Os Segredos dos Seus Braços
17 O começo de algumas verdades
Notas iniciais
A minha foi uma merda, mas enfim.
Daqui a pouco vou responder as reviews do cap. passado o/. Mas eu já li todas e tem muitas que eu estou ansiosa para responder :D
Bem, aqui está mais um cap.
Espero que gostem!!!
Bjss&Bejss
Cap. 17- O começo de algumas verdades
Biloxi, Mississipi
Dezembro
1901
_ Não se preocupe, Lilly, o Sr. meu marido e eu ficaremos bem – Alice disse aquilo mais uma vez para sua serviçal, que já estava na porta – Afinal, temos que parar de sermos tão mimados por você e por Consoelo – sorriu tentando convencer a pobre mulher de que eles dois não morreriam de fome em apenas um dia.
Tempo em que Lilly e Consoelo tirariam para elas próprias.
Consoelo, a mais velha de suas serviçais, já havia ido um pouco mais cedo, pois tinha netos e filhos e genros e cunhados espalhados em diversas partes de Biloxi.
Porem, Alice não tivera que usar de todo o seu vocabulário para não a fazer sentir-se culpada.
Porem, Lilly cuidava deles dois como uma mãe zelosa.
Talvez pelo fato ter perdido seu único filho para a tal da Tuberculose, mal que começava a amedrontar muitos locais vizinhos.
_ Não querem que eu deixe preparado o almoço, ao menos? – a mulher perguntou pela milionésima vez, segurando suas luvas entre os dedos suados com uma força desnecessária – Talvez um suco de laranja e broinhas para a sobremesa?
Alice riu outra vez, pensando que logo teria que tomar medidas drásticas, assim como Jasper fazia com ela, para que aquela pobre mulher tirasse aquele dia de folga sem culpas.
_ Não há necessidade, Lilly – disse Alice com um tom persuasivo – Vá e só volte amanhã! – Lilly abrira a boca para questionar, porem Alice fora mais rápida – Isso é uma ordem!
Com os olhos cheios de culpa e remorso, a mulher assentiu. Com um ultimo olhar incentivador de sua patroa, Lilly virou-se e se encaminhou para o portão, tomando, primeiramente, o rumo da igreja.
Balançando a cabeça com um sorriso, Alice entrara novamente em casa, fechando a nova porta, mais pesada do que a antiga, em um baqui ruidoso.
_ Trabalho? – Jasper perguntou vendo-a se aproximar do sofá que ele estava sentado, perto da lareira.
_ Sim, Lilly é quase tão teimosa quanto eu própria! – ela exclamou, entendendo o drama diário que Jasper sofria tendo que suportá-la.
Quase teve pena dele.
_ Oh, eu entendo isso – ele ironizou, recebendo dela um olhar perigoso.
Mas ambos sorriam.
Ela sentou-se ao lado dele automaticamente, sem hesitação alguma muito menos receios.
Era a primeira vez que fazia aquilo, e fora a primeira coisa que Jasper notara.
Porem, ele não dividiu aquele acontecimento com ela, pois corria o risco daquele ato inconsciente se perder e afastá-la para longe dele.
_ Bem, e o que faremos agora? – ele perguntou casualmente, passando o braço pelos ombros dela, aproximando-a mais de si.
_ Não sei – ela respondeu dando de ombros. Moldou-se ao peito dele sem nem mesmo perceber que o fazia – O almoço, talvez?
_ Ótimo – respondeu ele, nem mesmo escutando o que ela falava. Estava gostando muito daquele momento de silencio, em que estavam apenas os dois e que ela estava sob seu braço, esquentando seu corpo como a lareira não conseguia.
Brincando distraidamente com os botões da camisa dele, Alice lembrou-se de algo.
_ Jasper? – ela o chamou, porem nenhum dos dois saíra de suas posições.
_ Sim?
_ Lembra-se de meu xale rosa?
Jasper parou seus movimentos no mesmo instante, seus sentidos despertos automaticamente. Como diria para ela que outra mulher queimara o xale que ela tanto adorava apenas por que ele o roubara dela?
Ele não sabia se Alice entenderia aquilo.
_ Sim, lembro-me – murmurou ele, agora encarando um ponto em sua parede, evidentemente incomodado.
_ Você o viu em algum lugar? – ela perguntou, e Jasper agradeceu mentalmente o fato e ela continuar em seu lugar e não olhá-lo cara-a-cara.
Ele não sabia se poderia mentir para ela enquanto ela estivesse com os lindos olhos castanhos vivos sobre ele.
Mesmo sentindo-se culpado por não revelar a verdade para ela naquele momento tão perfeito, ele não hesitou.
_ Desculpe, não o vi por aqui – ele camuflou sua verdade, não mentindo realmente. Isso por que, definitivamente, ele jamais o veria ali outra vez – Mas eu lhe compro outro se assim desejar.
Alice assentiu silenciosamente, porem ficava com um incomodo no peito, pois gostava muito de seu precioso xale rosa.
Lembrava-a tanto de sua avó.
_ E quanto ao almoço?
_
Algumas horas mais tarde...
Alice fizera o delicioso ensopado de peru para o almoço dos dois, bagunçando a cozinha mais do que era preciso.
E Jasper ainda conseguira irritá-la com sua fingida desconfiança sobre ela estar na cozinha.
Mas, por fim, eles comeram envoltos a deliciosas risadas e certos olhares que vez ou outra eles trocavam. Jasper elogiara sua comida, não conseguindo esconder sua verdadeira surpresa por saber que Alice era uma moça prendada.
Mesmo não parecendo.
Eles conversaram sobre muita coisa, como se não fizessem isso a semanas e...bem, eles realmente não faziam aquilo a semanas, mas não era como se tivessem uma enorme gama de assuntos para colocar em evidencia.
Mas a parte menos atrativa da idéia de terem dispensado Consoelo e Lilly vinha agora, após o almoço, quando eles adentraram a cozinha.
Diversas vasilhas sujas na pia, folhas de saladas verdes dispensadas repousando sobre a mesa.
Temperos por todos os lugares.
_ Alguém arrombou nossa cozinha, Alice – Jasper disse de bom humor, mesmo que por dentro, imaginar que alguém teria que limpar aquela bagunça, o desanimava como a morte.
_ Bem, creio eu que, como eu fizera nosso almoço, o dever de limpar a cozinha seja do Sr. – Alice sugeriu inocentemente, desejando ardentemente que conseguisse passar seu astuto marido para trás.
