Notas iniciais
Um pouquinho de choro não me detém, aí está o capítulo.
É um POV do Jake, só avisando...

POV Jake.

Eu ainda não acredito que Daniel se foi, mesmo agora, dois dias depois.

Heather não para de chorar um só segundo, nem tentei consola-la, também estava abalado.

Não consigo aceitar, não consigo suportar outra perda.

Bonnie foi o maior golpe, eu estava muito triste por perde-la, jurei que a encontraria, mas não tinha certeza se conseguiria. Eu gosto muito daquela garota, mesmo achando que ela não sente o mesmo. Ela vivia me dando patadas, era o próprio capeta comigo, mas eu não ligava, gostava mais dela assim. Bonnie era aquela garota dos sonhos de todos, forte, inteligente, linda e focada, perfeita á seu modo. Não consegui deixar de me apaixonar por ela, mesmo tendo a conhecido tão rápido, não sei explicar, foi como se tudo parasse de importar, menos ela. Só existia ela no mundo, eu e eu.

Mas ela se fora, separou-se de nós, deixando para trás, três pessoas perdidinhas por ela.

Mas Daniel sempre controlou bem a situação, era muito inteligente, um líder nato. Eu não me importava de seguir suas ordens, ficava até grato por isso. Não gostava de cuidar de Heather, não gostava de bancar o líder, mesmo quando éramos só nós dois.

É claro que eu amo a minha prima, e estar ao lado dela é a melhor coisa do mundo, mas eu não tinha jeito para coisa, não mesmo.

Antes de tudo isso, eu era o conquistador da escola. As garotas se jogavam aos meus pés aos montes, os caras queriam ser como eu, me invejavam. Mas eu nunca ligava para eles, sempre o egoísta idiota, o pior tipo.

Mas eu mudei, cresci com a chegada das almas, adquiri responsabilidade, e me apaixonei.

Mas isso não importa mais, tinha algo á fazer, uma tarefa á cumprir.

Precisava cuidar de Heather, nos manter vivos, e acima de tudo, achar Bonnie.

Mas precisava me concentrar em algo mais urgente, conseguir fazer a Heather comer.

Peguei o pacote de cereais que roubamos outro dia e estendi para ela, que me ignorou completamente.

- Heather, come – falei.

Ela ficou em silencio, chorando bicas, como sempre. Suspirei e sentei ao seu lado, ela fingiu que eu não estava ali.

- você precisa comer – insisti – vamos, tem dois dias que você não come nada, vai acabar definhando.

Ela continuou com o olhar vidrado, fitando o chão da caverna que usamos como abrigo esta noite.

- Heather, eu sei que está triste, mas encerre essa greve de fome – falei – isso não vai trazê-los de volta.

Ela fungou, seus olhos vermelhos e inchados me fitaram.

- ele disse que me amava – falou, sua voz quase não saia – e se sacrificou por nós.

Respire fundo, o cara era realmente um herói.

- eu sei disso Heather – falei – realmente sei. Mas você tem que comer, por favor, coma.

Ela encarou o chão novamente, novas lagrimas formaram-se em seus olhos. Suspirei e passei meu braço por cima de seus ombros, ela nem tentou se desvencilhar de mim, deitou a cabeça em meu ombro e enterrou o rosto na minha camiseta, chorando e me abraçando com desespero. Respirei fundo, acariciando as costas dela. Heather sempre foi muito sensível, eu sempre tirei chacota dela por isso, chorando quando caia, chorando quando perdia algo que gostava, Daniel, uma delas. Mas eu nunca tinha visto essa garota chorar tanto, nem mesmo quando o cachorrinho dela morreu, era quase doentio ver minha prima assim.

- é tudo culpa minha – resmunguei – eu deixei que o levassem, devia ter ajudado-o.

- não Jake – gaguejou – eu ficaria sozinha, sozinha...

Ela não completou a frase, não precisou. Heather sozinha era impossível, nunca conseguiria sobreviver, digo por experiência própria.

- lembra de como iniciamos nossa dupla? – perguntei, tentando mudar de assunto – você não gostava muito de mim na época.

