Os Segredos dos Seus Braços

26 O inimigo está ao lado - parte 4


Notas iniciais
Olááááá
Rapaz, eu sei que tem gente que quer minha cabeça rolando no chão. MAs eu tenho uma explicação bastante plausível para a demora.
A SEMANA DE PROVAS DA FACULDADE.
Gente, essas ultimas semanas foram TERRIVEIS. Aquelas professoras de mau-humor, tsc-tsc. Eu tentei, mas foi realmente dificil ocnseguir escrever esse cap nesses dias, hein? E voces sabem que não foi por falta de tentativa, né?Até por que eu nunca deixei voces na mão!
Masss, como estou de férias, acho que normaliza, agora. :)
QUeria agradecer especialmente a JuJuSouza19988345 pela recomendação que ela deixou para a fic. Obrigadaaaaaaaa fofa, fiquei muitoooo feliz, viu?
Tambem queria dar as felicidades para a garotaerrada que está em lua-de-mel. Ahhh, isso é tão fofo *_*.
E, tambem, as meninas que mandaram os reviews, que são sempre uns amores. A Day que o diga!
Bem, aqui está o cap.
Espero que gostem!
:*

Cap 26 – O inimigo está ao lado – parte 4


Biloxi, Mississippi

Festa de noivado de Lauren e James

1901

Jasper pouco acreditou no que via. Ali, no meio do salão, Alice dançava com o último homem com quem ele gostaria que dançasse.

_ Mas... que diabos é aquilo? – indagou com um tom de voz mortal. Todos na mesa se entreolharam, temendo que Jasper fosse até lá e fizesse algo indigno.

_ Jasper, querido – Esme se levantou de sua cadeira, indo até ele para tentar amenizar sua inesperada indignação – Fortunato veio aqui para pedir uma dança à Alice – sorriu ela nervosamente – È apenas uma dança.

Jasper segurou os pulmões para que não bufasse. Jamais pensara que uma imagem como aquela o tiraria tanto do sério quanto havia tirado. Não conseguia mudar sua posição defensiva nem sua expressão amarrada, enquanto seus olhos os acompanhava, ainda no meio de sua dança.

Queria ir até lá.

Queria tirá-la de perto daquele homem.

Naquele exato momento.

_ Sra. Cullen? – Jasper a chamou com um grasnado na voz. Seus olhos nem se quer pararam para olhar para a mulher.

_ Sim, querido? – Esme prontificou-se imediatamente ao lado de Jasper, tão nervosa com a tensa situação que colocara a mão no peito.

Jasper semicerrou os olhos para as mãos de Fortunato, apertadas demais na cintura de Alice.

_ Eu definitivamente não estou à vontade quanto àquilo – ele apontou com a cabeça na direção em que seus olhos estavam fixados. Esme até mesmo engoliu em seco, assustada por jamais ter visto Jasper daquela maneira — Por algum acaso foi Alice quem decidiu dançar com aquele... aquele homem?- murmurou ele entre dentes.

Atrás de si, Emmett e Edward se entreolharam, como se estivessem preparados caso tivessem que segurar Jasper.

Ninguém entendera a intensidade o desagrado dele.

Na realidade, nem mesmo Jasper entendia como seus sentimentos de aversão à Black aumentavam gradativamente.

_ Bem – Esme se abanou com as mãos inquietas – Não. Foi o Sr. meu marido quem permitiu.

Jasper segurou o a mão para que não esbofeteasse seu sogro. O olhou de imediato, procurando algum traço de que ele estivesse consciente de que cometera um terrível erro.

Ele próprio deveria saber que não era bom deixar aquele homem perto de Alice.

_ O Sr. não deveria ter permitido, Sr. Cullen – Jasper não conseguira manter a cortesia diante daquele homem pela primeira vez. Há muito o pai de Alice já estava preso em sua garganta por todos os erros que cometia, erros esses que afetavam diretamente a sua Alice – Definitivamente, não deveria ter permitido.

Sr. Cullen, que já apresentava evidentes sinais de embriaguês, não percebera o tom um tanto alterado de Jasper, como todos em volta da mesa haviam conseguido.

Deu de ombros, antes de soluçar.

_ Oras Sr. meu genro – resmungou ele – Não há com o que se preocupar – soluçou outra vez – O Sr. Black é um grande amigo – o soluço aumentara de altura, fazendo-o pular na cadeira – Dançará com Alice durante um tempo, mas tão logo ele estará aqui e poderão conversar – ele riu bobamente, apontando para frente, na tentativa de apontar para o salão.

Jasper apertou a mandíbula de indignação. Tivera que utilizar de todo seu auto controle para não pular por sobre aquela mesa e agarrar o pescoço daquele homem.

Fora por muito, muito pouco.

Ele tinha noção da gratidão fantasiada que Sr. Cullen tinha com relação à Fortunato. Para ele, aquele homem havia sido bom, o salvador em um momento de desespero.

Era ele quem o ajudaria a pagar sua divida.

Em troca de Alice.

A boca de Jasper salivou, como uma reação automática à raiva. Apertou as mãos em punhos enquanto encarava seu sogro.

_ Não será durante um tempo – murmurou ele entre dentes. E quando não agüentou mais olhar para Sr. Cullen, desviou o olhar novamente para Alice e Fortunato, em sua dança – Será apenas essa música e nada mais.

Ao seu lado, Esme respirou aliviada. Vira, naquele momento, que Jasper não faria algo precipitado nem escandaloso diante de todos. Certamente manteria aquela expressão de poucos amigos até que Alice voltasse, porem seria melhor assim.

Era apenas uma dança e nada mais.


_


_ Ele chegou à alguns meses, o Sr. deve se lembrar dele – Félix comentou em sua conversa com Carlisle – È o prefeito de Michigan desde o tempo em que morávamos lá, há quase 10 anos. Grande homem, o Sr. Halle.

Carlisle concordou com a cabeça, porem pouco escutava o que Sr. Witlock falava. Era sempre assuntos relacionados à negócios e homens importantes, e nisso ele não via atrativos.

_ Sim, certamente ele é – comentou com um cortez sorriso.

_ Oh, se é! – Félix exclamou com entusiasmo – Acho que fora por isso que o Sr. Stanley permitiu o casamento de suas filhas com os filhos do Sr. Halle.

Carlisle franziu o cenho, parando para prestar atenção pela primeira vez.

_ Filhos? – perguntou ele, sabendo o quanto Sr. Witlock gostava de falar – Pensava eu que ele tivesse apenas James.

Félix maneou a cabeça exageradamente, passando a mão pelo bigode.

_ Sim, ele também tem a Jacob – respondeu ele, como se lutasse muito para se lembrar do outro garoto – Não fizera o Exercito juntamente com seu irmão James por que ele estava na capital, estudando para ser doutor.

Carlisle sorriu, compreendendo. As lembranças dos tempos em que seus campos de treinamentos eram cheios de todos os tipos de garotos metidos à soldados vieram à sua cabeça.

Quando todos eram apenas garotos.

