Os Segredos dos Seus Braços

4 Já pode beijar a noiva


Notas iniciais
Olá.
Estou animada, começamos a mexer com nossos ratos virtuais na faculdade :D
O meu Jack é meio burro, mas ainda sim está legal.
Bom, sobre o capítulo, espero que voces gostem!!!!
Boa leitura.

Cap. 4 -"Já pode beijar a noiva"

Biloxi, Mississipi

Dia do casamento.

O salão da enorme igreja da cidade estava movimentado, devidamente enfeitado, e cheio de flores de todas as cores. Diversas mulheres com penteados engraçados entravam e saiam do quarto de Alice, trazendo algo para lhe pintar, para arrumar seus cabelos e para espetar alguma parte de seu corpo.

Dentro de poucas horas, ela seria uma Sra. casada. Alice sentia como se lhe roubassem algo, como se lhe sufocassem com toda essa tremenda injustiça. Ela apenas tentava se animar um pouco enquanto se encarava no espelho. A Alice do outro lado tinha os olhos castanhos evidenciados com uma tinta preta, e seus lábios um batom rosa, combinando com suas bochechas. Seu vestido de mangas curtas e suas luvas rodeadas de pedrinhas eram a única coisa que a fazia sorrir levemente.

O dia estava acabando e não houvera um anúncio formal de desistência e cancelamento de casamento e isso, querendo ou não, a preocupou. Será que ficar no altar, rodeada de diversos rostos cheios de expectativa, esperando um noivo que nunca chegaria, seria uma vergonha muito grande de se carregar?

Alice não gostou do frisson em seu estômago. Não estava ansiosa.

Não, não estava.

Seria legal toda a cidade olhando para ela, apontando e cochichando. Falando de seu vestido, de seu cabelo e de sua falta de modos.

Alice aspirou profundamente, não querendo deixar-se ser apossada pela ansiedade. Aspirou tanto ar que até ficou tonta.

Além da ansiedade infundada que todas as suas veias passaram a sentir, ela tinha que admitir que, a medida em que o sol ia se despedindo no horizonte e as luzes de todas as enormes janelas das casas começavam a ascender, seu nervosismo ficava cada vez mais incontrolável.

Não queria realmente admitir que estava com certo receio de Jasper-seus-cabelos-não-estão-tão-diferentes-dos-meus-Witlock ter desistido do casamento sem um comunicado formal e fazê-la passar a maior vergonha já presenciada pela cidade. De todas as vergonhas que a cidade já tivera, o que, na maioria, Alice era a personagem principal, aquela realmente a fazia querer afundar o rosto no travesseiro e morrer ali.

Sabendo como Jasper a odiava, ele era bem capaz de fazer aquilo, mesmo.

E Alice estava entre agradecer e se desesperar.

_ Alice – Rose, Bella e Victoria entraram no quarto, sorridentes e bem vestidas – Está na hora. Vamos para a igreja.

Alice olhou pela janela, encobrindo seu rosto com o fino e delicado véu.

Definitivamente, aquilo era real.

~•~•#•~•~

Ela estava parada, esperando que suas irmãs entrassem na igreja, assim que a música começasse a tocar. Ao seu lado, o braço de seu pai lhe dava o apoio que ela precisava para não cair.

Durante todos os minutos incessantes em que ela ficara ali, ela perguntou-se o que deixaria de ganhar casando-se. Talvez, o amor de sua vida estivesse em algum lugar naquela igreja.

E ela estaria no altar.

Ela ficou cabisbaixa, se segurando para não abandonar tudo aquilo e viver sua vida longe daquela cidade, longe de sua família e longe de obrigações estúpidas. Viveria do seu modo, com as suas regras.

A música começara a tocar.

Eles começaram a andar com seus passos lentos e ensaiados. Quando as portas se abriram, ela viu diversos rostos a encarando, observando cada detalhe. Ela sabia muito bem que muitos daqueles sorrisos não continham a amorosidade que eles deveriam passar.

No fim do enorme correr enfeitado com laços e flores, ela viu sua mãe chorando, não se agüentando de uma felicidade muda, de uma satisfação que não cabia no peito.

Suas irmãs se juntaram a ela, cada uma ao lado de seus respectivos maridos.

