Os Segredos dos Seus Braços

28 Uma fotografia antiga e um misterioso assassinato


Notas iniciais
Ah, cá estou eu outra vez.
Tiveram todas um Feliz Natal?????
Espero que sim, pq o meu foi uma merda (sim,PQ EU TIVE QUE FAZER PLANTÃO!)
Mas enfim, né.
Entao, esse cap tem grandes emoções, viu?
E não liguem para a desconfiguração CHATA que o Nyah faz com os capitulos.
Ahhh, e obrigada a TODAS pelos reviews. Fico tão triste de não ter nem tempo mais para responder.
Mas voces perdoam, né??????
skapskpaks
Bem, espero que gostem dele.
Boa leitura!
:*

Cap. 28 — Uma fotografia antiga e um misterioso assassinato

Biloxi, Mississippi

1901

Festa de casamento

Jasper ergueu sua taça ao alto, rolando os olhos, antes presos em Alice um pouco abaixo no salão, para todas as pessoas que festejavam juntamente com ele naquele lugar.

As expressões eram diversas e a expectativa evidente. As pessoas gostavam mesmo de comemorar.

Mesmo que fosse qualquer coisa.

_ Eu tenho que agradecer ao Sr. meu pai – disse ele em alto e bom som. Com um cordial sorriso em seus lábios, ele fizera um gesto respeitoso à Félix Witlock. Este, por sinal, não cabia-se em orgulho e satisfação — ... e a ninguém mais...

Alice acompanhou as palavras de Jasper com dureza no olhar. Sabia bem que havia acontecido algo entre Jasper e Félix, pois Consoelo havia lhe dito que haviam discutido na biblioteca de sua casa.

E, no entanto, Jasper estava ali, oferecendo um brinde à ele. E a ninguém mais, foi o que ele falara. Pensando em suas palavras e escutando atentamente ao seu discurso, Alice engoliu em seco ao se dar conta de que ele nem ao menos citaria seu nome em qualquer agradecimento.

Era apenas hipócrita.

Claro que, certamente, ele jamais se lembraria dela enquanto falava para tantas pessoas. E, também, eles estavam brigando novamente e o clima estava ficando pior a cada dia.

Mesmo assim, ela sentia-se... ressentida?

_ Oh miséria! – ela sussurrou para si mesma ao ver que estava novamente pensando em Jasper e novamente pensando em sua briga.

Enquanto ele oferecia um brinde ao seu pai!

_ Então, eu quero agradecer ao meu pai por todas as coisas dignas e construtivas que fizera por mim – disse ele, ainda segurando seu sorriso, um tanto cordial demais – Também, por ser o responsável pelas coisas mais importantes de minha vida, certamente – as pessoas soltaram risinhos no meio do salão, deduzindo que ele se referia aos pés de café e todo o negocio que seu pai construíra por anos.

Alice fechou as mãos entre o tecido do vestido com força, segurando a língua para não levantar-se e dizer-lhe coisas, chamá-lo de hipócrita, de indigno e um completo mentiroso.

Deus, estava realmente raivosa com ele.

_ Meu pai é o homem mais inteligente e de bom gosto que esta cidade já conheceu – ele aumentou o tom, como se, naquele momento, começasse a ficar mais sério do que antes. Mas, antes de continuar, seu olhar voltara para Alice, que deixava sua mágoa transparecer por seus olhos, antigamente sempre vívidos – E, por tudo isso, eu tenho que agradecer ao Sr. meu pai... – fez uma pausa — ...por ter escolhido a moça mais perfeita de Biloxi para ser a minha mulher.

No salão, as pessoas se entreolharam, um tanto surpresas por suas palavras. Agora viam que, na realidade, o brinde de Jasper não era necessariamente para o Sr. seu pai.

Era para Alice.

E não se tardou os aplausos e os vivas, seguidos dos tilintares das taças batidas umas nas outras. O salão se iluminou e as musicas voltaram a soar por todo o canto, enquanto todos se abraçavam e rodavam novamente.

Porem, Alice havia paralisado em sua cadeira, em sua posição e seus pensamentos, antes rancorosos, misturaram-se às repetições das palavras insanas dele. Ele... ele estava dizendo, para que todos ouvissem, que ela era a mulher mais perfeita de Biloxi?

Mas.... não fazia sentido! Não quando ele se deitava com outras, quando tinha diversas amantes e não sentia nada por ela...

_ Oh, você nunca fez um brinde por mim! – Bella resmungou em um momento, dando uma leve cotovelada no Sr. seu marido, enquanto todos voltavam a fazer o que faziam antes.

_ Isso foi tão romântico! – Rose continuou, tapando a boca enquanto seus olhos marejavam-se – O Sr. meu marido nunca disse para todos que eu sou perfeita! – ela dirigiu um olhar repreensor para Emmett, que encolhera-se um tanto em sua cadeira, enquanto engolia discretamente o bolo de massa que mastigava – Você deve estar lisonjeada, não é minha irmã? – indagou, virando-se para Alice com um enorme sorriso. Porem, ela franziu o cenho, assim como todos na mesa que passaram a encarar Alice, ao notar que ela não havia se movido de sua posição. Seus olhos estavam vidrados, estáticos enquanto ela apenas movia o peito junto com sua respiração desregular.

Ela encarava Jasper, ainda em pé, tentando buscar alguma explicação para o que havia acabado de escutar.

No alto de sua seriedade, Jasper transpassava algo mais, ela notou. Seu olhar, agora, era de um certo cansaço... uma tristeza que não fazia parte do usual dele.