_ Ah, mas vejam só quem está aqui!

Sr. Witlock e Carlisle viraram ao mesmo tempo para verem de quem era a nova voz que aproximava-se deles.

E ambos estalaram os olhos quando viram Sr. Volture.

_ Oh meu Santo, esse porre de homem... – Félix murmurou para Carlisle com um desgosto evidente na voz. Mas assim que ele chegara perto deles, este levantara as mãos tão alto que quase chegava ao lustre – Grande Sr. Volture! – exclamou com um sorriso maior do que a face.

Enquanto os homens se cumprimentavam animadamente, como se não se visse á anos, Carlisle abaixou a cabeça enquanto a maneava, segurando o riso debochado dentro de sua taça de vinho.

_ Vamos, homem, quero que conheça o Ex- capitão de meu filho Jasper – Félix virou o amigo pelas costas, pra que ele ficasse frente à Carlisle – Esse é o Sr. Newton. Sr. Carlisle Newton.

Carlisle sorriu com toda a educação e cortesia que aprendera a ter em sua vida. Não era por que os pensamentos dele e de todos os outros homens daquela festa – fora os seus garotos – serem completamente contrários, que ele precisaria ser rude ou indelicado.

Porem, fora a outra parte quem fizera aquilo. Assim que Sr. Volture fixou seus olhos em Carlisle, ele parara, de repente.

Seu sorriso sumira de sua face pouco a pouco.

_ Quem é você? – ele indagou com as palavras um tanto pausadas. Tanto Carlisle quanto Félix ficaram confusos, se entreolhando.

Sr. Volture franzira o cenho.

_ Hãn – Carlisle balbuciou, não sabendo o que realmente falar – Sou Carlisle, como Sr. Witlock bem disse – riu um pouco, quando sua explicação pareceu ridícula de tão óbvia – Sou o Capitão do Exercito de Michigan.

Algo passara pelos olhos do homem, pois estes relampejaram. Sua expressão endureceu um pouco e ele colocou as mãos na cintura.

_ A-han, ein? – ele estalou a língua ironicamente, encarando Carlisle com o nariz levemente erguido – Então é você aquele rapazote que dera dor de cabeça para meu amigos Sr. Cullen aquele tempo, não?

Carlisle respirou longamente antes de se dar conta ao que aquele homem se referia. Félix poderia estar completamente à parte daquele momento, porem ele se lembrava do quanto havia brigado com Sr. Cullen, no tempo em que ele já era um importante comerciante de pedras preciosas.

Sr. Volture, em sua juventude, havia sido um dos melhores amigos de Sr.Cullen.

Um dos miseráveis que haviam segurado Carlisle aquele dia...

_ Sim Sr. Volture – disse Carlisle, no alto de sua complacência. Seria superior á ele, mesmo que aquele homem lhe despertasse todas as suas raivas – Mas como vê, eu não sou mais um rapazote.

O homem tremera o canto do olho esquerdo, enquanto o fuzilava. Era evidente que a inimizade entre ambos não superaria as barreiras do tempo.

Se o seu sentimento mais profundo por aquela mulher não diminuira, que dirá a raiva por aqueles homens!

Os dois ficaram se encarando, como se medissem forças.

_ Mas o que há com vocês, Sr’s? – Félix interveio, um pouco impaciente por estar sendo deixado de lado – Precisamos de mais vinho, por aqui? – brincou aos risos.

Ao menos naquele momento, o clima tenso quebrou-se quando Carlisle desviou o olhar, encarando as pessoas que dançavam. Não iria cair tanto de nível ao travar uma guerra pessoal depois de tantos anos.

_ Félix, meu amigo, se me der licença, eu preciso ver por onde anda Sam, pois o perdi e precisamos nos preparar para irmos embora – disse ele, sorrindo para o velho como se não estivessem em três, ali.

_ Oras Carlisle, mas por que tanta pressa? – indagou Félix, seu tom levemente repreensor. Não entendia o porquê o clima entre os dois homens havia estado tão estranho, porem não queria que Carlisle saísse por causa daquilo.

Jasper nem ao menos havia voltado com Alice.

Carlisle apenas vacilou o olhar entre Félix e Sr. Volture, o sentimento de incômodo enorme.

_ Sabe que o caminho até Michigan é longo – respondeu sorrindo, enquanto começava a passar os grandes braços por dentro das mangas de seu casaco marrom. Mas olhou para aquele homem antes de despedir-se – Tenha uma boa noite, Sr. Volture – disse ao homem, no alto de sua educação. Talvez o fato de não dirigir-lhe nenhum ofensa, deixara o homem surpreso.

Deixara ele quase... zangado.

_ Volte logo, Carlisle – Félix ofereceu a mão ao jovem homem em um respeitoso cumprimento – Jasper ficará chateado se não voltar para conhecer Alice.

Sr. Volture fizera uma careta quando o nome de Alice fora mencionado, mas Félix não percebera.

Porem, Carlisle sim.

Ele olhou para homem com os olhos semicerrados, um sentimento forte e impulsivo de indignação e raiva esquentaram seu peito. Não sabia por que o desdenho daquele homem para com Alice o irritara daquela maneira, porem ele pensou automaticamente que o motivo seria ela ser a esposa de Jasper, seu eterno Major.

Ninguém deveria faltar com respeito com as mulheres de seus meninos.

_ Voltarei à Biloxi muito antes do que imagina, Félix – disse ele, claramente provocando Sr. Volture. Vira o quanto sua presença naquela cidade perturbara, mas não sabia exatamente o porquê. Porem, parou de se importar com ele e voltou-se para seu amigo – Estou muito ansioso para conhecer a esposa de Jasper.

Félix sorriu largamente, concordando com a cabeça.

_ Direi á Jasper.

Carlisle assentiu, terminando de ajeitar-se. Ao se redor, Mike e James conversavam e riam alto, pouco se importando com qualquer coisa ao redor. Mas obedeceram prontamente quando Carlisle os chamara para irem procurar Sam.

Então, assim que eles se retiraram, Carlisle ainda sob o olhar intimidador de Sr. Volture, Félix voltara-se para o homem.

_ E como estão os negócios? – perguntou com cordialidade, como se estivesse apenas iniciando a conversa.

E sabia que aquele era um bom assunto para se ter com aquele homem.

_ Ah, vão indo bem – sorriu ele largamente. Porem, Félix notara que, ao menos naquela vez, ele não se animara de falar sobre suas riquezas – Mas não é sobre isso que eu vim tratar com você, velho amigo – dera um sorriso demasiadamente camarada.

Félix franziu o cenho diante da expressão desesperada do amigo. Cruzou os braços sob o peito, esperando o que quer que lhe fosse tacado contra.

_ E sobre o que seria, então? – indagou ele, um pouco armado.

Sr. Volture olhou de soslaio para seus dois lados, certificando-se que ninguém alem deles estaria à parte daquela conversa. Quando vira que ninguém estava ligado nos dois, dera um passo à frente, aproximando-se de Félix até estarem cara-a-cara.