Ela ficou calada, escutando. Era a minha hora de ser amigo, de ser o ombro.

- eu te achei encolhida no canto da parede do porão da casa da vovó – lembrei – fui lá para pegar um bastão de basebol, nunca imaginei que acharia você lá.

Ela assentiu e fungou, mas continuou abraçada em mim.

- eu pensei mil coisas naquela hora, nem sei se cogitei te deixar sozinha – confessei – eu era uma idiota naqueles tempos, foi bom ter achado você.

- eu teria morrido naquele porão – falou baixinho, sua voz estava frágil, á beira de outra crise – sozinha, não teria saído.

Sorri sem humor algum, sabia que era verdade.

- eu sempre achei que odiaria ficar sozinho com você – confessei – mas, eu to meio que feliz, por ter você. Mesmo nesse mundo louco, nessa situação insana, é bom ter você comigo, minha prima chorona.

Ela fungou e deu uma risadinha frágil, sorri ao ver que estava dando resultado.

- Jake? – chamou

- sim? – respondi

Ela parou de fungar e esticou a cabeça para olhar para mim, parecia desesperadamente necessitada de alguém, alguém com o nome Daniel.

- acha que vamos encontra-lo? – perguntou – ou, encontrar a Bonnie?

Suspirei, ela esperou.

- sim, eu acho – respondi – sabe por que?

Ela negou com a cabeça, sorri e apertei seu ombro.

- porque eu não vou desistir da Bonnie – respondi – e nem do Daniel, somos uma família agora, nós quatro.

Ela sorriu e respirou fundo, bem mais aliviada. Peguei novamente a caixa de cereal e estendi para ela, que me encarou.

- agora coma – falei – ou não terá forças para beijar o Dan quando o acharmos, e eu sei que vai querer fazer isso.

Ela riu baixo, mas enxugou os olhos com as mangas da camisa de linho que pegara da Bonnie e comeu um pouco de cereal.

- essa é a minha garota – falei.

Ela sorriu e continuou comendo, aproveitei para pegar o mapa de Daniel. Não sabia nada de navegação, estava longe de ser o líder que Daniel fora, mas tentaria, pela minha prima.

- acha que conseguiremos chegar aqui? – apontei para um desenho de montanhas, á quase meio mapa de distancia.

Heather franziu as sobrancelhas para o mapa, fazendo seus olhos diminuírem de tamanho, era muito fofo quando ela fazia isso.

- não sei nada sobre isso – confessou – acho que Daniel...

Ela não continuou, sua boca tremeu.

- não chore – falei – vamos achar um jeito, eu prometo.

Ela conseguiu dar um sorriso.

- confio em você – falou

Sorri, ligeiramente surpreso por isso, Heather não era a minha maior fã.

- então, acho que se formos pelo norte, junto á rodovia, vamos achar um hotel – falei, analisando o mapa – não vamos entrar, lógico, mas podemos roubar roupas e comida. O que você acha?

Ela deu de ombros, indiferente. Sorri para tentar anima-la.

- quem sabe não achamos um chuveiro? – falei

Seus olhos se iluminaram, chuveiros eram seu ponto fraco.

- eu topo – falou

- então vamos agora – falei – segundo esse mapa complicado aqui, devem ser dez da noite, de acordo com a lua. Mas eu não sou um perito.

- é um imbecil – comentou.

- ei! – fingi ficar com raiva – fica quietinha ai, chorona.

- imbecil – repetiu.

- chorona – ri – chorona.

Ela riu, foi bom ouvir o som de sua risada, mesmo que rir naquele momento me destruísse por dentro.

- vamos – falei – ou perderemos o elemento surpresa, vai ser difícil arrombar um hotel á luz do dia.

Ela assentiu, arrumei as mochilas e coloquei as três nas costas, não deixaria ela carregar nada alem da bolsa de couro que continham nossas facas, confiava o suficiente nela para deixar que o fizesse.

- mas, aí – comecei – o que viu no capitão América?

Ela revirou os olhos.

- o Dan é perfeito – falou – e é lindo.

