Notas iniciais
Cara, fiquei com tanto remorso por não ter postado antes que vou postar logo dois capítulo hoje. Aí vai o primeiro.

Resolvi fazer um POV do Jamie e estou considerando a hipótese de fazer um pro Daniel também, pra sabermos o que rolou com ele. Se der certo, eu posto.
Bjs.

POV Jamie

É claro que eu estava feliz em rever a Bonnie, nem acreditei quando a vi, tão crescida, tão fantástica, tão bonita. Senti-la em meus braços foi ótimo, eu nem sabia o quanto ainda sentia sua falta. Ela não perecia mais a mesma, tinha confessado ser uma assassina. Eu nem sabia o que pensar, fiquei com um pouquinho de medo.

Medo de ter perdido a Bonnie.

Estava tudo ás mil maravilhas, bem, o melhor possível vivendo um pesadelo.

Tivemos complicações, Daniel desapareceu no deserto, mas isso não foi nem de longe o pior ponto.

Bonnie estava com aquele cara, o tal Jake. Ele ficara visivelmente nervoso ao vê-la comigo, ela ficara sem graça, mas o que ele tem á ver com isso? Conheço a Bon á mais tempo do que ele poderia imaginar. Fiquei com um pouco de raiva, mas isso passou ao abraça-la outra vez na caverna dos vagalumes. Seus cabelos perfumados soltos na minha frente, não resisti, enterrei meu rosto neles e absorvi o doce aroma, o aroma de garota, algo que nunca tinha sentido antes.

Levei-a á meu quarto, confesso que fiquei um pouco nervoso ao vê-la preparando-se para dormir, tentei ao máximo não olhar, mas era impossível. Quando ela tirou o casaco, seu peito foi mostrado, aquela camiseta fina deixou a jovem Bonnie tão mulher, tão linda.

Era impossível deixar de reparar nela, que garota incrível. O modo como sorria, o modo como suas sobrancelhas se franziam quando estava preocupada, a curvatura perfeita dos lábios cor de rosa claro, perfeita.

Cara, eu devo estar virando gay.

Passei os próximos doze dias encarando seu lado atraente, nunca tinha sentido algo parecido. Eu nunca tinha reparado em uma garota, talvez porque não tenha garotas aqui, tirando a Mel e a Peg, mas elas são minhas irmãs. Diferentemente de Bonnie, hoje, eu estava ajudando nos campos de trigo, ela divertia-se ao ajudar Geb á arrumar a ordem dos espelhos.

Acabei parado fitando a cena, ela subia em um pedregulho alto como se tivesse nascido para isso, aventurava-se escalando e subindo, seus pés encaixavam-se perfeitamente nas bordas da rocha, ela subia com graciosidade.

- por onde eu começo? – perguntou, sua voz linda estava divertida.

- arruma esse acima de você – disse Geb

Ela sorriu e pôs-se á arrumar os espelhos, era linda a forma como ela fazia simples movimentos ficarem incríveis, a alça se sua camiseta caia pelo ombro, ela fazia um biquinho toda vez que ia arruma-la. Seus cabelos negros e lisos estavam presos hoje, destacando as costas graciosamente femininas. Algo que mais me chamava atenção era sua cintura fina e graciosa, sempre que eu podia, eu entrelaçava meus braços naquela cintura, mesmo que ela estranhasse isso, pelos sorrisos que eu recebia, sabia que ela curtia minha companhia tanto quanto eu curtia a dela. Sempre á passos de amigos, era comum um ou dois sorrisos especiais, cada movimento dela era especial, eu não saberia descrever o quanto queria sentir o sabor de seus lábios rosados.

- assim está bom? – ela perguntou

- perfeito – aprovou o velho Geb com um sorriso – já pode descer daí.

Ela riu e pulou para um ponto mais baixo do pedregulho, seus joelhos eram claramente fortes levando em conta a altura. Ela sentou na pedra, ainda acima do chão e fitou a todos com um sorriso no rosto, precisei de toda minha concentração para não ir até ela.

