Notas iniciais
Minha primeira Fanfic, espero que gostem.

O mundo acabou, as criaturas chegaram e nos tiraram tudo. Nossas casas, nossas vida, e até mesmo nossos corpos. A humanidade foi extinta, seus corpos foram usados como hospedeiros para parasitas chamados almas, criaturas que conquistam vários planetas, e chagaram aqui, na nossa terra.

Estou fugindo á dois anos, graças aos céus eu não estou sozinha, meu irmão e eu lutamos para continuarmos no controle de nossos corpos. Daniel é forte, tem 17 anos, é o companheiro perfeito em situações assim, é inteligente e muito bom de estratégias. Eu sou o oposto dele, inconsequente e violenta, já teria matado todas as almas que vi pela frente se não fosse por ele. Sou Bonnie, tenho 15 anos, sou forte e alta, tão alta quanto Dan. Vivemos fugindo por muito tempo, mas achamos um casebre abandonado, no meio do deserto. Moramos aqui á algumas semanas, conseguimos fazer um alçapão para o caso de precisarmos nos esconder das almas. Roubamos casas para sobreviver, embora precisássemos andar durante quatro horas para chegar á alguma cidade.

Hoje não foi diferente, estávamos á um km de distancia do nosso próximo alvo. As almas donas da casa tinham viajado, passei dias na espreita. Dan forçava o cadeado da porta dos fundos, eu olhava em volta para ter certeza de que não viria ninguém para nos pegar.

- terminei – anunciou, sua voz grave me deu um leve sobressalto, eu estava distraída.

- eu vou na frente – falei

Passei por ele e entrei, abri minha mochila preta e enchi com tudo o que achei pela frente. Dan estava cuidado da geladeira e eu dos armários. Achei vários tipos de coisas, tinha uma criança nessa casa, peguei todos os seus doces.

- eles vão precisar passar no mercado – brinquei

Dan riu, fechei minha mochila e peguei as garrafas de plástico. Ele me ajudou á enche-las com a água das torneiras.

- que sede – falou

Dan pôs a boca debaixo da torneira e bebeu bastante água, fiz o mesmo, quatro horas de caminhada deixam qualquer um sedento.

- precisamos voltar logo – falei – nunca nos afastamos tanto.

- não vai acontecer nada – disse Dan – eu só preciso ir ao banheiro.

Revirei os olhos, apocalipse de criaturas que roubaram nossos corpos e Dan ainda passava gel no cabelo.

- não demore muito – falei

Aproveitei que estava sozinha e abri as gavetas, peguei todas as facas que achei. Meu irmão não aprovava minha sede de sangue, mas depois de matar meu terceiro buscador, eu até que me viciei em matar. Não me orgulho disso, mas quase ria ao ver aquelas criaturas morrendo, era divertido ver o desespero em seus olhos, eu odiava tanto aqueles parasitas.

- facas outra vez? – perguntou Dan

Dei um pulinho, estava perdida em devaneios e nem o vi chegando perto. Guardei as facas e coloquei a mochila nos ombros.

- vamos sair daqui – falei – esse cheiro está me deixando enjoada.

O cheiro era o de limpeza, eu já me acostumara á viver no deserto, a quentura me fazia falta.

- vamos – concordou

Saí pela porta, Dan me seguiu. Ele era muito bom com fechaduras, conseguiu arrumar tudo á tempo de passarmos despercebidos por um casal de idosos que faziam uma caminhada noturna. Voltamos correndo para dentro do deserto, a noite estava estrelada, chegava até á ser bonita. Mas estrelas me faziam querer vomitar, talvez por que esse era o nome do parasita que tomou minha mãe de mim, e a fez entregar nossa posição á alguns meses.

- cuidado – disse Dan

Percebi que estava indo para o caminho errado, Dan riu de mim quando tropecei e caí.