_ Perdão, como? – ele indagou logo atrás dela e Alice riu. Entrando na brincadeira, Jasper a segurou pelos ombros e começou a empurrá-la pelos caminhos da cozinha – Sinto muito, mas não limparei isso tudo sozinho.
_ Oras, Jasper, eu fiz o peru sozinha! – retrucou ela, desviando de uma forma engordurada que pendia perigosamente na ponta da mesa.
_ Mas fui eu quem o matou – ele respondeu calmamente, parando-a frente a pia – Eu limparei o que tiver para limpar – disse ele – E você lave a louça – os dois se inclinaram um pouco em direção à pia e, enquanto Jasper riu, Alice o fulminou por sobre o ombro – Oras, Alice, estou pensando em você quando lhe deixo a louça – ele se defendeu, demonstrando como tinha apenas boas intenções. Ou fingidas boas intenções – Sim, pois você poderia bem que se perder no meio de toda a bagunça dessa cozinha.
Alice, mesmo não querendo, riu, começando a amontoar os vasilhames e as colheres.
E, enquanto conversavam animados e riam o tempo todo, eles foram ajeitando a bagunça que eles mesmo haviam feito, nem mesmo se dando conta do tempo. O tempo, alias, fora até mesmo escasso diante da distração que um fornecia ao outro.
Se fosse sempre assim, Alice gostaria de lavar a louça sempre que lhe fosse destinado a fazer.
Quando ela já estava em seus ultimo talheres, Jasper começou a secar, fazendo-a rir o tempo todo com seu bom humor. Jasper sério era deslumbrante. Jasper sorrindo era irresistível...
Jasper passando rente às suas costas o tempo todo era desumano.
_ De que espécie é esse festival? – ele perguntou uma hora, pegando outro copo para guardar.
_ De flores – Alice respondeu com um sorriso no rosto. Amava flores tanto quanto amava sua própria mãe – Flores de todos os tamanhos, cores, perfumes...
Jasper sorriu, balançando a cabeça vagarosamente diante do suspiro apaixonado que ela dera.
Voltou pelas suas costas para pegar outro copo e enxugá-lo. Ele roçava seu braço nela propositalmente toda a vez que passava.
Podia quase ver os pêlos de sua nuca esguia arrepiarem-se.
Olhando-a, Jasper imaginou Alice no meio daquele festival, envolta de todas aquelas flores que ela descrevia, naquele exato momento.
Nomes que ele pensara a vida toda que fossem alguma comida.
Comparando Alice à tudo aquilo, ele se pegara pensando o que roubaria mais a atenção. E a encarando escorada na pia, com os braços cheios de espuma, lavando louça, ele sabia convictamente que, a dele, ela roubaria com facilidade.
Mesmo que aquela jamais houvesse sido a aparência que o atraia em alguma mulher.
Rindo pela repentina mudança em seu paladar, Jasper decidiu que já havia se cansado de enxugar copos e guardar talheres. Ele se aproximou dela outra e vez parou em suas costas, cercando-a com seus braços e, intrometendo-se em sua pia, mergulhou os braços ali dentro, pegando um copo debaixo da abundante espuma e ensaboando-o.
Alice riu da situação, achando Jasper espaçoso demais.
_ O que está fazendo, Jasper? – ela perguntou, satisfeita pela primeira vez conseguir controlar a voz com Jasper tão perto de si. Era como se já estivesse se acostumando a ser tocada por ele. Como se estivesse aceitando aquele contato.
Era... natural.
E, então, devida a naturalidade, Alice riu, sentindo ele brincar com seus dedos dentro da água.
_ Estou lhe oferecendo minha irrecusável ajuda para lavar essa louça Alice, pois você demora tanto que logo chegará Dezembro novamente e ainda estaremos aqui – ele brincou, seu peito encobrindo as costas dela, assim como seus braços também faziam.
Alice aceitou a caricia delicada que ele fazia em sua mão, esquecendo a louça pela metade. Como se fosse ainda mais natural do que o abraço que ele dava atrás de suas costas, ela se permitiu encostar-se ao peito dele, rindo quando ele passou a esponja em sua mão, como se fosse lavá-la.
_ Isso faz cócegas, sabia? – ela disse em meio a risada, o silencio da casa juntamente com o clima frente à pia e a realidade de que estavam sozinhos em toda a propriedade lhe esquentava o pé da barriga.
Sentiu a risada masculina de Jasper ao pé de seu ouvido, enquanto os longos e fortes braços dele encobriam os seus. Ele abaixou-se mais sobre o corpo dela, chegando seu nariz ao lado de seu pescoço demasiadamente receptível.
Ele estava tão acessível à sua boca...
_ E isso? – ele perguntou sob o riso. Estava encarando aquilo com tanta naturalidade quanto ela. Nada forçado, nada de provocação. Apenas ele e... sua esposa aproveitando a companhia um do outro. Assim, ele aspirou longamente o cheiro de seu pescoço, fazendo Alice encolher-se, uma risada trôpega saindo de sua boca – Faz cócegas, também?
Enquanto ele continuou cheirando-a, Alice decidiu que aquilo fazia sim. Decidiu, também, que ela não precisava repreendê-lo por chegar tão longe para com ela. Quer dizer, ela poderia aceitar ao menos aquele carinho, certo? Apenas isso, pois outra coisa já fugiria da normalidade.
Afinal, já estava começando a aceitar seus beijos. Classificando-os como possíveis.
Pensando assim, ela assentiu, mas inconscientemente levou um pouco mais o pescoço em seu rosto escondido ali, como se quisesse sentir mais o arrepiou que ele lhe causava.
Porem, ele ultrapassara a normalidade.
Jasper pressionou sua boca no mesmo local onde aspirara, antes. Com um suspiro, Alice fechou os olhos, adorando a sensação que subiu por suas pernas. Ele sugou a pele sensível de seu pescoço entre seus lábios, arrancando de Alice uma fraca lamúria.
E ele começou a perder o controle, empolgando-se mais do que deveria. Com possessão, Jasper subira as mãos molhadas pelos braços de Alice, puxando-a contra si.
Alice não estava oferecendo qualquer sinal de objeção.
Enquanto ela era apossada pelas sensações que o sensual beijo que dava em seu pescoço fornecia, Jasper tocou sua pele com a língua quente.
Uma leve sucção.
Dessa vez, Alice gemeu consideravelmente, pressionando suas costas contra o peito dele; o calor agora ameaçando queimá-la.