Felizes.

Alice sentiu-se mal por não conseguir retribuir a satisfação que sua família sentia por ela. Aquilo não estava certo.

Ela olhou para o respeitado e querido padre Charlie, um simpático Sr. parcialmente careca que, estranhamente, realizada todas os casórios da região.

Talvez por ser o único padre.

Tantas conversas, tantos rostos que ela mal conhecia; um ar denso. Enquanto chegava perto do singelo altar em companhia de seu pai, ela olhou para Felix Witlock que, surpreendentemente para Alice, trazia olhos marejados.

E, então, ela olhou para ele.

Jasper estava parado, agora a uma pequena distância dela. Seu olhar parecia distante, que não estava realmente ali. Ele estava vestido com uma roupa desconhecida para Alice, mais que ela lembrava ser parecida com as dos soldados de Michigan, que nas feiras populares vinham visitar a cidade.

E, pela primeira vez desde que seus olhos encontraram com aquele rapaz, ela viu seus cabelos arrumados.

Ele cumprira com o acordo. Ele não desistira do casamento e estava ali, prestes a se casar com ela. Alice não conseguiu evitar o pensamento que voltara a Srta. Volture: Ela não tivera lábia o suficiente. Isso quase a fez rir, mas até ela sabia identificar um momento inoportuno demais.

E levar em consideração pernas um tanto trêmulas.

Quando ela chegou ao lado dele, o olhou de soslaio. Jasper estava sério.

Mas quando menos percebera, ele pegou seu braço, enlaçando-o junto com o dele.

E o padre começara a falar.

~•~•#•~•~

Biloxi, Mississipi

2:39 min. depois

E, então, o padre terminara de falar.

Burburinhos tomaram conta do ambiente religioso. Alice sentiu Jasper meio gelado ao seu lado, e pedia a Deus que ele não estivesse notando seu tremor, advindo de uma incessante batalha de agulhas em seu estômago.

Ele se virou para ela e ela teve que imitá-lo. Era a primeira vez que o olhava frente-a-frente, naquela noite.

Jasper, então, vacilou por poucos segundos quando seus olhos vagaram por toda a extensão do corpo de Alice. Não teve nem como disfarçar seu olhar, que se prendeu nela sem autorização.

Linda...

Mas antes que todos naquela igreja reparassem que era a primeira vez que a olhava de verdade naquela noite, e que ela havia roubado sua concentração por fugazes segundos, ele voltara a si, obrigando seus olhos a fazerem qualquer coisa.

Longe dela.

Ele colocara a mão no bolso, retirando de lá uma pequena caixinha.

E então parou.

Alice ficou sem entender o que tinha que fazer, agora. Depois de alguns segundos, as pessoas começaram a cochichar e Alice viu por sobre o ombro de Jasper, Jane Volture cobrindo os lábios com um leque, enganando o riso.

_ Você tem que estender a mão – ela leu os lábios de Jasper, que lhe murmurara com uma fina linha dura.

Ela bufou pelo aparente tom de rispidez na voz dele. Quer dizer, ele não sabia que ela não tinha uma vasta experiência em casar-se?

Ela não se casava todos os dias, oras.

Estendeu a mão à contra gosto para ele. Mas arrependeu-se quando o viu morder os lábios, segurando um riso. Sua mão estava levemente trêmula enquanto ele colocava a delicada aliança ali, dando um tom brilhante em sua luva.

Alice ofegou, não entendendo a palpitação em seu coração.

Era assim se casar?

Engoliu em seco quando olhou para sua mão, com aquela pedra reluzindo na ponta do anel. Deu um sorriso inconsciente e, ao longe, ouviu muitos aplausos e muxoxos, vindos de emoções diversas.

_ Você já pode beijá-la nos lábios, meu jovem rapaz – o padre disse aquelas curtas palavras e Alice parou de prestar atenção em qualquer outra coisa.

Hãn?

Ela havia esquecido-se daquele pequeno detalhe. Estava pensando em levar aquele casamento arranjado e indesejado o mais friamente e distante possível.

E teria que beijar os lábios do rapaz que mais detestava em toda a cidade?

Quando ele se inclinou lentamente em sua direção, Alice deduziu que teria, sim. Sentiu o ar sair de seus pulmões.

