Os Sobreviventes
31 Fogo e Gelo
Notas iniciais
– Jamie, eu estou livre! – gritei.
– estou vendo – respondeu
Agarrei a bola, lançada á mim por meu namorado, e corri, parei na linha divisória, que separava os dois times. Dei um sorrisinho ameaçador, Heather tremeu, como se tivesse reparado que ela era meu próximo alvo.
– oh não – gemeu.
Ri, preparei-me para jogar a bola, carregando bastante força, eu provavelmente reduziria minha amiga á uma poça de carne grudada na parede da caverna. Dei um grito e atirei a bola, Heather nem tentou se esquivar, a velocidade do projétil redondo não permitia nem ao menos que ela tivesse tempo para tentar desviar. Ela gritou de dor, a bola atingiu-a na barriga, fazendo-a cair para trás. O som do impacto ecoou em um volume muito satisfatório, Heather gemeu no chão, levantando o dedo em direção ao teto da caverna.
– eu to viva – falou – obrigada pela preocupação.
Ri, Jake também, mas ultrapassou os limites da quadra e foi ajudar a prima á levantar-se, trazendo-a para nosso campo. Dirigi um sorriso enorme á garota quando ela passou por mim, gemendo e massageando a barriga.
– queimada – falei.
Ela revirou os olhos enquanto Jake ria.
– tudo bem que você precise me matar para seu time ganhar – falou – mas não precisava me matar de verdade, se eu estivesse grávida eu perdia meu filho.
Ri, ela conseguiu dar um sorriso, mesmo em momentos assim, Heather era muito meiga e fofa.
– vai pra sua área – falei – o cemitério.
Ela gemeu outra vez, de frustração. Em cerca de três partidas, eu queimara ela, sempre da mesma forma, com brutalidade. Sua pele branca e fina estava vermelha e parecia assada, eu tenho mesmo uma boa direita. Heather cambaleou em direção á área de queimados, cumprimentou Sharon e Jack, que eu já tinha tido o prazer de mandar á zona de escanteio.
No meu time, estava Jamie, Jake, Jered, e Kyle, no lado vencedor. No time adversário, estava Sharon, Ian, Heather, Jack e Melanie, essa ultima, Mel, era a única que me dava medo. Ainda restavam Jamie, Jake e eu no meu time, todos resistindo bravamente ás investidas de Melanie, que era tão boa quanto eu. Ian e Melanie eram os que sobravam do seu time, Ian marcava Jamie e Jake, enquanto Melanie me marcava, acho que ela era a única que me metia medo de verdade nesse jogo. Tivemos que sapara-la de Jered, em apenas dez minutos, a dupla do terror dizimou meu time, jogando no modo atual, ficava mais justo e equilibrado, dando mais chances aos demais jogadores. Geb, Maggie, Doc, Trudy, Isaiah, Liberdade e Daniel assistiam ao jogo, assim como a mãe das crianças. Isaiah e Liberdade queriam jogar também, mas concordamos que nossos métodos de jogo seriam pesados demais para duas crianças, então eles ficaram de fora, mas torciam loucamente. Peg também estava lá, alegara não querer jogar, mas eu sabia que ela estava com medo da Melanie, que era muito boa, coisa que deixava todos aflitos. Dan também decidira ficar assistindo, alegando que Floco de Neve não gostava de esportes violentos como esse, mas eu sabia que o motivo era outro. Meu irmão ficava observando todos os movimentos de Heather com um q de adoração, e isso me deixava internamente louca, já que eu morria de ciúmes. Notei que ele sempre lançava olhares de esguelha para mim, e a julgar pela força da cor prateada em seu olhar, eu constatei que era Floquinho quem me observava, já que ambos revezavam-se no controle do corpo.
Sempre que Daniel assumia o controle, o prateado ficavam mais ofuscado, dando um mínimo destaque ao azul inicial, minha cor favorita, podendo assim, identificar-se quem era que estava no controle no momento. Reparei outra coisa nos olhares que Floquinho me lançava, tinha certa admiração, como se ele assistisse á um programa super interessante e inspirador. Admito, eu amo esse tipo de olhar voltado á mim, mas vê-lo originar-se no corpo do meu irmão me causava calafrios, aquilo era sinistro.
– Bonnie! – alertou-me Jamie.
Fiquei um tempão parada no meio da quadra, ficando exposta á uma bolada certeira pelas mãos de Ian. Desviei por alguma intervenção divina, mas foi por muito pouco. Consegui agarrar a bola, joguei-a para Kyle, que revidou o ataque de Ian, queimando o irmão.
– droga! – praguejou Ian.
Soltei uma risada debochada enquanto Ian juntava-se aos queimados no nosso cemitério, Jamie jogou-lhe a bola, como é direito de todo o jogador quando é queimado. Ian mirou em mim, fiquei parada, sorrindo de forma sarcástica, fingindo que deixaria-o queimar-me. Ian jogou a bola, permaneci parada, até que dei um impulso para baixo, deslizando pelo chão. A bola passou voando em alta velocidade por cima de mim, agitando meus cabelos, e atingiu a mão certeira de Melanie, que aproveitou para joga-la em mim, que estava mais vulnerável no momento.
– não! – gritou Jamie.
Meu namorado ficou por cima de mim, evitando que a bola me queimasse, dando sua própria vida por mim, ainda que de modo figurado. Melanie soltou um palavrão, ela não teria outra oportunidade como essa, e estava fula da vida. Encarei Jamie, sorrindo de forma admirada para o garoto.
– Jay! – repreendi.
