Os Segredos dos Seus Braços
12 Uma nova perspectiva da mesma vida
Notas iniciais
Eu estava tão tão tão brava e deprimida (?) por que recebi a noticia de que terei aula nesse sábado e nesse domingo.
Nao, você nao leu errado.
Mas aíii, eu ví a recomendação que a fofisssssssima Queen Jane deixou pra fic e fiquei tipo IUUUUUUUUPPPPPPPIIII (pegando isso da Sill-Cullen, skapskapsk)
Então, queria falar MUITOOOOO OBRIGADA para a Jane, ameiii tudo o que você disse sobre a fic e foi bom saber que todas as caracteristicas (drama, romance, comedia e misterio) que eu queria passar na fic, consegui *___*. Obrigada fofa, de verdade.
E quanto ao capitulo, espero que gostem!!!
Boa leitura!
Cap. 12-Uma nova perspectiva da mesma vida
Biloxi, Mississipi
Noite de Domingo de 1901
O quarto da mansão Witlock fora tomado por uma vibração desconhecida no momento em que Jasper deixara absolutamente todos os seus pensamentos de lado e deixava-se ser guiado pelos instintos incontroláveis.
Sem que pensasse, ele rodeou seu braço na cintura de Alice quando pressionou seus lábios com força sobre os dela, praguejando a necessidade em que se encontrava, pois não podia ser mais gentil do que aquilo.
Fora como se seu corpo houvesse sido jogado em uma fornalha, pois automaticamente tudo nele estava em chamas. Como música cantada docemente para seus ouvidos, ele a escutou suspirar vistosamente entre suas bocas, um som profundo e cheio de significados.
Ele sentiu-se altamente satisfeito com o que via acontecer com ela.
Alice fizera um delicioso som com a garganta, muito parecido com um gemido contido, Jasper presumiu. Ele precisou fortalecer seu braço em torno dela, pois sentiu o momento em que ela esteve a ponto de cair.
Quando ele notara, uma das mãos dela segurara em seu ombro timidamente e, mesmo que mais tarde ela dissesse que teria sido para se apoiar, ele sabia que não faria sentido. Ela estava tocando-o.
E isso o incentivou a puxá-la levemente mais para perto de seu corpo.
Mas ele sabia que o que estava fazendo o perturbaria, mais tarde. Pois, por mais que seus lábios estivessem em um contato tão intimo com os dela, massageando-os de uma forma ansiosa, ele já encontrava-se absolutamente tentado a fazer daquilo algo muito maior.
O beijo dela era tal como ele imaginara. Doce, macio, quente. Era como sentir a textura de uma bela e vistosa cereja e ansiar em passar-lhe a língua e sentir ainda mais seu gosto. Com esse pensamento, fora a vez de Jasper segurar um gemido na garganta, pois, ainda que a estivesse beijando naquele exato momento, não parecia lhe ser suficiente.
Se soubesse que sentiria tudo aquilo, teria feito, naquele altar, algo realmente digno.
Mas, de repente, depois de tanto tempo sentindo a boca dele sobre a sua, degustando-a com certo cuidado, como se tivesse receio em assustá-la, Alice separou-se dele bruscamente. Deus a ajudasse, ela precisava de equilíbrio.
E ar.
Ela o olhou chocada, porém os olhos castanhos mais vivos do que nunca. Era impossível todas as suas veias estarem em choque? Pois era exatamente assim que se encontravam.
Ela buscou ar sem nenhuma cerimônia, a apenas algumas passadas dele.
Algumas passadas de poder fazer aquilo outra vez.
Alice estremeceu ligeiramente quando notou a mesma leve falta de ar dele. Seus olhos estavam tão desconhecidos para ela, que ela quase lhe chamou o nome. Mas estava estupefata demais para tal ato. Jamais pensara que o toque da boca dele em sua própria lhe roubaria tanto as forças já fracas.
Fora muito maior do que ela sentira na igreja. Muito maior do que a fraca sensação que sentira com Alec.
Não, o beijo que Jasper acabara de lhe dar era uma novidade tão estranha quanto viciante.
Jasper engoliu em seco, frustrado. Quase resmungou algo não muito educado por ela ter se afastado assim, tão de repente. Porém, ele estava exultado, quase extasiado, e nem se importou.
Ela também suspirara por ele.
Fora automático Jasper começar a fazer comparações. O suspiro dela para com ele fora muito mais significativo, mais intenso e mais admirável, quase belo.
Um belo suspiro.
E ela não havia o afastado, como com a Alec. Ao contrario, havia perdido o poder nas pernas, tanto que ele próprio tivera que segurar mais fortemente sua cintura fina e curvilínea.
Mas ela continuava a olhá-lo assustada e Jasper gostaria de poder ler seus difusos pensamentos. Ela parecia desnorteada e ele se segurou fortemente para não perguntar se ela havia gostado.
Será que toda aquela perplexidade dela seria por causa de uma possível rejeição? Ela não havia apreciado seu beijo rápido e simplório? Aquilo não fazia sentido, pois todos os sinais dela eram positivos.
Inclusive o tocar em seu ombro.
Jasper analisou firmemente suas ações, enquanto ela mantinha-se seguramente um pouco afastada dele. Ele mal havia desencostado seus lábios dos dela e já estava louco para fazer de novo.
Mas ela ainda estava chocada demais para, dessa vez, apreciar qualquer coisa.
E era exatamente isso que ela estava admitindo a ela mesma: Ela era uma maldita confusão. Não deveria ter sentido tudo o que sentiu com o repentino beijo dele. Não deveria ter desejado que ele fizesse outra vez.
Na verdade, ela não deveria estar enxergando seu irritante marido da forma como estava.
Ela ainda o odiava, oras.
Jasper percebera o exato momento em que a expressão dela tornara-se distante demais, um tanto retraída e armada.
Outra vez.
Diante disso, ele obrigou-se a se manter afastado, tentando transparecer a ela a mesma postura. Mas por dentro, havia prometido a si mesmo que haveria outra vez.
Mas não sentiu necessidade de dizer isso a ela.
_ Não deveria ter feito isso – ela fora a primeira a falar, sua voz falhada, mas seus olhos direcionados a ele de forma fixa.
Jasper ocultou um sorriso. Era quase um milagre a historia de seu pai ter saído tão repentinamente de sua cabeça. E a de Alec também.
“Pois meu suspiro fora muito melhor”, ele pensou como um garoto.