_ Sobre nossos filhos – disse ele em tom baixo.

Os olhos de Félix lampejaram e a confusão se fez evidente.

_ Não sei o que poderia querer falar sobre Jasper e a Srta. Volture – disse ele, remexendo as mãos brancas nervosamente.

Sr. Volture dera um longo suspiro.

_ Sabe que minha querida filha Jane já está passando de sua idade de casar-se, certo? – começou ele, os olhos persuasivos fixos em Fèlix – Mas estou ficando careca tentando encontrar para ela o marido ideal – suspirou ele novamente.

Felix apertou os olhos, voltando a cruzar seus braços sob o peito.

_ E o que meu filho Jasper teria a ver com tudo isso, homem? – indagou ele, confuso.

Sr. Volture chagara ainda mais perto de Félix, a ponto de conseguir olhar bem dentro de seus olhos castanhos.

_ Lembra-se o quanto ele fazia gosto por casar-se com minha Jane?– seu sorriso era tão largo que mostrava todos os dentes. Seus olhos faiscaram, de repente, ao lembrar-se daquela possibilidade.

Deus, estivera perto de livrar-se de sua filha.

Claro, apenas por motivos de casório.

Félix ainda não havia entendido a real mensagem de Sr. Volture, porem franziu o cenho e ficou automaticamente precavido à qualquer coisa.

_ Bem, lembro-me, sim, de quando Jasper ficara encantando por Jane, mas.... – ele parou, desviando o olhar e perdendo-o em diversos lugares ao mesmo tempo – Ele se casou com Alice, não?

Sr. Volture bufou novamente diante da pronúncia do nome de Alice.

E, dessa vez, Félix percebera.

_ Alice, Alice – resmungou ele antes de dar de ombros – Essa moça sempre fora o problema de toda a Biloxi! Não tem modos, não tem educação e, por favor, nem mesmo é bonita – ele mordeu o lábio inferior, não conseguindo olhar Félix nos olhos enquanto dizia aquilo.

Este, por sua vez, balançou a cabeça fracamente, tendo que concordar com muitos dos argumentos daquele homem. Alice era mesmo um tremendo problema.

Ao menos no início do casamento com seu filho.

Bem, ao menos Jasper teria um lugar ao lado do Senhor Jesus Cristo quando finalmente morresse depois de tanto sofrimento na terra.

_ Alice tem suas qualidades, caro Sr. Volture.

O homem rira alto, claramente debochando de Alice.

Novamente.

_ Bem, isso certamente é irrelevante – deu de ombros outra vez – O fato é que o Sr. próprio, Sr. Witlock, garantiu-me que o casamento de Jasper e Alice logo acabaria – continuou ele, agora seu tom um pouco mais acusador – Que seu filho não desejava ficar casado com ela por muito tempo. Disse-me, também, que quando ele se desquitasse da jovem Cullen, ele adoraria tomar a minha Jane em casamento – ele apontou o dedo para o peito de Félix, o cenho franzido e a voz mais grasnada – Não entendo por que eles continuam casados!

Félix, que abrira a boca, porem não dissera nada, engoliu em seco, não sabendo ao certo que resposta dar à ele.

_ O que quer que eu faça, Sr. Volture? – o indagou, elevando a voz em três oitavas – È Jasper quem decide quando se desquitará de Alice.

O homem estalara a íngua, claramente desgostoso.

_ Bem, o Sr. poderia incentivá-lo, não? – propôs ele, arqueando as sobrancelhas — Diga para ele que está na hora desse casamento acabar!

Félix se remexeu, inquieto. Aquele assunto estava incomodando-o. Isso por que ele sabia que nunca fora fácil convencer Jasper de coisa alguma.

_ Alice é filha de seu grande amigo Sr Cullen – ele mudou a conversa para o homem, tirando de si aquela responsabilidade – Porque está disposto a dar à ele tamanho desgosto de ver sua filha mais jovem desquitada?

O homem dera um sorriso debochado, colocando as mãos dentro dos bolsos enquanto suas bochechas barbadas se esticavam.

_ Amigos amigos – disse ele abaixando ainda mais o tom de voz – Negócios à parte – continuou, jogando uma indireta direta sobre Sr. Witlock – E, se tratando de negócios, temos que comentar como anda a situação financeira de meu amigo Sr. Cullen.

_ Ah, escutei certos boatos por ai, mas nada que eu tenha levado à sério – Félix deu de ombros, pegando uma taça de uma dos serventes que passava.

_ Oh, mas é bom que leve, amigo – Sr. Volture repetira seu gesto, arregalando levemente os olhos, como se se excitasse por estarem falando sobre a vida de outra pessoa – Já caiu na boca de todos que Sr. Cullen, pai de Alice, não tem mais dotes nenhum – voltou a aproximar-se de Félix, seu olhos perspicazes o encarando de perto – Não quer seu filho casado com um moça que nem ao menos tem dotes para oferecer também, quer?

Félix parou para pensar à respeito, medindo mentalmente o que era relevante e o que não era.

Quer dizer, ele realmente gostava de Alice.

Mas não tinha nada contra Jane Volture.

_ Bem, eu poderia falar com Jasper – disse ele, considerando aquela hipótese. Afinal, Jasper não amava sua esposa, então por que continuar casado quando nenhuma das partes gostaria daquilo? – Sim, certamente eu poderia – garantiu ele, bebendo de sua bebida.

E, à sua frente, Sr.Volture comemorou em silencio a sua possível vitoria.


_


Mike, James e Peter andavam no encalço de Carlisle pela festa, enquanto este procurava Sam. Precisavam pegar as carruagens para irem de volta à Michigan.

_ Você bem se lembra das terríveis bufas que Jerad soltava, não lembra James? – Mike indagou enquanto todos riam depois das caretas.

_ Sim, certamente que me lembro – James concordou, entornando uma garrafa de vinho tinto pelo bico – Ele sempre ganhava aquelas disputas, não? – lembrou ele aos risos.

_ Claro, depois que todos saiam apressados de dentro das tendas para não morrerem, ele é quem deveria ganhar, afinal de contas – Peter deu de ombros, rindo da expressão enojada de sua querida Charlotte.

_ Oh Céus, poderiam parar de falar disso enquanto eu estou comendo rolinhos de alface, por favor? – Charlotte interveio, repreendendo-os – Seus moleques nojentos! Graças à Deus que Jasper ainda não voltou com Alice, pois a coitada iria pensar o que a respeito dos amigos de Exercito de seu marido? Hãn?

James, Peter e Mike se entreolharam, enquanto seguravam inutilmente os risos.

_ Pensaria que seria bom ela não implicar com Jerad – disse Mike, zombeteiro, antes dos três caírem em gargalhadas escandalosas.

Charlotte revirou os olhos, olhando para seu rolinho de alface e notando o quanto ele começava a ficar branco demais á seus olhos.

E, antes que a comida mastigada de seu estomago voltasse correndo para sua garganta, ela jogara o ultimo pedaço de seu rolinho em alguma taça qualquer.