Ela sabia que aquilo deixaria uma marca vermelha em seu pescoço sempre branco demais.
_ Jasper... – ela sussurrou e foi inevitável roçar seus lábios na testa dele, tão próxima dela, enquanto ele mantinha a cabeça afundada no vão de seu pescoço.
Fora a vez de Jasper dar um fraco gemido, sua língua sentindo a pele dela. Com rapidez, ele tirou o braço de dentro da pia e puxara a cintura dela contra ele, fazendo estragos com todo o sistema nervoso de Alice.
Com o controle posto a prova mais uma vez, Jasper não conseguira segurar seus impulsos e passou a língua por toda a extensão de seu pescoço, parando no lóbulo de sua orelha.
E isso fora o estopim.
Como se uma rajada de calor intenso o tivesse invadido, ele enrijecera instantaneamente, querendo rasgar o tecido de suas vestes.
Era quase.... dolorido.
Porem, como se lutasse contra a intensa vontade que se abateu em seu corpo de possuí-la ali mesmo, contra aquela pia, ele se afastou dela, da mortal tentação que era seu cheiro, seu toque, sua voz dizendo seu nome..
Ele deu um passo trôpego para trás, detestando o fato de Alice jamais aceita-lo daquela maneira.
Com a respiração desigual, Jasper se escorou na mesa, precisando muito de um ponto instável de equilíbrio. A sua frente, Alice se virou vagarosamente, como se estivesse hesitando em olhá-lo.
A mudança no corpo de Jasper estava muito mais que visível. E chamou a atenção dela como uma atração de circo. Mas dessa vez, Jasper não ser preocupou em esconder-se, em ficar sem jeito diante dela, diante do desejo cru que seu corpo mostrava.
Ela deveria ter a real noção do que fazia ao pobre corpo dele.
Alice o encarou dos pés a cabeça, surpreendendo-se com seu desprendimento e sua iminente falta de vergonha. E ela desejou que ele estivesse mais próximo dela, naquele exato segundo.
E Jasper reconhecera o olhar dela de cobiça, de um desejo quase evidente de que ele a tocasse novamente.
De que ele tomasse sua boca como se fosse a dele própria.
E, pouco a pouco, a respiração dele fora ficando mais controlada, porem seu olhar semicerrado dirigido à ela, parecia incendiar o ambiente, tamanho o calor que se apossara, repentinamente, do corpo dele.
Ele estava perdendo para os instintos primitivos e selvagens.
Porem, não quis parar. Não pretendia não assustá-la. Não mais. Agora, Alice sabia exatamente o que se passava na mente dele toda a vez que a beijava.
Alice o tirava o bom senso e qualquer resquício de seu velho homem centrado.
Mas ela não se movera, nem saíra correndo para tomar distancia dele e do olhar que ele passou a dar à ela. Ela apenas respirava ruidosamente, olhando-o diretamente nos profundos olhos verde envelhecido.
Uma intensidade gritante.
Então, satisfeito em ver toda aquela aceitação vinda dela, Jasper abandonou qualquer pudor que o prendesse no nível delicado e respeitoso. Meio segundo depois ele já estava frente a ela, seu corpo moldando-se perfeitamente ao dela quando ele próprio a pressionou para trás, fazendo-a ficar presa à pia.
Jasper emaranhou seus dedos no cabelo liso de sua nuca e, antes que Alice pudesse ao menos pensar em respirar, ele puxou sua boca à dele.
Sua urgência, pela primeira vez, não deixando lugar para a sensibilidade.
Era a primeira vez que a tocava daquele jeito, arrancando dela qualquer força ou qualquer pensamento estável que ela ainda pudesse ter. Não, a maneira como Jasper a beijou era diferente de todas.
Estava completamente a mercê dele e suas mãos.
Jasper invadiu-a de surpresa, sua língua encontrando-se com a dela em um encontro quente e completamente delirante. E, mesmo que ela nunca tivesse sido beijada daquela maneira, ela sabia exatamente o que deveria fazer.
Alice sentia o gosto adocicado que tinha o beijo dele, cada vez querendo mais, cada vez sentindo mais. As sensações de queimação no pé de sua barriga a estava matando. E, quanto mais ela se agarrava aos cabelos dele e ele puxava os dela contra si, mais ela queria que ele tomasse sua boca com ainda mais intensidade.
Alice gemeu contra seus lábios quando ele apertou sua cintura com força, não medindo mais a maneira como tocava-a.
Alice não teve certeza, mas ele parecia estar demonstrando que não gostava realmente do tecido de seu vestido.
Completamente perdida e deleitada, Alice se vira ficando na ponta dos pés para dá-lo cada vez mais acesso à sua boca.
Deus, Jasper fazia aquilo como ninguém mais poderia fazer.
Enquanto ele apertava sua pele sobre o tecido, Alice sentiu sua unha ameaçar arranhá-lo e, sem querer, ela se erguera mais e mais, roçando seus seios em seu peitoral musculoso.
E, dessa vez, fora ele quem acabou gemendo.
Incapaz de refrear a si mesmo, quanto mais à ela, Jasper abandonou sua boca, descendo seus sensuais beijos pelo pescoço dela, sua língua sentindo o sabor de sua pele com precisão. Alice fechou os olhos com força.
_ Jazz.... – ela sussurrou sob um arquejo e outro. Bem em seu abdômen, ela sentia nitidamente os efeitos que podia causar no corpo dele, pois ele pressionava-se contra ela, pétreo e voraz.
Mesmo que aquilo a assustasse, Alice nem sequer cogitara a possibilidade de sair dali.
Porem, ela começou a sentir as grandes mãos dele descendo por suas costas cada vez mais, apertando-a com uma malicia que lhe era nova.
_ Jazz – ela arquejou outra vez abrindo os olhos abruptamente. Porem, fora tarde para pensar em pará-lo, pois suas caricias estavam quentes demais para ela.
Ela não podia deixá-lo ir muito longe.
Então, ele passara as mãos por sua lombar e, para o repentino choque de Alice, ele chegou-as em seu destino, repetindo ali o que fizera em toda a pele das costas dela.
Apertou-a sem gentileza.
Uma mistura de tensão e deliro subiu por todo o corpo de Alice, fazendo-a agarrar-se a borda da pia com sofreguidão.
E então tudo acontecera.
A enorme panela de ensopado caíra no chão quando Alice a empurrou com seu movimento brusco, e um estrondo ensurdecedor ecoou por toda a casa quase vazia.