_ Sinto muito – disse ele, glorioso em sua tentativa de deixar a voz absolutamente normal — Foi um impulso.
Alice assentiu mecanicamente, lembrando a si mesma que ele apenas faria aquilo movido por impulsos, mesmo. Ela passou a língua nos lábios secos, incomodada.
Mas aquilo fora pior, pois sua boca ainda tinha o gosto da dele.
E ela passou de novo.
_ E, quanto ao assunto anterior ao... hãn... – ele perdeu momentaneamente as palavras. Era tão difícil dizer beijo para ela? Bom, se tratando de Alice e da antiga relação que eles tinham, era – Enfim, eu irei me trocar – continuou ele, antes que parecesse um lesado – E quando eu retornar, espero encontrá-la aqui – suas palavras eram quase de ordem, pois estava, definitivamente, engajado em esclarecer tudo aquilo.
E não fazê-la mais chorar por causa dele.
_ E se eu não estiver? – ela retrucou petulantemente, lembrando-o mais uma vez que detestava que mandassem nela.
Mas Jasper já estava preparado para ela. A partir daquele dia, sempre estaria.
_ Eu a buscarei até no inferno se não estiver aqui – disse seriamente antes de se dirigir para o armário.
E Alice ficou exatamente onde estava.
~•~•#•~•~
_ Sente-se – pediu Jasper calmamente, já devidamente acomodado na cadeira da mesa de jantar. A casa toda estava em um silencio mortal e apenas os dois estavam naquele cômodo, enquanto as diversas velas acesas davam um ar um tanto sombrio.
_ Para que? – Alice indagou, ainda com os braços cruzados sobre o peito, desconfiada demais do comportamento de seu imprevisível marido.
_Alice, apenas sente-se – Jasper suspirou segurando um sorriso. Mas Alice continuara de pé, certamente se perguntando o que ele pretendia – Deus, você adora que eu tome medidas drásticas, não é?
Alice deu um passo para trás, já vacinada, lembrando-se da cadeira da varanda na ultima vez.
_ Não se aproxime de mim – murmurou falhamente. Deus, o que mais odiava em Jasper era fazê-la, apenas com sua presença, ficar desnorteada.
_ È isso que eu farei se você não se sentar – ele ameaçou indicando, novamente, a cadeira à frente da dele para que ela se sentasse.
Alice bufou, depositando as mãos perplexadas na cintura.
_ E você é bem capaz disso, não é?
_ Não crie duvidas – ele sorriu antes de apontar a cadeira pela ultima vez, em suas contas. A próxima, a pegaria no colo e a sentaria naquela maldita cadeira ele mesmo – Agora sente-se.
_ Você...você vai... – Alice engoliu em seco. Não sabia por que diabos não conseguia falar aquilo — ... vai pedir o desquite, não é mesmo? – perguntou com uma dificuldade arrasadora. Mas tentou deixar parecer que aquilo não a afetava, realmente.
Mas estava enganando a si mesma.
Jasper fechou a expressão por alguns segundos depois de ela ter dito aquilo.
_ Pare de dizer bobagens – retorquiu ele, mal humorado, de repente.
E isso a deixara confusa. Se ele não iria falar sobre querer se desquitar dela, sobre o que ele pretendia falar com tanta seriedade e pressa?
_ Estou confusa.
Jasper levantou-se de sua cadeira vagarosamente, rodeando a mesa até parar frente a ela.
Era como uma desculpa para se aproximar dela, pois era algo de que ele não conseguia evitar.
_ Decidi que precisamos tentar fazer esse casamento algo menos terrível do que ele estava se tornando – Alice não se convenceu, mas pensou ter sentido uma descarga pesada nele, algo muito parecido com culpa. Ela o encarou por um tempo que não fez idéia, enquanto ele fazia o mesmo — Podemos começar conversando.
_ Conversar... – ela repetiu para ela mesma, gostando daquela solução. A quanto tempo não conversava com ele? Bom, talvez jamais houvera conversado com ele, afinal de contas.
_Isso, minha cara, conversar. Mas para isso eu preciso que você sente – ele puxou a cadeira para que ela se sentasse, não lhe dando alternativas.
Alice suspirou antes de se render e sentar. O viu voltar para sua cadeira bem à frente dela.
Quando ele enfim sentou-se, ele lhe pediu para descrever o que ela mais detestava nele.
_ Você é grosso – ela respondeu quase que de imediato, mesmo que achasse tudo aquilo absurdo demais.
Jasper se remexeu em sua cadeira, ocultando uma careta irritada.
_ E você é rude – ele resmungou de qualquer jeito diante da acusação dela, mas não esperava que ela escutasse, realmente.
_Não como você, pois o Sr. debocha de tudo o que eu falo! – ela retrucou, exasperada. O vento que batia na janela mal estava sendo percebido por ambos, enquanto os ânimos dentro daquela sala de jantar começava a ficar tenso.
_ Oras, pois você fala muita besteira, o que quer? – Jasper batera levemente as mãos na mesa de madeira talhada, odiando a forma como ela o via.
Se falassem em grosserias, nenhum dos dois era muito civilizado.
Alice sentiu as bochechas esquentarem, corando tamanha sua exasperação.
_ Está vendo só? – ela indagou, apontando desdenhosamente para ele com a cabeça – Você é tremendamente grosseiro!
_ Você que é metida, fresca e irritantemente sensível! – ele cobriu o tom agudo dela com sua indignação grave.
Fora a vez de Alice bater as mãos na mesa.
_ O que!?
Jasper a fitou, pronto para cortá-la novamente. Mas parou ao perceber o que estava acontecendo. Com um suspirou ele controlou a voz outra vez o melhor que pôde, apoiando os cotovelos na mesa.
_ Certamente isso não está dando certo – resmungou ele enquanto Alice cruzou os braços sobre o peito, irritada – Alice, diga-me o que eu faço que lhe incomoda – pediu ele a fim de recomeçarem.
Ele precisava ter aquela conversa com ela.
_ Quer dizer, além de ser rude e grosseiro? – ela retrucou, carrancuda, sem realmente olhar para ele bem à sua frente. Não sabia por que, mas queria muito ficar irritada com ele.
E se o olhasse, sabia que irritação era a ultima coisa que sentiria.
Jasper a olhou seriamente, abandonando o bom humor e qualquer outro traço diferente do sério.