_ Mudança de planos! – Carlisle exclamou de repente, virando-se para trás e parando todos que vinham atrás dele abruptamente.

Mike batera em James e Peter batera atrás. Enquanto ambos faziam caretas, Carlisle se projetara frente à todos eles.

_ O que aconteceu, meu pai? – perguntou Mike, enquanto esfregava a testa – Se queria que parássemos de falar necessitava apenas pedir! – resmungou ele, descendo sua mão de sua testa para seu nariz – Miséria, quase quebrei meu nariz!
Carlisle pigarreou baixo, enquanto trocava olhares com Charlotte, atrás de todos. Quando ele apontara discretamente para trás, sorrindo para seus soldados, Charlotte olhara para alem de suas costas.

Lá no fim das mesas, escondidos de todos, Lauren saía de dentro de algum lugar, seu vestido sendo colocado de volta no lugar.

Charlotte arregalou levemente os olhos, inclinando a cabeça para o lado.

Os cabelos da jovem pendiam para um único lado e seu batom rosado estava nas extremidades de seus lábios.

Parecia tentar remontar a imagem.

Linda, rica e sofisticada, que se importava muito em sair de dentro de armários.

_ ...por que ele ficou bêbado, aquela vez – dizia James, rindo sem parar um único minuto – lembram? no dia em que dormira com aquela mulher de ombros enormes...

Charlotte cutucou discretamente as costas de seu marido Peter, indicando à ele a mesma direção que olhara antes.

Sam saia do mesmo local, ajeitando o cinto de fivelas enormes.

Índio, soldado sem dotes e ex-possuidor de um dedo mindinho, que pouco ligava se saia de um armário empoeirado.

Com a noiva da festa...

Peter exclamou um “oh” baixo, olhando automaticamente para Carlisle, que ria forçadamente para James.

Ele balançou a cabeça, temendo começar a rir sem que conseguisse parar.

_ ...por que Jasper ficou horrível careta... – James soluçava entre seus risos, apoiando-se aos ombros de Carlisle — ...não deveríamos raspar seu cabelo nunca mais em nossas vidas.

Peter mordeu o lábio, dando um singelo soco nas costelas de Mike, que ria juntamente com James.

E quando o rapaz o olhou, um tanto zangado por ter sido interrompido em seu momento de lembranças cômicas, ele apontara para a mesma direção.

_ O que tanto vocês olham lá para trás? – James indagou, de repente, assim que os olhos de Mike captavam a historia que havia atrás das costas de Carlisle.

_ NADA! – os quatro exclamaram juntos, colocando-se à frente de James.

_ O que está acontecendo, caros amigos? – Sam chegara à pequena multidão de Michigan com um enorme e satisfeito sorriso. Os quatro se entreolharam, mordendo os lábios, desviando os olhares.

Em suas mentes, eles contavam o tempo em que poderiam começar a zombaria.

_ Onde estava seu índio fujão? – James perguntou para Sam aos risos trôpegos.

Sam e James se cumprimentaram, permanecendo abraçados pelos ombros como os grandes camaradas que sempre foram.

_ Estava por aí – respondeu ele, dando de ombros.

Peter semicerrou os olhos diante da deslavada cara do amigo. Se era para ser daquela maneira, então que fosse.

Afinal, a noite era para divertirem-se, certo?

_ E então, James – ele chamou a atenção de todos – Quando irá nos apresentar sua Sra.?

_ Ah, sim, estou realmente curioso em conhecê-la! – Mike entrou no espírito, representando exageradamente.

James soluçou antes de dar de ombros.

_ Não há motivos para tanto – disse ele estalando a língua – Na realidade, Lauren é tão terrível quanto sua irmã Jéssica – mesmo um tanto bêbado, James fizera uma careta verdadeira. Assim como a maioria dos casamentos dali, tudo não passara de meros interesses pessoais e capitalistas.

Todos se entreolharam, como se reconhecesse a deixa de James como uma possível chance de xeretar.

_ Não deveria dizer isso de sua Sra. – disse Peter, um ar fingidamente politicamente correto.

_ Sim, certamente James – continuou Charlotte, mostrando por que era tão querida entre todos aqueles rapazes. Afinal, era igual a todos eles – Srta. Stanley ou... bem, a nova Sra. Halle, deve ter algo de especial.

James rira alto, derramando um pouco do vinho de sua taça no chão. Precisou se segurar nos ombros de seu grande amigo Sam para que não caísse.

_ Não se iluda minha cara Sra. Collins – disse ele desdenhoso. Bebeu generosamente sua bebida antes de continuar – Ela não tem nada de novo que possa me fascinar.

Peter dera um riso demasiadamente malicio, puxando o rapaz levemente pelo colarinho.

_ E seus tenros segredos, hãn? – arqueou as sobrancelhas sugestivamente, enquanto Charlotte o encarava chocada.

James dera de ombros novamente, piscando as pupilas com uma paciência admirável.

_ Conheço-os como ninguém mais – disse ele, devolvendo a Peter seu sorriso malicioso — Na realidade, eu me deitei com ela antes que meu pai pedisse ao pai dela sua mão. Não há nada de especial. Na verdade, apenas me encanta a pinta que ela tem nas costas.

_ Oras, mas aquela pinta tem cabelo! – Sam exclamou assim que James se calara, fazendo uma careta.

E, de repente, todos pararam para olhá-lo.

_ Como é? – James indagou, tentando abrir os olhos mirrados. O silencio imperou e ninguém mais sabia o que fazer com as mãos ou com os olhos.

“Se eu sair agora, não sobrará para mim”, pensou Jerad, olhando para os lados.

“A parte do cabelo foi demais, Grande Sam”, foi o pensamento de Peter, enquanto ele balançava a cabeça sutilmente, os dedos alisando a barba para fazer.

“Esse enorme e estúpido índio”, Mike cruzou os braços sobre o peito, projetando-se em um bico mal humorado.

_ Oh, James, querido, venha cumprimentar o Sr’s meus tios! – uma mulher de enormes quadris e lábios demasiadamente vermelhos chegara por trás de todos. Sua voz era alta e aguda, e quando chegara, todos se retesaram em reflexo – Venha! Venha!

Antes que James pudesse pronunciar qualquer palavra ou um soluço que fosse, fora puxado pelos braços ferozes da Sra. de enormes quadris.

Todos ainda viram seus enormes olhos azuis arregalarem-se em um pedido de ajuda. Porem, era tarde demais.

O silêncio da roda perdurou até quando os dois sumiram das vistas. A lacuna ficara e a inquietação persistiu.

Até que o primeiro desse de ombros.

_ Alguém quer mais vinho?


_


Alice mantinha os olhos longe da figura à sua frente. Seus dedos estavam tão gelados quanto o Wisk que ele tomara antes de tomá-la para dançar.

Ela podia sentir seu hálito alcoolizado.

Seu coração ainda parecia paralisado e suas pernas, um tanto bambas. Porem, ela mantinha a postura mais séria e fria que conseguia, tentando evitar até mesmo a troca de palavras entre ambos.

