Os Sete Amores
1 Philautia
Notas iniciais
Eu finalmente cheguei com minha primeira história desse ano e uma short-fic com capítulos curtinhos sobre os amores gregos porque sim.
Acho o conceito muito meigo e precisava escrever algo sobre. Além disso, escrevi sobre personagens que não havia escrito até então e espero que gostem.
A história está postada no Spirit também e cada capítulo será postado de dia em dia até o final.
Boa leitura.
Philautia é o amor próprio, o primeiro e mais importante de todos; sem amor próprio, é impossível amar a qualquer outra pessoa.
Zenitsu se odiava, ele não tinha mais quase nenhum vestígio de amor próprio. Desde pequeno ele sentia uma autopiedade gigantesca, se odiando por ter nascido “daquela forma”. Tendo ficado órfão novo, com uma audição afiada e sendo um grande medroso chorão, as pessoas ao seu redor praticamente o ignoravam e ele passou a fazer o mesmo com seus próprios sentimentos. “Se eu morrer hoje, ninguém irá ligar”, não era incomum ele pensar coisas assim a seu respeito. Quando o antigo Hashira do Trovão, Kuwajima Jigoro – ou “vovô” – o resgatou e passou a treiná-lo como seu aprendiz para ser seu sucessor, Zenitsu entendeu e pode sentir pela primeira vez o que era ser amado e querido por alguém; mesmo querendo desistir de tudo e tentando fugir, seu mestre nunca desistiu de si, e por isso ele não iria fazer o mesmo, entretanto não conseguia aprender nada que o velho ensinava e só conseguia usar a primeira forma da respiração.
Kaigaku vivia lhe humilhando e dizendo verdades cruas a seu respeito na sua cara enquanto jogava pêssegos mordidos em seu rosto; Zenitsu odiava ter que concordar com seu colega, o que deveria ser seu primeiro amigo, alguém que seria o sucessor de seu mestre estando em um nível acima do seu. Quando estava perto da Seleção Final, Zenitsu se acovardou e tentou não ir; Kaigaku já havia ido no teste passado e agora era um caçador, mas Zenitsu tinha medo dos demônios e não queria participar da seleção, mas seu mestre o forçou, entretanto, lhe desejou boa sorte e que tomasse cuidado e voltasse vivo para si – nunca esqueceria aquela demonstração de carinho do outro. Ao que sobreviveu á seleção e se tornou um caçador, teve de partir sozinho sem seu mestre, o que piorou sua autoestima e qualquer chance de voltar a tentar se amar; queria se apaixonar por uma garota, se casar e ter filhos antes de morrer, pois sentia que, se não deixasse algo seu no mundo, iria sentir que sua própria existência não teve nenhum significado.
Quando achou que estava no fundo do poço, que nada mais iria preencher seu coração com algum tipo de sentimento de carinho, ele conheceu aquelas pessoas. Primeiro foi Tanjirou quem lhe permitiu escutar o som mais gentil que pode ouvir, depois veio Nezuko por quem se apaixonou perdidamente de uma forma sincera dessa vez, depois foi Inosuke que, mesmo com todos os problemas sobre sua personalidade, era de fato um bom amigo. Os três claramente possuíam um grande amor próprio, pois amavam uns aos outros de forma genuína e muito honesta, e também mostravam amar Zenitsu com mesma intensidade. O loiro era um amigo precioso para eles, e era amado por eles.
Antes mesmo que percebesse, Zenitsu deixou de sentir pena de si mesmo, de se diminuir, de achar que não tem valor. Era grato as pessoas que conheceu, especialmente seus amigos, por terem aberto seus olhos para ver dentro de si, que deveria se amar ou não poderia retribuir o carinho que recebia de forma honesta. Mesmo que o processo de passar a se amar não fosse algo simples ou rápido, muito menos fácil, Zenitsu iria fazer o máximo que pudesse para reconhecer em si mesmo suas qualidades e pontos fortes; iria ser alguém capaz de se amar e assim amar os outros.
— Zenitsu, tudo bem contigo? Está encarando o céu já faz um tempo. – O loiro virou o rosto ao escutar a gentil e preocupada voz de Tanjirou.
— Uhum tá tudo bem. Eu apenas...estava pensando um pouco. – Ele sorri levemente e volta seu olhar para o límpido céu.
— Monitsu, se pensar demais vai fritar a cabeça. – Ouviu Inosuke falar rindo de si, o fazendo encarar o rapaz com descaso.
— Não me compare a você porco.
Ao lado de Inosuke estava Nezuko, que o encarou e pareceu sorrir, o fazendo se sentir mole pela beleza da menina.
De fato, Zenitsu era agradecido por ter amigos tão bons, do contrário não conseguiria se amar como estava passando a fazer. Ainda tinha muito caminho a percorrer, mas tendo eles ao seu lado, Zenitsu nunca mais iria se odiar.
Notas finais
O próximo capítulo sairá amanhã e spoiler: irá retratar o Muzan.
Obrigado para quem leu.
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