Por segundos, a bela vivacidade de seu olhar sumira.

_ Jasper.... – ela sussurrou em um mover de lábios, apoiando a mão na lateral da mesa para poder levantar-se. Fora um impulso, mas sentira a necessidade de ir até ele.

Porem, quando esse pensamento viera a sua mente, Jasper saiu discretamente de seu assento, dando curtos acenos com a cabeça ao passar por alguns homens.

E quando ela menos vira, ele sumira por entre as pessoas.

_ Alice, que cara é essa? — Rose indagou, atraindo os olhos perspicazes de Alice para ela. Agora que sabia que sua irmã estava doente, qualquer alteração que ela apresentasse lhe preocuparia.

Em uma batida de coração, ela pôs-se de pé.

_ Onde vai, querida? – Esme lhe perguntou, franzindo a testa.

_ Quer que vamos com você? – Bella colocou-se de pé no mesmo segundo que ela, logo após trocar um sugestivo olhar com Rosalie.

_ Não – Alice murmurou, ainda um pouco afetada – Não, eu preciso apenas... apenas...

Antes que conseguisse pensar em algo, ela dera as costas e saíra da mesa, levando consigo suas confusões e o aperto de seu peito.

Buscou por entre as pessoas e perto dos pilares. Seus olhos correram por todos os lados enquanto rostos passavam por ela, mas nenhum que fosse o de Jasper.

Ele havia sumido.

_ Porcaria – ela murmurou, parando com sua exagerada busca por ele, antes que começasse a ficar obvio demais.

Ela já estava buscando por ele com a mesma intensidade de antes da briga.

_ Alice, não suma de nossas vistas! – Rose exclamou, erguendo o braço por entre as pessoas para que Alice avistasse a ela e a sua irmã, Bella.

Alice virou-se para elas revirando os olhos. Não bastasse Jasper com todo aquele excessivo cuidado, agora suas irmãs, de uma hora para outra, haviam começado a perturbá-la com isso, também.

Por um momento, ela quase imaginou que algo pudesse estar acontecendo.

Todavia, nem suas irmãs nem Jasper esconderiam algo sério dela, afinal sabiam exatamente como ela se sentia quando escondiam coisas dela.

_ O que há com vocês? – indagou ela, juntando-se às suas irmãs. Tentou agir naturalmente, embora ainda procurasse, vez ou outra, pela figura dele em algum lugar. De repente, ela precisava ouvir sua voz; precisava conversar com ele para... bem, para dizer o que estava sentindo.

Dizer que estava quase disposta a perdoá-lo, mesmo que o que ele tivesse feito houvesse aberto em seu peito uma ferida maior do que qualquer outra que ela já havia sentido.

_ Oras, Alice, queremos apenas.... bem – Bella balbuciou, tendo a consciência de que sempre fora uma péssima mentirosa.

_ Queremos ficar um tempo com você – Rose a interrompeu – Sabe, como boas irmãs.

Alice semicerrou os olhos para as duas, desconfiada até a morte. Porem, deu de ombros, querendo se preocupar mais com sua impaciência em ir embora, onde pudesse tirar o que estava enterrado em sua garganta.

_ Vocês não estão permitindo que eu sinta saudades de vocês – Alice disse, refazendo o caminho até a mesa de sua família para esperar por Jasper.

Quem sabe ele até mesmo já estivesse disposto ali.

_ Bem, e você não está sendo uma irmã tolerante, sabe? – Rose viera resmungando bem às suas costas, enquanto ela estava distante demais para escutar.

Fora quando avistara, um pouco ao longe em seu caminho, o Sr. Witlock, pai de seu marido, conversando animadamente com um homem cujo nome ela esquecera-se.

Talvez ele soubesse onde ele estava, ela pensou.

Aproximou-se dele um pouco mais excitada do que antes, entendendo sua súbita impaciência para estar com Jasper como pura curiosidade em saber o que ele estava planejando com aquele brinde estranho.

_ Sr. Witlock? – ela tocou seus ombros, sabendo que seria rude em atrapalhar a conversa – Sr. Witlock?

Félix virou-se para trás com lentidão ao escutar seu nome. Estava tão entretido em sua conversa que não fazia idéia de quem se aproximava. Porem, assim que vira Alice, lhe sorriu educadamente.

_ Olá minha cara – ele acenou com a cabeça, terminando de virar-se para ela. Ela via a forma estranha com que ele a encarava, assim como suas irmãs faziam, às vezes. Todos estavam estranhos demais, ela pensou.

Mas seu foco era outro, naquele momento.

_ Hãn... bem, estou procurando seu filho – ela sorriu cordialmente, pouco se importando na forma com que parecia ansiosa – O Sr. por algum acaso viu Jasper por aí?

Félix franziu o cenho diante da pergunta dela, certamente achando um tanto estranho a esposa não saber onde o marido se encontrava. Ele olhou ao redor, por cima das cabeças, procurando por ele assim como ela.

Alice decepcionou-se ao notar que ele sabia tanto do paradeiro de Jasper quanto ela.

_ Bem, não o vi desde aquele belíssimo brinde para você, minha cara – ele lhe sorriu, bebericado de sua bebida – Mas certamente ele deve estar dando apenas uma volta. Não se preocupes, tão logo ele voltará para você – disse ele, erguendo sua taça como se brindasse suas palavras.

Alice sorriu, concordando com a cabeça. Mas não continuou ali para dar margem a uma possível conversa entediante. Continuou seu caminho, vendo que teria que procurar Jasper de sua cadeira, mesmo.

E fora assim durante o resto de noite que ela tivera.