Jamais sentira os lábios de um homem nos seus.

Jasper não parecia muito animado com aquilo, ela pôde notar. Porem, ele certamente estava divertindo-se com a falta de ar dela, sua respiração levemente alterada.

Quando o hálito quente dele chegou até sua própria boca, ela inspirou, assustada. Assustada por sentir-se calorosa quando os lábios dele, que ela pensava serem frios e duros, encostaram-se nos seus com suavidade, provando o contrário. Foi tão automático fechar os olhos como era respirar.

Durou poucos segundos, mas fora o suficiente para ela sentir a sensação.

Deus, acabara de ser beijada!

Bom, fora por ele, mas ainda era uma novidade excitante.

Quando ele se afastou e ela sentiu novamente o frio em seus lábios, o viu desviar o olhar e rapidamente se virar para as pessoas.

E, tão logo, ambos se permitiram voltar para sua guerra particular.

~•~•#•~•~

Eles tiveram que seguir de braços dados até o salão onde aconteceria o baile. Estava igualmente bem arrumado, e todas as pessoas bem vestidas conversavam e riam animadamente.

_ Alice! Alice! – Alice virou-se para Rose, vindo em sua direção apressadamente.

_ O que ocorreu, minha irmã? – ela apressou-se em perguntar.

_ Oras! Pois venha trocar esse vestido para a dança – Rose a puxara pelo braço, e Jasper nem sequer pôde abrir a boca para inticá-la.

Elas andaram a passos largos até uma pequena ante-sala. Lá dentro, Bella, sua mãe e Victoria esperavam, sorrindo tão largamente quanto suas peles permitiam.

_ Tome – sua mãe lhe passara um brilhante e delicado vestido rosa. Alice arregalou levemente os olhos, uma animação subindo por seus flancos.

_ Oh, Deus, é lindo!

_ Certamente que é – Esme disse impacientemente – Mas tire logo esse vestido e coloque este um.

Alice pegou a bela peça antes de encarar as quatro mulheres sorridentes que se apertavam naquela salinha juntamente com ela.

_ Todas vocês apenas para me verem despida? – ela brincou e riram juntas. Virou-se para ter ajuda de sua irmã.

Ela tirou o vestido branco e rodado que usara durante a cerimônia. Vestiu o outro com cuidado, com medo de estragar minimamente aquela peça. Quando se olhou no espelho, quicou no lugar, animada.

_ Mamãe, está perfeito!

_ Sim, está – Esme voltara a ficar com a voz embargada, certamente querendo chorar – Agora vamos para o salão. Você precisa dançar com seu marido.

_

Alice não estava necessariamente empolgada para aquilo, mas apenas a presença daquele vestido em seu corpo a animara consideravelmente. As pessoas a encaravam quando ela passava. Ela sentiu os nervos darem sinais outra vez.

Procurou por seu marido entre as pessoas, querendo acabar com aquilo de uma vez por todas.

Porem, quando o encontrou, parou em seu lugar.

Jasper estava, outra vez, conversando com a jovem Volture, enquanto esta lhe era só sorrisos.

Alice semicerrou os olhos, sentindo uma estranha indignação lhe ardes nos ossos! Pois ela havia acabado de suportar aquela palhaçada que fora se casar com aquele homem, apenas para ele ficar se engraçando com Jane Volture?

Jane Volture!

E aquilo lembrou Alice do por que detestou aquilo desde o primeiro momento. Nem mesmo seu vestido lindo e especial a acalmou, naquela hora.

Ela mordeu a mandíbula, odiando a Jasper, odiando Jane e odiando aquela festa de casamento estúpida.

Quando menos percebera, andava apressadamente até as escadarias, que davam acesso ao segundo andar. Seus passos duros no chão. Determinados.

_ Alice? – Esme a chamou, preocupada por sua saída ríspida bem quando todos esperavam a dança oficial dos noivos.

Alice abriu uma porta com força, pisando duro até chegar perto do sofá. Seu peito batia acelerado tamanha sua raiva. Depois de ver aquela cena, ela lembrou-se que, talvez, tivesse que ver aquilo todos os dias, pelo resto de sua vida.

Tudo por culpa daquele casamento.