Meu namorado riu, baixou os lábios nos meus, como se nada mais importasse.
Confesso, eu também esqueci do jogo, dos presentes, da gritalhona Melanie, do ciumento Daniel, da vermelha Peg, da envergonhada Heather, do irritado Jake e dos sarcásticos Sharon, Ian, Jered e Kyle, sem contar Jack. Meu Jamie segurou-me pela cintura, aprofundando o beijo, com um toque leve e quente ao mesmo tempo. Sua língua macia adentrou em minha boca, explorando os cantinhos como se fosse um arqueólogo em busca de alguma peça histórica. Soltei um gemido indiscreto em meio ao beijo, não por ter meu namorado deitado por cima de mim, mas por estar morrendo de vontade de tê-lo “dentro de mim”.
Eu sei, isso foi muito indiscreto e tarado de minha parte, eu iria presa por essa frase, mas os buscadores não sabem que eu existo.
Mas era a mais pura verdade, Jamie me envolvia de um modo que eu não sei explicar, eu sentia uma necessidade enorme de estar com ele, mais do que beijando ou abraçando, mas, amando de verdade.
Somos muito novos ainda, ele era um ano mais velho que eu, não tínhamos proteção ou um lugar só nosso. Mas a vontade vencia todos os argumentos, e não tinha olhar raivoso de Daniel que me fizesse mudar de ideia. Pode me chamar do que quiser, nem vou reclamar, porque talvez eu seja isso tudo mesmo, eu não me importo.
Eu só quero meu Jamie, só quero tê-lo para mim, e ser dele.
– eu mandaria os dois para o quarto, mas eu divido ele com vocês, portanto, esqueçam – disse Heather, em algum lugar perto de nós.
Sua voz foi o que me despertou, Jamie também parecia ter acordado agora. Meu namorado finalizou o beijo com selinhos leves e carinhosos, puxou meu lábio inferior com os dentes, levantou e estendeu a mão á mim. Sorri e aceitei-a, Jamie me puxou, fazendo-me grudar em seu peito.
– obrigada – falei.
Jamie me apertou contra seu corpo, arfei e mordi o lábio.
– de nada – respondeu.
Sorri e separei-me dele, todos os presentes olhavam para nós, alguns curiosos, alguns furiosos, assim é a vida.
– o que foi? – guinchei, como se fosse a dona da verdade – eu beijo mesmo, e daí?
Jamie riu, assim como Ian, Jered, Kyle, Melanie e Heather. Daniel/Floquinho me encaravam com um misto de desapontamento e ciúme, Jake nem mesmo olhava para mim, apenas encarava o chão com a cara fechada. Nem tive tempo de me sentir mal, o jogo recomeçou, e algo me diz que Melanie queria minha cabeça em uma travessa de prata. Dito e feito, passei os dez minutos seguintes esquivando-me das sucessivas boladas que Melanie, que me raspavam minha pele, errando-me por pouco. Eu já estava muito cansada, mal respirava, e Mel sabia disso. Minha cunhada atirou a bola fatal, que acertou-me com um estrondo seguido por um grito de dor, deveras, ela acertara-me no estomago.
Caí no chão, sem ar.
– Bonnie! – disse Jamie.
Ele correu para me socorrer, eu estava sem ar, minha barriga doía como se eu tivesse sido perfurada por um mastro de navio.
– droga Melanie! – rosnou Jamie, encarando a irmã com raiva – você me fez ficar viúvo.
Comecei á rir, mas logo parei, a dor não deixava eu ir mais longe. Jamie levantou minha camisa, exibindo o hematoma que formava-se em minha barriga. Meu namorado deu vários beijinhos em toda a extensão se meu abdome, passando as mãos levemente em minhas pernas. Mordi o lábio, de dor, e não de excitação. Meu namorado subiu seus beijos, chegando em minha boca, dando-me um leve selinho. A dor cedeu um pouco mais, Jamie olhou-me nos olhos, tinha certa adoração no olhar.
– melhorou? – perguntou, baixinho.
– me beija de novo e eu te respondo – falei
Jamie riu, mas fez o que eu disse, em dois segundos, nossas bocas já estavam coladas novamente. Ouvi pigarros, nem liguei, continuei beijando meu namorado, esquecendo a dor incomoda do machucado.
– já chega, não dá para jogar assim, parando de dois em dois segundos para vocês ficarem se agarrando – reclamou Jake – já chega, pra mim já deu.
Separei meus lábios dos de Jamie, assisti Jake e os outros jogadores abandonarem o jogo, todos reclamando de mim e de Jamie.
– parece que nós estamos sendo indiscretos – cochichou Jamie.
Olhei para ele e sorri, Jamie mordeu o lábio e ficou me olhando.
– que tal irmos para algum lugar discreto? – perguntei, cheia de segundas intenções.
Jamie riu de forma maliciosa e me ajudou á levantar, beijou minha cabeça e grudou a lateral do meu corpo no seu, andando e fazendo cócegas em mim ao mesmo tempo. Nossa plateia ia dispersando-se devagar, Daniel continuou parado no mesmo lugar, encarando Jamie e eu como se planejasse uma estratégia de guerra. Aproximei-me de meu irmão, eu o tratava de forma mais fria que o normal, em certo ponto era porque ele escondera-se de mim, em outro ponto era porque eu não queria dar esperanças á Floquinho. Se eu desse o mínimo sorriso para o cara, ela suspirava como se estivesse assistindo um romance bem piegas.
– oi Dan – falei.