_

Já era tarde da noite quando seus pais resolveram ir embora. A festa ainda não havia chegado ao fim, porem a disposição de todos daquela mesa sim. Quando levantaram-se para irem embora, Sr. Halle aparecera para dizer-lhes boa noite.

Alice cruzou os braços sobre o peito, desapontada pela noite intragável que tivera logo após o brinde de Jasper.

O qual a havia chamado de perfeita...

_ Tenham uma boa noite – disse o homem, apertando diversas vezes as mãos de todos – Obrigado por virem.

_ Obrigada pelo convite, Sr. Halle – Esme pronunciou-se, uma vez que seu marido estava embriagado de tanto vinho – A festa estava deslumbrante. Realmente estava!

O homem sorriu largamente, fazendo seus olhos mirrados desaparecerem entre as dobras de sua pele. Cumprimentou Esme, Emmett, Edward, Bella e Rosalie com igual empolgação.

E então virou-se para Alice.

_ E a Sra? – indagou ele – Está sozinha, aqui? Onde está o Sr. seu marido?

Alice ocultara uma careta, trocando o peso dos pés.

A resposta seria deprimente...

_ Bem, eu...

_ Eu estou bem aqui, Sr. Halle – Jasper aparecera por trás do homem, o sorriso cordial que ele tinha para com todos novamente ali – Fui apenas até o banheiro.

O homem assentira com a cabeça, pegando as mãos de Jasper para dar boa noite, também.

E, assim que eles se direcionaram para a saída, Alice o olhou de rabo de olho, pois ele caminhava silenciosamente ao seu lado. O silencio dele não era muito confortável para ela, pois ela gostava de saber que, ao menos, ele tentaria falar com ela vez ou outra.

Mas ele havia voltado de repente, e sua mudez dizia muita coisa.

Quando entraram na carruagem, ela notou a expressão vazia que ele apresentava e aquilo estalou seu coração. Oh Deus, aquele clima era tão pesado...

Ele se sentou no mesmo lugar onde havia se sentado enquanto iam para aquela festa. Olhava pela janela do mesmo modo que ela fazia antes, obrigando-o a fazer também.

Dentro de sua cabeça, Alice pensava em um turbilhão de coisas, e a mágoa que existia antes em seu peito, pouco a pouco ia sendo substituída pela preocupação. O silencio que agora era ele quem fazia a dera calafrios.

Alice abriu a boca para perguntar a ele qualquer besteira, apenas para saber se seria ignorada ou se ele estava daquela maneira pelo próprio silencio que ela mesma impusera desde que haviam brigado.

Afinal, fora ela quem mandara ele parar de falar com ela, certo?

Alice respirou fundo, segurando as palavras consigo, não querendo ser a primeira a ceder. Esperaria ele falar consigo, o que certamente ele faria.

Certo?

Bem, ela começou a duvidar daquele pensamento quando chegaram em sua propriedade e o silencio ainda imperava absoluto. Quando subiram as escadas entre um abismo de gelo e quando chegaram ao seu aposento na maior distancia que já haviam tido.

Por dentro, Alice queria gritar, naquele momento. Queria perguntar o que acontecera à ele, o que aconteceria dali em diante e, o principal de tudo, o que ele quisera dizer com aquele brinde.

Porem, ele abrira o armário em silencio, distante e completamente à parte do gritante desespero dela em escutar algo vindo dele.

O orgulho fora abafado dentro de si quando ela vira que ele estava preste a trocar de vestes para dormir.

E a única coisa que gritou em sua cabeça era se ele dormiria novamente longe demais dela.

Fora impossível ela refrear a língua.

_ Uhum – ela pigarreou, rompendo, finalmente, o silencio que se solidificava cada vez mais. Suas bochechas coraram, pois era a primeira vez que ela dava o braço a torcer. Viu quando ele, por sobre os enormes ombros talhados, a olhara, sem que parasse de desabotoar sua blusa — Você.... você vai dormir aqui, hoje? – sua pergunta era para parecer casual, como se ela não se importasse se ele dormisse ou não. Porem, os brilhos cegos de seus olhos e a esperança escondida em sua voz eram maiores do que sua encenação.

Jasper virou-se devagar para ela, tentando conter o alivio por ela ter comentado. Em sua cabeça, tentava formular uma maneira de conseguir conversar novamente com ela, pois ela precisava estar mais mansa, mais amena para que ele... finalmente revelasse o que precisava relevar.

Esperava que seu brinde houvesse amolecido o coração de pedra que ela havia formado em seu peito.

_Quer que eu durma? – ele perguntou cuidadosamente, pois, por dentro, temeu que ela dissesse não.

_ Sim – ela respondeu de imediato, e nenhum sinal de hesitação passara por seu semblante.

Jasper estalou os olhos levemente, o alivio pela aparente volta a normalidade enchendo seu peito. Mas ele apenas assentiu para ela, sabendo que jamais poderia ficar aliviado demais.

_

Era tarde, praticamente a madrugada ganhava o céu. Jasper ainda mantinha-se calado, pensativo. Estava sentado do outro lado da cama, onde ele sempre dormia, vestindo sua calça e, ao menos dessa vez, uma camisa de linho branca.

Os tornozelos cruzados um no outro.

Alice terminou de lavar seu rosto e voltara para o quarto em seus passos leves e silenciosos. A casa inteira estava adormecida e o quarto iluminado apenas pelas velas de cabeceiras.

E novamente quieto.