- pode descer – repetiu Geb

Ela sorriu mais ainda.

- adoraria, mas estou presa – falou – não posso descer do mesmo modo que subi, nem posso pular.

Geb riu, ela balançou as pernas enquanto eu chegava mais perto.

- quer ajuda? – perguntei

Ela deu de ombros ,mas sorriu, estendi meus braços e esperei o momento em que o corpo quente e macio colidiu contra eles. Ela não era pesada, mas o contato me fez ofegar, ela estava com os braços em volta do meu pescoço, seu rosto estava perto.

- valeu Jay – falou

Jay, esse apelido me mata, ainda mais na forma como ela pronuncia. Era delicioso ouvir o som de sua voz, ainda mais quando eu estava com dor de cabeça.

- sem problemas Bon – falei

Ela sorriu, coloquei-a no chão enquanto todos olhavam. Aproveitei a proximidade e apertei-a em um abraço, era fantástico sentir seu corpo contra o meu.

Era perfeito o modo como ela se encaixava em mim, ainda que eu não pudesse aperta-la como gostaria com tanto adultos em volta. Ela separou-se de mim e sorriu, seu rosto obtia um rubor vermelho.

- calma Jamie – disse Ian

Bonnie deu uma risadinha e foi ajudar Melanie á cortar o trigo, passei as duas horas seguintes acompanhando seus movimentos. Cada vez que ela abaixava para recolher o que colhera, seu decote inocente se anunciava. Ela tinha belos seios, o decote exibiu um pedaço incrível de pele entre as duas esferas perfeitas e lindamente equilibradas, tão linda quanto a própria personificação da beleza. Quase não percebi quando a estava encarando tão fixamente que Ian veio até mim, tentei disfarçar com o cesto de trigo que eu segurava, mas não deu certo.

- se olhar demais vai perfurar a alma dela – falou

Devo ter corado, Ian riu.

- eu não estava olhando – menti

- claro, estava admirando – concluiu – mulheres tendem á fazer isso conosco.

Mordi a língua para evitar uma resposta, Bonnie não era uma mulher, era uma garota.

- eu não fico admirando ela – menti outra vez – estava apenas perdido.

Ian riu, tentei esconder minha irritação.

- é normal, você está se sentindo atraído – falou – ela é uma garota incrível, você escolheu bem.

Fiz uma careta.

- não escolhi, não tinha como – falei – não tenho um arsenal de garotas, apenas ela.

Ian deu de ombros.

- tanto faz – falou – concentre-se no seu trabalho, rapaz.

Ele se afastou rindo da minha cara, suei de nervosismo quando Bonnie veio até mim.

- tão cansada... – falou, ela tinha um jeitinho manhoso lindo – quer nadar?

Pisquei, ela sorriu.

- não temos piscinas – falei

- não, na área de banho – falou.

Engoli em seco, ela revirou os olhos.

- tá, eu vou sozinha – falou.

Ela passou por mim, sorri e larguei a cesta. Segui-a pelos corredores de pedra, Bonnie foi direto para a área de banho. Era escuro lá, mas já havíamos decorado o caminho certo, Bonnie pegou minha mão enquanto entrava na água. Fiquei um pouco nervoso, mas a risada cintilante dela me fez relaxar e entrar na água com ela.

- água fresca – falou, pude ouvir um suspiro.

- é – falei, não tinha ideia do que dizer.

Ela deu uma risadinha, pude ver as ondulações na água quando ela mergulhou.

- não olhe – pediu

Fiquei um pouco confuso, mas vi o motivo. Bonnie tirou o short jeans e colocou na beira da piscina de pedra, evitei olhar quando ela tirava e a camiseta, ficando apenas com um sutiã preto.

- eu disse para não olhar – falou

Eu realmente estava encarando fixamente a garota em minha frente, ela sorriu.