- cala a boca idiota – resmunguei

Continuamos nossa caminhada em silencio, de vez em quando Dan fazia algum comentário sobre como gostaria de um banho. Trinquei os dentes, nosso casebre não tinha encanamento, mas enchemos algumas caixas d’água assim que conseguimos, tomar banho era sempre um problema, a areia formava lama quando usávamos nosso banheiro improvisado, chamando atenção indesejada.

- acha que deveríamos voltar? – perguntou Dan

- por que? – perguntei

- nosso casebre parece ocupado – falou

Olhei para frente, a porta estava aberta.

- eu tenho certeza que tinha deixado essa merda fechada – praguejei – fomos descobertos.

Peguei uma das facas, Dan arregalou os olhos.

- onde vai com isso? – perguntou

- tomar minha casa de volta – rosnei por entre os dentes.

Saí de trás do cacto que usava como escudo e avancei de forma sorrateira, Dan veio atrás de mim á contragosto, ele não gostava de matar como eu.

- Heather, olha isso – chamou alguém dentro da casa.

Heather deve ser uma buscadora, devem estar encontrando nosso esconderijo agora mesmo. O ódio me tomou, entrei pela janela lateral e me escondi nas sombras. Dois passaram bem na frente de onde eu me escondia, comprimi meu corpo contra a parede.

- cuidado Jake – disse uma garota, devia ser e tal Heather – pode ter alguém aí.

O tal Jake ignorou seu comentário, isso causou nosso primeiro encontro.

Pulei de trás da caixa de madeira, não fui vista, comprimi minha faca contra a garganta da garota. Ela tentou lutar, mas era fraca e eu forte. O garoto deu um passo á frente antes de ver o brilho da lamina cruelmente afiada no pescoço de sua acompanhante.

- um passo e ela morre – rosnei

- solte-a – pediu – não precisa ser assim, podemos no entregar.

- está mentindo – falei – almas nunca se renderiam

- almas? – disse a garota

- quieta – rosnei, apertei mais o cabo da faca na mão.

- Bonnie! – chamou Dan

Ele atacou o garoto, dando-lhe um soco.

- não vão pegar minha irmã criaturas nojentas – falou

Arquejei, eu estava ganhando. O garoto levantou e revidou o soco no rosto de Dan.

- paradinho aí garoto – mandei – ou diga adeus á sua amiguinha parasita aqui.

O garoto e meu irmão se encararam, Dan ofegou, depois riu.

- Bonnie, solte-a – falou.

- como é? – rosnei

- solte a garota – repetiu – eles são humanos

- não, impossível – falei.

Meus braços fraquejaram, a garota correu para junto do tal garoto. Caí de joelhos, esperando o momento em que acordaria desse sonho. Humanos? Vivos?

- invadiram minha casa – rosnei

- desculpe por isso – disse a garota

Ela teve coregem suficiente para chegar perto de mim, era claramente ingênua ou burra.

- somos Heather e Jake – falou – não vemos humanos á muito tempo.

- estamos sozinhos á dois anos – falei

Levantei, estava escuro, não pude ver seus rostos, mas soube que quem me envolvia nos braços não era meu irmão.

- eu nunca pensei que encontraria outros – falou, era o garoto – humanos.

Ele me soltou, agradeci a escuridão, nunca corei tanto na vida.

- Dan, candeeiro – falei.

Meu irmão acendeu nossa única iluminação, pude ver os intrusos. A garota era bonita, tinha longos cabelos loiros, seus olhos verdes faziam seu rosto parecer angelical, o sorriso pacifico que ela exibia quase me fez ficar arrependida por quase mata-la, devia ter a minha idade, mas era mais baixa do que eu, mais baixa que Dan e mais baixa que o garoto.

O garoto me fez querer me enterrar em uma duna de areia, seus olhos castanhos e espertos esquadrilharam meu rosto, seus cabelos desarrumados caiam até a nunca, seu nariz afilado dava um aspecto incrível ao rosto perfeito.

- nossa – sussurrei

Ele não ouviu, mas a garota sim, ela sorriu para o chão.

- desculpem-nos pela invasão – disse o garoto

- mas não tínhamos para onde correr – completou a garota – podemos ficar aqui?