Com um curto suspiro, ela fora em direção à cama para deitar-se em seu lado. Porem, encostou-se na madeira, imitando a posição dele. De canto de olho o encarou, esperando que ele se desse conta de que ela estava esperando que ele chegasse próximo à ela, que a beijasse, que a deitasse sobre aqueles lençóis brancos e a amasse como se fosse a única mulher de sua vida.

Entretanto, não fora isso que acontecera. Jasper parecia tão pensativo quanto distante, e a presença dela ali era algo trivial.

Alice se dera conta, depois de muito esperar escorada naquela madeira, que Jasper não a beijaria, dessa vez.

Internamente ela praguejou, odiando o fato de ter o perdoado e, mesmo assim, não tê-lo por perto. Precisava ser beijada por ele... Deus, precisava.

Ela mordeu os lábios, insegura de fazer o que tinha em mente. Virou-se levemente para ele, e no mesmo momento, seu coração disparara dentro do peito. Ah, mesmo que houvesse gritado para ele que o odiava, sabia que jamais voltaria na odiá-lo.

Não... não havia como.

Certamente, aquilo a tornara uma idiota, uma tola e uma presa fácil para ele. Mas Alice não quis se importar.

Não, Alice queria era beijá-lo.

E quando teve certeza de que aquilo era o certo a se fazer, ela tomou a coragem que sempre lhe faltara. Engatinhou no colchão o pequeno espaço que o separava dele. Não pedira, não avisara e nem esperou que ele se desse conta do que ela faria.

Ela sentou-se frente a ele, em seu colo.

Jasper finalmente movera seu olhar do nada para encarar os olhos castanhos vivos à sua frente.

_ Alice...? – ele murmurou, tentando parecer menos surpreso. Porem, suas mãos pararam em sua cintura, como se conferisse o que seus olhos vislumbravam.

Ele sentia tantas saudades deles dois quanto ela.

Alice colocou dois dedos sobre seus lábios, calando-o. Então, em um lento movimento, ela encostou timidamente sua boca na dele, fechando com força os olhos e sentindo as bochechas corarem.

Era novidade ela tomar a iniciativa dos beijos dos dois.

E Jasper parecera tão surpreso quanto ela própria. Porem, rendeu-se ao beijo dela, deleitando-se no momento que tinham juntos, dando-se ao luxo de esquecer qualquer preocupação.

A preocupação que estava tendo com os últimos acertos da estadia deles na capital que ele estava tendo com Dr. Swan.

Desceu sugestivamente suas mãos pelas coxas dela, erguendo sua fina camisola enquanto assumia o controle de sua boca e voltava a aproveitar o momento que já sentia falta. Beijar Alice talvez fosse a única coisa que o aliviasse. Seu corpo era a única coisa que fazia com que ele esquecesse todo o resto.

E ele sabia que não se referia apenas às vezes em que faziam amor.

Subiu ambas as mãos para as alças de sua camisola, abaixando-as por entre seus braços, revelando o busco semi-encoberto que fazia aquela camisola fina. Jasper não entendia por que ela insistia em usar, afinal todas as noites acabam com ambos nus enrolados entre os lençóis.

Porem, era tão fascinante desvendar pedaço por pedaço de sua pele alva, que ele não podia reclamar de absolutamente nada.

Alice emaranhou suas mãos entre seus cachos, começando a entregar-se completamente apenas ao beijo dele, aprofundando-se de uma maneira intensa. Sentiu ele livrando-a de suas vestes, deixando-a, pouco a pouco, completamente exposta á ele.

Outra vez.

E permitiu quando ele partiu de seus lábios para outras partes sensíveis de seu corpo. Apenas sentiu o colchão sobre suas costas quando ele a deitou, pondo-se entre suas pernas.

Apertando-a. Beijando-a.

Unindo-se á ela outra vez.

Alice gemeu seu nome fracamente, movendo seu quadril, indo e vindo junto com ele. Seus ritmos vagarosos enquanto molhavam o lençol com o suor que seus corpos entrelaçados apresentavam.

Ela arranhou suas costas com as unhas quando ele alcançou o mais profundo de seu interior, passando a mover-se freneticamente, a amando como ainda ela não havia experimentado. Apertava seu corpo como se ela fosse a mais preciosa. Como se sua pele fosse a mais sedosa e seu corpo o único onde ele gostaria de estar.

Talvez, Alice pensou de repente, ele não... ele não tivesse outras mulheres.

Talvez fosse apenas o ciúme irreal dela falando mais alto. Porem, se ele não havia usado todo aquele dinheiro para comprar algo para suas amantes, o que teria feito?

_ Allie...- ele sussurrou em seu ouvido, apertando sua mão em uma de suas pernas, prendendo-a em volta de sua cintura.

E, nesse ponto, ela perdeu-se em puro gozo de satisfação.

_ Então eu sou.... sou a mo-moça mais perfeita....de Biloxi? – ela sussurrou sôfrega, sorrindo, mesmo que o cansaço estivesse tomando conta de si novamente.

Com o rosto afundado em seu pescoço, Jasper riu, acariciando sua bochecha. Manteve seus movimentos, mas era algo muito mais ameno, mais pacifico e delicado.

Era como se fizessem amor e não apenas sexo.

_ Sim – disse ele – A mais perfeita.

Alice sorriu bobamente para o nada, sabendo que ele não mentiria para ela, sabendo que ela era a moça mais perfeita aos olhos dele.

Ela quase chegou a começar a pensar que ele... que ele poderia sentir alguma coisa por ela...

Porem, ela não se permitiu perder seu momento juntos, onde seu corpo ardia de desejo pelo dele, onde ela poderia se permitir sussurrar coisas insanas. Deixaria para pensar quando já pudesse voltar a fazer isso...