_ Estou falando sério, querida – pediu calmamente e, então, tão rápido quanto um assopro, os dois pararam abruptamente.
O que havia dito?
_ O que você disse? – ela indagou, de repente mais interessada na conversa do que ele pôde acompanhar.
Jasper corou levemente enquanto Alice o estava fitando, completamente desestabilizada.
Ela descruzou os braços do peito, fixa em Jasper e em sua boca, caso ele repetisse o que dissera.
_ Nada – ele murmurou, realmente incomodado. A ultima vez que havia chamado alguém de querida assim, naturalmente, sem ironias ou segundas intenções, fora aos 13 anos.
Então, fazia algumas horas.
Alice ocultou um sorriso esquisito que ela não quis esconder, realmente. Mas o momento não era de sorrisos nem de brigas. O olhar de Jasper e seu tom, naquele momento, deixava aquilo serio.
E, tão logo, Alice se viu motivada, assim como aparentemente ele estava, a terem uma conversa séria. Deviam esclarecer tudo. Deviam fazer daquela historia algo melhor.
Ambos pareciam sempre querer a mesma coisa, ela percebera.
Ela olhou para o centro da mesa, pois não conseguiria dizer o que realmente sentia se ficasse fixada nos detalhes do rosto perfeito dele.
_ Você é indiferente – ela admitiu em um tom ressentido. Pensar em Jasper daquela maneira a fazia ter vontade de chorar feito uma criança. Ela sempre fora forte com indiferenças e friezas. Mas Jasper chegara para embaralhar sua mente – E, às vezes, é meio frio, meio ríspido – sua voz estava baixa, como se, em seu inconsciente, ela tivesse medo de usar palavras muito duras com ele, para não machucá-lo de alguma forma – Parece que pouco se importa se eu estou bem ou em como passei meu dia – depois de muito remexer na barra de sua manga, ela finalmente levantou os olhos para encará-lo, um peso do tamanho daquela mesa de jantar machucando seu peito – Isso... isso é muito impactante pra mim, eu nunca passei por isso – ela umedeceu os lábios e a todo momento temeu começar a chorar – Eu tinha muita...atenção, antes. As pessoas se importavam comigo...
Jasper olhava absorto, vendo Alice expressar aqueles tipos de sentimentos pela primeira vez desde que se casara com aquela encrenqueira, teimosa e absurdamente bela moça dos olhos castanhos mais vivos que ele já encontrara.
Eles transpareciam tudo o que ela sentia por ali.
E, encantado com a beleza que via, ele não parou para pensar em suas palavras.
_ Eu me importo com você – afirmou ele convictamente. Era estranho admitir aquilo, afinal de contas. Eram muito poucas as pessoas com quem ele se importava e, definitivamente, era uma grande surpresa ele ter tanta certeza que sentia aquilo por ela – Sinto que não tenha sido explicito o bastante.
Alice esqueceu qualquer coisa pelos segundos que aquelas palavras flutuaram pelo ambiente. Jasper...se importando com ela? Ela tentou pensar mais racionalmente, pois Jasper a odiava.
Ninguém se importa com quem odeia.
Mas... ele falara com tanta convicção que ela não precisou esforçar-se muito para acreditar.
Acreditava.
Algo dentro dela tornou-se um gostoso reboliço que a fez sorriu fracamente. Mas logo seu sorriso sumiu quando percebera que a expressão dele não se suavizava.
Ele parecia um tanto perturbado.
_ O que foi? – ela perguntou baixo.
_ Meu pai sempre se esforçou muito para ser um bom vendedor de café – ele começou dizendo. Parecia estar mais com ressentimento do que com qualquer outra coisa – Não o culpo, na realidade. Ele apenas queria dar o melhor para mim e para minha mãe – Jasper passou a mão impacientemente no queixo, remexendo em sua barba, que já começava a querer aparecer. Ele ficava mortalmente sensual com aquela barba rala, Alice pensou. Mas balançou a cabeça antes que não conseguisse mais prestar atenção no que ele dizia – Mas ele ficou muito obcecado com trabalho, Alice – ele pareceu lamentar um pouco, certamente lembrando-se de alguma coisa – Então, ele sempre foi um tanto distante, frio, às vezes autoritário demais, ríspido demais...mal humorado demais – Jasper fez uma careta antes de voltar a olhar para ela – Eu não me importava muito, para dizer-lhe a verdade – deu de ombros – Pois eu ainda tinha minha mãe. Completamente o oposto dele, devo ressaltar – ele riu um pouco, os olhos brilhando levemente, a voz tomando uma postura mais carinhosa, o que encantou Alice — Mas então ela ficara doente e acabou por morrer.
Ele se calou por alguns segundos, claramente tentando ser forte o suficiente para não demonstrar nenhum sinal de emoção forte demais. Alice quase revirou os olhos, odiando aquela característica nos homens.
_ Eu sinto muito por ela. Ela deveria ser um mar de bondade, não? – ela sorriu um pouco, incentivando-o a continuar.
Jasper sorriu muito fracamente.
_ Sim, ela era – disse – Mas não é exatamente sobre a perfeição da Sra. minha mãe essa conversa, então... – mudara rapidamente de assunto, voltando a falar serio – Desde então eu fui criado por meu pai. Dessa exata forma... fria e distante – concluiu ele. Aquele era o ápice de onde ele queria chegar. Ele olhou para ela com uma intensidade que a intimidou, antes de prender sua concentração – A maneira como certas vezes eu estava lhe tratando, Alice, foi a maneira que eu fui tratado quase que a vida inteira. Eu me tornei um pouco como ele, eu deduzo. Na verdade, os homens que mexem com negócios são, em sua maioria, desta maneira – Alice assentiu, surpresa. Vendo naquele momento, aquilo parecia tão certo, tao...óbvio, que ela até sentira vergonha. Deveria ter deduzido aquilo, afinal de contas.
Nada era, no fundo, culpa de Jasper.
Pelo contrario, ele até mesmo parecia sentir muito remorso daquela realidade. Ela sentiu um aperto no peito tão incômodo ao vê-lo com aquela expressão que quase pegou sua mão entre as suas próprias.
Mas conseguiu conter-se no momento em que ele voltara a falar.
_ Era exatamente por esse motivo que eu não queria ser um homem de negócios – continuou ele, parecendo distante – Meu pai quer que eu seja bom como ele. Mas eu sei que isso não vai acontecer. Também sei que ele sabe disso, e isso o frustra.