Dan ficou um pouco sem jeito, deu um sorriso sem graça e olhou para o chão.
– na verdade, eu sou Floquinho – falou, olhando-me rapidamente.
– ah, falou – falei, um pouco decepcionada – oi então, Floquinho.
Ele deu um sorriso radiante, forcei um repuxar de lábios, não ficava á vontade com essa situação. Deveres, tinha uma alma no corpo do meu irmão, como espera que eu reaja?
– você jogou muito bem, foi muito agradável vê-la jogando – falou, tímido.
– obrigada – falei, forçando um outro sorriso – eu tento.
Jamie me abraçou por trás, Floquinho deixou o sorriso morrer aos poucos, encarando a mão de Jamie na minha cintura.
– bom, nós vamos tomar um banho – falei, cutucando as costelas de Jamie com o cotovelo – até mais.
– até – respondeu, ainda tristonho.
Sorri timidamente e dei ás costas ao meu irmão, revirei os olhos assim que saímos de seu campo de vista, entrando nos corredores de pedra que levariam ao banheiro.
– escapada rápida – comentou Jamie.
– eu não estava muito á fim de ficar vendo meu irmão com os olhos prateados – falei, olhando para o chão – e nem, ver meu irmão ficar agindo como se fosse meu melhor amigo tímido, e ficar com ciúmes quando o gato da escola chega perto de mim.
Jamie riu.
– gato da escola? – perguntou
Sorri, ele também.
– é clichê demais, até para nós – falei, gesticulando com as mãos – Daniel é meu irmão, fica muito estranho.
– concordo, e também desaprovo as ações de Floco de Neve – disse Jamie – ele te olha como se você fosse a musa dele.
– credo – estremeci – que nojo.
Jamie me olhou, fiz uma careta.
– o que é nojento? – perguntou
Dei de ombros, pensando na situação.
– é um ser extraterrestre no corpo do meu irmão, ele fica me olhando como se eu fosse sua musa, como se fosse o nerd da escola, o que se apaixona pela melhor amiga e não sabe como agir quando ela namora o bonitão – respondi, franzindo as sobrancelhas – é nojento demais para tentar descrever, ele é uma lacraia.
– Peg também é uma lacraia – rebateu Jamie.
Revirei os olhos, cocei a nuca.
– Peg é diferente, ela não está no corpo do meu irmão – falei – e é uma menina.
– e o que o sexo dela muda? – perguntou
– tudo, Peg é uma menina – falei – é mais inteligente.
Jamie arquejou, fingindo-se de ofendido.
– quer dizer que eu não sou inteligente – acusou.
– exatamente – respondi, sorrindo de forma sínica.
– e você é? – perguntou, cético.
– claro, por que? – perguntei, fingindo-me de irritada – está me chamando de burra, Jamie Stryder?
Ele ficou vermelho, não de timidez, mas de medo. Ele viu o quebra nozes que eu dei em Jake.
– não, não é isso – falou, nervoso – só estou dizendo que se você é tão esperta, devia tentar pedir um quarto á Geb.
Parei de andar, encarei-o. Meu namorado tentava não rir, me olhou como se eu fosse um tesouro.
– você está me manipulando? – perguntei, indignada – para conseguir um quarto novo?
– se você quiser ver dessa forma – falou, ainda sorrindo daquela maneira – eu vejo o seguinte: se tivermos um quarto, podemos ficar bem juntos.
Pisquei, acompanhando seu raciocínio. Jamie riu quando eu fiz uma careta, entendendo.
– saquei – falei, apontando acusadoramente para seu rosto – você que se aproveitar de mim!
Jamie começou á rir, chegamos na área de banhos. Comecei á tirar as roupas, assim como meu namorado, que logo tirou a camisa, exibindo seu peitoral. Para tudo! Desde quando Jamie é tão gato?
– você andou malhando? – perguntei, apontando para seu peito.
Jamie riu de novo, puxou-me para perto.
– eu não sou um garotinho, Bonnie Clark – falou, roçando os lábios em meu pescoço – posso mostrar á você, que ver?
– quero – respondi, suspirando.
Jamie deu um sorriso levemente malicioso, mordi o lábio.
– não devia ter me provocado tanto no dia do interrogatório – falou, quase sussurrando – você vai se arrepender.
– vou? – zombei – duvido.
Meu namorado mordeu o lábio, logo estávamos agarrados um no outro, nossas bocas duelavam vorazmente, como se fosse a ultima coisa que fossemos fazer na vida. Meu namorado imprensou-me na parede da caverna, apertando minha cintura, sugando e mordiscando meus lábios.
– vão para o quarto – disse Melanie, entrando na área de banho.
Separei minha boca da de Jamie, ofegante pelo beijo, e irritada pela interrupção.
– mais que droga – praguejei – fique aqui, amor.
Desvencilhei-me de Jamie, meu namorado ficou confuso.
– aonde você vai? – perguntou.
– arrumar um quarto – respondi.
Sai tempestuosamente, andando pelos corredores enquanto xingava o vento por ele ser assim tão idiota. Varei nos campos de trigo, as pessoas plantavam novamente, supervisionadas por Geb, que olhava tudo com um olhar satisfeito. Relaxei ao vê-lo assim, era muito afeiçoada á Geb, ele era como um pai para mim. Caminhei até ele calmamente, não iria á lugar algum irritada daquele jeito, e Geb era esperto demais para cair em algum truque meu, se eu queria um quarto, teria que conquista-lo.
– oi Geb – falei, sorrindo de forma alegre, como se fosse uma criança.