Aquela musica parecia não ter fim.

_ Por que está tão calada, Srta. Cullen? – a voz dele a tirou de seus devaneios. Estava próximo e seus olhos a encaravam como os de um gavião.

E ele insistia em chamá-la de Cullen.

_ Sra. Witlock, por favor – ela a corrigiu duramente, mantendo a linha séria entre seus lábios finos. Em sua cintura, sentira os dedos dele tamborilando – E eu estou apenas apreciando a música. E gosto de fazer isso em silencio.

O homem por traz da enorme barba dera um sorriso quase irônico antes de girá-la levemente durante um dos passos da dança.

_ Não parece ser do tipo de Srta. que fica em silencio – zombou ele, escorregando sua enorme mão pela cintura dela. Alice ofegou fracamente, pois aquele movimento a aproximara sutilmente dele.

Ela piscou diversas vezes, desconcertada.

_ Está insinuando que sou uma traga de palavras? – ela resmungou, ofendida. Porem, no fundo, sabia que aquele era um pensamento de muitas outras pessoas, não apenas daquele homem – Pois saiba o Sr., que quando eu me sinto suficientemente à vontade, falo como ninguém. – ela disse, tentando mandar sua indireta à ele de um modo educado e polido.

E o homem pareceu entender.

Porem, diferente da expressão dura e carrancuda que Alice esperava dele, ele sorriu.

Outro de seus sorrisos irônicos.

_ O que é tão engraçado? – exigiu ela, começando a se irritar com a forma misteriosa e possessiva com que ele se dirigia à ela.

Seguiu seu olhar pela direção em que ele encarava, sorridente. Do outro lado do salão, em pé, rigidamente, ao lado de Esme, estava Jasper, seu marido.

E seu olhar dizia muito do que passava em sua mente.

Seus punhos cerrados diziam ainda mais.

_ Jazz... – Alice murmurou, seu peito enchendo-se de alivio ao vê-lo ali. E ver, também, que ele sabia onde ela estava.

Quando o vira, sua mente repetira seu nome excessivamente, como um mantra, e sua presença, o calor de seu abraço reconfortante, eram tudo o que ela precisava.

Porem, assim que ela tentou se desvincular das garras do homem para ir até Jasper, Fortunato firmou ainda mais seus dedos no decido de seu vestido, impedindo-a de sair dali ao menos que perdesse pedaços de roupa.

Apertou sua cintura com força, fazendo-a amolecer um pouco. A devolveu em sua devida posição com um discreto, porem forte puxão.

Alice ofegou, um tanto temerosa.

_ Não terminamos a dança – disse ele, a mandíbula apertada uma conta a outra. Mantivera seus firmes passos no mármore, fazendo-a acompanhar forçadamente.

Alice não conseguira retrucar muito menos impedi-lo de estar no comando.

Aquele homem parecia fazer aquilo com garras de ferro.

Parecia saber fazer aquilo como ninguém mais conseguiria.

_ Mas...

_ Parece que seu marido não está gostando muito da idéia de ver você em meus braços – disse ele, liberando toda a diversão que estava sentindo através daquelas palavras. E do sorriso que as sucederam.

Alice olhou para Jasper novamente enquanto Fortunato a fazia completar todos os passos. Jasper parecia realmente incomodado. Ou, talvez, muito mais do que apenas incomodado.

Jasper parecia queimar os olhos enquanto estava fixo na figura dos dois.

Alice abrira a boca para dizer algo, mas as palavras haviam sumido. Apenas seus olhos desesperados em ir até ele.

_ È um garoto, mesmo – disse Fortunato, seu tom era de um fingido lamento. Alice não deixou de perceber que ele aproximara-se dela um tanto mais. O espaço estava ficando curto demais.

O ar estava ficando gélido.

_ E por que diz isso? – indagou ela friamente. Aquele homem não tinha direito de ofender o seu marido.

Ele sorriu antes de umedecer os lábios. Atrás de suas costas, diversos outros pares de dança giravam animadamente, sorrindo para todos os lados enquanto o suave e harmonioso som da música mandava em seus ritmos.

Ela era a única que não se divertia.

_ Por que ele simplesmente é – ele dera de ombros, virando, fugazmente, seus olhos negros para Jasper. Algo invisível e tenso pairava entre aqueles dois homens toda a vez em que se olhavam. Parecia que alimentavam ódio um contra o outro – Um garoto abusado e intrometido – murmurou ele, a voz, de repente, tornara-se tão assustadora que Alice o olhou. Fortunato nunca falara daquela maneira. Da maneira como odiava a Jasper – Que me tomou o que já era meu.

Alice sentiu o coração dar uma acelerada repentina ante suas palavras. Lembrara-se quase que automaticamente do dia em que Jasper havia revelado a ela o segredo sobre seu casamento.

Que ela quase se casara com Fortunato Black, não fosse por Félix Witlock ter arranjado Jasper para casar-se com ela.

_ Que eu saiba – ela murmurou também, tentando ser tão estável quanto gostaria – Ele não lhe tomou nada. Jasper tomou apenas aquilo que lhe pertencia – ela continuou duramente. Porem, no segundo seguinte, tentou acreditar que ela dissera mesmo as coisas daquele modo.

Fortunato parou de encarar Jasper e passou a olhar para ela.

_ Que o pertencia? – ele repetiu suas palavras em um completo tom de deboche – A Srta. o odiou desde o dia em que ele voltara para Biloxi – ele riu – Alec me contara do dia em que ele a atropelara com aquele cavalo imundo – deu de ombros enquanto estalava a língua – Então não diga que as coisas mudaram tão rapidamente – suas ultimas palavras haviam saído quase rosnadas.

Alice respirou diversas vezes antes de conseguir dizer alguma coisa.

Não podia deixar aquele homem desestabilizá-la.

_ Sim, mudaram! – ela disse em um segundo desesperado – Eu... e-eu...

_ Sabes muito bem o que sente por ele – continuou ele, vendo que era apenas apertá-la mais um pouco que ela revelaria o que ele vivia por escutar – Sabe que o que há em seu coração é amargura e ódio. Você odeia a Jasper...

_ Não! – ela exclamou de repente. Não conseguia nem ao menos falar aquilo. Escutar pela boca de outra pessoa que ela o odiava era um absurdo de maior tamanho. Olhou para Jasper novamente, como algo que não conseguia mais evitar. Gostava tanto de olhá-lo. Aliás, gostava de absolutamente tudo nele. Até mesmo seus maiores defeitos e suas manias mais irritantes – Eu... eu o amo – ela sussurrou.

E tanto ela quanto Fortunato estancaram em seus lugares. As duras mãos dele apertaram-se em sua cintura e ela ofegou por ar. Porem, não era mais Fortunato que a fazia perder o ar.

Eram as palavras que havia acabado de pronunciar.

Deus, ela havia dito que... que o amava. Certamente, havia dito apenas para incomodar Sr. Black, foi o que ela tratou de pensar no mesmo segundo.