~•~•#•~•~

Biloxi, Mississippi

1901

Dia seguinte

Alice já acordara dolorida, naquela manhã. Mal conseguia mover seus braços sobre o colchão e, quando tentou, o menor dos esforços a fez tossir tanto que ela até mesmo perdera o ar.

Aquelas tosses estavam piorando dia a cada dia.

_ Jas...Jasper? – ela chamou seu nome, tentando abrir os olhos, mas até mesmo eles pesavam como pedras.

Tateou no lençol para encontrar o corpo dele e acordá-lo para que a ajudasse. Deus, ela precisava de ajuda para conseguir sentar-se sozinha. Porem, o pano estava revirado e ela deduziu que Jasper já houvesse acordado.

_ Alice, eu....Alice?

Ela escutou a voz dele adentrar o quarto quando a porta se abrira. Tão logo ela sentira seu tom mudar quando a escutou gemer fracamente.

_ Jazz, me ajude aqui, meu corpo está doendo! – ela reclamou, respirando com cuidado para que não voltasse a tossir descontroladamente.

No mesmo segundo, ela sentiu as mãos dele envolvendo suas costas e puxando suas pernas para sentá-la na cama.

_ Deus, há quanto tempo está com dores? – ele perguntou apressadamente, e Alice sentiu mais pânico em sua voz do que ela presumiu que ele pudesse apresentar.

_ Acabei de acordar – ela murmurou, tentando forçar sua posição, porem sentindo tanta dor nas juntas que quase gritou – E essas dores... elas estão piorando, Jasper! Estão a cada dia pior!

Jasper murmurou um palavrão enquanto abraçava as costas dela, limpando como podia o suor de sua testa.

Multiplicando-se lentamente”, pensou ele desesperando-se.

_ Fique... fique calma – murmurou ele e Alice quase esqueceu suas dores para tentar tranqüilizá-lo. Era quase... uma reação esperada.

Jasper parecia saber que ela estava se sentindo mal no mesmo segundo que adentrara aquele quarto.

Alice se perguntou se ele poderia, assim como ela, ter notado que ela estava doente. Porem, ele lhe perguntaria, certo?

_ Jasper, por que....

_ Não diga nada, Alice – ele a cortou, ajeitando-a entre seus braços. Antes que ela pudesse protestar, ele a pegou no colo e se dirigiu à casa de banho.

Ela queria dizer-lhe que não queria tomar banho, naquele momento. Que queria mesmo era voltar para sua cama e esperar que a dor fosse embora. Porem, suas forças se esvairiam pouco a pouco, e ela se viu encostando sua cabeça na curva de seu pescoço, fechando os olhos novamente.

E, depois disso, ela lembrava-se apenas da água que envolvera seu corpo lentamente, assim como os braços dele...

_

Alice acordou novamente e se sentira bem mais disposta. Sabia que Jasper havia lhe dado banho, pois seus cabelos não haviam secado completamente.

Inclusive o travesseiro em que estava deitada encharcara-se.

Ela se sentou na cama, um pouco sonolenta. Pelo brilho da janela ela vira que já deveria ser quase o horário do almoço e essa constatação a fez sentir o cheiro do frango de Consoelo.

Ela franziu o cenho, sentindo o estomago dar sua usual revirada à menção de um simples pensamento acerca de alimento.

Agora, alem da falta de apetite, ela também se sentia um tanto enjoada frente ao mesmo.

_ Ah, você acordou – a voz de Jasper surgira na fresta da porta, agora um tanto menos aterrorizada, enquanto ele sorria um pouco. Alice passou as mãos nos cabelos, que certamente estavam tão fora do lugar quanto sua saúde, e assentiu – Bem, é melhor que fique no quarto, ao menos essa manhã.

Ela abriu a boca para protestar, mas o olhar de comando de Jasper paralisou suas palavras. Bem, ela se sentia melhor, mas não totalmente ao ponto de sair de casa. Ou até mesmo do quarto.

O problema era que detestava seguir ordens, quanto mais as de Jasper.

Porem, ela se vira assentindo novamente. Quando o olhou, ele estava parado frente a cama, as mãos na cintura, a olhando de um modo estranho.

_ O que foi? – ela perguntou, lembrando que detestava que a encarassem daquelas formas misteriosas.

Jasper estalou a língua, passando uma das mãos pelo rosto, como se o pensamento que pairava em sua cabeça naquele momento pudesse ser apagado com aquele ato.

_ Nada – disse ele depois de um longo suspiro – Fique aqui, está bem? – repetiu sua ordem, ainda mais sério.

Alice revirou os olhos, cobrindo suas penas expostas com a manta da cama. Queria muito pedir para que ele ficasse ali com ela durante o tempo em que ela teria que ficar.

A ultima noite que haviam passado juntos havia sido tão diferente que ela sentia algo em seu corpo acelerar quando pensava em repetir. E ficar nos braços dele mais um pouco era tudo o que ela poderia pedir.

_ Você não quer ficar aqui comigo? – ela pediu em tom baixo, tentando comovê-lo com seu olhar abandonado e seu bico.

Mas, diferente da expressão imediatamente animada que Jasper fazia quando havia a possibilidade de fazerem amor, ele dera apenas um curto sorriso, cortando de imediato a empolgação e a excitação do coração de Alice.

Havia, definitivamente, alguma coisa errada.