– oi Bonnie – respondeu, dando um sorriso acolhedor.
Parei ao seu lado e olhem em volta, o pessoal jogava as sementes nos campos, semeando nosso sustento. Alguns sorriam apenas por estarem fazendo isso, sorri também , era impossível ter outra reação ao ver algo tão simples e bonito ao mesmo tempo.
– é muito bom, saber que nossa cultura humana não foi extinta – falei, suspirando – é bom vê-los cuidando de algo tão puro e limpo como o trigo.
Geb me olhou, revirei os olhos.
– tá, admito, dei uma puxada para o lado de Daniel que existe dentro de mim – falei, bufando – mas é verdade, é lindo ver isso.
Apontei para os campos de trigo, onde a humanidade trabalhava tranquilamente, conversando e sorrindo, como uma grande família.
– é verdade, é bom saber que você não é uma jovem cabeça de vento – disse Geb.
– hey! – protestei.
Ele riu, fingi-me de irritada, mas dei um sorriso, cedendo.
– o que voe quer, Bonnie? – perguntou, fitando os campos de trigo.
Pisquei, nossa.
– nada, só queria ver o senhor – respondi.
Geb sorriu, depois deu um beliscão gentil em meu queixo.
– que você realmente quer? – perguntou – diga.
Suspirei, não sabia como iria falar isso, mas com certeza eu não ia chegar no Geb e falar: e aí coroa, me dá um quarto para eu poder transar com meu namorado?
– bem, é que eu tava pensando o seguinte: meu quarto está um pouco apertado – falei.
– um pouco apertado? – repetiu Geb, inexpressivo.
– um pouco não, muito apertado – respondi, gesticulando com as mãos para dar efeito – e a gente fica espremido demais lá, Jake e Jamie não se dão muito bem, fica muito tenso.
– fica tenso? – repetiu novamente, ainda inexpressivo.
– fica, muito tenso – respondi, sacudindo vagarosamente a cabeça com meus olhos arregalados – eu preferia um espaço maior, sem essa tensão o tempo todo.
– sei – disse Geb, me estudando com o olhar – você só quer um espaço maior.
– exatamente, você é um gênio – respondi, sorrindo.
Eu sei que exagerei, mas Geb me estudava de uma forma que eu até me senti culpada por querer um quarto novo. O velho me encarou, um tanto cético demais.
Eu quase pedi desculpas e saí correndo, quase.
– você iria sozinha ou levaria alguém com você para esse quarto? – perguntou.
Fruta que caiu, é agora que eu danço.
– eu levaria o Jamie – respondi, baixinho, como se confessasse uma nota baixa aos meus pais.
Geb me encarou, calado.
– a gente dormia junto antes de tudo isso, o que custa relembrar os velhos tempos? – perguntei, desesperada – me desculpa, esquece o que eu disse.
Virei para correr dali, Geb segurou meu braço, forçando-me á encara-lo outra vez.
– eu não vou esquecer o que você disse, não sou um adolescente levado – falou.
– desculpa Geb, não precisa esquecer, só me ignora – falei — nem fala comigo, se for o caso.
– Bonnie, fica quieta um minuto – falou com firmeza.
Calei a boca, Geb me puxou pelo braço, fazendo-me ficar á sua frente.
– terminou de explicar seus motivos? – perguntou
Assenti, fungando como uma criança.
– tem algo á acrescentar? – perguntou.
Neguei com a cabeça, Geb me olhou nos olhos, seu olhar lembrou-me meu pai, quando perguntou se fui eu quem quebrou o celular novo dele.
– eu só queria jogar Mario – gemi.
Geb franziu as sobrancelhas.
– como? – perguntou, confuso.
– nada, pensei alto – respondi, sacudindo a cabeça – não, não tenho nada á acrescentar.
Geb me encarou, estudou-me com o olhar, de um modo que eu pensei que ele podia ver minha alma. O velho sorriu, respirei fundo, ansiando por sua resposta. Eu só não corri porque ele segurava meu braço.
– tudo bem – falou – eu vou te dar um quarto novo.
Pisquei, confusa/incrédula/pasma.
– vai? – falei – tipo, vai mesmo?
– vou, não era o que queria? – perguntou – ou tem algum arrependimento?
– não, quero dizer, sim. Digo, era o que eu queria, e não, não tenho arrependimento algum. Eu só pensei que você diria não e me mandaria pastar no meio do deserto – respondi, ainda em choque – mas, beleza. Obrigada.
Geb riu de minha atrapalhação, e eu me odiei por isso, como eu sou burra.
– venha comigo – chamou, arrumando a arma no ombro – vou te mostrar onde você vai morar daqui para a frente.
Dei um grande sorriso e segui Geb pelo corredor, feliz da vida.
Jamie Stryder, é hoje.
POV Jamie.
Terminei de tomar banho, ainda confuso pela reação da Bonnie. Ela disse que foi pedir um quarto, onde será que ela estava agora? Encolhida em algum canto por ter sido esculhambada, ou pulando de alegria por ter conseguido?
Sinceramente, eu prefiro a ultima opção.