Não descreveria ele dessa forma, não sou gay. Daniel era do meu tamanho, tinha cabelos pretos e lisos que a própria Bonnie cortara, tinha olhos azuis, apesar de não ser algo da família, era herança do seu avô, que era holandês, ou polonês, um dos dois.

- vamos dona molenga – zombei – vamos encontrar seu capitão América.

Ela bufou, mas fez o que eu disse. Apaguei a fogueira jogando areia por cima do fogo, a caverna ficou instantaneamente escura e sombria.

- vamos sair daqui – gemeu Heather – eu to ficando com medo.

Olhei para ela, realmente parecia assustada.

- okay senhorita chorona – falei

Ela me xingou em espanhol, nerd.

- cuidado onde pisa – falou – pode tropeçar em sua burrice.

Bufei e sai pelo deserto, a noite estava quente, mas era agradável. Andamos em silencio por algum tempo, era a primeira vez em dois dias que a Heather passava quatro horas completas sem chorar, eu já estava ficando aliviado quando achamos a rodovia.

- daqui é só atravessar e roubar – falei

- chuveiro... – suspirou de forma sonhadora.

Engoli um sorriso e segui em frente, agachei-me perto de uma pedra e peguei o binóculo. Heather sentou ao meu lado, escondendo-se atrás da pedra, para ela era fácil, garota anã.

- tem gente ali – falei

Foquei a visão com o binóculo, era um grupo grande, enchiam uma van e uma caminhonete de caixas e sacolas, um ato um tanto estranho para serem almas. Esperei todos entrarem nos carros, pensei que iria embora, mas a van não queria ligar, e todos tiveram que descer outra vez.

- mais que droga pessoal – resmunguei – andem logo, eu quero roubar o hotel, acham que não tenho nada pra fazer.

Heather riu e revirou os olhos, mordi o lábio inferior e foquei a visão em um casal que estava mais afastado. Não pude ver muita coisa com aquela iluminação (nada, estava de noite), mas pude ver que eram jovens, a garota devia ter a idade da Bonnie, o garoto devia ter a idade próxima da dela. Achei muito familiar a forma que ela olhava para o deserto, como se procurasse alguém.

- Jake, não acha ela muito familiar? – disse Heather

Espremi a vista, a garota deu um passo em direção ao garoto para beija-lo, passou sua mão por trás da nuca dela.

- eu conheço aquele gesto – falei – Bonnie!

Eu teria corrido em direção á ela e arrancado Jamie de seu alcance, teria beijado sua boca e apertado-a até ficarmos velhos, mas Heather me puxou para o chão na hora que o farol da van foi ligado. A luz bateu no binóculo, que era de prata, e o fez brilhar.

- droga! – praguejei

Escondi o binóculo, esperando que ninguém tivesse reparado em um estranho brilho no meio do deserto.

- acha que nos viram? – perguntou Heather

- não sei, o que acha de irmos lá checar? – perguntei

Ela impediu que eu levantasse, bufei de indignação.

- vamos segui-los, não sabemos se eles são humanos – falou.

Droga, a chorona estava certa. Mas era a Bonnie, eu não podia perde-la de vista, de novo.

- eles já estão indo – reparei.

Mas Bonnie não entrou no carro, ela olhava para o deserto, como se soubesse que estávamos ali, esperando por ela.

- ela viu – falei – minha linda, eu to aqui.

Mas Jamie segurou seu braço, tirando sua atenção de nós.

- sempre no meu caminho – resmunguei – seu babaca, eu vi primeiro!

- Jake! – protestou Heather – sem ciúmes!
trinquei os dentes, não estava com ciúmes.

- ela está indo embora! – falei – com o Jamie, vamos atrás deles.

- calado – chiou – quando se trata de garotas vocês garotos ficam tão autoritários, vamos segui-los.

Os carros aceleraram e seguiram a estrada, apressei-me á correr, com Heather em meus calcanhares.

Calma Bon, eu to na sua cola, e não vou deixar você escapar nunca mais.

Notas finais
Prontinhoooooooooooooo, postado.
Algum comentário? Isso me alegra, sabiam?
Música de hoje: http://letras.mus.br/evanescence/1963132/traducao.html
Visitem, vão gostar.
Beijinhos.................