Os Sete Amores
4 Eros
Notas iniciais
Eros é o tipo de amor relacionado com o conceito de romance, paixão e desejo; esse tipo de amor consome completamente e desafia qualquer tipo de lógica.
Hakuji não se sentia merecedor de tudo o que tinha e que não tinha o direito de se apaixonar por Koyuki, mas seu coração escolheu a doce moça para amar; não havia nada mais a ser feito. O pai da moça, Keizo, também havia feito muito por si e não seria quem é caso não tivesse, bem, levado uma surra dele. Keizo o acolheu e lhe deu uma nova vida, um lugar para chamar de seu e um objetivo para conquistar na vida, seja lá qual fosse que iria apoiar o rapaz. Keizo pediu para que Hakuji tomasse conta de sua filha enquanto o ensinava o caminho certo do Soryu e que deveria usar seu corpo forte para ajudar e proteger as pessoas, e Koyuki era uma companhia que sempre estava ao seu lado e tinha um coração gentil para consigo, mesmo que fosse um criminoso e tinha as marcas para provar isso, no entanto, a garota nunca o julgou e lhe tratava de uma forma amigável; Hakuji não sentia que poderia ter aquelas gentilezas oferecidas a si por aquele pai e filha. Mas ele aceitou, e ficou honrado de ser considerado como alguém importante para Keizo e Koyuki.
E por isso que, quando ele finalmente se resolveu com seus próprios demônios internos e gigantescas inseguranças, ele aceitou seu amor por Koyuki, e o amor que ela revelou possui por si e ter a benção de Keizo – que lhe ofereceu a liderança do dojo e a mão da menina, Hakuji sentiu-se imensamente grato aos céus por ter entrado no caminho daquelas pessoas maravilhosas. Todas as noites ele agradecia ter lutado contra Keizo, do contrário, nunca teria conhecido Koyuki. E como amava sua noiva, sua amada, sua vida. A moça estava mais saudável agora do que foi em toda sua vida, e isso aquecia o coração de seu pai e de Hakuji por saber que ela poderia nunca ter se levantado daquela forma e andar pelo dojo se não tivesse alguém para tomar conta de si; sim, ele tinha orgulho por ter sido essa pessoa. Ele gostava de observar sua amada andar com as próprias pernas sem qualquer auxílio pelos caminhos de pedra durante a manhã para ir até o portão de madeira e o abrir, querendo se exercitar de uma forma que ajudasse seus fracos músculos a se desenvolverem, e Hakuji se orgulhava da força de vontade de Koyuki de viver e se tornar mais forte a cada dia.
Mas mesmo que ela já pudesse se manter de pé sem problemas, nem tivesse uma respiração ofegante, ele ainda gostava bastante de pegá-la em seus braços como uma princesa, dizendo que era capaz de segurar o mundo em mãos, e Koyuki sempre ficava vermelha com essa atitude do noivo, mas secretamente amava quando ele fazia seus pés saírem do chão – seja figurativamente ou literalmente, pois os beijos suaves que trocavam vez ou outra fazia a jovem acreditar que era mais leve que o ar e que flutuava acima do chão. Para dizer a verdade, Koyuki amava todos os momentos que passava junto de Hakuji, ou quando apenas estavam no mesmo ambiente. A moça apreciava quando seu noivo lhe ajudava a fazer o penteado pela manhã e escovar seus cabelos antes de dormir, assim como sentia-se alegre em vê-lo treinando arduamente e focado com seu pai; seu amor por aquele homem crescia a cada momento, cada toque, cada palavra proferida por seu amado para sua pessoa. Sentia que, junto a ele, poderia viver pela eternidade e que era capaz de tudo, e Hakuji sentia o mesmo.
Keizo, vendo sua filha e praticamente genro se envolvendo daquela forma o fazia lembrar de quando conheceu sua esposa – mãe de Koyuki – e como eles eram fortemente apaixonados, tal como os dois jovens eram naquele momento. Reconhecia aquele amor latente, grandioso, que tomava conta dos corpos e que nada poderia abalar – ou quase nada. Ele sabia que juntá-los foi o melhor, mas mesmo que não tivesse o feito, sabia que Koyuki e Hakuji se amavam a tempos, e que seria questão de tempo até que o romance viesse à tona, e Keizo aceitaria essa união com prazer; ver sua filha feliz ao lado de quem ama era seu maior orgulho. E com o casamento se aproximando, tinha certeza de que eles seriam felizes juntos.
— Deixa eu ver...como se faz manju mesmo? – Koyuki murmurava consigo mesma na cozinha, usando um avental e com ingredientes sob a mesa, tentando lembrar de uma simples receita.
— Você sabe que precisa fazer a massa e o doce de feijão separados e não juntos, né? – A voz de Hakuji assustou a moça, que deu um pulo e se virou rapidamente para o noivo.
— Como sabe que eu ia fazer eles juntos? – Perguntou após recuperar o fôlego do susto.
— Porque está tudo bagunçado. – Ele disse vendo a desorganização dos ingredientes na mesa e não pode deixar de rir. Koyuki lhe deu um tapinha no braço mas riu também.
— Quero fazer para o pai. Quer me ajudar? – Os olhos róseos delicados miraram os azulados; Hakuji sentia que estava entrando em um turbilhão de flores de cerejeiras, e era lindo.
— Claro. Eu faço a massa e você o doce de feijão. Feito? – Ele beijou a testa da noiva que sorriu e, se pondo na ponta dos pés, selou os lábios em um delicado e apaixonado selinho.
— Feito.
O romance dos jovens era tão forte que sentiam que tal ardência de paixão não iria diminuir nem mesmo quando fossem velhos. Um amava o outro de forma que nunca amaram – romanticamente – outra pessoa, e futuramente trocariam seus votos; a morte poderia leva-los, mas seu amor nunca morreria.
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