Porem, ela ainda o olhava. E seu peito ainda estava batendo tão rápido que ela precisou de mais ar.

Entretanto, ele não a deixou pensar sobre o assunto, nem ao menos deixou que ela continuasse olhando á Jasper com seus enormes olhos castanhos brilhando mais do que os lustres. Fortunato a apertara contra si em um súbito solavanco.

_ Você sabe que não pode amá-lo – sussurrou ele com uma voz mortal, bem rente ao seu ouvido – Pois certamente ele é um rapazote. Não deve ter a mínima idéia de como ter uma mulher nos braços e... – ele sorriu e o som de seu riso venenoso fizera Alice se arrepiar, seu coração apertar dentro do peito. Sentiu quando ele acariciou com pressão demais, suas costas — ...dar-lhe prazer enquanto fazem amor – continuou ele e, quando Alice escutara aquelas palavras, ditas assim, tão cruamente e sem máscaras para ela, seu corpo inteiro tremera de medo e incômodo – Ele sabe, Sra. Witlock?

Como ele poderia dizer aquele tipo de coisa para ela? Seu pudor e sua educação para com uma mulher casada haviam sumido?

Alice desesperou-se em pensar que sim.

_ O Sr está sendo inconveniente! – ela exclamou, chocada. Não conseguira esconder o quanto seus olhos haviam se arregalado — Eu desejo voltar para lá!

Completamente desconcertada, Alice tentou soltar-se dele assim que a última nota da música que tocava ecoou pelo salão.

Porem, ele segurou seu pulso com força, impedindo-a de sair dali.

_ Não! – ele rosnou entre dentes, apertando tanto seu pulso que Alice gemeu fracamente – Dancemos outra – apertou-a contra si novamente, moldando seu corpo ao dele, como se ela o pertencesse.

E, de longe, Jasper sentira um rosnado sair de sua garganta.

_ Por favor, querido! – Esme segurou seu braço no último segundo, implorando à ele com seus olhos brilhantes, antes que ele terminasse de dar o passo à frente que ele dera – Não faça nenhum escândalo – suplicou – Pois já estamos muito mal vistos entre essas pessoas!

E, os mesmo olhos que Esme usara, Alice usara, também.

_ Não desejo dançar outra música com o Sr. – ela se interpôs, tentando puxar seu braço outra vez. Porem, ele mantinha-a tão apertado que aquilo apenas fazia ela sentir mais dor.

_ Eu já disse que dançaremos outra! – disse ele rispidamente. A autoridade e a possessão tão evidentes em seu tom de voz fizeram com que Alice sentisse o medo tomar conta de seu coração.

Deus, aquele homem tinha uma dureza inacreditável.

Era frio, grosseiro e completamente assustador.

E ela ainda estava em seus braços.

_ Mas...

_ Não diga nada, Alice, apenas dance e... – ele começou a ordená-la, tentando fazê-la seguir corretamente os passos da dança.

Porem, alguém puxara ela pelos braços, desvencilhando-a à força das mãos duras de Fortunato.

_ Acho que se minha esposa não quer dançar, ela não dançará, Sr. Black – disse Jasper, a voz no mesmo tom que Fortunato usava o tempo todo.

Era um duelo de força.

E que nem ao menos usava armas.

Alice não podia deixar de sentir o alivio em escutar a voz de Jasper, sentir suas mãos puxando-a contra si e a proteção que ele usara novamente.

Porem, o medo ainda existia ali, enquanto ela analisava o olhar enfurecido que Fortunato dirigia á ele.

Bem no fundo do peito, sabia que Fortunato seria capaz de fazer alguma coisa contra Jasper.

E ela sentia-se morrer em pensar daquela maneira.

A tensão pairou no salão de danças, porem passava despercebida pelas outras pessoas que dançavam. Jasper e Fortunato se fuzilavam, enquanto ela, Alice, respirava com dificuldade.

Novamente estava perdendo o ar, estava dolorida e estava tonta.

Mas enfim Fortunato enfiara as mãos nos bolsos, dando um passo para trás. Ainda sobre o olhar de Jasper e de toda a família dela, que testemunhava tudo da mesa, ele virara-se de costas, sumindo rapidamente entre as diversas pessoas.

_ Deus, eu não posso deixá-la nem um único segundo sozinha?! – Jasper exclamou, um tanto transtornado, enquanto passava os braços pelos ombros de Alice.

O vermelho de seus olhos verde envelhecidos sumiam pouco a pouco.

_ A culpa é do Sr. meu pai! – ela disse em rudes palavras. Agora que a tensão do momento havia sumido, ela podia deixar-se sentir toda a raiva que estava guardando de seu pai.

Jasper segurou uma de suas mãos, enquanto que com a outra circulou sua cintura de um modo muito mais sensível do que fizera Fortunato Black. Aos poucos, eram os dois que estavam dançando.

_ E o que aquele homem lhe disse, Alice? – Jasper não hesitara em perguntar. Sabia que Fortunato dissera diversas coisas, muitas das quais ele não queria que ele falasse com sua Alice – Não minta para mim – advertiu, sabendo que ela iria evitar dizer-lhe todas as verdades – Diga-me tudo o que ele lhe disse, Alice.

Alice respirou profundamente antes de desviar os olhos de Jasper. Como diria à ele que Fortunato havia tocado em assuntos íntimos de casais?

Jasper enfurecer-se-ia tanto que seria capaz de ir atrás de Fortunato e ensinar-lhe a ter modos e respeito com sua mulher.

Imaginando o escândalo, Alice preferiu apenas sorrir, escondendo, novamente, alguns detalhes de seu marido superprotetor.

_ Gosta de como me protege — disse ela, ao invés de dizer qualquer outra coisa. Enquanto dançavam tranquilamente, ela se permitiu revelar aquilo. Estava mesmo na hora de começar a revelar coisas à ele. Do mesmo modo como ele revelara para ela – Me protege do modo como meu pai deveria ter feito durante toda minha vida – murmurou, olhando muito bem dentro de seus olhos verde envelhecidos.

Jasper pareceu não esperar suas palavras, pois conseguira apenas ficar encarando-a. Não escutava muitas coisas como aquelas vindas de Alice.

E aquilo mexera com algo dentro de seu peito.

_ Alice... – ele murmurou, escorregando um pouco mais a mao de sua cintura, acariciando sua pele por cima do tecido de seu vestido – Não faço mais do que meus conceitos dizem para fazer. È o mínimo que tenho que fazer por minha esposa, não?

Alice sorriu antes de girar levemente.

_ Você também me chama de sua Alice – ela cantarolou, enquanto continuava a girar gostosamente, sendo conduzida por Jasper – Também gosto disso.

Jasper sorriu diante da diversão despreocupada dela. Mas parou de girá-la antes que ela ficasse deveras tonta.

_ Por que você é minha Alice – brincou ele, inclinando-se para dar-lhe um rápido beijo nos lábios. Tão rápido que ninguém ao redor percebera.