_ Eu adoraria – disse ele e, com sofreguidão, aproximou-se da cama, inclinando-se sobre ela – Mas preciso dar alguns telefonemas e não sei quanto tempo eles durarão – explicou ele de forma tão séria que Alice não se atreveu à questionar – Mas volto para ficar com você assim que acabar lá embaixo – continuou e, de repente, tudo ficara com um tom pesado demais para aquele assunto ser de meros telefonemas – Pois teremos que conversar, Alice.

Alice sentiu um repentino frio na espinha a arrepiar. Não gostara nenhum pouco da seriedade dele e muito menos do mistério acerca daquela conversa.

O que diabos teriam para conversarem?

_ Bem – ela balbuciou – Está bem, vá – limpou a garganta, sentindo um terrível incomodo se assolar de seu corpo.

Jasper assentou silenciosamente, inclinando-se em sua direção para beijar-lhe levemente os lábios.

E antes que ela dissesse qualquer outra coisa, ele já saira de lá.

_

Alice cansara de esperar Jasper sair de seu escritório, onde havia ido dar seus telefonemas infinitos. Toda a agitação dele, dessa vez, não se refletia nela. Ela sentia-se tão indisposta que lutou muito contra a vontade de voltar a deitar-se em sua confortável cama. Seu peito doía tanto que ela não conseguia respirar.

E ainda esperava por Jasper.

Porem, ela não queria voltar para a cama e sua espera por ele já não estava tão divertida quanto antes. Ela precisava mover-se ou atrofiaria.

Assim, ela pegou o pano que Lilly havia deixado ali em seu quarto para tirar o pó de sua penteadeira mais tarde e começou a limpar ela mesma. A madeira escura mostrou-se quando ela passou o pano levemente pela primeira vez. Seu brilho voltou e ela pôde ver a si própria refletida.

Sorriu ao ver que, ao menos no reflexo da madeira, ela não parecia tão pálida e magra e seus olhos não pareciam tão opacos como ficavam mais dia após dia.

Alice balançou a cabeça pensando que estava com alguma virose maldita, talvez até mesmo com outra constipação.

O problema era que nunca melhorava.

Ela logo teria que indagar seu marido, saber se ele notara a mesma coisa que ela. O problema seria se fosse algo sério... Deus, ela morria de medo adoecer e, oh céus, chegar a morrer dolorosamente. E odiava ficar vulnerável... odiava ser fraca e depender dos outros.

Deus a ajudasse e aquele mal que se abatia cada vez mais sobre seu corpo curasse de uma vez por todas.

Um barulho de algo caindo contra o assoalho a tirou dos devaneios em um susto. Havia batido o braço em uma pequena e esquecida caixinha de Jasper, que caíra e abrira-se, espalhando tudo o que guardava pelo assoalho.

_ Oh, o que diabos é isso? – ela resmungou, abaixando-se com pouca vontade-muito menos disposição – para pegar as diversas fotografias que caíra bem aos pés.

Eram pequenas e em preto e branco, a Alice pegara com todo o cuidado que seus dedos permitiam. Aproximou-as do olhar para ver uma bela mulher de cabelos claros, sorrindo em todas as fotografias em que aparecia.

E ela estava em praticamente todas.

Seus olhos também eram claros e seu sorriso era tão belo quanto o de JAsper, pois ela tinha traços que ele próprio tinha.

_ Mas essa é....

_ Essa é Elizabeth – Jasper respondeu por ela, aparecendo na porta com seu sorriso maroto, assustando-a – Essa é a minha mãe – continuou, desencostando-se do batente para aproximar-se dela.

_ Ela é...

_ Sim, ela é linda – ele riu, pegando uma das fotos de sua mão para tocar com as pontas dos dedos rústicos.

Alice franziu a testa, olhando para uma das fotos que ela tinha nas mãos. Nessa, Jasper com seus 8 anos estava ao seu lado, sorrindo tão belamente quanto ela. Porem, não fora esse detalhe que ela reparava.

Olhou para os enormes cacheados cabelos loiros e os belos olhos claros- azuis, certamente. Seu sorriso lembrava o de Jasper, mas seus lábios finos não tinham nada a ver com ele.

Ela tinha belos traços alemães.

_ Jasper, ela se parece muito com...

_ Sim, Alice, receio que tenha reparado nisso, também – ele a interrompeu novamente e vira o momento em que ela revirara os olhos. Ele colocou-se em sua frente, pegando outra foto de suas mãos – Ela é muito parecida com Jane Volture.

Alice mordeu os lábios, observando atentamente todos os traços que lembrava Jane.

E eram os mais marcantes.

_ Oh, Jasper, não me diga que...

Jasper riu um pouco mais alto, calando-a novamente.

_ Não! – ele maneou a cabeça firmemente – Não, Alice, Jane não é uma irmã bastarda, de forma alguma minha mãe teria um caso com o Sr. Volture.

Alice lhe entregou todas as fotografias que tinha nas mãos, a confusão lhe incapacitando de entender as informações.

_ Então... então por que ela parece tanto com sua mãe? – indagou ela, um tanto enciumada. Agora que era excluída a hipótese de uma possível ligação fraternal, Jane ainda estava em seu caminho, e aquela semelhança toda a incomodara.

Jasper andara um pouco pelo quarto, olhando sucintamente para a imagem da mãe já falecida naquelas fotografias.

_ A mãe de Jane, Sra. Lucy, é prima de minha mãe – disse ele com uma voz baixa – Vieram dos primeiros descendentes de alemães de Biloxi. Daqueles que trouxeram as salsichas, sabe? – brincou ele, rindo um pouco.

_ Então você e Jane são, hãn, como primos ou algo assim? – arriscou ela, mirrando os olhos para ele.

