Os Sete Heróis
1 Prólogo
Notas iniciais
“É quando você é colocado à prova que descobre as vantagens de cair.”
Pessoas estranhas começaram a surgir. Estávamos acostumados com a monótona realidade, com os problemas cotidianos, protestos, críticas a sociedade, a violência que tentavam não deixar tão aparente. Até que eles vieram e tomaram toda a atenção. São casos isolados, mais ou menos dois por país. Porém, onde eles aparecem pessoas morrem, e em grande quantidade. Não sei qual nome deram para essas pessoas estranhas, isso passou a não me importar no momento em que presenciei o estrago que elas fazem.
Era festa de natal, minha família estava toda reunida e alegre dentro de casa, menos a boa parte das crianças, que jogavam na rua. Eu era uma delas. Brincava com meus primos e vizinhos, meus pais nos olhavam, se divertindo com a algazarra. Só faltava uma pessoa para tudo ficar perfeito: meu irmão mais velho. Ele passara mal e preferiu ficar com os nossos tios aproveitando a lareira.
Era uma noite feliz.
Mas depois, tudo aconteceu tão rápido quanto um raio. Eu apenas me lembro da casa explodir, do desespero das pessoas em sair de perto com seus familiares, e claro, da cena mais aterrorizante da minha vida: meu irmão levantando dos entulhos, absorvendo o fogo, cada labareda, qualquer coisa quente e brilhante que não fosse luz com o corpo, e especialmente com as mãos.
Ai ele explodiu em chamas e desapareceu. Simples assim.
Em questão de minutos minha família extensa foi reduzida á quase nada.
Era a nossa nova realidade.
Agora algumas pessoas tinham poderes, e elas acabavam com tudo e se destruíam logo em seguida. A partir daquela cena horrorosa que me faz ter pesadelos até hoje, vimos que o mundo nunca mais seria o mesmo.
Na dúvida, eu nunca tive um irmão. Ou avós. Ou tios. Foi o jeito mais fácil de arcar com a dor.
Fale com o autor