- sim – disse Dan

- não – falei ao mesmo tempo que ele.

Todos me olharam, mantive a expressão decidida no rosto. Dan fechou a cara para mim e olhou para a menina.

- desculpem minha irmã – falou – é claro que podem ficar aqui.

O garoto me encarou, seu olhar chegava á ser um tormento para minha alma sem sentimentos.

- não vai ser problema? – perguntou

A pergunta foi dirigida á mim, mas eu ignorei.

- não – respondeu Dan no meu lugar – podem ficar.

- até quando quiserem – falei, nem percebi quando minha língua formou as palavras.

Todos me olharam com curiosidade, baixei os olhos para o fogo do candeeiro.

- Dan, ajude-os á se instalarem – falei – eu vou ver uma coisa.

Saí calada para o deserto, corri até um cacto que ficava perto do casebre, meu binóculo de visão noturna roubado balançava com o vento quente do deserto. Sentei e envolvi as pernas com meus braços, mordi a língua para evitar um grito de raiva. Eu estava feliz por ter descoberto mais dois humanos, mas não me sentia bem perto deles. Era como se aquele garoto me desse arrepios, calafrios estranhos. Eu nunca tive atração por ninguém antes, odiaria se tivesse agora.

- você está bem? – perguntou alguém

Era a garota, ela tinha tomado banho, vestia uma das minhas camisetas de linho cinza.

- estou – falei

- não vem comer? – perguntou, estava sendo gentil.

- não precisa me dizer o que fazer garota – falei.

Ela ficou sem graça.

- pode me chamar de Heather – falou

- Bonnie – respondi – desculpe por quase ter matado você.

Ela sorriu, não pude conter um sorriso pequeno.

- eu já estou acostumada á isso – falou

Silencio, o vento ficou mais forte, areia quente se misturava com a poeira normal do deserto.

- tempestade – falei – entre.

Heather correu para dentro, fiz o melhor que pude para ocultar nossas pegadas e voltei para dentro do casebre. Fechei a porta e virei, dei de cara com aquele garoto.

- desculpe – falou – eu ia fechar a porta.

- e me deixar do lado de fora – falei

Dan pigarreou.

- está sendo muito dura – falou

- eu não tenho mais cinco anos, Dan – falei.

Passei pelo garoto á passos largos e desci para o alçapão, fechei a porta antes que Heather viesse atrás de mim. Atirei meu casaco em cima de uma caixa de madeira, tirei meus sapatos e minhas roupas. Pulei no buraco de banho e fiz o melhor que pude para tirar toda a areia do meu cabelo, a água lavou meu corpo e aliviou o calor. Saltei de volta para atrás daquela mesma caixa e vesti um calça jeans e uma blusa de linho verde, era uma boa opção em um deserto quente. Voltei para a área principal do casebre e os encontrei jantando, Daniel contava como chegamos ali. Sentei ao lado dele e me servi de sopa enlatada com a cabeça baixa, nossos hospedes não paravam de me olhar.

- corremos para cá assim que pudemos – contou Dan – não é mesmo Bon?

- é – falei

Todos esperaram por palavras que eu não cheguei á dizer, Heather sorriu para Daniel.

- obrigada por deixar a gente ficar aqui – falou

- não foi nada, estou feliz por ter humanos por perto – respondeu Daniel.

Falou o diplomata, nota mental: Dan deveria concorrer á presidência.

- a Bon também está feliz – falou – não é mesmo Bon?

Encarei os recém chegados, Heather parecia ansiosa, mas o garoto estava paciente, como se esperasse minha resposta.

- muito – ironizei

Felizmente, nenhum deles detectou o sarcasmo na minha voz. Heather sorriu abertamente e afagou minha mão.

- acho melhor dormirmos – falei para cortar a cena agradável.

- sim, por favor – disse Heather – estou cansada.

- não dormimos á dois dias – disse o garoto

Evitei seu olhar ao levantar.