Ele deu de ombros, jamais deixando de olhar para a foto.

_ Bem, algo assim – murmurou com pouca vontade – Mas Sra. Lucy Volture nunca contou isso à Jane pois não queria que tivéssemos laços próximo...digo, minha família e a dela. Ela queria que cortássemos relações, entende?

Alice franziu o cenho novamente, sentando-se na beirada da cama.

_ Mas por quê?

_ Por que ela e minha mãe nunca se deram bem – disse ele, sentando-se ao lado dela na cama – Ela sempre quisera se casar com um homem rico e, bem, o homem rico em questão naqueles tempos era meu pai – revelou ele – E meu pai, claramente, encantou-se por minha mãe que, modesta a parte, era a mulher mais linda de Biloxi! – riu ele, e Alice reparou em seus olhos brilhantes.

Ele deveria sentir uma saudade infernal da mãe.

_ Sim, ela era – ela encostou a cabeça em seu ombro, escutando – Mas isso não explica o porquê você sempre quis se casar com Jane... – murmurou ela, um pouco seca – Bem, ou talvez explique.

_ O que quer dizer?

Ela levantou a cabeça novamente, brincando com os próprios dedos.

_ Se sua mãe era tão linda e Jane é tão parecida com ela... bem, é óbvio, não? Você sempre foi encantado por Jane. Você é encantando por ela assim como seu pai era por Elizabeth – murmurou ela, parecendo um pouco ressentida.

Jasper colocou as fotografias ao seu lado no colchão para acariciar as bochechas brancas dela.

_ Você não entendeu? – disse ele, rindo um pouco de sua expressão – Jane era a mais bela e a mais encantadora e a mais cheia de modos – repetiu ele o que falara no começo de tudo aquilo revirando os olhos – por que tudo isso eram características de minha mae! Eu não via Jane, Alice, eu via Elizabeth, minha mãe.

Alice se virou para ele, achando-se uma completa tola por ainda não estar entendendo direito.

_ Não... não entendo.

Ele riu outra vez, aproximando-a pelos ombros.

_ Eu queria a companhia de Jane apenas para admirá-la... para lembrar de minha mãe – murmurou ele – Era como se pudesse quase tê-la outra vez. No fundo, era esse o motivo por eu querer me casar com ela. Certamente eu jamais a tocaria – ele virou a cabeça de um modo que pudesse beijar sua testa – Não como a toco... não me deitaria com ela e jamais teria... desejos... era apenas... para tê-la por perto.

Alice imaginou Jasper casado com Jane naquele momento, e a realidade de que ele não se deitaria com ela de forma alguma despertou em si um desejo de alivio.

O ciúme que sentia de Jane, de repente, era uma coisa tão banal quanto estúpida.

_ Então.... então nunca foi apaixonado por Jane? – indagou ela devagar, sentindo que estava prestes a receber a resposta que sempre quisera ouvir, mas era orgulhosa demais para perguntar.

E o sorriso de Jasper fora a resposta que ela precisava aquele tempo todo.

_ Não.

Foi tudo o que ele respondera.

Alice sorriu para si mesma, escorando-se em seu ombro novamente, ambos ficando em silencio.

Alice acabava de descobrir um segredo que, agora, ela faria parte.

_ Me sinto tão estúpida, agora – ela murmurou, rompendo o silencio e fazendo-o rir novamente.

_ Oh, não se sinta, minha cara – ele a tranqüilizou, mas seu tom zombeteiro disse à Alice que ela teria que se defender de algo – È completamente normal o ciúme que sentiu.

Alice semicerrou os olhos e levantou-se de seus braços no mesmo instante.

_ Oras pois! – exclamou ela completamente corada – Eu não tenho ciúmes de você, Sr. Presunção! – bateou o pé no assoalho, como fazia sempre que ele a tirava do sério.

_ Não? – o sorriso presunçoso dele a fez ficar vermelha de irritação.

_ Não! – ela retrucou.

_ Não? – ele insistiu.

_ Jasper – ela murmurou entre dentes – Pule daquela janela e tente morrer – um de seus olhos faiscou e ela precisou se virar, em direção à porta, para sair dali.

_ Alice, só para constar – a voz dele chamando-a a parou outra vez. Ela se virou para ele, fuzilando-o — Ela poderia lembrar minha mãe, mas eu nunca a achei mais bonita do que você – disse ele e Alice desfez sua carranca no mesmo segundo. Oh Deus, Jasper lhe irritava tanto – Não sei, talvez fosse seu jeito de nunca esconder a vontade que tinha de me matar... – ele riu – Mas você sempre me atraiu mais do que ela.

Alice amoleceu outra vez. Sua fraqueza por ele e o bom jeito com palavras que ele tinha eram uma péssima combinação.

Parada ali, quase na porta, ela ficou olhando-o com uma expressão de completa boba. Rendida e entregue.

Até que ele abrira sua majestosa boca outra vez.

_ Então, pode admitir que estava com ciúmes, agora?

Alice mirrou os olhos, tentando não rir da expressão brincalhona dele. Mas o fugaz brilho que voltara aos olhos dele por esperar que ela admitisse aquilo, lhe fez sorrir deliberadamente.

_ Você é irritante – ela murmurou, ao invés de dar o braço à torce diretamente. Mas a alta risada dele a fez ter certeza de que ele sabia que estava certo.

Ela quase morrera de ciúmes.

_ Você sabe o que eu penso sobre esse seu conceito – retrucou ele com um quase bom humor. Em uma piscadela, ele a puxou pela cintura para encostar seu queixo em sua barriga e olhá-la de baixo.

