Os Sete Amores
6 Storge
Notas iniciais
Storge é o amor fraternal, o afeto compartilhado entre a família; tal amor é considerado o mais natural, emotivo e difundida forma do amor.
Desde que Kyoujurou passou a fazer parte dos caçadores de demônios, Senjurou começou a se sentir muito solitário; mesmo que tivesse seu pai em casa quase que o dia inteiro, o menino sentia que havia uma barreira entre eles. Após seu irmão se tornar um Hashira, a frequência com a qual se encontravam diminuiu, o que apenas deixou o menino mais sozinho, mas ele sabia que seu irmão estava ajudando as pessoas e tinha orgulho do que ele havia se tornado, mas queria mais do que tudo que ele estivesse ali do seu lado. Senjurou poderia estar sendo mimado e egoísta por querer monopolizar seu irmão e querê-lo apenas consigo, mas ele era uma criança que passou por uma perda significativa pequeno: sua mãe. Ele tinha por volta de cinco anos, então tinha poucas memórias da mesma, mas sentia e sabia que ela o amou como apenas uma mãe ama seu filho, e sua existência nunca sumiria de seu coração. No entanto, por causa disso, as coisas começaram a piorar para si; seu pai, em determinado momento, abandonou sua vida como caçador e se tornou recluso, violento e grosseiro, e seu irmão tomou seu lugar como Hashira das Chamas, deixando Senjurou em casa sozinho.
Foi com a ausência de seu irmão que Senjurou notou o quanto o amava e que sentia muito a sua falta, seu carinho, suas demonstrações de afeto. Suas memórias de quando era pequeno após a morte da mãe e que foi Kyoujurou quem assumiu esse papel – em termos sentimentais. Lembrava quando tinha um pesadelo e ia até o quarto do irmão soluçando e ele deixava que dormisse consigo e afirmava que, do seu lado, Senjurou não teria pesadelos, e de fato não tinha. Lembrava quando tinha dificuldade em treinar com a espada e Kyoujurou segurava suas mãos e ajeitava sua postura, ditando lições com uma voz suave e gentil; ele era um ótimo professor que tinha um claro entusiasmo em ensinar. Recordava-se que, após a morte da mãe, Kyoujurou se dedicou a cozinha, mas provou-se um desastre, então Senjurou assumiu esse cargo e amava quando seu aniue oferecia ajuda para qualquer coisa, mas ele não tinha a mesma destreza para descascar uma batata da mesma forma que fatiava os bambus no treinamento, mas ainda era doce vê-lo tentar.
Kyoujurou sempre se dedicou a ser o melhor apoio para Senjurou, o melhor irmão mais velho que poderia, nunca deixando de dizer como o amava e que iria cuidar dele para sempre. Ele lhe fez essa promessa, mas não sabia se ele era capaz de mantê-la; a vida de um caçador era arriscada, e a de um Hashira mais ainda, e mesmo que soubesse que o irmão era forte, toda noite rezava para que ele pudesse viver mais um dia e ficava alguns minutos do lado de fora da residência esperando por um corvo, na expectativa de receber uma carta de Kyoujurou dizendo que iria voltar e que estava animado pela janta preparada por Senjurou. Alguns dias ele simplesmente esperava demais e outros desistia nos primeiros instantes; não queria incomodar seu irmão mandando uma carta perguntando onde ou como ele estava, mas Senjurou só queria atenção que não ganhava mais do pai. No lugar das antigas demonstrações de carinho do mais velho, recebia xingos e grosseria, isso quando não era agredido e escondia isso de Kyoujurou.
Senjurou suspirou enquanto estendia as roupas no varal; as vezes seu pai aparecia com uma pilha de vestes que acumulava em seu quarto e só depois lembrava de sua existência e mandava Senjurou lavar tudo de uma vez, era irritante. Ele bufou ao pegar uma yukata do pai quando de repente tudo ficou escuro, grandes mãos ásperas cobrindo seus olhos. Sua primeira reação foi soltar a roupa e dar uma cotovelada nas costelas de seja lá quem fosse – só pelas mãos conseguia dizer que nunca conseguiria puxar a pessoa contra si e girá-la por seu corpo pequeno. Seu ataque pareceu eficaz, já que a pessoa atrás de si gemeu e largou seu rosto, mas quando o menino se virou, notou que era ninguém mais do que Kyoujurou, que o olhava com uma feição entre o dolorido, surpreso e risonho, estando sem graça.
— Minha nossa, aniue, me desculpe! – O Rengoku mais novo se apressou a se desculpar com o mais velho, que riu e massageou a área atingida.
— Está tudo bem, eu apenas fiquei surpreso, não imaginei ser atingindo quando queria te fazer uma surpresa eu mesmo, meu erro, haha!! – Ele riu alto e bagunçou os cabelos de seu irmãozinho. – Tadaima Senjurou! – Ele abriu os braços para o menor, que apertou os lábios e prendeu as lágrimas.
— Okaeri aniue. – Senjurou o abraçou com força e engoliu o choro, mas era compreensível; fazia mais de um mês que não tinha notícias de Kyoujurou e temia que a que recebesse fosse dizendo que ele estava morto.
— O pai te fez lavar uma pilha de roupas de novo? Que cretino! – Seu irmão fechou a cara, mas depois sorriu. – Eu te ajudo com isso!! Quatro braços trabalham mais do que dois, não é? – O mais velho dobrou as mangas do uniforme até os cotovelos e pegou um cobertor.
Senjurou sorriu e o acompanhou, pegando algumas roupas no cesto e colocando no varal de bambu enquanto Kyoujurou comentava os acontecimentos que havia passado e como estava morrendo de saudades suas e que se apressou em retornar para casa depois de cumprir suas missões. Senjurou sentia-se amado quando o irmão falava doces palavras para si, e as vezes, apenas um olhar já demonstrava como seu irmão se importava consigo e que isso nunca mudaria, não importava a distância entre eles.
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