Seu pior pesadelo se tornara realidade. A haviam forçado a se casar.

Se casar com alguém que nem conhecia. E já odiava.

Nunca sentiu tanta indignação de sua família.

_ Alice! – sua mãe chegara tão rápido quanto um raio. Sua voz estava repreensora – Como ousa sair do meio da festa de seu casamento? Que comportamento lastimável é esse?

O choque da voz de sua mãe quase fez Alice rir. Riria, não fosse sua recém greve de expressões faciais felizes que acabara de determinar.

Parecia que o fato de não querer aceitar aquele casamento era algo tão repulsivo diante das boas moças daquela sociedade que Alice desprezou aquele ato mais uma vez.

_ Eu lhes disse, mamãe! – ela retrucou em um rosnado – Eu não queria me casar! Eu não amo aquele homem! – ela jogou as mãos para o céu, sentindo suas veias fervilharem – Eu nem sequer o conheço!

_ Claro que conhece – Esme revirou os olhos achando tamanho drama – Ele e o pai vieram aqui a duas noites, se apresentar. Jasper Withlock, lembra? Filho de...

_ Oh, que tola que eu sou – Alice a cortou. A voz transbordando uma ironia ácida. Sabia que isso apenas enfureceu mais sua mãe, afinal ela odiava essa característica em Alice – È óbvio que o conheço! Seu nome é Jasper e seu pai vende café em algum lugar do Texas! Deus, quem precisa saber da vida dele, afinal de contas?

Alice vira Esme fechar os olhos e respirar fundo, contando friamente.

Os nervos que morriam.

_ Você... – ela começou, claramente tentando manter a calma – Você é a moça mais petulante, geniosa e desprovida de bons modos. Uma moça não deveria se portar assim e espero que esse casamento valha a pena e, por Deus Alice, espero que seu marido não peça desquite antes de uma semana.

~•~•#•~•~

Alice desceu os degraus da imensa escadaria em formato de caracol. O salão cheio de luzes e flores. Porem, ela não se deixou enganar, aquilo era terrível e pronto.

Olhou cada rosto e, conforme ela descia e seus sapatos denunciavam isso no piso, os mesmos rostos passaram a encará-la, como se ela fosse a atração principal daquele circo.

Lá no meio, o loiro e alto homem também a encarava. Aquele com quem ela passaria a morar e a ter que chamar de esposo por aqueles dias em diante. Logo a raiva que ela estava tentando guardar lhe subiu pouco a pouco, outra vez. Pouco conhecia ele, mas o odiava mais do que as aulas de bordado que fazia todas as sextas.

Em seu rosto, miseravelmente atraente, ela via poucas feições de agrado. Parecia que, assim como ela, aquilo também o irritava, porem ele estava fazendo seu papel.

Todos estavam esperando a dança oficial dos noivos, pois, assim que iniciassem a dança, todos poderiam dançar também.

Relutante, mas mantendo sua expressão fria e irritadiça, Alice chegou frente a ele. Trocaram uma batalha silenciosa e, querendo gritar e chutar algo, olhou para sua mãe, do outro lado do salão, como se perguntasse se precisava mesmo fazer aquilo.

Quando sua mãe sorriu e fez um aceno com a mão, Alice suspirou. Não adiantou, era melhor terminar aquilo de uma vez. Em murmúrios extremamente baixos, ela escutou um grupo de rapazes, os mesmo que conversavam com Jasper pouco depois do casamento, falando sobre ela. Ela pôde jurar que ouvira um deles lamentar, pesaroso, que Jasper teria trabalho com essa moça.

Com um sorriso de escárnio, Alice estendeu a mão para Jasper para os cumprimentos, pensando que era exatamente aquilo que iria acontecer.

Iria transformar aquele casamento em um pesadelo.

Talvez até conseguisse um desquite.

A música iniciou e ele começou a guiá-la pelo salão, como de praxe dos noivos.

Não trocaram uma só palavra e, tão logo, Alice vira outros casais, uns mais recatados do que outros, se juntarem a eles ao redor.

Só por causa da satisfação nos rostos deles, Alice já amarrou a expressão outra vez.