Jasper levantou sua cabeça para ver o que acontecera e surpreendera-se com a enorme bagunça que se tornara o chão tão bem limpo de sua cozinha.
Por todo o lado havia caldo de ensopado e muitos pedaços de peru. Mas o que fizera Jasper encostar sua testa na de Alice, gemendo de desânimo, fora lembrar-se do piso que ele limpara.
_ Diga-me que a panela não caiu no chão e o sujou novamente – murmurou ele com os olhos fechados.
Durou alguns segundos o silencio que pairou por toda aquela cozinha. E, então, Alice estourou em uma risada alta e empolgada, gostando tanto daquele prazer momentâneo que desejou que sumisse todo o resto do mundo e eles ficassem ali, rindo, para sempre.
Acompanhando-a, Jasper também riu, porem ele ria entre as vezes em que roçava os lábios nos dela, beijando-a levemente.
_ Vá — disse ela entre um beijo e outro – Pegue um balde que eu pegarei um pa – ele a beijou rapidamente, interrompendo-a — .... eu pegarei um pano e... Jasper! – ela riu, batendo nele a fim de fazê-lo deixá-la falar.
Contrariado, Jasper se afastou dela para ir pegar o balde para ambos limparem aquela bagunça toda. Mas meio segundo depois ele voltara até ela para dar-lhe mais três rápidos beijos.
_ Oh Deus, vá, homem! – ela o empurrou entre o ensopado no chão, rindo por tudo aquilo que ele a fazia sentir.
Mesmo que parecesse brincadeira o tempo todo.
Certamente, se alguém visse, jamais diria convictamente que aquele enorme pedaço de homem havia acabado de voltar de uma guerra.
Alice ficou escorada na pia enquanto o via se afastar até os fundos. Não estava entendendo-a a si própria. Ela não deveria ter aquele nível intenso de intimidade com Jasper. Jamais quisera a isso, pois aquele casamento deveria ser um inferno.
Não uma deliciosa mistura de desejos e caricias.
Fechou os olhos, voltando a sentir-se um pouco perturbada, tentando entender onde tudo mudara. Onde perdera o controle de seus conceitos do inicio daquele casamento.
Porem, ela sabia que não deveria pensar daquela maneira, pois morria apenas em pensar em voltar para a frieza e a indiferença que existiam entre ambos a um tempo atrás.
Agora ela queria as mãos dele sobre si, a boca dele tocando a sua com lentidão e delicadeza, ou até mesmo o olhar dele sendo dirigido apenas a ela e tudo o mais que ele pudesse lhe dar.
Somente a ela.
Com um suspiro, Alice ficou nervosa.
O que era tudo aquilo?
Ela não fazia a menor idéia. Quer dizer, ainda era uma tola desajeitada com relação aos toques dele. Ficava nervosa e acabava por fazer besteiras como a que repousava no chão da cozinha. Não sabia como deveria tocá-lo de volta nem como deveria reagir quando ele que o fazia.
Porem, desejava tudo aquilo com uma vontade assustadora.
Precisava daquilo como precisava de ar.
E, pela primeira vez em toda a vida, Alice teve medo de si própria.
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Biloxi, Mississipi
Dezembro, 1901
Dia seguinte
Ele a havia convidado.
Sim, era a primeira vez que saiam como o Sr. e a Sra. Witlock.
E nenhum precisara ameaçar o outro para conseguir isso.
Jasper jamais a vira tão empolgada quanto no momento em que ele lhe propusera aquele passeio. Por um segundo, ele se perguntou por que jamais a convidara para passear antes.
Mas, obviamente, ele estava ocupando-se em ser arrogante.
_ Eu simplesmente adoro essas exposições! – Alice exclamou com um largo sorriso, denunciando sua satisfação diante daquele evento. As flores que ficavam a venda nessa temporada eram tão coloridas e belas que refletiam nos olhos de todos.
E a cidade ficava com um delicioso cheiro de flores por uma semana inteira.
Jasper sorriu para ela, compreendendo os gostos de Alice e sua felicidade em realizá-los.
_ Certamente nota-se de longe – ele disse enquanto subiam as escadarias da enorme entrada florida da prefeitura, onde eram realizadas as exposições. Jasper a segurou pelos ombros assim que seus pés pisaram lá dentro, certificando-se de que não a perderia no meio de todas aquelas pessoas.
_ Oh céus, olhe aquelas lá do canto! – ela apontou tremulamente para um ramo de margaridas grandes e vivas no canto esquerdo do enorme corredor florido – E aquelas rosas! Jasper, olhe quantas orquídeas, também! – ela quicou no lugar, tão perdida em saber para qual direcionar sua atenção, uma vez que estavam envoltos em dezenas de diferentes ramalhetes.
Jasper riu e, em um movimento que ele achou necessário para ganhar a atenção dela, e a virou pela nuca para que ela o olhasse.
_ Escolha qualquer uma, tudo bem? – ele lhe disse, seu tom sempre natural.
E sorriu.
Alice o encarou com um choque estampado. Uma excitação tão grande lhe subiu pelo corpo e chegou ao seu sorriso, enquanto ele se alargava em sua face. E, de repente, seu marido era o homem mais adorável de toda Biloxi!
_ Oh Deus, está.... está falando sério? – ela perguntou em um murmúrio descrente, se inclinando em sua direção como se estivessem tendo uma conversa muito íntima – Qualquer... qualquer uma? – ela mordeu o lábio, esperando que ele não dissesse que era uma piada e que ela só poderia olhar de longe.
Jasper riu com a expressão ansiosa dela. Estava explicado por que sua mente sempre voltava a ela enquanto estivera na guerra.
Alice era tão... Alice.
_ Sim, minha cara – ele repetiu tão naturalmente como dizia bom dia, guardando para si o fato de achar o sorriso de Alice tão cruelmente doce. Nem sequer vira quando sua mão tomou vida própria e parou em seus cabelos negros caídos na altura dos olhos. Não podia negar o fato de Alice e sua beleza o intimidarem – Qual quiser... quantas quiser – disse, logo recolhendo sua mão quando notara o olhar levemente chocado de duas Sra’s bem vestidas e demasiadamente conservadoras um pouco ao lado deles.
Biloxi e sua não tolerância quanto a demonstrações publicas de afeto.
_ Hãn... – Alice pigarreou, um pouco sem jeito. Desajeitada, ela passou a mão pelos cabelos curtos, deduzindo que estava, certamente, sendo considerada uma aberração na sociedade – Bom – deu um curto sorriso, animando-se parcialmente pela idéia das flores – Tudo bem, então.