Alice abriu a boca para dizer a ele para mandar seu pai plantar café no inferno, se fosse preciso. Mas Jasper continuou e ela calou-se de imediato.
_ Mas eu estou mais do que motivado a não ter uma vida como a dele. Nem meu casamento será como o dele – murmurou ele, não conseguindo mais olhar para ela – Pois minha mulher não chorará mais por mim.
Alice ficou muda, de repente. Ele não parecera ter dito aquilo exatamente para ela, e sim para si mesmo. Ela ficou sem jeito pelas revelações que ele estava lhe fazendo, pois ele acabava de dizer que o casamento de seus pais fora como uma enorme pedra de gelo.
Mesmo que existisse amor entre eles.
Alice estremeceu levemente ao pensar que o seu casamento teria tido o mesmo rumo triste.
E ainda sem a parte do amor.
_ Então, me desculpe quando eu fui grosseiro – disse ele por fim.
Alice ficou tão surpresa com seu singelo pedido de desculpas que quase riu. Jamais pensara que ele pediria desculpas a ela algum dia, mesmo que estivesse precisando de um de seus pulmões para viver.
Nunca.
Enquanto ele a observava, um tanto ansioso, ela não pensou em nada tocante o suficiente para dizer à ele.
_ Tudo bem — balbuciou, antes de sorriu – Tudo bem, Jasper.
Ele também lhe sorriu, parecendo mais sereno do que ela lembrava. Pelo menos nas ultimas semanas até ali.
Fizeram um pequeno intervalo em silencio, ambos degustando do clima gostoso que começou a se formar. Ela tinha que admitir que, depois do inesperado e eletrizante beijo que ele lhe dera, seu singelo pedido de desculpas fora a melhor parte daquele dia.
_ E o que seu pai lhe disse que lhe deixou tão transtornado? – ela perguntou com uma ruga de curiosidade na testa. Estava remoendo aquilo e precisava saber. Mas tinha quase que absoluta certeza que era por causa do maldito café.
_ Ah, Alice, se você soubesse como o Sr. meu pai me pressiona! – Jasper exclamou, indignado, recostando-se na cadeira enorme e almofadada – Ele quer que eu seja um vendedor de café tão bom quanto ele, mas eu sou um soldado! – a forma como ele jogava as mãos para o céu a fez rir novamente, mesmo temendo que não pudesse fazer aquilo – Me mande para a guerra e eu saberei me virar. Mas ser paciente, educado e oferecer toda a minha tão treinada disposição para esses homens mal-educados e presunçosos até a alma, não é a maneira mais agradável de passar meus dias.
Dessa vez, ele a acompanhou em uma descontraída risada, ambos gostando daquele clima. Alice estava realmente satisfeita e, por um fugaz segundo, desejou que pudessem ficar a noite toda conversando, frente a frente naquela mesa.
Ela gostava tanto de observá-lo enquanto ele sorria.
Mas, tão de repente quanto havia se instalado o ótimo clima, ele fora embora, voltando a tornar-se pesado e mórbido demais.
_ Eu... eu sinto muito ter feito você chorar – murmurou ele, não colocando muita força em suas palavras nem na força de sua voz. Alice sustentou seu olhar sobre o dela, vendo-o se remoer, de repente, ao se lembrar que ela chorara pelas palavras que ele havia gritado sobre ela – Não queria ter a feito chorar...
_ Eu não chorei! – ela negou aquilo de imediato, corando até as pontas dos cabelos.
Jasper sorriu fracamente para ela, reconhecendo a característica dela que sempre o fazia rir sozinho.
Ela era forte demais. Não chorava por pouca coisa. Nunca admitiria chorar por ele.
_ Então eu sinto muito pelo que eu disse que poderia ter feito você chorar – ele repetiu ironicamente, as mãos sobre a mesa quase perdendo o controle e indo se encontrar com as delicadas mãos dela, a uma curta distancia – Eu... eu não falava realmente sério – admitiu.
Alice mordeu os lábios.
_ Não, realmente? – perguntou, falhando miseravelmente em sua tentativa de não se importar.
Saber que não era, de verdade, um castigo para ele, lhe deixou muito satisfeita.
_ Não, realmente – ele sorriu um pouco. Por mais que houvesse dito muito do que queria dizer a ela, ainda sentia-se mal – Eu te entedio, te irrito e te magoou – disse, de repente – Deus, eu sou uma merda de marido, não? – perguntou com um bom humor forçado na voz.
Mas ela sorriu.
_ Não realmente – Alice brincou, tão leve por dentro que quase voou em sua bochecha e o beijou.
Mas sabia como acabaria se fizesse isso e o medo de não fazer certo a paralisou. Sabia muito bem que ele havia detestado a parte dela daquele beijo.
_ Não realmente? – ele brincou junto com ela; a realidade na mente dele, de fazer exatamente o que ela estava pensando, oculta.
Quando o clima agradável voltara a dar o ar de sua graça, mostrou-se definitivo. Ambos sorriam um para o outro, agora, muito distante da realidade de algum tempo atrás. Alice nem mesmo parecia mais tão pálida quanto estava aparentando e Jasper se satisfizera com aquilo.
Não a deixaria mais doente.
Talvez a coloração em suas bochechas e o leve brilho de seus olhos eram a diferença. Definitivamente, ela precisava era de apenas algumas palavras dele.
Satisfeito por dentro, Jasper levantou-se vagarosamente, sentindo um cansaço mortal se abater sobre seu corpo. Por um momento, pensou em chamá-la para ir se deitar, também.
“De preferência juntos, naquela imensa cama confortável, fazendo algo mais ativo do que dormir”, ele pensou. Mas se verbalizasse tudo o que pensasse a respeito de Alice, ela nunca mais chegaria perto dele outra vez.
_ Preciso ir me deitar, agora – disse, dando um longo suspiro, reprimindo seus novos desejos incômodos – Você também irá?
Alice quase disse que iria, apenas para poder subir em sua companhia as escadas, levando com eles aquele agradável clima. Poderiam, também, conversar um pouco mais antes de se entregarem ao sono.
E acordariam no dia seguinte e fariam tudo outra vez.
Alice se alegrou com aquele pensamento. A convivência com ele seria mais agradável, realmente, após aquela conversa?
Alice sentia desesperadamente que sim. E isso a fez sorrir.