_ Não parece muito feliz, madame – ele disse de repente, ocultando um sorriso. Aquilo a pegara de surpresa. Não esperava que ficasse atenta à voz forte dele como ficara.

Alice tentou desviar os olhos do arrogante homem com quem dançava, também conhecido como seu marido, porem não conseguiu. Tinha que admitir que ele era realmente atraente. Mas, essa extrema beleza física só a fazia odiá-lo mais.

O fulminava, querendo poder derretê-lo. Sua expressão denunciava o quanto aquele evento – seu casamento – lhe desagradava. Já a expressão dele era de um sorriso debochado. Ele também já havia deixado claro que igualmente odiara aquela idéia, porem Alice teve quase certeza de que ele gostava era de irritá-la.

Aquele era disparado, o pior dia de toda a sua vida.

_ Fico feliz que o Sr. entenda sem que eu precise lhe dirigir a palavra – Ela retrucou, falhando em sua tentativa de manter a calma – Sinto muito ofende-lo em demonstrar que esse casamento é pior do que comer cocô.

Jasper riu alto e isso a surpreendeu. Quer dizer, ele ficava miseravelmente atraente rindo.

_ Seus modos me encantam – ele disse sarcasticamente quando voltou a olhá-la – Mas não se preocupe, não me ofende em nada.

Ela lhe direcionou um olhar cortante, o que, para sua ira, apenas o fez sorrir.

_ Você é tremendamente irritante – ela ralhou baixo, porem sorriu quando o casal, dono da alfaiataria onde ela encomendava suas roupas, passou os encarando.

Isso não o desconcertou.

_ Esse é o meu atrativo – disse. Ele parecia treinar seu auto controle três mil milhas melhor do que ela.

Ela quis encará-lo, porem algo impossibilitou isso. Achou mais seguro olhar para qualquer outro.

_ Meu pai, que faz um ridículo gosto por esse casamento – ele murmurou perto do ouvido dela, enquanto sorriu por sobre seu ombro descoberto para as pessoas que passavam – Assim como os seus, desejam, do fundo do coração, que esse casamento nos dê felicidade – Alice estranhou a forma cordial como ele falava, naquele momento. Era como se a satisfação de suas famílias fosse realmente importante.

_ Sem rodeios – ela o cortou, não dando brecha para a fala branda.

_ Me agradaria que você finja animação, ao menos, senhora minha esposa. – ele disse, e no mesmo segundo ergueu seu braço e a rodou, impedindo-a de falar.

Quando ele a segurou pela cintura novamente, colando seu tronco ao dele para que ela não caísse, ela o fuzilou.

_ E agradaria a mim que o senhor tropece e quebre todos os ossos do pé – ela rosnou sob o fôlego.

Jasper riu, porem não disse mais nada enquanto conduzia ela ao ritmo da música, ao lado de casais como Sr. E Sra. Masen, ou os McCarty’s.

Felizes.

Alice desviou o olhar de suas irmãs e passou a vagar pelas pessoas que dançavam.

Sentada em uma mesa distante, olhando desprezadamente para as pessoas, Jane Volture se abanava.

Automaticamente, Alice lembrou-se de Jasper e dela conversando.

Duas vezes.

Se perguntou o que haviam de interesses mútuos para que conversassem. Movida pela curiosidade, Alice o encarou, relutante.

_ Não que me interesse – ela disse em um tom petulante, como alguém que realmente não se importa em saber ou não – Mas desde quando conhece a Srta. Volture?

A expressão de Jasper ficara indecifrável, e Alice detestou isso. Lhe irritava ter que decifrar as coisas.

_ Como a Sra. acaba de dizer – ele se aproximou um pouco do rosto de Alice e adorou vê-la aparentemente incomodada – Não é de seu interesse – deu de ombros, girando-a novamente.

Alice pouco acreditou no que ouvira. Em outro momento, teria uma resposta na ponta da língua para dirigir à senhoria que lhe disseste aquilo.

Porem, algo no tom de Jasper a calou. Ele... ele realmente não parecia querer compartilhar nada que dizia respeito à ele, com ela.

Parecia meio rude.

_ Grosso! – ela murmurou entre dentes. Decidiu não lhe dirigir mais a palavra.