Á tempos que eu estou louco pela Bonnie, e eu sei que ela sentia a mesma coisa, pois desde aquele dia, no interrogatório de Daniel, ela vem me provocando. Fica fazendo movimentos sensuais e lentos quando vai tomar banho, levando-me sempre com ela para dentro da piscina de pedra da área de banho, onde ela tira a roupa na minha frente, fingindo ser inocente, mas dá um grande e discreto sorriso ao ver que eu cedia á seus caprichos. Seu olhar maroto prendia-me, assim seu sorriso inocente. Sua boca macia sempre encontrava a minha, beijando-me com carinho, um carinho que só ela tinha. Seu corpo era lindo, mas não mais que sua risada. Seu modo de olhar para as estrelas, quase que com medo, me fazia querer abraça-la, conforta-la de algum modo. Eu queria protegê-la, fazê-la sentir-se segura comigo, beija-la e ao mesmo tempo, segurar sua mão. Eu podia abraça-la, beija-la, toca-la, e isso era magnífico. Minha Bonnie correspondia ás minhas caricias, retribuía meus inúmeros beijos, fechava os olhos quando eu beijava seu pescoço, suspirava quando eu sentia seu cheiro, e sempre sorria quando eu olhava em seus olhos, como se ver meu olhar no seu fosse sua maior felicidade.
Eu tinha tudo isso, podia dormir ao seu lado, sentindo seu corpo colado ao meu, sentindo o leve sacudir de seu corpo quando ela respirava. Eu podia pentear seus cabelos com meus dedos, cheira-los, beija-los. Podia acariciar seu pescoço, roçar o nariz na pele macia, aspirar o perfume divino de sua pele. Eu podia beijar seus ombros, apertar sua cintura, puxa-la para mim, fazê-la suspirar e sorrir enquanto dormia.
Eu podia fazer tudo isso, e ainda podia observar cada mínimo movimento seu. Cada piscada lenta e tranquila, cada respiração funda e calma, cada sorriso lindo e radiante, cada brilho em cada olhar. Eu podia toma-la em meus braços, podia beijar seus lábios quentes e perfeitos, podia afagar suas costas enquanto puxava-a para mim.
Por mais que tudo isso seja incrível, por mais que eu ame estar com ela, isso não me parecia completo. Eu queria fazê-la minha, fazê-la suspirar, observar seu rosto enquanto ela sussurrava meu nome, sentir seu coração batendo enquanto ela gemia baixinho.
Eu queria fazê-la minha, e queria fazê-la feliz.
Despertei do devaneios quando ela entrou na área de banho, seu olhar brilhava, ela irradiava felicidade, e só vê-la sorrindo já me fez sorrir também. Eu virara um verdadeiro bobo apaixonado.
– eu consegui! – falou, vibrando Geb me deu um quarto.
Fiquei surpreso e chocado, Bonnie tirou a camisa e jogou em um canto, fazendo o mesmo com seu short. Fiquei admirando seu corpo escultural, Bonnie era linda, e ficava muito sensual do lingerie.
– o que disse á ele? – perguntei
Ela riu de minha surpresa, entrou na piscina de pedra e mergulhou. Voltou á superfície e sorriu para mim de modo convidativo, eu entraria lá com ela, se não tivesse acabado de sair.
– eu disse que estava muito apertado, que ficava tenso – falou, sorrindo – ele cedeu, e me deu um quarto.
Eu ainda estava atônito, minha namorada riu e começou á tomar banho. Fiquei olhando-a ensaboar-se lentamente, ela parecia querer provocar-me com seus movimentos. Respirei fundo, Bonnie encerrou o banho e saiu, indo para o “closet”da área de banho. Voltou em cinco minutos, linda e cheirosa, perfeita. Sorri, ela me abraçou com carinho, senti seu cheiro divino e suspirei.
– eu nem acredito, vamos poder ficar sozinhos – falou, parecia realmente feliz.
Suspirei com a ideia, mas fiquei um pouco nervoso. Nada impedia-nos agora, podíamos ficar ainda mais ligados do que já éramos.
Mas eu me preocupava com a Bon, não queria que ela se sentisse pressionada por mim, queria que sua primeira vez fosse perfeita, digna dela.
– você que conhecer? – perguntou, inocentemente.
Minha Bonnie é muito inocente, ela é travessa ás vezes, mas ainda era uma menina, e eu não queria roubar sua inocência.
Mas minha vontade de estar com ela superava tudo, não era só desejo, era necessidade.
Eu precisava fazê-la minha.
– quero – respondi, baixinho.
Ela assentiu, pegou minha mão e guiou-me pelos corredores de pedra. Nem tentei decorar os caminhos, minha mente estava muito cega por poder ficar sozinho com minha namorada. Eu poderia beija-la e toca-la como sempre quis, podia fazer da minha Bonnie uma mulher, seria eu que faria-a virar mulher.
– chagamos – falou, com certa doçura em sua voz.
Ela empurrou a porta, fiquei ainda mais relaxado, tinha uma porta no lugar, podíamos ter privacidade. Entramos em silencio, a cama era de casal, tinha uma lamparina e nossas mochilas estavam jogadas em um canto. Bonnie virou para mim, sorrindo de forma doce, seus lindos olhos brilhavam, e era um brilho diferente. Ela nunca me parecera tão linda.
– gostou? – perguntou
– gostei – respondi.
Ela chegou mais perto, peguei sua mão, ela sorriu.
– você está feliz? – perguntou, seu sorriso hesitou por um segundo.
– estou, muito feliz – respondi – porque estou com você.
Ela sorriu, feliz. Aproximei-me dela, Bonnie aproximou-se de mim, como um reflexo involuntário de seu corpo, era quase como se seu corpo metal e o meu um imã em tamanho real.
– você quer? – perguntou, indicando a cama.
– sim, eu quero – respondi.