Mas, então, ela lembrou-se do pequeno gorro rosa que estava bordando para a filha de Bella, que precisava terminar, de preferência antes dela completar 10 anos.
_ Oh, sinto muito, não subirei agora, pois tenho que terminar o gorro da minha adorada sobrinha!
Jasper assentiu, risonho por ela se desculpar por algo tão tolo.
Deus, ele sentia que muitas coisas melhorariam, por ali.
_ Sua sobrinha? – ele arqueou uma das sobrancelhas para ela, apenas inticando-a a brincar – E se for um garoto? Tenho certeza, minha cara, que o Sr. Masen, meu grande amigo centrado, não permitirá que seu herdeiro use um gorro rosa – disse ele, vendo Alice ficar encabulada.
Mas Alice sempre estava um passo á frente de Jasper. Ela arqueou as duas sobrancelhas, depositando as mãos na cintura, como fazia quando criança para intimidar mais do que sua altura fazia.
_ Eu tive um sonho – ela disse sendo bem convicta em suas palavras, como se falassem de algo concreto e bem certo – Quase uma visão e, se me permite não ser modesta – ela sorriu presunçosamente para ele – Eu sempre acerto.
Jasper assentiu novamente, colocando pouca fé na convicção dela. Mas aprendera, desde que conhecera aquela moça, que não podia dizer tudo o que pensava para ela.
_ Bom, então tenha uma boa noite – disse ele indo em direção a saída da sala de jantar.
_ Boa noite, Jasper – ela devolve-lhe naturalmente seu cumprimento, se achando muito diferente dela mesma, pois em outrora lhe devolveria um coice.
Antes que ela pudesse se preparar para os movimentos dele, ele chegou até sua frente e a puxou delicadamente pela nuca, encostando sua boca em sua testa lisa.
Fora segundos ridículos para, ainda assim, se perder o ar, Alice pensou.
E então ele se afastou novamente, como se aquele ato já fosse sido feito inúmeras vezes e fosse como um “Boa noite”.
Automático e comum.
Mas, apenas Alice que não poderia saber. Aquele ato era comum.
Jasper o fizera centenas de vezes, em sua mente.
Alice mordeu o lábio antes de se virar para ele, a ponto de ainda pegá-lo antes de desaparecer.
Ainda tinha algo entalado em sua cabeça que não a deixava dormir tranquilamente.
_ Jasper? – ela o chamou um pouco incerta, mudando o peso de uma perna para a outra. Não sabia se aquele já era o momento permitido para se falar sobre aquilo.
Jasper se virou para ela calmamente e sua expressão lhe deu confiança para que ela perguntasse o que desejava desde o almoço na fazendo, e que ele próprio não lhe permitia ter acesso.
_ Sim?
_ O que eu fiz...o que eu fiz naquele dia? – ela perguntou em um tom baixo. Aquelas palavras estavam suficientemente explicitas sem que precisassem de mais nada para complementá-las. Mas o silencio momentâneo que elas causaram fora realmente preocupante.
Até Jasper cortá-lo.
Alice o viu encará-la profundamente, os olhos serenos cheios de si, magoados.
_ Não quero voltar a certos assuntos, Alice – disse ele com uma voz impassível, impenetrante – Só quero pedir-lhe uma coisa – ele fez uma pequena pausa antes de voltar a falar, as palavras cheias de uma dureza repentina – Não se aproxime de Alec Black outra vez.
E então ele saiu.
Alice sentiu um arrepiou passar por sua espinha até parar na ponta de seus cabelos negros. Sabia que empalidecera mais do que o normal quando foi tomada pela certeza: Jasper sabia sobre aquele fatídico beijo.
E ele realmente havia se importado.
~•~•#•~•~
Uma semana depois
Biloxi, Mississipi
Novembro de 1901
Havia se passado uma semana exata desde que eles haviam conversado naquela imensa mesa.
E ainda não haviam parado.
Toda a manhã Alice descia na companhia de Jasper para o café, antes de ele ir para o trabalho, e falavam muito sobre o que fizeram na infância.
Jasper se sentira com seu ego masculino um pouco flácido com as revelações de Alice e tudo o que ela aprontara quando fora criança.
Falavam, também, sobre como Jasper fugira da prisão dos condenados de anti-socialismo, quando era um rapazote de 16 anos, com apenas um lenço de nariz e um estilingue.
Alice rira muito, naquela manhã.
Toda vez que conseguia fugir das garras atentas de seu pai, Jasper almoçava em sua casa, sempre cheio de perguntas para perguntar à ela.
E mais cheio ainda para responder.
Às vezes, a comida esfriava até gelar sobre a mesa, enquanto Alice lhe contava como arranjava confusão com as garotas da rua todos os dias e todos os dias ficava de castigo, rezando para a Virgem Maria “por ter modos defeituosos”, como sua mãe evidenciava.
Jasper não sabia se sentia mais por Alice ou por Esme.
No Jantar, eles paravam apenas para mastigar. A mesa nunca fora tão animada e o ambiente tão pouco silencioso como naquela semana. Às vezes, Lilly e Consoelo colocavam as cabeças na porta, a fim de ver com seus próprios olhos.
_ Alice, você não imagina como era difícil conviver naquela academia militar com mais 50 rapazes! – Jasper comentou, certa vez, enquanto comia aspargos – Todos nós nos exprimíamos no pequeno buraco para poder olhar as enfermeiras trocando de vestes e aqueles malditos não entendiam que não cabiam 50 em um buraco de um olho só!
Alice arregalou os olhos, achando que Jasper aprendera naquela academia militar muito mais do que raspar os cabelos, usar fardas e manusear armas.
_ Oh Céus, quanta pecaminosidade! – ela resmungou, achando a idéia de ele espiar mulheres errada demais...
_ Exatamente! – ele exclamou, os olhos levemente arregalados pela compreensão — Aqueles abutres aproveitadores! O buraco era apenas para mim...
Alice abriu a boca em um “oh” chocado enquanto ele ria. Tacou-lhe seu aspargo inteiro, voltando a odiá-lo por míseros segundos.
Antes de rir com ele por outra coisa e outra.
_ Na verdade, eu nunca saí de Biloxi, exatamente – ela comentou enquanto ajeitava suas cobertas e Jasper suas colchas – Eu nasci aqui e certamente morrerei por aqui, também – ela deu de ombros.