_ Mas – ele continuou – Só para que você não seja assombrada pela curiosidade – sua presunção fez Alice apertar sua mão entre seus dedos com mais força do que necessitava – Conheci a Srta. Volture há dois dias. O Sr. Volture é um amigo de longa data de meu pai.

Alice olhou para Jane enquanto Jasper falava. Curiosamente, ela os encarava ao longe, inseparavelmente de seu leque. Alice pensou ter interpretado mal, mas ela lhe encarava com um olhar duro e, pela primeira vez, Alice não entendeu sua razão.

_ È uma Srta. encantadora.

Quando Jasper disse aquilo, ela o encarou com a testa franzida.

Jane Volture encantadora?

_ Ah, pois você acha? – ela indagou grosseiramente – Deveria ter casado-se com ela, então.

_ Tenha certeza, minha cara, que definitivamente, essa era a intenção.

Foi o que ele respondera.

~•~•#•~•~

Os convidados, aos poucos, iam embora, despedindo-se dos noivos na entrada. Alice não voltara a dançar com Jasper, naquela noite. Ocupou-se com seu pai, o Sr. Witlock, Sr. Volture, e até mesmo com Pe. Charlie.

Não se importou muito por onde andava seu então marido, mas tinha uma grande intuição que deveria estar imprensado nas garras de Jane. Ela apenas esperava que ele não iniciasse um falatório na cidade.

_ Me procurando? – ela se sobressaltou quando escutou a voz dele logo atrás de si. O encarou com uma expressão não muito amigável. Não entendeu por que a cara dele passou a lhe deixar mais zangada.

_ Não, estive me ocupando com coisas mais prestativas, como encarar o teto a noite inteira – ela respondeu sem realmente olhá-lo – Tenha uma boa noite, Sr. e Sra. Denali – sorriu para o simpático casal que lhe acenava. Jasper também sorriu, porem limitou-se à isso.

_ Jane Volture disse-me que você a encara como se quisesse arrancar seus olhos – ele comentou casualmente, porem Alice pôde sentir uma pontada de repreensão ali.

Ela o olhou estupefata. Certamente não contara como essa Srta. era uma verdadeira cobra venenosa para com ela, não?

_ Pois tenho certeza que esse é o desejo dela comigo, também – ela respondeu rispidamente. Até aquele momento, estava tentando se conformar com aquele casamento. Mas viu que talvez as coisas fossem mais difíceis do que ela fazia idéia.

De canto de olho ela o viu virar-se para ela. Não parecia trazer muito humor em seus olhos.

_ Não tem modos nenhum, Alice? – ele perguntou, mas soara mais como uma acusação.

Alice sentiu como se lhe esbofeteassem a cara. Quer dizer, uma coisa era sua mãe lhe dizer isso.

Outra coisa era aquele homem, cuja companhia ela detestava e cujo pescoço ela queria estrangular, lhe falar aquilo.

_ Quem pensa que é? – ela perguntou com a voz levemente alterada. Nem se importou com as poucas pessoas que ainda restavam ali.

_ Só estou dizendo que ela não fez nada para que a trate desta maneira – Jasper ponderou, sorrindo para as famílias ao longe – Ela comentou o quanto é sempre gentil com você, em suas aulas de chá.

A raiva de Alice se solidificou mais um pouco no mesmo instante que ele dissera aquilo.

_ Saia de perto de mim, Witlock – ela rosnou baixo, seus olhos fulminando seu perfil.

E, então, Jasper riu.

_ Acalme-se – disse, voltando com seu humor irritante – Eu apenas fiz um saudável comentário, madame.

­_ Pois guarde seus comentários para você mesmo – ela cruzou os braços sobre o peito, irritada por perder o controle. Se o detestava antes apenas em ouvir sua voz, agora preferia morrer à ter que manter uma conversa cordial com ele.

Os dois ficaram em silencio enquanto estavam parados à porta, despedindo-se de todos.

Minuto a minuto, o braço de Jasper roçava levemente no seu quando ele cumprimentava os Sr’s que saiam. Mesmo que não fosse de propósito, Alice precisava ser grosseira com ele.

_ Agradeceria se o Sr. não encostasse em mim.

Jasper revirou os olhos. Seu pai, definitivamente, lhe deveria uma bem grande.