Ela sorriu lentamente, seu olhar não deixava o meu, era como se nossas vidas estivessem unidas, e se desviássemos o olhar, ficaríamos loucos. Bonnie me puxou delicadamente para a beira da cama, hesitando antes de deitar, como se tivesse algum tipo de receio. Segurei seu queixo com meus dedos, levantando seu rosto para poder encarar aquela boca perfeita.
Aproximei minha boca da dela devagar, minha namorada apenas esperou pelo contato, fechou os olhos e suspirou. Encostei delicadamente meus lábios nos dela, beijando-a com carinho. Eu queria que ela sentisse o quanto eu a amava, o quanto eu amava estar com ela, o quanto eu amava beija-la. O sabor delicioso de seus lábios tomaram-me por completo, á essa altura não houve hesitação. Enlacei sua cintura com meus braços, Bonnie entrelaçou seus dedos em meus cabelos, puxando-me para si. Logo o beijo calmo e doce ficou mais urgente, como se sua vontade fosse tão grande quanto a minha. Puxei-a para mais perto, apertando seu corpo contra o meu, sentindo seu coração batendo de forma acelerada contra meu peito. Bonnie arfou, encerrando o beijo por falta de ar. Ela sorriu para mim, e o brilho do seu olhar foi o ultimo golpe que meu desejo podia suportar, eu já não cabia em mim de tanto que queria fazer aquilo. Beijei-a outra vez, puxando seu corpo até o meu. Bonnie puxou minha cabeça em direção á dela, aprofundando o beijo ainda mais. Minha mão desceu até sua perna enquanto minha boca beijava a sua, meus dedos apertaram a carne macia e quente sob minha pela, minha namorada ofegou, sem encerrar o beijo. Puxei-a para mim, Bonnie correspondeu, pulando em meu colo, segurando meu rosto com as duas mãos. Entrelacei suas penas em volta do meu quadril, carregando-a e sentindo seus seios contra meu peito. Andei um pouco, devagar para não ser muito brusco, e deitei-a na cama. Deitei por cima dela, mordi seus lábios, brincando com ela. Bonnie mordeu o lábio, sorrindo. Suas mãos subiram pelas minhas costas, trazendo minha camiseta consigo. Minha namorada arrancou minha camisa, sorriu e passou as mãos por meu peito, antes de apertar minhas costas com os dedos. Mordi o lábio, levantei sua camiseta fina e leve, exibindo sua barriga sexy e um sutiã cor de vinho.
– está tentando me matar? – perguntei, ofegando por vê-la naquele sutiã.
Bonnie riu, mordeu o lábio e assentiu. Fingi que estava com raiva, mas logo livrei-a daquele sutiã, libertando seus seios da prisão de renda e tecido. Desci minha boca no centro de seu peito, beijando toda a extensão do vale entre seus seios, percorrendo o contorno de seus seios com a língua. Bonnie começou á ficar ofegante, mas eu ainda nem tinha começado, já que ela provocou, ver ter o que merece. Pesei seus dois seios com as minha mãos, Bon mordeu o lábio, esperando pelo momento em que eu escolheria um dos dois para começar. Optei pelo esquerdo, comecei massageando o mamilo, que já estava durinho de excitação. Suguei um pouco, apertando um pouco seu outro seio, mordisquei o mamilo, logo, Bonnie que já estava ofegante, começou á gemer baixinho. Tirei a boca de seu seio, olhei em seu rosto. Bonnie arfava um pouco, seu sorriso mostrava que ela estava gostando, mas eu queria mais que isso, hoje eu faria a Bonnie ser minha. Beijei-a, logo nossas línguas travavam uma batalha dentro de nossas bocas, apalpei as curvas perfeitas de Bonnie enquanto nos beijávamos. Resolvi deixar o cuidado de lado, avancei com a mão pela sua perna, apertando e sentindo a textura de sua pele, macia como seda. Cheguei á sua calcinha, Bonnie mordeu o lábio, prevendo o que iria acontecer. Foi quando ela me surpreendeu, seus dedos apertaram minha bunda, provocando-me. Aquilo foi a gota, arfei e cerrei os dentes. Puxei sua calcinha com força, rasgando o pedaço de renda cor de vinho que guardava a intimidade da minha namorada. Bom arquejou de surpresa, pude sentir sua respiração alterar-se e ficar irregular. Corri meus dedos por toda a extensão de sua vulva, sentindo cada vez que Bonnie retraia-se por prazer.
– você está excitada? – provoquei, dando um meio sorriso.
– estou – gemeu Bonnie, de olhos fechados – e você?
– também estou – respondi, sincero.
Ela abriu os olhos, a cor escura das suas orbes fixaram-se em meu rosto. Minha namorada deu um sorriso travesso, e em um movimento rápido, trocou nossas posições. Ela mordeu o lábio ao ver o volume em minhas calças, abriu o zíper devagar, e tirou a peça, ainda com aquele sorriso safado no rosto.
– posso sentir? – perguntou
– pode – respondi.
Ela sorriu e encarou minha excitação, sua mão delicada e quente agarrou meu membro, fazendo-me arfar com esse simples contato. Minha Bonnie sorriu, depois baixou sua boca lentamente, até encostar no meu pênis. Ela deu um leve beijinho, depois outro, e mais outro, e mais outro, até estar com a parte de cima por inteiro na boca. Arfei, ela riu com meu membro na boca, e começou á suga-lo carinhosamente. Foi aumentando o ritmo, crescendo o número de sugadas, que logo viraram chupadas fortes e intensas. Eu não conseguia aceitar o fato de que a Bonnie estava tão perfeita, eu jamais imaginei essa situação, com ela tão incrível e disciplinada. Por um segundo, eu medi seus talentos, ela não parecia desajeitada ou hesitante um só segundo, sabia perfeitamente o que fazer. Tomei um choque, e se ela não fosse mais virgem? E se outro fez com ela o que eu estava fazendo agora?