_ Tudo bem, então – ele repetiu e um clima estranhou os fez perderem as palavras – Bom, eu vou buscar uma bebida. Quer alguma coisa?
Alice pouco o escutou, pois seus olhos de prenderam um ramo de copos d’leite enormes e graciosos no fim do corredor.
Jasper sorriu, de novo, antes de se virar para ir pegar sua bebida em um ambiente diferente daquele. Na verdade, toda a ala masculina daqueles eventos – ou seja, os maridos – se reunião em um outro local, deixando as mulheres se afogarem em pétalas.
Alice tocou tantas flores em poucos minutos que estava sendo uma missão difícil escolher uma.
Ou umas dez, talvez.
Ela mordeu o lábio, rolando os olhos de uma margarida, para uma rosa amarela, para um cacto florido, antes de voltar para a margarida.
Nem mesmo notara quando algo parou em suas costas. Momentaneamente, pensou ser Jasper, e isso a fez sorrir.
Mas não demorou para reconhecer aquele cheiro.
Não era o cheiro natural e masculino de Jasper. Era doce e enjoativo.
Tinha que ser de sua dona, mesmo.
Alice se virou sem vontade alguma e encontrou aquelas duas bolotas azuis a encarando.
_ O que fez com seu cabelo? – Jane perguntou desdenhosamente. Tentou passar uma imagem de perplexidade, porem havia uma certa curiosidade naquilo.
Uma certa inveja branda.
_ O que parece que eu fiz? – Alice retrucou ironicamente, revidando os olhos.
Jane a fuzilou, abanando-se efusivamente com seu inseparável leque.
_ Parece que o deu para alguém cego cortar com uma tesoura não afiada – ela fez um gesto com a mão, indicando o quanto tentava parecer enojada – Definitivamente, Alice, você me dá vergonha.
Alice suspirou, achando a Srta. Volture previsível demais, repetitiva demais.
Insuportável demais.
Ela deu de ombros, pronta para se virar, a ignorar e continuar apreciando as belíssimas flores.
_ Que seja – murmurou.
Mas Jane estava mais do que disposta a praticar seu hobby favorito: Ofender Alice.
_ Eu não sei como você tem coragem de dar as caras nas ruas.
Alice semicerrou os olhos para Jane, não querendo estar realmente confusa com aquilo.
_ O que quer dizer? – perguntou grossamente.
Jane parou de se abanar para se aproximar minuciosamente de Alice.
_ Do que toda Biloxi está comentando.
_ E o que toda a Biloxi está comentando? – Alice escutou a si própria mais agudamente do que o normal, pois, mesmo vindo da Srta. Volture, parecia algo para se levar em consideração.
Jane olhou discretamente para os lados, como se verificasse se tinha público o suficiente.
E então abaixou o tom venenoso.
_ Que o Sr. seu pai está falido! – ela falou frase a frase pausadamente, parecendo se deleitar com a repentina expressão congelada de Alice bem a sua frente.
Aquilo entrou pelos ouvidos de Alice balançando-a. Seu pai... estava falido?
Aquilo não parecia fazer sentido. Certo que ela não tinha a noção de como andava a situação dos negócios de seu pai, mas.... falido? Ele não falara absolutamente nada para qualquer um de sua família.
Ele nunca falara.
_ Você... – sua voz saira entrecortada de sua boca, enquanto ela perdia a fé em sua capacidade de verbalizar. Não queria deixar que o que Jane Volture falava a chocasse – Você está louca, Jane. Louca de vez... – disse afetadamente, perdendo a direção de seu olhar.
Jane deu um singelo sorriso de escárnio..
_ Ótimo, eu estou louca e o Sr. seu pai desesperado. – ela cantou para Alice.
Alice uniu as sobrancelhas, seu peito com um aperto estranho.
_ O que sabe sobre meu pai, sua lambisgóia pálida! – Alice murmurou com uma voz que não passava de um fio. Sabia que não causaria um grama do que pretendia em Jane.
Jane abandonou o sorriso presunçoso, encarando Alice friamente.
_ O que todos os homens importantes de Biloxi e, dirá, do Mississipi, estão comentando. Seu pai não tem mais dinheiro algum. Você sabe que as pedras preciosas não dão mais o que davam, não sabe? – ela infantilizou a voz, para assim debochar da expressão afetada e perplexa de Alice – E sabe o que ele fez? – ela perguntou com a voz transbordando uma acidez que fizera Alice segurar a respiração no peito.
Jane deveria estar fazendo aquilo apenas para magoá-la, não era?
_ Cale a boca – Alice sussurrou, a voz rouca. Estava sentindo um nó esquisito se formando em sua garganta.
_ Ele arranjou casamentos lucrativos para as filhas para não perder até mesmo o teto– ela respondeu sua própria pergunta, ignorando a forma angustiada que estava se tornando os traços de Alice.
Alice ofegou diante daquilo. Como as coisas estariam naquele ponto? Jane Volture estava ficando mais criativa, Alice tentou formular esse pensamento em sua cabeça, que zumbia.
_ Não, ele...
_ Quer saber um segredinho? – Jane sorriu novamente, se aproximando um pouco mais de Alice.
_ Não, Jane, pare – Alice disse com a voz ficando cada vez mais presa em sua garganta. Ela sentiu um frio subir por sua coluna enquanto Jane parecia ignorá-la. Alice não sabia se realmente queria ouvir o que sairia de sua boca.
Era tudo mentira.
_Ele ofereceu sua mão à Fortunato Black – ela murmurou, e quase não conseguiu segurar o enorme riso. Aquela conversa recheada de boatos frios e cruéis não poderia se tornar público.
Alice ofegou audivamente, como se tivesse levado um soco no estômago. Algo começou a lhe incomodar dentro do peito e, tão logo, ela sentiu os olhos começarem a nublar-se.
Não o seu pai. Seu pai não faria aquilo.
Seu pai... faria?
_ Sim, é verdade – Jane balançou a cabeça quando Alice fez menção de manear a sua – Ele quase deu ela para aquele homem indigesto – ela estremeceu fingidamente – Mas então Félix Witlock pagou mais e então arrematou você para o filho. Olha só, como se fosse um cavalo de corridas! – ela riu de sua piada.
Alice soluçou, não percebendo em que momento exatamente daquela conversa, ela começara a chorar.
Seu pai negociara sua mão como se fosse... um objeto qualquer? Com se fosse um animal em um leilão? Ainda mais para... Fortunato Black!