­ _ Com todo o prazer – ele murmurou.

_ Oh, querida, estava tudo tão lindo! – Esme aproximou-se. Seu nariz fino estava irritado e seus olhos, inchados. Alice deduzira que ela havia chorado a festa inteira. Assim como na cerimônia.

Assim como no jantar na noite passada, enquanto comiam torta de amora.

_ Mamãe, pare de chorar. A única que deveria chorar sou eu – “mesmo que por motivos diferentes” ela completou em pensamento.

_ Ah, mas me emociona – novamente, sua voz embargara e se olhos encheram-se de lágrimas – Acho melhor eu e seu pai irmos para casa, minha querida. Ele tem que viajar logo pela manhã – ela disse, levando um pequeno lenço branco ao nariz.

_ Mas... por que tanto papai viaja? – Alice perguntou para sua mãe. De uns tempos, seu pai vivia em cidades próximas, a trabalho – Pensei que eram os Sr’s que vinham até ele atrás das pedras.

Esme parecia tão confusa quanto a filha, porem menos interessada do que a mesma.

_ Não tente entender a cabeça desses negociantes, querida. Não é mesmo, Jasper?

Jasper assentiu, entendendo porque gostava de conversar com a Sra. Cullen.

_ Certamente, Sra.Cullen.

Ela sorriu para ele, e então abraçou fortemente a filha.

_ Até breve, minha querida.

_ Até breve. – Alice respondeu com pouca vontade. Realmente queria voltar para a casa com seus pais e fingir que tudo aquilo havia sido uma brincadeira.

Sua mãe fora de encontro à seu pai, já do outro lado do salão. Ele apenas acenou, dando seu costumeiro sorriso econômico para a filha.

E partiram.

_ Sabe, estou com sede – Jasper anunciara uma hora. Quando Alice não disse nada, ele continuou – Você poderia pegar uma taça de vinho para mim, por favor? Preciso desejar boa noite para o Sr. Black, o dono do banco.

Alice riu alto.

_ Morrerá seco esperando que eu vá pegar um copo de vinho para você.

Jasper deu um aceno de cabeça para Edward Masen, casado com a irmã de sua esposa, quando este lhes olhou, parecendo comentar alguma coisa com sua Sra.

_ Talvez eu deva pedir de outra maneira – ele cruzou os braços sobre o peito, seus tendões ficando esticados e visíveis.

_ È, deveria tentar – ela murmurou indiferentemente.

_ Se não pegar uma taça de vinho para mim, lhe beijarei os lábios outra vez.

Alice congelou ao lado dele. Um frio subiu por sua espinha até os flancos! Lembrou-se vividamente quando ele lhe beijara no altar e como fora bom o calor que isso lhe causara.

Porem, dele, um beijo era a ultima coisa que desejava.

Ela tentou transparecer com suas palavras sua arrogância. Mas sua voz estava meio engasgada.

_ O Sr. é um chantagista com poucos escrúpulos!

_ Oh, não! Apenas me utilizo de suas fraquezas para um bem pessoal.

Alice respirou fundo, segurando sua paciência consigo para que ela não lhe fugisse.

Com relutância, ela se viu encaminhando-se para a mesa de bebidas, podendo quase sentir o riso debochado dele.

~•~•#•~•~

Biloxi, Mississipi

Carruagem

A festa havia acabado. Era chegada a hora de começar sua nova vida.

Ao seu lado, seu marido, que pouco lhe dirigira a palavra.

A carruagem balançava constantemente devido às pedras da rua. De repente, enquanto encarava as casas que passavam lá fora, e as pessoas que ainda transitavam nas ruas, ela viu um chapéu marrom e pontiagudo.

Ela conhecia aquele chapéu.

Pôde ver por sobre a cabeça de algumas pessoas, alguém a olhando. Um olhar triste, ressentido, magoado.

Ela também conhecia aquele olhar.

Ela levantou-se um pouco da poltrona da carruagem, tentando ver melhor, mas já era tarde.

Alec já havia dado as costas, sumindo por entre as pessoas, misturando-se à escuridão da bela noite.

Notas finais
E entãooo???
Bom, eu particularmente adoroooo esse cap. skpakspaks
E quanto a voces???
:*