Algo interrompeu meus pensamentos, e foi um gemido da Bonnie. Olhei para minha namorada, que parecia completamente surpresa e estupefata com suas próprias ações. Todas as minha duvidas pegaram um foguete para a lua, Bonnie ainda era pura, e por mais sexy que fosse, era apenas uma reação natural de seu corpo.
Fiquei tão feliz que nem dá para descrever, dei um grande sorriso e puxei Bonnie para mim, deitando-a na cama, comigo em cima. Olhei em seus olhos, feliz. Ela riu.
– surpreso? – perguntou
Assenti, ela riu outra vez.
– eu também, confesso – falou, ainda rindo.
Ri outra vez, baixei minha boca em seus lábios, beijando minha namorada. Ela suspirou em meio ao beijo, voltando ao estado apaixonada/inocente de antes, e isso me fez sorrir ao beija-la. Percebi que me sentia á vontade com isso, á vontade tenho Bonnie só para mim, sendo minha, e só minha.
Mas não era hora de pensar nisso, eu precisava avançar, dar um passo á frente. Decidi sair da estaca zero, pude sentir o corpo dela retrair-se no momento em que me posicionei da forma correta. Eu não fazia ideia do que estava fazendo, nem sabia como sabia o que sabia, mas, só sei que sabia, e fazia Bonnie saber disso. Separei nossos lábios, queria ver seu rosto na hora em que eu entrasse nela, queria ver sua expressão no momento em que nosso namoro viraria oficial. Ela parecia um pouco nervosa, fixei meu olhar no seu, colocando toda a intensidade que pude no ato.
– eu te amo – falei.
– eu também te amo – respondeu, dando um sorriso.
Respirei fundo, ela parecia mais calma, pude sentir sua confiança em mim, e soube que ela estava tranquila, e de acordo.
Aconteceu bem devagar, eu não quis pressiona-la. Eu sabia que aquilo doía, ela nunca tinha feito sexo antes, era virgem. Ela parou de respirar no começo, passou á arfar, tentando conter a dor. Diminui a velocidade, deixando-a acostumada com meu órgão genital dentro do dela. Eu nunca senti nada parecido, tipo, eu já sabia que eu amava a Bonnie, já sabia que desejava estar com ela.
Mas, aquilo, o que eu estava sentindo, não dava para ser descrito.
Só sentido.
Percebi que estava dentro dela por completo, minha namorada deixou um gemido escapar, e não era de excitação, era de dor.
– é maior do que eu pensava, e dói bem mais também – ofegou, respirando fundo.
– shiu, calma – falei, acariciando seus cabelos com carinho – já vai passar, eu prometo.
– tão bom – suspirou, fechando os olhos.
Sorri ao ver seu rosto, tão linda, tão minha. Deixei-a acostumar-se por alguns segundos, logo, sua expressão relaxou, e ela respirou fundo. Percebi que era minha deixa, comecei á me mexer, bem devagar, para não machuca-la. Bonnie arfou baixinho, mordendo o lábio. Me movi um pouco mais rápido, ela começou á gemer baixo, ainda de olhos fechados. Apertei seu corpo contra o meu, entrando rápido e por completo dentro dela. Minha namorada ofegou, abriu os olhos e me encarou. Mordi o lábio, sorrindo, e continuei os movimentos, fazendo-a revirar os olhos e ofegar. Encostei minha boca em sua orelha, beijando toda a pele ali presente, dando uma mordida nela.
– está sentindo isso? – perguntei, murmurando em sua orelha – está me sentindo dentro de você?
– Jamie – gemeu, ofegante.
Mordi o lábio, cerrando o maxilar, sentindo o quanto ela estava entregue á mim naquele momento. Meu cuidado evaporou, bati minha boca na dela de forma quase feroz, beijando a garota. Bonnie reagiu ao beijo tão ferozmente quanto eu, e isso me fez ficar louco. Me movimentei com mais força, indo bem fundo, antes de sair de dentro dela. A cada movimento, eu beliscava seu mamilo direito, provocando gemidos nela. Bonnie me beijava, gemia, arfava, e eu ainda estava só começando. Sai por completo de dentro dela, que me olhou, um pouco confusa. Dei uma risada, ela deu um sorriso.
– agora eu vou fazer o que prometi, hoje mais cedo – falei – eu vou te mostrar que não sou mais um garotinho, Bonnie Clark.
Mordi o lábio, e deixei meu lado insano agir.
POV Bonnie.
Assim que ele terminou de pronunciar aquelas palavras, eu senti como se me corpo tivesse virado geleia. Meu namorado me encarou com tal ferocidade, tal desejo, que meu único pensamento foi: “é agora que eu me ferro”. Jamie não hesitou em me beijar, apertando-me contra seu corpo, fazendo-me sentir seu membro duro e quente em minha barriga. Arfei, aquele contato estava me deixando louca, mas, completamente feliz. Mal podendo esperar para tê-lo dentro de mim outra vez, arfei em protesto quando ele não o fez, preferindo me beijar e rir da minha reação.
– alguém está com pressa – falou, sua voz saiu firme e rouca – calma pequena libélula, você já vai ter o que merece.