Alice reprimiu o instinto primitivo de tapar os ouvidos com as mãos, a fim de impedir a si própria de continuar escutando as palavras venenosas que Jane dizia.
_ Vê, Alice? – a voz de Jane mantinha-se em uma constante natural, calma e amena, como ela sempre fazia quando estava fingindo ser assim – Ele pouco estava se importando se ia condenar você a um velho rude e mal-encarado. Ele apenas se importou em receber bem por isso – ela comentou, tapando a boca teatralmente, como se tivesse deixado escapar, acidentalmente, algo que não devia.
_ Pare, Jane – Alice soluçou; a voz rouca; os olhos marejados, tão turvos que ela não enxergava mais uma Jane completa em sua frente – Meu pai não faria isso, ele...
_ Seu pai não parece amá-la mais tanto assim, não é? – ela a cortou, não querendo dar espaço para Alice enganar-se – E, por causa disso, eu teria vergonha de sair por aí, feliz e sorridente. Sabe, pare que ninguém passasse por mim e sentisse pena.
Alice notou que suas bochechas estavam incrivelmente molhadas quando começou a fazer esforço para não deixar seu choro ser notado pelas pessoas pouco distantes.
Jane não se moveu de seu lugar. Queria ser testemunha da tristeza e da mágoa de Alice, de vê-la se afundando em lágrimas, perdendo momentaneamente o brilho que sempre rodeava seus olhos. Assim, com ela tão maltratada e desestabilizada, ela sentia-se bem. Melhor. Como se não tivesse mais ninguém para intimidá-la.
Riu ao pensar naquilo, enquanto admirava Alice tentar controlar o choro. Porém, no momento em que erguera os olhos, vira uma presença que, pela primeira vez, não gostara de ver.
Jasper.
Ele apareceu atrás de Alice, seu olhar parecendo inexplicável, enigmático, oculto. O sorriso que Jane achava lindo estampado no rosto perfeito do soldado loiro com o qual ela recheava seus sonhos, não aparecera quando esta lhe deu um sorriso surpreso de uma forma bem ruim.
Jane empalidecera mais do que o normal e sentiu sua espinha, de repente, ficar gelada.
Ela parecia saber que algo estava errado. Ainda mais quando Jasper moveu a cabeça e pairou seu olhar em Alice, um pouco a sua frente, tentando enxugar como podia suas grossas lágrimas.
Quando ele rompeu o silencio nuclear daquele circulo, Jane não encontrou o controle e o conforto que estava esperando.
Sua voz era rouca e fria.
_O que aconteceu com minha esposa, Srta. Volture? – ele perguntou, dando um passo para frente, tremulando ainda mais as pernas de Jane.
O que ela diria? Que despejara em Alice revelações de certos segredos que a machucaram?
Certo, até poderia, apenas não seria a coisa mais inteligente que ela faria.
Jasper nunca mais seria o mesmo com ela se ela dissesse aquilo.
_Ah, acho que foi um cisco, não é Alice? – ela encarou Alice sugestivamente, como se dissesse com esse olhar que, se ela não cooperasse, logo teria realmente motivos para não dar as caras em Biloxi outra vez. Alice a fuzilou, os olhos castanhos mais vermelhos do que o normal.
Mas assentiu fracamente, segurando soluços exaltados presos na garganta, enxugando os olhos molhados.
Ali Alice decidira que nunca seria superior a Jane. Ela sempre a faria chorar...
Jane sorriu, voltando-se para Jasper. Porém, odiou ver que sua expressão ainda não fazia sentido para ela.
_ Hãn... Bom, e como você está Jasper? – perguntou com o sorriso docemente sedutor que sempre usava quando conversava com ele.
Alice a queimou com o olhar por ver o quanto Jane o tratava com intimidade demais.
_ No momento, confuso – ele respondeu, cruzando os braços no peito. Só fazia aquilo quando estava infernalmente tenso.
Jane passou as mãos nervosamente pelos cabelos. Por um fugaz segundo, temeu que, talvez, Jasper houvesse escutado alguma coisa.
_ E por quê? –ela fez-se de desentendida, recomeçando a abanar-se com seu miserável leque.
_ Por que eu deixo minha esposa sorridente quando vou pegar uma bebida, e quando retorno ela está aos prantos. Então, um pouco mais que confuso, estou impaciente, e ficarei um pouco mais se não me convencer do que a fez chorar desta maneira, pois é um insulto a mim tentar convencer-me que um miserável cisco lhe deixou neste estado! – assim que ele terminara, ela sentira uma fincada de acusação em sua direção. Jasper sustentou seu olhar com uma dureza que desestabilizou Jane.
_Hãn... eu, é, bem... – Jane gaguejou, jamais conseguindo olhar Jasper nos olhos. Porem, podia sentir realmente a impaciência dele ardendo em seus poros, quase chegando nela – Jas-Jasper, eu...
_ Eu gostaria que nos deixasse sozinhos – ele a interrompeu pouco cortez. Não pedira, praticamente ordenara para que Jane se retirasse.
Jane os encarou por um tempo antes de assentir, completamente estupefata, e se retirar a passos rápidos.
Assim que Jane desaparecera entre as diversas pessoas que se espremiam entre aquelas flores, Jasper pegou Alice pelo pulso e a puxou rapidamente o mais distante que conseguia.
Alice não conseguiu mais segurar seu choro, não queria. Agora que estava sendo levada para longe de Jane e suas palavras severas, ela se permitiu colocar sua mágoa para fora. Tentar digerir aquilo.
Jasper sentiu a mão que não segurava o pulso de Alice se fechar fortemente em punho. Estava sentindo uma raiva contida dentro de si, uma indignação crua em seus músculos.
E Alice chorando desesperadamente apenas aumentava aquelas sensações.
Quando ficaram a uma distancia segura, ele parou e a virou para sua frente.
_ Eu sinto muito, Alice, sinto muito! – ele lamentou enquanto ela soluçava freneticamente bem em sua frente – Eu não devia tê-la deixado falar aquelas coisas, mas eu queria saber até onde ela iria! Sinto muito mesmo.
Alice o olhou com os olhos vermelhos. Pouco conseguia enxergá-lo, pois eles estavam afogados em lágrimas.
_ V-Você... ou-uviu? – ela soluçou, tentando conter o choro que a estava sufocando.
_ Ouvi e eu sinto muito – ele lamentou outra vez, querendo fazer alguma coisa para tirar aquela mágoa dela e fazê-la parar de chorar daquela maneira.
