rodava e rodava o braço, urrando, e quando Perebas finalmente se soltou e bateu na janela, os dois desapareceram na mesma hora, deixando Draco para trás. Talvez achassem que havia mais ratos escondidos nos doces. Antes de sair, Draco esbarrou em Sarah e sussurrou, baixo o suficiente para que Harry e nem Rony ouvissem.
— Qual casa?
— Cobra — respondeu simples, também falando baixo olhando pros olhos de Malfoy.
— Você não é digna — contrapôs Draco.
— É o que veremos.
Malfoy saiu bufando, logo depois Hermione entrou.
— Que foi que aconteceu? — perguntou, vendo os doces espalhados no chão e Rony apanhando Perebas pela cauda.
— Acho que apagaram ele — disse Rony a Harry. E examinou Perebas mais um pouco — Não... não acredito... ele voltou a dormir.
E dormira mesmo.
— Vocês já conheciam Draco Malfoy?
Harry contou o encontro deles no Beco Diagonal. Sarah falou que durante as férias, ela e suas mães foram convidadas para um jantar de negócios na casa dos Malfoys, e que durante o mesmo Draco a chamou para conhecer a casa. Durante o percurso ele falou algo que ela não gostou, então Sarah o socou fazendo o seu nariz sangrar. Voltou para onde os adultos estavam e falou com as mães para irem para casa.
Potter achou estranho o comportamento da amiga, normalmente ela enfrentava as pessoas verbalmente ele nunca imaginou ela batendo em alguém, mesmo sendo o Malfoy.
— Já ouvi falar da família dele — disse Rony, sombrio. — Foram os primeiros a voltar para o nosso lado depois que Você-Sabe-Quem desapareceu. Disseram que tinham sido enfeitiçados. Papai não acredita nisso. Diz que o pai de Draco não precisou de desculpa para se bandear para o lado das Trevas. — E virou-se para Hermione — Podemos fazer alguma coisa por você?
— É melhor vocês se apressarem e trocarem de roupa. Acabei de ir lá na frente perguntar ao maquinista e ele me disse que estamos quase chegando. Vocês andaram brigando? Vão se meter em encrenca antes mesmo de chegarmos lá!
— Perebas e Sarah andaram brigando, nós não — disse Rony, fazendo cara zangada. — Você se importa de sair para podemos nos trocar?
— Está bem. Só vim para cá porque as pessoas nas outras cabines estão se comportando feito crianças, correndo pelos corredores — disse Hermione em tom choroso — E você está com o nariz sujo, sabia?
— Tchau, Harry — cortou Sarah, antes que Rony dissesse algo contra Hermione — E foi bom conhecer você.
Rony amarrou a cara quando elas se retiraram. Harry espiou pela janela. Estava escurecendo. Viu montanhas e matas sob um céu arroxeado. O trem parecia estar diminuindo a velocidade.
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Sarah chamou Hermione para sua cabine alegando que só tinha ela lá, então não teria nenhuma bagunça para se preocupar. Chegando na cabine, Hermione sentou enquanto Sarah fechava a porta para poder se trocar.
— Por que você falou minhas mães? — falou a Granger. Chisholm parou no lugar a meio passo do seu malão. Então ela balançou a cabeça e continuou o seu caminho, abrindo o malão e pegando a suas vestes. Hermione continuou — Desculpa, se não quiser falar não precisa.
— Não, tudo bem. — Sarah respirou acabou de se trocar e sentou na frente de Hermione — É que algumas pessoas não aceitam.
— O quê?
— O fato de ser adotada por duas mulheres e não por um casal "normal" — fez aspas com as mãos.
— Eu não me importo — sorriu, Hermione, em compreensão.
Então começaram a conversar banalidades até uma voz anunciar.
— Vamos chegar a Hogwarts dentro de cinco minutos. Por favor deixem a bagagem no trem, ela será levada para a escola.
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