_ Oh, não se preocupe – disse ele, ajeitando seu travesseiro — Podemos ir até Michigan, qualquer vez. Preciso mesmo visitar Chorlotte – Jasper refletiu, lembrando-se da encantadora esposa de seu melhor amigo.
Uma das poucas moças de Michigan da qual ele não pretendeu seduzir.
Alice parou de ajeitar suas vestes e virou-se para ele no mesmo instante.
_ Quem é Charlotte? – ela perguntou, seu tom um pouco mais agudo do que o usual. Jasper franziu a testa por aquilo, mas decidiu deixar de lado.
_ È a Sra. Collins, esposa de meu amigo Peter. Lembra-se de Peter, certamente.
Alice assentiu, um pouco mais normalizada. Voltou a ajeitar sua camisola de seda bege tranquilamente.
_ Sim, o Sr. dos biscoitos – disse ela, mais para si mesma do que para Jasper.
Jasper riu, acomodando-se em sua colcha.
_ Também podemos ir para Florence – ele continuou, cruzando os braços atrás da cabeça e encarando o teto – Estou querendo comprar outro cavalo, mesmo.
Alice gemeu fracamente, afundando-se um pouco em seu travesseiro de algodão.
_ Claro.... – murmurou – Afinal, não existe motivo melhor para se viajar do que cavalos – ela ironizou baixo, pois Jasper gostava demais de cavalos para gostar de suas gozações.
Em uma terça feira, estavam conversando, também, na feira, enquanto compravam morangos, carambolas e nabos.
_ E ninguém nunca desconfiou de você? – Alice perguntou quando estavam indo para a barraca de vinhos importados – Quer dizer, você deve ter se dado mal alguma vez na vida, não?
Jasper riu antes de dar de ombros.
_ Lembra-se quando meu pai disse, certa vez, que as pessoas caem aos meus pés? – ele perguntou enquanto Alice assentia, lembrando-se do agradável jantar de noivado que haviam tido. Ela apenas assentiu muda, envergonhada ao lembrar-se da parte dos morangos – Não fora exagero, na verdade. Elas simplesmente acreditam no que eu falo e se sentem bem com isso – ele deu de ombros, seu ego inflando-se um pouco – Foi assim que eu quase me tornei o Major mais jovem que já tivera. Embora o capitão Newton acreditasse que eu tinha a idade adequada.
Alice riu.
_ O Sr. é mais manipulador do que eu – disse, em um domingo, enquanto ajeitava as flores dos vasos.
_ Talvez a altura – ele brincou, sentando-se no sofá, agradecido por não precisar trabalhar, naquele dia – Deveria era ter conhecido Mike, o garoto que o Capitão Newton adotou quando o encontramos perdido nos destroços de um alojamento de Judeus destruído por bombas. Aquele mulecote sim era um manipular, esperto e safado, se quer saber – Jasper riu imerso em lembranças – Bons tempos...
Quando Alice terminou de ajeitar as flores, sentou-se ao lado dele no sofá, querendo perguntar-lhe mais.
_ Se você gostava tanto de ser um soldado em Michigan – começou, vendo que aquele era realmente um fato que a deixava curiosa – Por que você veio para Biloxi e se casou?
Jasper abrira os olhos, que havia fechado, lentamente. Teria que escolher suas palavras com uma calma que não sabia de onde tiraria.
_ Bom – disse ele – Eu seria o Major do meu exército, mas, como eu bem lhe disse, meu pai queria que eu cuidasse dos negócios da família. Inclusive, no dia em que eu e Ramos a atropelamos, acidentalmente eu devo acrescentar – ele se inclinou um pouco em sua direção, dando ênfase em suas palavras, pois o olhar que ela lhe lançara o fez entender que ainda precisava deixar aquilo claro – Eu estava voltando de Michigan por causa do pedido de urgência de meu pai.
Alice assentiu e, então, parou franzindo a testa.
_Oras, mas por que tanta pressa? – ela indagou, fazendo Jasper ficar um pouco desconfortável ao seu lado – Quer dizer, os negócios, assim como os pés de café, continuariam no mesmo lugar, não? – ela riu, claramente debochando.
Jasper se remexeu um pouco em seu lugar. A encarou, lembrando-se das palavras de seu pai em um certo dia.
Omitir.
Mas Alice era a sua esposa, afinal de contas. Ele sabia que as coisas naquela faculdade não funcionavam a base de mentiras e omissões.
Ele se viu... tentado a dividir com ela certos segredos, como um casal normal...
Mas antes que ele verbalizasse qualquer coisa, a racionalidade surgir novamente em sua cabeça. Ele realmente não podia falar tudo que sabia. E, no fim, seu pai estava certo, pois haviam coisas omissas que talvez Alice não entendesse e não conseguisse aceitar.
Coisas que a magoariam.
E depois de tê-la feito chorar naquela vez, ele prometeu a si mesmo que jamais faria tal coisa novamente.
Não sabia explicar, mas sentia-se três milhas mais destruído quando a via fazer aquilo.
Então, com uma briga interna que o deixou irritado, ele se viu desviando o olhar dela, como sempre fazia quando ela o intimidava.
Fosse com sua postura, com suas palavras ou com sua beleza.
E, naquele momento, ele a achou absurdamente irritante. Isso pelo simples fato de ela ser perspicaz e esperta. Quer dizer, as mulheres que conhecera eram ou miseravelmente belas, ou surpreendentemente delicadas e femininas. Outras sabiam prender a atenção dos sexos opostos com outros atrativos.
E, a parte mais absurda para ele, era Alice ser um pouco de todas, reunidas apenas nela.
_ Você sabe, sempre exagerado – Jasper disse enquanto espichava as pernas em direção à janela – E quanto à você? – virou-se um pouco para encarar o perfil dela, sentada ao seu lado, segurando os joelhos com os braços, recostada na cama, igualmente a ele – Como foi acabar se casando? – ele riu um pouco da careta que ela fizera.
_ Eu não fugi de casa a tempo – ela disse tão naturalmente que, por um segundo, Jasper acreditara mesmo. Quando Alice percebera sua expressão, riu – Oras, desfaça essa cara – ela lhe empurrou levemente pelos ombros, mesmo que não conseguisse movê-lo nem um milímetro do lugar – Deposito em meus pais toda a culpa por isso que aconteceu com a gente.