- sabe que não deveria estar nadando assim – falei

- eu sei – respondeu – mas está calor

Ela fazia tudo parecer tão simples que eu até sorri, ela afundou, ficando apenas com o pescoço para fora d’água. O brilho da água tremeluzia em seu rosto, o sorriso relaxado e calmo que ela exibia era tão lindo, ela não me parecia mais uma garota. Era incrível a sensualidade dos pequenos movimentos de seus ombros ao respirar, cada piscada era lenta, cara suspiro era profundo, cada sorriso era calmo. Ela fechou os olhos e nadou até mim, senti seu corpo próximo ao meu na água.

- Jay, você está bem? – perguntou

Não reparei que olhava fixamente para ela, mas não pude evitar, era como estar com muita sede e não poder beber de um poço cheio de água cristalina. Sacudi a cabeça, ela virou a cabeça, como um cachorrinho.

- estou bem – falei – estava apenas...

Ela riu, não completei, mas ela corou.

- Jamie, você é uma gracinha – falou.

Gracinha, na língua das garotas isso deve ser algo bom, assim que ela pronunciou essas palavras, seus lábios quentes e perfeitos beijaram minha bochecha com ternura. Fiquei paralisado por um segundo, Bonnie passou os braços em volta do meu pescoço e beijou minha outra bochecha. Seu jeito inocente me ganhou, ela não fazia por mal, mas mexia muito comigo.

- ai Jamie – suspirou – eu estou feliz agora.

Afaguei suas costas, minha mão escorregou sem querer para sua cintura perfeita.

- não sente falta do Daniel? – perguntei

Eu sou um idiota, ao som desse nome, Bonnie de encolheu e afastou-se de mim. Ela baixou a cabeça, mas pude ouvir uma leve fungada.

- sinto, como se meu peito tivesse sito banhado em acido – falou, sua voz estava frágil.

Eu sabia que ela sentia muita falta do irmão, todas as noites eu a ouvia chorar baixinho para não me acordar, eu queria abraça-la, estar com ela. Eu lembro-me de como me senti quando Melanie estava fora, ela devia estar sentindo o mesmo agora, talvez até pior.

- desculpe – falei

- eu to bem – mentiu

Suspirei, ela molhou o rosto e foi para a borda da piscina de pedra.

- acho melhor eu ir – falou

- para onde? – perguntei

Ela deu de ombros, fiquei desesperado, tudo culpa minha.

- fica – falei – não vá embora.

Ela virou de costas, suas mãos finas tocaram seu rosto, devia ter chorado.

- não, eu preciso ir – falou – ajudar na cozinha.

- você nunca ajudou na cozinha – reparei – prefere colher trigo e fazer os trabalhos braçais.

Ela suspirou e virou, seus olhos negros estavam um pouco vermelhos, mas ela sorriu levemente.

- você me conhece como ninguém – falou

Suspirei, ela encostou suas costas na pedra e encarou a água.

- eu sinto muita falta deles – falou

Deles, deles, deles. A palavra ecoou na minha cabeça, ela não sentia falta só do irmão, sentia falta do garoto. Ela pigarreou e sacudiu a cabeça, tentei não fixar meu olhar em sua clavícula.

- deixa isso para lá – falou – sem pensar, sem sentir.

Eu relaxei, ela sorriu e veio até mim outra vez. Meus braços envolveram sua cintura, suas mãos acarinhavam minha nuca.

- eu te amo Jamie – falou

Congelei, ela ofegou.

- eu quis dizer... – gaguejou – eu te adoro, eu gosto de você.

Ela me soltou, continuei em choque, aquela frase girando em minha mente. Senti como se estivesse banhando-me em algo quente, calor e ternura me cobriram. Ela arquejou outra vez e tentou sorrir.

- foi mal – falou – eu me atrapalhei, desculpe.

Ela pegou impulso com as mãos e ergueu-se, pude ver seu corpo esguio e musculoso correr para onde trocávamos de roupa. Continuei onde estava, poucos minutos depois, ela saiu correndo sem nem mesmo olhar na minha direção.

Notas finais
Caaaaaaaara, nervosíssima aqui. Nunca tentei fazer um POV para outro personagem, será que ficou ruim?
Desculpa qualquer coisa, bjs.
Até o próximo capítulo.