Alice arrepiou-se instantaneamente. Abraçou sua cintura, como se se importasse muito pouco com as pessoas que olhavam ao redor.

_ Me leve para casa, Jazz – murmurou ela, mordendo o lábio inferior, pensando em certas coisas que passavam longe da inocência que tinha antes de se casar com aquele homem.

Definitivamente, aquela festa já havia dado tudo o que deveria dar.

Jasper riu diante da tentativa dela de dar-lhe um sorriso malicioso. Mas apreciara sua idéia tanto que nem tentara esconder o quanto a desejava.

_ Então vá pegar seu casaco – disse ele rente ao seu ouvido, fechando os olhos ao sentir o cheiro de seu pescoço.

Ah, o caminho até sua casa estava longo demais.

Alice assentiu antes de desvencilhar-se dele. A súbita dificuldade em sair de perto dele a incomodava.

Porem era inevitável.

Jasper era tão... irresistível.

_ Volto em um minuto – disse ela, soltando sua mão e virando-se de costas.

Passou pelas pessoas esbarrando em braços e ombros descuidados. Porem, não sentia nada, senão o comichão no estomago, a ânsia em estar logo em sua casa, em estar em sua cama e em estar nos braços dele, como todas as noites estava.

Rindo sozinha, Alice se dirigiu até os cabides mais afastados, onde diversos outros casacos, xales, lenços e ternos estavam pendurados juntamente com o dela.

Vestindo-o, Alice ajeitou-se.

Porem, seus cabelos imploravam uma atenção.

Afinal de contas, ela queria estar bonita para ele. E, pensando assim, ela se dirigira para os banheiros, afim de ajeitar o que lhe faltava.

_ Grande miséria, esses grampos estão caindo outra vez! – ela resmungou, enquanto se afastava das dançarias e das cantarolas. O carpete do corredor dos banheiros impedia o barulho de seus sapatos altos.

E impediam, também, o barulho dos gritos desesperados de seus calcanhares.

_ Era exatamente ele – disse a primeira voz. Alice parou, de repente, pensando que atrapalharia alguma conversa caso desse outro passo.

Mas o que diabos aquelas pessoas faziam conversando ao pé do banheiro masculino?

Revirando os olhos, ela se virou, a fim de ir embora e esquecer o banheiro.

Não era tão curiosa àquele ponto, afinal de contas.

Porem, quando ela se preparara para dar passo seguinte e ir de encontro onde Jasper a esperava, a segunda voz também falou.

_ O Sr. Cullen? – indagou ele, como se demonstrasse surpresa – O que revendia pedras preciosas?

Alice estancou em seu lugar ao escutar nitidamente o nome de seu pai naquela conversa de estranhos. Atrás daquela enorme pilar alguém falava sobre algum segredo. Agora, era impossível ela ir a algum lugar sem que terminasse de escutar aquilo.

Era errado, mas era mais forte do que ela.

Alice se virou novamente, agora tomando o cuidado para nem sequer respirar muito alto.

E, para sua sorte, as enormes folhas de samambaia a encobririam o quanto ela necessitasse.

_ Exatamente ele – continuou a primeira voz – Aquele que está falido.

Alice bufou. Mesmo que estivesse de laços frágeis com seu pai, ainda sim não gostava de ver as pessoas comentando sobre a falência dele.

Já não houvesse bastado Jane e sua enorme língua.

_ Oh! – a outra pessoa exclamou, e Alice quase o vira tapando a boca – Então era o Sr. Cullen quem tinha acordos sujos com os Vingancistas do mato? Não posso acreditar!

_ Ah, caro amigo, mas acredite, sim – concordou o outro, estalando a língua — Era o Sr. Cullen que tinha algo sujo com aquele bando do mato.

Alice dera outro passo à frente, franzindo o cenho em interesse e choque.

Então era com aquele terrível e assassino bando do mato que seu pai tinha negócios? Todos sabiam que apenas as pessoas de pouco caráter e poucos escrúpulos se envolviam com eles.

Ela umedeceu os lábios, escorando-se na pilar logo atrás dos dois homens que conversavam.

_ Oh, e, ao que eu ouvi falar, ele deu uma das filhas como pagamento de alguma divida.

_ Dívida? Dívida com quem? – indagou um dos homens, completamente concentrado na conversa.

Assim como Alice estava.

_ Não sei! Talvez com os próprios Vingancistas? – arriscou ele, enquanto o outro estalava a língua outra vez.

_ Bem, a verdade é que ninguém sabe com quem ele estava em dívida – lamentou ele – E, também, se esse alguém deixará barato o não pagamento dessa dívida – continuou – Sim, pois Sr. Cullen não tem dinheiro nem para as ceroulas, quanto mais para pagar dividas!

Alice escutou quando os dois homens começaram a rir. Ela bufou oura vez, querendo que eles parassem de relinchar e continuassem a conversa.

_ Pois é – o outro continuou assim que retomaram a conversa – Bem, tanto esse alguém quanto os Vingancistas do mato certamente não deixarão barato. Farão alguma coisa! E não demorarão!

Ambos calaram-se por alguns segundos, e Alice temeu que não continuassem a falar sobre o que falavam.

Ela precisava saber sobre aquilo. Precisava para encaixar com as verdades que já havia descoberto com Jasper.

_ E qual das filhas você acha que é, caro amigo? – continuou o homem e Alice sentira o coração dar um solavanco no peito.

Como assim?

_ Sim, pois ele tem três, não? – riu – Fora as que têm com outras mulheres da vida pelas redondezas.

Os homens começaram a rir outra vez, mas, agora, Alice não se importou. Agora, a conversa parecia tornar-se mais séria, parecia voltar-se para... ela.

Ela escorou-se um pouco mais à pilar, tentando olhar por alguma brecha das folhagens.

Tentar ver algum rosto.

_ Essa é a questão – um dos homens retomou a conversa, agora parecendo um pouco mai sério. Alice vira através das poucas frestas da folhagem, o momento em que um deles se aproximara do outro — Qual delas que será levada pelos Vingancistas?

Alice arregalou os olhos e desestabilizou-se por um momento. Tapara a boca com força para que seu choque não fosse verbalizado em algum grito.

Céus, então eram eles mesmos quem estavam atrás dela. Estavam tentando levá-la embora com eles e a julgar pelas perseguições que ela estava sofrendo, eles estava bem próximo de conseguir aquilo.

E Deus sabia se algum dia a devolveriam.

Alice sentiu o coração começar à bater rápido demais. Suas vistas embranqueceram e ela dera um passo descoordenado para trás. Sua mão esbarrou em outro dos vasos de planta que enfeitavam o local.

E ele viera ao chão com um oco impacto contra o mármore.

Quando o barulho ecoou pelo corredor, a conversa parou repentinamente. Alice se sobressaltou, dando dois longos passos para trás. As sombras do outro lado do corredor se moveram.

Alice mordeu os lábios antes de virar-se e sair rapidamente dali.