Jasper a acompanhou em uma risada, enquanto fitavam a cidade através da sacada, frente a lateral da cama em que estavam recostados. No horizonte mais afastado, as luzes davam um azulado ao céu, que parecia tocar as montanhas com graça.
Era lindo.
_ Eu sei o que você sentia com relação à esse casamento forçado – disse Jasper casualmente. Mas, por dentro, estava sentindo uma incômoda decepção por ela ainda odiar tanto aquela idéia. Quer dizer, ele próprio já aprendera a relevar – Mas, nunca em sua vida, você fora uma moça normal e desejou casar-se? – ele brincou, sabendo que ela o lançou um olhar bem pouco amigável.
_ Obviamente que eu sempre desejei a isso – ela retrucou insolentemente – Dá para se perceber essa minha queda por um romantismo barato, não? – seu tom tornara-se bem humorado, em seguida, apesar de que admitir aquele fato lhe era constrangedor – Você mesmo descobriu isso quando xeretou em meu baú!
Jasper ria alto, dessa vez, afogando-se em lembranças tão vividas.
Tudo daquele dia lhe era vívido.
_ Certamente – disse, tentando conter-se antes que Alice lhe tacasse algo mais pesado do que um aspargo.
Ficaram em um silencio agradável, fitando juntos a noite. A luz do lustre no alto do teto iluminando brilhantemente o aposento.
_ Acredita que eu sonhei que iria me casar? – ela disse de repente, tirando a atenção de Jasper da ursa maior – Por isso que eu lhe digo que estou certa sobre minha sobrinha – deu de ombros, ignorando aquele assunto e deixando isso claro para que Jasper não viesse lhe contradizer, pois era de outro que queria falar.
_ E como era esse sonho? – ele perguntou, miseravelmente curioso. Sabia que, vindo de Alice, era bem mais terrível do que ele poderia formar – Certamente você estava com um belíssimo vestido roxo-vinho e uma corda para se enforcar, estou certo? – zombou, tendo o cuidado de ficar preparado para segurar seus braços quando ela viesse para cima dele.
Mas ela apenas bufou ao seu lado, balançando a cabeça para os lados, como se tivesse acabado de escutar algo chocante demais.
_ Roxo-vinho, Jasper? – ela indagou, estupefata, antes de revirar os olhos, lembrando-se da condição dele –homem – Mesmo que tenha sido em sonho, eu não me permitiria tamanha cafonice! – ela exclamou enquanto Jasper ria – Na verdade, era um sonho esquisito demais e, apenas agora, eu consigo entendê-lo – ela continuou, um pouco mais seriamente — Tinha diversos animais fazendo ruídos estranhos, como se estivessem excitados com o circo que estava tendo por perto – ela franziu a testa tentando se lembrar de todos os detalhes assustadores – Tenho absoluta certeza de que os animais eram os convidados e o circo era meu casamento – Jasper parou para olhá-la enquanto ela dizia convicta suas palavras. Não havia mal-humor nem muito menos raiva ou amargura nelas, mas Jasper sentia Alice como se ela refletisse – E eu tenho certeza que a coruja que piava feito um assombro era minha tia Heide, de algum lugar do Sul.
Jasper mordeu os lábios, curioso com tudo o que vinha de Alice. Aquela fixação nela era tão assombrosa de intensa que o fez ficar com medo.
_ E eu era o que? – perguntou, incapaz de refrear a língua.
Alice se virou para ele com um sorriso de escárnio. Jasper já vira aquele sorriso antes e, quando isso acontecera, ele quase morrera entalado com morangos.
_ Você era a sombra sem rosto no final do meu caminho, que me fez gritar e querer estar morta – seu sorriso diabólico fez Jasper rir.
Deus, ele podia imaginar facilmente como ela teria ficado mortalmente irritada quando soube de seu casamento.
Apesar dele ter rido junto com ela, achou que, apesar de tudo, Alice deveria deixar de ser tão impenetrável como era. Por mais que pensasse estar chegando perto dela, ela logo saltava a milhas de distância, mantendo-se longe dele e seguramente afastada de qualquer um que tentasse chegar próximo demais de sua zona de conhecimento.
E aquilo o deixava insano.
_ Você não abaixa a guarda nunca, Alice? – ele perguntou um momento depois, encarando-a com um pingo de seriedade a mais.
Alice parou ao escutá-lo lhe perguntar aquilo. Jasper sempre a fazia parar com suas palavras certeiras.
“Maldito soldado presunçoso e esperto”, ela pensou, irritadiça.
Por um momento, pensou em mudar de assunto e falar sobre a ursa maior, que ele observava tão fixado. Mas, então, pensou em como estava tão mais contente e satisfeita naquela semana; como conseguia dormir a noite, pois ficava vendo-o deitado na colcha, bem ao lado de sua cama, até pegar no sono; e como as refeições em sua companhia eram tão mais saborosas e convidativas.
Gostava de estar com Jasper, ela deduziu.
Não tinha por que ter receio em dividir nada com ele, pois mesmo que o odiasse, ele era seu marido.
Alice parou para analisar seu pensamento, perguntando a si mesma se realmente o odiava, agora.
Não se odeia alguém por quem sente-se deprimida quando não tem sua companhia.
Alice estremeceu de leve, maneando a cabeça rapidamente. Não, aquele era um fato completamente comum sobre sua vida e poderia compartilhá-lo com qualquer um. Não precisava necessariamente confiar ou sentir-se bem ao seu lado.
Não.
Por isso, ela se sentiu apta a contar para Jasper e para qualquer um que viesse a perguntar também, qualquer dia.
_ Minha mãe não é muito feliz – ela disse tentando parecer o mais natural que conseguia, mas pensar na felicidade de sua mãe – ou na falta dela – sempre a deixava um pouco mais tristonha.
_ E por que você acha isso? – Jasper perguntou baixo, com uma compreensão que espantou Alice.
E a fez admirá-lo um pouco mais, afirmando para si mesma que ele não era apenas absurdamente mais lindo do que os outros homens.
_ Bom, ela também não teve escolhas em seu casamento – disse, procurando não jogar a culpa de tudo aquilo naquele evento, temendo ofender a Jasper de alguma maneira. E então riu, achando estranho falar sobre sua mãe adolescente – Ela, na realidade, teve um romance que não era necessariamente meu pai – ela tocou a barra de seu vestido, puxando-o mais para baixo até eles esconderem suas canelas – Oh, Jasper, eles eram tão apaixonados! – ela exclamou e dera um longo suspiro sentimental.