E com essa fresa, ele quis dizer: “observe enquanto eu te mostro quem manda aqui”. Passei os próximos minutos gemendo e ofegando em contato com seu corpo quente e desnudo. Jamie me fazia ir alem de tudo que eu imaginei um dia, aquilo era bem melhor do que só ficar de beijinhos, ou pensar em como seria. Eu já imaginei isso varias vezes, não sou nenhuma santa, e sei que todas as garotas do mundo, ou, que todas as garotas que um dia tinham sido cidadãs comuns, já tinham cogitado aquela hipótese.
Mas, entre imaginar, e sentir aquilo na vida real, era bem claro para mim, a melhor coisa a se fazer.
Meu namorado não parava de me amar, seus movimentos iam ficando mais fortes e rápidos a cada respiração minha. As cavernas estavam frias, era inverno, mas, o calor que eu estava sentindo, principalmente na região genital, era bem maior do que o frio.
Quando pensei que não podia mais ficar melhor do que aquilo, Jamie decidiu que alem de investir contra meu útero com seu membro copulador, ela também iria lamber e chupar minha saída de leite materno.
– Jay... – gemi, em transe.
– isso, amor – falou, olhando em meus olhos com fogo no olhar – geme meu nome.
– seu pirralho idiota – ofeguei, sorrindo.
Ele riu e me beijou, deixando-me ainda mais sem ar do que já estava. Aquilo já estava me esgotando, as sensações eram tão fortes e intensas que me faziam cogitar fazer aquilo pela vida inteira. Era muito mais do que eu esperava, ou, muito mais do que tudo que já tinha provado até então. Era Jamie, meu amor, o garoto que eu sempre amei, era ele quem me fazia mulher. Ele era meu, e eu era dele.
Beijei-o, engasgada por todos aqueles sentimentos juntos em meu corpo. Nossas línguas encontraram-se no interior de nossas bocas, o beijo quente e intenso desencadeava muitas outras coisas logo abaixo de meu ventre.
Eu o sentia, quente sobre mim. Era quase como duas estações diferentes no ano, ele o verão, eu o inverno. Como fogo e gelo, nos amamos, machucando e curando um ao outro, como se fossemos apenas um ser vivente no ambiente.
Jamie explodiu em seu orgasmo, ao mesmo tempo em que eu explodia no meu, gerando ainda mais paixão, ainda mais vontade de tê-lo ali para o resto da minha vida.
Aí esta a incerteza em que eu vivia, eu não sabia quanto tempo ainda viveríamos, quanto tempo levaria para as almas nos encontrarem, ou o sistema de cavernas ruir e esmagar todos nós.
E, sinceramente, eu não ligava mais para nada. Eu podia morrer agora, não faria diferença. Eu já tinha todo o amor que podia ter, já tinha Jamie em meus braços, sendo meu como nunca antes tinha sido, e como nunca seria de outra.
– eu... te... amo... – consegui dizer, sem ar.
– eu te amo – respondeu, tomando fôlego antes de selar nossos lábios em um beijo.
Não encerrei o beijo, não queria que ele acabasse, ou, que aquele momento resultasse em outro. Eu só queria que aquilo durasse para sempre, queria passar toda a minha vida nos braços dele. Meu Jamie.
Separamos nossos lábios por pura falta de ar, Jamie deu um sorriso terno e depositou um beijo carinhoso e firme em minha testa, como se estivesse assinando um contrato que mudaria toda a sua vida. O que, de fato, era a mais pura verdade.
– eu nunca mais vou te ver como o garotinho que brincava comigo na rua de casa – confessei, sorrindo, depois de alguns segundos.
– vai ver como agora? – perguntou Jamie, sorrindo.
Dei de ombros, ele sorriu, esperando.
– como o cara que me transformou em uma poça de gelatina – falei, mordendo o lábio – eu gostaria de me mexer, se não estivesse exausta.
Ele riu, uma risada deliciosa e aliviada. Olhei em seus olhos, meu namorado ainda estava sobre mim, mesmo depois de termos terminado.
– é por isso que eu te amo, sua louca – falou, sorrindo de forma radiante – minha louca.
Sorri, selei nossos lábios outra vez, puxando-o pela nuca. Jamie encerrou o beijo, dando muitos outros selinhos no canto da minha boca. Eu só conseguia sorrir e morder o lábio, tentando normalizar minha pulsação e minha respiração, alterados pela força que fiz á pouco. Jamie me deu o ultimo selinho antes de deitar-se ao meu lado, puxando-me para seu peito. Deitei a cabeça em seu ombro, respirando fundo, levando seu cheiro maravilhoso para dentro de meus pulmões.
– boa noite – falei.
– boa noite, amor – respondeu.
Sorri, ele beijou minha cabeça. Fechei os olhos, tendo a completa certeza de uma coisa.
Jamie Stryder é o homem da minha vida.
POV Jamie
Ela dormiu, ressonando levemente em meu peito, com um sorriso sereno e encantador no rosto. Acariciei seus cabelos, respirando bem fundo com o alivio que sentia.
– eu te amo, minha Bonnie – sussurrei.
Ela suspirou em seu sono tranquilo, sorri, fechando os olhos. Tive a completa ciência de duas coisas no momento.
Primeira: Bonnie Clark é a mulher da minha vida.
Segunda: Daniel Clark me mataria quando soubesse que eu transei com a garotinha dele.
Ignorei a segunda coisa, rindo internamente. Tanta coisa para pensar, e eu foco em o quão ferrado estaria quando meu cunhado descobrisse.
Não que eu ligasse, era não era o dono da Bonnie, e ela só pertencia á uma pessoa.
Á mim.
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