_


Esme levantou-se de imediato assim que vira Alice sair de trás de diversas pessoas, da direção dos banheiros. Estava com o coração apertado desde que Fortunato a havia tirado para dançarem e, de certo modo, sentia-se um pouco culpada por não ter podido ter feito nada para impedir.

Afinal, era apenas a mãe.

Porem, assim que a vira ir em direção à Jasper, que a aguardava no fim da pista de danças, seu coração se acalmara um tanto.

Mesmo que... mesmo que Alice parecesse mais branca do que o normal e seus passos fossem quase corridos.

Ela a seguiu com o olhar preocupado, ate o momento em que Alice chegara até seu marido.

_ Vamos, então? – Jasper sorriu para ela assim que ela aparecera ao seu lado. Porem, ao notar seus olhos levemente desfocados, enrugou a testa – O que aconteceu? – indagou de imediato, segurando-a pelo queixo.

Alice balançou a cabeça a fim de clarear as idéias. Precisava manter a calma.

_ Está tudo bem – ela lhe garantiu. Afinal de contas, estava mesmo. Ela apenas havia confirmado o que os dois já desconfiavam.

Que havia realmente pessoas atrás dela.

_ Bem, você me parece um tanto nervosa – ele analisou o tom de voz e qualquer evasiva que ela pudesse dar. Mas ela lhe sorriu.

_ Está tudo bem – ela lhe tocou o ombro – Mesmo.

Jasper, mesmo parecendo um tanto desconfiado, suavizou a expressão. Não iria estragar a noite de ambos com sua desconfiança e suas preocupações.

_ Estão vamos embora – ele disse, ajeitando os fios soltos que caiam aos olhos dela – Vamos que não vejo a hora de poder beijá-la – murmurou dando uma piscadela.

Alice riu enquanto eles tomavam a direção da saída. As pessoas que ainda dançavam esbarravam neles vez ou outra, e a música ficava cada vez mais alta e harmoniosa.

_ Ah! – Jasper exclamou de repente, parando frente à Alice.

_ O que houve, Jasper? – Alice indagou, confusa pela súbita parada.

Mas o sorriso enorme de Jasper a confundira mais ainda.

Ele a puxou para seu lado, enquanto olhava para uma direção distante.

_ Quero que veja meu Capitão – disse ele, apontando para a direção em que olhava. E, quando Alice seguiu seu olhar, vislumbrou uma figura alta e nova aos seus olhos – Aquele é Carlisle.

Ele tinha belos cabelos castanhos claros e uma força na postura que lembrava muito à Jasper.

Porem, fora os olhos que ele tinha que lhe chamara a atenção.

Ele conduzia vários outros homens, e até mesmo uma pequena mulher – menor do que ela própria – em direção às saídas. Alice abrira a boca para falar algo, porem se calou novamente.

Não entendeu a súbita mudança em seu comportamento enquanto encarava aquele homem desconhecido.

Ele mexia com algo dentro de si. Sua figura representava algo desconhecido à ela. Algo que ela não soube explicar, apenas ficar encarando.

E, em frente à saída, Carlisle nem ao menos notara que havia alguém admirando-o tão fixamente.

Ele apenas terminou de retrucar todos os garotos para as saídas, para que tomassem, enfim, o rumo de Michigan.

_ Temos mesmo que ir, Carlisle? – Sam perguntou pela enésima vez.

Carlisle apenas refizera seu sinal com a cabeça, indicando novamente a porta.

Mesmo que ele próprio ainda quisesse ficar um tempo mais.

Parecia que ainda tinha coisas para fazer naquele lugar.

_ Ah, mas lá está a bela Sra. Eu bem que poderia ir dizer-lhe boa noite – disse Mike com um enorme sorriso. Carlisle, que estava logo atrás de seu filho, parou para franzir a testa.

_ O que disse? – perguntou ele, curioso em saber por qual rabo de saia Mike teria se engraçado.

_ Disse que lá está a Sra. de vestido bege – disse ele, puxando seu pai pelos ombros para que olhasse para a mesma direção que ele via a Sra. – Aquela é Esme, a Sra. que eu derrubei vinho – disse aos risos – Mas, em minha defesa, foi sem querer.

Carlisle parou, estático, quando seus olhos encontraram com ela.

Era a confirmação de que não estava sofrendo outra crise de alucinações. Era mesmo ela quem ele vira.

Lá, em uma mesa afastada das saídas, ela estava escorada em uma das cadeiras brancas, olhando em uma direção oposto à dele.

Seu olhar sempre meigo, perdido em algum ponto entre as pessoas.

Seu coração dera um solavanco dentro do peito quando ele reconhecera seus cabelos, seus lábios, seu sorriso sempre perfeito demais.

Os anos haviam feito tão bem à ela que Carlisle nem ao menos conseguira verbalizar coisa alguma. Tudo que sentira por todos aqueles anos voltaram como um jato.

Todas as lembranças tomaram sua cabeça de uma única vez.

Segurou suas pernas para que não fosse até ela. Era como das vezes que haviam se encontrado por acaso do destino.

Em Florence, em Michigan... Agora, em Biloxi.

_ Capitão Newton? – Jerad chamou a atenção de Carlisle, que permanecera estancado em sua posição repentinamente – O Sr. vem, capitão?

Carlisle olhou fugazmente para todos os seus soldados, rivalizando com a vontade de mandá-los voltar para Michigan sozinhos.

Pois ele não queria perdê-la de vista.

Porem, todos também haviam parado apenas para ficar encarando-o.

Divididos entre expressões de diversão e confusão.

Ele não se importou muito, pois voltara seu olhar a ela novamente, tão perfeita que era impossível negar àquilo a ele mesmo. Porem, quando ele iria sucumbir ao desejo de ir até ela, alguém aparecera ao seu lado.

Era aquele homem. O maldito que havia tirado ela dele a tantos anos atrás.

Sr. Cullen aparecera, circulando os ombros dela com possessividade. Carlisle fechou as mãos em punhos, sentindo sua respiração se alterar, seu coração aumentar o ritmo.

A raiva se assolava de si outra vez.

E de seu lugar, Esme dera um sorriso deveras fraco para o Sr. seu marido, terminando de fechar o xale que tinha nos ombros. Seu sorriso já não era tão brilhante quando antes; seus olhos pareciam cansados e tristes.

Esme perdera a vitalidade de menina que Carlisle se lembrava.

E ele sabia muito bem quem era o motivo.

Mas, ao menos naquela festa, era uma batalha perdida. Ele simplesmente não podia fazer nada.

Como há muito tempo também não pudera.

E quando a decepção tomou conta de todo seu ser, Carlisle colocou as mãos nos bolsos, abaixando os olhos castanhos.

Saíra pela porta com a promessa de que retornaria àquela cidade quando ninguém esperasse.

E seria o mais breve possível.

Notas finais
E então?
Ahhhhh, as emoções vão começar a aumentar daqui para frente, hein? VAi ser tipo, TUDOJUNTOEMISTURADO.
Ahhh, espero que voces tenham gostado!
Até semana que vem.
BJsss
:*