Foi no impulso que passou os dedos pelas bochechas dela, recolhendo algumas lágrimas que passavam por ali, naquele momento.
Sua tristeza parecia que atingia cruamente nele próprio.
_ O-Ouviu todas as co-oiisas horríveis que ela falou de m-meu... meu pai? – Alice grasnou, uma nova onda lágrimas irromperam por seus olhos.
_ Alice, não.... – Jasper se martirizou diante de sua incompetência. Juntou sua outra mão com a primeira nas bochechas dela, acariciando-a tremulamente.
E as lágrimas de Alice pareciam espinhos. Machucava tanto nela quanto nele próprio e o que Jasper temera por tanto tempo, acontecera finalmente.
Alice começava a descobrir a verdade.
E ele descobrira que estava no momento de contar a ela certas coisas.
Fechando os olhos e martirizando-se a todo o segundo, Jasper encostou delicadamente sua boca na dela, apenas para acalmar fugazmente o choro destruidor e as lágrimas cortantes.
E daquela vez, ele não fazia aquilo para irritá-la. Era simplesmente por que não gostava de vê-la daquela maneira. Gostava de vê-la espirituosa, rindo de sua cara ou sendo grosseira. Mas não sabia como agir com aquela Alice.
E isso o irritava como poucas coisas conseguiam irritar.
Seu beijo calou-a por alguns segundos, porem ele ainda podia sentir cruamente a mágoa que ela carregava no peito, naquele momento. Havia sido uma maneira muito errônea como ela começara a saber daquilo.
Jasper encostou sua testa na dela, sentindo sua fraca respiração. Seu dedão ainda circulava sua bochecha, como se assim pudesse curar sua dor.
_ Vamos para casa, Alice – murmurou ele. Antes de continuar, ele esperou até que ela abrisse seus grandes e belos olhos e o fitasse de perto – Eu... preciso lhe contar um segredo.
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Biloxi, Mississipi
1901
Jasper fechou a porta da biblioteca com uma vagarosidade planejava. Enquanto o fazia, decidia em sua cabeça como começaria aquilo.
Na belíssima poltrona de couro preto, Alice ainda fungava baixinho, as bochechas ainda reluzindo por causa da umidade. Ela permanecia de cabeça baixa, remexendo em suas mãos, calada, assim como ficara todo o tempo no caminho.
Ele colocou as mãos no bolso, em pé, olhando pela janela.
_ Eu realmente sinto muito – disse ele sem voltar a olhar para ela.
Alice o encarou com os olhos vermelhos. Daquela maneira, Jasper parecia enigmático demais.
_ Eu sei que sim – ela grasnou, voltando sua atenção para suas mãos – Agora me diga, Jasper – murmurou lentamente, não sabendo se queria realmente saber o segredo que ele disse que lhe contaria – Me diga que segredo é esse.
Com um suspiro longo e pesado, ele dera um passo para trás, saindo da luz claríssima do dia que entrava pela janela de vidro. Parou frente a ela, ainda de pé.
_ O que a Srta. Volture disse sobre o seu pai... – ela levantou os olhos para ele, apenas a pronúncia daquele nome deixava-a arrepiada – È verdade.
Alice sentiu novamente o frio percorrer todo o seu corpo. Por que todos insistiam em dizer aquilo?
_ Jasper, não diga isso! – ela o repreendeu, pois não queria odiar Jasper como odiava Jane com toda a alma.
Cuidadosamente, ele se sentou ao lado dela no sofá.
_ Seu pai... seu pai perdeu praticamente tudo, Alice. Foi deixando pelo caminho toda a vez em que viajava – disse Jasper, tentando não falar as maneiras com que o pai de Alice acabara com todo o dote da família. Para uma moça sistemática e geniosa como Alice, saber que seu pai não era a pessoa mais dotada de caráter seria chocante demais.
Alice pareceu comandar uma verdadeira guerra em sua cabeça. Enquanto ela analisava a veracidade das palavras de Jasper, sua expressão fora ficando inexplicável.
_ Ele viajava muito, mesmo.... — ela murmurou, parecendo que estava chegando à uma verdade muito pesada.
Jasper assentiu silenciosamente antes de continuar.
_ Sim – disse – Mas parece que ele contraiu uma divida muito alta. Alta e misteriosa, pois ninguém sabe para quem especificamente ele devia – Alice o olhou, a expressão consternada – Então, a historia que contam é a de que Fortunato Black – Jasper engrossou um pouco a voz ao tocar no nome daquele homem – Ofereceu o dinheiro necessário se ele desse a sua mão em casamento.
Alice retrocedeu para trás, como se houvessem chutado-a. Seu peito apertara no momento em que a certeza daquela historia tomava a sua mente. Jamais sentira-se tão perturbada e chocada em toda a sua vida.
_ Céus... – ela choramingou, seu olhar perdendo-se em algum canto da parede atrás de Jasper. Não conseguia nem ao menos formular seu futuro se houvesse se casado com o Sr. Black – E por que eu não me encontro casada com ele? – perguntou e apenas a menção daquela possibilidade a fez sentir a garganta se fechar.
_ Por que meu pai, eu e os Black’s nunca nos demos muito bem – Jasper respondeu, continuando suas revelações – Por toda a nossa vida, desconfiamos daquele homem. Algo nele... bem, algo nele sempre nos incomodou, entende? – Alice assentiu, lembrando-se da primeira vez em que ficara cara-a-cara com Fortunato — Então meu pai achou muito cruel condenar uma moça àquele homem. Uma moça tão bela e jovem, àquele velho mal educado, intolerante e absurdamente arrogante. Assim, ele pediu para eu... para eu meu casar com a moça em questão, a filha do Sr. Cullen, e não deixá-la casar com Fortunato. E, diante de seu pedido, eu vim embora para cá, pois ainda estava em Michigan.
Alice estava tão zonza com toda aquela historia que estava difícil conseguir acompanhar.
Seu estomago revirava a cada palavra proferida por Jasper.
_ E como seu pai convenceu meu pai? – ela indagou, porem sentia nitidamente que odiaria escutar a resposta.
Jasper a olhou por um tempo antes de continuar falando.
_Bem... meu pai ofereceu mais dinheiro do que Fortunato para que ele pagasse a divida e ainda sobrasse umas boas moedas de prata.
Fora exatamente como imaginara. Alice sentiu um soluço escapar de sua garganta, uma tremenda vontade de encostar-se no sofá e terminar de chorar.