Alice passou a acariciar seus cachos dourados e macios, penteando-os para trás. Ficaram em um agradável silencio, enquanto ele fechava os olhos e tentava esquecer que teria que iniciar uma conversa realmente séria com ela a qualquer momento.

Poderia perder aquela paz, aquele majestoso clima que havia acabado de reconquistar.

Então, quis aproveitar os últimos segundos em que podia se permitir abraçá-la. E quis aproveitar os últimos segundos em que ela remexia em seus cabelos, como se ele fosse o seu menino grande.

Quanto tempo mais ele ainda tinha?

_ Jamais vai aprender a ajeitar esses cabelos, não é? – ela sorriu levemente, arrumando os fios, um a um, em seu lugar. Jasper apertou aconchegantemente seu quadril entre seus braços, mordendo os lábios ao escutar o som cristalino da risada dela.

Era tão perfeita sorrindo quanto era séria.

Porem, ele se convenceu de que teria que acabar com aquele momento de uma vez por todas.

E teria que ser naquele momento, ou não seria mais.

_ Alice? – ele a chamou e sua voz tornara-se um tanto sombria. Desencostou-se de sua barriga, arriscando olhar para cima outra vez, encarar a fera nos olhos – Precisamos conversar.

Alice franziu o cenho, parando com os movimentos de suas mãos, deixando-as inertes envoltas em seu cabelo. Novamente ele tocara naquilo. Que teriam que conversar.

O mistério do assunto dessa conversa lhe perturbava a mente.

_ O que aconteceu, Jasper? – indagou ela, tocando sua têmpora. A expressão alarmada dele lhe dera arrepios.

Aquilo parecia mesmo sério.

_ Tenho algo para te contar – murmurou ele, respirando fundo e pondo-se de pé, para que conversassem face a face.

Alice engoliu em seco, milhares de coisas passando juntas por sua mente. Inconscientemente dera um passo para trás, tentando conter o nervosismo aterrador que tomara seu corpo.

_ O que é? – ela perguntou, seu tom tão baixo que se não estivessem os dois concentrados na conversa, ele não ouviria – O que você quer me dizer?

Jasper estalara os olhos, e um repentino medo aparecera ali. Fora tão rápido que Alice não conseguira acompanhar e perguntar o que era.

_ Alice, você está...

_ Sra. Witlock! Sra. Witlock!

Os dois viraram-se repentinamente para a porta, onde a voz de Lilly aparecera desesperada. O clima tenso da conversa mudara de direção e, agora, o chamado da serviçal acelerou o coração dos dois no mesmo segundo.

_ Lilly? – Alice indagou, estalando a língua em ter que deixar Jasper e ir até sua porta para socorrer a pobre mulher. Quando abrira a porta, os olhos brilhantes de medo da mulher lhe aterrorizaram – O que há, Lilly?

_ O que aconteceu? – Jasper apareceu logo atrás de Alice, a expressão dura. O que diabos estava acontecendo lá embaixo de tão grave que o impedira de revelar à Alice o segredo sobre sua saúde?

_ Sr. Witlock, tem um oficial de justiça na sala – disse ela, atropelando as palavras – Disseram que... que precisam falar com a Sra. Witlock – ela limpou a garganta, voltando seus olhos amedrontados para Alice, que passara a apresentar a mesma expressão – E é sobre um assassinato!

Alice e Jasper ficaram estáticos com aquela noticia. O coração acelerou e as pernas dela tremeram.

_ Mas o que... – ela começou a indagar, mas no mesmo segundo Jasper a pegou pelo pulso para acompanhá-la até o andar de baixo para que vissem o que diabos estava acontecendo.

Ele praguejou-se internamente por estar expondo Alice, doente como estava, àqueles assuntos pesados demais. Estava perdendo sua perfeita oportunidade de conversar com ela.

Quando teria outra oportunidade daquela?

Desceu as escadas amparando-a pelos ombros, pois suas pernas doíam. Seguiu seus passos vagarosos, pois ela não podia cansar-se. No andar de baixo, dois homens com suas fardas oficiais andavam de um lado para outro, olhando com seus olhos de águia por todos os lados.

_ O que está acontecendo aqui? – Jasper indagou assim que chegaram na sala de estar. Se não fosse algo importante, iria ser rude o suficiente por terem tirado Alice do quarto com todo aquele alarde.

_ Sra. Alice Cullen? – o primeiro dos homens voltou-se para Alice, mirrando os olhos atentos para ela.

Certamente notando que ela não estava em suas melhores condições.

_ Sim – ela balbuciou, olhando segundo à segundo para Jasper – Bem, sou eu, sim.

_ Você é uma das filhas de Sr. Cullen? – perguntou ele, mas a certeza seu tom de voz fizera Alice ter certeza de que ele sabia que ela era, mesmo.

Um medo subira pela espinha dela e seu coração acelerou-se ainda mais no peito.

_ Sim – ela sussurrou – Sim, o que aconteceu com meu pai? — engoliu em seco, apertando o lenço que tinha envolta do pescoço com força.

Os nós de seus dedos doeram.

O homem trocou um sugestivo olhar com seu parceiro, depois com Jasper, como se dissesse ao primeiro que diria, e ao segundo que era melhor ele segurar sua esposa.

Assim, virou-se para Alice, colocando as mãos na cintura.

_ Encontramos o corpo de Sr. Cullen baleado – disse ele pausadamente – Sinto muito... mas o Sr. seu pai está morto.

Notas finais
E então??????
Bem, espero que tenham gostado!
:D
Até a proxima semana!
:*