- venha Heather – chamei

Ela veio de bom grado atrás de mim, levei-a até o segundo cômodo do casebre. Duas camas improvisadas estavam escondidas atrás de um compensado, apontei para a da direita.

- você pode dormir ali – falei – é minha cama.

- e você? – perguntou

- não se preocupe – falei – tenho outros planos para essa noite, algo que não envolve companhia.

Ela sorriu e sentou na beira da minha cama, dei-lhe um travesseiro.

- boa noite – falei.

- boa noite – respondeu, seu sorriso estava cansado.

Saí do quarto e fui direto para a mesa, meu irmão e o garoto conversavam sobre seus fardos. Escondi-me entre as caixas e escutei.

- Bon e eu fugimos á dois anos – contou Dan – é uma cabeça dura idiota, mas é perfeita, e é minha única família. Aprendemos á nos virar, á viver bem.

O garoto riu, Dan acompanhou-o.

- Heather é um anjo – contou – mas precisa melhorar sua maturidade, ainda parece ter doze anos aos quinze.

Dan riu, o garoto mordeu um pedaço de pão.

- mas essa garota, sua irmã – continuou – me parece perfeita para essa vida.

- ela é — concordou Daniel

O garoto olhou bem para Daniel, como se quisesse fazê-lo falar.

- é violenta e forte – comentou

- sim, muito – disse Dan.

- mas não parece gostar de nós – falou

Dan se aprumou mais na cadeira, esse era o ponto principal.

- Bonnie é difícil, até para mim – confessou – mas, se aceita meu palpite, ela gosta de vocês.

- jeito estranho de provar – interpôs o garoto

Daniel sorriu e mostrou uma cicatriz acima do ombro.

- ela me fez isso aos sete anos – contou – eu não devia ter pego sua boneca.

O garoto arqueou as sobrancelhas, foi fofo.

- mas ela me ama – disse Daniel – seu disso, é seu jeito.

O intruso baixou o olhar, resolvi que era hora de aparecer.

- acho melhor você ir dormir – falei

Eles se assustaram com meu aparecimento súbito, ignorei o olhar do garoto.

- os dois – falei – eu fico de vigia.

- eu posso ficar – disse Daniel

- não Dan – falei – eu sei que você quer dormir, eu fico.

Peguei um banquinho de madeira velho e posicionei debaixo da janela, coloquei o queixo no parapeito e fiquei espiando o deserto.

- bom, eu vou dormir – disse Dan.

- eu já vou – disse o garoto

Eu estava olhando para o deserto, mas senti um beijo na bochecha.

- boa noite – disse

- durma bem Dan – respondi

Meu irmão afagou meu ombro e foi para o quarto, evitei olhar para o garoto.

- bem – disse ele – acho que é melhor eu me apresentar

Ele sentou ao meu lado e estendeu a mão.

- Jake Spencer – disse

- Bonnie Clark – respondi.

Aceitei seu aperto de mãos, ele sorriu.

- devo desculpas por ter invadido sua casa – falou

- tudo bem – falei – eu invadi esse lugar uma vez, não te culpo por querer abrigo.

Ele assentiu, seu olhar esquadrilhou meu rosto. Tentei sorrir, saiu uma careta desfigurada, Jake riu baixo.

- isso foi gentil – falou

- eu devo estar ficando louca – sussurrei

Ele inclinou o rosto para frente, sua respiração esquentava meu rosto.

- eu gosto de pessoas loucas – sussurrou

Pisquei, ele deu um sorriso perfeito e levantou.

- até mais Bonnie – falou

- até mais – falei – Jake

Ele sorriu e foi para o quarto.

- o que foi isso? – sussurrei para o vento

Sem resposta, o vento não fala, eu sou uma idiota. Olhei novamente para fora, o vento quente do deserto não resolveu meu calor. Decidi calar a boca e fazer a vigia, mesmo que minha cabeça estivesse á mil por hora.

Notas finais
Posto novamente assim que puder, espero que tenham gostado.
Sugestões e dúvidas, deixem comentários.