Seu pai praticamente... a vendera para quem pagara mais caro.
Um cruel sentimento repulsivo surgira em seu coração. Porem, não sabia se sentia mais repulsa por seu pai ou por si mesma.
_ Então eu fui comprada. Minha mão é um produto de negociações. Como um leilão, não é? – ela murmurou acidamente. De seus olhos castanhos vivo, grossas lágrimas começaram a escorrer – Igualmente todos os cavalos de seu estábulo.
A dureza nas palavras de Alice fazia sentido para Jasper. Sabia, desde o inicio, que ela sentir-se-ia daquela exata maneira quando soubesse daquela verdade.
Em um ato automático, ele tocou a bochecha ainda molhada dela, acariciando-a como se ela fosse quebrar.
_ Não diga isso.
Alice riu sem muito humor.
_ Diga-me – ela o encarou com o olhar machucado – Eu custei muito caro? – perguntou acusadoramente. Mas, sua raiva e sua mágoa não eram destinada à Jasper, na realidade. Definitivamente, seu pai mostrava-se um excelente negociador, ela pensou amargamente.
_ Alice.... – ele suspirou, detestando ver todos aqueles sentimentos em alguém que não combinava com eles – Não diga assim, por favor.
Alice o olhou, calada, por um longo tempo, sabendo que não deveria ser cruel com ele.
Diante daquela descoberta, Jasper era o ultimo homem por quem ela deveria sentir raiva, naquele momento.
Pois ele estava ali, certamente sofrendo para contar-lhe algo tão asqueroso, tentando consolá-la e ser o mais gentil que conseguia.
E, também, ela acabava de descobrir que ela fora o motivo de ele abandonar o que mais amava na vida.
_ Então.... então você largou o Exercito para...se casar comigo? – ela perguntou em tom quase descrente. Agora, ela também sentia vontade de chorar, porem por uma emoção indescritível.
E, também, um leve sentimento de culpa.
As bochechas de Jasper ganharam um leve tom rosado, enquanto ele pareceu sentir a importância de seu ato para Alice.
Quer dizer, ele gostava da imagem de indiferente com ela quando ela era encrenqueira demais.
Mas agora, ela descobrira que ele já se importava com ela desde antes de quase se matarem em seu primeiro encontro.
_ Bem, era uma boa razão – murmurou ele, remexendo nos dedos dela, que repousavam sem vida nos próprios joelhos — Eu pensei em você, mesmo não sabendo que era necessariamente você – ele evidenciou aquela parte com uma leve gozação, arrancando de Alice um curto sorriso — Mas qualquer moça teria um destino cruel demais em ser destinada àquele homem. Ele se aproveitaria, Alice, até deixá-la um trapo – continuou ele, agora o bom humor sendo definitivamente esquecido dentro daquela biblioteca, que carregava o ar mais pesado que já tivera. A imagem de Alice sendo... usada por aquele ser nojento fez o sangue dele começar a pulsar com violência em suas veias – Tenho certeza de que, com ele, você desejaria realmente morrer – disse seriamente.
Um arrepio involuntário passara pela espinha de Alice, arrepiando os pêlos de seus braços. Diminuiu minimamente quando Jasper passou um braço por seus ombros.
_ Mas... Alec pretendia me pedir em casamento – Alice voltou a falar, lembrando-se que, também, estivera perto demais de ser esposa de Alec — Estou confusa.
Dessa vez fora a vez de Jasper rir, porem sem qualquer traço de humor. Desde que o assunto passou a incluir Alice e os Black, ele percebeu como, gradativamente, seu humor ficava ácido, mórbido, irritadiço e amargo.
Era quase assustador.
_ Você acha que Fortunato se importou com isso? – ele perguntou retoricamente à ela, quase cuspindo pelo nível de asquerosidade de que estavam tratando — Alec poderia te amar como à Virgem Maria, que, mesmo assim, Fortunato a pegaria para ele próprio! – Jasper exclamou, apertando um pouco mais os ombros dela. Era como se inconscientemente estivesse assegurando a si mesmo que Alice estava ali, casada com ele — Fortunato tinha uma verdadeira obstinação em tomar você para ele – murmurou rudemente – Uma obsessão em se casar com você. Então creio eu que ele sempre me encara por conta disso, acho que tenta me intimidar, como se dissesse que eu vou me arrepender de ter pegado você para mim e não ter a deixado casar-se com ele – Jasper refletiu, lembrando-se todas as nítidas vezes em que tivera uma verdadeira guerra de olhares com Sr. Black – Ele me odeia, Alice.
Um sentimento de angustia e certo nojo passaram a ser maioria no peito apertado de Alice. Todas aquelas revelações juntas de uma só vez, a perturbaram tanto que ela sentia suas mãos suadas, gélidas, tremulas.
O que mais tinha que saber que ainda não sabia?
Temendo a resposta da pergunta que ela nem mesmo verbalizara, Alice suspirou, recostando-se no sofá preto, como se sua cabeça pesasse 7.000 elefantes.
Quando o silencio perdurou por tempo demais entre os dois, ela o cortou.
_ Foi nobre – disse no meio da tensão e do baixo-astral da biblioteca. Sua voz mais baixa do que o costume – Nobre o que você fez – ela disse, depositando muita gratidão no ato dele.
Pois Jasper tivera a escolha. E, mesmo assim, escolhera a ela.
Mesmo que Alice jamais houvesse visto seu rosto naquele momento, ela sabia que tinha conseguido, com suas sinceras palavras, um leve sorriso dos belos lábios dele. E com isso, ele se encostara junto dela, moldando a bochecha dela com a palma de sua mão.
E na noite daquele triste dia, ela havia dormido nos braços dele, enquanto ambos haviam permanecido no mais profundo silencio por todo o tempo, depois daquela conversa.
Na escura quietude daquela noite de Dezembro.
Seus corpos estavam aconchegados na poltrona de couro preto, seus olhares perdidos além da janela.
E suas mentes... suas mentes guardando os mais perturbadores pensamentos de que já haviam pensado antes.
Notas finais
O que acharam?
Ahh, espero que as leitoras que eu não ví no cap. passado apareceçam hj. E ai?
skapska
Bem, para vocês que esperam OS FINALMENTES deles...
Calma calma, ele vai acontecer (e não está distante...), mas eu preciso revelar algumas coisas importantes antes.
Bem, espero que tenham gostado de cap!!!!
Vamoslácomentar? :D
BJsss
:*
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