Jasper quis sorrir, mas estava concentrado demais em suas palavras.
_ Ele... ele era um jovem soldado – ela virou-se para ele — Assim como você, a diferença era que ele não tinha fortuna e, bem, meu pai era filho de um importante fazendeiro, então... – ela deixou sua frase no ar, sabendo que Jasper entenderia seu significado – Minha mãe nunca quis me dizer o nome dele, mas uma vez, enquanto eu estava procurando um véu para ir à igreja, eu encontrei uma carta em seu velho baú. Amarela e velha – ela observou o beiral da sacada um pouco a frente deles, admirando a leve e frienta brisa noturna que passava lá fora e remexia nas flores dos vasos dali.
_ E o que dizia a carta, sua curiosa sem escrúpulos? – ele brincou, também olhando a brisa, que adentrava muito fracamente o quarto e chegava até eles.
Alice riu ruidosamente ao seu lado, abraçando-se fracamente por conta do repentino frio.
_ Tinha palavras tão belas que eu nem sequer me envergonho de dizer que chorei lendo – ela disse, refletindo – Ele dizia que a amava e que iria voltar para buscá-la quando a guerra terminasse.
Jasper parou para pensar naquela historia, lembrando-se muito vagamente de que ouvira ao parecido a muitos anos atrás.
A outra perspectiva da mesma historia de amor.
Ele franziu a testa quando uma imagem adentrara em sua cabeça, como flashes.
Ele tinha uma vaga idéia...
_Porém, é evidente que ele nunca voltou e, não sei se é isso que entristece minha mãe, mas creio eu que... que, bom, ele se..se perdeu nas guerras – ela murmurou, voltando-se para Jasper, sentindo uma certa angustia em sua própria voz – Acho que ele acabou por morrer – ela apertou um pouco mais os braços em volta do corpo, porem não eram mais por causa da brisa – Mas, bom, se ele tivesse voltado, eu duvido muito que minha mãe largasse tudo para ficar com ele – ela deu de ombros, agora sua postura retraída e armada voltando – E, então, de que adiantou o casamento lucrativo, arranjado e mentiroso? Por que era a ele que minha mãe amava, de verdade. Tiraram-na dos braços de quem ela amava para se casar com outro com mais dotes – ela cuspiu as palavras, repudiando novamente a idéia de todo e qualquer casamento.
Jasper olhou para longe dela, sentindo como se houvessem lhe chutado o estomago.
Era claro e evidente que Alice jamais toleraria estar casada com ele, por mais educado, gentil e prestativo que ele pudesse apresentar-se.
E algo dentro dele sentiu-se diminuído demais, como se perdesse alguma esperança de algo que ele nem sequer sabia o que era. Mas, quando ela estremeceu levemente no momento em que outra brisa noturna passou pelo quarto, ele puxou a manta da cama dela, que estava logo atrás, em suas costas, e colocou sobre seu tronco.
Alice estava tão pensativa que só percebera quando já estava aquecida. Olhou para ele no mesmo instante, porem ele não a olhava, pois remexia em uma corda fina que carregava amarrada em seu pulso.
_ Obrigada – ela murmurou, sentindo um reconfortante calor no meio do peito, que ela tratou logo de classificá-lo com sendo em razão do cobertor.
_ Não há de que – ele murmurou de volta, seu bom humor e seu espírito ativo desaparecendo, deixando-o quase sombrio.
Ambos ficaram em silencio, de repente, algo que não vinha acontecendo a mais de uma semana.
Isso quase começou a desesperar Alice.
Mas quando ele cortara o silencio, ela quase suspirou, aliviada.
Por um tempo curto demais.
_ Por algum acaso, Alice, tiraram você dos braços de alguém para que se casasse comigo? – ele perguntou abruptamente, encarando Alice com uma intensidade tão penetrante que a roubou as palavras da mente.
Depois de escutar suas palavras, ele começou a pensar que, talvez, aquele houvesse sido o motivo para Alice ter detestado tanto a ele e ao casamento.
Alice engoliu em seco enquanto sustentava o olhar de Jasper, que parecia querer olhar além de seus olhos.
Por alguma razão, não conseguia responde-lo.
_ Eu já imaginava – disse ele, depois de esperar pela resposta dela. A liberou de seu olhar, voltando a remexer em sua corda, parecendo mais distante do que antes. Por mais que ele não aparentava estar zangado, ela não gostava daquele jeito.
Principalmente nele.
Principalmente quando estavam se dando tão bem.
_ Eu não penso desta maneira – ela disse baixo, a fim de recuperar sua atenção – Não, realmente não – esclareceu, limpando a garganta – Bem, se pudermos levar em conta minha obsessão infundada pelo Sr. Darcy, talvez – ela riu nervosamente e, para seu alivio, arrancou um pequeno sorriso de Jasper – Mas... – Alice mordeu os lábios até quase furá-los, tamanha sua incerteza sobre falar aquilo — ... se o Sr. seu pai e você não tivessem pedido minha mão... Alec Black o teria feito.
Jasper parou instantaneamente quando escutou aquilo saindo da boca dela.
Não pelo fato de ela estar pronunciando o nome dele, apesar de isso o irritar profundamente.
Mas, ele se perguntou se ela sabia... de algo, pois a historia do casamento dela e do Black... Ele balançou a cabeça antes que a raiva cega o atingisse. Era sempre assim quando se lembrava daquele absurdo asqueroso.
Voltou para o quarto, ao lado dela, recostado na cama, observando a noite pela enorme janela aberta.
Tratou de tomar um rumo diferente... mesmo que fosse inevitável permanecer no assunto Black.
_ Você teria preferido a isso? – ele perguntou, encontrando-se realmente curioso e, compartilhando as lacunas silenciosas daquele quarto junto com as brisas da noite, uma tensão pairou no ar pelo tempo em que a pergunta esperava a sua resposta.
Mas, depois de ter perguntado, Jasper desejou não ter feito. Pois, se a resposta de Alice fosse sim, algo caloroso e belo que ele vinha sentindo quando estava perto dela, perderia o brilho pra sempre...
Notas finais
Olha, particularmente, eu adoroooo a nova fase deles, de conversarem civilizadamente. Acho até fofo *____*
MAs o que importa por aqui são as opiniões dos leitores, né? Então, o que acharam???
Espero que tenham gostadoooo
Bjsssssssssss lindinhas
:*
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